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  • Mais uma comunidade “conectada” a rede de radiofonia indígena no Rio Negro

    Em Santa Rosa, diretor da FOIRN, Coordenador da CABC e líder da comunidade (ao centro).
    Em Santa Rosa, diretor da FOIRN, Coordenador da CABC e líder da comunidade (ao centro).

    A comunidade Santa Rosa, Médio Içana, mais conhecida em Baniwa de “Owhiikaa”, que para o português significa “Casa de Sarapó”, devido as pedras no porto da comunidade, considerado como um dos lugares sagrados na região, é mais mais uma a ser beneficiada pelo projeto “Fortalecimento das Coordenadorias Regionais”, apoiada financeiramente pela Embaixada da Noruega através do Programa de Apoio aos Povos Indígenas (saiba mais aqui).

    O apoio acima citado é a instalação de uma radiofonia na comunidade, uma conquista que foi comemorado pelos comunitários no final de maio deste ano (30/05/2015).

    “Estamos buscando esse meio de comunicação há vários anos, agora, vamos poder comunicar, nos informar sobre as ações realizadas pelo movimento indígena e comunicar com os parentes de outras comunidades, comemorou o líder da comunidade.

    Para Isaias Fontes, vice presidente da FOIRN, essa conquista é muito importante, além de “conectar” essa comunidade, vai fortalecer a comunidade, especialmente na comunicação e troca de informações sobre as atividades, eventos que acontecem na região. Como também para a questão de saúde.

    A ida para Santa Rosa, proporcionou também troca e atualização de informações sobre as ações realizadas e planejadas pela FOIRN para esse ano para a região do Içana, junto com a Coordenadoria Regional (CABC) e associações de base. O presidente da Câmara Municipal, Edilson Gonçalves, fez parte da equipe de visita à Santa Rosa.

    Instalação de radiofonia em Santa Rosa, Médio Içana.
    Instalação de radiofonia em Santa Rosa, Médio Içana.

    Para chegar em Santa Rosa, localizada no Médio Içana, são um dia e meio de viagem de motor 40 hp e voadeira.

    Atualmente, a rede de radiofonia indígena do Rio Negro administrada pela FOIRN conta com mais de 170 estações de radiofonia, espalhadas em todo o Rio Negro (Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira).

    Apesar de parecer ser um número grande de estações de radiofonia, há várias reivindicações de comunidades localizadas em pontos estratégicos que ainda não foram contempladas.  A FOIRN, através de seus projetos e parcerias, vem buscando apoiar essas comunidades.

  • Reunidos em etapa local da Conferência Nacional de Política Indigenista, lideranças indígena pedem a demarcação imediata das Terras Indígenas no Baixo Rio Negro

    GTs apresentam propostas elaboradas durante a Conferência realizada em Santa Isabel do Rio Negro
    GTs apresentam propostas elaboradas durante a Conferência realizada em Santa Isabel do Rio Negro

    A 2a etapa local da Conferência Nacional de Política Indigenista, realizado entre 28 a 30 de maio na sede do município de Santa Isabel do Rio Negro, reuniu mais de 200 participantes para discutir os principais problemas enfrentados na região do médio e baixo Rio Negro.

    Participaram dessa etapa local representantes dos povos Baré, Tariana, Tukano, Baniwa, Yanomami, Dessana e Piratapuia, vindos das comunidades localizadas nos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira.

    Com o tema “Avaliando a relação do Estado Brasileiro com os Povos Indígenas no Médio e Baixo Rio Negro”, em três dias, foram discutidos e debatidos vários assuntos, entre estes os Direitos Indígenas, Território e Territorialidade, Direito à verdade e a memória e Desenvolvimento Sustentável.

    A partir da exposição sobre os temas por algumas lideranças indígenas convidadas, os participantes foram organizados em Grupos de Trabalhos para elaborar propostas  de ações dos governos municipal, estadual e federal sobre esses temas.

    As discussões dos temas em GTs possibilitou também os participantes entenderem melhor os temas, pois, para cada GT foi indicado mediadores para esclarecer e tirar as dúvidas sobre os temas.

