Autor: Comunicação – FOIRN

  • CARTA SOBRE FORMAÇÃO DE AIS – RIO NEGRO

    Ao Ilmo. Sr.:Alexandre Oliveira Cantuária
    C/C: Ilmo. Sr.: Antonio Alves de Souza – SESAI
    Ex. Senhor  Ministro da Saúde.
    Coord. Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro – DSEI-ARN/SESAI/MS

    Ref.: Curso dos Agentes Indígenas de Saúde e saúde dos povos indígenas do Rio Negro

    Prezado Senhor Alexandre,

    Diante do diálogo através de telefonemas e e-mails trocados entre FIOCRUZ, FOIRN e DSEI, SESAI nos últimos tempos resolvemos elaborar esta carta formal para que as coisas fiquem bem claro entre as instituições, que tem sua missão a cumprir como setores de governo de unidades de execução técnica das políticas de saúde no país. E a federação como representante legítimo dos povos indígenas que vem travando diálogo, acordos entorno da execução correta dos direitos, políticas públicas para os povos indígenas e manifestar sobre interesse dos mesmos de direito constitucional e Sistema Único de Saúde e Subsistema de Saúde Indígena no Rio Negro e no Brasil.

    Primeiro queremos lembrar que os direitos indígenas são conquistados e a saúde indígena como subsistema do SUS foi fruto de longo tempo de luta, e é a única no Brasil onde os povos indígenas tem mais participação na sua construção porque entende que é fundamental e assim os aliados não indígenas parceiros nos ajudam nesta luta para melhoria cada vez mais deste sistema para prestação de serviço nas comunidades aos povos indígenas no Brasil. Por isso o nosso acompanhamento e participação da história, da construção, da conquista, da implantação e avaliação tanto local, regional e nacional. Isto se refere ao sucesso, fracassos , omissão, negligencia, ineficiência da gestão da saúde nos últimos tempos. Tratamos isso não como uma coisa particular, mas como Estado Nacional Brasileiro que teve na sua meta originalmente de acabar com os povos indígenas até ano de 2000. Por isso entendemos que as políticas públicas voltado aos povos indígenas nunca foram adequados para a realidade local que é um dos princípio do SUS. Com as práticas demonstradas até hoje o Estado Brasileiro resiste não buscar entendimento junto aos povos indígenas a fim de superar problemas e dificuldades. Quando nós nos posicionamos, não significa que não somos brasileiros, ao contrário, estamos sendo mais que Brasileiros, povos nativos deste país, de direito originário garantido na Constituição da República Federativa do Brasil.

    Queremos esclarecer que o Curso dos Agentes Indígena de Saúde é de interesse dos povos indígenas do Rio Negro. É um projeto de luta que surgiu antes do DSEI, porque não havia serviço nenhum de saúde nesta época nas comunidades indígenas. Com a criação do Subsistema da Saúde Indígena que criou os DSEIs no Brasil, e que na sua implantação este projeto foi importante  justificativa de experiência positiva no país. Ao se implantar DSEI RN, os profissionais de saúde começava questionar legalidade desta prática e por isso tem sido fraco na sua formação pela FUNASA que praticava os cursos para informar os agentes de saúde, e não formava os agentes de saúde. Mas depois de muito esforço do movimento indígena de esclarecer a importância, justificada pela própria ausência de profissionais em área, voltou a fortalecer esta política fundamental para os povos indígenas e comunidades no Rio Negro. Este projeto de Curso de técnico em agente comunitário indígena foi discutido dentro do Conselho Distrital que deliberou sobre ela através da resolução que é instrumento de qualquer colegiado, conforme orientação da lei do Controle Social no Brasil, especialmente da Saúde; depois buscou-se a parceria com a FIOCRUZ/Manaus que nos ajudou articular ensino médio na SEDUC já concluído; e nós junto a prefeitura municipal através da SEMEC conseguimos convencer para que fosse feita curso para conclusão de ensino fundamental; tudo isto porque entendíamos que assim poderia melhorar e muito o entendimento dos agentes de saúde e consequentemente melhorar o serviço de saúde nas comunidades através deste atores sociais e profissionais das próprias comunidades, resolvendo a fragmentação constantes ou paralisação de meses e muitas vezes de anos da ausência de profissionais de nível superior nas comunidades que continuam até hoje. Esse projeto foi aceito para ser desenvolvido pela FUNASA/MS e SESAI/MS no âmbito experimental. O curso é uma adequação dentro parâmetro curricular do Ministério da educação junto com Ministério da Saúde, dentro dos direitos indígenas que tem política de regionalização. Por isso o curso tem sido pauta do CONDISI e conteúdo do plano trienal do DSEI, além do que hoje o DSEI é uma unidade autônoma.

    Estas citações acima é para que pudéssemos dizer que quando ouvimos do novo Chefe do DSEI Rio Negro dizer que não tem legalidade e repassa o assunto a SESAI de Brasília ficamos triste, pois isto não passa de uma “enrolação” ou “procrastinação” de gestor das políticas públicas. Além disso onde está autonomia do DSEI? Onde está o poder do CONDISI? Se há problema de ilegalidade deve ser indicada claramente, sob entendimento de que as instituições envolvidas são parceiras, pelo menos até antes desta nova gestão. Ao nosso ver o Chefe Distrital precisa que seja transparente nas suas ações e posicionamentos políticos. Seguir a rigor a burocracia, técnicas, direitos administrativos é ser apenas técnico, ser apenas administrador, não gestor de uma política.

    Aproveitando esta oportunidade queremos também nos manifestar sobre as conferencias locais de saúde, a FOIRN não está sendo informada devidamente. Esta preocupação refere-se ao passado para não repetir os mesmos erros da última conferencia nacional da saúde indígena onde a FUNASA manipulou resultados desde conferencias locais até ao nacional, que ao final em termo de prática levou a total paralisação do serviço de saúde nas comunidades no Brasil inteiro.

    Gostaríamos de sugerir que este momento é tempo de diálogo, de entendimento, da flexibilidade sem deixar de seguir as técnicas recomendas pelo SUS, Organização Mundial da Saúde e gestão financeira. Observamos que assim podemos alcançar nossos objetivos comum como pessoas responsáveis pelas vidas das pessoas indígenas.

    Sendo este o nosso objetivo, esperamos daqui em diante que a parceria se retome na sua confiabilidade, re-consolidar os princípios democráticos e execução com boa qualidade de atendimento de serviço de saúde nas comunidades indígenas, não só no Rio negro, mas em todo Brasil. E que o Curso dos Agentes Indígenas de Saúde se conclua com apoio do SESAI, do DSEI Rio Negro que tem suas metas a cumprir, e os AIS são fundamentais para este cumprimento.

