Mês: outubro 2025

  • FOIRN Participa do Fórum Socioambiental sobre Políticas Climáticas em Manaus e reforça protagonismo indígena na transição climática justa

    FOIRN Participa do Fórum Socioambiental sobre Políticas Climáticas em Manaus e reforça protagonismo indígena na transição climática justa

    Nos dias 22 e 23 de outubro de 2025, lideranças e representantes da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) esteve em Manaus (AM) participando do Fórum Socioambiental sobre Políticas Climáticas, evento que reuniu lideranças indígenas, representantes de governos, organizações da sociedade civil e instituições de pesquisa comprometidas com o futuro da Amazônia.

    Foto: Michael Dantas/ISA

    Com o tema “Desafios, oportunidades e perspectivas para a transição climática justa no Amazonas”, o Fórum foi promovido pelo Instituto Socioambiental (ISA), Memorial Chico Mendes e o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), em parceria com a FOIRN e o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam). A iniciativa buscou fortalecer o diálogo entre comunidades tradicionais, academia e gestores públicos sobre os caminhos possíveis para uma transição climática que seja, de fato, justa e inclusiva.

    Protagonismo indígena na construção de políticas climáticas

    resença da FOIRN foi estratégica para garantir que as discussões sobre políticas climáticas considerem as realidades, os direitos e os conhecimentos dos povos indígenas — fundamentais para a conservação da floresta amazônica e para o enfrentamento da crise climática global.

    A delegação foi liderada pela Diretoria Executiva da FOIRN, composta pelo presidente Dário Baniwa, a vice-presidenta Janete Dessana e os diretores Carlos Piratapuya, Hélio Tukano e Edison Baré. Também participaram coordenadores regionais das cinco coordenadorias de base (CAIMBRN, CAIBARNX, COID, DIAWI e NADZOERI), além de representantes dos Departamentos de Educação e Juventude, da coordenação dos Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) e do Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN).

    Delegação de Lideranças do Rio Negro – FOIRN

    Essa composição reafirma o compromisso da FOIRN com uma atuação articulada e representativa, envolvendo diferentes setores e territórios indígenas na defesa de políticas climáticas construídas de forma coletiva.

    A voz dos territórios: experiências e desafios

    Durante o evento, a vice-presidenta Janete Dessana participou da mesa temática “A Voz dos Territórios no Amazonas: Como os Projetos de Carbono Estão Chegando nas Comunidades?”, levando ao debate as experiências e preocupações das comunidades indígenas do Rio Negro frente à implementação de projetos ambientais em seus territórios.

    Em sua fala, a Diretora Janete Dessana trouxe um alerta urgente sobre a chegada de projetos de crédito de carbono nas comunidades. Ela destacou que, em sua região da Coordenadoria das Organizações Indigenas do Distrito de Iauaretê (COIDI), essa chegada foi “de forma negativa”, citando uma “situação complexa vinda pelo lado da Colômbia, com algumas invasões no território brasileiro.” e enfatizou a importância da participação maciça da delegação para enfrentar esse novo cenário:


    Janete Alves Dessana – Vice-Presidente da FOIRN
    Foto: Michael Dantas/ISA

    “Nós estamos com uma delegação grande… porque a gente precisa aprofundar mais, precisa estudar mais e, principalmente, ouvir os parentes que já têm experiência com esses projetos em outros territórios… É uma pauta difícil de entender, é verdade. Porém, com essas participações, a gente acaba aprofundando bastante e, assim, conseguiremos levar informações qualificadas e seguras para as nossas bases.”

    Com a crescente regulamentação do mercado de carbono e dos Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) no Brasil, o Fórum serviu como espaço de reflexão sobre os impactos, desafios e oportunidades dessas políticas para os povos indígenas, comunidades quilombolas e extrativistas.

    Floresta viva e conhecimento tradicional

    As lideranças da FOIRN destacaram que os territórios indígenas são essenciais para o equilíbrio climático global, pois neles a floresta permanece viva e o conhecimento tradicional orienta formas sustentáveis de viver, produzir e conservar.

    “Quando falamos de políticas climáticas, falamos da defesa dos nossos territórios e modos de vida.
    Os povos indígenas do Rio Negro estão prontos para contribuir com soluções baseadas na floresta e no conhecimento tradicional”, afirmou Dário Baniwa, presidente da FOIRN.