    E como também aproveitaram esses espaços para apresentar os problemas enfrentados na região e também problemas que envolvem direitos indígenas ou ameaças a esses direitos, como a PEC 2015/2000, para a qual, mostraram indignação e repúdio. Em exposições dos resultados dos GTs os representantes de cada grupo falaram dos principais problemas enfrentados na região e as principais demandas e reivindicações.

    Entre elas a demarcação imediata das três Terras Indígenas no Baixo Rio Negro, nas abrangências dos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. Atualmente as Terras Indígenas: Baixo Rio Negro (Aracá – Padauarí), Jurubaxi Téa e Uneiuxi continuam em andamento, processo que já se arrasta há anos e ainda não foi concluído. 

    Em seus depoimentos, as lideranças falaram da atual situação em que se encontram, vivendo em meio à ameaças e invasões, causadas pela demora do processo de demarcação.

    “A gente existe, também somos gente, o que seria do governo sem nós. Queremos respeito, queremos que o governo nos respeite e saiba que estamos aqui. Queremos a demarcação de nossas terras, não estamos pedindo o que é do governo, estamos querendo o que é nosso por direito. A gente não quer terra para vender, queremos a terra pra sobreviver”.

    “Queremos e precisamos que a nossa terra seja demarcada, estamos sofrendo com os invasores, pescadores, garimpeiros. Por isso pedimos que a demarcação seja feita com urgência, por que, se continuar do jeito que está vai ter conflitos. Já denunciamos aos órgãos competentes  locais mas nunca tivemos respostas”.

    De acordo com as lideranças indígenas, a demarcação das TIs na região do Médio e Baixo Rio Negro significa futuro para as futuras gerações que vivem na região, como também a redução dos vários problemas que enfrentam hoje, como: exploração de mão de obra  que continua através de redes de comerciantes, de patrões de piaçava, de agências de turismo localizadas nas metrópoles e com baixo, quando há, retorno à população local.

    E ainda há invasão de “barcos geleiros”, que são barcos de pescadores que entram nos principais rios, para fazer pescas em grande escala desordenada para fins comercial. Alguns relataram a entrada de garimpeiros e o uso de mercúrio e lixo em diversos rios, há parentes com dívidas impagáveis aos patrões. Diante desses problemas pediram a conclusão imediata dos processos e a demarcação.

    Participantes da conferência  fazem
    Participantes da conferência fazem “pouse” com os certificados de participação em Santa Isabel. Foto: Ray Benjamim/SETCOM-FOIRN

    Ao final houve uma avaliação, foi destacado a importância do evento para a atualização e troca de conhecimentos dos participantes sobre as temáticas da conferência, o fortalecimento do movimento indígena, em busca de melhorias para os povos que vivem na região.

    Outro destaque foi o apoio recebido da prefeitura municipal de Santa Isabel do Rio Negro e da Câmara Municipal, uma aproximação que o movimento indígena vem buscando há vários anos. “É a primeira vez que estamos recebendo apoio e somos recebidos por uma gestão municipal aqui no Rio Negro (em três municípios), é essa aproximação e parceria que estamos buscando concretizar há vários anos”- disse, Marivelton Rodriguês Barroso, diretor da FOIRN, de referência à região do Médio e Baixo Rio Negro.

    Presente no encerramento da conferência, o prefeito de Santa Isabel do Rio Negro, Araildo Mendes do Nascimento (Careca), disse que a causa indígena é coletiva, por isso, fazer parte e apoiar ações do movimento indígena deve ser motivo de orgulho, o que ele quer fazer, pois acredita nessa causa. E disse ainda que, é a obrigação do governo municipal reconhecer que em seu território existem diversos povos indígenas e que, deve-se fazer esforço para garantir que seus direitos sejam respeitadas e cumpridas. Como na abertura, o encerramento contou com a presença de todos os participantes, onde danças tradicionais foram apresentados e palavras de considerações finais foram dadas.

    Lideranças indígenas de etnias diferentes se unem para apresentar dança de carriçu, tradicional dos povos indígenas do Rio Negro
    Lideranças indígenas de etnias diferentes se unem para apresentar dança de carriçu, tradicional dos povos indígenas do Rio Negro

    As etapas locais da Conferência Nacional de Política Indigenista continuam até ao final de julho, a próxima conferência local será realizada em Iauaretê, onde povos que vivem no médio, alto Uaupés e Rio Papuri irão também discutir e debater problemas, demandas e elaborar propostas que serão reunidas com as demais conferências locais, na etapa regional prevista para o mês de agosto em São Gabriel da Cachoeira.