    Atenciosamente, lideranças indígenas

    1. Cesar Fernando de Lara
    2. Esmeraldo Maia
    3. Maristela Araujo Cordeiro
    4. Almir Vieira de Lima
    5. Simão Pedro Pedrosa Campos
    6. Maximiliano Correa Menezes
    7. Renato Sampaio Macedo
    8. Leôncio Alba Carvalho
    9. Nelson Cordeiro Aguiar
    10. Maximiliano Correa Menezes
    11. Renato Sampaio Macedo
    12. Leôncio Alba Carvalho
    13. Nelson Cordeiro Aguiar
    14. Adão Henrique
    15. Luiz Brazão dos Santos
    16. Evanildo Mendes Melgueiro
    17. Carlos de Jesus da Silva Ricardo
    18. Ronaldo de S. Apolinario
    19. Franklin Paulo da Silva
    20. Laureano Americo Monteiro
    21. Lucas Felipe da Silva
    22. Abrahão de Oliveira França
    23. Sidnei José  Olar dos Santos
    24. Maria Lucilene L. Fidelis
    25. Orlando Jose de Oliveira
  • CARTA Á PRESIDENTE DA FUNAI SOBRE APOIO AS COMUNIDADES INDÍGENAS

    Excelentíssima Senhora presidente,

    Nós, membros do Conselho Diretor da FOIRN, reunidos entre os dias 14 a 17 de maio de 2013, na “Casa dos Saberes” em São Gabriel da Cachoeira-AM, para discutir e planejar ações na região para os próximos anos.

    No ensejo, após ouvir lideranças de bases, referente às ações voltadas à saúde indígena, economia sustentável, formação básica e outras executadas pela PRÓ-AMAZONIA, junto aos povos Yanomami no rio Marauiá; Hupda, Yuhupdeh na região do rio Tiquié; Tukano, dessano, tariano, wanano, Hupda, em Taracua, médio rio Waupés e os Nadeb do rio negro enfim nas áreas indígenas onde desenvolve ações com repercussões positivas na região.

    E,diante do exposto, este Conselho, está de acordo com a continuidade das ações realizadas nas comunidades (conforme as cartas em anexo). Sendo assim apoiamos o retorno imediato das equipes envolvidas na expectativa da continuidade das parcerias junto aos nossos povos indígenas.

    No aguardo de vossa atenção e apoio, este Conselho se encontra a disposição para ampliar o diálogo e fortalecer as nossas parcerias no Rio Negro.

    Atenciosamente,
    Lideranças indígenas do conselho diretor,
    1. Cesar Fernando de Lara
    2. Esmeraldo Maia
    3. Maristela Araujo Cordeiro
    4. Almir Vieira de Lima
    5. Simão Pedro Pedrosa Campos
    6. Maximiliano Correa Menezes
    7. Renato Sampaio Macedo
    8. Leôncio Alba Carvalho
    9. Nelson Cordeiro Aguiar
    10. Maximiliano Correa Menezes
    11. Renato Sampaio Macedo
    12. Leôncio Alba Carvalho
    13. Nelson Cordeiro Aguiar
    14. Adão Henrique
    15. Luiz Brazão dos Santos
    16. Evanildo Mendes Melgueiro
    17. Carlos de Jesus da Silva Ricardo
    18. Ronaldo de S. Apolinario
    19. Franklin Paulo da Silva
    20. Laureano Americo Monteiro
    21. Lucas Felipe da Silva
    22. Abrahão de Oliveira França
    23. Sidnei José  Olar dos Santos
    24. Maria Lucilene L. Fidelis
    25. Orlando Jose de Oliveira
  • Carta de apoio a COIPAM do Conselho Diretor

    Ao Ilmo. Sr.: Luiz de Jesus Fidélis (Fidelis Baniwa)
    Coordenador da COIPAM – Coordenação das Organizações e Povos do Amazonas
    Ref.: Carta de apoio a COIPAM
    Prezado Sr. Coordenador da COIPAM,

    Após a sua apresentação sobre a COIPAM na reunião do Conselho Diretor do dia 14/05/2013, na maloca da FOIRN, resolvemos escrever esta carta de apoio para que os demais interessados também possam conhecer nosso posicionamento e apresentar propostas iniciais referente ao estatuto social e atividades para fortalecimento do movimento indígena no Estado do Amazonas que vai representar a COIPAM.

    Considerando que a COIPAM ainda está na fase de construção, construindo seu estatuto, consultando organizações de base para melhoramento; que a COIPAM vai realizar reunião do Conselho da instituição dia 19 a 22 de junho em Parintins para discutir entre outros, o Estatuto; a necessidade da FOIRN arcar com despesa para o deslocamento dos seus representantes nesta reunião;

    Sendo estes entendimentos, o Conselho Diretor da FOIRN deliberou o seguinte:

    1. A FOIRN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro reconhece a importância e a necessidade de uma organização indígena representativa a nível do Amazonas e que isso é muito importante para fortalecimento do movimento indígena em busca de respeito aos direitos dos povos indígenas no Brasil; mas que tenha de vista exemplos de outras associações regionais (COIAM) e nacional (CAPOIB) que nasceram e morreram, isso não deve acontecer com a COIPAM;
    2. A COIPAM deve vir para fortalecer movimento indígena do Rio Negro e povos Indígenas do Estado do Amazonas;
    3. É este o caminho também do fortalecimento desta nova entidade do movimento indígena estadual que precisamos ajudar a nascer de fato e de direito para que cumpra com seu objetivo estatutário de defender os direitos e interesse dos povos indígenas que hoje se encontra ameaçadas diariamente no Brasil. Mas com apoio das demais organizações indígenas de base espalhadas no Estado do Amazonas podemos levantar a luta para ficar mais forte;
    4. Que a diretoria da COIPAM continue sua articulação junto às lideranças e organizações de base, construindo seus planos e projetos numa perspectiva de fortalecimento do movimento indígena do amazonas.
    5.  A FOIRN providenciará transporte de suas lideranças para participar da reunião da COIPAM em Parintins em apoio e fortalecimento do movimento indígena do Estado do Amazonas.

    Que a COIPAM tome iniciativa em promover seminários temáticos de interesse dos povos indígenas do Amazonas dentro de uma visão de futuro e missão de garantir a sustentabilidade e o bem-viver buscando apoio do setor privado e governos;

    Atenciosamente, os Conselheiros.

