São Gabriel da Cachoeira (AM), 29 de março de 2025
Entre os dias 25 e 29 de março, foi realizado o Intercâmbio de Conhecimentos e Práticas sobre a Gestão de Cadeias Produtivas entre Associações Indígenas do Norte da Amazônia, uma iniciativa promovida pela Aliança da Amazônia (ANA), Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e Instituto Socioambiental (ISA).
A atividade reuniu 22 representantes de associações indígenas, 5 assessores técnicos e 2 tradutores de cinco países da bacia amazônica – Brasil, Colômbia, Peru, Equador e Venezuela – que integram a Aliança da Amazônia, uma rede composta por 30 organizações da sociedade civil com três décadas de atuação conjunta com povos indígenas e comunidades locais.

O objetivo central do intercâmbio é fortalecer a gestão das cadeias produtivas da sociobiodiversidade, com atenção especial à cadeia do artesanato, que representa um importante elo entre a cultura tradicional e a geração de renda nas comunidades indígenas.

A programação teve início em Manaus, com visitas à Galeria Amazônica e ao Museu da Amazônia (MUSA), onde foi realizada uma roda de conversa com o diretor-geral do museu e a coordenação do ISA. Em seguida, os participantes se deslocaram para São Gabriel da Cachoeira, onde as atividades aconteceram na sede da FOIRN, na Maloca do Saber.

A Casa de Produtores Indígenas do Rio Negro – Wariró foi um dos grandes destaques do intercâmbio, sendo apresentada como uma experiência exitosa de organização e comercialização de produtos indígenas. A história da Casa Wariró foi contada por Cecília e Gilda, duas importantes lideranças femininas que protagonizaram a sua criação. A iniciativa evidencia a força das mulheres indígenas na valorização da cultura e no fortalecimento das economias comunitárias.

No dia 28 de março, o grupo participou de um momento especial de vivência cultural nas comunidades Tuyuca e Itacoatiara Mirim, com apresentações tradicionais, culinária típica e partilha de saberes. Essas atividades proporcionaram uma imersão profunda na diversidade cultural dos povos do Rio Negro, reforçando os laços de solidariedade e interculturalidade entre os participantes do intercâmbio.

Ao longo dos cinco dias, o intercâmbio se consolidou como um espaço de aprendizado mútuo, escuta e articulação entre lideranças indígenas da Pan-Amazônia. A construção coletiva de soluções para os desafios enfrentados nas cadeias produtivas reafirma o compromisso da FOIRN e da ANA com a gestão sustentável dos territórios, a valorização dos conhecimentos tradicionais e o fortalecimento da autonomia dos povos indígenas.