  • Um dia para pintar o rosto e transmitir conhecimentos tradicionais para as futuras gerações em Balaio, BR 307

    Foto: Comunicação/FOIRN
    Foto: Comunicação/FOIRN

    Associações Indígenas de Balaio, BR 307 em São Gabriel da Cachoeira, vê nas oficinas uma forma de fortalecer ainda mais a transmissão de conhecimentos tradicionais e valorização cultural.

    É necessário percorrer cerca de 100 Km na BR 307 para chegar na comunidade Balaio, localizado na Terra Indígena de Balaio. Uma comunidade fundada há mais de 30 anos. Lá vivem mais de 23 famílias, que fazem parte em sua maioria dos clãs Tukano e Dessano. Porém, compartilham também esse espaço algumas pessoas de outras etnias como  Coripaco, Tariana e Kubeo.

    “Basicamente as pessoas que vivem aqui são famílias, tios, tias”….comenta a Adelina Sampaio, coordenadora do Departamento de Adolescente e Jovens da FOIRN, uma das coordenadoras das oficinas realizadas pelas associações da comunidade, a AMIBAL (Associação das Mulheres Indígenas de Balaio) e AINBAL (Associação Indígena de Balaio).

    Realizar as oficinas sobre as temáticas de interesse da comunidade através das associações que existem lá é uma idéia que vem funcionando na comunidade, e iniciada há alguns anos. Em frente à AMIBAL está a dona Jacinta Sampaio, 50,  a presidente de associação, filha do conhecedor tradicional, seu Casimiro Sampaio de 85 anos, da etnia Dessano.

    Consciente da importância de repasse dos conhecimentos tradicionais para os mais novos, seu Camisiro e a filha dona Jacinta e seu marido João Bosco, 56, através da AMIBAL tem uma programação anual de oficinas, que envolve a comunidade toda, e especialmente a escola da comunidade.

    No dia 22 de maio, foi realizado a oficina de “Pinturas Tradicionais Tukano e Dessano”, que reuniu toda a comunidade, onde, as pinturas (faciais) foram apresentadas em cartaz (desenhos) e seus significados e origens foram relatados. Posteriormente, todos os participantes foram convidados para escolher o desenho para ser “pintados” pelos mestres e colaboradores da oficina, como o João Bosco Veloso, 56, da etnia Dessano.

    A atividade seguinte foi a participação da criançada e os jovens na confecção de desenhos (pinturas)  nos cartazes com o acompanhamento dos pais e mães e os professores.

    Os mestres João Bosco e Seu Camisiro se pintam na oficina. Foto: SETCOM/FOIRN
    Os mestres João Bosco e Seu Camisiro se pintam na oficina. Foto: SETCOM/FOIRN

    Atualmente os professores estão desenvolvendo pesquisas com o objetivo de registrar esses conhecimentos tradicionais com os conhecedores, e através disso, levar para a sala de aula o debate sobre a importância disso para a comunidade e as pessoas que vivem lá.  E a oficina realizada faz parte da programação desses trabalhos junto com as associações locais.

    Até ao final do ano, a AMIBAL e AINBAL e a escola esperam chegar a um material produzido sobre as pinturas tradicionais. O passo inicial já foi dado, a próxima oficina sobre as pinturas no corpo já está prevista, com a data ainda a definir.

    De abertura ao encerramento, animado, os moradores de Balaio, animaram a oficina com danças tradicionais, participaram e aprenderam muito ao longo do dia com os conhecedores tradicionais.

    A FOIRN esteve presente através da Coordenadora do Departamento de Mulheres e Comunicação. A Oficina ainda contou com a colaboração e apoio da Rosangela (Gestora do Colégio Sagrada Família), Rosi Waikhon (IFAM), Enfermeira Ana Sérgia (DSEI/Alto Rio Negro) e da Fundação Nacional do Indígena/Coordenação Regional do Rio Negro.

