Mês: fevereiro 2018

  • Foirn cobra maior diálogo com o governo municipal e prefeito Curubão deixa reunião sem responder às lideranças indígenas

    Foirn cobra maior diálogo com o governo municipal e prefeito Curubão deixa reunião sem responder às lideranças indígenas

    Em sessão lotada na Câmara de São Gabriel da Cachoeira, movimento indígena reivindicou maior transparência e comunicação da Prefeitura em relação à gestão do município nesta terça, dia 27 de fevereiro

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    Lideranças Indígenas participam da reunião com prefeito e vereadores de São Gabriel da Cachoeira

    Organizada pela Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), a sessão teve como objetivo levar as reivindicações das mais de 70 lideranças indígenas de base da região de atuação da Foirn, que estão reunidas na sede de São Gabriel da Cachoeira para participar da 34ª reunião do Conselho Diretor da entidade. Aproveitando a presença de todos esses representantes, muitos vindos de regiões bem distantes, a Federação articulou essa audiência para cobrar do governo municipal mais diálogo com
    o movimento indígena.

    “O diálogo das lideranças de base com o governo municipal é importante. Sozinho ninguém vai longe. A gente quer dialogar. Queremos  saber também por que o gestor municipal considera a Foirn um empecilho ao desenvolvimento. Nosso objetivo é colaborar. Os dados do levantamento socioambiental dos planos de gestão territorial e ambiental das terras indígenas, por exemplo, nós disponibilizamos para a Prefeitura”, ressaltou Marivelton Barroso Baré, presidente da Foirn.

    O prefeito de São Gabriel da Cachoeira, Clóvis Saldanha (Curubão), da etnia Tariano, esteve presente ao início da audiência. Após os primeiros minutos de uma longa apresentação das finanças do município para a plateia, feita pelo contador da Prefeitura, o prefeito se retirou da sessão sem justificativa. Com sua ausência na rodada de perguntas e cobranças das lideranças, o vice-prefeito, Pascoal Alcântara, assumiu o debate. Algumas pessoas questionaram “Cadê o prefeito?” e mais uma vez, o prefeito ignorou e não ouviu as lideranças indígenas e suas pautas.

    Falta de transparência

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    Lideranças Indígenas fazem discurso na Câmara Municipal de São Gabriel da Cachoeira

    Visivelmente constrangido, o vice-prefeito afirmou que se manteve na audiência apenas como representante do seu gabinete e não como vice de Clóvis Saldanha. “Represento o meu gabinete onde não tenho secretárias, assessores e assistentes. Eu mesmo represento o meu gabinete de vice-prefeito”, afirmou. Alcântara acrescentou que está aberto ao diálogo com o movimento indígena e que a Foirn merece ser respeitada por toda a sua
    trajetória de 30 anos e pela sua representatividade conquistada através de muita luta e trabalho. “A Foirn merece respeito porque ela é a representante do povo de São Gabriel da Cachoeira” disse Pascoal, também da etnia Tariano.

    Pascoal Gonçalves, Baré do Alto Rio Negro e coordenador da Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié (Caiarnx), ressaltou que mais uma vez o “gestor municipal correu e não quis ouvir o clamor da população”. “É importante que esse debate seja aqui na Câmara municipal e não só na Maloca da Foirn. Ouvimos que as terras demarcadas estão atrapalhando o desenvolvimento de São Gabriel. Queremos saber porque o prefeito e alguns vereadores estão afirmando isso”, enfatizou Pascoal na
    plenária.

    Demais lideranças também questionaram sobre o andamento do PPA (Plano Plurianual – 2018 a 2021) do município, que até o momento não foi divulgado. O vice-prefeito também não soube responder e disse que não recebeu nenhuma informação sobre o PPA. “Nós entregamos propostas e demandas em sessão com a Prefeitura sobre o PPA e até o momento não tivemos nenhum retorno”, cobrou o presidente da Foirn. Lideranças do Içana, Uaupés, Médio e Baixo Rio Negro também criticaram a atuação do gestor municipal, sobretudo, cobrando a execução de promessas de campanha eleitoral,
    realizada em 2016.

