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  • 30ª Reunião do Conselho Diretor define tema para assembleias regionais e Geral da FOIRN

    A 30ª Reunião do Conselho Diretor da FOIRN, aconteceu entre 19 a 21 de janeiro na Casa dos Saberes (Maloca), em São Gabriel da Cachoeira. O evento reuniu cerca de 80 lideranças indígenas de todo o Rio Negro, para discutir temas de interesse, e, definir o tema das Assembleias Regionais (a serem realizadas pela Coordenadorias Regionais) e a Assembleia Geral da FOIRN prevista para o final de ano, que irá eleger nova diretoria. 

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    De 19 a 21 de janeiro, aconteceu mais uma reunião do Conselho Diretor da FOIRN, segunda maior instância (depois da Assembleia Geral) da FOIRN para discutir e debater temas importantes e de interesse  dos povos indígenas do Rio Negro. Participaram (o evento é livre ao público interessado) desta reunião os chamados ” Conselheiros Regionais” eleitos nas bases para representar suas comunidades e associações no âmbito das Coordenadorias Regionais (CABC, COIDI, COITUA, CAIARNX e CAIMBRN) por um período de 4 anos.

    Entre as principais pautas da reunião foram: – Leitura, discussão e aprovação do Parecer da Comissão Fiscal, Relatórios de atividades das coordenadorias regionais, Relatório de atividades da Diretoria Executiva da FOIRN e Departamentos (Mulheres, Educação e Juventude), e foram abordados temas como situação da saúde indígena no Rio Negro que resultou na elaboração da Carta de denúncia: O Calvário Indígena no Rio Negro, que expõe os principais problemas enfrentados pelos povos indígenas na região em relação a saúde.

    Foi também lida e aprovada pelos Conselheiros do Conselho Diretor da a Carta de Repúdio elaborada na VI Assembleia da Associação dos Professores Indígenas do Rio Negro (APIARN), realizada na primeira semana de janeiro. A carta se refere ao veto presidencial da proposta de Lei nº 5.954 de 2013 que visa assegurar às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas, bem como de processos próprios de aprendizagem e de avaliação que respeitem suas particularidades culturais, na educação básica, na educação profissional e na educação superior (leia a carta aqui).

    Movimento Indígena: Desafios e perspectivas será o tema das assembleias regionais e Assembleia da FOIRN em 2016

    De acordo com a presidente da FOIRN, Almerinda Ramos de Lima, a proposta de trabalhar o tema nas assembleias regionais e Assembleia Geral é discutir as principais dificuldades, os problemas e desafios enfrentados  atualmente pelo movimento indígena do Rio Negro. É avaliar a trajetória de luta, das conquistas desde o inicio, das dificuldades, mas, principalmente avaliar a gestão atual (2013-2016), e motivar as lideranças, especialmente os jovens participar ainda mais do movimento indígena, pois, os povos indígenas do Rio Negro e do Brasil vivem e enfrentam lutas diárias pelos direitos.

    “Será uma oportunidade para discutirmos as dificuldades, os avanços, os problemas, as conquistas, principalmente os desafios que temos pela frente, como movimento indígena do Rio Negro. Pois, nós povos indígenas vivemos hoje, um momento em que os nossos direitos são alvos de ataques pelas Propostas de Emendas Constitucionais no Congresso Nacional pelos representantes do agronegócio e outras bancadas, como a PEC 215 e muitos outros. Por isso, queremos discutir, fortalecer nossas estratégias de lutas, pois, a luta pelos nossos direitos conquistados na Constituição Federal não pode parar”, disse presidente.

    A Assembleia Geral prevista para o final de 2016 será fundamental para a elaboração de propostas e metas que deverão ser trabalhados para a nova diretoria que será eleita nesta assembleia.

    Outras atividades

    Nesta edição do Conselho, foram convidados os representantes de instituições locais, como a CRRN-FUNAI, SEMEC, DSEI-ARN e COIAB para prestar relatórios de ações realizadas em 2015, com a proposta de compartilhar informações para os conselheiros levar até as bases.

