Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (Acibrn), Associação Ahkó Iwí (Água e Terra) são duas associações de base da Foirn localizadas na Terra Indígena Médio Rio Negro I. A primeira desenvolve o Projeto de Base Comunitária do Rio Marié há mais de 8 anos. A segunda, está com iniciativas em fase de construção de projetos, um relacionado à Projeto de Base Comunitária no rio Curicuriarí e Trilha da Bela Adormecida.
Para retomar as atividades esse ano, foi realizado em parceria com a Foirn, Funai (CR Rio Negro) e Instituto Socioambiental (ISA) uma viagem de mobilização nas comunidades dessas duas associações. Na mobilização, informações e orientações foram dadas sobre a construção dos projetos, no caso, da Ahkó Iwí e atualização sobre a gestão do projeto, acordos de monitoramento e vigilância do território e cumprimento do contrato, no caso da Acibrn.
Foram relatadas entradas ilegais de lanchas e pescadores dentro do território, considerado dentro do plano de gestão e fiscalização como áreas destinadas exclusivamente para as atividades de turismo.
As comunidades reafirmaram a importância da realização dos projetos na região, pois, além de contribuir na geração de renda, fortalece a gestão dos territórios dos povos que vivem na região.
Encontro na comunidade Castanheirinho – Médio Rio Negro. Foto: Eucimar Aires/Foirn
Na mobilização, a Foirn entregou exemplares dos livros do PGTAS das Terras Indígenas do Médio Rio Negro I, Médio Rio Negro II e Rio Téa, como devolutiva de um trabalho conjunto feita com as comunidades indígenas e suas organizações de base, que são documentos que orientam o diálogo com o poder público e órgãos não governamentais, como também definem pautas prioritárias para essa região.
A viagem de mobilização ocorreu nos dias 25 a 28 de fevereiro, foram visitadas 3 comunidades na área de abrangência da Associação Ahkó Iwí e 14 comunidades na região de atuação da Acibrn. A equipe foi composta por Tifani Máximo (Departamento de Negócios Socioambientais/Foirn), Jéssica Martins (Instituto Socioambiental), Guilherme Costa Veloso (Funai/CR Rio Negro), Gelvani da Silva (Presidente da Acibrn) e Abrahão França (Presidente da Ahkó Iwí).
Em destaque (com microfone na mã0), Rosilene Menez, presidente da Associação Indígena de Barcelos. Foto: Acervo Asiba
Eleita em Outubro de 2021 na comunidade Cauburis, a atual diretoria da Associação Indígena da Barcelos (Asiba), mobilizou sua base no dia 26.02 para apresentação de relatórios das articulações externas e atual situação da documentação jurídica da associação, como a regularização do CNPJ.
Rosilene Menez, atual presidente da associação, falou da atualização da logomarca da associação, do Projeto aprovado pelo Fundo Indígena do Rio Negro e da reforma da sede, que será iniciado em breve, com objetivo de reestruturar e fortalecer a luta pelos direitos e defesa dos territórios indígenas. Lembrou ainda que existem vários desafios pela frente, e destacou que um dos problemas que deve ser combatido é o alcoolismo nas comunidades indígenas.
Sobre articulações externas, relatou de sua participação na delegação de lideranças indígenas que cumpriu uma agenda de mobilização e articulação com os órgãos públicos na capital do estado, e que uma das reivindicações feita pela Foirn e suas bases foi o fortalecimento e adequação da implementação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que resultou no dia anterior, a reunião do MPF-AM convocando e cobrando uma apresentação de agenda de trabalho, pelo município de Barcelos.
Em destaque, Marivelton Rodrigues Baré – Presidente da Foirn participou da reunião da Asiba em Barcelos. Foto: Acervo Asiba
Presente na reunião, Marivelton Rodrigues Baré – Presidente FOIRN, reafirmou a importância da luta e atuação da Asiba, pois, tem sido importante para a retomada da valorização da cultura e identidade dos povos que moram na região, que foram mais afetados ao longo do contato com não indígenas, e que com a mobilização e luta das lideranças indígenas que estão na frente da associação tem contribuído na valorização da identidade indígena tradicional, línguas e costumes.
