Mês: maio 2014

  • Seminário local de Educação Escolar Indígena é realizado no município de Barcelos (AM)

    Representantes da comunidade São Francisco, do Rio Jurubaxi apresentam a situação atual da escola e as demandas durante o Seminário de Educação Escolar Indígena realizada em Barcelos.
    Representantes da comunidade São Francisco, do Rio Jurubaxi apresentam a situação atual da escola e as demandas durante o Seminário de Educação Escolar Indígena realizada em Barcelos.

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e a Fundação Nacional do Índio (Funai), em parceria com o ISA, realizaram, entre 14 e 16/5, um seminário de Educação Escolar Indígena, em Barcelos, no noroeste do Amazonas.

    O evento reuniu 50 representantes de 12 comunidades indígenas do município, incluindo professores, pais, alunos e lideranças Baré, Baniwa, Tukano, Caxinawá, Tuyuka, Macuxi, Ticuna e Arapasso, além de integrantes da Coordenadoria das Associações Indígenas do baixo Rio Negro (CAIMBRN), Associação Indígena de Barcelos (Asiba) e Setor de Educação Escolar Indígena da Secretaria Municipal de Educação de Barcelos.

    O seminário é o sétimo do projeto “Seminários de Educação Escolar Indígena”, lançado em janeiro, na Casa do Saber da Foirn, no âmbito da política do Território Etnoeducacional e dentro da perspectiva da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). A iniciativa tem como objetivo realizar um diagnóstico sobre a educação escolar indígena nas cinco regiões administrativas do Rio Negro, além de promover o intercâmbio de experiências, propor melhorias e inovações de infraestrutura, metodologias de ensino, formação de professores indígenas, elaboração de projetos políticos pedagógicos indígenas e, de forma mais ampla, aprofundar a discussão político-filosófica da educação escolar indígena e suas especificidades na região.

    Durante os três dias do encontro em Barcelos, professores e lideranças indígenas apresentaram suas experiências com a escola e suas expectativas em relação à educação escolar indígena. Grupos de trabalhos discutiram a situação atual das escolas e suas principais demandas. Todas as atividades realizadas por eles serão sistematizadas, compondo um documento que será entregue ao Ministério da Educação, Secretaria Estadual de Educação e Secretaria Municipal de Educação. O objetivo é fechar um pacto interinstitucional e intercomunitário para garantir as escolas indígenas nas comunidades, respeitando os processos próprios de ensino e aprendizagem de cada uma.

    Descaso

    Um dos principais temas debatidos foi o descaso do município em relação à educação escolar indígena. Segundo os participantes, o discurso da prefeitura é o de que apenas os Yanomami podem ser considerados indígenas – ainda que nem os próprios Yanomami tenham escolas reconhecidas pelo município – ao passo que as outras etnias vêm sendo desconsideradas. Os indígenas também reclamaram que a secretaria municipal de educação costuma informar às comunidades que apenas as terras demarcadas teriam direitos relacionados às escolas indígenas.

    No seminário, esclareceu-se que todos os povos indígenas, independente de ter suas terras demarcadas ou não, têm o direito garantido por lei a uma educação escolar indígena específica e diferenciada, ou seja, com uma escola voltada para cada povo indígena e pensada por cada povo, entendendo que cada grupo étnico possui cultura própria. Participantes lembraram que a secretaria municipal de educação não pode definir quem é ou não indígena para reconhecer uma escola indígena, cabendo apenas aos grupos e comunidades o direito à autoidentificação.

    Os participantes avaliaram que o encontro foi muito importante porque eles desejam valorizar as culturas e as línguas de cada grupo étnico em suas comunidades. Há grupos Tukano, Baniwa, Baré, Dessano e Arapasso, por exemplo, convivendo em uma mesma comunidade. De acordo com os indígenas, é importante que eles aprendam a chamada “língua geral” em sala de aula e dentro da família, mas de forma que ela não tome o espaço de outras línguas faladas em suas comunidades, como o tukano e o baniwa. Eles observaram essas línguas devem ser trabalhadas em sala de aula, mas também de acordo com cada grupo étnico e, sobretudo, dentro de casa.

