No dia 25/09, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) abriu processo de credenciamento para pessoas jurídicas interessadas na prestação de serviços de operação turística no Parque Nacional Pico da Neblina, localizado no Amazonas.
O edital foi anunciado pelo presidente do ICMBio, Mauro Pires, durante abertura da 2ª Edição do Congresso Brasileiro de Trilhas. O credenciamento é para operadoras turísticas com experiência em ecoturismo e perfil de base comunitária.
Equipe Yanomami de saída para a primeira expedição turística de 2023 ao Yaripo. Foto: Lana Rosa/ISA
Yaripo, nome Yanomami para o Pico da Neblina, quer dizer “casa dos ventos”, sendo um local sagrado para o povo Yanomami. Após 7 anos de preparação das comunidades de Maturacá o projeto de ecoturismo Yanomami começou a receber visitantes e realizar expedições ao Yaripo em 2022. O projeto é uma realização das associações Yanomami AYRCA e AMYK, e tem como parceiros a FOIRN, o ISA, a FUNAI e o ICMBio. Devido a sobreposição da TIY e do PARNA Pico da Neblina as empresas interessadas em trabalhar junto com os Yanomami precisam passar pelo credenciamento realizado pelo ICMBio. Além da análise documental e de todas as comprovações exigidas pelo edital as empresas que forem aprovadas para a segunda fase do credenciamento vão passar também por um momento de avaliação junto as associações Yanomami. O credenciamento é para o período de 26 meses, com possibilidade de renovação e a atividade turística desenvolvida em parceria com os Yanomami segue a regulamentação da FUNAI para turismo em TI, além do plano de visitação com roteiro desenhado pela própria comunidade.
Aldeia Ariabu e Serra Opota. Foto: Daniel Del Rei – @habitat.geo
O Plano de Visitação Yaripo – Ecoturismo Yanomami assegura o protagonismo dos Yanomami na gestão do ecoturismo e, neste sentido, as operações turísticas autorizada contam com o envolvimento direto dos indígenas na prestação dos diferentes serviços previstos. Assim, as operadoras interessadas participam como parceiras, divulgando e realizando a venda dos pacotes, contribuindo na formação dos Yanomami para a atividade turística e promovendo o turismo de base comunitária junto com os indígenas. Os interessados em participar do processo de habilitação e credenciamento deverão atender às especificações constantes no edital, que está disponível em na página do ICMBio ( edital Parque Nacional Pico da Neblina). A primeira fase de envio de documentos e habilitação vai até o dia 06 de outubro.
A III Marcha das Mulheres Indígenas é uma importante mobilização que busca dar voz e visibilidade às demandas das mulheres indígenas do país. Este ano com o tema “Mulheres Biomas em defesa da Biodiversidade através das Raízes ancestrais”, onde elas mostram o protagonismo feminino na luta pela preservação da biodiversidade e na defesa dos direitos dos povos indígenas.
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O lançamento deste livro é uma conquista importante para a literatura indígena no Brasil. As mulheres indígenas têm sido historicamente marginalizadas e suas vozes frequentemente silenciadas. A publicação deste livro é um passo significativo em direção à valorização da cultura e dos saberes indígenas.
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Algumas das autoras deste livro são lideranças em suas comunidades e têm lutado por direitos territoriais, preservação ambiental e igualdade de gênero. Suas histórias refletem as experiências e vivências das mulheres indígenas do Rio Negro, suas tradições, seus desafios e suas perspectivas.
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Entre os temas abordados no livro estão a relação com a natureza, a maternidade, a ancestralidade, a violência contra as mulheres, a espiritualidade e a resistência indígena. Através da escrita, essas mulheres reivindicam seu lugar na sociedade e afirmam sua identidade cultural.
É importante que mais livros escritos por mulheres indígenas sejam publicados e valorizados. A literatura é uma forma de resistência e de afirmação cultural, e as vozes indígenas devem ser ouvidas e respeitadas. Este livro é um marco histórico, mas também é um convite para que mais histórias sejam contadas e para que a diversidade cultural do Brasil seja celebrada.