    Ver mais fotos da oficina aqui

  • Oficinas sobre ordenamento territorial e pesqueiro são realizadas no Baixo Rio Negro

    Entrega Barraca para atendimento de equipe de saúde - Campinas do Rio Preto
    Barracas de atendimento à saúde em Campinas do Rio Preto. Foto: Marivelton R. Barroso/FOIRN

    Nos dias 04 a 09 de maio o Diretor de referencia da região da CAIMBRN, Marivelton Barroso, Vice-coordenador da CAIMBRN – Andronico Benjamim, Gerente da Loja Wariró – Neiva de Souza, Antonio de Jesus Dias – Presidente da ASIBA, Marcelino Pedrosa – Assessor Indígena DSEI e Narley Cabral – Coordenadora DSEI/BAZ (com equipe multidisciplinar), realizaram a viagem de articulação na calha  do rio preto, padauiri área em processo de identificação para demarcação de terra indígena.

    Durante os dias de viagem se percorreu as seguintes  comunidades: Campinas do rio preto sede da Associação das Comunidades Indígenas do Rio Preto – ACIRP, Nova Jerusalém, Acuquaia, Acu-acu, Tapera sede da Associação Indígena de Floresta e Padauiri – AIFP, Floresta e Associação Indígena de Barcelos – ASIBA (sede).

    Entrega Mapa da Bacia do Rio Negro - nova publicação RRN
    Em Campinas do Rio Preto, comunitários vendo as novas publicações da FOIRN e parceiros (Mapa, Boletins Informativos). Foto: Marivelton R. Barroso/FOIRN

    As pautas de informações e discussões nas comunidades e Diretoria das associações: Demarcação das Terras Indígenas, Ordenamento Pesqueiro, Extrativismo da piaçaba, fortalecimento e autonomia das associações, Fundo Wayuri, PNGATI,  atividades a serem realizadas na região e Saúde.

    Nos dias 11 a 13 de maio na comunidade de Bacabal do Rio Demini sede da Associação Indígena de Base Aracá e Demini – AIBAD, realizou a oficina para a promoção do menejo de pesca do rio Aracá e Demini, demanda que já vem sendo discutido em conjunto com a FOIRN e ISA, promovendo a discussão e levantamento participativo para o ordenamento territorial e pesqueiro da região.

    São área bastantes afetadas com o turismo de pesca e pesca comercial desordenada sem nenhum controle e monitoramento as comunidade relatam não ser contra a atividades mais sim de ter área definidas e mapeadas como já foi apresentado aos órgãos de governo com as publicações da serie pescarias no rio negro.

    Fizeram de conteúdos da oficinas para aprofundamento melhor das comunidades o decreto de pesca da Bacia do rio Negro, Decreto de criação do fundo de desenvolvimento do turismo de pesca em Barcelos, e proposta de plano de manejo da Associação Indígena de base Aracá e Demini – AIBAD e Menejo de pesca dos Rios Aracá e Demini.

    As lideranças moradores das comunidades ver como prioridade a discussão e construção de proposta, pois enquanto a demarcação não acontece vamos continuar sofrendo com a entrada de barcos que desrespeitam a nossa área de uso, mesmo com a recomendação do MPF a secretaria de meio ambiente de Barcelos, até a presente data não foram colocadas as placas em nossas áreas como pedia a recomendação – afirma Evanildo Martins.

  • FOIRN participa da comissão que organiza e coordena as etapas locais da Conferência Nacional de Política Indigenista

    Participantes do evento realizado em Juruti - Alto Rio Negro. Foto: Ray Benjamim
    Participantes do evento realizado em Juruti – Alto Rio Negro. Foto: Ray Benjamim

    Etapa local de Juriti – Alto Rio Negro reuniu povos indígenas da região
    A primeira etapa local no Rio Negro, Amazonas reuniu os povos indígenas Baré e Werekena, além dos povos Baniwa, Tukano e outros que também vivem na região. Mais de 120 pessoas participaram do evento, entre os dias 5 e 7 de maio.

    O encontro aconteceu na comunidade Juruti – Alto Rio Negro, que fica aproximadamente duas horas e meia de viagem de São Gabriel da Cachoeira, sede do município. Entre os assuntos discutidos estavam o direito a educação escolar indígena específica e a saúde diferenciada. Outros assuntos debatidos foram a Demarcação da Terra Indígena Cucué – Marabitanas e a ameaça aos direitos dos povos indígenas, com a PEC 215.

