Mês: julho 2017

  • Foirn recebe candidato ao governo do Amazonas

    Foirn recebe candidato ao governo do Amazonas

    Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro entrega documento solicitando mais diálogo com o governo estadual

    A poucos dias do primeiro turno para eleger o novo governador do Amazonas, a Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) recebeu a visita do candidato a vice-governador, Marcelo Ramos (PR), que forma a chapa ao lado de Eduardo Braga (PMDB), nesta eleição suplementar convocada após a cassação do ex-governador, José Melo, eleito em 2014. A votação ocorrerá no dia 6 de agosto e o segundo turno, se houver, será no dia 27 do mesmo mês.

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    Nildo Fontes, vice-presidente da Foirn, fala sobre a atuação da Federação no Rio Negro ao candidato a vice-governador do Amazonas, Marcelo Ramos

     

    Ramos esteve em São Gabriel da Cachoeira ontem (20/07) para fazer comício nesta reta final das eleições. Era prevista a presença de Eduardo Braga, candidato a governador, mas por motivos de saúde o político não compareceu. Acompanhado de apoiadores, como a senadora do AM, Vanessa Grazziotin (PCdoB), Ramos discursou no Areal, um dos bairros mais populares de São Gabriel e depois seguiu para reunião na sede da Foirn, por volta das 21 horas. A coligação de Ramos e Eduardo Braga, chamada de “União para tirar o Amazonas da UTI”, é formada pelo PR, PMDB, Solidariedade, PCdoB e PTB.

    O vice-presidente da Foirn, Nildo Fontes, entregou ao candidato uma carta solicitando mais diálogo do governo estadual com o movimento indígena. O dirigente também encaminhou documentos de referência para a instituição, como o PRDIS (Programa Regional de Desenvolvimento Indígena Sustentável), dados preliminares do PGTA do Rio Negro (Plano de Gestão Territorial e Ambiental) e as recentes propostas da Federação para o PPA (Plano Plurianual) municipal.

    “A Foirn nos últimos anos tem manifestado uma série de documentos junto aos poderes públicos (municipais, estaduais e federais) apontando a necessidade imediata de ações e providências para garantir os direitos, benefícios e melhorias. Atualmente, as ações dos governos não alcançam as metas previstas e a população que vive nas Terras Indígenas demanda por direitos básicos: saúde, educação, saneamento, energia, patrimônio cultural, programas de geração de renda, entre outros, que estão atreladas à demanda de gestão territorial e ambiental das Terras Indígenas”, ressaltou a carta.

     

     

    Ramos comprometeu-se a manter “um canal permanente de diálogo com o movimento indígena do Rio Negro” e lembrou do histórico positivo de Eduardo Braga com os índios da região. “A Secretaria estadual dos Povos Indígenas foi criada pelo Eduardo quando ele era governador do estado e depois foi extinta pelo novo governo. Queremos resgatar essa secretaria para termos novamente um aumento de políticas públicas voltadas para as populações indígenas do Amazonas”, afirmou.

    A elaboração dos PGTAs (Plano de Gestão Territorial e Ambiental) das sete terras indígenas da região, realizado pela Foirn, Funai e ISA (Instituto Socioambiental) também foi enfatizado por Nildo. “É vital que o governo do Estado possa ser um parceiro na implementação desses planos”, disse.

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    Marcelo Ramos, candidato ao governo do Amazonas, recebe documentos em reunião na Foirn

     

    Eleições suplementares no AM

    Eleito para o seu segundo mandato como governador do Amazonas em 2014, José Melo (PROS) foi cassado por compra de votos, após longa batalha judicial que foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-governador alega que sofreu perseguição política e econômica, tentando todos os recursos possíveis para terminar seu mandato. Eduardo Braga, que é ex-governador do AM e atual senador pelo estado, foi o segundo colocado na disputa na ocasião, com 45% dos votos.

    Oito candidatos concorrem ao cargo de governador do AM nessas eleições suplementares, cujo mandato terá a duração de apenas 15 meses. De acordo com pesquisa feita pela DMP/Tiradentes e publicada hoje (21/07) pela grande mídia amazonense, Eduardo Braga está em segundo lugar na disputa, com 23,49% das intenções de voto, enquanto Amazonino Mendes (PDT) lidera com 30,17%. Vale lembrar que Amazonino também já foi governador do Amazonas em dois períodos e prefeito de Manaus três vezes.