    Depoimentos

    “É de muita importância discutir a educação escolar indígena, que é um desafio para todos nós. Nós estamos revitalizando a educação indígena, que é diferente da educação escolar indígena, que é diferente da educação diferenciada. Nós sabemos que cada um de nós tivemos educação indígena, nossa cultura, nosso modo de vida, também na língua. Estamos esquecendo a cultura de nossos ancestrais, nossos pais, mas hoje sabemos que a gente pode, paralelamente, trabalhar a pedagogia intercultural nas escolas urbanas também. É um desafio para cada professor entender a complexidade de cada aluno, no âmbito social, cultural, histórico, étnico e econômico. Temos que entender que estamos lidando com seres humanos de várias classes sociais e etnias. Já participei de conferências que trataram da educação escolar indígena. Os debates, ideias são importantes porque, aos poucos, podemos formatar um núcleo de educação escolar indígena em nossa secretaria, que possa funcionar.

    Renato dos Santos Batista Baré, professor indígena.

    “Barcelos passa por momentos importantes, relacionados à demarcação de terras indígenas. Temos conflitos, grandes, mas aqui, hoje, o centro é educação. Ninguém promove mudança na sociedade sem passar pela educação. O que vamos fazer aqui é discutir a educação escolar indígena. Muito se fala, mas pouca experiência nós temos. Nós travamos essa discussão e aos poucos se vai avançando e hoje percebemos, que nossas escolas da zona rural, nossos professores começam a compreender o que é uma educação diferenciada. Nós queremos, para Barcelos, uma escola que atenda as especificidades, uma escola que promova a cidadania. Vamos aproveitar, é o momento de começarmos a construir efetivamente uma proposta de educação escolar indígena em Barcelos, Santa Isabel e reforçar a educação escolar indígena em São Gabriel.”

    No encontro, os participantes relembraram a história das escolas na região. De acordo com eles, as primeiras foram implantadas há 100 anos, por meio do internato salesiano. Antes disso, as crianças aprendiam com seus pais, avós e tios aquilo que lhes era essencial para viver bem em seu grupo local, no momento certo. O aprendizado acontecia na prática e no cotidiano. Primeiro observando e, depois, fazendo.

    Ainda segundo os indígenas, o modelo convencional de escola tirou da criança e do jovem a oportunidade de aprender fazendo, ainda que eles considerem de grande importância o aprendizado da escrita e da língua portuguesa e, recentemente, da “língua geral”. O interesse pela escola indígena veio a partir do momento em que eles perceberam ser possível fortalecer as culturas indígenas, respeitando seus espaços de produção de conhecimento e aprendendo sobre os conhecimentos dos brancos e de outros povos. Os participantes comentaram que, para haver um diálogo intercultural, os conhecimentos da sociedade envolvente não podem se sobrepor às ciências indígenas e que a escola indígena tem um papel importante nesse processo, sobretudo para compreender que a ciência ocidental não é única e soberana.

    Por Lirian Monteiro/ISA

    Publicado no blog do Instituto Socioambiental.

     

  • Povos Hupd’äh e Yuhupdeh discutem Educação Indígena e Educação Escolar Indígena em V Seminário local

     

    Participantes do Seminário em Barreira Alto, rio Tiquié.
    Participantes do Seminário em Barreira Alto, rio Tiquié.

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e a Fundação Nacional do Índio (Funai), em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), promoveram, entre 18 e 30 de abril, encontros de Educação Escolar Indígena que reuniram diversos clãs Hupd’äh em comunidades: Barreira Alta (rio Tiquié), Santa Cruz do Cabari (igarapé Japu), Pinu Pinu e Waguiá (rio Papuri) e Yuhupdeh, na comunidade de Guadalupe (igarapé Ira). Participaram dos encontros professores Hupd’äh, Yuhupdeh e Tukano, agentes indígenas de saúde, líderes comunitários, jovens e anciãos. Os assessores foram Ivo Fontoura, antropólogo e coordenador do departamento de Educação/ Foirn; Lirian Monteiro, antropóloga/ISA; Sirlene Bendazzoli, da Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém Contatados/Funai; Claudia Bandera, da Coordenação Geral de Promoção da Cidadania/Funai e Ana Lima, assistente social/Dsei.

    A discussão, voltada às especificidades dos Hupd’äh e Yuhupdeh, foi pensada com o objetivo de promover o debate em relação à educação indígena/educação escolar indígena e fortalecer os diferentes espaços de se produzir saberes, visando construir estratégias culturalmente adequadas a esses povos, de recente contato, em relação a educação escolar e, ao mesmo tempo, garantir que seus modos próprios de ensino-aprendizagem sejam respeitados, valorizados e incentivados.