Cerca de 150 pessoas participaram da reunião realizada na sede da associação em Barcelos.
Em destaque, Marivelton Rodrigues Baré presidente da FOIRN participa da reunião online com o MPF-AM no município de Barcelos. Foto: Asiba
A pedido da Associação Indígena de Barcelos (Aisiba), base da Foirn, o Ministério Publico Federal (MPF-AM) convocou uma reunião com instituições locais no dia 24.02 para discutir e cobrar a implementação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no município de Barcelos.
Na reunião o MPF-AM cobrou da prefeitura, secretarias de educação, secretaria de finanças, IDAM e ASIBA apresentação de um plano de trabalho sobre a implementação do PNAE na próxima reunião prevista para 10 de março.
O MPF-AM recomendou a construção de e editais e chamadas públicas acessíveis para a participação dos produtores moradores no entorno da cidade ou comunidades indígenas do município. Que o IDAM disponibilize técnicos, que o movimento indígena e órgãos municipais devem auxiliar e assessorar no processo de construção das chamadas públicas do programa.
Presidente da ASIBA disse que é de suma importância para o município começar a discutir e avançar sobre esse assunto para ter merenda de qualidade nas escolas e valorizar o sistema agrícola do município de Barcelos.
Presidente da ASIBA, Rosilene Menez, relata a dificuldade e a necessidade de avançar nas discussões e implementação do programa no município de Barcelos.
“Ver outros municípios avançando e a gente nada, isso nos deixa muito triste, precisamos ter essa discussão, pois temos esse lado negativo do executivo que não nos apoia, não facilita e não tem um diálogo aberto com a gente, isso faz com que a gente tenha mais garra para brigar, lutar e ir para frente. Hoje como movimento indígena, à frente da associação é um dos assuntos que pretendemos abordar e avançar. Valorizar aquilo que é de cultura nossa, é uma bandeira que a ASIBA pretende e vai levantar”, afirma.
Com o papel de articulador e mobilizador do fortalecimento das ações do programa em São Gabriel da Cachoeira e em Santa Isabel do Rio Negro a Foirn assumiu o compromisso de também acompanhar a pauta no município de Barcelos.
Presidente da Foirn, Marivelton Rodrigues Baré lembrou que é obrigação e responsabilidade do poder público municipal implementar o PNAE nos municípios, e precisa ser feito de forma que beneficie os agricultores indígenas que moram nas sedes dos municípios e comunidades indígenas.
“O que não pode acontecer é deixar de investir recursos destinados por lei à merenda regionalizada”, afirmou.
A reunião contou participação da Foirn, Prefeitura de Barcelos, MPF-AM (online) e representantes do IDAM central e local do município de Barcelos, Instituto Socioambiental (ISA), Câmara Municipal de Barcelos, Secretaria Municipal de Educação, Centro Colaborador em Nutrição e Alimentação Escolar (CECANE/UFAM) e CATAPROA.
Com microfone na mão, Vamberto Plácido Baré, presidente empossado começa gestão no Médio Rio Negro. Foto: Marivelton Rodrigues/Foirn
Neste ano a Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas (Acir) completa 29 anos de fundação. E ao longo de sua história de atuação, se destaca na luta e defesa dos territórios e desenvolvimento de projetos que visam o fortalecimento das comunidades, proteção do território e valorização cultural.
A Acir está sediada na comunidade Cartucho, médio Rio Negro, representa as comunidades Aruti, Plano, Massaraby, São João II, Castanheiro, Wacará, Uabada II, Boa Vista, Abianai, Maricota e Ilha do Chile, localizadas no município de Santa Isabel do Rio Negro.
No último dia 15, tomou posse a nova diretoria da associação, em uma cerimônia realizada na comunidade Cartucho que contou com a presença do Marivelton Rodrigues Barroso (Presidente da Foirn), representantes da Prefeitura Municipal de Santa Isabel do Rio Negro, Conselho Distrital de Saúde Indígena do Alto Rio Negro (CONDISI) e Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM).
Eleito e empossado presidente da Acir, Vamberto Plácido Rodrigues tem como um dos trabalhos prioritários coordenar as ações do Projeto de Turismo Serras Guerreiras e a implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambientais das comunidades que fazem parte da associação e localizadas na Terra Indígena Médio Rio Negro II.
