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Foirn realiza encontro “Fale Sem Medo” pelo Fim da Violência contra a Mulher Indígena

Compartilhar as experiências da II Marcha das Mulheres Indígenas realizada no último mês de setembro, em Brasília, e construir plano de ação para o enfrentamento da violência de gênero e criar redes de apoio no Rio Negro são os objetivos do encontro.

O encontro aconteceu nesta sexta-feira, 9 de dezembro, no Telecentro do Instituto Socioambiental (ISA), em São Gabriel da Cachoeira (AM), mediado pelas coordenadoras do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (Dmirn), Maria do Rosário (Dadá Baniwa), Larissa Duarte Tukano e Glória Rabelo Baré e Renata Viera, advogada do Instituto Socioambiental (ISA). 

Durante o XI Encontro das Mulheres Indígenas do Rio Negro realizado em 2018, as mais de 200 mulheres indígenas elaboraram e publicaram o manifesto “os nossos princípios, desafios e compromissos” que orienta os planos de ações do Dmirn em várias linhas temáticas, entre estes, a violência contra a mulher e o fortalecimento da presença e participação de mobilização indígena regional e nacional. 

Conseguir garantir a participação de 20 mulheres na II Marcha das Mulheres Indígenas em Brasília foi considerada pelas lideranças mulheres e coordenadoras do Dmirn, uma conquista das mulheres rionegrinas. 

A marcha aconteceu na primeira semana de setembro em Brasília. Cerca de 20 mulheres indígenas do Rio Negro marcaram presença na mobilização das mulheres pelos direitos e pelos territórios. 

Gloria Rabelo Baré: Nunca tinha participado de um evento assim tão grande. A marcha das mulheres que teve agora é uma experiência que vou levar para a vida toda. Estivemos lá reunidas junto com outras mulheres que lutam pelas suas terras, pelos seus espaços, como nós. Participar da marcha me transformou. Hoje, não fico mais calada, principalmente quando é para defender os direitos das mulheres. 

Elizangela Baré: Quando saímos do nosso território aprendemos e adquirimos mais conhecimento para nossa luta. O mesmo acontece quando realizamos atividades dentro do nosso território. Cada vez que participamos de eventos conhecemos mais sobre as leis, os nossos direitos. Como lideranças, precisamos conhecer essas leis. 

Rosilda Cordeiro Tukano: União das mulheres faz a força. E lá somamos força com mulheres de outras regiões pela demarcação de terras. Foi muito bom lutar ao lado de mulheres de todas as regiões. 

Laura Tariana: Representar as mulheres da minha região foi o grande desafio. Coragem foi essencial. 

Vanda Cardoso Piratapuia: Como foi a minha primeira vez, foi um desafio. Precisamos levar essa luta para frente como mulheres indígenas. Quebramos algumas barreiras. Como pela primeira vez conseguimos ter maior número de mulheres na marcha. 

Lorena Tariana: Cada marcha é uma experiência. A minha nova participação na marcha foi mais uma nova experiência. Foi tenso. Dessa vez várias mulheres tiveram que acordar madrugada devido às ameaças da invasão do nosso acampamento. O evento nos ensina que cada mobilização é um desafio. Precisamos lutar porque hoje, nossos direitos estão sendo ameaçados. Conseguimos nos destacar na marcha. 

Izoneia Tariana: Foi um momento único. Como não saímos do nosso mundo, sair daqui e participar da luta das mulheres de outras regiões, que muitas vezes, vimos apenas pela mídia, é uma coisa importante que expande nossos horizontes. A luta delas nos motiva a também participar e fortalecer a nossa luta pelos direitos indígenas e das mulheres. Nós mulheres já nascemos com essa força, mas, a marcha das mulheres me tornou mais resistente, fortalecida e segura. 

Rosane Piratapuia: Foi muito bom voltar para o uma mobilização das mulheres, rever lideranças que conheci quando fiz parte do Departamento das Mulheres da Foirn. Percebi que muita coisa avançou, esses avanços também são resultados das mobilizações e luta das mulheres. Lá participamos junto com mulheres de outras regiões. Em um momento, assisti uma parente chorando, pois, as terras delas são as mais afetadas atualmente pelo agronegócio. Nesse sentido, precisamos lutar com elas, pois são nossos parentes. Estar lá foi um ato de resistência e união entre as mulheres indígenas. 

Auxiliadora Dâw: Fiquei como segurança do acampamento da marcha das mulheres. Quando estamos lá, estamos lutando pelos nossos direitos, nossos territórios, pelos nossos filhos. Participar da marcha me deu experiência e me fortaleceu ainda mais como lideranças representantes das mulheres da região que represento (médio e baixo rio Negro).

A atividade foi apoiada pelo Fundo Canadá e RCA.

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