    Os seminários específicos aos Hupd’äh e Yuhupdeh fazem parte do projeto “Seminários de Educação Escolar Indígena”, lançado em 21 de janeiro de 2014, na Casa do Saber da Foirn, no âmbito da política do Território Etnoeducacional e da perspectiva da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (Pngati), política instituída pelo decreto 7.747, de 5 de junho de 2012. O projeto tem como objetivo realizar um diagnóstico ampliado e aprofundado sobre a realidade da educação escolar indígena nas cinco regiões administrativas do Rio Negro, além de promover o intercâmbio de experiências, propor melhorias e inovações de infraestrutura, metodologias de ensino, formação de professores indígenas, elaboração de projetos políticos pedagógicos indígenas e, de forma mais ampla, aprofundar a discussão político-filosófica da educação escolar indígena e suas especificidades rio negrinas.

    Uma das pautas dos seminários foi refletir sobre a educação indígena, lembrando que a ideia de escola chegou a seus territórios como projeto de colonização, desconsiderando os diversos tipos de saberes, ciências e filosofias indígenas. Os Hupd’äh e Yuhupdeh observaram que a escola do Estado tirou a criança e o jovem dos ensinamentos dos pais, tios e avós, contribuindo para que os adultos de hoje esquecessem os diversos tipos de danças e de benzimentos importantes para a pessoa Hup/Yuhup, o que ainda vem ocorrendo com os jovens atualmente. Falaram, com a ajuda dos velhos presentes, que antes de chegar a escola do branco todos aprendiam o que lhes estavam destinado. Quando o velho atribuía um nome à criança, a partir de seu clã, nele já vinha tudo o que aquela criança iria aprender na vida, desenvolvendo esses conhecimentos em seu cotidiano junto a família. Segundo os Hupd’äh, atualmente os jovens não se interessam mais pelos conhecimentos de seus avós, por isso os velhos não querem mais repassar, pois só ensinam se os jovens tiverem interesse em aprender. Como isso não vem acontecendo mais como antes, os velhos morrem e acabam levando todo o conhecimento embora com eles.

    Como declarou o professor Ricardo, da comunidade Barreira Alta:

    “Os velhos não passam mais seus conhecimentos porque os jovens não se interessam em aprender porque dormem muito. Eu aprendi a benzer e dançar Capivaiá porque sempre acompanhei meu pai nas rodas de ipadu. Acompanhei meu pai nos momentos em que ele estava benzendo e hoje eu mesmo sei benzer meus filhos.”

    Professores e demais lideranças lembraram que antes de chegar a escola eram bem unidos e comiam todos juntos. Os benzimentos eram repassados nos dias de caxiri e em rodas de ipadu, dia e noite, para que seus filhos aprendessem. Destacaram que já perderam muitos conhecimentos, não possuem mais zarabatana, mas que ainda possuem arco e flecha e diversas técnicas de caça. Observam ainda o ritual do jurupari e dançam também o Karissu, mas se preocupam com seus filhos que cada vez menos se interessam em participar só valorizando as festas com forró e principalmente a banda “Forroboy”. Contudo, as crianças desde pequenas já aprendem a fazer armadilhas para caçar calangos e à medida que vão crescendo aprimoram suas armadilhas de caça.

    Dabucuri em Santa Cruz do Cabari - Igarapé Japu. Foto Lirian Monteiro
    Dabucuri em Santa Cruz do Cabari – Igarapé Japu. Foto Lirian Monteiro

    Durante o encontro os Hupd’äh e os Yuhupdeh demonstraram possuir um grande interesse pela escola indígena por considerarem que esta respeita mais os conhecimentos indígenas e também traz os conhecimentos não indígenas e, sobretudo, tenta inserir os professores indígenas, de suas próprias comunidades. Contudo, observam que a Secretaria Municipal de Educação de São Gabriel da Cachoeira não vem valorizando esse princípio da educação escolar indígena, ao contratar professores de outras comunidades – sem levar em consideração as dificuldades que os pais dos alunos possuem para sustentar um professor de outro local.  Puderam apresentar suas experiências de, aproximadamente nove anos, como professores. Sendo que antes as crianças Hupd’äh tinham somente professores de outros grupos étnicos. Como os Hupd’äh possuem experiências recentes na prática de ensino em modelo escolar, apontaram como principais dificuldades enfrentadas a falta de apropriação em metodologias de ensino que promovam a pesquisa e o processo de letramento em língua própria bem como o ensino na língua portuguesa, afirmando a importância de se realizar oficinas pedagógicas para a elaboração de materiais didáticos de qualidade para o trabalho com leitura e escrita em língua hup/yuhup, tukano e português para crianças e jovens.

