Mês: outubro 2013

  • XXV Reunião do Conselho Diretor da FOIRN começa na quarta-feira, 23/10.

    Pautas:

    1. Papeis e responsabilidades estatuárias de uma organização civil (palestra);
    2. Relatório da Comissão Fiscal;
    3. Relatório de atividades da FOIRN (maio a setembro de 2013);
    4. Avaliação de atuação de lideranças indígenas indicadas para cargos públicos municipais, estaduais e federais pelo movimento indígena (FOIRN);
    5. Avaliação de atuação institucional das ONGs nas regiões de abrangência da FOIRN;
    6. Relatórios de atividades das instituições públicas municipais, estaduais e federais que atuam nas comunidades de abrangência da FOIRN;
    7. Alcoolismo e uso de drogas entorpecentes nas comunidades indígenas;
    8. Fundo FOIRN

    Programação:

    Dia 23/10/2013 – Quarta-Feira;

    •  8:00 à 8:30 hs – Abertura (palavras de boas vindas e aprovação das pautas e programação);
    • 8:30 à 10:00 hs – Parecer da Comissão Fiscal (Presidente da Comissão Fiscal).
    • 10:20 à 12:20 hs- Fundo FOIRN (Conselheiros e Diretoria Executiva);
    • 14:00 à 16:00 hs – Relatório de Atividades/FOIRN (maio a setembro/Diretoria executiva);
    • 16:20 à 18:20 hs – Análise, avaliação e aprovação do relatório (conselheiros).

    Dia 24/10/2013 – Quinta-Feira;

    •  8:00 à 10:00 hs – Organização, responsabilidades e limitações estatuárias de uma instituição;
    • 10:20 à 12:20 hs – Avaliação de atuação das ONGs nas regiões de abrangência da FOIRN (Coordenadorias, conselheiros e diretoria executiva da FOIRN);
    • 14:00 à 16:00 hs – Avaliação de atuação de lideranças indígenas indicadas para cargos públicos municipais, estaduais e federais pelo Movimento Indígena do Rio Negro/Associações e FOIRN (Lideranças Indígenas convidadas, conselheiros e diretoria executiva);
    • 16:20 à 18:20 hs – Alcoolismo e uso de drogas entorpecentes nas comunidades indígenas (Coordenadorias, conselheiros, diretoria executiva e convidados);
    • 19:30 à 21:30 hs – Relatórios de atividades da COIAB e COIPAM (Max e Fidelis Baniwa).

    Dia 25/10/2013 – Sexta-Feira;

    •  8:00 à 10:00 hs – Relatórios de atividades das instituições públicas municipais, estaduais e federais que atuam nas comunidades indígenas da abrangência FOIRN: – SEMEC/SGC; – SEMEC/SIRN; – SEMEC/BARCELOS e SEDUC/AM/SGC;
    • 10:20 à 12:20 hs – apresentação de relatórios de atividades: DSEI/RN (Informes); – DSEI/RR (Saúde dos Yanomami no Alto Rio Negro).
    • 14:00 à 16:00 hs – apresentação de relatórios de atividades (Continuação): FUNAI/SGC;- SEIND/AM; – Instituto Chico Mendes/SGC;
    • 16:20 à 18:20 hs – Encaminhamentos, avaliação e encerramento da XXV Reunião do Conselho Diretor.

    Obs: As pautas e programação definitivas serão aprovadas na abertura da reunião no dia 23 de outubro. IMPORTANTE: O local da reunião será no Pontão de Cultura/FOIRN.

  • Curso de formação de lideranças Indígenas do rio Negro.

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    O curso é uma realização da FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro),através do Projeto Bem-Viver financiado pela Horizonte 3000, com a proposta de garantir formação para 15 lideranças selecionados.

    O processo de seleção de candidatos ocorreu no mês de setembro deste ano, onde várias lideranças enviaram carta contanto sua história de vida como liderança indígena, e justificando a importância de participar do curso, que abriu apenas três vagas para cada coordenadoria regional. A seleção dos candidatos foi realizado por uma comissão constituído por FOIRN, IFAM, ISA e FUNAI.

    O Curso terá duração de 13 meses, sendo 6 módulos teóricos a ser realizado em São Gabriel da Cachoeira e 7 módulos práticos nas comunidades. Os módulos estão organizados por áreas de conhecimento e temáticas que irão garantir o máximo de proveito e  formação aos cursistaspara atuarem nas suas regiões de origem.

