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  • UNIB realiza assembleia de avaliação e tem a elaboração do PGTA como base para fortalecer as comunidades

    Participantes da assembleia da Unib realizado em Castelo Branco. Foto: SETCOM/FOIRN
    Participantes da assembleia da Unib realizado em Castelo Branco. Foto: SETCOM/FOIRN

    Dia 28/06, a Unib – União das Nações Indígenas Baniwa, que abrange as comunidades Nazaré, Ambaúba, Castelo Branco, Belém e Taiaçu Cachoeira, na região do Baixo Içana, reuniu 128 pessoas para participar da assembleia de avaliação e planejamento para próximos 4 anos.

    A iniciativa de fortalecer a associação partiu da nova diretoria, quando, após vários anos, estar paralisada, e ter a diretoria desestruturada após a última eleição, há 7 anos. Diante disso, mesmo, sem uma assembleia ordinária, alguns membros dessas cinco comunidades, iniciaram internamente o processo de retomada do fortalecimento.

    Para conhecer melhor a situação atual vivida pela associação e avaliar sua trajetória, de 18 anos desde que foi fundada, representantes das comunidades abrangidas, tiveram um espaço no primeiro momento da assembleia, para avaliar, apontar as conquistas, os fracassos e as lições aprendidas.

    Lideranças como Marciel dos Santos, Miguel da Silva, Davi da Silva, Felipe André, Gerônimo Flora lembraram dos motivos que há quase 20 anos, levou a criação da Unib, entre eles, a luta pelos direitos e a melhoria da qualidade de vida. Destacaram que, os altos e baixos da associação, foram causados por problemas internos como o abandono do cargo ou a não continuidade das iniciativas das diretorias anteriores. As conquistas mais apontados foram a discussão e criação da Escola Paraattana, e a associação de mulheres (AAMI – Associação das Artesãs do Médio Içana), que está paralisada atualmente, mas, buscando fortalecimento.

    Outro destaque importante feito pelas lideranças, é a atuação e as conquistas do movimento indígena do Rio Negro, da qual os Povos Baniwa fazem parte. A educação escolar indígena, a saúde indígena, a luta e a defesa pelos direitos, a demarcação de terras indígenas foram apontados como os principais conquistas. Mas, de acordo eles, as vezes poucos lembrados e reconhecidos pela população indígena, inclusive os Baniwa que vivem nessa região.

    Não podemos apenas lamentar pelos fracassos que tivemos no passado, o que precisamos fazer, é aprender com a nossa história (da associação) e fazer diferente a partir de agora, disse uma das lideranças presentes.

    Planejamento

    Valdeci Fontes, é o atual presidente da Unib, que busca fortalecer a associação e as comunidades. Foto: SETCOM/FOIRN
    Valdeci Fontes, é o atual presidente da Unib, que busca fortalecer a associação e as comunidades. Foto: SETCOM/FOIRN

    A partir da avaliação, e debate dos problemas enfrentados, os participantes foram divididos em grupos de trabalho, para formular propostas que deverão ser as metas dessa nova gestão da Unib nos próximos 4 anos.

    Ter um plano estratégico de uso e a gestão do território das 5 comunidades foi considerado uma das metas mais importantes para próximos anos. Por isso, será uma das atividades prioritária para a Unib, iniciar o processo de discussão e a elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) e a partir disso, mapear as potencialidades que deverão se transformar em projetos de geração de renda para as comunidades, como também definir regras de uso e manejo dos recursos existentes na área.

    Outro tema que vai entrar na pauta de trabalho da Unib vai ser o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, uma iniciativa que aos poucos está se consolidando no Rio Negro, a partir de 2010, quando foi tombado como Patrimônio Cultural do Brasil.