    A importância do letramento das crianças Hupd’äh, primeiramente em sua própria língua, foi bastante ressaltada. Nesse sentido, os professores e demais lideranças Hupd’äh solicitaram apoio à Funai para a realização de oficinas pedagógicas que possibilitem a produção de material didático junto aos professores Hupd’äh. Os mesmos consideraram a importância de se produzir material, analisando que sem textos escritos na língua torna-se muito difícil o trabalho de letramento. Informaram também que não adianta só escrever na lousa, pois as crianças gostam de livros bonitos e com desenhos, assim elas ficam mais animadas em aprender a ler e escrever.

    Os Professores informaram que já ouviram bastante sobre a proposta da educação escolar indígena durante magistérios indígenas, seminários, encontros, projetos de educação. Sabem que é lei e direito dos povos indígenas, mas que a Secretaria Municipal de Educação não respeita os calendários específicos das comunidades e exigem que se cumpra a carga horária da cidade, alegando ser uma determinação do Ministério da Educação. Uma das perguntas apresentadas, a partir das reflexões em trabalhos de grupos, foi como fazer que a escola – no sentido indígena – incentive os conhecimentos que são produzidos em outros espaços, como na roça, em expedições de caça e coletas de frutos, em rodas de ipadu, durante os rituais das flautas sagradas. Como fazer com que os jovens se interessem pelos conhecimentos de seus pais e avós. Para tanto destacaram a importância dos 200 dias letivos/ano – exigidos pela secretaria municipal de educação, mas não exigidos na legislação da Educação Escolar Indígena- contemplarem as atividades cotidianas fora da escola a partir de um calendário específico, construído pela comunidade, visando promover os diversos espaços de saberes em seus territórios. E que o espaço da escola, que consideram importante para aprender sobre o conhecimento de outros povos – seja em períodos que não atrapalhem os processos educacionais propriamente Hupd’äh e Yuhupdeh.

    Outro tema discutido de forma inicial, durante o seminário, foi sobre os Direitos Sociais. Como proposta de atividade, foram divididos três grupos de trabalho para realizar mapeamento de percursos na cidade de São Gabriel da Cachoeira, visando destacar os locais que costumam frequentar na cidade, tais como instituições, locais de lazer, comércios e locais de estadia. O mapeamento desses espaços citadinos, frequentados por Hupd’äh e Yuhupdeh foi importante para iniciar um debate, ainda incipiente, a cerca dos programas sociais do governo e seus impactos no modo de viver desses povos. Os programas sociais, como o bolsa família e auxílio maternidade vem culminando numa crescente descida dos Hupd’äh e Yuhupdeh à cidade, que por sua vez não possui estrutura para atender de forma adequada e eficiente os povos indígenas das comunidades.

    Durante os debates dos grupos registrou-se como principal queixa dos Hupd’äh, Yuhupdeh e Tukano a morosidade no atendimento da cidade para aquisição de documentos e os auxílios do governo, o que os fazem perder muito tempo na cidade, que não lhes oferecem boas condições de estadias. Além desse problema principal, ficam doentes muitas vezes, sem alimentação adequada e expostos aos diversos tipos de violência da cidade. Consideraram de grande urgência que São Gabriel da Cachoeira se estruture para atender bem todos os grupos indígenas que chegam de suas comunidades, enfatizando que o que querem é ter acesso aos documentos e aos programas do governo sem precisar sofrer por longos meses na cidade, enfatizando a importância de se retornar à comunidade para dar continuidade nos cuidados com suas roças e casas. Também ressaltaram que gostam de passear na cidade, mas que é preciso muito cuidado e um tempo curto de estadia, por ser a cidade um lugar de muita doença e confusões.

