Mês: maio 2013

  • CARTA SOBRE FORMAÇÃO DE AIS – RIO NEGRO

    Ao Ilmo. Sr.:Alexandre Oliveira Cantuária
    C/C: Ilmo. Sr.: Antonio Alves de Souza – SESAI
    Ex. Senhor  Ministro da Saúde.
    Coord. Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro – DSEI-ARN/SESAI/MS

    Ref.: Curso dos Agentes Indígenas de Saúde e saúde dos povos indígenas do Rio Negro

    Prezado Senhor Alexandre,

    Diante do diálogo através de telefonemas e e-mails trocados entre FIOCRUZ, FOIRN e DSEI, SESAI nos últimos tempos resolvemos elaborar esta carta formal para que as coisas fiquem bem claro entre as instituições, que tem sua missão a cumprir como setores de governo de unidades de execução técnica das políticas de saúde no país. E a federação como representante legítimo dos povos indígenas que vem travando diálogo, acordos entorno da execução correta dos direitos, políticas públicas para os povos indígenas e manifestar sobre interesse dos mesmos de direito constitucional e Sistema Único de Saúde e Subsistema de Saúde Indígena no Rio Negro e no Brasil.

    Primeiro queremos lembrar que os direitos indígenas são conquistados e a saúde indígena como subsistema do SUS foi fruto de longo tempo de luta, e é a única no Brasil onde os povos indígenas tem mais participação na sua construção porque entende que é fundamental e assim os aliados não indígenas parceiros nos ajudam nesta luta para melhoria cada vez mais deste sistema para prestação de serviço nas comunidades aos povos indígenas no Brasil. Por isso o nosso acompanhamento e participação da história, da construção, da conquista, da implantação e avaliação tanto local, regional e nacional. Isto se refere ao sucesso, fracassos , omissão, negligencia, ineficiência da gestão da saúde nos últimos tempos. Tratamos isso não como uma coisa particular, mas como Estado Nacional Brasileiro que teve na sua meta originalmente de acabar com os povos indígenas até ano de 2000. Por isso entendemos que as políticas públicas voltado aos povos indígenas nunca foram adequados para a realidade local que é um dos princípio do SUS. Com as práticas demonstradas até hoje o Estado Brasileiro resiste não buscar entendimento junto aos povos indígenas a fim de superar problemas e dificuldades. Quando nós nos posicionamos, não significa que não somos brasileiros, ao contrário, estamos sendo mais que Brasileiros, povos nativos deste país, de direito originário garantido na Constituição da República Federativa do Brasil.

    Queremos esclarecer que o Curso dos Agentes Indígena de Saúde é de interesse dos povos indígenas do Rio Negro. É um projeto de luta que surgiu antes do DSEI, porque não havia serviço nenhum de saúde nesta época nas comunidades indígenas. Com a criação do Subsistema da Saúde Indígena que criou os DSEIs no Brasil, e que na sua implantação este projeto foi importante  justificativa de experiência positiva no país. Ao se implantar DSEI RN, os profissionais de saúde começava questionar legalidade desta prática e por isso tem sido fraco na sua formação pela FUNASA que praticava os cursos para informar os agentes de saúde, e não formava os agentes de saúde. Mas depois de muito esforço do movimento indígena de esclarecer a importância, justificada pela própria ausência de profissionais em área, voltou a fortalecer esta política fundamental para os povos indígenas e comunidades no Rio Negro. Este projeto de Curso de técnico em agente comunitário indígena foi discutido dentro do Conselho Distrital que deliberou sobre ela através da resolução que é instrumento de qualquer colegiado, conforme orientação da lei do Controle Social no Brasil, especialmente da Saúde; depois buscou-se a parceria com a FIOCRUZ/Manaus que nos ajudou articular ensino médio na SEDUC já concluído; e nós junto a prefeitura municipal através da SEMEC conseguimos convencer para que fosse feita curso para conclusão de ensino fundamental; tudo isto porque entendíamos que assim poderia melhorar e muito o entendimento dos agentes de saúde e consequentemente melhorar o serviço de saúde nas comunidades através deste atores sociais e profissionais das próprias comunidades, resolvendo a fragmentação constantes ou paralisação de meses e muitas vezes de anos da ausência de profissionais de nível superior nas comunidades que continuam até hoje. Esse projeto foi aceito para ser desenvolvido pela FUNASA/MS e SESAI/MS no âmbito experimental. O curso é uma adequação dentro parâmetro curricular do Ministério da educação junto com Ministério da Saúde, dentro dos direitos indígenas que tem política de regionalização. Por isso o curso tem sido pauta do CONDISI e conteúdo do plano trienal do DSEI, além do que hoje o DSEI é uma unidade autônoma.

