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  • II Encontro Geral de Produtores Indígenas do Rio Negro em São Gabriel da Cachoeira: Celebrando a Cultura e a Arte da Região

    II Encontro Geral de Produtores Indígenas do Rio Negro em São Gabriel da Cachoeira: Celebrando a Cultura e a Arte da Região

    Produtores indígenas se reuniram no teatro Pedro Yamaguchi para discutir pautas e trocar experiências. O evento incluiu uma exposição de feira de artesanatos e um desfile de moda conduzido por um indígena piratapuya, destacando a beleza dos designs e promovendo a valorização da cultura local.

    O II Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro, organizado pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), através do Departamento de Negócios Socioambientais em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), foi realizado no Teatro Pedro Yamaguchi em São Gabriel da Cachoeira nos dias 01 a 04 de julho de 2024.

    Foi um evento significativo que reuniu artesãs, artesãos e lideranças indígenas das cinco coordenadorias regionais e associações com objetivo de discutir pautas de interesse dos produtores locais. Durante o encontro, foram abordados temas relevantes como a preservação das técnicas tradicionais de artesanato, a valorização da cultura indígena no mercado e a sustentabilidade das práticas produtivas. Além disso, houve troca de experiências e conhecimentos, fortalecendo os laços entre as diferentes comunidades e possibilitando a criação de estratégias colaborativas para o fortalecimento do setor artesanal.

    Compras por regionais e total de vendas realizadas foram discutidos, assim como a forma como as compras são feitas pela Casa de Produtos indígenas do Rio Negro – Casa Wariró, de acordo com as diferentes regiões onde opera. Também foram apresentados os números totais de vendas realizadas. Essa análise ajuda a entender o desempenho comercial e a eficiência na gestão de estoques e logística.

    O funcionamento da Casa Wariró (Recebimento de produtos e pagamentos) também foi abordado, incluindo o fluxo operacional de recebimento de produtos pela Casa Wariró e os procedimentos de pagamento aos fornecedores. Isso envolveu políticas de qualidade, controle de inventário e gestão financeira.

    O Acordo de Co-gestão da Casa Wariró refere-se a um acordo ou modelo de governança compartilhada da Wariró com suas iniciativas, como os meliponicultores e a Casa de Frutas. Além disso, o Departamento de Negócios Socioambientais acompanha as iniciativas de Turismo de base comunitária nas coordenadorias regionais. Isso implica na cooperação entre diferentes associações e grupos de trabalho para uma gestão mais eficiente e integrada das atividades.

    Vale ressaltar a significativa conquista de ter o acordo de cogestão de recursos naturais traduzido para as línguas Tukano, Nhengatú, Baniwa e Yanomami, o que representa um importante passo para valorizar e preservar a riqueza e a diversidade das línguas maternas. Esta iniciativa demonstra um compromisso genuíno com a promoção da inclusão e o respeito pela cultura e tradições dos povos indígenas, contribuindo para a construção de uma sociedade mais plural e equitativa.

    Na pauta da segurança alimentar, além das abordagens das chamadas públicas do PNAE municipal e das entregas por calhas de rios, também foram discutidos os desafios logísticos enfrentados na distribuição dos alimentos, os impactos da pandemia na produção e na disponibilidade de alimentos, e as medidas necessárias para garantir uma alimentação adequada para toda a população.

    A chamada pública do PNAE estadual foi pauta de debate sobre a eficiência das parcerias com os fornecedores locais e a implementação de ações para fortalecer a agricultura familiar, visando a sustentabilidade e a diversificação dos produtos oferecidos nas escolas. Além disso, houve discussões sobre a finalização dos contratos para as entregas no segundo semestre deste ano, com enfoque na qualidade dos alimentos, na segurança do transporte e na transparência dos processos de aquisição.

    PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) está desempenhando um papel fundamental na compra institucional do Hospital de Guarnição – HGU de São Gabriel da Cachoeira, bem como no Planejamento da compra institucional da 2ª brigada. Além disso, o PAA está realizando a doação simultânea das chamadas indígenas SEPROR, e atualmente está na fase de conclusão da emissão de cartão PAA para facilitar o acesso e recebimento do pagamento dos produtores.

    Este processo está impactando positivamente a vida de 138 agricultores cadastrados em São Gabriel da Cachoeira, proporcionando-lhes uma forma estável de comercialização de seus produtos. É importante ressaltar que o PAA também está atuando na compra institucional da saúde indígena, sendo que o primeiro já está em execução no município de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. Além disso, o segundo está em processo de planejamento para ser lançado no segundo semestre, visando a execução em 2025, o que evidencia o compromisso contínuo com o desenvolvimento e bem-estar das associações e comunidades indígenas.

    Com a participação ativa do SEBRAE, que ofereceu consultorias e da FAS, que esclareceu a conexão com mercados e aquisição de insumos a preços mais acessíveis, contribuíram bastante com os produtores. Eles ajudaram a esclarecer os direitos e deveres, além de incentivarem a adoção de práticas sustentáveis na produção, visando sempre a melhoria da qualidade dos produtos.

    Como resultado, os produtores poderão não apenas aumentar sua produção, mas também diversificar sua renda, desenvolvendo produtos diferenciados e conquistando novos mercados consumidores futuramente. Além disso, a diversificação da produção pode ser uma estratégia eficaz para mitigar os riscos associados a sazonalidade e flutuações nos preços de mercado. Isso permite que os produtores mantenham uma fonte mais estável de renda durante todo o ano, reduzindo a dependência de um único produto ou de um período específico de colheita. Ao oferecer uma variedade de produtos, os produtores também têm a oportunidade de atender a diferentes demandas de mercado e até mesmo explorar segmentos de consumidores mais exigentes em busca de produtos exclusivos e de alta qualidade.

    No encerramento, a noite cultural foi realizada com a exposição de feira de artesanatos, onde os produtos feitos pelos indígenas puderam ser apresentados ao público. Além disso, destacou-se um desfile de moda conduzido por Sioduhi, um indígena do povo piratapuya, que não só mostrou a beleza dos designs indígenas, mas também promoveu a valorização da cultura local através do estilo e da arte. As peças exibidas na feira de artesanatos incluíam cestos, colares, pulseiras e instrumentos musicais, todos confeccionados com habilidade e cuidado, transmitindo a riqueza da tradição indígena.

    Assista a live gravada do encerramento no Instagram da FOIRN.

    O desfile de moda não apenas apresentou as vestimentas tradicionais, mas também destacou a importância da preservação das técnicas de tecelagem e tingimento utilizadas há gerações pelos povos indígenas do Rio Negro. A participação do estilista indígena Sioduhi no evento também proporcionou a oportunidade para que os presentes pudessem conhecer de perto a história e os significados por trás de cada peça exposta, enriquecendo ainda mais a experiência cultural da noite.

    O II Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro, foi um evento significativo pois além da participação ativa dos produtores indígenas, o evento contou com a presença de importantes líderes e membros da diretoria executiva da FOIRN, incluindo Marivelton Baré, Diretor Presidente, e Janete Alves Dessana, Diretora eleita como vice-presidente para a próxima gestão. Também estiveram presentes coordenadores e membros dos departamentos de mulheres, jovens, jurídico e comunicação da FOIRN.

    Destacando ainda mais a importância do evento, a coordenadora da FUNAI CR RNG, Dadá Baniwa, também participou, fortalecendo os laços e a colaboração entre as organizações indígenas e o governo.

    Realização: FOIRN

    Apoio: For Eco/RFN

    Parceria: ISA,SEBRAE, FAS e Diocese – Catedral de SGC.

