Categoria: Jovens Indígenas

  • A VII Assembleia Regional Ordinária Eletiva da CAIBARNX é realizada na comunidade Jurutí sede da Coordenadoria

    A VII Assembleia Regional Ordinária Eletiva da CAIBARNX é realizada na comunidade Jurutí sede da Coordenadoria

    No primeiro dia da Assembleia, os delegados destacaram a avaliação e prestações de contas do diretor de referência e da coordenadoria regional durante a gestão de 2021 a 2024.

    Os dias 28, 29 e 30 de abril serão marcados por um evento de extrema importância para a comunidade indígena do Rio Negro. A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro estará completamente focada na realização da VII Assembleia Regional Ordinária Eletiva da Coordenadoria das Associações Indígenas do Balaio, Alto Rio Negro e Xié (CAIBARNX).

    Este evento de grande relevância acontece na comunidade de Juruti, que é a sede da coordenadoria, e tem como tema central “Movimento Indígena, Gestão e Sustentabilidade”.

    Durante esses três dias, líderes e representantes indígenas se reunirão para discutir questões fundamentais relacionadas à gestão e sustentabilidade do movimento indígena, buscando fortalecer e promover a preservação da cultura e dos direitos indígenas na região do Rio Negro e também a escolha por meio de eleição de novos lideres que representarão a região na gestão da Foirn a partir de julho/2024 a Junho de 2028.

    Com a chegada do diretor presidente da FOIRN, Marivelton Baré, em sua fala inicial, apresentou a sua comitiva de viagem que estiveram presentes no 20º Acampamento Terra Livre (ATL) em Brasília no período de 22 a 26 de abril e também esclareceu as dúvidas e polêmicas geradas na parte da manhã, no início da assembleia, em relação aos trabalhos em geral da federação e suas parcerias, tornando assim um grande avanço, limpando o CNPJ da instituição, que a partir de agora está pronta para receber recursos através de projetos.

    Além disso, a sua presença marcante no evento reforçou a importância da união entre instituições e a necessidade de fortalecer os laços de cooperação técnica para alcançar um desenvolvimento sustentável. Sua atuação proativa e transparente inspirou confiança entre os demais participantes, abrindo caminho para um futuro promissor para a Foirn e todos os envolvidos.

    Com essa postura firme e visionária, o diretor presidente colocou a federação em um novo patamar, preparando o terreno para conquistas significativas e duradouras. A trajetória de liderança e comprometimento demonstrada durante o evento certamente deixará um legado positivo, impulsionando o progresso e a valorização da região, beneficiando inúmeras associações filiadas à instituição. Este momento histórico reflete a capacidade de superação e determinação da Foirn, fortalecendo sua missão de promover o desenvolvimento sustentável e a preservação do meio ambiente, garantindo um futuro próspero e equitativo para todos.

    Na oportunidade o presidente informa a entrega de kits de energia solar e de internet, no qual incluirá sete conjuntos completos de energia solar, cada um composto por uma placa solar, uma bateria de 150amp, um inversor e um controlador. Além disso, também serão disponibilizados três conjuntos completos de internet via satélite Starlink. Este conjunto de equipamentos proporcionará uma solução abrangente e eficaz para atender às necessidades de energia e conectividade, garantindo uma operação confiável e eficiente na comunicação.

    A troca de experiências e a reflexão sobre os desafios e oportunidades que se apresentam serão elementos essenciais deste encontro, que visa contribuir para o avanço e fortalecimento das comunidades indígenas do Rio Negro.

    No primeiro dia da Assembleia, os delegados destacaram a avaliação e prestações de contas do diretor de referência e da coordenadoria regional durante a gestão de 2021 a 2024. Durante este evento significativo, os representantes enfatizaram a importância da transparência e responsabilidade na gestão, ressaltando o papel fundamental do diretor de referência e da coordenadoria regional.

    A prestação de contas minuciosa e a avaliação criteriosa da gestão proporcionam uma base sólida para o planejamento e progresso contínuo da organização. Estas discussões colocam em evidência o compromisso com a excelência e a eficácia administrativa, fundamentais para o avanço e desenvolvimento sustentável.

    É crucial reconhecer a importância da herança deixada pelas lideranças anteriores na implementação bem-sucedida dos projetos atuais. O legado de suas lutas e esforços não deve ser subestimado, pois moldou positivamente as bases sobre as quais a diretoria atual está construindo. A continuidade e o aprimoramento do trabalho iniciado por aqueles que estiveram à frente anteriormente são fundamentais para o progresso constante e a evolução das iniciativas em andamento.

    Representantes de Instituições presentes: ISA, FUNAI/CRNG e SEPROR/IDAM.

  • FOIRN REÚNE ADOLESCENTES E JOVENS INDÍGENAS EM YAUARETÊ

    FOIRN REÚNE ADOLESCENTES E JOVENS INDÍGENAS EM YAUARETÊ

    Entre os dias 25 e 28 de Outubro de 2022, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro realizou a I Assembleia Regional de Adolescentes e Jovens Indígenas da Articulação Indígena de Adolescentes e Jovens de Yauaretê (AIAJY)_

    A Assembleia foi realizada no Salão Paroquial da Missão Salesiana do Distrito de Iauaretê, contou com 200 participantes entre adolescentes, jovens e adultos das calhas de rios do Alto e Médio Waupés, Papurí e Japú. 

    Os principais temas debatidos durante a Assembleia foi sobre a Educação, Saúde, Identidade e Patrimônio Cultural dos povos indígenas.

    Os jovens participantes falaram que há muito tempo não é realizado uma atividade específica voltada aos jovens, essa ocasião foi uma oportunidade importante para o fortalecimento da região.