    Ao final da etapa local foi elaborado um documento com várias propostas destinadas ao governo municipal, estadual e federal. “Nós queremos que o governo brasileiro respeite, cumpra o que está escrito na Constituição Federal, queremos a nossa demarcação o mais rápido possível”, afirmou Gualberto Pereira da Silva, do povo Baré, Alto Rio Negro.

    As 39 propostas encaminhadas em Juruti serão apresentadas e debatidas na etapa regional prevista para o mês de agosto. Mas, antes disso, serão realizadas 6 etapas locais em locais estratégicos no Rio Negro, ver agenda aqui

    Acompanhe as notícias das etapas locais no Rio Negro no blog e na página no facebook das etapas locais

  • Mais duas Casas da Pimenta são inauguradas no Alto Rio Negro

    Dia 19 e 23 de abril marcaram a inauguração de mais duas Casas da Pimenta Baniwa, agora são 4 em funcionamento!

    Mulheres durante a cerimônia de inauguração da Casa da Pimenta Yamado (Titsiadoa). Foto: SETCOM/FOIRN
    Mulheres durante a cerimônia de inauguração da Casa da Pimenta Yamado (Titsiadoa). Foto: SETCOM/FOIRN

    Agora são 4 casas da Pimenta em funcionamento. A quarta casa foi inaugurada na comunidade Yamado, próximo à São Gabriel da Cachoeira, no dia 23 de abril.

    Agora a Rede de Casas da Pimenta Baniwa conta com uma casa em Tunuí Cachoeira – Médio Içana, outra em Ucuki Cachoeira, Alto Aiarí, e a terceira na Escola Pamáali – Médio/Alto Içana e a Casa da Pimenta Yamado, que fica nas próximo à cidade.

    A cerimônia contou com a presença de representantes de instituições parceiras e apoiadores como a FOIRN, o Instituto Socioambiental, Instituto Atá, FUNAI/CRRN, e ainda com o Exército Brasileiro.

    A abertura da cerimônia de inauguração foi dado com um canto de recepção em Baniwa, e hino nacional brasileiro – pela banda indígena, dirigido pela 2a Brigada de Infantaria de Selva, que conta com a participação de jovens das comunidades Areal e Yamado.

    Em suas palavras, o André Baniwa presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI), lembrou que a Pimenta Baniwa nasceu a partir da reivindicação das mulheres Baniwa das comunidades do Içana, como uma alternativa de geração de renda. A OIBI que vem buscando desenvolver projetos de alternativas econômicas desde que foi fundada em 1992, formulou a proposta de comercializar a Pimenta Baniwa, e que ao longo da caminhada contou com a parceria de instituições, que de acordo ele, é fundamental para a ampliação e a consolidação do projeto na região do Içana, e agora no Rio Negro.

    E lembrou ainda que, hoje, a pimenta Baniwa além de ser um alimento é também um instrumento de luta política pelos direitos indígenas, uma reafirmação de identidade do Povo Baniwa, como também dos Povos do Rio Negro. Uma contribuição dos Povos Indígenas com o Brasil.

    Diretores da FOIRN, Almerinda Ramos de Lima e Isaias Fontes falaram da importância desse projeto para o desenvolvimento social dos povos indígenas do Rio Negro. De acordo com a presidente a Pimenta Baniwa é um projeto concreto, um exemplo de que é possível desenvolver projetos que gerem a partir da valorização da cultura, da territorialidade e da diversidade, sem precisar destruir o meio ambiente.

    Almerinda reafirmou que a FOIRN apóia e defende projetos, que visam contribuir para a melhoria de qualidade de vida dos povos indígenas, respeitando e valorizando a cultura, e ao meio ambiente.

    Beto Ricardo do ISA e o Chef de Cozinha Alex Atala do Instituto Atá reafirmaram a importância desse projeto para os Baniwa e para os Povos do Rio Negro, como um meio de contribuição desses povos no processo de valorização e resgate da cultura.