  • Denúncia: O Calvário Indígena no Rio Negro

    ” Saúde Indígena do Rio Negro morreu levando junto a mortes de muitos indígenas com doenças de causas curáveis”

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  • FOIRN e Associações de Professores Indígenas do Rio Negro repudiam o veto presidencial da proposta de Lei nº 5.954 de 2013

    FOIRN e Associação de Professores Indígenas do Rio Negro (APIARN), Comissão dos Professores Indígenas do Alto Rio Negro (COPIARN), Coordenadores das Escolas Indígenas do Alto Rio Negro e Assessores Pedagógicos Indígenas – APIs repudiam o veto presidencial da proposta de Lei nº 5.954 de 2013 que visa assegurar às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas, bem como de processos próprios de aprendizagem e de avaliação que respeitem suas particularidades culturais, na educação básica, na educação profissional e na educação superior.

    A carta foi elaborada durante a na IV Assembleia Ordinária da Associação dos Professores Indígenas do Rio Negro, apresentada e aprovada na 30ª Reunião do Conselho Diretor da FOIRN, entre 19 a 21 de janeiro.

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  • Projeto Telesaúde no Rio Negro

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    Em maio 2014 foi iniciado junto com a empresa canadense e-KSS Inc. o projeto Telesaúde Indígena do Rio Negro. O objetivo do projeto é o levantamento do perfil da saúde indígena das comunidades na região do Rio Negro como forma de promover o decréscimo da mortalidade infantil e materna. E assim, fortalecer a cultura local através do resgate e valorização dos conhecimentos e conhecedores indígenas sobre a saúde. Um exemplo é o mapeamento e resgate das parteiras indígenas como um dos elementos fundamentais desse processo.

    Para a realização do projeto, a FOIRN conta com a parceria e apoio da e-KSS Inc através do seu Programa “Telesaúde Indígena da Amazônia”, um programa pioneiro de empoderamento indígena cujos resultados representam um comprometimento por meio do “Programa Toda Mulher e Toda Criança” da Organização das Nações Unidas. A e-KSS trabalha com a FOIRN para conduzir pesquisa, transferir conhecimento, promover colaboração, prover assistência técnica, educação e treinamento em saúde, com o objetivo de empoderar os povos indígenas da Amazonia, assegurando desta forma a sustentabilidade de resultados em saúde voltados às mulheres e crianças indígenas.

    Experiências iniciais

    Em 2014 e 2015, a FOIRN através de suas coordenadorias regionais (COIDI, CABC, COITUA, CAIMBRN e CAIARNX), mobilizou as comunidades para indicarem uma pessoa para receber treinamento básico sobre a utilização dos equipamentos do projeto e técnicas de coleta e processamento de dados. Inicialmente, o projeto teve como pontos estratégicos experimentais comunidades de abrangências das coordenadorias CABC (Tunuí Cachoeira e Assunção do Içana – Região do Içana e Afluentes), COITUA (Taracúa – Baixo Uaupés e Pari Cachoreira – Tiquié) e COIDI (Iauaretê – Médio e Alto Uaupés e Rio Papuri). Foi nesses pontos que foram feitas coletas de dados e inicio dos trabalhos.

    No primeiro ano de atividades do projeto foi possível obter dados importantes sobre o perfil da saúde nas comunidades onde foram realizadas as coletas de dados. A vice – coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas da FOIRN, Francinéia Bitencourt Fontes, da etnia Baniwa, uma das coordenadoras do projeto disse que com a coleta de informações nas comunidades é possível conhecer e entender o perfil da saúde das mulheres e crianças graças ao Programa de Telesaúde Indígena. “Hoje já é possível acompanhar e entender melhor a situação de saúde das mulheres e crianças nas comunidades, e com isso, prever e buscar meios para garantir atendimento a eles remotamente em caso de necessidade”.