    Valorização cultural

    Nos Grupos de Trabalhos (Gts), foi debatida encaminhada a valorização da cultura: importância de repasse dos conhecimentos culturais de pai para filho. Onde os jovens aprendem com os pais sobre as tradições, danças, mitos, lendas, benzimento.

    A Educação Escolar Indígena que precisa ser diferenciada de acordo com o plano indígena. Implantação de Cursos técnicos, instalação de pontos de internet nas comunidades distantes para que os jovens possam acessar cursos de Ensino a Distância (EAD).

    Também a importância de atuação das equipes de saúde, ter acompanhamento psicólogo, pois é muito importante, para que os jovens tenham orientações, rodas de conversas sobre prevenção de suicídio ou outras violência, e ter acompanhamento de conhecedor tradicional.

    Que os jovens se envolvam mais nas atividades de interação e iniciar seu envolvimento na política de luta do movimento indígena, para que eles se preparem para sua caminhada como liderança, ingresso na faculdade, etc. E que eles já sejam jovens lideranças a partir desta assembleia.

    Moda Indígena

    O Sioduhí (estilista indígena) do povo Piratapua, apresentou sua invenção na moda indígena com tingimento de tecidos com matérias primas naturais da região do alto Rio Negro, no qual chamou atenção dos jovens, pois o mesmo passou por dificuldades, porém não desistiu do seu objetivo e disse aos jovens que eles devem sonhar alto e lutar para que isso se torne realidade.

    Encaminhamento

    O Evento foi uma realização importante para fortalecimento dos jovens da Região da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI), com a participação dos jovens do povo Hupda do Rio Japu e do Médio Rio Papurí.

    Os jovens esperam que mais eventos voltados a eles se realize para fortalecimento e crescimento dos mesmos, que essa articulação continue firme e fortes, pois são as futuras lideranças desta região.

    _Indicação de Jovens representantes de Associações das calhas de rios se deu para melhor forma de articulação dentro da própria região._

    Referência da AIAJY:

    Jolyney Alves Amaral – Sede do Distrito de Yauarete;

    Referência da calha do Rio Papurí:

    Guadalupe Borges de Jesus – ACIARP/ACIMRP

    Referência da calha do Médio Rio Waupés:

    Uriel Saldanha Campos – ACIMERWA

    Pedro Paulo Rodrigues Carvalho – ACIRJA

    Referencia da calha do Rio Waupés:

    Rosiléia Figueiredo Moreno – ACIRWA

    João Davi Trindade – ONIARWA

    Coordenação

    Josiane Pereira – Articuladora do DAJIRN

    Realização

    O evento foi organizado pela FOIRN através do Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro (DAJIRN), Articulação da região COIDI.

    Equipe da FOIRN: Departamento de Educação (Lorena Araújo) Sioduhí (estilista indígena)  Hildete Marinho (Secretária) Oziel de Oliveira Melgueiro (Patrimônio Institucional)

    Convidados

    Representante do Instituto Federal do Amazonas (IFAM), CAPS/SEMSA, Escolas Estaduais (Pamuri Mahsa Wi’i e São Miguel), Escola Municipais (Santa Maria e Tariano).

    Apoio

    Fundo Casa e Misereor

  • FOIRN PROMOVE REUNIÃO SOBRE PAUTAS DE FORMAÇÃO INDÍGENA COM O REITOR DA UFAM

    FOIRN PROMOVE REUNIÃO SOBRE PAUTAS DE FORMAÇÃO INDÍGENA COM O REITOR DA UFAM

    Na manhã de segunda feira (22), a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro realiza a reunião interinstitucional com instituições convidadas para tratar sobre a pauta Vestibular Indígena, Licenciatura Indígena, Cursos EAD, Pós Graduação, Vestibulares diferenciados e outros.

    Na oportunidade o estudante entregaram documentos de reivindicação para o Reitor Sylvio Puga que esteve presente juntamente com a sua comitiva formada pela professora Iraildes Caldas Torres – Diretora do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), o coordenador da Licenciatura Indígena, Nelcioney Araújo e o diretor do Departamento de Articulação e Planejamento de Extensão (Darpex), professor Paulo Negreiros.

    A Diretoria executiva da Foirn esteve representada pelo Presidente Marivelton Rodrigues Baré, Vice Presidente Nildo Fontes Tukano e Dário Casimiro Baniwa, Coordenadora do Departamento de Educação e Patrimônio Cultural da Foirn, Lorena Araújo Tariana, Articulador do Departamento de Adolescentes e Jovens do Rio Negro (DAJIRN), Hélio Gessem Lopes, Presidente da Fundação da União da Plurinacionalidade dos Estudantes Indígenas do Brasil, Arlindo Baré estudante da UNICAMP/SP.

    Instituições que aceitaram o convite

    Representantes das Escolas Estaduais, o Instituto Federal do Amazonas (IFAM), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Grêmio Estudantil, APMCs, COPIARN, APIARN e DSEI/ARN.

    Edilson Martins do povo Baniwa, Doutor em linguística. Foto: DECOM/FOIRN

    Edilson Martins do povo Baniwa, Doutor em linguística/IFAM, disse que há dez a nos atrás tudo era diferente, nunca se viu um reitor conversar com indígenas para ouvi-los e conhecer a realidade dos povos do alto rio negro, principalmente nesse momento difícil que as instituições estão passando, sem recursos financeiros.

    “Esse diálogo das instituições (estadual e federal) é fundamental. Cada vez mais está se fortalecendo pela luta, fico muito feliz quando vejo um reitor chegar à minha região do Içana, dos Ianomami, não é fácil, a gente conhece tão bem a grandeza de nossa terra”. Completa.

