Mês: dezembro 2018

  • O passado e o futuro por meio da cerâmica Baniwa

    O passado e o futuro por meio da cerâmica Baniwa

    Em oficina, mestres ceramistas e jovens aprendizes trocam conhecimento sobre as pinturas tradicionais das peças

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    Nazária Fontes (Baniwa), presidente da Umira, apresenta peças produzidas durante I encontro de ceramistas da Umira, novembro de 2018 | Natália C. Pimenta

    De 5 a 11 de novembro, a comunidade São Joaquim do Rio Ayari, localizada na Terra Indígena Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira (Amazonas), sediou o II Encontro de Ceramistas da União das Mulheres Indígenas do Rio Ayari (Umira). O objetivo do evento foi compartilhar o conhecimento da arte de produção da cerâmica branca feita pelas mulheres Baniwa do Alto Rio Negro entre mestres ceramistas e jovens aprendizes, valorizando os grafismos tradicionais baniwa empregados nos artefatos cerâmicos.

    Além da coloração clara, a cerâmica produzida pelas mulheres Baniwa da região possui uma grande diversidade de padrões gráficos de coloração vermelho-alaranjado, que enfeitam cada uma das peças, confeccionadas para as mais distintas finalidades. Entretanto, muitas das jovens baniwa relatam não conhecer as pinturas tradicionais. Muitas sequer dominam as etapas do longo processo de obtenção de materiais e confecção das peças.

    Esse e outros desafios relativos à produção de cerâmica na região do Rio Içana e Ayari já haviam sido levantadas pelas ceramistas da Umira na primeira reunião de mulheres para discutir o tema em 2007 (veja reportagem aqui). De acordo com as mestras ceramistas que ainda vivem nas comunidades da bacia do Içana, a cerâmica deixou de ser cotidianamente usada no momento em que as panelas de metal começaram a chegar em suas casas. Essa mudança de hábitos nas cozinhas baniwa provocou uma ruptura na transmissão do conhecimento sobre a arte de produção de cerâmica branca e o domínio sobre as pinturas foi quase completamente esquecido”Hoje os espaços como esse são importantes para nós adolescentes, por que nascemos e vivemos com utensílios de cozinha industrializados, não temos oportunidade de aprender estes conhecimentos em nossas casas com nossa família”, afirma Gracimar Lopes.

    Para reverter este cenário, em 2014, um grupo de conhecedores e ceramistas baniwa, representadas por Nazária Fontes, Carolina Andrade e Maria de Lima, tiveram a oportunidade de visitar o acervo etnográfico do Museu do Índio (veja matéria completa aqui) para conhecer as peças produzidas antigamente na região do Içana. A atividade coordenada pelo antropólogo Thiago Oliveira teve como objetivo colocar as mulheres em contato com as mais de 100 peças recolhidas por colecionadores que estiveram na região do Alto Rio Negro ao longo do século XX, como Gastão Cruls e Eduardo Galvão, que reuniram expressivas coleções de cerâmica nos anos 1950.

    A visita esteve centrada no reconhecimento das formas dos objetos e no registro dos padrões gráficos na cerâmica baniwa, tendo em vista a recuperação do vocabulário gráfico e de outras informações resguardadas nesses artefatos. A visita foi seguida de uma oficina de produção de uma nova coleção para o Museu do Índio, realizada ainda em 2014, que reuniu mais de 100 novas peças e possibilitou o contato com a cadeia produtiva da cerâmica para cerca de dez ceramistas reunidas em São Joaquim, Médio Ayari.

    A partir da visita ao Museu do Índio as mestras ceramistas retomaram as pinturas cerâmicas, mas faltava que as mais jovens conhecessem os significados das pinturas. Então, através da rede de pesquisadores indígenas da bacia do Rio Içana (iniciativa do ISA e FOIRN) foi organizado um encontro entre ceramistas, conhecedores locais e pesquisadores indígenas com o objetivo de desenvolver os conhecimentos relativos às técnicas de elaboração dos padrões gráficos tradicionais da cerâmica branca, e também debater os desafios para a comercialização desta produção em escala regional e nacional.

    “Vocês, jovens, têm que praticar este conhecimento com ânimo para valorizar o nosso
    trabalho e a nossa história. Agradeço aos que incentivam a nossa iniciativa”, diz Genezia da Silva, mestre ceramista.

