FOIRN no ATL 2026: Delegação do Rio Negro participa da abertura com cultura Tukano e avança em pautas de território, educação e saúde

Representantes das cinco regionais e departamentos estratégicos da Federação levaram a força do Noroeste Amazônico para Brasília no primeiro dia do Acampamento Terra Livre.

A delegação do Rio Negro, mobilizada pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), marcou presença forte já no primeiro dia do Acampamento Terra Livre (ATL) 2026, em Brasília. Partindo de São Gabriel da Cachoeira (AM), o grupo desembarcou na capital federal unindo representatividade política e força ancestral.
A delegação é composta por representantes das cinco regionais da bacia do Rio Negro — NADZOERI, CAIMBRN, CAIBARNX, COIDI e DIAWII — além de integrar braços fundamentais da articulação indígena: o Departamento de Negócios Socioambientais, o Departamento de Mulheres Indígenas (DMIRN), o Departamento de Adolescentes e Jovens (DAJIRN), o Departamento de Educação Escolar Indígena (DEEI), o Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN) e a Rede de Comunicadores Indígenas (Rede Wayuri).


A abertura do acampamento foi marcada pela diversidade das apresentações culturais dos povos do Brasil. A delegação rionegrina abriu os caminhos apresentando o Carriçu, tradicional dança e canto do povo Tukano, em um momento de união que envolveu lideranças, estudantes, jovens e mulheres.

Após a mística de abertura, a delegação se dividiu em agendas estratégicas e plenárias, cobrando ações concretas do Estado em três eixos centrais: demarcação de terras, educação superior e saúde mental da juventude.

Território, Demarcação das terras Indígenas  e Infraestrutura: O isolamento da BR-307

Na tenda da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), o diretor da FOIRN, Edson Baré, pautou a situação jurídica das Terras Indígenas na Amazônia. Embora o Rio Negro seja referência em governança própria — exemplificada pela execução do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA-Açu) —, o diretor alertou para entraves graves de demarcação, como o caso de Cué-Cué Marabitana e áreas do médio e baixo Rio Negro.
Outro ponto de denúncia foi o impacto da falta de infraestrutura na vida das comunidades, com destaque para as condições precárias de acesso à Terra Indígena Balaio.

Foto Reprodução

Educação: A permanência dos jovens nas universidades

Durante a plenária na tenda da APIB, a pauta da educação ganhou peso com a fala de Melvino Fontes (Povo Baniwa), coordenador do Departamento de Educação Escolar Indígena do Rio Negro (DEEI). Ele destacou a omissão do poder público na efetivação de uma educação específica e diferenciada e fez um forte apelo pelos estudantes que deixam suas aldeias em busca do ensino superior.

“O governo tem que também valorizar essa questão da educação no ensino superior e a permanência, com moradia digna para esses nossos estudantes que estão dentro de todas as universidades que a gente tem no nosso país”, cobrou Melvino.

Foto Reprodução

O coordenador encerrou seu discurso de forma contundente, utilizando múltiplas línguas — incluindo o espanhol, inglês e a sua língua materna — para exigir respeito e escuta das autoridades: “Se não nos ouvem na nossa língua, eles têm que nos ouvir também na língua deles.”

Saúde e Juventude: Ministério da Saúde recebe demandas sobre alcoolismo

Longe das tendas principais, a incidência política também aconteceu diretamente nos corredores de Brasília. O Departamento de Mulheres (DMIRN), em articulação conjunta com o de Juventude (DAJIRN) e o apoio do Instituto Socioambiental (ISA), realizou uma importante reunião no Ministério da Saúde. O foco foi um problema silencioso, mas crescente nos territórios: o alto índice de consumo abusivo de bebidas alcoólicas entre adolescentes e jovens.

Cleocimara Reis Gomes (Povo Piratapuia), coordenadora do DMIRN, explicou que a pauta foi eleita como uma das prioridades da delegação para este ano.

“Para a gente foi de suma importância trazer essa pauta como foco principal deste ano para o ATL de 2026, para dar visibilidade a esse público, que dentro dos territórios tem se tornado um alto índice negativo”, pontuou Cleocimara.

Foto  Rede Wayuri

Durante o encontro, o movimento entregou um documento com pautas prioritárias para os 23 povos do Rio Negro. Segundo Jucimery Garcia (Povo Tariano), coordenadora do DAJIRN, o momento foi de construção de saídas coletivas:
“A gente esteve participando de um diálogo muito importante para tentar fortalecer e buscar maneiras de como a gente pode minimizar essas questões dentro do nosso território. O pessoal do Ministério da Saúde nos ouviu e a gente teve a oportunidade de entregar uma demanda nossa, com pautas muito mais voltadas para a nossa população indígena.”
A programação do Acampamento Terra Livre 2026 segue ao longo da semana, e a delegação da FOIRN continua articulada para garantir que a voz do Rio Negro ecoe no centro do poder político do país.

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