    Estas citações acima é para que pudéssemos dizer que quando ouvimos do novo Chefe do DSEI Rio Negro dizer que não tem legalidade e repassa o assunto a SESAI de Brasília ficamos triste, pois isto não passa de uma “enrolação” ou “procrastinação” de gestor das políticas públicas. Além disso onde está autonomia do DSEI? Onde está o poder do CONDISI? Se há problema de ilegalidade deve ser indicada claramente, sob entendimento de que as instituições envolvidas são parceiras, pelo menos até antes desta nova gestão. Ao nosso ver o Chefe Distrital precisa que seja transparente nas suas ações e posicionamentos políticos. Seguir a rigor a burocracia, técnicas, direitos administrativos é ser apenas técnico, ser apenas administrador, não gestor de uma política.

    Aproveitando esta oportunidade queremos também nos manifestar sobre as conferencias locais de saúde, a FOIRN não está sendo informada devidamente. Esta preocupação refere-se ao passado para não repetir os mesmos erros da última conferencia nacional da saúde indígena onde a FUNASA manipulou resultados desde conferencias locais até ao nacional, que ao final em termo de prática levou a total paralisação do serviço de saúde nas comunidades no Brasil inteiro.

    Gostaríamos de sugerir que este momento é tempo de diálogo, de entendimento, da flexibilidade sem deixar de seguir as técnicas recomendas pelo SUS, Organização Mundial da Saúde e gestão financeira. Observamos que assim podemos alcançar nossos objetivos comum como pessoas responsáveis pelas vidas das pessoas indígenas.

    Sendo este o nosso objetivo, esperamos daqui em diante que a parceria se retome na sua confiabilidade, re-consolidar os princípios democráticos e execução com boa qualidade de atendimento de serviço de saúde nas comunidades indígenas, não só no Rio negro, mas em todo Brasil. E que o Curso dos Agentes Indígenas de Saúde se conclua com apoio do SESAI, do DSEI Rio Negro que tem suas metas a cumprir, e os AIS são fundamentais para este cumprimento.

    Atenciosamente, lideranças indígenas

    1. Cesar Fernando de Lara
    2. Esmeraldo Maia
    3. Maristela Araujo Cordeiro
    4. Almir Vieira de Lima
    5. Simão Pedro Pedrosa Campos
    6. Maximiliano Correa Menezes
    7. Renato Sampaio Macedo
    8. Leôncio Alba Carvalho
    9. Nelson Cordeiro Aguiar
    10. Maximiliano Correa Menezes
    11. Renato Sampaio Macedo
    12. Leôncio Alba Carvalho
    13. Nelson Cordeiro Aguiar
    14. Adão Henrique
    15. Luiz Brazão dos Santos
    16. Evanildo Mendes Melgueiro
    17. Carlos de Jesus da Silva Ricardo
    18. Ronaldo de S. Apolinario
    19. Franklin Paulo da Silva
    20. Laureano Americo Monteiro
    21. Lucas Felipe da Silva
    22. Abrahão de Oliveira França
    23. Sidnei José  Olar dos Santos
    24. Maria Lucilene L. Fidelis
    25. Orlando Jose de Oliveira
  • CARTA Á PRESIDENTE DA FUNAI SOBRE APOIO AS COMUNIDADES INDÍGENAS

    Excelentíssima Senhora presidente,

    Nós, membros do Conselho Diretor da FOIRN, reunidos entre os dias 14 a 17 de maio de 2013, na “Casa dos Saberes” em São Gabriel da Cachoeira-AM, para discutir e planejar ações na região para os próximos anos.

    No ensejo, após ouvir lideranças de bases, referente às ações voltadas à saúde indígena, economia sustentável, formação básica e outras executadas pela PRÓ-AMAZONIA, junto aos povos Yanomami no rio Marauiá; Hupda, Yuhupdeh na região do rio Tiquié; Tukano, dessano, tariano, wanano, Hupda, em Taracua, médio rio Waupés e os Nadeb do rio negro enfim nas áreas indígenas onde desenvolve ações com repercussões positivas na região.