    O encontro contou com a presença de 12 pesquisadores indígenas e 26 ceramistas de dez comunidades localizadas no Rio Ayari e seus afluentes. O grupo de ceramistas, constituído por 11 jovens aprendizes, de até 29 anos, seis ceramistas experientes, de 30 a 40 anos e 10 mestres ceramistas, com mais de 40 anos, resultou do esforço de mobilização de Nazária Fontes (Baniwa, do clã Hohodene) que é ceramista e atual presidente da Umira.

    “A oficina trouxe fortalecimento e valorização das práticas de conhecimentos das nossas
    cerâmicas e grafismos originários. Com iniciativas de produção reconhecemos a nossa
    própria identidade cultural”, diz Nazária Fontes.

    A cerâmica branca e a cerâmica preta

    A cerâmica branca produzida pelas mulheres Baniwa é a marca da cultura material dos povos Arawak. As peças brancas com pinturas alaranjadas contrastam com a cerâmica preta e pinturas em negativo produzidas pelas mulheres dos povos Tukano (saiba mais sobre a cerâmica Tukano aqui), com as quais os Baniwa e outros diversos povos indígenas compartilham o território do Alto Rio Negro na fronteira do Brasil com a Colômbia.

    Apesar da cerâmica branca ser produzida exclusivamente pelas mulheres baniwa da bacia do Rio Negro, a cerâmica preta enegrecida por esfumaçamento não é estranha ás ceramistas Baniwa. A técnica de acabamento da cerâmica preta, que impermeabiliza a peça, é também empregada na região do Rio Içana e Ayari (território Baniwa), especialmente em panelas usadas para o cozimento de alimentos.

    O antropólogo Thiago Oliveira (Museu do Índio) sugere que esta técnica de produção de cerâmica decorada por meio do esfumaçamento pelas mulheres baniwa seja uma evidência do intercâmbio promovido pelo casamento entre os Baniwa do Rio Ayari com os Wanano e Kubeu do Uaupés, cujas mães e avós são de origem Tukano Oriental (“Os Baniwa, os artefatos e a cultura material no Alto Rio Negro” – Oliveira, 2015).

    Cerâmica cerimonial

    A cerâmica branca produzida pelas mulheres baniwa possui acabamento vitrificado produzido por meio do uso de resinas vegetais, seja o arbusto oomapihitako, seja a seiva do jutaí, wakhamaali, planta da família do jatobá. Esta resina funciona como verniz, protegendo a peça como um todo do desgaste provocado pelo uso. Ela é aplicada após a queima da peça, por meio de um cuidadoso aquecimento. A pintura – grafismos geométricos aplicados no interior ou exterior dos potes de acordo com o tipo e o uso – é feita antes da queima, quando a peça ainda possui um aspecto cinza, da cor da massa cerâmica composta de argila (encontrada em raros depósitos espelhados pela região do Aiari) e a casca do caraipé (kawa, em baniwa).

    A decoração é feita com um pigmento resultado da mistura de uma argila amarela chamada eewa, em baniwa, com um líquido ácido, que pode provir do caldo de mandioca amarga (manicoera), do suco de limão ou do suco do cubiú. Oliveira acredita que o uso deste caldo permita a oxidação do pigmento durante a queima, o que resulta na transformação da sua cor inicialmente amarela em uma tonalidade vermelha-alaranjada durante o processo da queima das peças.

    Este tipo de cerâmica, rica em ornamentação gráfica, é reservada para uso cerimonial, sobretudo em rituais como o dabucuri (poodali) e o ritual de iniciação (kowaipan). Durante o dabucuri são ofertados alimentos e artefatos aos convidados como sinalização de boa estima, enquanto nos rituais de iniciação são ofertados alimentos benzidos (kalidzamai) aos homens e às mulheres que saem de um longo jejum realizado durante o resguardo ritual. Em ambas ocasiões, os alimentos e bebidas são servidos nestas cerâmicas cerimoniais apresentadas em forma de tigelas (akhepa, paratto, mapoapi), bilhas (tsolooda), taças (kérapi e kérapi dzamaapi peeri) e moringas (kaphiaroda).

    A cerâmica e o trançado, ambos usados nas cerimônias de iniciação e ofertados nos dabucuris, se encontram também em diversos momentos do cotidiano das mulheres baniwa. Na cozinha, as tigelas recolhem o suco da mandioca extraído com o tipiti, o abano serve de base para tirar o beiju feito no forno, a peneira separa a massa de mandioca que, torrada no forno de barro, se transforma em farinha.