    1. Cesar Fernando de Lara
    2. Esmeraldo Maia
    3. Maristela Araujo Cordeiro
    4. Almir Vieira de Lima
    5. Simão Pedro Pedrosa Campos
    6. Maximiliano Correa Menezes
    7. Renato Sampaio Macedo
    8. Leôncio Alba Carvalho
    9. Nelson Cordeiro Aguiar
    10. Maximiliano Correa Menezes
    11. Renato Sampaio Macedo
    12. Leôncio Alba Carvalho
    13. Nelson Cordeiro Aguiar
    14. Adão Henrique
    15. Luiz Brazão dos Santos
    16. Evanildo Mendes Melgueiro
    17. Carlos de Jesus da Silva Ricardo
    18. Ronaldo de S. Apolinario
    19. Franklin Paulo da Silva
    20. Laureano Americo Monteiro
    21. Lucas Felipe da Silva
    22. Abrahão de Oliveira França
    23. Sidnei José  Olar dos Santos
    24. Maria Lucilene L. Fidelis
    25. Orlando Jose de Oliveira
  • CARTA DE REPÚDIO CONTRA PEC 215 – DOS POVOS INDÍGENAS DO NEGRO

    Participantes da reunião
    Participantes da reunião

    Nós Movimento Indígena do Rio Negro reunido nestes dias 14 a 17 de Maio de 2013 na maloca da FOIRN no município de São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas, organizados em Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro desde 1987, representante de 31 povos diferentes, 750 comunidades, vem publicamente declarar para todos os Brasileiros e a outros que possam interessar, que somos completamente contra PEC-215 que está em tramitação no Congresso Nacional.

    Entendemos que este projeto de Emenda Constitucional é uma reação negativa dos colonizadores de nossas terras há muito tempo atrás quando ainda não tínhamos direitos reconhecidos na Constituição da República Federativa do Brasil. Os nossos direitos estão garantidos hoje na nova Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, fruto de luta e perda de muitas vidas de muitas etnias e línguas indígenas.

    Hoje para nós está muito claro porque as terras indígenas ainda não foram todas demarcadas que tinha um prazo constitucional de (5) cinco anos a partir da nova constituição em vigor, que faz hoje mais de 25 anos, portanto, um atraso de 20 anos.

    A partir do momento em que as terras indígenas foram sendo demarcadas, inclusive as mais polemicas, mas valendo nosso direito de anterioridade ao Estado Nacional Brasileiro reconhecido, os afetados não admitiram esse fato de direito. Por isso organizaram-se através do poder do voto para eleger seus representantes no Congresso Nacional para que a partir dali encontrasse em poder e tão somente para sua vingança. É como se o ladrão tentasse transformar seu ato condenado pelo direito em um direito. Por isso essa PEC-215 é inconstitucional.

    Pedimos mais uma vez da sociedade Brasileira como universitários, profissionais, artistas e outros que nos ajudaram conquistar esse nossos direitos e outras minorias e que fizeram a “Constituição Brasileira” ser uma das leis nacionais mais cidadã do mundo e não pode retroceder. Por isso pedimos que a PEC -215 seja anulada.

    Atenciosamente, os Conselheiros das coordenadorias regionais( COIDI, COITUA,CABC,CAIMBRN e CAIARNX).

    1. Cesar Fernando de Lara
    2. Esmeraldo Maia
    3. Maristela Araujo Cordeiro
    4. Almir Vieira de Lima
    5. Simão Pedro Pedrosa Campos
    6. Maximiliano Correa Menezes
    7. Renato Sampaio Macedo
    8. Leôncio Alba Carvalho
    9. Nelson Cordeiro Aguiar
    10. Maximiliano Correa Menezes
    11. Renato Sampaio Macedo
    12. Leôncio Alba Carvalho
    13. Nelson Cordeiro Aguiar
    14. Adão Henrique
    15. Luiz Brazão dos Santos
    16. Evanildo Mendes Melgueiro
    17. Carlos de Jesus da Silva Ricardo
    18. Ronaldo de S. Apolinario
    19. Franklin Paulo da Silva
    20. Laureano Americo Monteiro
    21. Lucas Felipe da Silva
    22. Abrahão de Oliveira França
    23. Sidnei José  Olar dos Santos
    24. Maria Lucilene L. Fidelis
    25. Orlando Jose de Oliveira
  • Carta de Manifestação da FOIRN para Presidente do Brasil

    CARTA DA FEDERAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES INDÍGENAS DO RIO NEGRO  

    Exma. Sra. Presidente, 

    No dia do nosso aniversário de 26 anos, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN – representante legítimo de 30 povos indígenas do Rio Negro e 750 comunidades indígenas, vem dirigir-se a digna presença da Vossa Excelência a fim de listar a nossa inquietação sobre fatos divulgados por meios de comunicação acessíveis à grande maioria do povo brasileiro contra os nossos direitos como povos indígenas, conquistados com apoio da sociedade Brasileira, cinco séculos depois da colonização.

    Primeiro, manifestamo-nos contra a Proposta de Emenda Constitucional 215/2000 (PEC 215), que sugere transferir do Poder Executivo para o Congresso Nacional a aprovação de demarcação, titulação e homologação de terras indígenas, quilombolas e a criação de Áreas de Proteção Ambiental, uma vez que segundo nossa constituição art. 231, § 4º – …os nossos direitos sobre nossas terras, são imprescritíveis. No Rio Negro há duas terras indígenas em processo de demarcação na região de Santa Isabel do rio Negro e Barcelos; a outra em processo de Homologação.

    Consideramos a PEC 215 inconstitucional. Por causa disso exigimos que tenhamos participação no processo de discussão para falarmos da verdade do direito, pois segundo convenção 169 da OIT, os povos indígenas devem ser consultados como direito fundamental.

    Desta forma podemos enxergar claramente, sem sombra de dúvida, que tudo o que está sendo feito no Congresso Nacional é motivado unicamente pelo interesse de pôr fim à demarcação de terras indígenas, quilombolas e à criação de novas Unidades de Conservação da Natureza em nosso país. Por isso a PEC 215 é um atentado aos princípios constitucionais e aos nossos direitos como povos indígenas de direito originário e histórico.

    Apesar do adiamento da instalação da Comissão Especial para o segundo semestre, isso não nos tranquiliza, não nos satisfaz, pois é apenas alongamento de tempo, não uma garantia de direito, mas de apenas “ganhar tempo” para um forte lobby pela aprovação da PEC 215.