    Os agentes do projeto, voluntários indicados pela comunidade e treinados, chegam à comunidade e apresentam o projeto, os objetivos e os resultados que se alcançar. “Primeiro realizamos a parte de apresentação dos objetivos do trabalho, onde falamos também da importância do projeto para a luta pelos serviços de saúde de qualidade, e principalmente a importância de valorização de nossos conhecimentos relacionados à saúde. ”- disse Larissa Duarte, 21 da etnia Tukano.

    O levantamento é feito em parceria e colaboração com os Agentes Comunitários Indígenas de Saúde (ACIS) responsáveis direto pela saúde nas comunidades indígenas no Rio Negro. E após a coleta de informações em forma de planilha, os dados são enviados para o Centro de Telesaúde Indígena do Rio Negro na FOIRN em São Gabriel da Cachoeira, gerido pelo Departamento de Mulheres Indígenas.

    Próximos passos

    Junto com a e-KSS, as experiências de coleta de dados e gerenciamento de informações vão contribuir para a consolidação do Centro de Telesaúde Indígena do Rio Negro como parte dos objetivos de longo prazo do projeto assinado entre os dois parceiros.

    Com isso, será possível realizar programas como tele-educação em saúde, implementação de modelos eficazes de atendimento visando a integração de serviços de saúde baseados nas medicinas tradicional e ocidental e ainda, a promoção dos trabalhos visando o empoderamento dos povos indígenas do Alto Rio Negro quanto ao controle, acesso e propriedade de toda informação relativa à saúde e à prestação de serviços em saúde. Um resultado imediato do projeto é a capacitação para a triagem de pacientes e diagnósticos à distância, evitando assim uso indevido de recursos financeiros no transporte de pacientes e contribuindo diretamente para a otimização do sistema de saúde indígena.

    Há anos, a FOIRN vem discutindo formas de desenvolver uma ação voltada para a área de saúde indígena, além de controle social sobre as políticas públicas voltadas para a saúde indígena.

    Para diretor da FOIRN, Nildo José Milguel Fontes, Tukano, o projeto Telesaúde representa uma construção de autonomia e base para a gestão territorial no Rio Negro. “Através dos dados que estamos coletando estaremos formando um banco de dados necessário e importante para futuros projetos, que visam fortalecer a gestão do nosso território, que tem como uma das linhas de ações a saúde indígena”, disse.

  • Indígenas fazem manifestação contra PEC215 no Congresso Nacional

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    Por Erisvan Bone e Helena Indiara, da redação da Conferência Indigenista

    Aos gritos de “Fora Cunha” e “Não à PEC215” mais de mil e quinhentos indígenas de todo o país ocuparam o gramado do Congresso Nacional, nesta manhã, 16 de dezembro.

    A principal reivindicação é que a Proposta de Ementa Constitucional (PEC) 215 não seja aprovada pelos deputados. O projeto tem como intenção transferir a demarcação das terras indígenas do Executivo para o Legislativo, se tornando uma ameaça para os povos tradicionais do país.

    A manifestação foi pacífica, onde cada povo pode expor a sua indignação contra os ataques que vêm sofrendo por parte do governo brasileiro.

    Para Nara Baré, coordenadora executiva da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), a PEC 215 é um desrespeito e retrocesso para os povos indígenas. “Todos nós, só temos a perder com a aprovação da proposta, querem devastar as nossas florestas, nossas águas, nossa cultura e a vida que existe ali”, declarou.

    O deputado Chico Alencar, líder do PSOL, cumprimentou o ato feito pelos povos indígenas e foi presenteado com um cocar e uma camiseta contra a PEC215. O parlamentar declarou que é contra a proposta e que o Brasil precisa respeitar os povos originários. “Os povos indígenas têm o pleno direito aos seus territórios e costumes, e é preciso respeitar e valorizar a cultura dos povos nativos”.