    “A comunicação da Prefeitura não existe. Não sabemos nada do que acontece, quais são os projetos e planos do gestor. Queremos saber, por exemplo, quais são os investimentos municipais previstos para cada região administrativa do município. Cadê a transparência?”, indagou Juvêncio Cardoso, Baniwa, do Rio Içana. Outro ponto reivindicado pela Foirn, que representa 750 comunidades indígenas situadas em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos, é o de ter esclarecimentos da Prefeitura municipal sobre os ataques aos direitos indígenas e à demarcação de terras indígenas reconhecidas pelo governo federal em 1998 na região do rio Negro. Nenhuma explicação foi dada pelo prefeito sobre o assunto. Pascoal, por sua vez, colocou-se a favor do movimento indígena, mostrando-se aberto ao diálogo e a parceria entre o governo municipal e a Foirn em benefício de todos os moradores de São Gabriel.

    Luta dos jovens indígenas

    Jovens indígenas também fizeram suas cobranças ao governo municipal. Abandonados pela atual gestão,  os jovens pediram a volta do Conselho municipal de Juventude, que foi extinto pela atual gestão. Adelina Sampaio (Desana) e Lucas Matos (Tariano), do departamento de jovens da Foirn, solicitaram a exoneração do atual secretário de juventude de São Gabriel, “Bila”. Muito aplaudidos, as jovens lideranças da Foirn falaram do drama da juventude de São Gabriel,  que não tem nenhum tipo de política pública municipal os apoiando, seja com cultura, esporte ou educação. “Nossos
    jovens estão entregues às drogas, bebida e ruas escuras sem iluminação pública”, ressaltou Adelina. Desde a sua posse, Bila vem sofrendo críticas dos jovens indígenas por não ter nenhuma legitimidade para ocupar o cargo que exerce.

    Junto com os jovens, as mulheres indígenas também se queixaram do abandono às suas reivindicações e da total falta de diálogo com o governo municipal, que impede qualquer atividade feita em conjunto com as lideranças indígenas. “Somos todos parentes. Não dá para entender porque não existe diálogo”, criticou Elizângela da Silva, Baré, do Departamento de Mulheres da Foirn. “Vamos continuar fazendo o nosso papel de controle social. Queremos diálogo, mas se daqui para a frente a gente não conseguir
    trabalhar conjuntamente em benefício dos povos indígenas que são cerca de 80% da população de São Gabriel, vamos ter que partir para a batalha”, frisou o presidente da Foirn.

    Entrando em seu segundo ano de mandato, Clóvis Saldanha vem recebendo muitas críticas à sua gestão e recentemente foi acusado em reportagem publicada na imprensa (no Portal do Zacarias) de pagar antecipado mais de R$ 1 milhão para obras de escolas que ainda não foram concluídas e que também apresentam muitas irregularidades. O caso foi denunciado na imprensa e ainda não há mais informações da Prefeitura a respeito.

  • Foirn abre a 34ª  Reunião do Conselho Diretor com reinauguração da maloca

    Foirn abre a 34ª Reunião do Conselho Diretor com reinauguração da maloca

    A Reunião do Conselho Diretor reúne lideranças indígenas de todo o Rio Negro. O evento acontece na maloca da Foirn em São Gabriel da Cachoeira, reinaugurado na manhã desta segunda, 26/02.

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    Mestre Luiz  da Maloca de Itacoatiara Mirim na abertura oficial da reunião comanda a cerimônia de reinauguração da maloca.  Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A abertura da 34ª Reunião do Conselho Diretor da Foirn, deu início na manhã desta segunda, 26, em São Gabriel da Cachoeira, com a realização da cerimônia de dabucurí, pelo Mestre Luiz, da maloca de Itacoatiara Mirin, responsável pela reforma da maloca.

    A entrega oficial aconteceu após a cerimônia, com a presença das lideranças indígenas e representantes de instituições de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira.Na entrega o mestre, em Baniwa e Português, falou da importância da maloca e o que representa para os povos indígenas do Rio Negro. “Espaço para mostrar e viver a nossa cultura”, afirmou.

