Categoria: Iauaretê

  • Em Iauaretê, lideranças indígenas exigem  ao governo Colombiano providências sobre os abusos praticados pelo exército

    Em Iauaretê, lideranças indígenas exigem ao governo Colombiano providências sobre os abusos praticados pelo exército

    Durante a XIII Assembleia Subregional da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (Coidi) teve uma mesa de debate sobre a situação do trânsito de moradores entre Brasil e Colômbia com a presença do responsável pela Aduana colombiana e o Exército Brasileiro. Isto pois foram relatadas diversas situações de abuso de poder e tomada de produtos e bens dos moradores que têm familiares e roças na parte colombiana. Foi aprovado um documento exigindo a tomada de medidas para evitar tais situações que foi encaminhado para as autoridades responsáveis da Colômbia (governador do Vaupés, Ministério do interiores e Exército). Segue a carta abaixo:

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    Mesa de debate sobre os problemas enfrentados no território transfronteiriça. Foto: Ray Baniwa

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    Iauaretê, 21 de setembro de 2018

    A Sua Excelência o Senhor,

    Jesús Maria Vasquez Caicedo- Governador do Vaupés

     C/C:

    • Wiener Bustos (Política Fronteriza Departamental);
    • Coronel Orlando Fonseca (Ejercito Nacional);
    • Carlos Javier Bojaca (Defensoria del Pueblo);
    • Mercedes Alvarez (Secretaria Govierno Departamental);
    • Organizacion Nacional Indígena de Colombia – ONIC;
    • Organizacion de los Pueblos Indigenas de Amazonia Colombiana – OPIAC;
    • Simon Valencia (Representante Legal – Govierno Proprio);
    • Injeniero Miguel Villamil (C.D.A);
    • Hernan Guerrero – Presidente da ACAZUNIP

    Nós, moradores da região da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê – COIDI, reunidos na XIII Assembleia Sub-regional de Validação do Plano de Gestão Territorial Ambiental da região da COIDI, vimos por meio deste manifestar descontentamento com as práticas que consideramos abusivas adotadas pelo exército colombiano instalado em Yavarete (Colômbia) durante revistas que acontecem com as famílias indígenas brasileiras que sobem e descem os rio Uaupés e Papuri.

    Muitos moradores da região, inclusive moradores atuais do lado brasileiro mas com comunidades e sítios tradicionais do lado colombiano, têm sido alvo de revistas desrespeitosas, com danos aos itens transportados, e casos de retenção de alguns itens sem justificativa ignorando os direitos dos indígenas, e até mesmo ignorando a apresentação de documentação que comprove a posse legal do item.

    Ressaltamos que na maioria dos casos de revista ocorre a retenção de armas de caça, embora tenhamos documentação que comprove a posse legal destas, pois, ao contrário do que pensam os militares do exército colombiano, as armas que possuímos não são para nos organizarmos como grupos armados e sim para provermos alimentação das nossas famílias, por isso, queremos o retorno dessas armas que foram retidas pelos militares por ser da nossa utilidade. Noutros casos, ocorrem também a retenção de motosserras que utilizamos para abertura de roçados e para retirada de madeira para construção das nossas casas, lembrando que nós povos indígenas dessa região somos os principais guardiões das florestas, portanto, não desmatamos as nossas florestas da forma como fazem os fazendeiros. Além disso, as terras que ocupamos no lado Colombiano são terras que ocupamos desde a nossa ancestralidade, por essa razão continuamos utilizando até hoje e precisamos ser respeitados.

    Da mesma forma, são os lugares nos quais armamos nossas armadilhas de pesca como é o caso de cacuri, caiá, matapi entre outros. Por outro lado, com a chegada de militares na nossa região, os nossos roçados não são mais respeitados, porque, quando os soldados passam nas proximidades dos roçados vão retirando tudo que nelas existem sem a nossa permissão, a exemplo de abacaxi, banana, cara, milho e cana. Além disso, precisamos ser consultados antes do desenvolvimento de qualquer atividade ou projeto do governo colombiano que possa envolver a cultura dos povos indígenas dessa região e das suas territorialidades conforme assegura a convenção 169 da OIT.        

    Assim, exigimos que as autoridades colombianas tomem as providências necessárias no sentido de corrigir tais práticas abusivas do exército colombiano, e encaminhamento de diálogo para estabelecimento de acordos binacionais e regras de convivência entre indígenas e militares, garantindo assim o respeito e os direitos dos moradores da região da COIDI.

    Leia mais: COIDI realiza a XIII Assembleia Regional em Iauaretê

     

  • Iauaretê: passado, presente e novos dilemas

    Iauaretê: passado, presente e novos dilemas

    Chamado de “cidade do índio”, o povoado multiétnico de Iauaretê ganha livro com o resultado de pesquisas colaborativas feitas por jovens indígenas em parceria com instituições e antropólogos.