     Com uma carga horária de 240 horas de curso, durante a formação teórica serão estudados os temas: História do Movimento Indígena do Rio Negro, Mitos- Narrativas e as explicações rionegrinas sobre o mundo, Tradições Indígenas e Interculturalidade- as associações e aslideranças enquanto pontes entre diferentes realidades, Políticas tradicionais – Movimento Indígena e Políticas Partidárias: diferenças e similaridades e Gestão e Associaitivismo: Projetos e gerenciamento executivo das associações.

    Intercâmbio em Canafé – 2a parte do Módulo 1

    A 2a parte do 1o Módulo do Curso de Formação de Lideranças está acontecendo entre os dias 16 a 23 de outubro, na comunidade de Canafé, no Município de Barcelos, Baixo Rio Negro.

    O intercambio tem como tema: Curso de história, onde os cursistas terão como professores os historiadores José Ribamar Bessa e Geraldo Pinheiro. E acompanhados pelo Diretor Marivelton Rodrigues Barroso/FOIRN, Maximiliano Correia/Departamento de Educação da FOIRN, Lirian Monteiro/ISA e Renato Martelli/ISA.

    O encontro de troca de experiências e conhecimentos em Canafé tem como objetivo o analisar e avaliar os caminhos e escolhas das lideranças no processo histórico considerando oportunidades, dificuldades e desafios ao longo desses anos do Movimento Indígena.

  • Mais comunidades do Alto, Médio e Baixo Rio Negro conectadas à rede de radiofonia indígena.

    Na foto Diretor Marivelton Barroso e Rivelino Assunção Lopes da comunidade de Maricota/Baixo Rio Negro, onde uma estação de radiofonia foi instalada.
    Na foto Diretor Marivelton Barroso e Rivelino Assunção Lopes da comunidade de Maricota/Baixo Rio Negro, onde uma estação de radiofonia foi instalada.

    A rede de radiofonia indígena do rio Negro ganhou mais 9 estações esse ano. Dessa forma, mais comunidades, localizadas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro, estão integradas à rede da Foirn por meio de equipamentos adquiridos através do convênio com a Embaixada da Noruega e de um apoio do SESC-SP . Cada estação instalada inclui um aparelho de rádio e alguns acessórios:  uma antena, uma placa solar e uma bateria.

    Hoje a rede de comunicação da Foirn, que reúne mais de 60 associações indígenas de base, compreende 158 estações de radiofonia. Elas operam nas comunidades localizadas nos 10,6 milhões de hectares de Terras Indígenas demarcadas na porção mais alta da bacia. Essas comunidades situam-se às margens do rio Negro e de seus afluentes, tanto da margem direita quanto esquerda (confira no mapa). Nelas vivem famílias indígenas Baré, Tukano, Baniwa, Dessano, Tariano, Arapaço, Piratapuia entre outras. As novas estações vão facilitar a participação indígena no processo de reconhecimento dos seus direitos territoriais e no acesso aos serviços de atendimento de saúde e outras informações.

    Uma vez, estava precisando entrar contato com a comunidade, era um assunto urgente e não tinha como. Tive que passar recado para Cucuí para depois eles passarem pra cá…Naquela época pensava, imagine se tivesse radiofonia na minha comunidade” – lembra o professor Bené, da comunidade São Pedro – Foz do Uni, Alto Rio Negro, que fica a três horas de Cucuí, onde uma estação de radiofonia foi instalada, no final de setembro do presente ano.

    As novas comunidades com rede de radiofonia da Foirn, em São Gabriel da Cachoeira são:  Nova Jerusalém – Alto Rio Negro, São Pedro/Foz do Uni – Alto Rio Negro, Santa Rosa – Rio Xié, Juruti – Alto Rio Negro, Cunuri- Rio Xié e Monte Alegre – Baixo Waupés. No município de Santa Isabel do Rio Negro:  Mafi – Médio Rio Negro, Samauma – Médio Rio Negro e Maricota – Baixo Rio Negro

  • Educação Escolar Indígena: Oficinas no Baixo Rio Negro

    Oficinas de Educação Escolar Indígena foram realizadas em 4 comunidades do Médio Rio Negro entre os dias 16 a 21 de setembro.   

    A viagem e os objetivos 

    O Departamento de Educação da Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), com acompanhamento da CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro) e SETCOM- FOIRN (Setor de Comunicação) empreendeu uma viagem para o médio rio Negro entre os dias 15 e 21 de setembro.

