Mês: maio 2023

  • A FOIRN participou em Brasília – DF de uma consulta pública sobre a nova estratégia de parceria do Banco Mundial.

    A FOIRN participou em Brasília – DF de uma consulta pública sobre a nova estratégia de parceria do Banco Mundial.

    Na última segunda-feira (29), Josimara Melgueiro, indígena do Povo Baré, Coordenadora do departamento Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), representando a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), participou da consulta pública com o Banco Mundial em Brasília.

    O Banco Mundial contribui para o desenvolvimento através de financiamentos de projetos para o governo apoiando na redução da pobreza e na promoção da soberania compartilhada, de maneira sustentável.

    Os planos apresentados durante a reunião têm como objetivo desenvolver uma nova estratégia de parceria com o Brasil em 2024-2028. Essa estratégia tem um foco específico em temas como desenvolvimento sustentável, inclusão dos mais pobres e vulneráveis e mudanças climáticas.

    É importante ressaltar que a atenção foi direcionada para a inclusão dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, que muitas vezes são deixados de fora dos projetos de desenvolvimento. Algumas das ações que podem ser implementadas para atender a essas demandas são:

    •Fortalecimento das políticas de proteção e valorização dos povos indígenas e suas culturas;

    •Promoção do acesso à educação, saúde e saneamento básico nas comunidades tradicionais;

    •Incentivo ao desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis, como o ecoturismo e a agricultura familiar;

    •Apoio às iniciativas que visem à preservação da biodiversidade e à redução das emissões de gases do efeito estufa.

    Essas medidas podem contribuir para o desenvolvimento sustentável do país e garantir que as comunidades mais vulneráveis sejam incluídas nesse processo.

    Durante a reunião, os participantes destacaram a relevância do Estudo de Caso de Mudanças Climáticas no Rio Negro e a necessidade de se implementar os Planos de Gestão Territorial (PGTAs) das Terras Indígenas. Ficou claro que essas medidas são fundamentais para garantir a proteção dessas regiões e a preservação da biodiversidade. Além disso, os presentes debateram sobre os desafios enfrentados na implementação dessas soluções e discutiram possíveis formas de superá-los.

    Com o objetivo de consolidar as ideias apresentadas, será produzido um relatório que reunirá todas as propostas discutidas durante o encontro. Esse documento será de extrema importância para nortear as ações do Banco Mundial nos próximos cinco anos, definindo as áreas prioritárias em que a instituição irá atuar para contribuir com a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável.

  • Lideranças Indígenas do Rio Negro expressam total repúdio ao Marco Temporal e ao PL490 em todo o território.

    Lideranças Indígenas do Rio Negro expressam total repúdio ao Marco Temporal e ao PL490 em todo o território.

    Indígenas realizaram mobilizações em várias partes do país nesta terça-feira (30), incluindo o município de São Gabriel da Cachoeira, na sede da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), em protesto ao Projeto de Lei 490 e ao Marco Temporal. Outras manifestações ocorreram em Santa Isabel do Rio Negro, na sede da Associação das Comunidades Indígenas do Rio Negro (ACMIRN) e em Maturacá, com o povo Ianomami.

    Entre as principais preocupações das lideranças indígenas está o fato de que o Projeto de Lei 490 pode levar à perda de terras tradicionais e ameaçar a sobrevivência de suas comunidades. Além disso, o Marco Temporal, que está sendo foi submetido à votação na Câmara de deputados e tem o trâmite de julgamento do Supremo Tribunal Federal no dia 07 de junho, aprovado o PL pode restringir o acesso dos povos indígenas às suas terras, especialmente aquelas que foram ocupadas após a promulgação da Constituição de 1988.

    Diante dessa situação, as mobilizações dos líderes indígenas são uma forma importante de reivindicar seus direitos e chamar a atenção da sociedade e das autoridades para a importância de preservar a cultura e os territórios dos povos indígenas.

    As lideranças indígenas têm desenvolvido diversos movimentos de luta e resistência em defesa de seus territórios e de seus direitos. Alguns exemplos incluem:

    •          Acampamento Terra Livre: evento anual que reúne lideranças indígenas de todo o país em Brasília para discutir pautas de interesse da comunidade indígena, como a demarcação de terras e o combate à violência contra os povos indígenas.