    Fortalecendo alianças e incidência política

    O Fórum também foi um espaço importante de articulação política e fortalecimento de alianças entre os povos do Rio Negro e instituições parceiras. A participação da FOIRN ampliou a incidência indígena nas discussões sobre políticas ambientais e climáticas do Estado do Amazonas e do Brasil, reforçando o papel dos povos da floresta como protagonistas das soluções climáticas.

    Ao final do encontro, a FOIRN reafirmou seu compromisso com uma transição climática justa, inclusiva e respeitosa dos direitos coletivos, além da defesa da autonomia, sustentabilidade e valorização cultural dos povos indígenas.

    Com sabedoria ancestral e visão de futuro, a Federação segue firme na construção de estratégias conjuntas para enfrentar a crise climática, garantindo que as políticas públicas e os mecanismos de financiamento ambiental promovam benefícios reais e duradouros para quem cuida da floresta há milênios.

    Assessoria de Comunicação: DECOM-FOIRN

    Fotos: Michael Dantas/ISA

  • ACIMRN lança novos PGTAs e fortalece a governança dos povos do Rio Negro: marco na autonomia indígena

    ACIMRN lança novos PGTAs e fortalece a governança dos povos do Rio Negro: marco na autonomia indígena

    Em um momento histórico para os povos do Médio Rio Negro, a Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN) lançou oficialmente os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) das Terras Indígenas Jurubaxi-Téa e Uneiuxi. O evento marcou um passo importante no fortalecimento da governança indígena e na consolidação da autonomia dos povos da região.

    Os PGTAs são documentos estratégicos, elaborados de forma coletiva e participativa, profundamente conectados às realidades, tradições e modos de vida das comunidades envolvidas. Durante o evento, lideranças participaram de uma oficina sobre PGTA, com apresentações sobre os conteúdos, processos de elaboração e organização dos livros.

    O que é um PGTA?

    O Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) é um instrumento de planejamento criado pelos próprios povos indígenas para organizar, proteger e administrar suas terras e modos de vida. Ele orienta como as comunidades desejam cuidar do território, dos recursos naturais e da sua cultura, articulando ações sustentáveis com seus saberes tradicionais.
    Ao todo, 12 PGTAs já foram elaborados na área de abrangência da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).

    O PGTA integra a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) e funciona como uma ferramenta tanto de autogestão interna quanto de diálogo com o Estado e instituições parceiras.

    De olhos na COP30: PGTAs do Rio Negro chegam ao debate global

    O PGTA da Terra Indígena Jurubaxi-Téa será levado pela comitiva do Rio Negro à COP30, em 2025, como pauta prioritária. A principal reivindicação será a conclusão da demarcação da terra indígena, uma luta que já se estende por décadas.

    O presidente da FOIRN, Dário Baniwa, destacou a importância do documento:

    “Esse plano traz vida, cultura e os conhecimentos tradicionais dos povos. É uma estratégia de diálogo com o Estado para fortalecer nossa gestão territorial e ambiental.”

    A elaboração dos PGTAs contou com apoio técnico e financeiro de instituições como Aliança pelo Clima, Rainforest Foundation Norway (RFN), Embaixada da Noruega, Fundação Gordon & Betty Moore e Instituto Socioambiental (ISA).

    Vozes das lideranças

    Da Terra Indígena Uneiuxi, a liderança Eduardo Fonseca Castelo, do povo Nadëb, ressaltou o valor simbólico e político do documento:

    “Recebemos o PGTA com muita alegria. É uma ferramenta que vai nos fortalecer, nos dá segurança e reafirma nossa autonomia. Hoje temos nossa terra demarcada e isso é nossa vida, é nosso direito.”

    O diretor de referência da FOIRN no Médio Rio Negro, Carlinhos Neri, também enfatizou o papel estratégico do plano:

    “Esse documento vai nortear o futuro de vocês. É com base nele que vamos reivindicar políticas públicas e assegurar os direitos das comunidades.”

    O líder José Augusto Fonseca, do povo Arapaço — fundador e primeiro presidente da ACIMRN e da própria FOIRN em 1987 — lembrou a trajetória de luta coletiva:

    “Nossa luta é de décadas. Fomos construindo cada passo com coragem. Hoje temos organizações fortes e ferramentas para planejar um futuro com dignidade para nossos filhos e netos.”

    Protagonismo e inovação na gestão territorial

    Os novos PGTAs são documentos vivos, abertos a atualização e evolução conforme as necessidades e transformações das comunidades. Mais do que um lançamento, o evento simboliza a consolidação de um processo que integra ancestralidade, território, luta e futuro.