    Sabemos que se trata de interesse da Frente Parlamentar Agropecuária, conhecida como bancada ruralista. A Constituição Federal nos garante o direito como povos indígenas e comunidades quilombolas, territórios tradicionais ocupado e comprovado. Estas terras para nós são muito importantes, pois nos garante a vida de agora e de nossas futuras gerações, além da proteção ao meio ambiente e que é o papel do Estado Brasileiro fazer respeitar nossos direitos. É bem sabido que as Terras Indígenas são locais que preservam o meio ambiente tão importante para o presente e futuro do todos os povos do mundo.

    Exma Sra Presidenta, sua atribuição constitucional é promover o bem estar da população Brasileira. Por isso vimos RE-QUE-RER da Vossa Excelência que apele aos parlamentares a fim de rejeitarem a PEC 215. Pois os nossos direitos são frutos de muitas vidas neste país. Não podemos aceitar isso! Nós temos que lutar até o fim pelos nossos direitos! Pois esta é a terra de povos onde “Verás que um filho teu não foge à luta”.

    Que os interesses políticos e econômicos de uma minoria da sociedade não se sobreponham aos nossos direitos. As conquistas, fruto de longo processo de organização e mobilização da Sociedade brasileira, são agora ameaçadas pela PEC 215 cuja aprovação desfigura a Constituição Federal e significa um duro golpe aos direitos humanos e aos direitos constitucionais do povo indígena.

    Não bastassem as ameaças que nossos direitos sofrem, nossos serviços básicos de saúde e educação na região estão péssimos. Sem infraestrutura básica, vemos profissionais da saúde parados e sem qualquer atuação relevante à saúde de nosso povo. Nossos professores e alunos se encontram sem alternativas apoiadas pelo Estado que contemplem nossas tradições e culturas. É preciso atenção urgente do governo federal a estas áreas.

    Como última demanda, pedimos que considere encarecidamente as situações dos povos indígenas trazidas por suas associações indígenas, organizações que representam nossos povos, moradores e habitantes milenares desta terra. Na luta de garantir nossos direitos apoiamos nossos parentes Munduruku, que resolveram se unir frente às ameaças do governo brasileiro em defesa de suas vidas, sua floresta e seu rio. Apoiamos também a luta dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul, principalmente nossos irmãos Guarani Kaiowá, pela demarcação de suas terras e o respeito aos seus direitos.

    Finalizamos com o desejo de ver nossa nação valorizada, o que significa reconhecer todas as contribuições que nós povos indígenas demos e continuamos a dar a ela.

    São Gabriel da Cachoeira,30 de Abril de 2013

    Diretoria executiva da FOIRN

  • Poder Público X Povos Indígenas e Educação

    Educação Indígena – Expectativas de Trabalho

    Domingos CamicoSecretario de Educação de SGC
    Domingos Camico
    Secretario de Educação de SGC

    Completam dois meses hoje, depois que começaram a assumir  os cargos e responsabilidades que mais mexem com os povos indígenas do Alto Rio Negro: A educação escolar indígena. Depois de quatro anos da gestão passada, em janeiro deste ano tomaram posse os novos gestores do município. Como das outras vezes, a expectativa por parte dos gestores e principalmente da população do município é grande. E para levar as essas informações a população de São Gabriel, o blog da FOIRN conversou com Domingos Camico Agudelo Secretário Municipal de Educação  e Cultura – SEMEC e Francimar Lizardo, vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de São Gabriel da Cachoeira para saber quais os planos e projetos dessa nova gestão para a pauta de educação e cultura para o município.

    1. (FOIRN) Secretario quais são expectativas de trabalho com relação à Educação Escolar Indígena?

    (Camico) Primeiro estamos nos organizando o quadro de profissionais que vão trabalhar diretamente com nossas comunidades e escolas, vamos retomar programas de API – Assessor Pedagógico Indígena  um por cada região e outros técnico que acompanharão cada região.

    Vamos montar  Escolas Nucleadas com estruturas para receber vários alunos, juntando vários comunidades e formar única  turma, por que tem comunidades que tem pouco alunos e não tem como professor permanecer lá pra dar aula pra 05 ou 07 alunos. Pra isso não acontecer faremos isso, contratar professores que darão aula por modulo e em rodízio com alunos, assim alunos de comunidades e sítios não serão prejudicados.

    Vamos trabalhar diretamente com os APMCS, para compra de merenda regionalizada, discutir cardápio escolar, mas antes preciso ver como retomar o PPDE e PNAT e programa caminho da escola pra compra de ônibus escolares.

    Ainda estamos nos organizando, nesse dias tinha inúmeros pessoas aguardando para ser atendida por ele, fila e mais fila com ar de esperança de ser contratado ou indo pra entrevista.

    1. (FOIRN) Secretario como pretende dar continuidades na Formação de Professores das comunidades indígenas?

    (Camico) Então formatura dos professores do Curso Magistério II (nível médio) será realizado no dia 01 de março deste ano. A proposta é que esses professores dêem continuidade de formação por meio de programas e cursos que vamos buscar por meio de parcerias com as universidades do estado, como a UFAM e a UEA. Tem o projeto de Formação Avança que vamos acompanhar diretamente com FOIRN e ISA pretendemos trabalhar em conjunto, pois só vem pra beneficiar nossa população, pra nos quanto mais parceria melhor.

    1. O nosso município tem diversidade étnica como pretender valorizar a cultura na cidade e nas escolas?

    Na pauta cultural estamos começando a organizar e planejar atividades de reestruturação do setor. E uma das nossas prioridades é transformar o setor de cultura inserido na secretaria de educação em uma secretaria. O que dará mais autonomia para criar e desenvolver atividades ligadas a cultura, como promoção e valorização. Em especifico, vamos reforçar a biblioteca municipal, através de ampliação de números de acervos bibliográficos, para que mais livros, que significa mais conhecimento e cultura sejam acessíveis pela população.

    E que atividades culturais comecem fazer parte do calendário da cidade, através de apresentações de teatros e outros. E a garantir oportunidades e o acesso à cultura para mais jovens por meio de projetos e cursos de formação.

    Para isso, estaremos aos poucos começando a realizar seminários de discussão da temática, principalmente sobre o turismo de pesca e ecoturismo para identificar potencialidades e discutir possibilidades junto com a sociedade de São Gabriel, pois, isso tem o foco de garantir da melhoria da qualidade de vida da população.

     

    Vereadores
    Vereadores

    Francimar Lizardo ( Sucy) – Vereador e Vice Presidente da Câmara

    Quais são planos para cidade e comunidade, como vão trabalhar?