    O Diretor- presidente, Marivelton disse, que a primeira reforma, foi feita por um mestre da etnia Tuyuka, e dessa vez foi de um Baniwa e que outros povos do Rio Negro, irão também participar e deixar sua marca na construção/reforma da maloca, no espaço de grande importância de luta dos povos indígenas do Rio Negro.

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    Mestre Luiz entrega a Maloca para a diretoria da Foirn. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    34ª Reunião do Conselho Diretor

    O Conselho Diretor, é depois da Assembleia Geral, o segundo espaço de decisão mais importante do Movimento Indígena do Rio Negro. Cada região elege seus conselheiros para um período de 4 anos, e são responsáveis de representar suas regiões nas reuniões para apresentar demandas e propor proposta e fazer recomendações aos diretores da Foirn caso necessário.

    A 34ª Reunião reúne lideranças de todas as calhas do Rio Negro e representantes de várias instituições locais, como Prefeituras, Câmaras Municipais, Dsei- Alto Rio Negro, Exército Brasileiro, COIAB entre outros para debater as pautas e encaminhar propostas a partir dos temas propostos.

    Atividades programadas para a reunião:

    26/02

    • Introdução sobre os trabalhos da reunião: Contextualização e reflexão sobre os trabalhos e papeis de lideranças na linha política do Movimento Indígena a nível local e regional do Rio Negro;
    • Apresentação do Relatório e parecer da Comissão Fiscal do Conselho Diretor (Comissão Fiscal);
    • Apresentação do Relatório Semestral (segundo semestre de 2017), de atividades da diretoria executiva com coordenadorias regionais;
    • Apresentação das Ações do Exército Brasileiro na faixa de fronteira da região do Rio Negro;

    27/02

    • Diálogo das lideranças indígenas da Foirn com prefeito Municipal de São Gabriel da Cachoeira (na prefeitura;
    • Diálogo das Lideranças Indígenas da Foirn com vereadores de São Gabriel da Cachoeira (na Câmara);
    • Apresentação das Ações do DSEI-Alto Rio Negro a partir do Plano Emergencial elaborado em 2016 (coordenação e Condisi);
    • Apresentação das Ações de educação escolar indígena no Rio Negro, planejamento e estratégias para melhorar as estruturas físicas, pedagógicas e políticas das escolas indígenas no Rio Negro (GEEI/SEDUC);
    • Apresentações das ações da FUNAI – CR/Rio Negro;
    • Participação indígena nas eleições de 2018;

    28/02

    • Apresentação das Ações de articulação da Foirn com outras instituições para viabilização de novos projetos de alternativas econômicas e novas parcerias.
    • Elaboração da agenda de trabalho, documentos finais e aprovação da Ata da reunião.

     

  • Foirn debate economia indígena com governo do Amazonas

    Foirn debate economia indígena com governo do Amazonas

    Encontro realizado em São Gabriel da Cachoeira discutiu alternativas de geração de renda para os povos indígenas do rio Negro

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    Diretor Presidente, Marivelton Rodrigues coordena a I Rodada sobre Etnodesenvolvimento.    Foto: Setcom/Foirn

    Denominada de “I Rodada sobre Etnodesenvolvimento em Terras e Comunidades Indígenas”,  o encontro realizado no dia 15 de fevereiro teve como objetivo aproximar o diálogo sobre economia indígena entre a FEI (Fundação Estadual do Índio) e a Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), que atua em uma área de aproximadamente 11,5 milhões de hectares de terras indígenas reconhecidas.

    O diretor-presidente da FEI, Amilton Gadelha, informou que o encontro visa iniciar um “mapeamento da economia indígena no Estado do Amazonas” para que seja feito um diagnóstico das suas potencialidades e dificuldades. “Existe falta de fomento e de políticas públicas em todos os níveis de governo para a economia indígena.  Queremos saber quais são as ações promissoras que já estão em andamento e que precisam ser apoiadas”, ressaltou o presidente da FEI.