    •          Marcha das Mulheres Indígenas: mobilização liderada por mulheres indígenas que tem como objetivo dar visibilidade às demandas específicas desse grupo, como o combate à violência de gênero e a valorização da cultura e dos saberes tradicional.

    •          Resistência Indígena: plataforma digital que reúne notícias e informações sobre a luta dos povos indígenas em todo o país, com o objetivo de fortalecer a mobilização e a articulação entre as diferentes comunidades.

    É importante ressaltar que a luta das lideranças indígenas não se limita apenas a questões territoriais, mas abrangem também aspectos culturais, políticos, econômicos e sociais. A preservação da cultura e dos saberes tradicionais dos povos indígenas é fundamental não apenas para a sobrevivência dessas comunidades, mas também para a diversidade e a riqueza cultural do país como um todo.

    A votação no dia 07 de junho será decisiva para o direito constitucional dos povos indígenas no país.

  • Reunião do Comitê Gestor do Projeto de Pesca Esportiva do Rio Marié, em Arurá

    Reunião do Comitê Gestor do Projeto de Pesca Esportiva do Rio Marié, em Arurá

    Durante os dias 27 e 29 de maio, a FOIRN e os líderes indígenas se reuniram com parceiros na comunidade Arurá, localizada no médio Rio Negro, para discutir e avaliar o projeto de Turismo Comunitário de Pesca Esportiva do Rio Marié.

    Plenária da reunião. Foto: Joelson Felix – DECOM/FOIRN

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) juntamente com as 14 comunidades indígenas do Rio Marié realizaram a reunião do comitê gestor do turismo de base comunitária e conta com a presença do parceiro o Instituto Socioambiental para apoio técnico e assessoria a atividade.

    A reunião do comitê pode ser realizada desde que pelo menos uma das partes contratuais esteja presente, como associações, comunidades ou empresas parceiras, com a presença da Funai.

    O objetivo da reunião foi apresentar, de forma transparente, a prestação de contas da FOIRN, associação, comunidades e empresa, com relação aos valores recebidos durante a temporada de 2022/2023. A reunião foi conduzida pelo presidente da Foirn Marivelton Baré, com a participação da comissão da associação ACIBRN e da técnica de turismo Tifani Máximo.

    Marivelton Baré, diretor Presidente da FOIRN Foto: Joelson Felix – DECOM/FOIRN

    O Projeto Marié é o primeiro de base comunitária em territórios indígenas que mais gerou recursos econômicos e se tornou o maior projeto de pesca esportiva de base comunitária no Brasil. Os empresários responsáveis pelo projeto relataram que a temporada 2022/2023 (setembro 2022 a fevereiro 2023) foi a melhor, apesar das dificuldades enfrentadas durante a pandemia. Entretanto, é preciso garantir que os recursos cheguem às comunidades e que a vigilância seja mantida para evitar a entrada ilegal de turistas que possam prejudicar o projeto.

    Vigilantes Indígenas. Foto: Joelson Felix – DECOM/FOIRN

    Os guias foram bastante elogiados, embora a vigilância seja uma tarefa complicada, uma vez que se observa a entrada de pessoas pescando no rio. Para melhorar a situação, avaliou-se a necessidade de reforçar a assistência jurídica para regularização das associações, além de outros ajustes no repasse de recursos.

    Foi proposto um plano de trabalho para renovar o contrato do projeto Marié por mais 10 anos, incluindo a criação da primeira escola modelo de guias de pesca indígenas do Brasil, oficinas e cooperativas para confecção de iscas de fly para as mulheres das comunidades, e melhoria do plano de ação para as comunidades. Também se discutiu a necessidade de equilíbrio salarial, plano de carreira e apoio técnico para organização das comunidades.

    A próxima reunião do Comitê Gestor Operacional será em agosto na comunidade Tapuruquaramirim, com foco na oficina com as comunidades, e em setembro, na escolha da nova direção da Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (ACIBRN).

  • Novas lideranças tomam posse como coordenadores das organizações indígenas do Distrito de Iauaretê

    Novas lideranças tomam posse como coordenadores das organizações indígenas do Distrito de Iauaretê

    Em Iauaretê, realizou-se em 28 de maio de 2023 a cerimônia de posse da nova coordenação da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI) e da diretoria da Associação das Comunidades Indígenas de Iauaretê (ACII).