    (Sucy) Bom temos problemas fundiários, vamos reativar  a legalização fundiária e área de ocupação tradicionais, pois existem conflito territoriais ao redor da cidade;

    Reativar em parceria FOIRN e FUNAI o balcão da cidadania.Fortalecer o desenvolvimento das associações indígenas e outros.Trabalhar com transparência das ações e recurso que chegar na câmara;Valorizar atividade esportiva das comunidades que já existem.O que vamos fazer isso é uma decisão de todos os vereadores.Ter uma recepcionista que fala as 03 línguas co-oficializadas.Fazer valer essa lei nos setores públicos

    Incentivar atividade produtiva familiar.

    Sempre que podemos e sermos convidados vamos acompanhar as discussões do movimento indígena queremos trabalhar em parceria com as instituições. Vamos  elaborar lei que garante Projeto Político Pedagógico Indígena das escolas indígenas.

  • “BAYAWI” Significa maloca na Língua Dessano

    Coordenador do ProjetoJose Maria Lana
    Coordenador do Projeto
    Jose Maria Lana

    Lançamento da Cartilha Desana ʉmʉkoɾi mahsã a’ɾa maɾiã, Cds de músicas e de cantos capiwaya, caderno de textos transcritos das gravações e catálogo desana que os produtos supracitados são do Projeto Bayawi executado pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, FOIRN através de uma coordenação técnica e de consultores. O termo “bayawi” em desana significa maloca – casa dos saberes, donde referenciamos o título do projeto. Se analisarmos bem, bayawi representa “casa de convivência entre grupos de famílias do mesmo clã, casa de aprendizado de cantos e danças, ou casa de aprender fazendo no dia a dia”. No sentido mais amplo bayawi é de arquitetura indígena, um projeto arquitetônico padrão igual do ʉmʉkowi. A maloca-bayawi que fica em algum lugar no universo, até em nossos dias é o mais mencionado nas cerimônias.

    Este evento de lançamento da cartilha ʉmʉkoɾi mahsã a’ɾã maɾiã traz mais um significado no que diz respeito a resistência de um povo que vive em meio de ameaças culturais do mundo contemporâneo. Pois, a extinção da língua de forma involuntária, impercebível, está atingindo a cultura desana desde a chegada dos missionários na região. Antes desses tempos, a cultura de nosso povo segue em direção a caminho tão largo e compreensível entre povos.

    Caxiri
    Caxiri

    Nós somos ʉmʉkoɾi mahsã ou ʉmʉko mahsã, ahsiɾi mahsã ou wihu mahsã, ou simplesmente wiɾã, popularmente assim denominados desde os tempos antigos.

    Escrito IndígenaLuiz Lana - Dessano
    Escrito Indígena
    Luiz Lana – Dessano

    O ancestral dos grupos ʉmʉkoɾi mahsã, ou o primogênito dos wiɾã foi criado ao mesmo tempo de yebá goamʉ pela yebá bʉɾo. A yebá bʉɾo surgiu por si mesma, tendo poder sensorial masculino e feminino simultaneamente para gerar novos seres. Foi ela quem transformou os cinco ʉmʉko yehkʉsʉmã, os buhpua que se chamam trovões em português.

    Evocamos que os buhpua que são criaturas imortais, feitos de quartzo branco, porque eles são eternos. Os kumuã acreditam que os buhpua vivem nas malocas que ficam lá no alto. Imaginamos que esse espaço donde vêm as descargas atmosféricas. Ou, pode ser essas malocas invisíveis que estejam em alguma camada do sistema solar para ficar bem próximo do planeta terra.

    Os wiɾikumua dos dias de hoje afirmam sobre a existência desses seres onipotentes quando está fazendo o trabalho de cura das doenças, proteção do corpo, entre outros benefícios aos seres que tem vida.

    A denominação ʉmʉko mahsã pode ser que seja o nome derivado a ʉmʉko mahsʉ, o boɾeka que consideramos o seu primo irmão o yebá goamʉ, porque ambos foram baluartes de grandes acontecimentos no início dos tempos antigos, pós a desobediência dos cinco buhpua que se acomodaram em suas bayawiri (malocas) do universo

    O ʉmʉko mahsʉ boɾeka recebeu poder de yebá bʉɾo, quanto o yebá goamʉ que são dois primos tornaram-se realizadores de muitas obras misteriosas, que são obras vistas no ʉmʉko paatoɾe nos quatro cantos deste mundo.

    A força sobrenatural de ʉmʉko mahsʉ boɾeka era como se fosse relâmpago e suas viagens de visita a yebá bʉɾo e à casa do terceiro buhpu em busca de riquezas culturais, e ao deslocar-se atingia a velocidade de um meteorito ao riscar no firmamento.

    O ancestral dos wiɾã depois de ter recebido poderes de yebá bʉɾo recebeu a missão de negociador de riquezas da casa de terceiro buhpu , que seriam os futuros ossos das articulações do corpo humano contemporâneo.

    E assim, entre a yebá bʉɾo, yebá goamʉ e o ʉmʉko mahsʉ boɾeka não havia grandes distâncias, pois a comunicação era imediata como se fosse o reflexo de espelho ou receptor de antena de telecomunicação conectado em satélite na órbita.

    O boɾeka foi de interlocução 24 horas com o yebá goamʉ seu primo parceiro, reconhecidamente o ancestral do povo tukano, aquele que comandou a canoa de transformação, a embarcação de metamorfose das riquezas culturais, trazidos da casa de terceiro buhpu que passaram pelo processo de mutação em forma de larvas para o esqueleto humano, e todo percurso subaquático até se tornarem adultos. Segundo estudos modernos, essa camada por onde navegou a canoa de transformação, pode ser o lençol freático, situado no subsolo do litoral brasileiro, no subsolo do leito do rio amazonas, e no subsolo do leito das calhas de rios formadores da bacia do rio negro.

    A navegação da canoa de metamorfose humana, conhecida por pa’mʉmʉɾi gahsiɾu ou pa’mʉmʉɾi yhkʉsiɾu, aconteceu no trecho ahpikudihtaɾu e nas calhas de rios do ahpikudiá (o rio negro). Nesse percurso o Boɾeka parecia manter sobrevoo a canoa de transformação, como se fosse a gaivota pronta para tomar devidas providências, caso aconteça algum incidente no bordo da canoa de metamorfose humana.

    O ʉmʉko mahsʉ boɾeka esteve sempre vigilante de forma indireta a canoa de transformação. A canoa metamorfose era como se fosse útero gigante que engravidou os pa’mʉɾi mahsã que concebeu no seu ventre muitos tempos, pois não sabemos exatamente os tempos que as larvas gentes estiveram a bordo.

    Durante a viagem subaquática que durou milhões de anos, todos originários de mais 23 povos que conhecemos hoje, em nossa região, tinham uma comunicação universal monolíngue a bordo da canoa de transformação e na passagem pelas casas de transformação.