    Os indígenas estão em Brasília participando da I Conferência Nacional de Política Indigenista, que vai até o dia 17 de dezembro.

  • Associações indígenas do Rio Papuri, debatem principais problemas e elegem diretorias para próximos 4 anos

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    Participantes da assembleia da UNIARVA realizado na comunidade Caruru Cachoeira, Alto Uaupés. Foto: Acrevo COIDI

    No mês de Outubro, duas associações de base da região do médio e alto Papuri realizaram suas assembleias. A primeira foi realizada entre 26 a 27 na comunidade Uirapixona, pela Organização das Nações Indígenas do Alto Rio Papuri (ONIARP). A segunda aconteceu em São Gabriel do Papuri, pela Organizações das Nações Indígenas do Médio Rio Papuri (ONIMIRP).

    Durante os dois dias de assembleia, a ONIARP reuniu participantes de 9 comunidades, e foi feito um diagnóstico dos problemas enfrentados na região, como a precariedade e ausência das políticas básicas como na educação e na saúde.

    ‘Não recebemos visita de representantes das instituições presentes no nosso município há muito tempo. Aqui tem muitas pessoas que não possuem a documentação básica. A equipe de saúde não chega, a merenda escolar só chega as vezes, e chega muito atrasado, as vezes incompleto’’, disse Miguel Andrade, liderança e participante da assembleia.

    A ONIMIRP reuniu participantes de 8 comunidades que representa na região do médio Papuri. Como na assembleia realizada no alto Papuri, os problemas também são os mesmos.

    Nas duas assembleias foram também feitas avaliações da trajetória da associação, suas conquistas, dificuldades e desafios.

    Um dos principais desafios atuais é o fortalecimento institucional delas, que as próprias comunidades reconheceram e se comprometeram se esforçar para ajudar nesse processo de fortalecimento.

    As assembleias também foram fundamentais para a troca de informações e experiências, bem como para eleger novas diretores. Pois, fazia mais de 10 anos que essas associações não realizava assembleias.

    Associação do Alto Uaupés realiza assembleia em Caruru Cachoeira

    A União das Nações Indígenas do Alto Rio Vaupés (UNIARVA) também realizou assembleia no mês de outubro.

    Como na região do Rio Papuri, as comunidades do Alto Uaupés, também debateram e elaboraram propostas e metas por quais irão lutar nos próximos anos.

    A diretora presidente Almerinda Ramos participou dessas assembleias, e falou das atividades realizadas pela FOIRN e suas principais ações atualmente, entre elas, a luta e defesa pelos direitos indígenas, a sua principal missão institucional.

    A realização das assembleias na região do Rio Papuri e Alto Uaupés, contou com apoio dos projetos institucionais da FOIRN apoiados pela Rainforest e Embaixada Real da Noruega.

    Para a Presidente da FOIRN, as assembleias são espaços importantes para a discussão e debates dos problemas enfrentados nas bases, como também para renovar forças e esperanças para continuar a luta pelos direitos e fazer o controle social das políticas públicas.

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    Diretorias eleitas

    – ONIARP

    João de Jesus F. Dias – Presidente
    Antônio Oribe Dias – Vice Presidente
    Batista Duque Dias – Secretário
    Elvalene Rodriguês – Tesoureira

    – ONIMIRP

    Eladio Braga – Presidente
    Reinaldo Goés Ferreira – Vice Presidente
    Ismael Sampaio – Secretário
    Reginaldo Restrepo – Tesoureiro

  • VII Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro foi realizado em Barcelos/Am

    ENCONTRO DE PRODUTORES

    O evento

    O VII Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro reuniu mais de quarenta participantes na sede do município de Barcelos, entre 13 a 15 de agosto, com o objetivo de discutir a política de preços dos produtos indígenas, o acesso aos programas de incentivo do governo à produção agrícola, e definição da realização do I Festival da Mandioca do Rio Negro.