Nova diretoria da Acir foi empossado no dia 15 de janeiro de 2022. Foto: Marivelton Rodrigues/Foirn
Diretoria eleita em dezembro que tomou posse no dia 15 de janeiro:
A nova diretoria da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (Acimrn), eleita no dia 05 de novembro de 2021 na comunidade Açaituba, durante a IX Assembleia Geral Eletiva da ACIMRN, tomou posse, no último dia 7 de janeiro, em uma tradicional cerimônia de posse, que a associação realiza quando começa cada nova gestão.
O presidente eleito, Adilson da Silva Joanico, do povo Baniwa, destacou a importância e a responsabilidade de assumir uma das maiores associações de base da região do Médio Rio Negro, com uma trajetória de luta, de conquistas, como também de grandes desafios. Segundo ele, a união e parcerias são fundamentais para a continuidade dos trabalhos realizados pela associação até aqui.
“Para mim será uma nova experiência na minha caminhada, espero me unir com várias pessoas e assim caminhar e trabalhar juntos em busca do bem viver para nossas comunidades e visando um futuro melhor para todos que fazem parte dessa associação tanto das comunidades indígenas e os indígenas moradores da cidade”, disse.
“Como presidente e a diretoria eleita, temos o desafio de dar continuidade dos trabalhos iniciados na gestão anterior e buscar novos projetos para executar junto com as nossas comunidades. E mantendo sempre a luta e defesa dos direitos indígenas como principal missão da instituição, e é o que vamos continuar”, completou.
Hoje com 28 anos, Adilson já acumulou várias experiências antes de ser eleito presidente, como Catequista, pesquisador Agente Indígena de Manejo Ambiental (AIMA), Comunicador Indígena da Rede Wayuri, Coordenador Indígena de Turismo de Pesca de Base Comunitária Rio Jurubaxi e Secretário da Acimrn (na gestão passada).
Além da diretoria, Conselho Deliberativo e Fiscal também foram empossados durante a cerimônia, que contou com mais de 100 participantes, entre estes, lideranças históricas da associação e convidados como o Marivelton Barroso Baré (Presidente da Foirn), e representantes de organizações e instituições parcerias como Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami (Secoya), Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM), Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (DSEI-ARN), Fundação Nacional do Índio (FUNAI-CR Rio Negro). Representantes do poder executivo (prefeito em exercício e secretários) e legislativo do município de Santa Isabel também participaram da cerimonia.
Diretoria eleita. Da esq. à dir. Adamor Pinheiro, Eliezer da Silva Sarmento, Eldenir dos Santos, Rodrison Murilo, Joaquim Rodrigues e Adilson Joanico
Nome dos diretores eleitos: Presidente: Adilson da Silva Joanico – Baniwa; Vice: Joaquim Rodrigues Costa – Baré; Secretário: Rodrison Murilo Maia – Baré; Secretário Suplente: Eldenir dos Santos Bento – Baré; Tesoureiro: Eliezer da Silva Sarmento – Tukano; Tesoureiro Suplente: Adamor Pinheiro Serrão – Baré.
A XVI assembleia da Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (Acibrn) foi realizada na comunidade Tapuruquara Mirim no dia 20 de dezembro e reuniu 100 pessoas participantes, entre estes, 65 lideranças delegados das comunidades que compõem a associação.
Mulheres Indígenas das comunidades associadas à ACIBRN participam da assembleia. Foto: Eucimar Aires/Foirn
Eleição da nova diretoria e avaliação dos trabalhos da gestão atual foram as principais pautas da assembleia que reuniu as comunidades Tapuruquara Mirim, Arurá, Itapereira, Nova vida, Irapajé, Castanheirinho, Mafi, Vila Nova, Cajuri, São Pedro, Livramento I, Boa Esperança e Bacabal, estas localizadas na Terra Indígena Médio Rio Negro I.
Na apresentação dos trabalhos pela diretoria, foram destacados algumas dificuldades, especialmente no período da pandemia que afetou diretamente a principal atividade da associação, o Projeto Pesca Esportiva no Rio Marié. Mas, também avanços foram apresentados, como a aquisição de equipamentos e estruturas para o funcionamento da atividade e benefícios para as comunidades envolvidas.
