Mês: maio 2021

  • Nota Pública da Foirn sobre a visita do Presidente da República, Jair Bolsonaro, à São Gabriel da Cachoeira

    Nota Pública da Foirn sobre a visita do Presidente da República, Jair Bolsonaro, à São Gabriel da Cachoeira

    São Gabriel da Cachoeira, 28 de maio de 2021

    Nós, 23 povos indígenas do Rio Negro, representados pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), organização fundada em 1987 para defender nossos direitos à terra e à autodeterminação, deixamos pública a nossa profunda insatisfação com a conduta do presidente da República, Jair Bolsonaro, em sua visita ao município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, nos dias 27 e 28 de maio de 2021.

    Sede da Foirn, no Centro do município de São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, Amazonas (Juliana Radler/ISA)

    Finalizamos em 2020 os nossos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), previstos na Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental em Terras Indígenas (PNGATI). Esses planos, feitos junto com a Funai, são documentos nos quais apontamos os rumos para o desenvolvimento nos nossos territórios. Entretanto, mesmo a Foirn sendo a instituição que há mais de três décadas trabalha em prol de políticas públicas para os povos da região, não fomos incluídos na agenda e sequer convidados para qualquer diálogo com o presidente da República a respeito destes planos de gestão e outros temas de nosso interesse.

    O líder máximo do Brasil, contudo, preferiu uma agenda feita “as escondidas”, na qual ele e seus assessores se deram ao trabalho de “preparar palanque” para fotos e vídeos de sua campanha eleitoral para 2022. Ao invés de convidar as lideranças e instituições reconhecidas e comprometidas com o coletivo, privilegiou uma agenda com líderes autoproclamados, como ocorreu na Terra Indígena do Balaio, para mais uma vez produzir fake news e narrativas grotescas sobre nosso povo e nossa cultura. Em sua live semanal, gravada ontem no Pelotão de Fronteira de Matucará, o presidente comparou a medicina tradicional indígena com o kit Covid, tentando ridicularizar a CPI do Senado, que investiga às denúncias de prescrição de remédios sem eficácia, como a cloroquina. Mais uma vez, Bolsonaro demonstra apreço em confundir a opinião pública para se livrar de acusações graves em relação à condução da gestão da pandemia de Covid-19, que já matou mais de 450 mil brasileiros.

    O desprezo por nosso povo indígena é tanto que o presidente sequer se deu o trabalho de conhecer nossa diversidade, criando ao seu bel-prazer uma nova etnia, a do povo Balaio, que não existe no Brasil e em nenhum lugar do mundo. Seu ato de simplificar e generalizar não condiz com sua posição de presidente da República. “Bolsonaro mais uma vez ignora os problemas e humilha o povo brasileiro. O presidente não encontrou com as instituições que mais ajudaram a combater a pandemia de Covid-19 aqui na região e sequer fez menção ao combate ao garimpo ilegal, narcotráfico e outros assuntos graves que assolam as terras indígenas aqui na região da tríplice fronteira com a Venezuela e Colômbia”, ressalta Marivelton Barroso, do povo Baré, presidente da Foirn.

    Foirn / www.foirn.org.br / Mais informações para a imprensa: 97 9810-44598

  • CARTA DE REPÚDIO À VISITA DO PRESIDENTE JAIR BOLSONARO À TERRA INDÍGENA YANOMAMI NO ALTO RIO NEGRO E À SUA PAUTA ANTI-INDÍGENA EM FAVOR DA MINERAÇÃO EM TERRAS INDÍGENAS

    CARTA DE REPÚDIO À VISITA DO PRESIDENTE JAIR BOLSONARO À TERRA INDÍGENA YANOMAMI NO ALTO RIO NEGRO E À SUA PAUTA ANTI-INDÍGENA EM FAVOR DA MINERAÇÃO EM TERRAS INDÍGENAS

    CARTA DE REPÚDIO À VISITA DO PRESIDENTE JAIR BOLSONARO À TERRA INDÍGENA YANOMAMI NO ALTO RIO NEGRO E À SUA PAUTA ANTI-INDÍGENA EM FAVOR DA MINERAÇÃO EM TERRAS INDÍGENAS

    Comunidade Baniwa Tunuí-Cachoeira – AM, 26 de maio de 2021.

