Mês: novembro 2024

  • FOIRN Realiza 43ª Reunião Ordinária do Conselho de Lideranças e Fortalece o Movimento Indígena no Rio Negro

    FOIRN Realiza 43ª Reunião Ordinária do Conselho de Lideranças e Fortalece o Movimento Indígena no Rio Negro

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) promoveu, entre os dias 21 e 23 de novembro de 2024, a 43ª Reunião Ordinária do Conselho de Lideranças (CL, um evento crucial para o fortalecimento do movimento indígena na região. Realizada na Casa do Saber, em São Gabriel da Cachoeira-AM, a reunião congregou 120 participantes, entre lideranças indígenas, representantes de instituições parceiras e a equipe de apoio da FOIRN.

     O principal objetivo da reunião foi fortalecer a representatividade e a organização do movimento indígena através da eleição de uma nova coordenação para o Conselho de Lideranças – CL e da discussão de temas cruciais para a defesa dos direitos dos povos do Rio Negro.

    A reunião contou com a presença de 37 conselheiros(as) representando as cinco coordenadorias regionais da FOIRN (COIDI, DIAWII, NADZOERI, CAIMBRN e CAIBARNX), assegurando a diversidade e a abrangência das discussões. Além disso, a participação de articuladores dos departamentos de jovens, mulheres e educação da FOIRN, juntamente com representantes de instituições parceiras como o Instituto Socioambiental (ISA) e o Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (DSEI ARN), demonstrou o compromisso coletivo com a causa indígena. A presença da Vice-Prefeita de São Gabriel da Cachoeira, Eliana Falcão, ressaltou a importância do diálogo entre o movimento indígena e o poder público.

    O Conselho demandou a primeira pauta que foi a eleição da nova coordenação do Conselho de Lideranças um processo democrático e participativo que envolveu as seguintes etapas:

    A candidatura é exclusiva para conselheiros(as) titulares, com indicações das coordenadorias regionais para os cargos de Coordenador(a), Vice-Coordenador (a) e Secretário(a).

    Apresentações individuais dos candidatos, permitindo aos conselheiros(as) conhecerem suas propostas e visões.

     Votação aberta com o uso dos crachás, garantindo a transparência e a legitimidade do processo.

    O resultado final da eleição consagrou Adilson da Silva do Povo Baniwa como Coordenador do Conselho de Lideranças (CL); Maria Cordeiro Vasconcelos do Povo Kubeo como Vice-Coordenadora e Odilson Penha do Povo Tukano como Secretário, A nova coordenação foi empossada em 21 de novembro de 2024. 

    Após a eleição da nova coordenação, a segunda pauta da reunião consistiu na apresentação, discussão e aprovação do Regimento Interno do Conselho de Lideranças. Sob a orientação do Dr. Adriano Oliveira, assessor jurídico da FOIRN, os conselheiros analisaram e aprovaram a proposta atualizada do regimento, consolidando o arcabouço legal e organizacional do Conselho.

    É importante destacar que a atualização do Regimento Interno do CL demonstra o compromisso da FOIRN com a transparência e a organização administrativa. A participação ativa dos conselheiros no processo de discussão e aprovação reforça a legitimidade e a representatividade do Conselho, assegurando que suas decisões reflitam os anseios e as necessidades das comunidades indígenas do Rio Negro.

    Apresentação Institucional da Diretoria Executiva da FOIRN. Apresentado por Dario Casimiro (Diretor Presidente/FOIRN)

    Criada em 1987 para fortalecer a luta dos povos indígenas do Rio Negro, a FOIRN representa mais de 750 comunidades nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

    A FOIRN é uma importante força política na defesa dos direitos indígenas na Amazônia, atuando na proteção dos territórios, promoção da cultura e desenvolvimento sustentável das comunidades do Rio Negro.Com o objetivo principal de defender os direitos desses povos, a FOIRN atua em diversas frentes, como:

    A luta pela demarcação de terras indígenas, acompanhando os processos e buscando garantir a proteção dos territórios tradicionais.