    A posse da nova coordenação da COIDI e da diretoria da ACII foi um momento importante para a comunidade indígena de Iauaretê. Citamos alguns pontos relevantes sobre as organizações indígenas na região são:

    Foto: Marcelo Córdoba – Comunicador Indígena da COIDI.

    A COIDI é uma organização regional que tem como objetivo representar as organizações indígenas de Iauaretê perante as autoridades governamentais e outras instituições como a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN). A nova coordenação terá a responsabilidade de liderar as ações da COIDI ate o final de 2024.

    Foto: Marcelo Córdoba – Comunicador Indígena da COIDI.

    Já a ACII é uma associação que representa as comunidades indígenas de Iauaretê perante a sociedade civil e outras entidades. A diretoria eleita terá a tarefa de desenvolver projetos e ações que promovam a cultura e os direitos dos povos indígenas na região.

    A cerimônia de posse contou com a presença de lideranças locais e da Janete Alves desana, diretora da FOIRN e de referencia da COIDI. Houve discursos e apresentações culturais que celebraram a diversidade e a resistência dos povos indígenas na região.

    A posse ocorreu em um momento de grande pressão sobre as terras e os direitos dos povos indígenas no Brasil. A nova coordenação da COIDI e a diretoria da ACII terão que enfrentar desafios como a luta contra o garimpo ilegal, a defesa das terras indígenas e a promoção da saúde e da educação indígena nas comunidades.

    Durante a posse, também foi o momento de discutir questões importantes para a região, como a preservação da floresta amazônica e a importância da valorização das tradições culturais. Além disso, a união entre os povos representou um momento de fortalecimento da diversidade étnica e cultural da região. Foi uma oportunidade para que a coordenadoria se reunisse e celebrasse sua identidade única e rica em história. As Associações ACIRWA e ASEKK, estão comprometidas em continuar apoiando a promoção da cultura e a preservação ambiental na região de COIDI.

  • A celebração dos 20 anos do Departamento de Mulheres Indígenas apresenta proposta do livro “Mães do Dmirn, desafios e conquistas”

    A celebração dos 20 anos do Departamento de Mulheres Indígenas apresenta proposta do livro “Mães do Dmirn, desafios e conquistas”

    No último dia 27 de maio (sábado) foi realizada a apresentação da proposta do livro para todas as autoras e lideranças do Departamento de mulheres indígenas do Rio Negro (DMIRN).

    Livro escrito por Elizangela da Silva Costa Baré narra os desafios e conquistas de Mulheres Indígenas do Rio Negro. Todas as coordenadoras que contribuíram para o departamento político da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) participaram do projeto. O livro está sendo produzido em referência às duas últimas décadas, com o apoio do Observatório da Violência de Gênero no Amazonas e da Universidade Federal do Amazonas.

    O livro “Mães do Dmirn, desafios e conquistas” é um importante registro das lutas e vitórias das mulheres indígenas da região. Além de relatar as conquistas políticas alcançadas por meio da atuação da FOIRN, o livro também aborda questões relacionadas à violência de gênero e como as mulheres indígenas têm enfrentado esse problema.

    Algumas informações adicionais sobre o livro e a autora incluem:

    • Elizangela da Silva Costa baré é uma liderança indígena da região do Rio Negro e há anos tem atuado em defesa dos direitos das mulheres indígenas.
    • O projeto para a produção do livro contou com a participação de diversas mulheres coordenadoras do departamento político da FOIRN, que foram fundamentais para a construção da narrativa apresentada.
    • O livro tem o apoio do Observatório da Violência de Gênero no Amazonas e da Universidade Federal do Amazonas, que reconhecem a importância de dar voz e espaço para as mulheres indígenas contarem suas próprias histórias e experiências.

    Por meio dessa obra, Elizangela baré e as outras mulheres que contribuíram com o livro oferecem uma importante contribuição para o registro da história e da luta das mulheres indígenas no Brasil.