    Nós, membros representantes legítimos do POVO BANIWA, família linguística Aruak da Terra Indígena Alto Rio Negro, representados juridicamente pela ORGANIZAÇÃO BANIWA E KORIPAKO NADZOERI e FEDERAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES INDÍGENAS DO RIO NEGRO, FOIRN, manifestamos nosso repúdio à visita do presidente Jair Bolsonaro à Terra Indígena Yanomami no Alto Rio Negro planejada para amanhã, 27 de maio de 2021, no nosso município de São Gabriel da Cachoeira/AM e à sua pauta anti-indígena e anti meio ambiente de abertura das terras indígenas à exploração mineral e outras atividades econômicas predatórias e destrutivas.

    Manifestamos nossa total contrariedade a qualquer iniciativa de abertura das terras indígenas a atividades econômicas, políticas e culturais que venham ameaçar nossa paz e nossa tranquilidade de viver em nossas terras tradicionais conforme nossas tradições, culturas, nossos saberes, valores e modos milenares de vida e de existências.

    Somos contrários à mineração que causa graves problemas socioculturais para nossos povos, comunidades e famílias, por meio da desestruturação social, cultural, familiar, exploração sexual, drogas, alcoolismo, doenças transmissíveis, alta de preços, outros males e violências.

    Somos contrários à mineração que causa graves problemas ambientais, como a morfologia dos rios alterada por escavações de trincheiras e sociais, como a contaminação da água por metais como o mercúrio, amplamente utilizado na extração de ouro para separá-lo dos sedimentos.

    As práticas ilegais de mineração e garimpo tem como resultado o desmatamento e a inviabilização da exploração sustentável das matas, mediante extração de produtos madeireiros e não madeireiros, até a desestruturação de serviços ecossistêmicos, como regulação climática, oferta de água e manutenção da biodiversidade. Sabemos que são necessários pelo menos 42 anos a 70 anos para uma região degradada por garimpo e mineração se recuperar, com um prejuízo de pelo menos R$ 3 milhões por quilo de ouro extraído.

    Manifestamos nosso total apoio e reconhecimento à nossa atual Constituição Federal homologada em 1988 – Constituição Cidadã – que proíbe o garimpo em Terras Indígenas. A Constituição reconhece nossas organizações sociais, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupamos, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. Assim começa o artigo 231 da Constituição Federal, no capítulo voltado aos direitos indígenas.

    A Constituição concede também a nós “o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes”. Já o parágrafo terceiro condiciona à aprovação do Congresso Nacional “o aproveitamento dos recursos hídricos, incluindo os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas”, após “ouvidas as comunidades afetadas. O parágrafo sétimo, por sua vez, veda a prática do garimpo em terras indígenas. E que o direito dos povos indígenas à terra é imprescritível.
    Sabemos também que o Brasil é signatário da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, estabelecida por decreto no país em 2004 e reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. A Convenção determina aos governos “consultar os povos interessados por meio de procedimentos adequados e, em particular, de suas instituições representativas, sempre que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente”. Insere-se nisso o interesse de atividades como a exploração mineral e a necessidade de consulta prévia realizadas com “boa fé e de uma maneira adequada às circunstâncias, no sentido de que um acordo ou consentimento em torno das medidas propostas possa ser alcançado.” Somos totalmente contrários à revogação da Convenção 169/OIT.

    Ressaltamos a necessidade da lei proibir a exploração mineral onde há presença de povos indígenas em isolamento voluntário ou povos autônomos, evitando-se o risco de desaparecimento por razoes óbvias.

    Para nós Baniwa é um equívoco entender que a exploração mineral seja solução para o desenvolvimento dos povos indígenas. A instalação de empreendimentos minerários provocaria um fluxo migratório para o interior das terras indígenas, deslocaria os povos tradicionais de seus locais de origem e impactaria o meio ambiente.

    As práticas sustentáveis, como o extrativismo, já são realidade para os nossos povos, entretanto, entendemos que é necessário maior investimento do governo. Assim, no lugar de abrir terras indígenas à exploração mineral, o Estado deveria construir instrumentos jurídicos, administrativos e políticas públicas com recursos financeiros adequados para apoiar nossas iniciativas econômicas locais sustentáveis geradoras de renda para suprir nossas necessidades e contribuir com nosso município, estado e país.

    Por fim, nos solidarizamos a todos os povos indígenas que já estão sofrendo com invasões de garimpeiros que se sentem empoderados com o discurso e a postura do governo federal, a exemplo do que está acontecendo com o povo Yanomami em Roraima e Mundurucu no Pará.