    A convenção de línguas dos pa’mʉɾi mahsã e ba’huaɾimahsã que são faladas na região do alto rio negro, aconteceu no diáwi.

    As pesquisas mais aprofundadas sobre a convenção de línguas no diáwi devem acontecer em conjunto com sabedores representantes de todos os povos indígenas que vivem na faixa de fronteira Brasil, Colômbia e Venezuela porque somente eles podem-nos decifrar do ocorrido a milhões de anos atrás. Pois, meu pai dizia que as letras do canto capywaia pertence a época unilíngue, isto é, na época quem cantava, estava expressando algo dos tempos antigos. E, esse diáwi fica em Uriri no baixo rio Uaupés.

    Passaram-se alguns tempos, até chegar sair do buraco peɾagobé onde os pa’mʉɾi mahsã emergiram em humanos completos, já falando a língua do povo que pertence. Por isso a yebá bʉɾo fez o boɾeka e ʉmʉko sulã paɾãmi ambos detentores de poderes extremos, onipotentes, iguais a ela. E assim eles cumpriram a meta, o que ʉmʉko yehkʉsʉma buhpua não conseguiram o resultado esperado em gerar vidas humanas, inclusive as coisas que vemos na natureza.

    Todos esses tempos antigos ou milenares de transformação não contam as épocas cronologicamente, porque para os ʉmʉkoɾi mahsã o calendário dos tempos antigos era definido pela contagem de épocas por meio de calendário sazonal dividido em épocas de pu’ibʉ (enchente) e épocas de bo’hoɾi (vazante) guiados pelas constelações.

    Temos muitas coisas que nos lembra do passado dos tempos antigos, mas é por aqui quero ficar, e o futuro sempre será acompanhado com base desses conhecimentos quando pensamos em projetos culturais e econômicos sustentáveis. Com esses dizeres quero fechar essa primeira parte e continuar com discurso:

    Sobre a Dispersão dos ʉmʉko mahsã

    Os ʉmʉko mahsã depois de compartilhar da convenção universal de línguas no diáwi pelos pa’mʉɾi mahsã e ba’huaɾimahsã tiveram que emergir em humanos no peɾagobé, na cachoeira de Ipanoré para existir sempre na terra como yebá buɾó havia planejado.

    Para os ʉmʉkoɾi mahsã o solo recém-povoado, o pa’mʉɾa nihku tinha que ser uma terra boa para oferecer a vida saudável, com fartura de comida e sem doença. Por isso, o yebá goamʉ colocou seu yegʉ cerimonial no ponto leste ao oeste da terra e em seu entorno fez as terras férteis que margeiam os igarapés nʉɾiyña, bu’sikaya, uñuña e diámʉgãña que são afluentes do dehkoñiɾiya (o rio papuri) e também no kaɾeña que é afluente do diápaya (rio uaupés).

    Com o passar dos tempos os wiɾã kuɾuɾi ou seja, grupos desana constituíram-se em novos chefes de grupos sem perder a ordem genealógica e hierárquica de mahsãtirã (irmãos maiores) e dos yehkʉsʉmã (avôs dos irmãos maiores) que são do grupo boɾeka e do grupo sibiá mahsã – duhputiɾo que seguem 20 subgrupos distintos muito peculiar no dialeto.

    Por isso durante as realizações de espaços-temporais e encontros de monitores, articuladores e assessores pelo projeto bayawi encontramos dificuldades ao discutirmos sobre a linguagem falada para linguagem escrita dos grupos wiɾã ou ʉmʉko mahsã. Na ocasião, o assessor linguista, Wilson Silva explicou-nos sobre a percepção na pronúncia de dialeto entre o uso de “r” e o “tep” e sua pronúncia glotal específico dos grupos desana. A junção desses consoantes foi de grande avanço para nós ʉmʉko mahsã em termo gramatical. E não queremos para por aí, temos que construir gramática em conjunto com demais grupos indígenas da região do rio negro para que possamos escrever de forma unificada e ler de forma diferenciada por conta do dialeto de cada grupo ou subgrupo.

    Mesmo a influencia da diversidade de línguas dos tempos atuais, a fala dos wiɾã kuɾuɾi ainda persiste através das pessoas de terceira idade, e essas pessoas encontram-se dispersos em toda região do alto rio negro, na cidade de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos, Manaus, até mesmo em outras cidades brasileiras, porque saíram da região de origem em busca de novas oportunidades que o mundo moderno oferece.

    E ainda, sabemos que algumas famílias ʉmʉko mahsã que migraram ao longo de tempo atrás, perderam sua origem e não sabem se identificar mais a que povo indígena pertence, portanto, passam a fazer parte de outras etnias. No entanto, alguns jovens buscam suas origens e muitos deles se já identificam que pertence ao povo desana, porém, não sabem a qual grupo desana faz parte.

    Podemos sentir valorizado, mais ainda, quando dissermos que as nossas terras pa’mʉɾi nihku e pa’mʉɾi wiáɾa existem na margem direita e na margem esquerda do dehkoñiɾiya (o rio papuri) aonde podemos dizer que esse lugar é berço de todos os grupos ʉmʉko mahsã

    Para chegar nestas palavras sintéticas, relembrei de tudo o que o meu pai falava sobre a história dos tempos antigos. Como qualquer criança, não detém de conhecimentos dos velhos, na época não dava muita importância, o que meu pai contava. Pois agora, com o passar do tempo, percebi que, falar da própria cultura é sinônimo de orgulho. E, a partir dessa visão debrucei no livro Antes o Mundo Não Existia, publicado em 1980, coautoria de Umusi PalonKumu Firmiano Arantes Lana, meu pai, que se foi em dezembro de 1988, para nunca mais voltar no meio de nós. Mas a dedicação de Firmiano, de tudo que herdou de seu pai José Lana, de forma oral, ficou para sempre em narrativas de pesquisadores e de acadêmicos da era moderna, sejam eles indígenas e não indígenas. Na lista de coautores brasileiros de narrativas sobre saberes desana, encontramos ainda os senhores, Luis Gomes Lana, Feliciano Pimentel Lana, Américo Fernandes, Durvalino Moura Fernandes, Venceslau Galvão e Raimundo Galvão sem contar os coautores no lado colombiano.

    Produtos Lançados
    Produtos Lançados

    Espero que este discurso formal não venha polemizar a categoria de acadêmicos da área de ciências sociais que aprendem nas faculdades com paradigmas mesclada do neologismo.