    Adeilson Lopes do ISA, que trabalha como os povo Baniwa do Içana (Médio e Aiarí), que acompanha o Projeto Pimenta Baniwa, falou da importância da valorização e respeito às territorialidades tradicioais dos clãs Baniwa no processo de ampliação e implantação das casas da Pimenta. De acordo ele, a primeira casa (Tunuí Cachoeira)  está funcionando no território dos Dzawinai, a segunda casa (Ucuki Cachoeira) está funcionando no território dos Hohodeni, a terceira casa (Escola Pamáali) funciona no território dos Waliperidakenai e a quarta casa (Yamado) vai funcionar e atender os Baniwa que moram na cidade ou nas proximidades.

    Representantes de instituições parceiras do Projeto Pimenta Baniwa durante a inauguração . Foto: SETCOM/FOIRN
    Representantes de instituições parceiras do Projeto Pimenta Baniwa durante a inauguração . Foto: SETCOM/FOIRN

    Além do  Alex Atala (Restaurante D.O.M de São Paulo), os Chefs de Cozinha Felipe Schaedler (Restaurante Banzeiro de Manaus) e Bela Gil participaram das duas cerimônia de inauguração.

    O que são as Casas da Pimenta Baniwa
    São construções que oferecem os espaços e utensílios adequados ao processamento, envaze e armazenamento da jiquitaia produzida a partir das pimentas cultivadas pelas mulheres das comunidades baniwa.
    As casas foram especialmente projetadas e instaladas a partir da orientação de um conjunto de pesquisas sobre o processamento do produto, sobre os requisitos estéticos, de estabilidade e de uso sustentável de materiais nas construções tradicionais, mas também adequada para atender a exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa.

    As Casas da Pimenta são responsáveis por agregar a produção das roças familiares de uma determinada região de ocupação baniwa; organizar o processamento e estocagem, sob protocolo especial de produção para o mercado; e realizar o controle de qualidade e de fluxo de informações. Estão em operação duas Casas da Pimenta em coimunidades baniwa:Tunui Cachoeira, no Rio Içana e Ucuqui Cachoeira, no Rio Aiari.

    Para saber mais sobre a Pimenta Baniwa clique aqui

  • Intercâmbio discute novas formas de valorizar o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro

    Grupo que participou do intercâmbio diante na Casa da Pimenta na comunidade Yamado|Wilde Itaborahy-ISA
    Grupo que participou do intercâmbio diante na Casa da Pimenta na comunidade Yamado|Wilde Itaborahy-ISA

    De 24 a 26 de março, agricultores e lideranças indígenas do Médio Rio Negro, gerentes das Casas da Pimenta Baniwa e representantes da Organização Indígena da Bacia do Içana-(Oibi), reuniram-se na comunidade do Yamado e na sede do ISA em São Gabriel da Cachoeira (AM). Na pauta, novas formas de valorização econômica do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, patrimônio cultural brasileiro.

    O intercâmbio-oficina foi dividido em dois momentos. O primeiro, no dia 24, na sede do Instituto Socioambiental, teve como objetivo discutir entraves no acesso às políticas públicas para a agricultura familiar indígena na região. Participaram técnicos do ISA, agricultores indígenas da região do Médio Rio Negro, e o gerente local do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas (Idam).

    O segundo momento, de 25 a 26 de março, aconteceu na comunidade Yamado e teve como objetivo promover um intercâmbio e troca de experiências junto aos gerentes das Casas de Pimenta, projeto coordenado pela Oibi e pelo ISA. Nesses dias foram abordados temas sobre a iniciativa de comercialização de produtos beneficiados em comunidades indígenas, valorização econômica do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, e aplicação de novas técnicas de beneficiamento e conservação de frutas, ervas medicinais e pimentas.

    Inadequação das políticas públicas

    Na discussão dos entraves de acesso às políticas públicas para a agricultura indígena na região foi redigida uma carta a ser encaminhada ao Conselho Nacional de Segurança Alimentar – Consea. O texto destaca que as políticas de compras públicas como PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), não são adaptadas para a realidade do Rio Negro. O excesso de burocracia, os baixos preços e as dificuldades logísticas dos órgãos públicos tornam praticamente impossível a aplicação destes programas às comunidades indígenas da região.