Antes de 2014 quando o projeto foi definido e lançado, já existia turismo de pesca no Marié de forma desordenada onde as empresas disputavam a exclusividade de acesso, firmando contratos precários diretamente com algumas lideranças, desconsiderando a organização das comunidades. Empresas e comunidades não assumiam as responsabilidades necessárias à gestão sustentável e participativa da atividade.
A partir de 2014, a Acibrn junto com os parceiros como a Foirn, Instituto Socioambiental e órgãos governamentais como Ibama, Exército, Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira e da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas do Amazonas, organizou o projeto Marié, que além de gerar renda para as comunidades envolvidas, busca o dialogo com os modos de vida e conhecimentos tradicionais, respeitando a autonomia das comunidades indígenas e investindo em relações inovadoras entre empresas e comunidades. (Saiba mais: https://foirn.blog/2014/05/06/foirn-e-acibrn-firmam-parceria-para-desenvolver-a-pesca-esportiva-no-rio-marie/).
Após oito anos, hoje, o projeto é considerado modelo de projeto de turismo e iniciativa sustentável em Terra Indígena, já garantiu benefícios de forma coletiva as comunidades por meio da Acibrn e Foirn. A partir desse projeto a associação conseguiu estruturar e manter base de vigilância do território em cumprimento ao plano de manejo e plano de proteção Territorial.
O IBAMA é parceiro governamental do projeto que realiza avaliação dos estoques pesqueiros e capacidade de carga antes e pós-temporada anualmente.
Eleição da nova diretoria
Antes da pauta da eleição, a assembleia indicou de dois representantes da juventude para a Rede de Juventude Indígena e duas mulheres para a Rede de Mulheres, ambas as redes, são coordenadas pelos dois departamentos da Foirn, o departamento de jovens e departamento de mulheres.
Orientado por um regimento interno elaborado e aprovado na assembleia, a eleição de nova diretoria foi composta por 02 chapas. A apuração apontou a vitória da chapa 02 por 50 votos. E chapa 01 ficou com 15 votos.
Diretoria eleita na XVI Assembleia da ACIBRN realizada na comunidade Tapuruquara Mirim. Foto: Eucimar Aires/Foirn
A jovem diretoria da Acibrn para a gestão 2022 a 2025 será composta por:
Geovani da Costa Silva (Baniwa) – Presidente (Comunidade Bacabal)
Marivaldo Bruno do Nascimento (Baré) – Vice Presidente (Comunidade Vila nova)
Juscelino Benjamim da Silva (Baniwa) – Secretário Titular (Comunidade Castanheirinho)
Evaldo Bruno Martins (Baré) Tesoureiro Titular (Comunidade Arurá)
Wilmer Maurício Dias Lozano (Wanano) Tesoureiro Suplente (Comunidade Nova Vida).
A Foirn participou da assembleia representada por: Marivelton Rodrigues (Presidente), Glória Rabelo (Departamento de Mulheres), Sheinne Diana (Departamento da Juventude), Hildete Araújo (Secretaria Administrativa), Cloves Torres (Administrador de Equipes), Gilson Pascoal (Logística) e equipe de comunicação (Gicely Caxias, Eucimar Aires e Admilson Andrade).
O 1º Encontro de Turismo Indígena do Rio Negro ocorreu na comunidade de Duraka, situada na Terra Indígena Médio Rio Negro I, em São Gabriel da Cachoeira (AM), entre os dias 10 a 12 de dezembro. Reunir as iniciativas que já existem e identificar novas comunidades que desejam fazer parte deste roteiro foi um dos objetivos do encontro.
Atualmente, existem 17 iniciativas de turismo indígena mapeadas na região, sendo algumas delas já em plena atuação, como o turismo de pesca esportiva em Santa Isabel do Rio Negro (rios Marié e Jurubaxi) e o roteiro Serras Guerreiras de Tapuruquara. O turismo Yanomami ao Pico da Neblina terá sua primeira expedição comercial em janeiro de 2022.