    Menos imposto, mais produto indígena

    Em desenvolvimento no rio Negro, o projeto “Territórios da Diversidade Socioambiental”, executado pelo ISA em parceria com a Foirn  e associações locais, busca inserir em mercados de alto valor agregado uma cesta de produtos do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, como artesanatos e alimentos.

    Algumas cadeias produtivas desse sistema enquadram-se entre as iniciativas bem sucedidas em andamento e que precisam ser estimuladas. Um exemplo concreto é o da pimenta jiquitaia “Baniwa”, comercializada pelo povo Baniwa para uma rede de 28 parceiros comerciais no Brasil, em pequena escala para os Estados Unidos e usada por chefs como Alex Atala, Felipe Schaedler (especializado em comida amazônica) e Bela Gil.

    “Há um enorme potencial na região que só precisa de maior apoio, como isenção do ICMS para produtos indígenas. Conseguir desonerar esses produtos seria uma ótima política de Estado para os povos indígenas do rio Negro”, disse o geógrafo do ISA, Wilde Itaborahy, que atua com pesquisa e desenvolvimento socioambiental na Amazônia e assessora a Foirn na implementação das cadeias produtivas.

    O cálculo feito pelo ISA é de que 12% do preço de venda do potinho de Pimenta Baniwa é recolhido para pagar ICMS. Em uma venda para clientes no Brasil a R$ 22,50, por exemplo, isto representa R$ 2,64. Um valor que onera muito essa cadeia produtiva, que é baseada no comércio justo e na manutenção de uma atividade econômica ligada à cultura dos povos indígenas do rio Negro.

    Para estimular a economia indígena em São Gabriel da Cachoeira, será construída uma Central Multiprodutos da Foirn, junto à sede da Federação. No local, os indígenas poderão vender uma grande variedade de produtos, como mel nativo de abelhas amazônicas, castanhas, tucupi, farinhas, tapiocas, artesanato e cerâmica. “É uma grande oportunidade de alavancar a economia indígena, mas precisamos contar com maior incentivo público para que tenhamos, de fato, um desenvolvimento sustentável pensado a longo prazo para a Amazônia e os povos indígenas”, enfatiza o presidente da Foirn, Marivelton Barroso, da etnia Baré.

     Câmara de negócios indígenas

    As rodadas de conversa da FEI serão levadas também a outros pontos do estado, como Parintins e as regiões dos rios Madeira, Juruá e para a Terra Indígena (TI) Vale do Javari. Segundo Gadelha, é lamentável que o estado do Amazonas não tenha uma “câmara de negócios indígenas” que possa apoiar a construção de uma política de Estado voltada para o desenvolvimento socioeconômico sustentável dos povos indígenas em suas terras demarcadas,  que ocupam cerca de 30% do território amazonense, com 179 TIs e 66 povos indígenas.

    O diálogo é importante, mas precisa ser levado adiante com propostas que de fato saiam do papel, anseiam as lideranças indígenas do rio Negro. “Essa é uma primeira rodada de conversa importante, mas que precisa ser levada para as bases e ter continuidade. São Gabriel não pode virar pólo de visitação política turística sem nenhum resultado para a nossa população”, afirmou o presidente da Foirn.

    Barroso acrescentou que a trigésima quarta reunião do Conselho Diretor da Foirn, reunindo lideranças indígenas de toda a região (inclui São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos), será realizada no fim de fevereiro, entre os dias 26 e 28.  E que todas as propostas trazidas pelo governo do estado ao movimento indígena precisam ser avaliadas e debatidas, como a exemplo da proposta de Instrução Normativa (IN) para regulação, no âmbito da Funai, de atividades comerciais de extração de recursos florestais madeireiros e não madeireiros nas terras indígenas.

    A atividade citada por essa proposta de Instrução Normativa é a de  “Manejo Florestal Comunitário e Familiar Sustentável Indígena em terras indígenas”, como alternativa de geração de trabalho e renda para as comunidades, a exemplo da IN de 3 de novembro de 2015, que estabelece normas e diretrizes às atividades de visitação para fins turísticos em terras indígenas.