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Nesse sentido, é fundamental destacar a relevância da participação de mais 41 mulheres lideranças indígenas, representantes das cinco Coordenadoria regionais, da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).
Em celebração aos 20 anos do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro, as mulheres indígenas lançarão seu primeiro livro “Mães do DMIRN – Conquistas e Desafios” e o site institucional.
O histórico (https://dmirn.foirn.org.br/quem-somos/) foi feito pela liderança Cecília Albuquerque desde a criação e o objetivo do departamento que representa as Associações de mulheres indígenas, além de articular e coordenar reuniões encontros de interesse das mulheres e elaborar projetos, agendas e planejamentos a partir da reivindicação das mulheres.
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Em parceria com organizações públicas e da sociedade civil, as mulheres rionegrinas representadas pelo DMIRN e associações de base, estão engajadas na luta: por equidade de gênero; pelo enfrentamento da violência de gênero; para o fortalecimento das políticas e práticas indígenas de cuidado; e pelo protagonismo feminino em espaços de decisão, tanto no contexto indígena, quanto na sociedade não-indígena.
Este é um marco importante para a comunidade indígena do Rio Negro, especialmente para as mulheres que lutam por seus direitos e preservação de sua cultura. Além dos projetos mencionados anteriormente, há outras iniciativas que o Departamento de Mulheres Indígenas vem conduzindo:
O fortalecimento da agricultura familiar, uma vez que a produção de alimentos é fundamental para a sobrevivência das comunidades;
A realização de oficinas e cursos de capacitação para as mulheres, a fim de promover a autonomia financeira e a valorização de seus saberes tradicionais;
A articulação com outras organizações e movimentos sociais para ampliar a luta pelos direitos indígenas e a proteção do meio ambiente;
A participação em eventos e encontros nacionais e internacionais para divulgar a cultura indígena e sensibilizar a sociedade sobre as questões enfrentadas pelas comunidades.
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O lançamento do livro, do documentário RIONEGRINAS e do site institucional é uma forma de registrar a história e as lutas do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro, além de ampliar a visibilidade dessas mulheres e sua contribuição para a sociedade. É um momento de celebração e reconhecimento do trabalho dessas guerreiras, que enfrentam diariamente o preconceito e a discriminação, mas que não desistem de lutar por seus direitos e pelos direitos de seus povos.
Alguns pontos que merecem destaque são:
O papel fundamental das mulheres indígenas na manutenção da cultura e dos conhecimentos tradicionais das comunidades;
A necessidade de se valorizar a participação feminina em eventos e espaços de discussão, uma vez que as mulheres muitas vezes são excluídas ou sub-representação nessas situações;
A importância da preservação dos biomas da região amazônica, que são essenciais para a manutenção da vida no planeta;
A luta pelos direitos dos povos indígenas, que enfrentam constantes ameaças e violações em seus territórios, muitas vezes por interesses econômicos de grandes empresas e do agronegócio;
A necessidade de se reconhecer e respeitar a diversidade cultural e étnica do país, garantindo o direito à autodeterminação dos povos indígenas e o respeito aos seus modos de vida e tradições.
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Entre as principais reivindicações das mulheres indígenas na marcha, estão o combate ao racismo e ao machismo, a defesa dos direitos territoriais e ambientais das comunidades indígenas, além da garantia de acesso à saúde, educação, trabalho e renda. É importante destacar que essas demandas são fundamentais para a garantia da dignidade e da cidadania dessas mulheres, que muitas vezes enfrentam situações de vulnerabilidade e exclusão.
Além disso, a III Marcha das Mulheres Indígenas também é um momento de celebração da cultura e da diversidade dessas comunidades. As mulheres indígenas trazem consigo saberes ancestrais e uma forma de estar no mundo que deve ser valorizada e respeitada pela sociedade como um todo.
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Por fim, é importante destacar que a luta por direitos e igualdade não é exclusiva das mulheres indígenas, mas sim de toda a sociedade brasileira. A participação ativa e engajada na III Marcha das Mulheres Indígenas é uma forma de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, que respeite e valorize as diferenças e diversidades culturais do país.