    Sobre a revitalização da cultura e da língua dos ʉmʉkoɾi mahsã.

    Os ʉmʉkoɾi mahsã, vivendo no mesmo espaço e tempo com demais povos do alto rio negro não conseguimos lutar de forma organizada para co-oficialização como língua baniwa, tukano e nhengatu em lei orgânica do município e na produção de material didático próprio. Todos esses tempos, atentamos muito pouco principalmente no campo de discussão da gramática desana, da partitura da música, da arquitetura de nossas bayawiɾi, e contar histórias e fábulas em cartilhas escolares. Nem tão pouco preparar nossos professores para ministrar em sala de aula no ensino via pesquisa na própria língua ou na língua de cada 20 subgrupos wiɾã mahsã reconhecidamente distintos.

    Desde a década de 70, no lado brasileiro temos o Feliciano Lana e Luis Lana, ambos do grupo yéboɾeɾã do clã kenhiripõrã que são filhos dos desenhos dos sonhos, em parceria com seus pais, tiveram iniciativa própria em escrever e desenhar à mão para não esquecer. Criar a linguagem de pintura, por meio de arte em ícones do invisível, e com isso mostrar ao mundo como imaginavam que apareceriam as primeiras criaturas do mundo invisível como a de Yebá Bʉɾo .Contado de geração em geração desde os tempos antigos. Suas publicações tem repercussão internacional, no mundo de ciências sociais e da teologia, sobretudo para os ʉmʉkoɾi mahsã o aparecimento de Yebá Bʉɾo e Boɾeka.

    O despertar em busca de revitalização formal da língua dos ʉmʉko mahsã ou dos wiɾã começou na década de 90, porém com muita timidez.

    Em nosso município São Gabriel da Cachoeira, a secretaria municipal de educação, promoveu o curso de magistério indígena em ensino médio no final da década de 90.

    Dentro do modelo de ensino que por ora configurava na metodologia de ensino, os professores indígenas sentiram a necessidade de preparar a cartilha desana como material didático para as crianças desana.

    Podemos dizer que o curso magistério indígena para wiɾã mahsã estimulou para que a cultura contada de forma oral passasse para a escrita. Daí partirmos para o aprendizado da língua desana. Não produzimos muita coisa, mas avançamos. Devido que os 20 subgrupos ʉmʉkoɾi mahsã distintos possuírem o dialeto próprio herdado ao longo do tempo, fez com que os professores desana tivessem dificuldade de formar frases quanto à gramática e a pronúncia de cada palavra.

    Em 2005 tivemos varias reuniões com o tema de resgatar a cultura da língua desana. Depois de algum tempo, com apoio de assessores externos, começamos traçar o projeto bayawi.

    O projeto bayawi tem como proponente, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e o apoio financeiro é do Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI) do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

    A FOIRN começou executar as primeiras atividades do bayawi em novembro de 2007.

    Nas etapas iniciais, a dificuldades maiores foram para aproximar dos grupos e comunidades desana e realizarmos encontros de espaços-temporais nas Referencias Desana, pessoa falante a disposição não era aceito pela comunidade referencia porque ele não pertencia ao subgrupo daquele lugar.

    Com o projeto bayawi ganhamos muita experiência nos moldes de revitalização da língua e compreender a complexidade dos grupos ʉmʉko mahsã dispersos na faixa de fronteira do Brasil e Colômbia.

    Se no momento já temos materiais impressos e digitais, não iremos ficar parados. Daremos continuidade do propósito de revitalizar por meio dos falantes de terceira idade, existe proposta para uma grafia unificada da língua desana e através de uma convenção de língua de povos queremos pronunciar a escrita de forma grupal, isto é, cada subgrupo deverá falar como seus antepassados. Não descartamos de lutar pela criação de escolas desana no nosso município.

    Já vimos grupos de professores e jovens desana com tentativas de viver a sua cultura e tradição, mas o que nos falta, são líderes e dirigentes de categorias para alcançar o que almejam. Muitas vezes o grande empecilho é a falta de material didático produzido com finalidade de resgatar a língua e tradição a grupo que pertence.

    Nós wiɾã mahsã precisamos nos unir mais na questão de resgate cultural. Falar sua própria língua é um orgulho de ser alguém diferente quando está em meio de outro povo. No caso na região do rio negro, algumas línguas indígenas já foram extintas. Esses povos são falantes da língua de seus cunhados. Entre os desana 10% da população da terceira idade falam fluentemente, enquanto a população jovem são falantes da língua tukano. Os tukanos já nos alertaram que falamos a língua emprestada.

    Daburi de comida tradicionais dessano
    Daburi de comida tradicionais dessano

    Somente a experiência de espaços-temporais de convivência que tivemos pelo projeto Bayawi tem como fazer revitalizar a língua dos ʉmʉkoɾi mahsã. Podemos começar com os espaços-temporais de convivência em torno da cidade de São Gabriel da Cachoeira para o público em geral com metodologia participativa em finais de semana. Ou, podemos também promover cursos de língua desana. São várias ideias que podem ser alternativas de revitalização da língua. O publico infantil desana é o alvo principal, porém esse público precisa de ensino-aprendizagem da língua com equipamentos de novas tecnologias que o mundo moderno oferece. O projeto Bayawi é um começo para esse desafio.

    Professores Dessano
    Professores Dessano
  • FOIRN Realizar Etapa Final de Formação – Mídias Digitais

    Participantes da Oficina
    Participantes da Oficina

    Federação realizou uma OFICINA nos dias 09 a 11 de janeiro a etapa final de formação com os colaboradores de informação, jovens  indígenas de 05 coordenadorias regionais, que vieram receber treinamento  final no uso de recurso de mídias digitais. Participantes já vem recebendo essa formação desde ao longo da construção do website da FOIRN, que foi lançado no mês de novembro de 2012.  Esse processo contou com apoio de Horizont3000 da Áustria da qual FOIRN é parceiro há mais de 15 anos. Além de formar jovens de base, a equipe da FOIRN também recebe essa formação uma pessoa de cada setor. Apesar disso ainda temos dificuldade de uso de recurso essa oficina veio para tirar nossas dúvidas e melhorar  o uso de rede sociais a favor do movimento indígena disse uma das participantes da Oficina ( Rosane Cruz/Departamento de Mulheres da FOIRN). A ofician foi ministra pela Jornalista Andreza Andrade.

    Concentração na oficina
    Concentração na oficina
  • XXIII – Reunião do Conselho Diretor da FOIRN

    Composição de Mesa de Autoridade na Posse.
    Composição de Mesa de Autoridade na Posse.