     Questionamentos e dúvidas

    Lideranças indígenas locais presentes ao encontro alertaram para os riscos desta instrução normativa e para a necessidade de amplo debate sobre a proposta, sobretudo, relacionada à questão madeireira. Maria Assunção, médica da saúde indígena da etnia Tukano e liderança local, alertou à FEI: “Meu medo é que o indígena seja ainda mais explorado pelas empresas que já estão aí extraindo as riquezas da Amazônia. A pergunta é: quem é que vai fiscalizar essa atividade?”, questionou a médica sobre a exploração de madeira na região.

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    Maria Assunção, médica da saúde indígena da etnia Tukano e liderança local participa do encontro. Foto: Setcom/Foirn

    Para a coordenadora da UMIAB (União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira), Maria Assunta Tukano, toda e qualquer atividade econômica envolvendo os indígenas em suas terras demarcadas precisam ser levadas às bases com grandes encontros de consulta.  Com sede em Manaus, a UMIAB tem 8 anos de atividade e coordenadoras executivas no Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.

    “Nós mulheres estamos ligadas à terra e queremos colaborar com os assuntos ligados à sustentabilidade. Também precisamos envolver a juventude indígena, pois estamos falando do futuro deles nos seus territórios”, sublinhou Assunta.

    Marcos Apurinã, coordenador da Coipam (Coordenação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas), veio com a comitiva do governo estadual a São Gabriel da Cachoeira, assim como a liderança Sateré-Mawé, Turi, coordenador da Copime (Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e entorno). Apurinã ressaltou a importância da Foirn estar realizando os PGTAs das sete terras indígenas do Médio e Alto rio Negro, chamando atenção dos representantes do governo estadual para a relevância desses documentos. “O governo precisa respeitar os encaminhamentos das populações indígenas. Tudo o que as comunidades querem e precisam está nos seus PGTAs”, ressaltou Apurinã na audiência.

    Turismo em terra indígena

    As atividades de turismo indígena também estiveram nos centro das atenções do encontro, com especial destaque para as atividades de pesca esportiva no rio Marié, na terra indígena Médio Rio Negro II, onde recentemente foi pescado o maior tucunaré da Amazônia, em atividade de pesque e solte.

    Outras iniciativas de turismo indígena na região estão em plena fase de desenvolvimento, como as Serras Guerreiras de Tapuruquara e o turismo Yanomami ao Pico da Neblina (Yaripo), que ocorre dentro da terra indígena Yanomami, na região de Maturacá.  Esses roteiros foram apresentados pela Foirn, que é parceira das comunidades e suas associações de base no desenvolvimento dos projetos de turismo, com assessoria do ISA.

    A comitiva do governo do Estado que esteve presente em São Gabriel da Cachoeira também contou com o deputado estadual Josué Neto (PSD-AM), do engenheiro florestal do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas), Eirie Vinhote, e representantes da AmazonasTur e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente.

    Saiba mais sobre a FEI

    A Fundação Estadual do Índio (FEI) foi criada em 2001 durante governo de Amazonino Mendes no Amazonas e era chamada inicialmente de Fundação Estadual dos Povos Indígenas (Fepi). O órgão tem como missão integrar as ações governamentais através da formulação, implementação, execução e gestão de políticas públicas de etnodesenvolvimento para os povos indígenas do Amazonas.

    O atual presidente da Fei, Amilton Gadelha, é ex-prefeito de São Gabriel da Cachoeira (AM). Quando assumiu a presidência da Fei em outubro de 2017, Gadelha sofreu muitos protestos e críticas de entidades e lideranças indígenas. As manifestações ocorreram na sede da Fei, em Manaus, e também na Av. Torquato Tapajós, uma das principais da capital, nas quais os indígenas reivindicaram seu direito à consulta e participação democrática na escolha do novo presidente da entidade.

