Mês: março 2021

  • Povo Dãw inaugura Casa de Referência Cultural e fortalece tradição

    Povo Dãw inaugura Casa de Referência Cultural e fortalece tradição

    Liderança do povo Dãw, a professora Auxiliadora recebe os convidados para a inauguração do centro cultural. Foto: Ednéia Teles/Foirn

    Os indígenas da etnia Dãw, que vivem na comunidade Waruá, às margens do Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira (AM), têm agora um novo espaço de referência para fortalecimento de suas tradições.

    No domingo, 14/3, foi inaugurada a Casa de Referência Cultural. Localizado no rio Curicuriari, no Sítio Belém, pertencente à Associação Ahkoiwi – CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro), o novo centro está em área tradicional do povo Dãw e está mais resguardado das interferências da cidade.

    A comunidade Waruá fica em frente à principal orla de São Gabriel, sendo uma das mais próximas do espaço urbano, o que facilita o acesso a serviços, mas gera maior exposição a alguns problemas.

    O projeto financiado pelo Fundo Casa Socioambiental foi desenvolvido para possibilitar e incentivar a retomada de práticas tradicionais da etnia, como caça, pesca, danças, crenças, entre outros.

    Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, esteve na inauguração e destacou que o projeto fortalece o povo Dãw, sua diversidade cultural e territorialidade.

    “Atualmente o povo Dãw vem se fortalecendo e se organizando para retomada e ocupação de seu território tradicional, pois tem história de resistência na região do rio Curicuriari. A cada dia vem se fortalecendo, fazendo monitoramento, intercâmbios, valorizando e mantendo sua cultura, progredindo após quase ser extinto”, disse Marivelton Baré.

    Liderança do povo Dãw, a professora Auxiliadora Fernandes informa que a construção do centro cultural é resultado de luta e vai beneficiar também as novas gerações.

    “É uma conquista para que os nossos filhos tenham suas terras para trabalhar, colher frutos e que se sintam dentro de suas próprias terras, o que é de direito”, declarou.

    A cerimônia de inauguração da Casa Cultural contou com a presença da presidência e diretoria da FOIRN, de lideranças indígenas de diferentes povos, lideranças da Comunidade Inebo, representantes do Instituto Socioambiental – ISA, Funai, Condisi-ARN.

    Na inauguração, o povo Dãw e moradores da Comunidade Inebo fizeram a apresentação cultural “Dabucuri de Açaí”, com oferta do fruto aos presentes.

    Os indígenas da etnia Dãw quase foram extintos, sendo que nos anos 80 o grupo chegou a contar com apenas 60 representantes. Atualmente, 159 pessoas vivem no Waruá.

  • MULHERES INDÍGENAS LANÇAM CARTILHA SOBRE PLANTAS MEDICINAIS USADAS CONTRA COVID-19 NO RIO NEGRO

    MULHERES INDÍGENAS LANÇAM CARTILHA SOBRE PLANTAS MEDICINAIS USADAS CONTRA COVID-19 NO RIO NEGRO

    Cecília Albuquerque – Piratapuia, fundadora da Assai e conhecedora tradicional, apresenta a cartilha. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Mulheres Indígenas de várias etnias do Rio Negro lançaram na manhã deste sábado, 20/03, a Cartilha Conhecimento Indígena: Plantas medicinais e receitas usadas contra a Covid-19 no Rio Negro, em iniciativa conjunta da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI) e Instituto Socioambiental (ISA), apoiada pela FOIRN.

    A cartilha é fruto de oficina realizada no início de setembro de 2020, idealizada pela indígena Cecília Albuquerque, da etnia Piratapuia, uma das fundadoras da ASSAI. Além de receitas, a obra compartilha depoimentos de conhecedores tradicionais sobre o uso da medicina tradicional na pandemia.

    “Nós Indígenas do Rio Negro reforçamos durante a pandemia de Covid-19 em 2020 o valor que a nossa medicina e nossos saberes ancestrais têm. Nós usamos muitos remédios feitos com plantas, cipós, raízes, folhas, tudo tirado dos nossos quintais ou da floresta. Nesse momento de angústia para toda a humanidade, esse conhecimento foi fonte de cura, esperança e resistência diante de uma doença desconhecida que não tem cura”, diz Cecília Albuquerque na apresentação da cartilha. Dona Cecília informa que o saber tradicional é complementar aos conhecimentos científicos: ela já tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19.