    Novos desafios

    A comitiva do Reitor seguiu para a comunidade indígena Waruá com o tamanho de 1000 m², fica próximo ao município de São Gabriel da Cachoeira, acompanhada pela Coordenadora do Departamento de Educação e Patrimônio Cultural, Lorena Araújo, Coordenadora do departamento de Comunicação, representantes da APIARN e COPIARN, Presidente da Fundação da União da Plurinacionalidade dos Estudantes Indígenas do Brasil, Arlindo Baré.

    A visita à comunidade foi com objetivo de ouvir os anseios do povo Daw, Hupda e Nadüb. Os moradores, professores da rede de ensino da Educação Municipal participaram da conversa onde os mesmo demandaram que seja implementado a licenciatura especifica para esse povo.

  • Lideranças Indígenas debatem importância e desafios da comunicação para a gestão das TIs no Rio Negro

    Lideranças Indígenas debatem importância e desafios da comunicação para a gestão das TIs no Rio Negro

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    Realizado entre 18 a 21 de julho em São Gabriel da Cachoeira, a 35º Reunião do Conselho Diretor da Foirn reuniu lideranças indígenas de todas as calhas do Rio Negro, dos municípios de Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira e Barcelos. Os objetivos foram debater problemas e encaminhar propostas que contribuam para o bem-viver nas comunidades indígenas.

    O Conselho Diretor é a segunda instância de deliberação depois da Assembleia Geral sobre as ações da Foirn e de temas de interesse dos povos indígenas do Rio Negro, acontece duas vezes por ano. Os conselheiros são indicados pelas comunidades para representar, propor e encaminhar propostas e demandas das comunidades que representa.

    Como de praxe, os primeiros dois dias de reunião foram dedicados para a apresentação dos relatórios e pareceres da Comissão Fiscal, de atividades da diretoria executiva e dos departamentos de educação, mulheres e juventude da Foirn.

    Cadeia de conhecimento é fundamental para nosso fortalecimento

    Pautas como a Elaboração dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) das Tis no Rio Negro, o Monitoramento de Mudanças Climáticas, a Cadeia de Produtos Indígenas, a Demarcação das Terras Indígenas e a Incidência Política foram debatidos pelas lideranças indígenas. Estas consideram esses trabalhos de pesquisas e levantamentos de dados fundamentais, pois trazem informações apuradas sobre a realidade dos povos indígenas do Rio Negro e propõem atividades de interesse das comunidades.

    Para Protázio, professor e liderança Tukano de Pari Cachoeira, esses trabalhos de pesquisa e levantamento realizados pelos próprios indígenas nas comunidades são importantes, pois com essas informações as lideranças lutam e reivindicam melhorias para suas comunidades junto às instituições competentes. “Essas informações geram cadeias de conhecimento importantes para a nossa luta pelos direitos e pelo bem viver das nossas comunidades”, diz.

    Protázio, Professor e Liderança Tukano de Pari Cachoeira

    No mercado de projetos, com a elaboração desses planos de gestão dos territórios, as comunidades indígenas esperam ter maior facilidade de acessar programas do governo e editais buscando recursos financeiros através de suas organizações.

     Comunicação é fundamental para a gestão dos territórios 

    As primeiras estações de radiofonia foram implantadas ainda nos meados da década de 1990 no Rio Negro pela Foirn em locais estratégicos para o monitoramento e proteção das recentes Terras Indígenas demarcadas. Em 31 anos de existência a Foirn conseguiu através de parceiros ampliar essa rede de comunicação a todo o Rio Negro. Hoje a rede é formada por cerca de 180 estações.

    Na reunião do Conselho, as lideranças debateram sobre a necessidade de melhorar o uso desses equipamentos pelas comunidades e instituições parceiras que também utilizam o canal de comunicação para realizar suas ações na região. “Para muitos, a radiofonia é um meio de comunicação defasado, mas, para nós no Rio Negro é a que ainda funciona melhor”, afirmou Marivelton Rodrigues Barroso, presidente da Foirn.

    Lideranças destacaram a importância da comunicação para a gestão dos territórios e a necessidade de estruturar melhor os meios para que as informações sobre os direitos indígenas cheguem até as comunidades mais distantes.

    Além da rede de radiofonia, a Foirn em parceria o Instituto Socioambiental e apoio da União Europeia desenvolve desde novembro de 2017 a formação da Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro que envolve 17 jovens comunicadores de todas as regiões do Rio Negro. A Rede produz mensalmente o boletim áudio Wayuri, que é distribuído também nas comunidades e além de registrar e divulgar eventos do movimento indígena.

    As lideranças concordaram em reformular os horários de uso da radiofonia pela central gerida pela Foirn como também destinar horários específicos para suas Coordenadorias Regionais e para o Distrito Sanitário Especial indígena no Rio Negro.

    Foi aprovado o regimento de uso das radiofonias do Rio Negro, ver aqui

    O Conselho encerrou sua reunião acordando a agenda para as assembleias regionais das cinco coordenadorias da FOIRN. Estes ocorrerão entre agosto e setembro deste ano e terão como pauta principal a revisão e validação dos PGTAs que deve puxar o debate sobre ações de fortalecimento das associações de base, desenvolvimento de produtos indígenas, comunicação e políticas públicas.

     

  • Unicamp e Ufscar farão seleção unificada para estudantes indígenas em São Gabriel da Cachoeira (AM)

    Unicamp e Ufscar farão seleção unificada para estudantes indígenas em São Gabriel da Cachoeira (AM)

    Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas da Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), comemora uma importante conquista da juventude indígena do Rio Negro essa semana: pela primeira vez a Unicamp e Ufscar farão um processo de seleção unificado de candidatos em São Gabriel da Cachoeira. O lançamento do edital está previsto para junho, as inscrições em setembro e provas em dezembro.