     Desenvolveu protocolos de consulta para garantir que os povos indígenas sejam consultados sobre projetos que afetem seus territórios e modos de vida.

    Fortalece as associações e organizações indígenas, promovendo a autonomia e autogestão das comunidades.

    A FOIRN apoia iniciativas de geração de renda que valorizem a cultura e os conhecimentos tradicionais, como a “Casa Wariró” e projetos de turismo de base comunitária.

    Monitora o ambiente e o clima da bacia do Rio Negro para proteger a biodiversidade e os recursos naturais.

    Apresentação dos trabalhos do Fundo Indigena do Rio Negro – FIRN/FOIRN

    O Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN) FIRN é um fundo criado para apoiar projetos de desenvolvimento sustentável apoia projetos de e autonomia das comunidades indígenas, atuando em áreas como segurança alimentar, cultura, fortalecimento institucional e economia sustentável.

    Participa ativamente de debates e fóruns nacionais e internacionais, levando a voz dos povos indígenas do Rio Negro para os centros de decisão política.


    Firmou termos de parceria com diversas instituições, como o Instituto Socioambiental (ISA), a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), universidades e órgãos governamentais, visando fortalecer suas ações e ampliar seu impacto

    Tem investido no fortalecimento de seus departamentos, como o Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN) e o Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro (DAJIRN), promovendo a participação e o protagonismo de mulheres e jovens na luta pelos seus direitos.

    Representantes do Instituto Socioambiental (ISA) estiveram presentes, reafirmando o    compromisso da instituição com a luta dos povos do Rio Negro.

    No qual foi feita a apresentação das ações e perspectivas do ISA, conduzida pelo Secretário Executivo, Rodrigo Junqueira, e pela antropóloga Carla Dias, 

    Rodrigo Junqueira evidenciou a longa história de colaboração entre as duas instituições. Desde sua criação, há 30 anos, o ISA tem caminhado lado a lado com a FOIRN.

    Carla Dias, por sua vez, relembrou a importante contribuição de Beto Ricardo importante especialista em políticas públicas e desenvolvimento sustentável, onde sua participação foi primordial para implantação do Programa Rio Negro que desde sempre deram muito apoio a Federação.

    Em seguida ouve a apresentação do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN) que representa as mulheres dos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos Coordenado por Cleocimara Reis do Povo Piratapuya, que evidenciou a importância da participação da Mulher Indigena na luta pelos direitos.

    Durante a apresentação, foram destacados os principais encaminhamentos da IX Assembleia das Mulheres Indígenas do Rio Negro e as perspectivas do DMIRN para o período 2025-2028. O departamento pretende intensificar suas ações de formação e capacitação, promover campanhas de conscientização e ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão política.

    Também teve espaço para a voz da juventude indígena, com a apresentação do Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro DAJIRN-FOIRN. 

    Liderado por Jucimery Garcia, o DAJIRN apresentou sua estrutura organizacional e seus articuladores de base, que atuam como elo entre o departamento e as comunidades, levando as demandas da juventude para a FOIRN. A coordenadora do O Departamento apresentou os principais resultados e demandas da Assembleia Geral do DAJIRN-FOIRN, evento que reuniu cerca de 100 jovens de diversas comunidades para discutir os desafios da juventude indígena, definir as estratégias de atuação do departamento e eleger a nova coordenação.

    Na reta final da 43ª Reunião Ordinária do Conselho de Lideranças da FOIRN, a atenção se voltou para o futuro da organização, Dario Casimiro Diretor -Presidente da FOIRN, conduziu a discussão, delineando os objetivos estratégicos e a missão da FOIRN para os próximos anos.

    Dario Baniwa diz: “Trabalhar com e para os povos indígenas da região do Rio Negro, do Brasil e de outras nações para que nós, povos indígenas, sejamos protagonistas em todas e quaisquer decisões e ações que impliquem consequências às nossas culturas, histórias, terras e modos de organização.”