Em um ambiente colaborativo com muitas trocas de informações entre as inciativas também aconteceram apresentações sobre a Cadeia de Turismo, Relação Anfitrião-Turistas e Cultura Alimentar como Atrativo Turístico.
A mesa redonda sobre “Turismo como ferramenta de governança e segurança nos territórios indígenas”, contou com a participação de Marcos Wesley Oliveira-Coordenador Programa Rio Negro do ISA, Júlio José Araújo Júnior-Procurador MPF, Renata Carolina Correa Vieira- Advogada/ISA, Ricardo Peixoto-General 2ª BDA INF SL, Carlos Marcelo da Silva-Major 2ª BGDA INF SL, Ernani Sousa Gomes-Coordenador Dsei-ARN, Ernesto Rodriguês Estevão – Coordenador CAIMBRN e Marivelton Rodrigues Barroso-Diretor Presidente da FOIRN. A mesa discutiu a segurança e defesa dos territórios e papéis das organizações indígenas no território junto às iniciativas de turismo da região.
O turismo em terras indígenas segue as diretrizes da IN03/2015, instrução normativa da Fundação Nacional do Índio (Funai) que, por meio do desenvolvimento de um Plano de Visitação, busca o protagonismo das comunidades indígenas na realização de turismo nos seus territórios.
Rede de Turismo Indígena do Rio Negro
Após as experiências compartilhadas e de debates sobre o tema, foi criado a Rede de Turismo Indígena do Rio Negro.
O espaço será formado pela FOIRN, associações locais e suas inciativas que visa apoiar as iniciativas de turismo indígena contribuindo para o fortalecimento destas através da mobilização conjunta, da discussão de políticas públicas que apoiem o turismo indígena de base comunitária e da formação de parcerias com diversos setores da sociedade.
Com apoio do projeto ForEco – Rainforest Foundation e Embaixada Real da Noruega (ERN), o encontro contou com a presença de Susy Simonetti, professora do curso de Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), doutora em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia e que vem trabalhando junto à comunidades no Mosaico do Baixo Rio Negro.
O evento foi realizado pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e pelo Instituto Socioambiental (ISA)
Representantes da Rainforest Foundation Norway (RFN), Oficial da União Européia (UE) no Brasil e Instituto Socioambiental (ISA) passaram alguns dias no Rio Negro (16 à 20/11) para visitar a Foirn e alguns de seus projetos realizados com suas parcerias e apoio.
A delegação foi composta por: Martina Bogado Duffner, Torris Tillmann Jager e Ellen Hestnes Ribeiro (RFN), Stefan Hermann Agne (EU), Aloísio Cabalzar, Natalia Pimenta, Rodrigo Junqueira, Jefferson Camarão e Bianca (ISA).
A delegação cumpriu uma agenda de visita no Rio Negro. A primeira participação foi o II Encontro do Comitê Gestor do Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), realizado no dia 16 de novembro de 2021, na sala de reunião do ISA.
A FOIRN através da coordenação do FIRN apresentou as suas atividades, abrangência e funcionamento. De origem alemã, Stefan Hermann Agne da delegação da União Europeia no Brasil, em sua apresentação disse que mora em Brasília e, é responsável pela cooperação entre a União Europeia e Brasil, entre o governo e sociedade civil, que também apoia os povos indígenas. Há seis anos a UE apoia ações voltadas para o projeto de Cadeias de Valores e encerra este ano, mas, vai continuar o apoiando especificamente os povos indígenas na Amazônia.
Torris Tillmann Jager, Diretor da RFN está na função há 6 meses falou da sua primeira visita ao Brasil e ao Rio Negro no Amazonas e contou que quando a Ellen Hestine apresentou o projeto para ele e mostrou a foto da praia de São Gabriel da Cachoeira ficou feliz e encantado em continuar os trabalhos iniciados por ela anteriormente, em apoiar a FOIRN e aos povos indígenas do Rio Negro.
Delegação visita Casa de Frutas Secas em Santa Isabel do Rio Negro
Acompanhado pelo Diretor Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso do povo Baré, a delegação visitou um projeto desenvolvido por estes apoiadores no dia 16 de novembro no município de Santa Isabel do Rio Negro. Foram recebidos de forma calorosa pela população e lideranças da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN), com dança caxirí na cuia da cultura regional (nome da dança) e em seguida foi servido um jantar de comidas típicas.