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    Cartaz elaborada pela juventude indígena do Rio Negro, durante assembleia em julho de 2013

    A cada ano, o número de candidatos indígenas no município de São Gabriel da Cachoeira aumenta. Em 2017, foram mais de 300 inscritos. Embora o local da aplicação da seleção tenha sido em Manaus, muitos não conseguem fazer o processo devido ao alto custo de deslocamento até a capital do estado.

    Diante dessa crescente demanda, representando as reivindicações da juventude rionegrina, a Foirn através do Departamento de Juventude, protocolou em fevereiro deste ano um abaixo assinado com mais de 300 assinaturas, lida e aprovada durante a Reunião do Conselho Diretor. O documento foi direcionado para instituições de ensino superior reivindicando a adequação das políticas de acesso e permanência de estudantes indígenas nas universidades, entre estas instituições a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).

    A mobilização contou com a força do movimento de estudantes indígenas da Ufscar, representando por Daniel Rodrigues Teles, Arapasso, estudante de engenharia de produção, que desempenha um importante papel de luta pela ampliação e tornar cada vez mais acessível o ingresso à universidade pelos jovens indígenas.

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    Adelina Sampaio, Coordenadora do Departamento de Jovens Indígena da Foirn

    Para Adelina Sampaio, coordenadora do departamento que representa a juventude indígena na Foirn, a realização do processo seletivo em São Gabriel da Cachoeira, é mais uma conquista dos povos indígenas do Rio Negro. “Agora nossos jovens indígenas poderão fazer a prova aqui em São Gabriel, representa um grande avanço na luta pelos direitos indígenas, em especial, dos jovens indígenas, que há anos buscam essa oportunidade”, comemora.

    Em março deste ano, o Presidente da Foirn, Marivelton Rodriguês Barroso, foi convidado pela Ufscar para dar uma palestra no campus sobre a importância do ensino superior para os povos indígenas do Rio Negro, onde reforçou a importância da realização da prova de seleção em São Gabriel da Cachoeira, diante da grande demanda na região.

    Unicamp em decisão história cria vestibular indígena: a prova também será em São Gabriel

    Em decisão histórica, a Unicamp aprovou cotas étnico-raciais e as medidas passam a ser aplicadas em 2018. A universidade de Campinas segue os passos e conta com a experiência bem sucedida da Universidade Federal de São Carlos (UFsCar). Durante um workshop promovido no dia 4 de maio realizada pela Comissão Permanente de Vestibulares (Comvest), sobre a experiência de dez anos da UFsCar na aplicação de um vestibular indígena, criou o Grupo de Trabalho “Inclusão Indígena na Unicamp”. A luta pela criação de cotas étnico-raciais e Vestibular Indígena nas universidades públicas brasileiras é uma luta antiga do movimento indígena brasileiro, que aos poucos vem sendo conquistado.

    Leia  também: Unicamp avança nas ações para inclusão de povos indígenas na graduação

  • Adolescentes e jovens indígenas elegem coordenação e formam Rede para fortalecer o movimento no Rio Negro em assembleia geral

    Adolescentes e jovens indígenas elegem coordenação e formam Rede para fortalecer o movimento no Rio Negro em assembleia geral

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    Em três dias de Assembleia, adolescentes e jovens indígenas debateram os principais problemas e desafios enfrentados por eles hoje nas suas comunidades em todo o Rio Negro.  A base central de todos os trabalhos foi a “Terra e Cultura: –  Formas de o futuro e o desenvolvimento da juventude indígena no Rio Negro.

    Lideranças indígenas foram convidados para palestrar sobre temas de interesse dos povos indígenas do Rio Negro como a Cultura,  Gestão Territorial e Ambiental, histórico do movimento indígena e a participação de jovens deste. E entre outros temas.

    Com base nestas informações foram feitos trabalhos de grupos por regionais para elaborar propostas diante dos problemas encontrados hoje em várias áreas como na educação, saúde, cultura, esporte e lazer e outros.

    Outro destaque do evento foi a discussão do fortalecimento da participação da juventude no movimento indígena Rio Negro. De acordo eles, existe uma necessidade deles se articularem mais e estarem mais ativos no movimento. Para isso, foi formado a Rede de Juventude Indígena do Rio Negro que congrega jovens e adolescentes dos três municípios do Rio Negro (Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira).

    A ideia é propiciar um mecanismo de diálogo e articulação permanente entre estes para levar e compartilhar informações variadas, conhecimentos e experiências . Por isso, cada regional tem representantes na Rede criada.

    Eleição da nova coordenação para os próximos 4 anos.

    Um dos principais assuntos também debatidos foi a avaliação do funcionamento e as conquistas do Departamento de Adolescentes de Jovens Indígenas (Dajirn) que é hoje um departamento dentro da estrutura organizacional da FOIRN, que é resultado de vários anos de reivindicação da juventude.

    A ex-coordenadora do Dajirn, Ednéia Teles (hoje Secretária Municipal de Juventude, Esporte e Lazer), apresentou o histórico e contou as conquistas do movimento  de jovens no Rio Negro, entre algumas, como o próprio SEMJEL. “Mas, temos muito a conquistar, para isso precisamos continuar lutando pelos nossos direitos”, disse.

    Após entrar no departamento para substituir a coordenadora eleita na segunda assembleia geral, a Adelina de Assis Sampaio, de etnia Dessana foi eleita para os próximos 4 anos. E o outro eleito foi o Lucas da Silva Matos, de etnia Tukano, de Iauaretê. Os eleitos terão posse em novembro deste ano.