    E,diante do exposto, este Conselho, está de acordo com a continuidade das ações realizadas nas comunidades (conforme as cartas em anexo). Sendo assim apoiamos o retorno imediato das equipes envolvidas na expectativa da continuidade das parcerias junto aos nossos povos indígenas.

    No aguardo de vossa atenção e apoio, este Conselho se encontra a disposição para ampliar o diálogo e fortalecer as nossas parcerias no Rio Negro.

    Atenciosamente,
    Lideranças indígenas do conselho diretor,
    1. Cesar Fernando de Lara
    2. Esmeraldo Maia
    3. Maristela Araujo Cordeiro
    4. Almir Vieira de Lima
    5. Simão Pedro Pedrosa Campos
    6. Maximiliano Correa Menezes
    7. Renato Sampaio Macedo
    8. Leôncio Alba Carvalho
    9. Nelson Cordeiro Aguiar
    10. Maximiliano Correa Menezes
    11. Renato Sampaio Macedo
    12. Leôncio Alba Carvalho
    13. Nelson Cordeiro Aguiar
    14. Adão Henrique
    15. Luiz Brazão dos Santos
    16. Evanildo Mendes Melgueiro
    17. Carlos de Jesus da Silva Ricardo
    18. Ronaldo de S. Apolinario
    19. Franklin Paulo da Silva
    20. Laureano Americo Monteiro
    21. Lucas Felipe da Silva
    22. Abrahão de Oliveira França
    23. Sidnei José  Olar dos Santos
    24. Maria Lucilene L. Fidelis
    25. Orlando Jose de Oliveira
  • Carta de apoio a COIPAM do Conselho Diretor

    Ao Ilmo. Sr.: Luiz de Jesus Fidélis (Fidelis Baniwa)
    Coordenador da COIPAM – Coordenação das Organizações e Povos do Amazonas
    Ref.: Carta de apoio a COIPAM
    Prezado Sr. Coordenador da COIPAM,

    Após a sua apresentação sobre a COIPAM na reunião do Conselho Diretor do dia 14/05/2013, na maloca da FOIRN, resolvemos escrever esta carta de apoio para que os demais interessados também possam conhecer nosso posicionamento e apresentar propostas iniciais referente ao estatuto social e atividades para fortalecimento do movimento indígena no Estado do Amazonas que vai representar a COIPAM.

    Considerando que a COIPAM ainda está na fase de construção, construindo seu estatuto, consultando organizações de base para melhoramento; que a COIPAM vai realizar reunião do Conselho da instituição dia 19 a 22 de junho em Parintins para discutir entre outros, o Estatuto; a necessidade da FOIRN arcar com despesa para o deslocamento dos seus representantes nesta reunião;

    Sendo estes entendimentos, o Conselho Diretor da FOIRN deliberou o seguinte:

    1. A FOIRN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro reconhece a importância e a necessidade de uma organização indígena representativa a nível do Amazonas e que isso é muito importante para fortalecimento do movimento indígena em busca de respeito aos direitos dos povos indígenas no Brasil; mas que tenha de vista exemplos de outras associações regionais (COIAM) e nacional (CAPOIB) que nasceram e morreram, isso não deve acontecer com a COIPAM;
    2. A COIPAM deve vir para fortalecer movimento indígena do Rio Negro e povos Indígenas do Estado do Amazonas;
    3. É este o caminho também do fortalecimento desta nova entidade do movimento indígena estadual que precisamos ajudar a nascer de fato e de direito para que cumpra com seu objetivo estatutário de defender os direitos e interesse dos povos indígenas que hoje se encontra ameaçadas diariamente no Brasil. Mas com apoio das demais organizações indígenas de base espalhadas no Estado do Amazonas podemos levantar a luta para ficar mais forte;
    4. Que a diretoria da COIPAM continue sua articulação junto às lideranças e organizações de base, construindo seus planos e projetos numa perspectiva de fortalecimento do movimento indígena do amazonas.
    5.  A FOIRN providenciará transporte de suas lideranças para participar da reunião da COIPAM em Parintins em apoio e fortalecimento do movimento indígena do Estado do Amazonas.

    Que a COIPAM tome iniciativa em promover seminários temáticos de interesse dos povos indígenas do Amazonas dentro de uma visão de futuro e missão de garantir a sustentabilidade e o bem-viver buscando apoio do setor privado e governos;

    Atenciosamente, os Conselheiros.