    (Originalmente publicado em https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/candidato-ao-governo-do-amazonas-visita-a-foirn-em-sao-gabriel-da-cachoeira) / Reportagem de Juliana Radler/ISA

     

  • Fortalecimento do Conselho Diretor e controle social em foco

    Fortalecimento do Conselho Diretor e controle social em foco

    Foirn investe na capacitação de suas lideranças e debate sobre o papel dos seus conselheiros na 33ª Reunião do Conselho Diretor, na Maloca da Federação

    A Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) reconhece a importância de fortalecer as suas lideranças e ampliar o diálogo com as bases, que são a principal motivação de suas lutas ao longo desses 30 anos de trabalho no movimento indígena. Entre os dias 3 e 7 de julho, a Federação realizou a 33ª Reunião do seu Conselho Diretor, com a presença maciça dos seus 25 conselheiros, lideranças indígenas, funcionários da Foirn, representantes da Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), da Umiab (União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira), da Funai e do ISA (Instituto Socioambiental).

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    Audiência pública realizada durante a 33ª Reunião do Conselho Diretor teve ampla participação das autoridades e de representantes dos governos municipal, estadual e federal (foto: Juliana Radler/ISA)

     

    Importantes questões relacionadas à educação, saúde, controle social, comunicação e atividades de formação foram debatidas na reunião. Em seu último dia, o evento contou com uma audiência pública com autoridades dos governos municipal, estadual e federal, além de autoridades do Exército e representantes de importantes instituições locais, como o DSEI Alto Rio Negro e o IFAM. A Foirn aproveitou a ocasião para entregar suas propostas para o Plano Plurianual (PPA – 2018/2021) de São Gabriel da Cachoeira ao vice-prefeito do município, Pascoal Alcântara.

    Mineração no Rio Negro

    Outro importante ponto da reunião do Conselho Diretor foi a formulação da carta de repúdio sobre as atividades de mineração nas terras indígenas do Rio Negro, que desrespeitam os acordos internos aprovados nos encontros das lideranças indígenas em várias instâncias, juntamente com as instituições presentes, com pedido de cancelamento das concessões emitidas pelo DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), na região do Rio Negro. A carta foi endereçada ao Ministro da Justiça, Torquato Jardim, ao presidente da Funai, Franklimberg Ribeiro de Freitas e ao procurador do Ministério Público Federal do Amazonas, Fernando Soave. Veja a carta aqui.

    “O movimento indígena através da Foirn faz o controle social nato na região, independente de governo. O papel da Federação é exigir o cumprimento dos direitos indígenas e cobrar políticas públicas que venham ao encontro das demandas dos povos indígenas”, enfatizou o presidente da Foirn, Marivelton Barroso Baré, acrescentando que é papel dos 25 conselheiros apoiarem a Federação nessa missão e não apenas dos membros da diretoria.

    Barroso também afirmou que o “movimento indígena não é empecilho para o desenvolvimento”. O que traz prejuízos à região são as diversas violações de direitos sofridas, inclusive em âmbito local. “Os governos tentam atropelar e não consultar os povos indígenas. Mas, existe por lei a necessidade de sermos consultados em tudo aquilo que nos envolve e que abrange os nossos territórios”, sublinhou o presidente da Federação.

    Formação de Lideranças

    Durante a reunião também foi realizado um curso de formação, conduzido pela liderança André Fernando Baniwa, sobre o papel dos conselheiros e a importância do Conselho Diretor da Foirn. “Enquanto não nos respeitarem, trabalharemos e lutaremos para sermos respeitados. A nossa força é mobilizar e articular. Precisamos estar sempre atentos em relação a luta pelos nossos direitos”, ressaltou André.

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    Árvore genealógica do movimento indígena, com o tronco representando os 23 povos do Rio Negro (foto: André Fernando Baniwa)

     

    “Os conselheiros precisam estar cientes de suas atribuições, assim como conhecer profundamente o estatuto da Foirn”, completou a liderança. Para Elizângela da Silva, do Departamento de Mulheres da Foirn, “é uma grande conquista receber formação e ser capacitada pelo próprio parente dentro do movimento”. A representante acredita que essa é uma demonstração que o movimento indígena segue forte, apesar de todas as ameaças, e a Foirn segue o seu protagonismo como principal representante dos 23 povos indígenas do Rio Negro nacionalmente e internacionalmente.