    A proposta do primeiro dia foi realizar um mapeamento de iniciativas que visam promover a sustentabilidade na região, através de alternativas econômicas e geração de renda. Assim, as organizações indígenas presentes no evento apresentaram algumas iniciativas bem sucedidas já em curso – como a “Pimenta Baniwa”, o “banco Tukano” e a “Castanha da Amazônia”, produzida e comercializada pela cooperativa da reserva extrativista do Rio Uninni –, e também experiências em processo de construção e consolidação, como a Associação dos Artesãos Indígenas da Comunidade de Areal (AAICA), a Associação de artesãos da comunidade São Gabriel Mirim, no Alto Rio Negro, e o Núcleo de Artes e Cultura Indígena de Barcelos (NACIB), que desenvolvem um trabalho de organização de artesãos e artesãs para a produção de artesanatos com matérias-prima, cada uma com sua especialidade. Por exemplo, os artesãos de São Gabriel Mirim produzem artesanatos usando mais de uma matéria-prima, como tucum, sementes e arumã, ao passo que a AAICA trabalha exclusivamente com o arumã e a NACIB com a fibra de piaçaba. As ceramistas Tukano, da Associação de Mulheres Indígenas de Taracuá (Amirt), também apresentaram experiências de trabalho.

    O que define o preço dos produtos indígenas do Rio Negro.

    Um dos objetivos propostos para o VII Encontro de Produtores foi a discussão e a atualização de preços dos produtos. De acordo com Neiva Souza, Gerente da loja Wariró, da FOIRN, a última atualização da tabela de preços foi feita em 2008. Desde então a tabela usada pela loja para comprar produtos dos artesãos e artesãs indígenas é a mesma.

    Um artesão Baniwa da AAICA disse que desistiu de vender seus produtos à Loja Wariro há algum tempo, devido à defasagem nos preços e problemas na gerência. “Quando chegava para vender meus produtos na Wariró, não tinha dinheiro para a loja comprar ou as vezes deixava meus produtos para serem vendidos, mas, o dinheiro não era repassado” – lembra o artesão. Contudo, com a troca da gerência e com a nova forma de pagamento aos produtores, adotada pela loja, este artesão voltou a vender seus ali produtos, retomando a parceria e a colaboração no processo de valorização do artesanato indígena, incentivando, assim, o uso dos conhecimentos relacionados à arte indígena para geração de renda.

    O exercício de discussão e elaboração de tabelas de preços foi feito por grupos de trabalho, organizados por coordenadorias regionais. O formato de organização dos trabalhos foi proposto pelos participantes, liderados pelo mestre Clarindo Maia Tariano, um dos fundadores do NACIB. Clarindo defende que cada regional do Rio Negro vive em contextos diferentes, especialmente no que diz respeito ao custo de vida. “Hoje o frango, o peixe e todos os produtos industrializados que precisamos ou usamos nas nossas casas estão ficando caros, e porque nossos produtos continuam sendo muito baratos” – disse a professora Elizângela da Costa, da Comunidade São Gabriel Mirim, uma das líderes do movimento de artesãos da região do Alto Rio Negro.

    O que considerar para dar preço aos nossos produtos? Wilde Itaborahy e Natasha Mendes, ambos do Instituto Socioambiental, mediaram o debate introdutório para o início dos trabalhos, que terminou com tabelas de produtos e preços, que foram apresentados pelos grupos ao final do segundo dia do encontro.

    De acordo com a Gerente da Wariró, algumas propostas elaboradas pelos grupos serão incorporadas daqui por diante; outras passarão por um processo de avaliação e critério, e sofrerão alguns ajustes antes de passarem para a tabela final de preços.

    Acesso aos programas do governo

    No último dia, foram apresentados alguns programas do governo (as chamadas “Compras Públicas”), como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentação), PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e Compra Institucional.