    EngajaMundo participou da assembleia de jovens em São Gabriel da Cachoeira

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    Uma das principais organizações de liderança jovem no Brasil, o EngajaMundo teve representantes na assembleia, que trouxe dinâmicas e a Formação do Engajamundo em mudanças climáticas, que contribuiu na abordagem do tema e na  construção de idéias junto com os jovens indígenas do Rio Negro.

    Foram elaborados documentos de reivindicações que serão encaminhados para os órgãos competentes. E por último, foi votado e escolhido local da próxima assembleia de adolescentes e jovens que será em Canafé, na área do município de Barcelos.

    O evento foi realizado pela FOIRN/Dajirn com apoio da Fundação Nacional do Índio (CR Rio Negro) e em parceria com o Instituto Socioambietal e IFAM – Campus São Gabriel da Cachoeira. E teve mais de 100 participantes, em sua totalidade, adolescentes e jovens indígenas.

  • Lideranças Indígenas da região do Médio  e Alto Uaupés e Rio Papuri  realizam manifestação durante a XII Assembleia Geral da COIDI em Iauaretê pela ausência de ações do poder público na região

    Lideranças Indígenas da região do Médio e Alto Uaupés e Rio Papuri realizam manifestação durante a XII Assembleia Geral da COIDI em Iauaretê pela ausência de ações do poder público na região

     

    Mais de 300 pessoas participaram da XII Assembleia Geral da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê – COIDI, realizado entre os dias 01 a 05 de junho em Iauaretê, Médio Uaupés.

    Representantes das organizações localizadas na região do médio e alto Uaupés e do Rio Papuri participaram do evento, que teve como objetivo principal debater os desafios e perspectivas do movimento indígena no Rio Negro, e especificamente relacionados à esta região, onde vivem várias etnias que compõem os 23 povos indígenas do Rio Negro.

    Os principais temas e problemas debatidos na assembleia foram relacionados à educação escolar indígena, saúde indígena, estrutura e condições mínimas de transporte na estrada Ipanoré-Urubuquara, Plano de Gestão Territorial e Ambiental, fortalecimento das associações de base e avaliação das ações do movimento indígena (FOIRN) e seus parceiros na região.

    Manifestação

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    Na tarde do segundo dia (03/06) da assembleia a Organização das Comunidades Indígenas de Iauaretê – OCII, uma das organizações locais organizou uma manifestação pela Saúde Indígena na região, e principalmente voltado para a Unidade Mista de Iauaretê (Hospital).

    Domingos Sávio Gonçalves Lana, liderança de Iauaretê um dos coordenadores da manifestação disse que o ato é simbólico e representa a insatisfação e indignação da população de Iauaretê e das comunidades da região diante do descaso e da ausência do poder público. “O nosso manifesto não é apenas pela falta de médico permanente, liberação de verbas, permanência dos funcionários atuais, reforma e medicamentos para a Unidade Mista de Iauaretê. A educação também é um dos grandes problemas, atraso de entrega da merenda escolar, falta de material didático e estrutura das escolas estão caindo. Precisamos condições básicas para transporte no trecho Urubuquara-Ipanoré, um problema antigo e nunca solucionado”, disse.

    “O nosso recado é para o governador. Queremos melhorias e respostas urgentes”, completa.

    O ato durou pouco mais de meia hora e terminou com os manifestantes cantando o Hino Nacional Brasileiro.

    Estrada de Ipanoré – Urubuquara: Sem estrutura mínima para transporte da população que vivem na região

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    Moradores da comunidade Urubuquara ajudando no transporte de uma paciente vindo da região do médio Uaupés (em Maio/2016). De Urubuquara até Ipanoré são 6 Km, quase uma hora de caminhada. Foto: Socorro Teles

    Problema antigo e nunca resolvido. Depois de várias paralisações, a construção e pavimentação do trecho Ipanoré – Urubuquara,  foi concluído recentemente, mas, precisa  de melhorias e acabamento, principalmente nas descidas que é ruim quando o nível do rio baixa na época de secas.

    São várias pessoas passando por esse trecho todos os dias. Antes tinha um caminhão que com em péssimas condições por falta de manutenção mantido por um proprietário particular, que cobra o valor de transporte por canoas.

    Mesmo em condições precárias o transporte acontecia. As pessoas chegavam e passavam, tanto de ida para São Gabriel da Cachoeira (o destino da grande maioria), quanto na volta.

    Na primeira semana de junho, o caminhão parou de funcionar por problemas mecânicos, e pra completar ainda mais a situação o caminhão caiu no igarapé que fica próxima a comunidade Ipanoré.

    Não é por falta de documentos de solicitação. De acordo com as lideranças da região de Iauaretê, vários documentos foram entregues para o governo municipal na tentativa de melhorar transporte deste trecho que afeta vida de muita gente. Na assembleia da COIDI em Iauaretê, mais uma vez, o assunto foi tema de debates em busca de solução.

    Educação Escolar Indígena: Escolas com condições precárias e sem estrutura

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    Uma das escolas da região de Iauaretê

    Professores e lideranças presentes na assembleia relatou e mostrou em imagens a situação e condições precárias em que se encontram as escolas na região de Iauaretê. Falta de material didático, atraso na merenda escolar (a merenda chegou no poto de Iauaretê na primeira semana de junho, sendo que as aulas começaram em março), e muitos destes funcionam em improviso em centros comunitários ou casas de famílias.

    COIDI elege nova diretoria e reelege a diretora de referência para mais 4 anos  

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    Foto: Paulo Rodrigues/Projeto Pakapa

    A apresentação dos candidatos para concorrer a diretoria da COIDI e para o diretor da FOIRN de referência à região de Iauaretê ficou para o último dia da assembleia, 5 de junho

    A primeira parte da sessão foi a convocação dos candidatos para ler a carta de intenção e compromisso elaborado por cada um para a assembleia geral, especialmente aos delegados de cada associação presente.