    1. Cesar Fernando de Lara
    2. Esmeraldo Maia
    3. Maristela Araujo Cordeiro
    4. Almir Vieira de Lima
    5. Simão Pedro Pedrosa Campos
    6. Maximiliano Correa Menezes
    7. Renato Sampaio Macedo
    8. Leôncio Alba Carvalho
    9. Nelson Cordeiro Aguiar
    10. Maximiliano Correa Menezes
    11. Renato Sampaio Macedo
    12. Leôncio Alba Carvalho
    13. Nelson Cordeiro Aguiar
    14. Adão Henrique
    15. Luiz Brazão dos Santos
    16. Evanildo Mendes Melgueiro
    17. Carlos de Jesus da Silva Ricardo
    18. Ronaldo de S. Apolinario
    19. Franklin Paulo da Silva
    20. Laureano Americo Monteiro
    21. Lucas Felipe da Silva
    22. Abrahão de Oliveira França
    23. Sidnei José  Olar dos Santos
    24. Maria Lucilene L. Fidelis
    25. Orlando Jose de Oliveira
  • CARTA DE REPÚDIO CONTRA PEC 215 – DOS POVOS INDÍGENAS DO NEGRO

    Participantes da reunião
    Participantes da reunião

    Nós Movimento Indígena do Rio Negro reunido nestes dias 14 a 17 de Maio de 2013 na maloca da FOIRN no município de São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas, organizados em Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro desde 1987, representante de 31 povos diferentes, 750 comunidades, vem publicamente declarar para todos os Brasileiros e a outros que possam interessar, que somos completamente contra PEC-215 que está em tramitação no Congresso Nacional.

    Entendemos que este projeto de Emenda Constitucional é uma reação negativa dos colonizadores de nossas terras há muito tempo atrás quando ainda não tínhamos direitos reconhecidos na Constituição da República Federativa do Brasil. Os nossos direitos estão garantidos hoje na nova Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, fruto de luta e perda de muitas vidas de muitas etnias e línguas indígenas.

    Hoje para nós está muito claro porque as terras indígenas ainda não foram todas demarcadas que tinha um prazo constitucional de (5) cinco anos a partir da nova constituição em vigor, que faz hoje mais de 25 anos, portanto, um atraso de 20 anos.

    A partir do momento em que as terras indígenas foram sendo demarcadas, inclusive as mais polemicas, mas valendo nosso direito de anterioridade ao Estado Nacional Brasileiro reconhecido, os afetados não admitiram esse fato de direito. Por isso organizaram-se através do poder do voto para eleger seus representantes no Congresso Nacional para que a partir dali encontrasse em poder e tão somente para sua vingança. É como se o ladrão tentasse transformar seu ato condenado pelo direito em um direito. Por isso essa PEC-215 é inconstitucional.

    Pedimos mais uma vez da sociedade Brasileira como universitários, profissionais, artistas e outros que nos ajudaram conquistar esse nossos direitos e outras minorias e que fizeram a “Constituição Brasileira” ser uma das leis nacionais mais cidadã do mundo e não pode retroceder. Por isso pedimos que a PEC -215 seja anulada.

    Atenciosamente, os Conselheiros das coordenadorias regionais( COIDI, COITUA,CABC,CAIMBRN e CAIARNX).

    1. Cesar Fernando de Lara
    2. Esmeraldo Maia
    3. Maristela Araujo Cordeiro
    4. Almir Vieira de Lima
    5. Simão Pedro Pedrosa Campos
    6. Maximiliano Correa Menezes
    7. Renato Sampaio Macedo
    8. Leôncio Alba Carvalho
    9. Nelson Cordeiro Aguiar
    10. Maximiliano Correa Menezes
    11. Renato Sampaio Macedo
    12. Leôncio Alba Carvalho
    13. Nelson Cordeiro Aguiar
    14. Adão Henrique
    15. Luiz Brazão dos Santos
    16. Evanildo Mendes Melgueiro
    17. Carlos de Jesus da Silva Ricardo
    18. Ronaldo de S. Apolinario
    19. Franklin Paulo da Silva
    20. Laureano Americo Monteiro
    21. Lucas Felipe da Silva
    22. Abrahão de Oliveira França
    23. Sidnei José  Olar dos Santos
    24. Maria Lucilene L. Fidelis
    25. Orlando Jose de Oliveira