    Por Lirian Monteiro – antropóloga/ISA

  • Seminário de avaliação de 20 anos da ACIMRN foi realizado em Acariquara – Médio Rio Negro.

    Participantes do Seminário de Avaliação de 20 anos da ACIMRN, realizado em Acariquara, comunidade que fica a uma hora e meia de Santa Isabel do Rio Negro. Foto: SETCOM/FOIRN
    Participantes do Seminário de Avaliação de 20 anos da ACIMRN, realizado em Acariquara, comunidade que fica a uma hora e meia de Santa Isabel do Rio Negro. Foto: SETCOM/FOIRN

    A Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro – ACIMRN, foi fundada no dia 4 de abril de 1994, de lá pra cá, já se passaram 20 anos. Dificuldades, avanças e desafios marcam as duas décadas de existência da associação, que é uma das mais conhecidas no Rio Negro pela atuação na região.

    Para avaliar a atuação e elaborar plano de atuação para próximos anos, foi realizado o “Seminário de Avaliação de 20 anos” na comunidade Acariquara, localizado no médio Rio Negro, no município de Santa Isabel do Rio Negro entre os dias 25 a 27 de abril.

    Participaram da reunião cerca de 100 pessoas, vindos de comunidades de abrangência da ACIMRN, da ASIBA (Associação Indígena de Barcelos), ACIR (Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas), representantes de instituições parceiras como Instituto Socioambiental (ISA), FUNAI/Santa Isabel, IPHAN, Câmara Municipal/Santa Isabel e outros.

    O primeiro dia do Seminário foi marcado pelos relatos de dificuldades e os desafios encontradas pelas principais lideranças da região do médio rio Negro como o Braz de Oliveira França (Presidente da FOIRN entre  1990/1992 – 1993 a 1996), José Augusto Fonseca (secretário da FOIRN na primeira diretoria, presidente da comissão de criação da ACIMRN) e Orlando José de Oliveira (Presidente da FOIRN entre 2001-2004). Uma aula de história do movimento indígena aos jovens presentes no evento. Os três foram convidados pela diretoria e coordenação do seminário como palestrantes.

    Braz de Oliveira França foi um dos homenageados em Acariquara. O líder Baré teve atuação e participou no processo de criação da ACIMRN na época em que passou na diretoria da FOIRN. Foto: SETCOM/FOIRN
    Braz de Oliveira França foi um dos homenageados em Acariquara. O líder Baré teve atuação e participou no processo de criação da ACIMRN na época em que passou na diretoria da FOIRN. Foto: SETCOM/FOIRN

    No segundo dia, os palestrantes foram os representantes de instituições parceiras como Wilde Itaborahy  (ISA), Lorena França e Murilo (IPHAN), Ednéia Teles, Rosivaldo Teles (DAJIRN/FOIRN), Rosilda Cordeiro (DMIRN/FOIRN), Departamentos de Mulheres e Jovens da ACIMRN e representante da CTL/FUNAI-Santa Isabel.

    Os representantes dos Departamentos de Mulheres e Jovens Indígenas da FOIRN, como também da ASIBA e da ACIMRN, apresentaram os objetivos e as ações realizadas. Como também falaram de seus planos de trabalho, voltados para a região do médio rio Negro para os próximos meses.

    Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (SAT-RN) foi o tema da palestra dos representantes do IPHAN, que relatam os passos já realizados até aqui, como a formação dos membros dos Conselhos da Roça, criada no âmbito do SAT-RN como espaço para a troca e transmissão de conhecimentos e práticas relacionados à roça. O representante do ISA além de também falar sobre o SAT-RN, que também apresentou os dados do Ordenamento Pesqueiro na região do médio e baixo Rio Negro, um trabalho de acompanhamento e levantamento de dados realizado há algum tempo em parceria com as associações da região.

    Em 20 anos, as conquistas da ACIMRN já são notáveis, é uma das associações indígenas do Rio Negro que conseguiu ao longo do tempo amarrar parcerias e lutar pelos direitos, e buscar formas de melhorias de condições de vida para os povos que vivem na região não só das comundades que representa politicamente, mas, todos os povos do Rio Negro. Quer um exemplo? O reconhecimento do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro é uma luta dessa associação, que no final do 2010, na cerimônia de entrega do “Certificado”, o presidente da associação Carlos Nery, disse que a “conquista não era apenas das comunidades representadas pela ACIMRN, mas, de todos os povos indígenas do Rio Negro”.