    Assinam lideranças Baniwa:

    1. Juvêncio Cardoso – cla Awadzoro
    2. Irineu Laureano Rodrigues – clã Awadzoro.
    3. André Fernando – clã Walipere-dakeenai
    4. Bonifácio José – clã Walipere-dakeenai
    5. Gersem do Santos Luciano – clã Walipere-dakeenai
    6. Francineia Fontes- Clã Walipere –Dakeenai
    7. Dario Casimiro – clã Waliperidakenai
    8. Valdiney Farias – clã Waliperidakeinai
    9. Elso Kene Angelino Cordeiro – Baré
    10. Marivelton Barroso – Baré
    11. Estevão Olímpio – clã Komadaminanai
    12. Arcindo Guilherme Lucio – clã Waliperi-dakeenai
    13. Silvia Garcia da Silva – clã: Aadaro-dakeenai
    14. Jorginho da Costa Pereira – clã Arara
    15. Silvério Lopes Rodrigues – clã Walipere-dakeenai
    16. Joaquim da Silva Lopes – clã walipere-dakeenai
    17. Joseto Miguel da Silva – clã Walipere-dakednai
    18. Genilton da Silva Apolinario – clã Paraattana
    19. Gielson Paiva Trujillo- clã Dzawinai
    20. Rafael Garcia – clã Dzawinai
    21. Osimar Olivia da Silva- clã Maolieni
    22. Armindo Gomes de Souza- clã Padzowalieni
    23. Samuel Gabriel da Silva- clã Walipere-dakeenai
    24. Melvino Fontes – clã Pato
    25. Rogério Valentim Felipe – clã Walipere-dakeenai
    26. Ronaldo Baniwa – clã Parattanakantsa
    27. Cleunice Apolinário- clã Walipere-dakeenai
    28. Virgília Almeida – Tariana
    29. Basílio Romero custódio – clã Walipere-dakeenai
    30. Gerildo Miguel da Silva – clã Walipere-dakeenai
    31. Neuza Lisbão Da Silva – clã Walipere-dakeenai
    32. Plínio Guilherme – clã Kadaopoliro
    33. Dzodzo Sebastião Apolinário – clã Paraattana
    34. Jorge Ariel Velásquez García – clã waliperedakeenai
    35. Gracilene Florentino Bitencourt – clã Komadaminanai
    36. Orlando Garcia Goncalves – clã walipere-daqueenai
    37. Franklin da Silva – clã Awadzoro
    38. Paulo Farias – clã Moliweni
    39. João Claudio – Clã Moliweni
    40. Gracimar Custódio Paiva – clã Liedawieni

    Referência para contatos:
    Juvêncio Cardoso (97) 98421-5402
    Marivelton Barroso (97) 98406-1078
    Dário Casimiro (97) 98418-5385
    Gérsem Baniwa (92) 98435-7599
    André Baniwa (92) 98465-4581

  • Campanha Rio Negro, Nós Cuidamos promove troca de saberes e experiências de enfrentamento da Covid-19 pelas mulheres indígenas

    Campanha Rio Negro, Nós Cuidamos promove troca de saberes e experiências de enfrentamento da Covid-19 pelas mulheres indígenas

    Participantes da II Oficina sobre Plantas Medicinais realizado na comunidade Yamado em São Gabriel da Cachoeira/AM. Foto: Juliana Albuquerque/Foirn

    Mulheres indígenas das etnias Dâw, Baniwa, Baré, Tariana, Koripako e Tukano se reuniram na comunidade Yamado, em São Gabriel da Cachoeira (AM), para trocar saberes e experiências de enfrentamento da Covid-19 a partir dos conhecimentos tradicionais.

    As participantes da II Oficina sobre Plantas Medicinais, ocorrida no último dia 20 de maio, destacaram a importância dos saberes e conhecimentos tradicionais para os povos do Rio Negro no enfrentamento da Covid-19. A doença que já matou 108 pessoas no município e contaminou mais de 8 mil pessoas até dia 23 de maio deste ano, segundo os dados da Secretaria Municipal de Saúde, impactou à vida de famílias indígenas tanto da área urbana, quanto nas comunidades mais distantes.