    Lançamento da cartilha comemorou o Dia do Artesão (19 de março). Foto: Ray Baniwa/Foirn

    No lançamento o Presidente da Foirn, Marivelton Rodriguês Baré destacou a importância da Assai, dos conhecimentos tradicionais no enfrentamento da Covid-19 e elogiou o trabalho desenvolvido pelas mulheres indígenas que fazem parte da associação. “É muitobom o trabalho que a Assai tem realizado, especialmente na produção de cartilha sobre a medicina tradicional. Precisamos destacar, dar visibilidade e valorizar esses conhecimentos indígenas. E a nossa obrigação é apoiar essas iniciativas e trabalhos que nossas associações de base realizam, como é o caso da Assai, que tem feito trabalho exemplar”, disse.

    Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígena (DMIRN) e diretora interina da FOIRN, Dadá Baniwa diz que a cartilha é importante para levar conhecimentos tradicionais inclusive a alguns indígenas que já não estão mais fazendo uso dos remédios da floresta. “A FOIRN e do Departamento de Mulheres incentivam o uso de remédios tradicionais em conjunto com as medidas de preventivas. Com essa cartilha fica mais fácil compartilhar esse conhecimento. Mulheres de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos já receberam a cartilha e vão ajudar nesse compartilhamento”, disse.

    O conhecedor tradicional Ercolino, da etnia Dessana, ajudou muita gente com benzimentos na primeira e segunda ondas da pandemia. Ele também já tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19. “Com os benzimentos e vacina, a proteção fica mais forte”, diz. Para evitar a terceira onda, ele recomenda evitar aglomerações, tomar a vacina e manter os tratamentos tradicionais.

    Dona Ilza da Silva, da etnia Baré, teve a Covid-19 na segunda onda e recomenda a todos que permaneçam tomando os chás. “Parece que a Covid-19 veio para ficar, não vai embora fácil. Então tem que continuar tomando os chás”, diz. Ela é uma das artesãs que compartilhou seus conhecimentos que estão na cartilha.

     A cartilha chega para fortalecer ainda mais a luta contra Covid-19 no Rio Negro. Apesar da chegada da vacina na região, os cuidados como uso de máscaras, lavagem das mãos com sabão e principalmente o uso da medicina tradicional é necessário e deve continuar. 

    Saiba mais: Indígenas recorrem à medicina tradicional no tratamento contra a covid-19

  • Parceria entre FOIRN e Greenpeace garante usina de oxigênio para o Rio Negro

    Parceria entre FOIRN e Greenpeace garante usina de oxigênio para o Rio Negro

    Representantes de instituições locais e parceiros da Foirn visitam o local onde a usina será instalado em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    Parceria entre a FOIRN e o Greenpeace firmada dentro de ações de combate à pandemia da Covid-19 possibilitará a instalação de uma usina de oxigênio em São Gabriel da Cachoeira que beneficiará a região do Rio Negro.

    O equipamento deve entrar em funcionamento no próximo mês e será usado para envaze de cilindros, tendo capacidade para encher 12 equipamentos. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 16/3, pelo presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, Baré, em encontro na Maloca – Casa do Saber da FOIRN, com a presença do diretor de operações do Greenpeace Brasil, Agnaldo Almeida, e autoridades do município.

     A usina de oxigênio será doada pelo Greenpeace à FOIRN, que vai celebrar termo de cessão e gestão com a Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira. A partir daí serão firmados acordos para que os municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos também sejam beneficiados pela estrutura.

    Marivelton Rodriguês Baré, Presidente da Foirn, destaca a importância da parceria para esta conquista. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Marivelton Baré reforçou que essa é uma conquista interinstitucional conduzida pela federação. “É uma ação interinstitucional da FOIRN, Greenpeace, Instituto Socioambiental (ISA), Expedicionários da Saúde (EDS), FUNAI, Prefeitura. E chega após as maiores dificuldades enfrentadas na segunda onda, com alto índice de contaminação e mortes. Vem suprir uma necessidade para além da pandemia, pois há outras doenças que demandam o uso desse insumo.  Além disso, resolve um problema logístico, pois não será necessário mais fazer os envazes de cilindros em Manaus”, disse.