    As oficinas realizadas nas comunidades Castanheirinho (16/09), Livramento II (17/09), Massaraby (18-19/09) e Cartucho (20-21/09), foram respostas às reivindicações enviadas à Foirn e uma continuidade dos trabalhos já iniciados há alguns anos nessa região.  

    Com uma programação previamente definida com as lideranças dessas comunidades, as oficinas tiveram como um dos objetivos esclarecer mais sobre a proposta da educação escolar indígena, através de relatos de experiências bem sucedidas já existentes em algumas regiões do Rio Negro (Tiquié, Waupés e Içana). O outro objetivo foi ouvir as comunidades sobre o “modelo”de escola que desejam, além de colaborar no processo inicial da construção de seus Projetos Políticos Pedagógicos, que possuem como uma das premissas básicas desenvolver a valorização e o fortalecimento da cultura local.

    “Queremos que a escola indígena funcione na nossa comunidade”. 

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    Na região do alto rio Negro, apesar das primeiras experiências de escolas indígenas tidas como “diferenciadas”  terem começado há mais de 10 anos, o Médio Rio Negro está iniciando essa discussão, de forma mais constante,  a pouco tempo, onde buscam definir um “formato”de escola que desejam para seus filhos.  

    “Não existe modelo de escola indígena a ser seguido ou copiado. Mas, cada experiência já existente deve servir de base para formular uma proposta de escola que se adeque a realidade local”- explicou o professor Orlando Baré, atual Coordenador Geral da CAIMBRN, que também colaborou nas discussões e trabalhos realizados durante a visita nas comunidades.  

    “Queremos que a escola indígena funcione na nossa comunidade, para que os nossos filhos além de aprenderem conhecimentos dos brancos, também aprendam os nossos”- disse Sandra Dessana, 38, vinda do Alto Tiquié e atualmente, moradora da comunidade de Massaraby, onde também vivem pessoas de outras etnias.  

    “Algum tempo recente, quando se falava de educação escolar indígena, de revitalização e valorização de cultura alguns de nós falávamos que não queríamos voltar a viver como nossos antepassados viviam. As experiências que acabamos de ouvir mostram que não é assim”- comentou o professor Vamberto Plácido, 40, da comunidade Cartucho, depois dos relatos de experiências.  

    O desafio agora é iniciar o processo de construção de elaboração dos PPPIs dessas escolas. Essa caminhada requer tempo e dedicação por parte, principalmente, do corpo docente e da comunidade escolar.    

    Ensino Médio: um desafio pela frente.  

    Caso de Cartucho

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    Na Comunidade Cartucho, o Ensino Médio Tecnológico funciona há alguns anos. É uma modalidade de ensino em que os conteúdos das aulas são produzidos em três estúdios de TV do Centro de Mídias, em Manaus. É de onde uma equipe de professores ministra as aulas, que por sua vez, são transmitidas em tempo real via satélite para as escolas. Cada uma das salas de aula está equipada com um kit tecnológico (por antena, roteador-receptor de satélite, microcomputador, webcam com microfone embutido, TV de 37 polegadas, impressora e estabilizador).

    Os ex-alunos relataram suas experiências e problemas enfrentados no tempo em que ainda eram alunos.  Segundo eles, esse modelo de ensino é bom para aqueles que conseguem “assimilar” e aprender rápido. Pois, o formato de aula é diferente se comparado com o modelo de ensino presencial, onde os alunos podem recorrer ao professor em casos de dúvidas, que no caso do modelo tecnológico isso não ocorre.  

    Outro problema relatado é que às vezes o equipamento fica com problema e quando isso acontece os alunos não podem “assistir” as aulas, perdendo, consequentemente, os conteúdos. E para piorar, a manutenção dos equipamentos sempre demora a chegar. Segundo informação da comunidade, os alunos do ensino médio tecnológico perderam seus estudos nesse ano de 2013, pois os equipamentos quebraram desde o início do ano letivo e até o presente momento os técnicos não foram resolver o problema na comunidade. 

    “Esse ensino médio não é nosso, é uma proposta montada e discutida pelos técnicos do governo, que não querem saber se vai ser implantada numa comunidade indígena ou não”- explicou Coordenador da CAIMBRN.  

    “Mas, há uma vantagem quando funciona, os professores possuem uma boa formação nas áreas de atuação, o que às vezes não acontece em várias escolas de ensino médio presencial”-lembra um dos ex-alunos, hoje professor na própria comunidade.  