    Contudo, a partir de questionamentos dos próprios participantes da oficina, o expositor esclareceu que, a despeito dos avanços na área, ainda há alguns obstáculos a serem vencidos antes da universalização destes programas. É necessário que os agricultores se organizem, e que estejam com sua situação fiscal regularizada, e com documentação pertinente em dia (como o DAP – Declaração de Aptidão ao Pronaf).

    Assim, existem desafios para que os agricultores comecem a acessar a esses programas. Um deles está relacionado com organização e documentação. O outro é a falta de cumprimento da legislação, da parte dos gestores municipais. O recurso destinado para a compra da merenda regionalizada, por exemplo, não é usado como previsto, atestaram participantes vindo dos três municípios do Rio Negro. Ainda há a questão de processos que foram iniciados e que não tiveram continuidade, ou que foram interrompidos por problemas de gestão.

    I Festival da Mandioca dos Povos do Rio Negro será em Barcelos

    Uma das pautas de discussão foi o Festival de Mandioca, proposto no sexto encontro de produtores, realizado em outubro do ano passado em São Gabriel da Cachoeira. A proposta do festival é reunir representantes de várias etnias indígenas do Rio Negro para um intercambio cultural, e dessa forma disseminar experiências e práticas relacionadas à agricultura e a roça, promovendo a valorização e a divulgação do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil em 2010 pelo IPHAN.

    Previsto para setembro de 2015, em Barcelos, o I Festival da Mandioca já tem uma pré-programação elaborada no encontro. Apresentações culturais, jogos indígenas, exposição e venda de artesanatos são as propostas iniciais de programação. E, ainda, a apresentação dos processos de fabricação dos produtos derivados da mandioca, como a farinha.

    Oficinas, palestras sobre direitos indígenas e sobre a valorização dos conhecimentos tradicionais e a conservação de biodiversidade completam a proposta o I Festival da Mandioca do Rio Negro.

  • Começa a elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Kotiria e Kubeo, no Alto Rio Negro

    Começa a elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Kotiria e Kubeo, no Alto Rio Negro

    Participantes da Oficina. Foto: Sergio Oliveira.
    Participantes da Oficina. Foto: Sergio Oliveira.

    Em julho passado teve início a elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) Kotiria (Wanano) e Kubeo. Proposto e gerido pela Associação da Escola Khumunu Wu’u Kotiria (Asekk), e financiado pelo Programa Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI/MMA), este PGTA envolve 14 comunidades do Alto Rio Uaupés e abrange uma área de aproximadamente 1,3 milhão de km2.

    O início do projeto foi marcado pela realização de duas oficinas de etnomapeamento e diagnóstico participativo nas comunidades de Caruru-Cacheira e Açaí. Nas oficinas, que tiveram duração de cinco dias cada, foram produzidos mapas mentais, croquis das roças e das comunidades, uma linha do tempo onde foram localizados os fatos marcantes da história de cada grupo, calendários ecológicos, entre outros materiais, de modo a subsidiar a discussão das noções de território, ambiente, gestão e sustentabilidade.

    O projeto, que terá a duração de um ano, prevê a publicação de um diagnóstico preliminar da situação socioambiental da área, além da elaboração de mapas temáticos com os recursos materiais e simbólicos imprescindíveis para a reprodução física e cultural dos grupos envolvidos. O diagnóstico será elaborado a partir da investigação conduzida pela equipe de pesquisadores indígenas (seis Kotiria e três Kubeo), que foi capacitada durante as oficinas. Ao longo dos próximos meses, estes pesquisadores irão produzir censos, entrevistas, diários de campo, mapear pontos importantes de seu território com o auxilio de aparelhos de GPS, realizar reuniões com as comunidades, entre outras atividades. No início de 2015, serão realizadas mais duas oficinas para a sistematização e validação das informações produzidas.

    A coordenação geral do projeto está sob responsabilidade do presidente da ASEKK Edmar Sanchez. Na coordenação técnica estão o linguista Thiago Chacon, o antropólogo Pedro Rocha e o biólogo Igor Richwin. No apoio aos pesquisadores indígenas estão os antropólogos Diego Rosa Pedroso e João Pimenta da Veiga. Na parte administrativa, o projeto conta com o apoio da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).