    A missão proposta pelo Diretor Dario reforça o compromisso da FOIRN com a autodeterminação dos povos indígenas

    O plano estratégico visa fortalecer a organização, ampliar sua capacidade de atuação e garantir que a FOIRN continue sendo uma voz forte e representativa dos povos indígenas do Rio Negro.

    para discutir as propostas e contribuir com a construção de um planejamento que reflita as necessidades e aspirações das comunidades indígenas. Esse processo participativo reforça a importância do Conselho de Lideranças como instância de deliberação e garante que as decisões estratégicas da FOIRN estejam alinhadas com os anseios de seus representados.

    A 43ª Reunião Ordinária do Conselho de Lideranças da FOIRN, definiu importantes encaminhamentos para o futuro da federação, como a criação de uma comissão de captação de recursos, a reivindicação por melhorias nos serviços de saúde indígena e a aprovação de moções de providência em relação à demarcação de terras indígenas e à destinação de glebas federais para as comunidades.

    A Federação das Organizações Indigenas do Rio Negro/FOIRN como uma importante organização indígena na Amazônia brasileira, com uma longa trajetória de luta e resistência, seguem firme em sua missão de garantir que os povos indígenas do Rio Negro sejam protagonistas, construindo um futuro de respeito pela diversidade cultural, igualdade e direitos indígenas.

    Instituições presentes:

    FOIRN (Diretoria Executiva e Coordenadores dos Departamentos de Educação Escolar Indígena, Mulheres, Adolescentes e Jovens, Jurídico e Comunicação),FUNAI/CR-RNG, DSEI ARN, Sesai, Prefeitura Municípal de São Gabriel da Cachoeira, Instituto Sociambiental/ISA, e demais lideranças.

  • IX Assembleia Geral Ordinária e Eletiva do DMIRN: Avanços e desafios para o futuro das Mulheres Rionegrinas

    IX Assembleia Geral Ordinária e Eletiva do DMIRN: Avanços e desafios para o futuro das Mulheres Rionegrinas

    Nos dias 14 e 15 de novembro de 2024, a Casa do Saber da FOIRN foi palco de um evento importante para as mulheres indígenas do Rio Negro. A IX Assembleia Geral Ordinária e Eletiva do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN), com o poderoso tema “Mulheres Rio Negrinas Tecendo Estratégias de Cuidado e Resguardo em Tempos de Crise Climática”, reuniu 55 delegadas de diferentes regiões do Rio Negro e autoridades de destaque, todas unidas em torno de uma causa comum: a luta pelos direitos, pela saúde e pelo fortalecimento das mulheres indígenas. 

    Este encontro foi muito mais do que uma reunião. Foi um momento de afirmação, de celebração das conquistas, planejamento e também de reflexão sobre os desafios urgentes que as mulheres indígenas enfrentam. A assembleia não só consolidou vitórias, mas também impulsionou novos projetos e propostas e planos que marcarão os próximos anos da luta feminina indígena no Rio Negro.

    Mulheres que Inspiram: Entrega do Livro “Mães do DMIRN”

    O evento teve início com um momento de grande importância simbólica: a entrega do livro “Mães do DMIRN”. Esta obra celebra as histórias de mulheres indígenas do Rio Negro, suas lutas, vitórias e o impacto gerado por suas trajetórias no movimento indígena. A coordenadora Cleocimara Reis, ao apresentar o livro, destacou a importância de valorizar as lideranças enquanto estão vivas, reconhecendo suas histórias e legados. O livro é uma homenagem a todas as mulheres que, com coragem e determinação, contribuem para a preservação da cultura e dos direitos indígenas. 

    Avanços e Propostas para o Futuro

    A assembleia não se limitou a rememorar o passado. Ao contrário, foi um espaço para construir o futuro. Os debates e as deliberações apontaram para a necessidade urgente de estratégias de enfrentamento à crise climática, que afeta diretamente as mulheres, e para o fortalecimento da saúde, com especial atenção à alta taxa de câncer de colo de útero entre as mulheres indígenas. 