    Após a discussão sobre os desafios do ensino médio, lideranças, professores, pais, avós e alunos dividiram-se em grupos para discutir, sistematizar e apresentar propostas para o Projeto Político Pedagógico Indígena do ensino infantil ao fundamental. Uma das propostas do sr. Jaime foi a seguinte: “ a partir de hoje todos os pais da comunidade devem falar somente em nhengatu com seus filhos desde o início e quando chegar no tempo da escola essas crianças já vão saber falar a própria língua”.

    A comunidade de cartucho iniciou o processo de sistematização de seu Projeto Político Pedagógico Indígena nesta primeira oficina, objetivando aprofundar na discussão em próxima oficina, marcada para o início de novembro de 2013.

    Experiência Tuyuka: “Temos que ser radicais” 

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    A coordenação da Oficina, na comunidade Cartucho, aproveitou a passagem (pernoite) do Higino, que estava indo para a Oficina sobre Direitos da Mulher em Santa Isabel, para contar e contribuir com sua rica experiência, como professor e liderança indígena.  

     “Se quisermos que a escola indígena seja um instrumento que funcione quando se trata de valorização e revitalização, temos que ser radicais”- disse Higino Tenório Tuyuka ao introduzir seu relato de experiência referente à Escola Tuyuka.  

    “Se rezarmos Ave Maria todas as manhãs, é claro que em duas semanas, todas as crianças vão saber rezar”- refletiu, explicando em seguida que o mesmo ocorrerá se os pais e professores falarem com as crianças na própria língua todos os dias.  Segundo Higino, quando a Escola Tuyuka foi discutida, o objetivo era recuperar a língua Tuyuka que estava sendo substituída pela língua Tukano. “As crianças não sabiam mais falar Tuyuka, somente adultos de 30 anos pra cima. Foi quando criamos a escola. A partir de lá, começamos a falar, e em pouco tempo as crianças começaram a falar Tuyuka. Hoje,  as crianças não apenas falam, como também escrevem”- lembra Higino.  

    A oficina para a construção do Projeto Político Pedagógico Indígena em Cartucho contou também com a colaboração e assessoria da Lirian Monteiro, do Programa Rio Negro/Instituto Socioambiental. 

    Caso de Massaraby 

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    Em Massaraby a situação é bastante complicada. O ano, segundo os alunos, começou com dois professores e a partir do segundo semestre a sala do ensino médio ficou com apenas um professor. Este saiu da comunidade para a cidade (São Gabriel da Cachoeira) na véspera do torneio da semana da pátria (primeira semana de setembro), e até dia 16 de setembro ainda não havia retornado. E ainda, “saiu nas férias (final de junho), só chegou ao final de agosto, antes da semana da pátria, só ficou uma semana e foi embora novamente”-reclamou uma das alunas.  

    “Estou bastante preocupada, passamos os primeiros bimestres estudando apenas duas disciplinas e as outras como é que vão ficar? O professor vai chegar lá (SEDUC local) e vai inventar as notas para as demais disciplinas, fazendo de conta que estudamos também estas. Isso me preocupa muito”- completa. 

    Caso de Livramento II 

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    Hoje a escola já estaria no segundo ano de funcionamento caso a SEDUC cumprisse a previsão da implantação de uma sala anexa do Colégio João Marchesi (sediado em São Gabriel da Cachoeira), mas até o presente momento não foi implantado.  

    No ano em que a equipe da SEDUC passou pela comunidade, justificaram que a criação de uma escola de ensino médio não seria viável por reduzido numero de alunos (listados na matrícula apresentada) e pela falta de espaço (prédio escolar). Mas, segundo os comunitários presentes na oficina, foi aprovada a implantação de uma sala anexa na comunidade (como mencionado acima). 

    Se for por falta de espaço (salas de aula) que o ensino médio ainda não funcionou, as comunidades Livramento I e II, Vila Nova e sítios arredores estão juntando forças para construir três casas que servirão de espaço e estrutura para o funcionamento do ensino médio. A previsão de conclusão das casas é ainda este ano. Precisamente, em dezembro.

    “A gente sabe que não é nossa obrigação construir escola, mas, como demora pra chegar, estamos mostrando para o governo que temos muita força e vontade para ter o ensino médio para nossos filhos e para nós mesmos”- lamentou o “Seu” Nivaldo, com mais de 50 anos, que também é um dos alunos inscritos para estudar no ensino médio.   