    Entretanto, a produção de artefatos trançados a partir da fibra de arumã (Ischonospihon spp.) é uma atividade de compete aos homens. Essa complementariedade, há muito conhecida pelos Baniwa, incentivou os homens que acompanhavam suas esposas e filhas durante o encontro na comunidade São Joaquim do Ayari a irem em busca de arumã (em baniwa, poapoa) para a confecção de cestos, balaios, aturás e abanos que pudessem acompanhar as peças cerâmicas produzidas pelas mulheres.

    Ao final de seis dias de atividades conjuntas, foram produzidas quase 100 peças de cerâmica branca pelas mulheres baniwa do Rio Ayari. Porém, cerca de 400 km de rio e pedras separam as produtoras do centro comercial mais próximo. No percurso, há seis cachoeiras a serem enfrentadas até a chegada a sede do município de São Gabriel da Cachoeira, implicando na necessidade de descarregar e recarregar o bongo (canoa grande) que transporta os objetos.

    Garantir a integridade das peças é o primeiro desafio na comercialização da cerâmica produzida em uma das regiões mais ermas do Brasil.

    Desta vez, as peças chegaram intactas graças ao zelo das produtoras no embalo das cerâmicas. Em São Gabriel da Cachoeira, a produção foi encaminhada a loja Wariró – Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro, gerida pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), à qual a Umira é filiada. Em Manaus também será possível conferir uma amostra da produção de artesãos e artesãs baniwa na Galeria Amazônica.

    Segundo Nazária Fontes, iniciativas como esta ajudam no fortalecimento da cadeia produtiva da cerâmica, que representa uma forma de viabilizar a autonomia das organizações indígenas na gestão de iniciativas de geração de renda para as mulheres baniwa.

    Esta e outras atividades para fortalecer a cadeia do artesanato rionegrino, em especial a da cerâmica baniwa, vem recebendo o suporte do projeto “Territórios da Diversidade”, uma iniciativa do ISA e da FOIRN, com apoio da União Europeia. Até 2020, o propósito será facilitar a gestão e a operação de infraestruturas de produção e comercialização dos objetos tradicionais de vários povos do Rio Negro, dentre os quais a cerâmica ocupa lugar de grande destaque.

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    Germano Lima (direita acima) trançando aturás para transporte das cerâmicas | Natalia C. Pimenta – ISA

    Padrões gráficos da cerâmica Baniwa

    padroes_graficosA decoração com padrões gráficos é uma característica de diversos objetos produzidos na região do Alto Rio Negro. Cestos, instrumentos musicais, raladores, paredes das malocas e, claro, a cerâmica, recebem este tratamento tanto entre os povos Tukano quanto entre os povos Arawak. Estes desenhos têm ligações diferentes com seus referentes, ora representam a pegada de um pássaro, ora apontam para o movimento circular das águas ou o vôo das borboletas. Por vezes, contudo, alguns deles possuem apenas nomes próprios que não estão relacionados a nenhum referente fora do universo gráfico, como os padrões mais comumente observados nas cerâmicas baniwa, aqueles que recebem o nome de diakhe e ashaipa.

    Por Natalia Pimenta, com colaboração do Thiago Oliveira e Adeilson Lopes

    Publicado originalmente em: https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-rio-negro/o-passado-e-o-futuro-por-meio-da-ceramica-baniwa

     

     

  • Na fronteira com a Colômbia, São Gabriel da Cachoeira recebe primeiro vestibular indígena da Unicamp

    Na fronteira com a Colômbia, São Gabriel da Cachoeira recebe primeiro vestibular indígena da Unicamp

    Universidade paulista viajou para o município mais indígena do Brasil para aplicar a prova, que teve 610 inscritos

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    Dani Patrícia, Tukano, dá entrevista para a TV Globo que cobriu o primeiro vestibular indígena da Unicamp | Juliana Radler – ISA

    Considerada a melhor universidade da América Latina pela revista britânica Times Higher Education, a Unicamp realizou no domingo (2/12) o primeiro vestibular indígena da instituição. São 72 vagas. O curso mais procurado é o de Enfermagem, com 96 candidatos por vaga. A prova foi aplicada no no município brasileiro com o maior percentual de população indígena no Brasil: São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, onde 90% dos habitantes pertencem às 23 etnias do Rio Negro. A realização da prova no município foi uma conquista do movimento indígena, através de reivindicações feitas pelos departamentos de Jovens e de Educação da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn). Segundo a Unicamp, os alunos indigenas aprovados terão moradia, transporte e alimentação.