Na manhã do dia 17/11, a delegação participou de uma reunião no auditório da Escola Santa Isabel do Rio Negro , onde foram apresentadas as atividades do Departamento de Mulheres e Jovens Indígenas no Rio Negro, projetos e ações relacionados ao Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro e Turismo Comunitário em Terras Indígenas.
A ACIMRN é uma associação de grande importância para as comunidades da região do médio Rio Negro, atualmente com estrutura e organização fortalecida com apoio dos parceiros e financiadores. Desde ano passado há uma representação do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN) e Jovens Indígenas do Rio Negro (DAJIRN) no âmbito da associação.
A Casa de Frutas Seca é resultado do trabalho no âmbito do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (Reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil em 2010 pelo IPHAN) vai fortalecer a economia local, onde os produtores indígenas terão mais uma opção para a comercialização de seus produtos, além de seus clientes ou instituições.
O beneficiamento e comercialização dos produtos remanescentes das vendas dos produtores indígenas da região serão através da Casa de Frutas Secas.
Nessa reunião a delegação conheceu a nova diretoria da ACIMRN eleita no início de novembro, que terá a gestão entre 2022-2025.
Comitiva visita a comunidade Cartucho – Médio Rio Negro
No retorno de Santa Isabel do Rio Negro, 17/11, a comitiva fez uma breve parada na comunidade de Cartucho, onde os comunitários aguardavam com uma calorosa recepção. Germano Sanches Batazar, da etnia Baré, cacique da comunidade agradeceu aos visitantes pela visita. A oportunidade presidente da FOIRN falou da importância da parceria entre a Federação e o Instituto Socioambiental para desenvolver iniciativas inovadoras e sustentáveis em Terras Indígenas. E falou do Projeto Serras Guerreiras desenvolvido nessa região, e lançou o convite para os visitantes na próxima vez conhecer melhor a atividade dessa iniciativa.
Visita a Casa de Produtores Indígenas do Rio Negro – Wariró
A delegação fez uma breve visita a Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro – Wariró, onde pôde conhecer a diversidade cultural indígena do Rio Negro, um rico patrimônio material e imaterial que valoriza a cultura dos povos e estimular a geração de renda a partir da produção sustentável de produtos artesanais. A marca Wariró, um ser mitológico cuja morada está na serra de Curicuriari, ou Bela Adormecida, atualmente cartão postal de São Gabriel da Cachoeira, e está relacionado ao início do cultivo dos alimentos e da fartura nas roças.
Comitiva visita Maloca do Conhecimento Baniwa de Itacoatiara Mirim
Para finalizar a agenda de visita no Rio Negro, a comitiva visitou a comunidade de Itacoatiara Mirim no dia 18/11, nas mediações de São Gabriel para realizar trilha ecológica com Sr. Luiz Baniwa, cacique da Casa do Conhecimento Baniwa que conduziu a equipe para um passeio e conhecer um pouco do seu costume e sua cultura.
A IX Assembleia da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN) aconteceu nos dias 04 e 05 de novembro, na comunidade de Açaituba – Médio Rio Negro no município de Santa Isabel do Rio Negro, aproximadamente 135 pessoas estiveram presentes neste evento.
Participantes da IX Assembleia da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (Acimrn) realizada na comunidade Açaituba – Médio Rio Negro. Foto: reprodução/Acimrn
A assembleia reuniu representantes de todas as comunidades que compõem a Acimrn, para avaliar os trabalhos realizados no período de 2018-2021 e tratar de temas como a revisão e alteração do estatuto social da associação.
Entre os trabalhos avaliados na assembleia foram: Casa de Frutas, atuação do Departamento de Mulheres e Jovens Indígenas do Rio Negro e Fundo Indígena do Rio Negro.
Foram destaques na assembleia o crescimento e fortalecimento dos projetos e ações relacionados ao Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro e Turismo Comunitário em Terras Indígenas. Foi encaminhado a necessidade de ampliação desses trabalhos para as demais comunidades e a população indígena da sede do município que são associadas a organização.