  • Feira de Artesanato mobiliza comunidades indígenas do Alto Rio Negro

    Participantes da feira na hora do almoço na comunidade São Gabriel Mirin, Alto Rio Negro. FOTO: SETCOM/FOIRN
    Participantes da feira na hora do almoço na comunidade São Gabriel Mirin, Alto Rio Negro. FOTO: SETCOM/FOIRN

    Há mais ou menos quatro anos atrás, a professora Elizangela da Silva Costa, realizava um projeto de pesquisa junto com seus alunos na comunidade São Gabriel Mirin, Alto Rio Negro, aproximadamente 150 km, de São Gabriel da Cachoeira.

    Ao longo da pesquisa, que tinha como tema, a valorização cultural da comunidade, foi percebendo junto com seus alunos, que, muitos conhecimentos estavam sendo perdidos, ao longo do tempo. Por isso, um dos focos do trabalho foi o envolvimento dos conhecedores e conhecedoras na pesquisa, que teve como resultado a criação de uma casa de artesanatos na comunidade, inaugurando em agosto de 2014..

    Desde lá, o movimento pela valorização da cultura através de exposição e feiras vem crescendo. Abrindo possibilidades para o reconhecimento das mulheres a nível regional e fortalecendo a valorização cultural e a transmissão de conhecimentos dos mais velhos ao jovens e crianças. Como também aos poucos fortalecendo a iniciativa no aspecto de alternativa de geração de renda na região.

    Hoje, são 11 comunidades que participam dessa mobilização pelo fortalecimento da identidade cultural na região, e integram outras atividades, como torneios esportivos. Jogos e feiras de artesanatos caminham juntos, e vem dando resultados positivos: o fortalecimento, especialmente das mulheres, que já planejam criar uma associação no segundo semestre desse ano.

    Para celebrar mais um passo dado, foi realizado mais uma feira de artesanato na comunidade São Gabriel Mirin, nos dias 13 e 14/06, onde, mais de 150 pessoas estiveram presentes. Que teve também a inauguração do campo de futebol da comunidade.

    Inauguração do campo de futebol na comunidade São Gabriel Mirin, foi uma das atrações do evento. Foto: SETCOM
    Inauguração do campo de futebol na comunidade São Gabriel Mirin, foi uma das atrações do evento. Foto: SETCOM

    No evento, estiveram presente as instituições parceiras e apoiadores dessa iniciativa, que elogiaram a organização do evento e da iniciativa das comunidades do alto Rio Negro.

    Em suas palavras, diretor da FOIRN, Marivelton Rodriguês Barroso, disse que, mobilização como essas, iniciadas e realizadas na região do Alto Rio Negro, são muito importantes para unir e fortalecer as comunidades, as pessoas, em busca de um objetivo comum, que é o fortalecimento e valorização cultural, e bem como, o fortalecimento político das comunidades e das associações locais. “Tendo as comunidades unidas, serão fortalecidas, como também as associações locais fortalecidas. E tendo essas (associações) fortalecidas, o movimento indígena do rio Negro também estará.”, disse.

    Presentes também no evento, a Coordenadora do Departamento de Mulheres, Rosilda Cordeiro e a gerente da Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro – Wariró, Neiva de Souza, reafirmaram como representantes que incentivam a produção e as iniciativas que visam a geração de renda, o compromisso de colaborar no fortalecimento desse iniciativa.

    As comunidades do Alto Rio Negro atualmente lutam para a conclusão do processo de demarcação da Terra Indígena Marabitanas-Cuecué, um processo que vem se arrastando há alguns anos, até hoje, não realizada.

    São Gabriel Mirin, Alto Rio Negro. Foto: SETCOM
    São Gabriel Mirin, Alto Rio Negro. Foto: SETCOM

    As comunidades que estiveram presentes no evento são: São Francisco, Nova Vida, Yabe, Tabocal, Sítio Maguarí, Juruti, Mabé, Cue-Cué, Brasília (Içana), Sitio Acará e São Gabriel Mirin (local).