    O Programa de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), idealizado por lideranças indígenas, representa uma iniciativa fundamental para garantir que as futuras gerações herdem terras demarcadas, culturas vibrantes e fortalecidas.

    A luta continua, a esperança se manifesta — e o Rio Negro segue plantando, regando e multiplicando para o mundo a gestão com alma, floresta e coletividade.

    Acessoria de Comunicação e Cobertura : DECOM-FOIRN

  • FOIRN e ACIMRN inauguram Mercado Indígena Rosilene Menezes e nova sede em Santa Isabel do Rio Negro

    FOIRN e ACIMRN inauguram Mercado Indígena Rosilene Menezes e nova sede em Santa Isabel do Rio Negro

    No dia 4 de outubro de 2025, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e a Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN) celebraram um marco histórico para os povos indígenas da região. Em um evento carregado de emoção e significado, foram inaugurados o Mercado Indígena Rosilene Menezes e a nova sede da ACIMRN, no município de Santa Isabel do Rio Negro (AM).

    As atividades começaram logo nas primeiras horas do dia, com uma feira de produtores indígenas aberta ao público às 5h da manhã. O novo mercado recebeu o nome de Rosilene Menezes, em homenagem a uma mulher indígena que atuou com dedicação na Casa de Frutas e que faleceu enquanto exercia sua função de ajudante de produção. Sua memória agora inspira o espaço que simboliza trabalho, solidariedade e resistência.

    Foto: Shayra Cruz – Comunicadora da Acimrn

    O Mercado Indígena Rosilene Menezes vai muito além de um local de vendas. Ele representa autonomia, valorização cultural e geração de renda para os povos indígenas, que passam a ter um espaço próprio para comercializar seus produtos tradicionais — como artesanatos, alimentos regionais e outros produtos baseados em saberes ancestrais.

    O evento também marcou a inauguração oficial da nova sede da ACIMRN, construída com o apoio da FOIRN e de parceiros institucionais. O novo prédio fortalece a estrutura organizativa da associação e amplia sua capacidade de atuação junto às comunidades do Médio Rio Negro.

    Foto: Shayra Cruz – Comunicadora da Acimrn

    A cerimônia contou com a presença do presidente da FOIRN, Dário Baniwa, e dos diretores Carlos Neri e Hélio Tukano, além de lideranças comunitárias, agricultores, parceiros institucionais e apoiadores.

    Em um clima de festa e união, a 1ª feira realizada no novo mercado celebrou a força das comunidades, com trocas, apresentações culturais e a reafirmação dos laços de cooperação entre os povos indígenas da região. A feira contou com Apoio da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento e Unidade Local do IDAM..

    Mais do que inaugurar espaços físicos, o evento reafirmou o compromisso da FOIRN e da ACIMRN com o fortalecimento da autonomia, da cultura e da economia indígena, reforçando que o desenvolvimento no Rio Negro é feito com protagonismo e sabedoria dos próprios povos indígenas.

  • FOIRN e UNICAMP Lançam Projeto Sollar Rio Negro:

    FOIRN e UNICAMP Lançam Projeto Sollar Rio Negro:

    Ciência Indígena na Liderança da Transição Energética

    A Federação das Organizações Indigenas do Rio Negro ( FOIRN) em parceria com a Unicamp, realizou a Formação da primeira turma de instaladores de sistemas fotovoltaicos, na casa do Saber da Foirn, o projeto “PROJETO SOLLAR RIO NEGRO: CENTRO DE APRENDIZAGEM INDÍGENA DO RIO NEGRO”, a formação aconteceu nós dias 29 a 03 de outubro de 2025.

    A iniciativa visou integrar a Ciência Indígena com as pesquisas do Centro Paulista de Estudos da Transição Energética (UNICAMP), promovendo a autonomia energética e o fortalecimento da infraestrutura comunitária no bioma amazônico.

    O projeto nasce da inquietação e da demanda do próprio território, especialmente da juventude indígena do Alto Rio Negro, e se materializa como uma “devolutiva” do conhecimento adquirido na universidade para o povo.

    O foco central é a formação sobre transição energética e a implementação de sistemas fotovoltaicos (energia solar). A escolha da energia solar é estratégica, pois, nas palavras dos envolvidos, é o sistema “mais sustentável e renovável possível que dialoga com as nossas concepções como povos indígenas”.