    “Sinto que existe necessidade de ter gente bem formada na área econômica na minha comunidade e por isso optei em fazer vestibular para Ciências Econômicas”, comenta João da Silva, do povo Baniwa, que prestou prova ontem no colégio São Gabriel, na sede do município. Os Baniwa estão envolvidos na produção de produtos da floresta, como a pimenta Baniwa e o artesanato. João quer ampliar seus conhecimentos com os números para aplicá-los na sustentabilidade da sua comunidade no Rio Içana, Terra Indígena Alto Rio Negro, na fronteira com a Colômbia.

    O mesmo pensa a jovem Paula Sampaio Azevedo, de 18 anos, da etnia Tukano, que optou pelo curso de Administração. Nascida na comunidade de Matapi, no Rio Tiquié, TI Alto Rio Negro, Paula pretende administrar negócios sustentáveis. Embora muito concorrido, Paula disse que se preparou bem para a prova e saiu otimista com o seu desempenho. Já Carlos Orjuela, do povo Tuyuka, de 23 anos, deseja se tornar enfermeiro para trabalhar na saúde indígena em São Gabriel, um dos locais que mais necessita de profissionais com conhecimento da região e dos aspectos socioculturais. “Ninguém melhor do que nós mesmos para trabalhar na saúde indígena. A gente conhece as nossas doenças, falamos a nossa língua. Mas, precisa abrir mais vaga porque somente duas para enfermagem é muito pouco”, ressaltou Orjuela, que pretende unir os tradicionais benzimentos indígenas ao conhecimentos da “medicina dos brancos”.

    Comunicadores indígenas em ação

    A Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro está participando ativamente do primeiro vestibular indígena da Unicamp em São Gabriel da Cachoeira. Além de três jovens da Rede estarem prestando o vestibular, os integrantes estão envolvidos na divulgação do vestibular indígena, participando das entrevistas e apoiando a equipe da Unicamp na produção local. Daniela Patrícia, do povo Tukano, de 23 anos, é uma das comunicadoras da Rede que ontem fez o vestibular para o curso de Comunicação Social/Midialogia. Dani, como é conhecida, gosta de audiovisual, fotografia e tecnologias da informação. Ela espera conseguir uma das duas vagas para a graduação e depois de concluir seus estudos, voltar para São Gabriel e trabalhar pelo fortalecimento da sua cultura, produzindo documentários e reportagens.

    A Unicamp fez uma reportagem especial com um podcast sobre a Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro. Veja aqui.

    Para Adelina Sampaio, do povo Desana, coordenadora do Departamento de Jovens da Foirn, a realização do vestibular em São Gabriel da Cachoeira amplia as chances de acesso dos indígenas ao ensino superior na melhor universidade do Brasil. “A gente sempre lutou pela democratização do acesso à universidade pública. Muitos indígenas daqui nunca teriam a oportunidade de ir até Campinas para fazer a prova. Mesmo em Manaus fica difícil, pois estamos a mais de 800 quilômetros de distância da capital. O movimento indígena através de sua luta pela educação indígena soma mais essa vitória. Teremos ainda as provas da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e da UnB (Universidade de Brasília) em São Gabriel”, comemora Adelina.

    O coordenador executivo do vestibular da Unicamp, José Alves de Freitas Neto, disse que foi surpreendente a concentração de estudantes de São Gabriel da Cachoeira que se inscreveram para o concurso. O professor informou que ainda não são todos os cursos da universidade com vagas reservadas aos indígenas, mas que esse primeiro vestibular foi importante para apontar a enorme demanda das comunidades para determinadas áreas, como de saúde e de ciências humanas, com preponderância para administração e pedagogia.

    Resultado do Vestibular indígena da Unicamp

    A prova do vestibular indígena da Unicamp realizada ontem em São Gabriel também ocorreu em Campinas, onde fica a universidade, em Dourados (MS), Recife (PE) e em Manaus (AM). A prova foi em língua portuguesa, composta de 50 questões de múltipla escolha e uma Redação, dividida da seguinte maneira: Linguagens e códigos (14 questões); Ciências da Natureza (12 questões); Matemática (12 questões); Ciências Humanas (12 questões); e uma Redação. O resultado será divulgado no dia 29 de janeiro de 2018, a partir das 18 horas, pelo site www.comvest.unicamp.br.