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    Com quase três mil habitantes, Iauaretê é hoje o maior núcleo populacional da Terra Indígena Alto Rio Negro, que fica no médio curso do Rio Uaupés, no município de São Gabriel da Cachoeira (AM), na zona de fronteira entre Brasil e Colômbia. Sua importância histórica e estratégica na região conhecida popularmente como “cabeça do cachorro”, é ainda mais valorizada, agora, pelo lançamento do livro Povoado Indígena de Iauaretê – perfil socioeconômico e atividade pesqueira.

    O e-book pode ser baixado gratuitamente (clique na capa ao lado). Já a obra impressa está sendo distribuída nas escolas indígenas da região, assim como também pode ser adquirida por estudantes, pesquisadores e professores com os realizadores do projeto em São Gabriel da Cachoeira (AM): ISA (Instituto Socioambiental), Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), Coidi (Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê) e a Escola Estadual Indígena São Miguel, de Iauaretê.

    Pesquisas colaborativas e homenagem

    5_capa_do_livroO lançamento da publicação na Escola São Miguel foi um evento cercado de muita emoção e alegria. Isso porque o livro concretiza os esforços de pesquisa empreendidos a partir de 2009 com a criação do Cepi-Centro de Pesquisadores Indígenas de Iauaretê. Idealizado para ser um centro de formação de jovens pesquisadores indígenas e desenvolver estudos colaborativos do interesse dos próprios moradores, lideranças e professores, o Cepi teve êxito na conclusão dessa publicação única sobre Iauaretê.

    O livro traz também uma homenagem ao antropólogo do ISA, André Martini, e à Erivaldo Almeida Cruz, então diretor de referência da Foirn para a região de Iauaretê, que morreram de forma abrupta e precoce e não chegaram a ver o resultado de seus esforços concluídos. As pesquisas reunidas na publicação são de ampla importância para a população local, pesquisadores, estudiosos e interessados na vida dos povos indígenas do Rio Negro e seu território.

    “Concluir esse livro foi um processo demorado e difícil, pois com o falecimento abrupto do André em 2011 e o fechamento do Cepi no ano seguinte, muita coisa acabou se perdendo ou ficando dispersa pelas gavetas, computadores e HDs do centro de pesquisa. Foi preciso reunir novamente as pessoas, fazer buscas por arquivos, remontar dados brutos, refazer sistematizações e análises, completar e aprofundar diversas informações das pesquisas para finalizar o trabalho”, conta a antropóloga do ISA, Aline Scolfaro, organizadora da publicação.

    Além de dados gerais e detalhados sobre demografia, composição étnica, escolaridade, economia, consumo, situação da pesca e mudanças ambientais, o livro traz também questões e reflexões sobre a importância dos conhecimentos tradicionais e dos acordos comunitários para o manejo adequado do território e dos recursos.

    Lugares sagrados e planos de gestão

    A publicação do livro chega em boa hora, como enfatiza a diretora da Foirn, Almerinda Ramos, do povo Tariano, pois traz uma série de dados importantes para a preservação dos sítios sagrados dos povos indígenas da região. Em especial no momento em que se discute a revalidação do título da Cachoeira da Onça, em Iauaretê, como Patrimônio Cultural do Brasil e Lugar Sagrado dos povos indígenas dos rios Uaupés e Papuri – título reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2006.

    Do mesmo modo, espera-se que as informações e questões que o livro traz possam contribuir com o atual processo de elaboração e futura implementação dos Planos de Gestão Territoriais e Ambientais (PGTAs) dos territórios indígenas do Rio Negro. “As reflexões que o livro traz poderão contribuir para que as comunidades indígenas da área de Iauaretê construam seus Planos de Gestão Ambiental e Territorial e discutam seriamente seus planos de vida”, comenta Aline Scolfaro.

    A publicação teve o apoio da Cooperação Austríaca para o Desenvolvimento; Aliança pelo Clima; Fundação Rainforest da Noruega; Horizont3000; Fundação Moore e PDPI (Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas).

    A origem da “cidade do índio”

    No passado, Iauaretê era um povoamento pequeno do povo Tariano, que vivia em casas comunais (malocas) localizadas nas duas margens do rio. Foi a partir da década de 1930 que essa realidade começou a mudar, com a chegada dos padres salesianos e a implantação de uma sede de missão e de um internato na localidade.

    O povoado começou, então, a crescer e a ocupar uma posição cada vez mais central na geopolítica regional, atraindo novos moradores e novos atores sociais. De lá para cá muitas transformações ocorreram, alterando significativamente a paisagem local e o modo de vida das famílias. Sabe-se que o marco desse crescimento foi a década de 1980, período em que o internato salesiano foi desativado, dando lugar à atual Escola Estadual São Miguel. Com o intuito de manter os filhos na escola, e não podendo mais contar com a estrutura do internato, muitas famílias que viviam às margens dos rios Uaupés e Papuri começaram a abandonar suas comunidades para viver em Iauaretê.