    Espera-se que o projeto venha contribuir para a construção de um Plano de Gestão Territorial e Ambiental na Terra Indígena Alto Rio Negro, em diálogo com iniciativas similares na região. A aposta é que no futuro se possa enfrentar de maneira integrada os desafios e expectativas de médio e longo prazo dos povos indígenas da região, contribuindo para a implementação da Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial de Terras Indígenas (PNGATI), nos moldes do Decreto N° 7747 de 2012.

    Divulgação Equipe do PGTA Kotiria e Kubeo

  • III Seminário Interno de Educação Escolar Indígena será em Iauaretê

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    O “Projeto Seminários de Educação Escolar Indígena” já realizou dois Seminários Internos, uma no final de janeiro em Itapereira – Médio Rio Negro, e a segunda aconteceu em Taracúa, no final de fevereiro e início deste mês. No total já foram reunidas mais de 200 pessoas, entre estes, professores indígenas, gestores de escolas, estudantes indígenas, lideranças comunitárias e de associações.

    A programação para todos os seminários é o mesmo, mas, os resultados de cada encontro variam de região para região, pois, umas já discutem o tema há algum tempo ou já possuem vários anos de experiências, enquanto outras apenas estão começando. Mas, o foco é reunir dados, experiências em cada encontro para o Seminário Regional que está prevista para acontecer em maio na Casa dos Saberes da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira, que propõe ser o encontro da diversidade e de experiências sobre o tema no rio Negro, como também ser o espaço de diálogo com o governo, para pactuação de acordo em prol da melhoria da educação escolar indígena no rio Negro, no âmbito do Territorio Etnoeducacional do Rio Negro.

    Os eventos realizados também estão servindo como espaços de intercâmbios de experiências. Lideranças e professores de regiões como Içana e Tiquié, onde, as primeiras escolas indígenas, denominadas “pilotos” foram implantadas, e que, hoje, já passam de mais de 10 anos de experiências, estão presentes em cada evento realizado, com o objetivo de compartilhar as dificuldades, os problemas e os avanços durante esse tempo. Esses aprendizados, são importantes de acordo com a professora Enegilda Maria de da Escola Sagrada Coração de Jesus de Taracúa. “As experiências de outras escolas são importantes para nós, elas, nos animam e contribuem para sabermos onde e como devemos continuar a luta em busca de uma educação escolar indígena. Já realizamos muitas coisas boas e diferentes aqui, mas, sempre desistimos, devido a forte exigência do sistema de educação, que não é flexivel, e com isso, não abre espaço para trabalhamos a questão cultural na nossa escola”- diz a professora.

    Como também os eventos realizados pelo Projeto nas comunidades, os Seminários Internos, está levando informações sobre os direitos indígenas, as legislações sobre a educação escolar indígena no âmbito municipal, estadual e federal. E como também sobre o PNGATI, que ainda é pouco conhecido. E a FOIRN/FUNAI-CRRN entre outros parceiros, como o ISA, estão através do Projeto, criando espaços para que informações sobre os direitos sejam levados até as bases, como também dando oportunidade para que as próprias escolas, os professores, os estudantes, os pais e as lideranças, avaliem e propõe melhorias para a escola que estão tendo nas suas regiões e comunidades.

    No seminário realizado em Taracúa, o Diretor de referência da região da COITUA, Nildo Fontes, reafirmou que a FOIRN, existe ou foi criada para criar esse tipo de espaço, fazer as próprias comunidades e associações discutir e apontarpara a Federação, o que querem e como ela deve trabalhar para atender as demandas, ou contribuir na busca de melhorias para o bem-viver da população, nos temas mais abrangentes como a educação escolar e entre outros.

    Iauaretê 

    Vista de Iauaretê, local do III Seminário Interno de Educação Escolar Indígena no Rio Negro.
    Vista de Iauaretê, local do III Seminário Interno de Educação Escolar Indígena no Rio Negro.