    Marivelton R. Barroso, atual Diretor da FOIRN de referência à região do médio e baixo Rio Negro durante o Seminário em Acariquara. Ele é uma das lideranças indígenas do Rio Negro que se "formou" na ACIMRN, antes de chegar na diretoria da FOIRN.
    Marivelton R. Barroso, atual Diretor da FOIRN de referência à região do médio e baixo Rio Negro durante o Seminário em Acariquara. Ele é uma das lideranças indígenas do Rio Negro que se “formou” na ACIMRN, antes de chegar na diretoria da FOIRN. Foto: SETCOM/FOIRN

    As lutas e os desafios continuam. Demarcação de Terras, Extração Sustentável de Piçaba e Borracha, Ordenamento Pesqueiro e Turismo de Pesca Esportiva Sustentável está são os desafios atuais da associação. E como representante do SAT-RN junto com os parceiros e colaboradores tornar o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro um patrimônio da Humanidade. “Sabemos que o processo é longo, mas, é para isso que a nossa associação e  nós existimos, para lutar pelo nosso reconhecimento”- finaliza o presidente da associação, Carlos Nery.

     

  • Semana dos Povos Indígenas 2014

    Palestrante Higino Tenório Tuyuka, entrega publicações da FOIRN/ISA ao jovem indígena participante do evento.
    Palestrante Higino Tenório Tuyuka, entrega publicações da FOIRN/ISA ao jovem indígena participante do evento.

    A Semana dos Povos Indígena deste ano, foi realizado no final de abril na Casa dos Saberes em São Gabriel da Cachoeira, que encerrou no dia 30 de abril, como a comemoração de 27 anos de criação da FOIRN. Foram registrados cerca de 400 pessoas, sendo maior parte destes, jovens.

    Os primeiros dois dias teve como tema das palestras a Identidade Cultural, alunos e professores das escolas estaduais e municipais da sede, interagiram através de perguntas e brincadeiras com os palestrantes convidados: André Baniwa, Pe. Justino Resende Tuyuka, Gilliarde Henrique, Rosilvaldo Teles, Higino Tenório Tuyuka e Ednéia Teles.

    “A nossa língua é a nossa identidade cultural e  importante instrumento de luta pelos direitos”, afirmou André Baniwa, um dos palestrantes, ao falar da importância da valorização das línguas indígenas, não apenas dentro de casa, mas, como também na escola e outros espaços e lembrou ainda que na região do Rio Negro existem 18 línguas faladas e que a melhor forma de preservar e valorizar essa riqueza e identidade é cada um continuar falando sua língua.

    Exposição de publicações da FOIRN e seus parceiros, culinária e artesanato indígena, exibição de vídeos e imagens também fizeram parte da programação do evento.

    Na noite do dia 30, Casa dos Saberes (maloca) lotada de participantes , a programação iniciou-se com a exibição de vídeo institucional que mostrou o histórico momento da fundação da FOIRN em 1987 na II Assembleia Geral dos Povos Indígenas e as lideranças que estiveram na frente do movimento indígena e da instituição desde o início até aos dias atuais.

    Após o uso de palavras dos representantes de instituições parceiras e locais, como o Instituto Socioambiental, FUNAI, Câmara Municipal e da Diretoria da FOIRN, foi lido pelo diretor Renato Matos, a Carta de Comemoração de 27 anos, que lembrou os motivos de luta e de existência da instituição, da importância de apoio de parceiros e financiadores que apoiaram e apoiam para a realização e concretização dos objetivos, como também reafirmou o compromisso de continuar a luta em defesa dos direitos dos povos indígenas diante dos desafios atuais.

    Grupo de dança Tuyuka na apresentação de danças tradicionais na noite do dia 30 de abril.Foto: José Miguel Nieto Olivar/PAGU-UNICAMP
    Grupo de dança Tuyuka na apresentação de danças tradicionais na noite do dia 30 de abril.Foto: José Miguel Nieto Olivar/PAGU-UNICAMP

    A programação cultural foi iniciada com a apresentação do grupo Carriçu da FOIRN, formado por funcionários e alguns conhecedores indígenas e participantes. E continuou com a apresentação de grupos de danças tradicionais de jovens indígenas das etnias Tukano, Baniwa e outros. E encerrou com a apresentação de danças pelo grupo Tuyuka.