    Sistema agrícola do rio Negro é patrimônio cultural

     Em 2010, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reconheceu o Sistema Agrícola do Rio Negro como Patrimônio Cultural Brasileiro, a partir de uma parceria entre associações indígenas, instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil.

    O Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro é entendido como um conjunto de saberes e práticas das técnicas de manejo dos espaços de cultivo (roça e quintais); do sistema alimentar; dos utensílios de processamento e armazenamento; e, por fim, da conformação de redes sociais de troca de sementes e plantas que se estende de Manaus, no Amazonas, à Mitu, na Amazônia Colombiana.

    O cultivo da mandioca brava, por meio da técnica de queima, plantio e manejo de capoeiras (conhecido como coivara), é a base desse sistema, compartilhado por mais de 20 povos indígenas da região. A pimenta jiquitaia produzida e comercializada pelo povo Baniwa integra esse conjunto de saberes e práticas agrícolas reconhecido pelo Iphan.

  • Ecoturismo nas Serras Guerreiras é destaque na Assembleia da Acir no Médio Rio Negro II

    Ecoturismo nas Serras Guerreiras é destaque na Assembleia da Acir no Médio Rio Negro II

    Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas – ACIR realizou  Assembleia Eletiva nos dias 24 a 26 de janeiro na comunidade Boa Vista, localizado no município de Santa Isabel do Rio Negro.  A assembleia avaliou atividades e elegeu nova diretoria para o período 2018-2021.

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    A Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas (Acir) realizou sua 8ª Assembleia Geral e Eletiva na comunidade Boa Vista. A Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas (Acir) realizou a 8ª Assembleia Geral e Eletiva na comunidade Bela Vista.

    Ecoturismo – Serras Guerreiras de Tapuruquara

    Além da avaliação das ações da diretoria eleita em 2014, o encontro teve como pautas: Projetos e Iniciativas desenvolvidas na área de atuação da associação, em especial a mais recente, o Ecoturismo nas Serras Guerreiras de Tapuruquara, desenvolvida com apoio e parceria da Foirn, Funai, Isa, Garupa e Prefeitura de Santa Isabel do Rio Negro.

    Em 2017, no primeiro ano de realização, o projeto gerou 49,8 mil reais (incluindo a renda extra obtida com a venda de artesanatos. Impactou diretamente aproximadamente 500 pessoas de 8 etnias diferentes.

    Para as lideranças locais, o resultado do primeiro ano foi positivo, deixou as comunidades envolvidas no projeto, animadas para esse ano. Só para se ter uma idéia do sucesso da iniciativa, cerca de 135 pessoas, já se inscreveram e estão na lista de espera para as viagens de 2018.

    Acir deve continuar buscando novas alternativas diz assembleia A Acir não pode focar apenas em um projeto. Precisa continuar buscando novas alternativas e não esquecer da missão principal: a luta e defesa dos direitos indígenas.  Essa foi a recomendação das comunidades que fazem parte da associação. Foi com essa expectativa que a nova diretoria foi eleita ao final da assembleia.

    Leia também: Rio Negro inicia turismo comunitário em Terras Indígenas

    Conheça o projeto: www.serrasdetapuruquara.org/

    Nova diretoria é eleita para a gestão 2018-2021
    Como sempre foi no passado, a nova diretoria da Acir, eleita na assembleia tem vários desafios pela frente. Uma delas é o fortalecimento de suas comunidades para enfrentar e resistir contra constantes invasões no território.

    Ampliar e fortalecer outras iniciativas que já são desenvolvidas na região (Cadeia de Valor, Monitoramento Ambiental e Climático, e principalmente a finalização da construção do Plano de Gestão Territorial (PGTA) do Território.

    A Foirn foi representada pelos dois coordenadores de departamentos, Janete Alves (Mulheres) e Lucas Matos (Juventude). Teve também a presença da coordenadoria e Faunai, através de Vamberto Placido (Coordenador da Caimbrn) e Guilherme Veloso (Coordenador da CTL Massarabi/Funai

    Colaboraram: Janete Alves e Lucas Matos