    Essa iniciativa marca um novo capítulo para São Gabriel da Cachoeira, ao democratizar o conhecimento em uma área tecnológica essencial e reforçar a gestão territorial indígena.

    Oferecendo capacitação técnica e política, com foco na instalação e integração de sistemas fotovoltaicos conectados e desconectados à rede elétrica, com a participação de 30 parentes indígenas selecionados das cinco coordenadorias regionais da aréa de abrangência da foirn .

    Do território para a universidade — e da universidade de volta para o território

    O projeto é resultado do esforço coletivo de acadêmicos, incluindo a Iniciação Científica e o TCC do estudante indígena Arlindo Baré, e a pesquisa de outros 12 estudantes indígenas da UNICAMP (FEEC), desenvolvida no Eixo V Educação, Formação e Capacitação para a Sustentabilidade Socioambiental, que agora, com apoio da FOIRN, esse conhecimento retorna para o território em forma de formação prática e estratégica.

    O Centro de Aprendizagem Indígena do Rio Negro terá um espaço físico em São Gabriel da Cachoeira, mas também será móvel, possibilitando que as formações cheguem aos territórios através dos novos técnicos que foram capacitados para atuar em geração e manutenção de sistemas fotovoltaicos, com o objetivo de que os formandos se tornem multiplicadores, levando a capacitação para outros jovens, escolas e lideranças, democratizando a informação.

    Além da energia solar, a visão é que o Centro seja um espaço permanente de formação em diversas áreas do conhecimento (saúde, educação, etc.), onde os primeiros 30 formandos Indigenas atuarão como multiplicadores de conhecimento.

    Energia que respeita os modos de vida indígenas

    Em muitas comunidades da região do Rio Negro, ainda se utiliza geradores convercionais que se utilizam fontes de energia não renovaveis, que são caros, poluentes e muitas vezes falham. Com a energia solar, os povos do Rio Negro podem ter energia limpa, estável e comunitária.

    O diferencial do Sollar Rio Negro é que foi pensado desde o início com a participação dos nossos povos, respeitando os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) e os Acordos de Convivência. Nenhuma decisão foi tomada de cima para baixo.


    “A energia solar é a que mais se parece com a nossa forma de ver o mundo: ela nasce do sol, é limpa, é renovável e pode ser compartilhada — Participante indígena do curso Sollar Rio Negro

    Esse cuidado também vale para o tipo de tecnologia escolhido: os sistemas fotovoltaicos instalados podem ser usados com ou sem conexão à rede elétrica, o que permite atender aldeias mais afastadas com independência e segurança.

    O projeto Sollar Rio Negro Contribui diretamente com a                       Justiça Climática global, demonstrando que, com apoio e respeito à governança indígena, os povos originários são os líderes na construção de futuros equitativos e resilientes.

    A formação por meio do Projeto Sollar Rio Negro não é apenas técnica, ela está inserida em uma lógica de justiça energética indígena: ou seja, as comunidades indígenas não são apenas receptoras de tecnologia, mas protagonistas no processo como instaladores, mantenedores, multiplicadores e gestores.

    Esse protagonismo fortalece a autodeterminação, o “bem viver” e as práticas tradicionais associadas à gestão territorial e ambiental, ao mesmo tempo em que incorpora novas tecnologias. Em outras palavras: a iniciativa dialoga com os saberes ancestrais e com as perspectivas contemporâneas de sustentabilidade.

    Em um momento em que o Amazonas enfrenta desafios crescentes como mudanças climáticas, pressão por exploração de recursos, vulnerabilidades de infraestrutura, iniciativas como essa mostram que a transição energética pode e deve ser protagonizada pelas comunidades locais, adaptada às suas realidades e alinhada aos seus valores.
    Para o território isso significa menos dependência externa, mais segurança energética, melhoria na qualidade de vida e fortalecimento dos modos de vida indígenas.

    Justiça Climática com rosto indígena

    A luta pela justiça climática passa, necessariamente, por reconhecer que nossos povos são guardiões da floresta, mas também têm o direito de acessar tecnologias limpas e com controle próprio. O Sollar Rio Negro mostra que é possível fazer isso com respeito, consulta e participação.

    Com esse projeto, os povos do Alto Rio Negro estão mostrando que a transição energética não precisa ser uma imposição: ela pode ser construída por nós, com nossos saberes, com nossas lideranças e com nossos sonhos de futuro.

    Assessoria de Comunicação: DECOM – FOIRN