    Para a COIDI foram formados 4 chapas representados por: Leonídio Maragua, Guilherme Rodolfo Dias Velez, Jaciel Prado Freitas e Ercolino Jorge Dias. Após a apuração dos votos, a chapa representado pelo Jaciel Prado Freitas acabou sendo eleita com mais de 100 votos, 70 votos de diferença em relação ao segundo colocado, Leonídio Maragua.

    Para a eleição do diretor (a) da FOIRN teve 4 candidatos: Almerinda Ramos de Lima, Domingos Gonçalves Lana, Arlindo Sodré Maia e Nivaldo Castilho. Após a apuração dos 108 votos, a Almerinda Ramos de Lima, a atual diretora presidente da FOIRN, foi reeleita com 54 votos, e Domingos Gonçalves Lana ficou em segundo lugar com 44 votos.

    Dessa forma, a atual diretora presidente da FOIRN vai concorrer novamente a presidência na Assembleia Geral em novembro de 2016, em São Gabriel da Cachoeira.

    Após a eleição da nova diretoria da COIDI e para FOIRN,  a assembleia fez também a indicação da diretoria do Conselho de Líderes da Região de Iauaretê, elegeu os conselheiros do Conselho Diretor e os delegados para a Assembleia Geral.

     

  • Começa a elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Kotiria e Kubeo, no Alto Rio Negro

    Começa a elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Kotiria e Kubeo, no Alto Rio Negro

    Participantes da Oficina. Foto: Sergio Oliveira.
    Participantes da Oficina. Foto: Sergio Oliveira.

    Em julho passado teve início a elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) Kotiria (Wanano) e Kubeo. Proposto e gerido pela Associação da Escola Khumunu Wu’u Kotiria (Asekk), e financiado pelo Programa Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI/MMA), este PGTA envolve 14 comunidades do Alto Rio Uaupés e abrange uma área de aproximadamente 1,3 milhão de km2.

    O início do projeto foi marcado pela realização de duas oficinas de etnomapeamento e diagnóstico participativo nas comunidades de Caruru-Cacheira e Açaí. Nas oficinas, que tiveram duração de cinco dias cada, foram produzidos mapas mentais, croquis das roças e das comunidades, uma linha do tempo onde foram localizados os fatos marcantes da história de cada grupo, calendários ecológicos, entre outros materiais, de modo a subsidiar a discussão das noções de território, ambiente, gestão e sustentabilidade.

    O projeto, que terá a duração de um ano, prevê a publicação de um diagnóstico preliminar da situação socioambiental da área, além da elaboração de mapas temáticos com os recursos materiais e simbólicos imprescindíveis para a reprodução física e cultural dos grupos envolvidos. O diagnóstico será elaborado a partir da investigação conduzida pela equipe de pesquisadores indígenas (seis Kotiria e três Kubeo), que foi capacitada durante as oficinas. Ao longo dos próximos meses, estes pesquisadores irão produzir censos, entrevistas, diários de campo, mapear pontos importantes de seu território com o auxilio de aparelhos de GPS, realizar reuniões com as comunidades, entre outras atividades. No início de 2015, serão realizadas mais duas oficinas para a sistematização e validação das informações produzidas.

    A coordenação geral do projeto está sob responsabilidade do presidente da ASEKK Edmar Sanchez. Na coordenação técnica estão o linguista Thiago Chacon, o antropólogo Pedro Rocha e o biólogo Igor Richwin. No apoio aos pesquisadores indígenas estão os antropólogos Diego Rosa Pedroso e João Pimenta da Veiga. Na parte administrativa, o projeto conta com o apoio da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).

    Espera-se que o projeto venha contribuir para a construção de um Plano de Gestão Territorial e Ambiental na Terra Indígena Alto Rio Negro, em diálogo com iniciativas similares na região. A aposta é que no futuro se possa enfrentar de maneira integrada os desafios e expectativas de médio e longo prazo dos povos indígenas da região, contribuindo para a implementação da Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial de Terras Indígenas (PNGATI), nos moldes do Decreto N° 7747 de 2012.

    Divulgação Equipe do PGTA Kotiria e Kubeo

  • Assembleia de Mulheres Indígenas em Iauaretê – Rio Uaupés

    A Associação das Mulheres Indígenas do Distrito de Iauaretê (AMIDI) realizou VI Assembleia Assembleia em Iauaretê nos dias 7 a 9 de julho

    Mais de 136 pessoas participaram da VI Assembleia das Mulheres Indígenas do Distrito de Iauaretê, realizado no Salão Paroquial nos dias 7 a 9 de julho, pela AMIDI em parceria com a FOIRN.

    Além de participantes vindos das comunidades de abrangência da COIDI (Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê), representantes de instituições parceiras como a FUNAI-CRRN e o DSEI/CASAI e Conselho Tutelar participaram do evento.

    As pautas do evento realizado são: Saúde da Mulher, Direitos da Mulher (Lei Maria da Penha), Concepção própria das mulheres indígenas sobre a saúde, revisão e aprovação do Estatuto da AMIDI, Alcoolismo entre os jovens da região de Iauaretê.  

    Palestras, debates e grupos de trabalho foram realizados sobre os temas discutidos no evento, que, também foi importante espaço de troca de conhecimento entre os participantes e os palestrantes.

    Nas discussões, viu-se a necessidade de realizar um encontro para discutir problemas relacionados à juventude, já que, de acordo com as discussões, o alcoolismo é um dos grandes problemas na região, especialmente na sede do distrito.