    As integrantes da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel (Assai) também compartilharam a experiência sobre a cartilha “Plantas Medicinais e receitas usadas contra a Covid-19 no Rio Negro” lançada em março deste ano. Nesta cartilha também estão registrados relatos e experiências de enfrentamento com plantas tradicionais nos períodos mais críticos da primeira onda da pandemia em 2020.

    Apesar da chegada e avanço da vacinação contra a Covid-19 no município, os conhecedores tradicionais lembraram que os cuidados e o uso da medicina tradicional devem continuar e que os protocolos sanitários básicos de lavagem de mãos e uso de máscara continuam sendo necessários e importantes no momento.

    Ilze da Silva Luciano Baré da Associação ASSAI compartilha experiências. Foto: Juliana Albuquerque/Foirn

    A oficina foi uma realização da Campanha Rio Negro, Nós Cuidamos através do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN), que junto com os parceiros locais desenvolve ações de valorização cultural e de enfrentamento da Covid-19 no Rio Negro.

    Conheça a nossa campanha e participe dessa luta: http://www.noscuidamos.foirn.org.br

  • Escola Baniwa Eeno Hiepole é selecionada pelo Programa Global Escolas 2030

    Escola Baniwa Eeno Hiepole é selecionada pelo Programa Global Escolas 2030

    Juvêncio Cardoso é liderança e professor Baniwa lidera o movimento de educação escolar Baniwa e Koripako na Bacia do Içana, é um dos reponsáveis pelo processo de inscrição e seleção da Escola Eeno Hieepole – Canadá do Rio Ayari, Terra Indígena Alto Rio Negro, noroeste do Estado do Amazonas. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Ontem, 20/05, o professor e liderança Baniwa Juvêncio Cardoso (Dzoodzo), recebeu uma grande notícia:  A seleção da Escola Baniwa Eeno Hiepole para participar do Programa Escolas 2030 no Brasil. O programa busca avaliar, desenvolver e disseminar boas práticas para a educação de qualidade de crianças e jovens em 10 países, ao longo de uma década.

    Segundo ele, a sensação é de alegria e reconhecimento, apesar de tempos difíceis. A liderança Baniwa destacou a importância da educação e formação integral dos jovens. “A sensação é de alegria pelo reconhecimento do nosso trabalho. A partir disso continuaremos a inovar a nossa metodologia pra gente seguir nessa perspectiva da inovação pela educação integral. Isso significa o reconhecimento de todo esses espaços, como os elementos da natureza que a gente tem aqui como a floresta, os rios, as roças. A situação que a gente vive hoje é difícil e preocupante, diante das mudanças climáticas e retrocessos de direitos indígenas. A seleção da Escola Baniwa Eeno Hiepole pelo programa é um reconhecimento de que estamos no caminho certo”, comemora Dzoodzo.

    Programa Global
    O Escolas2030 é um programa global de pesquisa-ação que busca criar novos parâmetros para a avaliação da aprendizagem com base na prática da educação integral e transformadora, com vistas a garantir o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4). Com duração de 10 anos (2020 a 2030), a iniciativa é realizada no Brasil, Afeganistão, Índia, Paquistão, Portugal, Quênia, Quirguistão, Tajiquistão, Tanzânia e Uganda, envolvendo 1000 organizações de todas as etapas da Educação Básica.
    No Brasil, o programa acompanhará 100 escolas e outras organizações educativas, que atuarão como ‘laboratórios de inovação’ para uma educação integral e transformadora.

    Financiado pala Fundação Itaú Social,  o programa é implementado junto com a Ashoka e a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. As três instituições compõe a Equipe Coordenadora no país, e conta com Comitê Consultivo composto por representantes de instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil, representantes de secretarias municipais e estaduais de educação, pesquisadores de universidades, órgãos internacionais, representantes de organizações de jovens, entre outros atores fundamentais da área da educação no Brasil. Saiba mais sobre o programa: https://escolas2030.org.br/

  • São Gabriel da Cachoeira conquista polo da Defensoria Pública

    São Gabriel da Cachoeira conquista polo da Defensoria Pública

    Reivindicação antiga da sociedade civil e das lideranças indígenas, instalação da Defensoria no Alto Rio Negro visa ampliação do acesso à justiça gratuita

    Defensor geral do Estado do Amazonas, Ricardo Paiva, ao lado do prefeito da etnia Tariano, Clóvis Corubão|Eucimar Aires-Foirn

    “A justiça precisa funcionar e deve ser para todos. Isso é o que a gente vem reivindicando sempre”, ressalta Dário Casimiro, do povo Baniwa, diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) durante audiência pública que marcou o anúncio da chegada da Defensoria Pública ao município mais indígena do Brasil.