  • Foirn e ISA sugerem prioridades ao Plano Plurianual de São Gabriel da Cachoeira

    Documento com prioridades foi entregue em audiência pública a representantes dos governos municipal, estadual e federal

    Como previsto pela Constituição Federal (art.165), o governo municipal de São Gabriel da Cachoeira, no noroeste amazônico, está elaborando seu Plano Plurianual (PPA) para o período de 2018-2021. Para participar e colaborar com o processo de formulação do plano, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), com a colaboração do ISA (Instituto Socioambiental), entregou um documento listando as prioridades para o PPA, conforme as demandas do movimento indígena rionegrino, em audiência pública na Maloca da Foirn, em São Gabriel, no último dia 7 de julho.

    marivelton e vice prefeitoMarivelton Barroso, presidente da Foirn, entrega documento com prioridades para o PPA para o vice-prefeito de São Gabriel da Cachoeira, Pascoal Alcântara

     

    “Nenhuma instituição consegue avançar sozinha na região do Rio Negro, assim como o governo também não consegue. É importante definir bem o papel de cada instituição e que cada um execute o seu trabalho. Não é papel da Foirn executar políticas públicas, mas queremos dialogar, colaborar e exercer o controle social”, ressaltou Marivelton Barroso Baré, presidente da Foirn.

    O vice-prefeito de São Gabriel, Pascoal Gomes Alcântara, Tariano do distrito de Iauaretê, comprometeu-se a levar as reivindicações e propostas da Federação para a elaboração do PPA, que terá audiências públicas nos próximos dias 19, 20 e 21 de julho, no Ifam (Instituto Federal do Amazonas), em São Gabriel. “Importante contar com a participação da sociedade civil nesse processo e queremos incentivar o maior envolvimento das instituições no nosso governo”, disse Pascoal, que representou o prefeito Clóvis Saldanha (PT-AM), ausente em viagem. Para quem não conhece, São Gabriel da Cachoeira exibe títulos importantes: o de município da Amazônia brasileira com mais áreas protegidas da União; o terceiro maior do Brasil em extensão territorial (tamanho superior ao de estados como Pernambuco, Rio de Janeiro e Santa Catarina) e o de cidade mais indígena do país, com três línguas co-oficiais dos povos da região – Baniwa, Tukano e Nheengatu.

    Juventude e mulheres indígenas

    Assim como o seu secretariado presente à audiência pública, Pascoal foi bastante cobrado pelas lideranças indígenas. Adelina Sampaio, do Departamento de Juventude da Foirn, criticou o atual governo municipal pela falta de consulta e diálogo com a juventude indígena. “Nós queremos ser consultados quando o assunto é juventude. Não queremos só torneio de futebol e troféu. Queremos políticas públicas para os jovens, que estão ociosos e sem nenhuma atividade criativa. A juventude está jogada nos bares”, criticou a jovem liderança Desana, que contribuiu com a formulação das propostas para a juventude no PPA municipal.

    “Representamos 33 associações de mulheres indígenas nesta Federação. Queremos colaborar com a eaboração de políticas públicas para as mulheres e a primeira delas é a criação de uma Delegacia Especial de Atendimento à Mulher no município”, apontou Elizângela da Silva, do Departamento de Mulheres da Foirn, que denunciou as diversas violações de direitos sofridas pelas mulheres indígenas em São Gabriel e a total ausência do Estado no atendimento e acolhimento às vítimas.

    André Fernando Baniwa, do Instituto Socioambiental, falou sobre a importância de estabelecer diálogo entre as lideranças indígenas, instituições e setor público. “Estamos vivendo um cenário de ameaças aos nossos direitos e ao futuro dos povos indígenas. Precisamos construir uma perspectiva de cooperação e parceria no município”, afirmou.

    Além de lideranças ligadas à Foirn e suas associações filiadas, estiveram presentes também representantes da Umiab (União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira), e Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira). O Exército Brasileiro, que tem importante atuação na região devido ao trabalho na fronteira com a Colômbia e a Venezuela, também esteve participou da audiência, além de representantes da Funai e do Ifam.

    Plano Diretor e PGTAs

    Uma das principais propostas da Foirn para o PPA é a efetiva utilização e execução do Plano Diretor do município de São Gabriel da Cachoeira, instituído pela Lei Municipal 209/2006, como instrumento norteador de construção de políticas públicas locais. Outro ponto central a ser considerado no Plano Plurianual são os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) das sete Terras Indígenas na região do Rio Negro, em fase de elaboração, de acordo com a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental em Terras Indígenas (7747/2012). A implementação efetiva desses planos de gestão depende da participação do governo municipal.