    Além disso, os programas de assistência técnica desenvolvidos na região, que incentivam a mecanização, a monocultura e o uso de insumos químicos vão na contramão da salvaguarda e conservação de um dos maiores patrimônios dos povos dessa região, a agrobiodiversidade e o conhecimento associado a ela. Vale lembrar que o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro é um patrimônio cultural brasileiro reconhecido pelo Iphan/ Ministério da Cultura.

    Nas Comunidades: multiplicando conhecimento

    Os aprendizados e discussões resultantes do intercambio foram pauta de conversas e encontros nas comunidades do Médio Rio Negro – Acariquara e Cartucho – e na cidade de Santa Isabel do Rio Negro. Equipe do ISA e representantes das comunidades que participaram do intercambio transmitiram aos demais suas impressões do trabalho realizado pelos Baniwa do Rio Içana a partir do projeto “Casas da Pimenta Baniwa”.

    Nesses momentos pós intercambio (de 27 de março a 2 de abril), discutiu-se novas formas, também sustentáveis, de beneficiamento de produtos tradicionais do Rio Negro, geração de renda a partir de maior e diversificado acesso ao mercado, e iniciativas de conservação da diversidade de plantas.

    O intercâmbio organizado pelo ISA, teve apoio da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – Foirn, Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro – ACIMRN, Associação das Comunidades Indígenas Ribeirinhas – Acir, Organização Indígena da Bacia do Içana – Oibi e do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento – IRD, por meio do projeto de valorização do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro. Além destas instituições, estiveram presentes também, representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan/MinC.

    O que são as Casas da Pimenta Baniwa
    São construções que oferecem os espaços e utensílios adequados ao processamento, envaze e armazenamento da jiquitaia produzida a partir das pimentas cultivadas pelas mulheres das comunidades baniwa.
    As casas foram especialmente projetadas e instaladas a partir da orientação de um conjunto de pesquisas sobre o processamento do produto, sobre os requisitos estéticos, de estabilidade e de uso sustentável de materiais nas construções tradicionais, mas também adequada para atender a exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa.

    As Casas da Pimenta são responsáveis por agregar a produção das roças familiares de uma determinada região de ocupação baniwa; organizar o processamento e estocagem, sob protocolo especial de produção para o mercado; e realizar o controle de qualidade e de fluxo de informações. Estão em operação duas Casas da Pimenta em coimunidades baniwa:Tunui Cachoeira, no Rio Içana e Ucuqui Cachoeira, no Rio Aiari.

    Ainda neste mês de abril serão ianguradas mais duas, uma na Escola Baniwa Coripaco no Alto Içana e outra na comunidade Yamado, situada em frente a cidade de S. Gabriel, na margem direita do Rio Negro, na TI Alto Rio Negro.

    Fonte: Instituto Socioambiental

  • 140 ACIS concluem o Curso Técnico de Agentes Comunitários Indígenas de Saúde (CTACIS), nessa semana em São Gabriel da Cachoeira

    ACIS em atividade durante o curso. Foto: Ana Lucia Pontes – Coordenação do Curso/EPSJV/FIOCRUZ
    ACIS em atividade durante o curso. Foto: Ana Lucia Pontes – Coordenação do Curso/EPSJV/FIOCRUZ

    Durante o período de 02 de fevereiro a 13 de março se realizou em São Gabriel da Cachoeira a finalização da II Etapa do Curso Técnico de Agentes Comunitários Indígenas de Saúde (CTACIS) para os polos formativos do Médio e Alto Waupés e Rio Papuri e o polo Baixo Waupés e Rio Tiquié.

    Nessa II Etapa, os ACIS aprenderam e discutiram sobre politicas de inclusão social, como a Bolsa Família e benefícios trabalhistas, e seus impactos na qualidade de vida e saúde da população indígena. Outro tema trabalhado foi a organização dos programas de controle e prevenção do diabetes e da Hipertensão Arterial.

    Os ACIS aprenderam sobre os fatores de risco, técnicas para suspeitar desses problemas e estratégias de prevenção e controle. O último tema dessa etapa foi a vigilância de doenças transmissíveis, como malária, tuberculose, hanseníase e infeções sexualmente transmissíveis.