     

  • Oficina sobre Direitos da Mulher reuniu mulheres indígenas de três municípios do Rio Negro

    Direitos da Mulher Indígena foi o assunto da Oficina em Santa Isabel do Rio Negro, realizado entre os dias 23 a 25 de Setembro de 2013

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    A oficina

    Realizada pelo DMIRN (Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro) da FOIRN em parceria e apoio da FUNAI- CCRN, a oficina teve como objetivo principal a Promoção em direitos indígenas da mulher e fortalecer a cidadania das moradoras dos municípios do Rio Negro.

    Mulheres de Iauaretê, Barcelos, São Gabriel da Cachoeira e de Santa Isabel tomaram conta do Auditório Salesiano entre os dias 23 a 25 de setembro. Entre elas estavam representantes dos Departamento de Mulheres da ASIBA (Associação Indígena de Barcelos), ACIMRN (Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro) e dos bairros de Santa Isabel participaram do encontro.

    Durante os três dias a programação foi recheada de palestras, debates e discussões em torno de problemas enfrentadas pelas mulheres indígenas nos três municípios e comunidades do Rio Negro.

    Os grupos de trabalhos foram orientados por perguntas norteadoras elaboradas com base nas palestras: Direitos da Mulher ( Profa Madalena Gama Bendaham – Secretária do Conselho Municipal de Direitos da Mulher/SGC); – Cultura Indígena como Direito (Higino Tenório – Liderança Tuyuka); Direitos Indígenas como Direitos Humanos (Benjamim Baniwa – Vice-Presidente da ASIBA); – e exposições dos Departamentos de Mulheres da FOIRN, ASIBA e ACIMRN.

    Elas (ainda) não conhecem seus direitos.

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    Das mais de 50 mulheres vindos das mais diversas localidades, poucas conheciam seus direitos antes de participarem da oficina. Apesar do nível e formas de violência nas comunidades indígenas não serem os mesmos das cidades, foram elaboradas propostas de ações para que mulheres nas comunidades também conheçam e façam valer seus direitos.

    Segundo a Rosane Cruz, 23, Piratapuya, Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas da Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), é fundamental que o movimento de mulheres construa estratégias de comunicação e informação para que as mulheres que ficam nas comunidades mais distantes das cidades também conheçam seus direitos. “Traduzir as leis, como a da Maria da Penha nas línguas indígenas pode ser uma forma de torná-la essa lei conhecida pelas mulheres indígenas nas comunidades. Como também exigir mais a presença e participação dos órgãos competentes na divulgação dessas leis”- diz.

    Mesmo nas cidades, as informações não chegam às casas. E é nesses espaços que vivem as mulheres indígenas que sofrem violência e discriminação das mais váriadas formas, segundo os levantamentos realizado pelos grupos de trabalho.

    Mulheres pedem mais atenção.

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    Em três dias de oficina, com base nos resultados dos GTs, ficou bastante claro e preocupante a ausência do poder público e a falta de ações voltadas para o atendimento especializado à elas.

    Em carta elaborada ao final da oficina, deixam claro e exigem mais respeito e atenção: “Estudamos sobre como nós devemos proteger a integridade da mulher e como denunciar as violências que as mulheres sofrem. Debatemos sobre as melhores formas de comunicação entre nós para criarmos canais seguros de informação, proteção e segurança para mulheres”- descreve a carta. E ainda: “Diante dessas realidades exigimos que os Municípios e as Câmaras Municipais criem estruturas de atendimento dos direitos das mulheres: – Secretaria Municipal da Mulher; – Criação do Conselho; – Municipal dos Direitos da Mulher; – Delegacia Especializada para atendimento a Mulher; – Casa de Abrigo em casos de violência, ameaças, etc..”- finaliza a carta que será destinada aos prefeitos dos três municípios do Rio Negro (Barcelos, Santa Isabel e São Gabriel), com copias para as Câmaras Municipal.

    Os homens devem colaborar.

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    As leis que tratam sobre direitos da mulher devem ser de conhecimentos de todos, não apenas mulheres, como foi lembrado e recomendado pelas participantes da oficina em Santa Isabel.

    Casos de violência veiculados diariamente pela imprensa contra mulheres são cometidos por maridos ou parceiros. “A mulher é sempre vista como algo a ser discriminada, violentada, temos que lutar para mudar isso”- disse uma das participantes da oficina.

    Para mudar isso, é importante que os homens (os que praticam essas atitudes) comecem a repensar e mudar sua maneira de ver e de tratar as mulheres. Afinal, os dois tem direitos iguais, que devem ser respeitados, e acima de tudo, cumpridos.