    Entre as propostas mais impactantes, destaca-se a reivindicação pela criação da Casa da Mulher Indígena no Rio Negro, um projeto essencial para acolher e proteger mulheres vítimas de violência. Além disso, houve uma forte mobilização para garantir que as mulheres indígenas tenham acesso a profissionais mulheres nas equipes de saúde, facilitando a realização de exames preventivos de câncer, um tema importante durante a assembleia. Outro ponto crucial foi o fortalecimento da infraestrutura do DMIRN, com a solicitação de mais recursos financeiros, apoio logístico e a criação de um plano estratégico para garantir a continuidade das atividades do Departamento de Mulheres, que trabalha incansavelmente para atender as necessidades das mulheres em todas as regiões do Rio Negro mas que precisa de ainda mais apoio para que seja expandido e consiga suprir maiores demandas.

    Eleição da Nova Coordenação: Renovação e Continuidade

    Um dos momentos mais aguardados da assembleia foi a eleição para a coordenação do DMIRN, que resultou na reeleição de Cleocimara Reis, com 44 votos. Sua trajetória à frente do departamento, marcada por avanços significativos e um trabalho de articulação que envolveu diversas comunidades e organizações, foi reconhecida pelas delegadas presentes. As candidatas à coordenação, Erenice Gonçalves e Odimara Matos, também tiveram a oportunidade de se apresentar e defender seus projetos, contribuindo para o fortalecimento do processo democrático. 

    A reeleição de Cleocimara representa uma continuidade de trabalho e compromisso com as demandas da mulher indígena no Rio Negro, mas também um novo capítulo para o DMIRN, que segue firme na sua missão de ampliar o alcance e a efetividade de suas ações. 

    Reivindicações e Desafios: O que a Assembleia Propôs para o Futuro

    Além da eleição, a assembleia discutiu amplamente as necessidades urgentes das mulheres indígenas, com propostas concretas para os próximos anos. Entre as principais reivindicações, destacam-se: 

    – Fortalecimento das Articuladoras Regionais: A criação de mais suporte e recursos para as articuladoras nas cinco coordenadorias regionais, garantindo a elas as ferramentas necessárias para realizar seu trabalho fundamental. 

    – Criação de uma Vice-Coordenadoria: A proposta de criação de uma vice-coordenadoria visa garantir maior representatividade e apoio à liderança do DMIRN. 

    – Valorização das Tradições Ancestrais: A assembleia ressaltou a importância de respeitar e integrar as medicinas tradicionais e as práticas culturais no movimento, mantendo viva a identidade dos povos indígenas. 

    – Apoio Logístico e Estrutura: Uma das principais preocupações foi a falta de infraestrutura e recursos para atender às necessidades das articuladoras regionais, como transporte adequado, equipamentos de trabalho e apoio administrativo. 

    Além disso, a assembleia reafirmou a necessidade de políticas públicas focadas na violência contra as mulheres e em garantir a segurança alimentar e a saúde das mulheres indígenas, duas questões centrais que impactam diretamente o cotidiano das comunidades. 

    A Força das Mulheres Rionegrinas: Um Chamado à Ação

    A IX Assembléia do DMIRN foi um evento carregado de emoção e compromisso. Cada uma das 55 delegadas, com suas histórias e desafios, contribuiu para o fortalecimento do movimento feminino indígena. As decisões tomadas, as propostas formuladas e as eleições realizadas são passos importantes para garantir que as mulheres indígenas do Rio Negro continuem a avançar em sua luta por direitos, por saúde e por respeito.

    E agora? A luta continua! O DMIRN está comprometido em transformar o futuro das mulheres indígenas do Rio Negro, e você pode ser parte fundamental desse movimento. Compartilhe nossos projetos e ajude a espalhar essa causa. Quanto mais visibilidade, mais força teremos para garantir nossos direitos. Juntas, podemos fazer a diferença e realizar melhorias concretas.