  • Povos indígenas do Rio Negro validam Planos de Gestão Ambiental e Territorial das TIs

    Povos indígenas do Rio Negro validam Planos de Gestão Ambiental e Territorial das TIs

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    Em Assembleia Geral da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) realizada entre 26 de novembro a 01 de dezembro, lideranças validam PGTAs das Terras Indígenas do Rio Negro que fortalecem o protagonismo indígena, desenvolvimento sustentável, gestão e proteção desses territórios.

    Encerrou neste sábado, 01/012, a Assembleia dos Povos Indígenas do Rio Negro em Santa Isabel do Rio Negro, iniciada na segunda-feira semana. O evento reuniu aproximadamente  200 participantes, do baixo, médio e alto Rio Negro. Os representantes da base foram indicados nas cinco assembleias regionais, que ocorreram entre agosto e outubro desse ano. Participaram também ex diretores da FOIRN e lideranças dos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira.

    Ao longo dos cinco dias, foram realizados intensos debates sobre as ameaças e ataques aos direitos dos povos indígenas e também sobre as perspectivas para os povos indígenas através de suas organizações representativas e o movimento indígena. Na primeira mesa de debate, lideranças indígenas e representantes de organizações indigenistas parceiras presentes na assembleia, destacaram o histórico de luta pelos direitos e o contexto político atual do país. Foi acordada a importância de articulação com movimentos sociais, outros povos tradicionais e união e constante diálogo com o movimento indígena do âmbito comunitário ao internacional. Como resumiu Braz França

    “Vamos ter uma nova política, precisamos agir com muita inteligência.  Nós como organizações indígenas não somos separatistas, o que reivindicamos é um lugar de diálogo com poder público, municipal, estadual e federal. O que fazemos é promover o cenário indígena a partir da realidade da comunidade. ”.

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    Ex-diretores da Foirn participam da Assembleia em Santa Isabel do Rio Negro

    PGTA – WASU VALIDADO

    O processo de construção dos Planos e Gestão Ambiental e Território e principais apontamentos dos planos de todas as regionais foram apresentados pelas coordenadorias regionais. Mais uma vez foi considerada a grande importância desses planos para a gestão e proteção desses territórios, garantindo um futuro para a geração dos povos indígenas do Rio Negro.

    Parte da assembleia foi voltada à apresentação, análise, discussão e validação do PGTA  WASU que reúne as prioridades de todas as regionais de abrangência da Foirn em capítulos temáticos. Parte das proposta e demandas levantadas no processo de elaboração dos PGTAs farão parte de um projeto de implementação. A estratégia para condução e elaboração desse projeto foi apresentada e validada pela assembleia.

    Nos dias seguintes, foram apresentados e discutidos temas de interesse dos povos indígenas do Rio Negro, como a produção comunitária e o projeto de cadeia de valores e turismo de base comunitária nas Terras Indígenas. Houve também uma sensibilização sobre a importância do processo de elaboração do Protocolo de Consulta Prévia Livre e Informada dos Povos Indígenas do Rio Negro.

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    GTS de análise e validação do PGTA ASU em Santa Isabel do Rio Negro 

    Uma comissão formada por lideranças e ex diretores da FOIRN levantou o histórico das assembleias ordinárias e extraordinárias da história da Federação. Concluiu-se então que essa é a décima quarta assembleia ordinária e que nesses 30 anos ocorreram apenas duas assembleias extraordinária. Recomendando que a próxima, prevista para 2020, seja organizada a partir desse levantamento, sendo a XV Assembleia Ordinária da FOIRN.

    Iniciada com a dança da mandioca, feita pela escola da comunidade de Cartucho, municipio de Santa Isabel do Rio Nego e finalizada com carricu a assembleia geral demonstrou a força do movimento e preparou as lideranças para os desafios na resistência e luta pelos direitos dos povos indígenas.

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    Grupo Maniaka Murasi (Dança da Mandioca) da comunidade Cartucho faz apresentação na abertura oficial da assembleia em Santa Isabel do Rio Negro.

    Colaboraram: Renato Martelli e Carla Dias/ISA