    Lideranças que atuaram no movimento indígena e na FOIRN antes da criação do DMIRN
    Maria Miquelina Barreto Machado, Etnia Tukano
    Rosimeire Teles, Etnia Arapaço
    Sandra Gomes Castro, Etnia Baré
    Regina Pedrina Aragão Sales, Etnia Tukano
    Rosilene Fonseca, Etnia Piratapuia, Diretora FOIRN
    Almerinda Ramos de Lima, Etnia Tariano
    Floriza Goes, Etnia Yanomami

    As Mães-Amaró do DMIRN
    Cecília Albuquerque, Piratapuia (2002-2004)
    Idária da Silva Barreto, Baré (2002-2004)
    Zilma Henrique Melgueiro (2005-2005)
    Cecília Albuquerque, Piratapuia (2005-2008)
    Gilda da Silva Barreto, Baré, (2005-2007), Vice-coordenadora
    Maria Lindalva Fontes Olimpio, Baniwa (2005-2008)
    Marilda Selma Florisbela Ferreira (2008-2009)
    Maria Lindalva Fontes Olimpio, Baniwa (2008-2010)
    Anair da Silva Sampaio, Tukano (2010-2013)
    Rosane Gonçalves Cruz, Piratapuia (2010-2013)
    Francineia Bitencourt Fontes, Baniwa (2014-2016)
    Rosilda Maria Cordeiro da Silva, Tukano (2014-2016)
    Elizangela da Silva Costa, Baré (2017-2020)
    Janete Figueiredo Alves, Dessana (2017-2020)
    Maria do Rosário Piloto Martins, Baniwa (2021-2022)
    Larissa Ye´Padiho Mota Duarte,Tukano (2021-2022)
    Glória de Braga Rabelo, Baré, (2021-2022)
    Belmira da Silva Melgueiro, Baré (2022)

    Nova organização do DMIRN 2023-2024
    Cleocimara Reis Gomes, Etnia Piratapuia (2023-2024), Coordenadora
    Belmira da Silva Melgueiro, CAIBARNIX, Baré (2023-2024), Articuladora
    Madalena Fontes Olímpio, NADZOERI, Baniwa (2023-2024), Articuladora
    Odimara Ferraz Maros, COIDI, Tukano (2023-2024), Articuladora
    Maria das Dores Azevedo Barbosa, DIAWI’I, Tariano, (2023-2024), Articuladora
    Cristine Victoria Campos, CAIBRIN, Tariano (2023-2024) – Articuladora

  • OS POVOS INDÍGENAS DO RIO NEGRO REPUDIAM ÀS ALTERAÇÕES NA ORGANIZAÇÃO DO MPI

    OS POVOS INDÍGENAS DO RIO NEGRO REPUDIAM ÀS ALTERAÇÕES NA ORGANIZAÇÃO DO MPI

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) vem veemente em nome das cinco Coordenadorias Regionais, 91 associações de base e 750 comunidades habitadas pelos povos indígenas ao longo do território indígena do Rio Negro, repudiar a alteração ao texto original da Medida Provisória MP 1154, que tenta arrancar a demarcação de terras indígenas do Ministério dos povos indígenas. Infelizmente o relatório da MP 1154 que altera o texto original foi aprovado ontem 24/05 pelo colegiado da Câmara dos deputados presidido pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), agora o relatório aprovado fará a transição para o Senado e precisar ser votada e aprovada até do dia 1º de junho para não perder a validade.

    O relator da medida provisória que estabeleceu a organização básica dos ministérios do Governo Lula, Isnaldo Bulhões (MDB-AL), sugeriu mudanças no texto original enviado pelo governo ao Congresso, em acordo com o relatório apresentado pelo mesmo deputado em 23 de maio. As propostas visam a atacar e enfraquecer o Ministério dos Povos Indígenas e o Ministério do Meio Ambiente, recém-criados, e incluem a devolução ao Ministério da Justiça e Segurança Pública da atribuição de demarcar terras indígenas, transferida para o Ministério dos Povos Indígenas durante o governo Lula. Essas mudanças representam um novo momento no Estado brasileiro, com a intenção de fazer o Estado respeitar a voz dos povos indígenas e assegurar a construção de políticas públicas que atendam aos seus direitos. No entanto, as mudanças propostas enfraquecem o Ministério dos Povos Indígenas, visando fragilizá-lo e até mesmo extingui-lo. Os povos indígenas do Amazonas apoiam a ministra do MPI, quando afirma que as emendas vão contra a representação brasileira como protagonista global no enfrentamento à crise climática e à preservação do meio ambiente. As emendas propostas vão contra a decisão do Governo Federal de tratar os povos indígenas com a devida importância e relevância com que merecem, respeitando a Constituição Federal de 1988. A proteção e demarcação de territórios indígenas são fundamentais para garantir a proteção do meio ambiente e uma alternativa para conter a emergência climática. É necessário que os senadores, principalmente do Amazonas, demonstrem compromisso com os povos indígenas e o meio ambiente, apesar da pressão econômica e política.