    A partir do dia 16 de março se reuniram na Maloca da FOIRN os 140 ACIS de todo DSEIRN para finalização da formação técnica profissionalizante, cujas atividades se encerram no dia 10 de abril de 2015.

    Nessa última etapa, os ACIS aprenderam técnicas de primeiros cuidados e suporte básico de vida; produziram materiais educativos para serem utilizado nas comunidades; e, elaboraram estratégias de ação para todas suas competências.

    A última semana de aula também foi um importante momento político para os ACIS discutirem sua organização como categoria profissional de saúde, cujas novas atribuições serão repassadas para o CONDISI e para as comunidades por meio de cartas.A cerimônia de formatura se realizará nos dias 10 de abril, na Maloca da FOIRN, e no dia 11 de abril no Ginásio Arnaldo Coimbra.

    Esse curso foi realizado pela SEDUC/GEEI e Fiocruz, com apoio da FOIRN, FUNAI, Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira e DSEIRN, e se iniciou em 2009, a partir de proposta elaborada pela FOIRN.

    acis2

    Informações e imagens da Ana Lucia Pontes – Coordenação do Curso/EPSJV/FIOCRUZ

  • Diretores da FOIRN participam do Curso Básico de Formação em Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas – PNGATI em Brasília

    Participantes da curso em atividades. Foto: Isaias Fontes/FOIRN
    Participantes da curso em atividades. Foto: Isaias Fontes/FOIRN

    Diretores da FOIRN, Renato Matos, Isaias Fontes e Nildo Fontes, participam em Brasilia o 2º Módulo do Curso Básico de Formação em Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas – PNGATI.

    Os conteúdos:1- Natureza e Cultura; 2 – Relação Histórica entre os Povos Indígenas e o Estado Nacional; 3 – Conflitos Socioambientais Envolvendo Povos Indígena; 4 – Resistência Indígenas através dos séculos (Historia do movimento indígena) e Apresentação dos resultados das atividades de pesquisa colaborativa realizadas a partir do Modulo I.

    O curso é realizado pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) em parceria com a Rede de Cooperação Amazônica – RCA. As atividades do segundo módulo vão até dia 10/04.

    Lideranças do Rio Negro e Roraima discutindo o processo histórico de massacre sofrido pelos povos indígenas no Brasil.. Foto: Isaias Fontes/FOIRN
    Lideranças do Rio Negro e Roraima discutindo o processo histórico de massacre sofrido pelos povos indígenas no Brasil.. Foto: Isaias Fontes/FOIRN
  • COIDI realiza assembleia extraordinária e elege nova Coordenadora em Iauaretê, Rio Uaupés

    Os membros do Conselho Diretor da FOIRN e Conselho de Líderes do Distrito de Iauaretê realizaram no dia 29 de março uma assembleia extraordinária da COIDI para repassar os encaminhamentos da 28ª Reunião do Conselho Diretor e discutir problemas e dificuldades enfrentadas atualmente pela coordenadoria. Uma das deliberações da assembleia foi a eleição de um novo coordenador.

    Teve três candidatos que segue com o número de votos: Odimara Ferraz Matos (60 votos), Adilma Auxiliadora Sodré (29 votos) e Arlindo Bosco Sodré Maia (13 votos).

    Portanto, a Odimara Ferraz Matos, 24, da etnia Tukano é a nova Coordenadora da COIDI. ” Acompanho e participo o movimento indígena há alguns e sempre tive a vontade de algum dia participar diretamente e contribuir. Agora estou tendo essa oportunidade” -disse a nova coordenadora, que é participante ativa do movimento de jovens e mulheres indígenas do Rio Negro.

    A assembleia extraordinária contou com a presença da Almerinda Ramos de Lima – Presidente da FOIRN e Rosilda Cordeiro – Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas.

    A COIDI é uma das primeiras Coordenadorias Regionais do Rio Negro, foi criada em 1997.

    A nova coordenadora da COIDI participa o movimento indígena do Rio Negro há anos, atuando principalmente na representação de mulheres indígenas em eventos. Foto: divulgação
    A nova coordenadora da COIDI participa o movimento indígena do Rio Negro há anos, atuando principalmente na representação de mulheres indígenas em eventos. Foto: divulgação