    As instituições presentes, incluindo a FOIRN junto com as associações indígenas locais, se comprometeram a buscar juntos, soluções sobre os problemas identificados e sobre as demandas encaminhadas ao final do evento.

    A Almerinda Ramos de Lima – Presidente da FOIRN e a Francinéia Fontes – Vice Coordenadora do DMIRN participaram da Assembleia.

  • Lideranças indígenas discutem e debatem principais problemas na região do Rio Negro durante a Reunião do Comitê Regional.

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    Participantes da reunião aprovam o relatório de atividades e o plano bienal 2014-2015 da CRRN-Funai

    A reunião do Comitê Regional do Rio Negro- Funai, realizado nos dias 05 a 07 deste mês, serviu como mesa de discussão, debates e proposição das ações para minimizar os principais problemas enfrentados atualmente pelos povos que vivem no rio Negro, como o alcoolismo nas aldeias e segurança.

    O Comitê Regional Rio Negro, instituído pelo Decreto 7.056 de 28 de Dezembro de 2009, na sede no município de São Gabriel da Cachoeira, é um órgão colegiado vinculado à Coordenação Regional Rio Negro da Fundação Nacional do Índio- FUNAI, e tem como objetivo garantir a participação dos povos indígenas e suas organizações em instancias do Estado que definem políticas públicas que lhes digam respeito, conforme a Convenção nº 169 da OIT, §2º, sobre os povos indígenas e tribais, promulgada pelo Decreto nº 5.051/04/2004; espaço de governança do PNGATI conforme Decreto 7.747 de 5/06/2012.

    O Comitê Regional é composto por 9 representantes titulares e suplentes da Coordenação Regional do Rio Negro – Funai e 9 representantes titulares e suplentes das organizações indígenas do Rio Negro. À ele compete: i) – formular políticas públicas de proteção e promoção territorial dos Povos Indígenas do Rio Negro; ii) propor ações articuladas com outros órgãos dos governos federal, estadual e municipal e organizações não governamentais; iii) colaborar na elaboração, discussão e aprovação do plano anual para a região; iv) apreciar o relatório anual e a prestação de contas da Coordenação Regional; v) promover a articulação com outros Colegiados existentes na região;  vi) monitorar e avaliar políticas públicas, pesquisas cientificas e outras atividades que impactem positiva e negativamente as comunidades em terras na região.

    A reunião do CRRN teve como tema a  Promoção e Proteção dos Direitos Indígenas do Rio Negro para o Bem-Viver, baseando-se na nova Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas – PNGATI, instituída pelo Decreto nº 7.745, de 5 de Junho de 2012, cujas diretrizes são: i) Proteção territorial e dos recursos naturais; ii) Governança e participação indígena; iii) Áreas protegidas, unidades de conservação e terras indígenas; iv)  Prevenção e recuperação de danos ambientais; v) Uso sustentável de recursos naturais e iniciativas produtivas indígenas; vi) Propriedade intelectual e patrimônio genético e vii) Capacitação, formação, intercambio e educação ambiental.

    A abertura da reunião foi realizada no Auditorio Wayuri do IFAM- Campus Sao Gabriel da Cachoeira, pela parte da tarde do dia 05/12, com discursos de abertura feitos pelo Coordenador do CRRN-Funai, Domingos Barreto, Almerinda Ramos- Presidente da Foirn, Lucia Alberta – Assessora da Presidencia da Funai/Brasilia, Carlos Travasso -Coordenador da CGIRC/FUNAI/Brasília-DF, e Valmir Parintintin- Chefe da Divisão da FUNAI. Lucia Alberta iniciou seu discurso apresentando o panorama atual da questão indígena, que segundo ela, é critico e exige o fortalecimento do movimento indígena brasileiro como o do rio Negro na luta pela defesa pelos direitos garantidos na Constituição Federal.  Pois, os direitos indígenas estão sofrendo ataques frequentes por parte do interesse do agronegócio por meio de elaboração de PECs e instrumentos por seus representantes no Congresso Nacional com objetivo de tirar os direitos conquistados pelos povos indígenas. ” Antes de começar a discutir nossas demandas, precisamos conhecer a situação atual em que vivemos” – disse.

    Almerinda Ramos, presidente da Foirn disse que o momento era muito importante para discutir e apresentar as demandas de cada regional, que serão  incluídas no plano bienal do CRRN-Funai 2014-2015, por isso, as lideranças precisavam participar, e fazer da reunião uma mesa de discussão, debate e definição de debates. “O momento de apresentar e falar das nossas demandas é agora, pois vocês estão aqui representando suas comunidades e associações. A reunião vai servir como mesa de discussão e debates” -concluiu a presidente. O segundo dia (06/12) começou com a apresentação de relatório de atividades pelo Domingos Barreto coordenador do CRRN-Funai e Andre Baniwa, onde foram apontando as realizações, avanços e dificuldades. E após a apresentação cada servidor da CRRN-Funai teve o espaço para compartilhar as dificuldades e desafios.

    Depois houve um espaço de debate, onde as lideranças questionaram, tiraram suas dúvidas e colocaram suas propostas. Algumas lideranças afirmaram que ficaram insatisfeitos com a desativação dos Postos de Fiscalização, que antes da reestruturação funcionavam nos pontos estratégicos da região. O professor Protásio, gestor da Escola Estadual Dom Pedro Massa de Pari Cachoeira, Alto Tiquie, disse que com a desativação dos postos de fiscalização, significou o aparecimento de sérios problemas, como a entrada de bebida alcoólica nos principais rios da região, afluentes do rio Negro, como Waupes, Içana e outros.