    Isaias Pereira Fontes, vice presidente da FOIRN na assembleia da Unib. Foto: SETCOM/FOIRN
    Isaias Pereira Fontes, vice presidente da FOIRN na assembleia da Unib. Foto: SETCOM/FOIRN

    Presente na assembleia, a FOIRN, representado pelo vice presidente Isaias Pereira Fontes, falou da importância do fortalecimento das associações de base, pois, o contexto atual em que vivem os povos indígenas em relação aos direitos não é nada favorável. Destacou também a importância de atuação das associações em suas áreas de abrangência, para lutar e reivindicar os direitos. Para finalizar, falou da atuação da FOIRN e suas linhas de ações, como defesa dos direitos indígenas garantidos na Constituição Federal de 1988, pelo reconhecimento e respeito da diversidade cultural, valorização cultural, educação escolar indígena, comunicação, proteção e fiscalização das terras indígenas e luta pela demarcação das áreas em processo e entre outros.

    A vice coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas da FOIRN, Francinéia Fontes, presente na assembleia, falou das ações desenvolvidas pelo departamento e destacou a importância da participação feminino nas decisões políticas, a começar pelas organizações indígenas nas bases.

    Representes da FUNAI, presentes na assembleia, apresentaram as ações previstas para o ano de 2015 para a região do Içana, como multirão de documentação básica na região do Aiarí e oficinas.

    O evento encerrou com a avaliação, onde os participantes reafirmaram a importância do fortalecimento da associação local, e que isso deve ser feito com a participação de todos. Porém, para isso, a nova diretoria deve se esforçar para articular as comunidades, incentivando a participação ativa e falando da importância do movimento indígena do Rio Negro.

    Para a realização da assembleia, a Unib contou com apoio da FOIRN através do Projeto Fortalecimento das Coordenadorias Regionais e da FUNAI, através da linha de ação “apoio às assembleias das associações de base”.

  • Mais uma comunidade “conectada” a rede de radiofonia indígena no Rio Negro

    Em Santa Rosa, diretor da FOIRN, Coordenador da CABC e líder da comunidade (ao centro).
    Em Santa Rosa, diretor da FOIRN, Coordenador da CABC e líder da comunidade (ao centro).

    A comunidade Santa Rosa, Médio Içana, mais conhecida em Baniwa de “Owhiikaa”, que para o português significa “Casa de Sarapó”, devido as pedras no porto da comunidade, considerado como um dos lugares sagrados na região, é mais mais uma a ser beneficiada pelo projeto “Fortalecimento das Coordenadorias Regionais”, apoiada financeiramente pela Embaixada da Noruega através do Programa de Apoio aos Povos Indígenas (saiba mais aqui).

    O apoio acima citado é a instalação de uma radiofonia na comunidade, uma conquista que foi comemorado pelos comunitários no final de maio deste ano (30/05/2015).

    “Estamos buscando esse meio de comunicação há vários anos, agora, vamos poder comunicar, nos informar sobre as ações realizadas pelo movimento indígena e comunicar com os parentes de outras comunidades, comemorou o líder da comunidade.

    Para Isaias Fontes, vice presidente da FOIRN, essa conquista é muito importante, além de “conectar” essa comunidade, vai fortalecer a comunidade, especialmente na comunicação e troca de informações sobre as atividades, eventos que acontecem na região. Como também para a questão de saúde.

    A ida para Santa Rosa, proporcionou também troca e atualização de informações sobre as ações realizadas e planejadas pela FOIRN para esse ano para a região do Içana, junto com a Coordenadoria Regional (CABC) e associações de base. O presidente da Câmara Municipal, Edilson Gonçalves, fez parte da equipe de visita à Santa Rosa.

    Instalação de radiofonia em Santa Rosa, Médio Içana.
    Instalação de radiofonia em Santa Rosa, Médio Içana.

    Para chegar em Santa Rosa, localizada no Médio Içana, são um dia e meio de viagem de motor 40 hp e voadeira.

    Atualmente, a rede de radiofonia indígena do Rio Negro administrada pela FOIRN conta com mais de 170 estações de radiofonia, espalhadas em todo o Rio Negro (Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira).

    Apesar de parecer ser um número grande de estações de radiofonia, há várias reivindicações de comunidades localizadas em pontos estratégicos que ainda não foram contempladas.  A FOIRN, através de seus projetos e parcerias, vem buscando apoiar essas comunidades.