    Além de retirar a principal atribuição do Ministério dos Povos Indígenas, o parecer de Isnaldo Bulhões propõe a redistribuição de atribuições da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que passou a ser vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ao qual a Conab pertencia antes. Na área ambiental, o parecer retira do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima a responsabilidade pela gestão do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e que na mudança, o CAR passou a ser atribuição do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.

    Por cima de uma melhor organização do estado brasileiro, entendemos estas mudanças como um ataque à nova política indigenista inaugurada com este governo Lula e uma tentativa de fragilizar o novo ministério até ambicionando a extinção do MPI. Na justificativa da mudança, o relator afirma que a medida “visa à neutralidade nas análises dos processos de demarcação”, querendo gerar dúvidas quanto ao processo legal e sério de demarcação de terras indígenas, argumento amplamente defendido pelos setores anti-indigenas e anti-ambientais.

    Portanto, nós povos indígenas do Rio Negro, reafirmamos que as emendas anulam a representação brasileira como protagonista global no enfrentamento à crise climática e à preservação do meio ambiente e que acatar as emendas propostas e excluir das atribuições do Ministério dos Povos Indígenas a demarcação de terras que indiretamente atingi também a Fundação Nacional dos Povos Indígenas- Funai, é ir à contramão do mundo nos objetivos globais de enfrentamento à crise do clima, abrindo espaço para a devastação ambiental que tanto ameaça os biomas brasileiros.

    As emendas propostas ao texto, especialmente as sete emendas que pedem a extinção ou reconfiguração das atribuições do Ministério dos Povos Indígenas, vão totalmente contra a decisão do Governo Federal de tratar os povos indígenas com a devida importância e relevância com que merecem, respeitando a Constituição Federal de 1988.

    Pedimos e esperamos que os senadores, principalmente do Amazonas posam demonstrar compromisso com os povos indígenas e o meio ambiente, por cima da ganância e predação, visto que, os deputados com a votação e aprovação do relatório acabam de forma evidente, demonstrar o não compromisso com os povos indígenas. A votação no senado mostrará ao mundo, o compromisso real dos deputados e senadores do Amazonas. Caberá a eles ser sensíveis à causa indígena e ambientais, ou mais uma vez, mostrar a pressão econômica que  os povos indígenas sofrem nos territórios, pressão econômica e talvez vejamos, novamente, pressão política.

    Mesmo diante de retrocesso e tragédia contra a vida dos povos indígenas e o meio ambiente com a alteração ao texto original da Medida Provisória MP 1154, agradecemos pela compreensão, nos colocamos à disposição para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessária.

    Atenciosamente,

    Diretoria Executiva da FOIRN

    Marivelton Rodrigues Barroso – Baré

    Diretor Presidente da FOIRN

    Nildo José Miguel Fontes – Tukano

    Diretor Vice – Presidente da FOIRN

    Janete Alves Figueredo – Desana

    Diretora da FOIRN

    Adão Francisco Henrique – Baré

    Diretor da FOIRN

    Dário Emílio Casimiro – BaniwaDiretor da FOIRN

    Leia a íntegra da Nota de Repúdio.

  • ACORDO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA | Reunião institucional entre FOIRN, FUNAI e ISA em Brasília, DF

    ACORDO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA | Reunião institucional entre FOIRN, FUNAI e ISA em Brasília, DF

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) realizou no dia 24 de maio de 2023 uma reunião institucional com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e o Instituto Socioambiental (ISA) em Brasília, DF. O objetivo do encontro foi discutir o acordo de Cooperação Técnica entre essas instituições parceiras, visando a realização de ações conjuntas e integradas na região do Rio Negro.

    O propósito desse acordo é estabelecer um respaldo jurídico sólido e consolidar legalmente a parceria entre as duas organizações da sociedade civil e a autarquia federal, permitindo a execução de ações conjuntas integradas em todo o território de atuação da FOIRN, que coincide com a área de atuação da Coordenação Regional da FUNAI no Rio Negro.