    A luta pelo respeito à diferança e a diversidade e o cumprimento dos direitos conquistados pelos Povos Indígenas e garantidos pela Constituição Federal de 1988 continua! Que venham os mais 27 anos!

     

  •   FOIRN e ACIBRN firmam parceria para desenvolver a pesca esportiva no Rio Marié

    capitães das comunidades da ACIBRN e parceiros em Tapuruquara Mirim - Michele xxxxx
    Capitães das comunidades da ACIBRN e parceiros em Tapuruquara Mirim durante a oficina

    A Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (ACIBRN) e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) firmaram parceria com a empresa Untamed Angling do Brasil para desenvolver um projeto de turismo de pesca esportiva no rio Marié.

    A parceria que se inicia é resultado de um longo processo de estudos, discussões e planejamento que produziram um Termo de Referência (link) para orientar as empresas interessadas, publicado pela FOIRN no dia 12 de fevereiro de 2014. As quatro propostas recebidas foram analisadas e discutidas pelas comunidades da ACIBRN, com apoio e assessoria técnica das instituições parceiras Funai, Ibama e ISA.

    A partir dos critérios estabelecidos pelo Termo de Referência, duas empresas foram eliminadas do processo de seleção por não terem atendido aos requisitos: elaboração e apresentação de planos de manejo e monitoramento, descrição da infraestrutura e detalhamento dos custos operacionais e modelo de repartição de benefícios para as comunidades, entre outros.

    As lideranças indígenas decidiram convidar as duas empresas que apresentaram as propostas mais completas para conversar e conhecer as comunidades. A empresa parceira foi escolhida por unanimidade em reunião realizada nos dias 28 e 29 de abril de 2014, na comunidade Tapuruquara Mirim, com ampla participação das lideranças e comunidade indígenas da ACIBRN e com presença dos donos das empresas Liga de Ecopousadas da Amazônia e Untamed Angling do Brasil, os senhores Luís Brown e Rodrigo Salles.

    Os empresários foram até Tapuruquara Mirim conversar com as lideranças e discutir suas propostas para o rio Marié, em uma reunião que contou com a presença das comunidades, diretoria da ACIBRN, os parceiros FOIRN, Funai, Ibama e ISA, e com participação de representantes da Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira e SEIND, finalizando um processo participativo e inovador de regularização do turismo de pesca em terra indígena.

    Equipe que coordenou a oficina: Elpidio  (presidente da comunidade Tapuruquara Mirim), Daniel Crepaldi (analista do Ibama), Francisco Lopes (presidente da ACIBRN), Marvielton Barroso (diretor da foirn), Ana Paula Souto Maior (advogada do ISA), Camila Barra (antropÛloga do ISA), T˙lio Binotti (vice-coordenador da CRRN-Funai), Guilherme Veloso (CTL do rio MariÈ, Funai) e Domingos Barreto (Coordenador da CRRN-Funai)
    Equipe que coordenou a oficina: Elpidio (presidente da comunidade Tapuruquara Mirim), Daniel Crepaldi (analista do Ibama), Francisco Lopes (presidente da ACIBRN), Marvielton Barroso (diretor da foirn), Ana Paula Souto Maior (advogada do ISA), Camila Barra (antropÛloga do ISA), Túlio Binotti (vice-coordenador da CRRN-Funai), Guilherme Veloso (CTL do rio Marié, Funai) e Domingos Barreto (Coordenador da CRRN-Funai)

    O projeto vai se iniciar ainda em 2014, com anuência da Funai, respeitando todos os critérios definidos pelos estudos de impacto e viabilidade socioambiental e respeitando a autonomia e o bem viver das comunidades e dos peixes do Rio Marié.

    O Dabucuri que encerrou o encontro foi uma festa de agradecimento a todos que  participaram do processo, que acreditaram na proposta e respeitaram os direitos e interesses das comunidades indígenas. As lideranças reforçaram em seus discursos o desejo de garantir a proteção do território e a melhoria da qualidade de vida, pensando no futuro de seus filhos e netos.

    Dabucuri encerrando a oficina em Tapuruquara Mirim
    Dabucuri encerrando a oficina em Tapuruquara Mirim