    Aconteceu entre 07 e 08 de janeiro  de 2013 a reunião que deu a posse a nova diretoria executiva da FOIRN na maloca, lideranças de 05 subregionais vieram presenciar a posse e ouvir a proposta de trabalho dos novos executivos para próximos 4 anos. Estavam presente instituições parceiras como ISA,FUNAI e SEIND. A cada 4 anos muda diretoria executiva da instituição e muda Coordenação do conselho diretor e Conselho Fiscal, no primeiro momento foi feita escolha do novo coordenador que acompanhará os trabalhos e atividade da diretoria e eleição da comissão fiscal. Eleito entre os que concorreram o Franklin Paulo Eduardo da Silva ( Baniwa) – Coordenador do CD-FOIRN e Maria Lucilene Fidelis ( Baniwa)  da associação ASIBA de barcelos como  Presidente da Comissão Fiscal.

    Maria Lucilene - Presidente da Comissão Fiscal e Francklin Paulo - Coordenador do CD
    Maria Lucilene – Presidente da Comissão Fiscal e Francklin Paulo – Coordenador do CD

    No evento várias pautas foram discutidas, dentre a mais esperada é sobre demarcação de terras do Alto rio negro ( marabitana e Cué-Cué), o Coordenador da Coordenação Regional- FUNAI/SGC( Domingos Barreto) informou que prazo de contestação já se encerrou,mas não tinha informação certa para passar naquele momento, pediu que diretoria da FOIRN criar uma agenda politico com órgãos competentes em Brasília para discutir a respeito. Sobre  sustentabilidade financeira da instituição, associações assumiram compromisso de começar contribuir ainda para ano de 2013.

    Instituições parceiras da FOIRN apresentaram suas proposta de trabalho, SEIND representado por Miguel Maia, informou as lideranças que assinará termo de cooperação para gestão do Centro de  Formação Comercialização da FOIRN para ano de 2013, possivelmente para mês de Abril essa assinatura que vai precisar de algumas definições finais por ambas as partes.

    Miguel Maia – SEIND

    Encerradas as apresentações de instituições, passou para cerimonia de posse da nova diretoria, que teve presença de autoridades municipais prefeito de SGC e Santa Isabel do Rio Negro. Entrega de Reivindicações do movimento indígena a cada um deles, solicitando a criação de secretarias indigenas e culturas. Há uma necessidade de valorização da nossa cultura por parte de autoridade municipais disse a presidente Almerinda Ramos(Tariano).

    Presidente Ler a Carta para Prefeitos - Reivindicação do Movimento Indígena
    Presidente Ler a Carta para Prefeitos – Reivindicação do Movimento Indígena
    Prefeito Municipal de SGC René Coimbra recebe carta
    Prefeito Municipal de SGC René Coimbra recebe carta
    Prefeito de Santa Isabel do Rio negro  Recebe carta - Mariolino Siqueira
    Prefeito de Santa Isabel do Rio negro Recebe carta – Mariolino Siqueira
  • Primeira mulher Presidente na Organização Indígena no Brasil

     O  papel das mulheres no movimento indígena do Rio Negro : História e Perspectivas. foi a pauta da assembleia  da FOIRN, destacando a participação delas nas reuniões e assembleia mesmo timidas mas elas conquistaram espaço,  com reformulação do estatuto na assembleia de 2010, elas conquistaram direito de concorrer a diretoria da FOIRN  junto com os homens e participar como delegadas a assembleia eletiva, isso ta garantido no estatuto e é uma conquista nossa disse a Cecilia Alburque que coordendou a mesa, parabenizando a participação das mulheres as  palestrante foi Rosane Cruz – Coordenadora do Departamento de Mulheres, Marcinda Miranda – Liderança Indigena Mulher e Dona Judite Texeira como debatedora liderança de Iauarete, somos companheiras dos homens e vamos lutar junto pelo nosso povo e vamos apoiar uma mulher pra diretoria nessa assembleia disse a Judith na sua fala final. E Por fim Lideranças  de várias etnias  vindo de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro, reunidos no municipio sede da instituição em São gabriel da Cachoeira -AM, que em comemoração de 25 anos de luta e sobrevivencia, movimento indigena define o representante e para surpresa de todos uma mulher vai presidir a FOIRN  que representa os 23 povos para próximos 4 anos, segue a entrevista realizada com presidente eleita!

    Almerinda Ramos de Lima

    Almerinda Ramos de Lima – 39 Anos do povo Tariano, nome de benzimento Nanai, mãe de 02 filhos e um neto, iniciou sua jornada no movimento indígena desde seus 15 anos de idade, acompanhando seu pai nas discussões de assembléias e reuniões do movimento indígena  de sua região e FOIRN de quem se orgulha falar o nome Armando de Lima natural da comunidade Nova Esperança no Alto Rio Uaupés sua refencia de está nessa luta para bem de todos.

    Aonde vc atuou como profissional?

    Foi professora por um ano na Escola Municipal Menino Jesus no Alto Uaupés na comunidade Açaí com povo Cubeo.

     E no movimento indígena e associações?

    Acompanhei de perto as discussões das mulheres na associação  ( AMIDI – Associação das Mulheres Indígena do Distrito de Iauarete) desde 2007 a 2010 como associada comecei a me interessar em defender a causa,em 2010 foi eleita presidente da associação representando as mulheres conforme o estatuto, fazendo articulações nas comunidades, participando e acompanhando os trabalhos nos eventos do movimento indígena do rio negro ( Economia Solidaria, Assembleia de Barcelos e Encontro de Produtores), recentemente a assembléia regional da COIDI, onde foi eleita pelo meu povo para concorrer a diretoria da FOIRN, também e é madrinha dos jovens indígena em Iauarete.

    E como presidente da FOIRN quais são suas expectativas?

    Dar continuidade nos trabalhos da instituição, executar projetos e atender reivindicações  do meu povo, concluindo o que outras lideranças deixaram, para mulheres fortalecer associações e dar apoio logístico nas suas atividades.

    Organizar a casa para melhor resultado dos trabalhos e atividades com transparência de acordo como  manda lei da casa.

    Mensagem para mulheres que participam do Movimento Indígena no Brasil?

    “Que as mulheres estejam cada vez mais unidas e fortalecidas para que possam superar os obstáculos e realizar um bom trabalho para futuras gerações”

    OBS:Agora sim Braulina, conseguimos eleger uma mulher como presidente, vamos apoiar e trabalhar junto com os demais diretores e fazer um excelente gestão na historia do movimento indígena do rio negro disse a Dona Judite Texeira logo após anunciarem resultado final.

    Texto e Perguntas: Braulina Baniwa