    O evento realizado no último dia 14 de maio no principal ginásio da cidade contou com a presença do defensor geral do Estado do Amazonas, Ricardo Paiva, do secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, e do deputado estadual Sinésio Campos (PT-AM). O parlamentar foi o autor da propositura na Assembleia Legislativa, que viabilizou a realização da audiência pública em São Gabriel.

    A Prefeitura gabrielense doou um terreno no centro da cidade, na rua Álvaro Maia (mesma rua da sede da Foirn), para que a Defensoria tenha uma estrutura própria e não dependa de um imóvel alugado. O núcleo contará com três defensores públicos, cinco estagiários, um analista e um técnico administrativo. O polo também atenderá os municípios de Barcelos e de Santa Isabel do Rio Negro. A estimativa é que a unidade seja inaugurada até novembro, segundo a Defensoria.

    “O maior legado desta audiência pública aqui em São Gabriel da Cachoeira é poder ouvir a população e saber o desafio que teremos pela frente. Também queremos entender melhor de que forma podemos adotar estratégias para prestar um serviço que alcance à população. E não somente da área urbana, mas também a população indígena que está nas comunidades”, disse o defensor geral, Ricardo Paiva para a reportagem da Rede Wayuri de comunicadores indígenas. Escute aqui o podcast no Spotify da Rede Wayuri.

    O Instituto Socioambiental (ISA), que tem sede em São Gabriel, realizou uma reunião virtual com a Defensoria Pública afim de colaborar com o trabalho da instituição na consolidação de direitos para os povos indígenas da região. A advogada do ISA no município, Renata Vieira, apontou como um dos maiores desafios a questão dos direitos da mulher, com especial recorte para as mulheres indígenas, assim como o acesso à informação para efetivação desses direitos.

    “A presença de uma Defensoria Pública em São Gabriel da Cachoeira representa uma grande conquista dos povos indígenas do Rio Negro na defesa e efetivação de seus direitos. Isso tem uma dupla dimensão, de um lado o Estado os reconhece como um sujeito histórico titular de direitos que foram negados ao longo de séculos, de outro, representa a abertura do sistema de justiça às demandas de grupos vulnerabilizados, promovendo a ampliação do acesso à Justiça e, por conseguinte, a sua democratização”, comemora Renata, do Programa Rio Negro, do ISA.

    Interiorização da justiça

    O defensor geral comentou também que esse é mais um passo da estratégia de interiorização dos serviços da Defensoria Pública no Amazonas. Ano passado, em visita à cidade de Benjamin Constant, no Alto Solimões, Paiva lembra que pode conhecer e perceber o quanto as comunidades indígenas no Amazonas querem e precisam de serviços básicos da Defensoria.

    “São serviços que levam à cidadania para garantia de serviços básicos a essa população. Portanto, ter esse polo em São Gabriel da Cachoeira, no Rio Negro, é garantir acesso a direitos e acesso à justiça a uma população que muitas vezes vive numa zona de invisibilidade”, disse Paiva em entrevista ao ISA pelo telefone.

    Sobre a doação do terreno pela Prefeitura local, Paiva comentou: “Esse é um projeto ousado da Defensoria para enraizar seus serviços aqui em São Gabriel da Cachoeira, ciente de que a população precisa muito desses serviços e esse é um compromisso que estamos assumindo”.

    Dário Casimiro Baniwa, diretor da Foirn, reivindicou contratação de pessoal falante das línguas indígenas co oficiais do município|Eucimar Aires-Foirn

    Dário Baniwa, que participou da audiência pública como representante da Foirn,
    frisou que no município existem quatro línguas indígenas cooficiais e que a contratação de pessoas falantes dessas línguas vai “facilitar a comunicação e o diálogo entre a Defensoria e os povos indígenas da região”. Baniwa concluiu com um alerta às autoridades sobre a crescente violência e vulnerabilidade à entrada de drogas, garimpeiros ilegais e outros crimes transfronteiriços no município, que faz fronteira com a Colômbia e a Venezuela.

    Fonte: https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/sao-gabriel-da-cachoeira-conquista-polo-da-defensoria-publica