A pauta mais esperado da assembleia foi a eleição da nova diretoria, que aconteceu no último dia, organizado e regido pelo estatuto e coordenado por uma Comissão Eleitoral composto por pessoas indicadas, sem vínculos com a associação.
O resultado da eleição definiu a gestão 2022-2025 da Acimrn que ficou da seguinte forma: Adilson Joanico Baniwa (Presidente), Joaquim Rodrigues Baré (Vice Presidente), Rodrison Maia (Secretário Titular), Eldenir Santos Baré (Secretário Suplente), Eliezer Sarmento Tukano (Tesoureiro Titular) e Adamor Pinheiro Baré (Tesoureiro Suplente).
A eleição também definiu integrantes do Conselho Deliberativo e Fiscal, espaço importante de deliberação que ficou constituída da seguinte forma: Carlos Nery Piratapuia (Presidente), Erivaldo Araújo (Vice – Presidente), Deivison Murilo Baré (Secretário), Ilma Nery Piratapuia ( Membro), Marciano Pascoal Baré (Membro), Iago Miranda Baré (Membro).
Lideranças Indígenas da região do Médio Rio Negro agradeceram a Foirn pelo esforço e atuação na região nos últimos anos, que para eles, é histórico, como não acontecia nos anos anteriores. Lembraram que o fortalecimento das associações de base, entre estes, a Acimrn, tem dado resultados positivos. Parceiros da Foirn, como o Instituto Socioambiental (ISA) e a rede de apoio aos projetos na região foram lembrados.
A Foirn foi representada pelo Presidente, Marivelton Rodrigues Baré e Coordenadores de Departamentos; Dadá Baniwa (DMIRN), Melvino Fontes (Educação e Cultura), Elson Kene (DAJIRN), Mirian Pereira (Fundo Indígena) e Luciane Lima (Casa Wariró).
O diretor presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, em cumprimento da agenda pelo rio negro, reuniu no ultimo dia 11/10 juntamente com o representante do ISA e assessor da Casa de Frutas, João Gabriel, presidência da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro-ACIMRN e a equipe da gerência de bolsistas da casa de frutas para retomada dos planos de trabalhos da mesma. Também foi discutido sobre o desenvolvimento dos testes iniciais e agendas de trabalho com as comunidades que fazem parte diretamente do projeto e que serão as futuras fornecedoras dos produtos para a casa. Uma iniciativa que se desenvolverá no âmbito da cadeia de valores dos produtos da sociobiodiversidade. Um projeto de iniciativa no âmbito do sistema agrícola tradicional do rio negro – (SAT-RN). Ainda foi articuladas em conversas a assembleia eletiva da ACIMRN que devera acontecer no próximos dias 04 e 05 de novembro na comunidade Açaituba no município de Santa Isabel do rio Negro médio Rio Negro.
Em continuidade da agenda pelo médio Rio Negro, Marivelton Barroso, juntamente com o coordenador do CONDISI e o coordenador local da FUNAI , CTL-Santa Isabel, Guilherme Veloso, visitam a comunidade Acariquara em cumprimento a agenda. Onde houve repasses de informações sobre os trabalhos da FOIRN, Conselho Distrital de Saúde Indígena – CONDISI que irá acontecer nos dias 27 e 28 de outubro na comunidade Açaituba e articulação sobre a assembleia eletiva da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro – ACIMRN.
O diretor-presidente se emocionou ao lembrar que na comunidade Acariquara iniciou a sua trajetória no movimento indígena para chegar ao cargo que ocupa atualmente, agradeceu o apoio recebido, os incentivos e afirmou que a comunidade poderá continuar contando com o seu apoio sempre que precisarem. O coordenador do CONDISI, Jovânio Normando, falou da importância da parceria entre FOIRN, DSEI e FUNAI na região, e a importância da participação de lideranças das comunidades no Conselho Indigenista de saúde para o fortalecimento das comunidades indígenas. O coordenador local da FUNAI explanou sobre os trabalhos desenvolvidos na região e citou sobre a importância das parcerias com as entidades de representatividade dos povos indígenas. Seguindo, a equipe ainda visitou o local onde pretendem instalar a estação kit de bombeamento de água com o sistema de energia solar, com o objetivo de melhorar a saúde dos moradores da comunidade.