    Em meio à chamada segunda onda da pandemia, o Estado do Amazonas, em especial Manaus, viveu este ano uma crise sanitária provocada pela falta de oxigênio. Em São Gabriel da Cachoeira não houve desabastecimento do produto devido ao grande esforço interinstitucional, mas a cidade chegou a operar no limite.

    A usina adquirida pelo Greenpeace custa R$ 450 mil, mas incluindo o valor do transporte e instalação, o montante chega a R$ 700 mil. O equipamento será instalado em área da Unidade Básica de Saúde (UBS) de Saúde Miguel Quirino. Na terça-feira, após o encontro da FOIRN, uma comitiva visitou o local.

    Diretor de operações do Greenpeace Brasil, Agnaldo Almeida, disse que durante a crise do oxigênio, a principal preocupação da organização foi com nossos parceiros, entre eles o movimento indígena.

    “Na crise desenvolvemos alguns planos para ajudar e, durante esse processo, surgiu a ideia de garantir a compra de uma usina para que ela ficasse como legado desse trabalho no Rio Negro, não só pensando no momento de pandemia. É um legado que vai ficar para a cidade e para o entorno em momentos futuros também”, disse.

    Durante o encontro houve exposição do modelo da parceria e apresentação das especificações técnicas da usina. Participaram da reunião, entre outras autoridades, a vice-prefeita Eliane Falcão; a coordenadora da Coiab, Nara Baré; o coordenador regional da Funai – Coordenadoria Regional Rio Negro, Auri Santo Antunes de Oliveira; o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN), Hernane Souza; administrador do ISA – São Gabriel da Cachoeira, Wizer Oliveira; Diretora do Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira (HGu), tenenete-coronel Anaditália Pinheiro; vereador Messias Ambrósio. Também estiveram no encontro representantes de associações de base, diretores e coordenadores de departamento da FOIRN.

     DABUCURI

    O encontro na Maloca – Casa do Saber da FOIRN marcou o fim das obras de reforma da estrutura, que vinham ocorrendo desde setembro de 2020. Liderança indígena e conhecedor tradicional, Luiz Laureano, da etnia Baniwa, foi o responsável pela reestruturação na maloca. Nessa terça-feira, ele conduziu um Dabucuri para reabertura da Casa do Saber. A inauguração oficial deve acontecer em abril, coincidindo com a chegada da usina de oxigênio a São Gabriel da Cachoeira.

    Manter os cuidados preventivos continuam sendo fundamentais na luta contra a Covid-19.

  • Comunidade do povo Dãw comemora pela primeira vez o Dia Internacional da Mulher

    Comunidade do povo Dãw comemora pela primeira vez o Dia Internacional da Mulher

    A comunidade Waruá, do povo Dãw, em São Gabriel da Cachoeira (AM), comemorou este ano, pela primeira, vez o Dia Internacional da Mulher. 

    Mesmo com os desafios e perdas impostos pela pandemia da Covid-19, as mulheres se reuniram, seguindo os protocolos de segurança, demonstrando união de forças e solidariedade nesse momento difícil. 

    O objetivo do encontro, realizado no próprio Dia 8 de Março, segunda-feira, foi ressaltar o papel importante da mulher indígena na sociedade. Durante a comemoração, as mulheres indígenas deram depoimentos fortes e emocionantes. 

    “A mulher indígena é batalhadora, trabalha dia a dia, procura sempre afazeres na roça, em casa, seja onde estiver. Mas não podem esquecer que ela também se cansa”, disse a professora Auxiliadora Fernandes, liderança do povo Dãw. 

    Durante o encontro na comunidade Waruá, as mulheres guerreiras lembraram a importância da luta constante das mulheres e da conquista de espaços na educação, política, cultura, esportes, direitos sociais. 

    O Departamento de Mulheres Indígenas da FOIRN – DMIRN/FOIRN participou do encontro no Waruá. 

    Este ano, devido à pandemia, o DMIRN/FOIRN utilizou as redes sociais para prestar homenagem às mulheres, evitando encontros presenciais. “Lugar da Mulher Indígena é onde ela quiser” foi a principal mensagem que acompanhou fotos e vídeos de lideranças e outras mulheres que contribuem com seus saberes e experiências com o movimento indígena. 