    Na reunião, estiveram presentes Marivelton Rodrigues Baré, Diretor Presidente da FOIRN, Dr. Adriano Oliveira e Dra. Franciene Melchior advogados do departamento jurídico da FOIRN, Dada Baniwa, representando a FUNAI Coordenação Regional Rio Negro, Renato Martelli e Dra. Renata Vieira, representante do Instituto Socioambiental e Lucia Alberta Andrade, diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (DPDS/Funai).

    Acordos de Cooperação está explícita em legislação ou normas oficiais, mas sim em peças processuais como o Parecer 15/2013 da Advocacia Geral da União que define O ACORDO de cooperação como um instrumento jurídico formalizado entre órgãos e entidades da Administração Pública ou entre estes e entidades privadas sem fins lucrativos com o objetivo de firmar interesse de mútua cooperação técnica visando a execução de programas de trabalho, projetos/atividade ou evento de interesse recíproco, da qual não decorra obrigação de repasse de recursos entre os partícipes. Por força do Artigo 116 da Lei 8.666/1993, a mesma se aplica a esta modalidade de instrumento jurídico.

  • II Assembleia Regional Extraordinária fortalece associações indígenas na região do Alto Rio Negro

    II Assembleia Regional Extraordinária fortalece associações indígenas na região do Alto Rio Negro

    Entre os dias 09 e 11 de maio de 2023, a Casa do Saber Uka Wasú -“tu’re” Baré da comunidade Tabocal dos Pereira, Alto Rio Negro foi palco da II Assembleia Regional Extraordinária, reunindo representantes de 10 associações de base. O evento contou com a presença de 100 delegados e lideranças para discutir questões de relevância para os povos e as comunidades indígenas da região do Alto Rio Negro.

    Uma das principais pautas abordadas durante a Assembleia foi o fortalecimento da Coordenadoria das Associações Indígenas Balaio, Alto Rio Negro e Xié (CAIBARNX). Os participantes dedicaram esforços na busca pela melhor forma de fortalecer a organização, além de deliberarem sobre a nova logomarca e a aprovação do estatuto social.

    Lançamento do 2º Edital do Fundo Indígena do Rio Negro
    No primeiro dia do evento, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) anunciou o lançamento do edital 002/2023 do Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN). O objetivo dessa iniciativa é proporcionar recursos financeiros para as associações indígenas, permitindo que as comunidades, por meio de suas associações, possam implementar ações previstas em seus Planos de Gestão Territorial Ambiental nas terras indígenas – PGTAs.

    Foto: José Baltazar – Comunicador Indígena da Rede Wayuri- CAIBARNX.

    Construção do Estatuto Social
    Durante a Assembleia, CAIBARNX juntamente com as 10 associações de base filiadas à Federação, dedicou-se à elaboração do estatuto social. Esse documento é de fundamental importância para o bom funcionamento da organização, conferindo às associações a capacidade de criar seus próprios projetos em parceria com as associações de base, com o objetivo de captar recursos para o desenvolvimento da região.

    Nova logomarca da CAIBARNX
    As 10 associações presentes na Assembleia apresentaram modelos de logomarcas para aprovação dos delegados. Todos os modelos foram desenhados manualmente, incorporando elementos de significado profundo para os povos indígenas da região. Após deliberação, apenas um dos modelos foi aprovado para representar a logomarca da coordenadoria regional da CAIBARNX.

    Foto: José Baltazar – Comunicador Indígena da Rede Wayuri- CAIBARNX.

    Equipe FOIRN e parceiros institucionais marcam presença
    A Assembleia contou com a participação ativa da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), representada pelo diretor Adão Francisco do povo Baré, que é de referência da coordenadoria CAIBARNX, e pela diretora Janete Alves, do povo Dessano, referência da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI). Além desses, representantes de departamentos técnicos e políticos da instituição também estiveram presentes.

    Durante a Assembleia, foi realizada uma breve apresentação institucional da FOIRN, permitindo que as lideranças presentes pudessem conhecer melhor a nova estrutura organizacional e o fluxo de funcionamento da Federação.

    Dentre os parceiros fundamentais para a realização de atividades dentro do território, destacam-se o Instituto Socioambiental (ISA), assim como a Coordenação Regional do Rio Negro da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI/ARN) e o Conselho Distrital da Saúde Indígena (CONDISI/ARN).

    A presença e o comprometimento dos parceiros institucionais foram ressaltados durante a Assembleia, reafirmando a importância da atuação conjunta no movimento indígena do Rio Negro.