    O próximo encontro está prevista para acontecer em Iauaretê – rio Waupés, conhecida pela sua diversidade cultural e por outros aspectos, como riquezas cultural, entre elas, a Cachoeira das Onças . O encontro vai acontecer nos dias 17 a 19 deste mês. E vai reunir público, do Alto Waupés e do Rio Papurí.

  • XXV Reunião do Conselho Diretor da FOIRN começa na quarta-feira, 23/10.

    Pautas:

    1. Papeis e responsabilidades estatuárias de uma organização civil (palestra);
    2. Relatório da Comissão Fiscal;
    3. Relatório de atividades da FOIRN (maio a setembro de 2013);
    4. Avaliação de atuação de lideranças indígenas indicadas para cargos públicos municipais, estaduais e federais pelo movimento indígena (FOIRN);
    5. Avaliação de atuação institucional das ONGs nas regiões de abrangência da FOIRN;
    6. Relatórios de atividades das instituições públicas municipais, estaduais e federais que atuam nas comunidades de abrangência da FOIRN;
    7. Alcoolismo e uso de drogas entorpecentes nas comunidades indígenas;
    8. Fundo FOIRN

    Programação:

    Dia 23/10/2013 – Quarta-Feira;

    •  8:00 à 8:30 hs – Abertura (palavras de boas vindas e aprovação das pautas e programação);
    • 8:30 à 10:00 hs – Parecer da Comissão Fiscal (Presidente da Comissão Fiscal).
    • 10:20 à 12:20 hs- Fundo FOIRN (Conselheiros e Diretoria Executiva);
    • 14:00 à 16:00 hs – Relatório de Atividades/FOIRN (maio a setembro/Diretoria executiva);
    • 16:20 à 18:20 hs – Análise, avaliação e aprovação do relatório (conselheiros).

    Dia 24/10/2013 – Quinta-Feira;

    •  8:00 à 10:00 hs – Organização, responsabilidades e limitações estatuárias de uma instituição;
    • 10:20 à 12:20 hs – Avaliação de atuação das ONGs nas regiões de abrangência da FOIRN (Coordenadorias, conselheiros e diretoria executiva da FOIRN);
    • 14:00 à 16:00 hs – Avaliação de atuação de lideranças indígenas indicadas para cargos públicos municipais, estaduais e federais pelo Movimento Indígena do Rio Negro/Associações e FOIRN (Lideranças Indígenas convidadas, conselheiros e diretoria executiva);
    • 16:20 à 18:20 hs – Alcoolismo e uso de drogas entorpecentes nas comunidades indígenas (Coordenadorias, conselheiros, diretoria executiva e convidados);
    • 19:30 à 21:30 hs – Relatórios de atividades da COIAB e COIPAM (Max e Fidelis Baniwa).

    Dia 25/10/2013 – Sexta-Feira;

    •  8:00 à 10:00 hs – Relatórios de atividades das instituições públicas municipais, estaduais e federais que atuam nas comunidades indígenas da abrangência FOIRN: – SEMEC/SGC; – SEMEC/SIRN; – SEMEC/BARCELOS e SEDUC/AM/SGC;
    • 10:20 à 12:20 hs – apresentação de relatórios de atividades: DSEI/RN (Informes); – DSEI/RR (Saúde dos Yanomami no Alto Rio Negro).
    • 14:00 à 16:00 hs – apresentação de relatórios de atividades (Continuação): FUNAI/SGC;- SEIND/AM; – Instituto Chico Mendes/SGC;
    • 16:20 à 18:20 hs – Encaminhamentos, avaliação e encerramento da XXV Reunião do Conselho Diretor.

    Obs: As pautas e programação definitivas serão aprovadas na abertura da reunião no dia 23 de outubro. IMPORTANTE: O local da reunião será no Pontão de Cultura/FOIRN.