    Confira mensagens das mulheres indígenas:

    “Lugar de Mulher é onde ela quiser, seja mulher artesã, mulher na roça, cuidadora da família… Feliz Dia Internacional da Mulher a todas as guerreiras do Rio Negro e do Brasil.”

    Janete Alves, Dessana, Diretora-executiva da FOIRN

    “Não é dia só de comemorar, mas de nós reivindicarmos nossos direitos. Direito de expressão, direito de participação.” 

    Professora Cecilia Albuquerque, Piratapuia, liderança indígena

    “Todas nós temos obstáculos, mas sempre vencemos e chegamos onde queremos estar.”

    Eliane Falcão,  vice-prefeita de São Gabriel da Cachoeira

    “Quero dizer a você mulher: seja firme! Seja perseverante. Sejamos sempre guerreiras, não devemos desistir diante das desigualdades sociais que enfrentamos, diante de todas as dificuldades, preconceitos e discriminações.”

    Lorena Araújo, Tariana

  • Marivelton, líder indígena da Amazônia, é premiado internacionalmente por projeto de turismo

    Marivelton, líder indígena da Amazônia, é premiado internacionalmente por projeto de turismo

    Marivelton Baré , Presidente da FOIRN. Foto: Juliana Radler/ISA

    Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

    MANAUS – O líder indígena do povo Baré e presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), Marivelton Barroso, de 29 anos, foi eleito nessa sexta-feira, 26, um dos cinco vencedores do prêmio internacional de viagens “Changing Your Mind 2021” (Mudando Sua Mente 2021), da revista americana Vanity Fair, um dos periódicos mais consagrados do mundo.

    A categoria premia as personalidades que mais se destacam pelo mundo com seus projetos inovadores de turismo. Marivelton levou o prêmio por sua atuação na promoção do turismo sustentável nas comunidades indígenas de Santa Isabel do Rio Negro, no interior do Amazonas, com o projeto “Serras Guerreiras de Tapuruquara”, construído e apoiado pela organização não governamental (ONG) Garupa, em parceria com outras entidades.

    “O prêmio vem de uma forma bastante surpresa e ao mesmo tempo emocionante que é ter o reconhecimento de um trabalho que é feito em grupo. A nossa representatividade se dá no âmbito coletivo. O ‘Serras Guerreiras…’ permite o visitante conhecer toda a nossa realidade, contada por nós, levada por nós e poder ter a dimensão do que é viver na Amazônia e na Terra Indígena aqui no Rio Negro”, disse Marivelton neste sábado, 27, em entrevista à REVISTA CENARIUM.

    Luta pelos direitos

    Natural de Santa Isabel do Rio Negro, Marivelton Baré luta pelos direitos dos povos indígenas do médio e baixo Rio Negro há, pelo menos, 16 anos. Ele conta que o projeto surgiu da vontade da comunidade de mostrar aos turistas um pouco mais da cultura local, em 2017. Para isso, era preciso buscar parceiros e promover atividades sustentáveis que pudessem gerar emprego e renda aos indígenas da região.

    “A gente já tinha o atrativo, mas precisaria dos parceiros para promover o turismo e graças a ele conseguimos oferecer aos turistas uma experiência inovadora, envolvendo cinco comunidades de Santa Isabel do Rio Negro. O turista pode ver as apresentações culturais, pode degustar da alimentação regional, visitar trilhas, subir as serras. Na comunidade, vai poder ver a exposição de artesanatos. É uma vivência ímpar para quem nunca veio à região à procura de produtos indígenas do rio Negro”, salientou.

    Em 2018, o líder indígena com o apoio da comunidade começou a experiência de trabalhar com turismo em Santa Isabel do Rio Negro. A iniciativa foi estabelecida com o apoio dos parceiros. Segundo o presidente da Foirn, a proposta se manteve em um ritmo bom até a pandemia da Covid-19 se instalar nas comunidades tradicionais na Amazônia e suspender as viagens.

    “Toda renda com o turismo é gerada para as famílias. A pandemia veio para atrapalhar, devastou nossa região, levou nossos familiares e, praticamente, suspendeu com essa continuidade do projeto que busca, a partir da percepção indígena, mostrar como vive nosso povo”, finalizou o líder Baré.

    Publicado pelaREVISTA CENARIUM em: https://revistacenarium.com.br/marivelton-lider-indigena-da-amazonia-e-premiado-internacionalmente-por-projeto-de-turismo/