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Foirn mobiliza mulheres e jovens indígenas em ação de enfrentamento à violência contra a mulher em São Gabriel da Cachoeira

Roda de Conversa sobre Enfrentamento da Violência contra a Mulher em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Ray Baniwa/Foirn

Com o objetivo de fortalecer o combate à violência contra a mulher indígena no Rio Negro, a Foirn através do Departamento de Mulheres Indígenas (Dmirn) em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), Diocese/SGC e Paróquia Aparecida, realizou hoje, quarta-feira (23.02), mais uma Roda de Conversa sobre Enfrentamento da Violência contra a Mulher. O evento contou com apoio da Nia Tero.

A roda de conversa foi divida em dois momentos. Pela parte da manhã, somente com adolescentes e jovens, e pela parte da tarde, apenas com mulheres. O objetivo foi promover a escuta e o diálogo sobre as diferentes formas de violência com o objetivo de buscar soluções e políticas públicas que possam promover o acolhimento das vítimas e apoiar no combate e enfrentamento dessas violências.

Dadá Baniwa, uma das Coordenadoras do Dmirn, afirmou a necessidade e importância da luta que as mulheres indígenas vêm realizando para enfrentar a violência, e que as ações de enfrentamento devem ser permanentes e fortalecidas.  “Estamos dando a continuidade das ações que buscam a enfrentar a violência contra mulher e a ameaça dos nossos direitos”, afirmou.

Larissa Duarte Tukano – Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN). Foto: Ray Baniwa/Foirn

Larissa Duarte, do povo Tukano, também coordenadora do DMIRN, sublinhou que as rodas são espaços de confiança e escuta, incluindo a diversidade dos povos e línguas da região. Durante a roda os participantes puderam fazer falas nas suas línguas indígenas.

Na roda, o tema considerado delicado foi introduzido por meio de dinâmicas onde alguns jovens compartilharam relatos de experiências e como entendem o que é violência e violência contra mulher. As experiências relatadas foram complementadas por uma palestra sobre os tipos de violência e de que forma as mulheres e jovens podem combater e buscar ajuda, feita pelas psicólogas Maria Aparecida Marques e Irene Helena Martinez.

Lília França, do povo Baré, de 20 anos, destacou a importância da roda de conversa. “A roda de conversa é fundamental para adquirir conhecimentos que nos auxiliam no combate a violência contra a mulher”, disse.

Deusimar Uaho Sarmento, do povo Desana, avaliou que é necessário mais rodas de conversa sobre o assunto envolvendo os jovens. “Precisamos trazer mais jovens para as rodas de conversa sobre o assunto e também avançar na discussão – já tive experiências de tentar ajudar vítimas de violência e não saber a quem recorrer. Precisamos discutir, definir e consolidar essa rede de apoio para quem precisa”, disse.

Deusimar Uaho Sarmento, do povo Desana. Foto: Ray Baniwa/Foirn

O bispo da igreja Católica, Dom Edson Damian, esteve presente ao evento e ressaltou a importância de apoiar as mulheres no enfrentamento a violência e que as instituições precisam se unir em busca de soluções.

Para a representante do Instituto Socioambiental (ISA), Juliana Radler, a sociedade civil tem um papel fundamental de escuta empática e sensível junto às mulheres e jovens indígenas a partir dessas rodas, podendo apoiar na busca por soluções e articulações junto ao poder público. No entanto, o Estado precisa responder e atender às demandas, pois somente uma política pública efetiva e implementada poderá de fato reduzir significativamente os índices alarmantes de violência contra a mulher e feminicídio  no Brasil.

Os conteúdos das falas das mulheres e jovens serão usados para a redação de relatórios para os órgãos públicos competentes, preservando a identidade e anonimato das pessoas que deram depoimentos.

A Roda de Conversa foi realizada no Teatro Pedro Yamaguchi Ferreira em São Gabriel da Cachoeira e reuniu cerca de 65 participantes.

Roda de Mulheres Indígenas sobre Enfrentamento da Violência contra a Mulher. Foto: Dadá Baniwa/Foirn

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