    Assim, o que era um sítio de ocupação tradicional do povo Tariano, com uma população relativamente pequena, rapidamente se transformou num povoado populoso e multiétnico, e de feições cada vez mais urbanas. Os moradores mais antigos dizem que esse rápido crescimento e expansão trouxe consigo alguns conflitos e diversas pressões relacionadas à ocupação e manejo do território.

    Entre os desafios atuais, podemos ressaltar: as áreas para abrir roçados começaram a ficar escassas; os peixes, que já eram poucos por conta de fatores ecológicos e geográficos, começaram a diminuir ainda mais; os locais importantes para as pescarias e outros lugares com alto valor cultural passaram a ser manejados de forma incorreta pelos recentes moradores e também pelas gerações já nascidas nesse novo contexto.

    Fragmentos de narrativas dos moradores de Iauaretê sobre os peixes

    “Os peixes não acham mais o tempo certo para procriar”

    “Todas as épocas estão trocando de tempo”

    “O ritual dos peixes está mudando de lugar”

    “Acho que o chefe dos peixes está subindo para as cabeceiras dos rios porque nós não respeitamos suas moradas”

    “Estamos fazendo a mudança para outro tempo”

    “É preciso benzer para que pare com isso”

     

    Publicado originalmente neste endereço: https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-rio-negro/iauarete-passado-presente-e-novos-dilemas

     

     

  • Etapa local da Conferência Nacional de Política Indigenista reuniu 500 participantes em Iauaretê, rio Uaupés

    Participantes da etapa local da CNPI realizada em Iauretê, Rio Uaupés, a terceira no Rio Negro. Foto: Renato M/FOIRN
    Participantes da etapa local da CNPI realizada em Iauretê, Rio Uaupés, a terceira no Rio Negro. Foto: Renato M/FOIRN

    A etapa local realizada em Iauaretê, Rio Uaupés, reuniu representantes dos povos Tariana, Tukano, Dessana, Arapasso, Piratapuia, Hupdàh, Tuyuka, Kubeo e Wanano, que vivem na região do Médio, Alto Uaupés e Rio Papuri.

    O evento também contou com a participação de professores e alunos, que totalizou mais de 500 participantes no primeiro dia. Nos últimos dois dias teve mais de 300 participantes.

    As temáticas discutidas foram as mesmas das etapas anteriores. As propostas elaboradas serão reapresentados e discutidos na etapa regional em São Gabriel da Cachoeira, em agosto.

    A a Diretora- Presidente da FOIRN, Almerinda Ramos de Lima, e dos diretores Nildo Fontes e Renato Matos participaram do evento, como membros da comissão organizadora das etapas locais e como palestrantes sobre as temáticas.

    A realização da etapa local da Conferência Nacional de Política em Iauaretê, além da comissão formada por várias instituições, entre elas, a FUNAI e FOIRN, contou com a parceria da Coordenadoria das Organizações do Distrito de Iauaretê (COIDI) e com as associações de base.

  • COIDI realiza assembleia extraordinária e elege nova Coordenadora em Iauaretê, Rio Uaupés

    Os membros do Conselho Diretor da FOIRN e Conselho de Líderes do Distrito de Iauaretê realizaram no dia 29 de março uma assembleia extraordinária da COIDI para repassar os encaminhamentos da 28ª Reunião do Conselho Diretor e discutir problemas e dificuldades enfrentadas atualmente pela coordenadoria. Uma das deliberações da assembleia foi a eleição de um novo coordenador.

    Teve três candidatos que segue com o número de votos: Odimara Ferraz Matos (60 votos), Adilma Auxiliadora Sodré (29 votos) e Arlindo Bosco Sodré Maia (13 votos).

    Portanto, a Odimara Ferraz Matos, 24, da etnia Tukano é a nova Coordenadora da COIDI. ” Acompanho e participo o movimento indígena há alguns e sempre tive a vontade de algum dia participar diretamente e contribuir. Agora estou tendo essa oportunidade” -disse a nova coordenadora, que é participante ativa do movimento de jovens e mulheres indígenas do Rio Negro.

    A assembleia extraordinária contou com a presença da Almerinda Ramos de Lima – Presidente da FOIRN e Rosilda Cordeiro – Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas.

    A COIDI é uma das primeiras Coordenadorias Regionais do Rio Negro, foi criada em 1997.

    A nova coordenadora da COIDI participa o movimento indígena do Rio Negro há anos, atuando principalmente na representação de mulheres indígenas em eventos. Foto: divulgação
    A nova coordenadora da COIDI participa o movimento indígena do Rio Negro há anos, atuando principalmente na representação de mulheres indígenas em eventos. Foto: divulgação