  • REUNIÃO CONJUNTA INSTITUCIONAL| Foirn reúne instituições parceiras para pactuar e alinhar o plano anual de trabalho na área de abrangência do movimento indígena do Rio Negro.

    REUNIÃO CONJUNTA INSTITUCIONAL| Foirn reúne instituições parceiras para pactuar e alinhar o plano anual de trabalho na área de abrangência do movimento indígena do Rio Negro.

    Nesta quarta feira (10), a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), reuniu a Coordenação Regional do Rio Negro da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (DSEI/ARN), Chefe da Unidade do Parque Nacional Pico da Neblina do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) e Presidente do Conselho Distrital da Saúde Indígena (CONDISI) na casa do Saber (Maloca da Foirn).

    Foto: Joelson – DECOM/FOIRN

    A reunião também contou com a participação das presidentes da Associação dos Professores Indígenas do Alto Rio Negro (APIARN) e Conselho de Professores Indígenas do Alto Rio Negro (COPIARN)

    Foto: Joelson – DECOM/FOIRN

    Presidida por Marivelton Rodrigues Baré, diretor presidente da FOIRN, o qual iniciou a reunião e esclareceu sobre o objetivo desta reunião e a importância dessa pactuação do plano de trabalho conjunto que está prevista junto ao movimento indígena, para execução dos trabalhos para os próximos meses deste ano de 2023, e pactuar o acordo de Cooperação Técnica entre instituições presentes para funcionamento dos trabalhos na prática.

    Foto: Joelson – DECOM/FOIRN

    Dadá Baniwa ressaltou que é preciso ter esse trabalho de pactuação conjunto, com parceria institucional para que se efetive o plano anual das instituições que têm a mesma abrangencia de atuação.

    Foi apresentado o planejamento de cada instituição para discussão e ajuste em conjunto, desde a Gestão territorial, Quadro Técnico, Comunicação, controle social e os desafios e perspectivas para os trabalhos e alternativas em conjunto para o território do Rio Negro.

  • FOIRN PARTICIPA DO II ENCONTRO DE FUNDOS COMUNITÁRIOS E SOCIOAMBIENTAIS PELA AUTONOMIA DOS POVOS DA AMAZÔNIA

    FOIRN PARTICIPA DO II ENCONTRO DE FUNDOS COMUNITÁRIOS E SOCIOAMBIENTAIS PELA AUTONOMIA DOS POVOS DA AMAZÔNIA

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), representada por Josimara Melgueiro , Coordenadora do Departamento Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), participa do II Encontro de Fundos Comunitários e Socioambientais pela Autonomia dos Povos da Amazônia, entre os dias 09 e 11 de maio de 2023, na sala da Fase Amazônia, na Rua Bernal do Couto, 1329, Umarizal, Belém do Pará.

    Com o objetivo da continuidade ao processo de conhecimento e interação entre fundos comunitários, iniciado no evento realizado no ano de 2022, no âmbito do Fórum Social Panamazônico – FOSPA, como principal base na construção da Rede, articulação ou aliança de fundos comunitários na Amazônia.

    Neste evento está em discussão como atuar em busca de manter uma ação estratégica junto ao atendimento às demandas emergenciais.

    Os Fundos comunitários, em virtude da sua relação com os movimentos, têm tido dificuldade no acesso à recursos públicos nacionais, sofrendo com as políticas contra os povos indígenas e outros povos e comunidades tradicionais. A preocupação é de como enfrentar os retrocessos.

    Os fundos comunitários representam movimentos que têm atuação territorial, não sendo apenas instrumentos financeiros que facilitam a grandes doadores a chegada de recursos a comunidades locais. E esses fundos têm uma agenda que é construída pelos movimentos. A discussão é sobre como apresentar essas agendas aos potenciais doadores.

    Os fundos comunitários recebem demandas de grupos informais – aldeias, coletivos, grupos de mulheres, grupos de jovens – que não contam com personalidade jurídica própria. Para responder a essas demandas será necessário discussão conjunta.

    O evento conta com a presença de representante do Fundo Dema, Fundo Podaali, Fundo Indígena do Rio Negro, Fundo de mulheres Luzia Dorothy, Fundo Puxirum, Fundo Mizizi Dudu e Fundo Babaçu.

    Com apoio da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) e Ação Social Franciscana (SEFRAS).