    Lideranças do distrito de Iauaretê, relataram casos de brigas e até de mortes causadas pelo consumo de bebidas alcóolicas, na “cidade do indio”, como é comumente conhecida, por ser um povoado multiétnico, que concentra maior número de pessoas. Segundo eles, a bebida alcoólica é vendida livremente do lado Colombiano, e para chegar lá é só atravessar o rio.

    Demandas para próximos anos: Plano de Trabalho 2014-2015.

    Participantes da reunião aprovam o relatório de atividades e o plano bienal 2014-2015 da CRRN-Funai
    Participantes da reunião aprovam o relatório de atividades e o plano bienal 2014-2015 da CRRN-Funai

    Manejo de Piaçava, Manejo de Recursos Pesqueiros, estudo de viabilidade de Turismo em Terra Indígena, Oficinas de Formação e Intercâmbio, Intensificar as fiscalizações em parceria com orgãos competentes, Comunicação e Energia Alternativa foram os destaques do Plano Bienal aprovado pelo Comitê. Mulheres Indígenas e Juventude também não ficaram de fora. As propostas encaminhadas ao final da V Assembleia Geral das Mulheres, realizado pelo Departamento de Mulheres Indígenas, foram apresentados e incluídas. Estão previstas a realização de encontros de formação e conscientização de jovens indígenas, para discutir e elaborar estratégias para minimizar os problemas enfrentados, como o alcoolismo, prostituição e outros

    Em paralelo, também foi discutido e proposto a realização de um grande encontro, denominado de “Parlamento Indígena”, que segundo o professor Gabriel Tukano de Taracúa – Médio Waupés, pode ser um meio de discutir e apresentar propostas de solução para os problemas comuns nas regiões do rio Negro. “Se os orgãos de fiscalização não conseguem estar presentes na região sempre, devemos mostrar que também somos capazes de criar nossas leis (indígenas), fiscalizar e cuidar das nossas terras, colaborar e somar forças com o que já é feito por eles (orgãos) na região”- completou o professor.

    Carta para Presidente da Funai 

    Nós indígenas representantes de 31 povos diferentes, 40 mil habitantes, 4 famílias lingüísticas, 750 comunidades indígenas que vivem em mais de 15 milhões de hectares das Terras Indígenas demarcadas e homologadas na região do Rio Negro e áreas requeridas em andamentos e servidores da Fundação Nacional do Índio – FUNAI/CRRN reunidos no período de 5 a 7 de dezembro de 2013 na maloca da FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) no Comitê Regional Rio Negro apresentamos o nosso plano de trabalho para o biênio 2014 e 2015. Solicitamos a Vossa Senhoria, além das ações propostas no Plano, a seguinte providência para viabilização de algumas propostas que requerem articulações interministeriais conforme as mais importantes prioridades que possam contribuir significativamente para diminuição de problemas sociais enfrentados pelos povos indígenas nas faixas de fronteiras internacionais e nas fronteiras de terras indígenas por onde entram bebidas alcoólicas e outras drogas.

    1. Articular com OTCA, Ministério da Justiça, Ministério dos Direitos Humanos, OIT, MRE, SESAI/MS, Secretaria Geral da Presidência da República para uma reunião juntos aos povos indígenas do Rio Negro com objetivo de discutir problemas enfrentados nas faixas de fronteira com entrada de bebidas alcoólicas e outras drogas com países vizinhos para que se planeje ação integrada de países para promoção e proteção dos direitos e bem estar da população indígena.

    Outra grande prioridade desta regional é dar continuidade às ações para regulamentar o processo de implantação do Turismo de Pesca Esportiva no Rio Marié com ações previstas a partir de janeiro de 2014. É importante regulamentar a atividade como fonte de geração de renda. Neste ano de 2013 realizamos os estudos ambientais e socioculturais necessários, organizando as comunidades para receber a atividade. Impedimos com o auxílio dos indígenas a entrada dos empresários, para garantir os levantamentos e organização das comunidades de abrangência da ACIBRN. No momento, necessitaremos dar continuidade ao processo de regulamentação e do apoio da FUNAI-sede. Segue abaixo a agenda de trabalho: – Assembleia da ACIBRN – 15 de janeiro. – Apresentação/aprovação do Termo de Referência para firmar acordo de pesca esportiva – 30 e 31 de janeiro. – Publicar o Termo de Referencia (abertura para empresas apresentarem propostas conforme o Termo) – 03 de fevereiro. – Oficina/Assembleia sobre Plano de Manejo da região da ACIBRN, discutir e votar sobre as propostas apresentadas pelas empresas interessadas – 23 a 27 de fevereiro. – Firmar contrato/acordo com a empresa conforme deliberações da oficina/assembléia. Segunda quinzena de março. Outra grande prioridade é apoiar os processos de demarcação das Terras Indígenas na região de jurisdição da CR Rio Negro, sendo estas: Terra Indígena Cué Cué Marabitanas (homologação) e Baixo Rio Negro I e II (identificação, declaração e homologação).

    Moção de repúdio sobre a Minuta de Portaria do Ministério da Justiça sobre novos procedimentos de Demarcação de Terras indígenas foram elaborados pelos participantes da reunião.

    A carta destaca:

    – não há motivos técnicos e jurídicos que fundamentem essa mudança dos procedimentos administrativos de reconhecimento territoriais indígenas, mas sim atendendo propósitos políticos de setores econômicos poderosos que visam o esbulho dos territórios indígenas e retrocesso das conquistas democráticas do estado brasileiro.

    –  o Ministério da Justiça tem por dever fazer “justiça” orientado pela Carta Magna brasileira, defendendo os direitos das populações indígenas, mas vem instaurando nas vidas das populações indígenas o sentimento de instabilidade e insegurança, mal sofrido há tantos séculos, antes da promulgação da constituição de 1988.