A indígena Maria Cordeiro (Mariazinha Baré) foi eleita em 14 de dezembro de 2022 representante majoritária dos 66 povos indígenas do estado do Amazonas, em Assembleia Geral Eletiva da Organização Indígena do estado, realizada no centro de formação Xare do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).
O evento que contou com a participação de representantes dos povos indígenas através de sua federação e demais organizações de 19 regionais do Amazonas, criou-se a nova organização indígena de caráter estadual, a APIAM, e elegeu sua coordenação diretora composto por (Coordenadora – Mariazinha Baré; Vice-Coordenador-Darcy Marubo; Coordenador Secretário – Eliomar Osias; Secretário Suplente – Claudia Tikuna; Coordenador Tesoureiro-Joede Miquiles; Tesoureiro Suplente – Jonas Mura; Conselho Fiscal – José Walter, Regina Sateré, Andrirlei Castro).
Esse é um marco para a organização dos povos indígenas do estado que detém a maior diversidade de povos e a maior população de povos originários do Brasil. A APIAM e Mariazinha tem pela frente grandes desafios de consolidar essa que nasce como a organização de maior representatividade do movimento indígena no estado.
O evento contou ainda com a presença da Articulação dos Povos indígenas do Brasil (APIB), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), e demais federação, como a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), do Médio Purus FOCIMP, do Vale do Javarí (UNIVAJA), do Nhamundá (CGPH), do Alto Solimões, Médio Solimões, do Madeira, de Manaus e Entorno (COPIME) do Baixo Amazonas-Sateré Mawé (CGTSM) entre outras.
O evento teve o apoio institucional para realização FOIRN, NIA TERO, CESE e COIAB.
Esse é um marco histórico para os povos indígenas do Amazonas.
Entre os dias 13 e 15 de dezembro de 2022, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), representada por um dos cinco diretores, Dario Casimiro Baniwa participa da Assembleia Geral de Constituição Jurídica, Eleição e posse dos Órgãos Administrativos de Organização Indígena do Amazonas, no Centro de Formação Xare do CIMI, BR 174 Km 22, Manaus-AM.
A delegação do Alto Rio Negro está composta por lideranças representantes de associações de base da abrangência da FOIRN, a Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN) representada por Adilson Joanico e Eliezer Sarmento, Associação Indígena de Barcelos (ASIBA) representada por Rosilene Menez e representantes de categoria de professores do Alto Rio Negro – COPIARN, Bernadete Teixeira Alcântara e Maria Leonilda Nogueira.
O objetivo do evento é retomar os diálogos entre os povos e lideranças indígenas do Amazonas a cerca da constituição e consolidação da organização indígena como forma de reafirmar a luta e os direitos coletivos desses povos, propondo a discussão e aprovação do estatuto, eleição e posse de membros da Diretoria Executiva, Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal, definição da sede provisória, além de discutir e construir um plano prévio com principais estratégias de atuação do movimento e organizações do Amazonas junto as suas regionais e o poder público para os 100 dias de mandado no governo eleito.
O evento acontecerá no período de 13 a 15 de dezembro de 2022.
Apoio: FOIRN/NIA TERO.
Realização: Retomada Coletiva das Organizações do movimento indígena do Estado do Amazonas.
A Associação Indígena de Barcelos (ASIBA) realiza a II Oficina de Artesanatos entre os dias 08 e 10 de dezembro de 2022, na Quadra Esportiva da Escola Estadual Padre João Badallote, na praça municipal e conta com mais de 60 pessoas participando, entre eles estão jovens, adultos e crianças, com apoio de parceiros institucional a coordenação local da ASIBA, NACIB e FUNAI.
Artesãos (ãs) da sede do município e comunidades que fazem parte do Projeto Fortalecimento Econômico e Sustentável Familiar indígena em Barcelos, com objetivo de realizar oficinas de confecção de artesanatos para geração de renda, apresentado uma proposta de trabalho desenvolvida pelo Projeto Fortalecimento Econômico Sustentável Familiar Indígena em Barcelos desenvolvido pela ASIBA e Núcleo de Arte e Cultura Indígena de Barcelos (NACIB), na cidade e em menor escala com as comunidades. O projeto vai fortalecer a economia indígena e luta pelos direitos pelo território, educação escolar e saúde indígena.
Projeto esse que foi aprovado pelo Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), no primeiro edital lançado em 2021 pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), com apoio financeiro da Embaixada Real da Noruega (ERN).
A Federação das Organização Indígenas do Rio Negro – FOIRN vem a público repudiar veementemente o ato de VIOLÊNCIA VERBAL sofrida pela senhora Belmira da Silva Melgueiro liderança e articuladora das mulheres, tendo em vista que, de acordo com informações, o fato narrado ocorreu em uma das atividades onde esta referida liderança mulher indígena estava usando o seu direito de fala quando neste momento foi interpelada por uma liderança indígena por nome Domingos Sávio Garrido Pinto, que inferiu palavras como “você não sabe de nada” e “cala boca” com gestos intimidador.
A violência contra as mulheres constitui-se uma das principais formas de violação dos seus direitos humanos, atingindo-as em seus direitos à vida, à saúde, e à integridade física.
Nos últimos anos tem crescido a visibilidade da luta das mulheres indígenas no Brasil, assim como protagonismo dessas lideranças femininas dentro dos movimentos sociais em geral. Este fortalecimento e união entre as mulheres indígenas tem conquistado visibilidade nas últimas décadas, ocupando cada vez mais os espaços como ato de resistência.
A FOIRN tem feito um grande esforço para acompanhar este fenômeno com intuito de considerar a paridade de gênero no seu corpo como movimento, criando o departamento das mulheres para que pudesse ouvir seus anseios e suas necessidades específicas.
Enquanto mulheres, lideranças, guerreiras geradoras e protetoras da vida, iremos apoiá-las a se posicionar sempre e lutar contra as questões das violações que afrontam os seus corpos, seus espíritos, nossos territórios, difundindo nossas sementes, nossos rituais, nossas línguas, para que possamos juntos garantir a nossa existência.
O machismo é mais uma epidemia trazida pelos europeus, assim o que é considerado violência pelas mulheres não indígenas pode não ser considerada violência por nós. Isso não significa que fechamos nossos olhos para as violência que reconhecemos que acontecem em nossas aldeias, mas sim que precisamos levar em consideração que o intuito é exatamente contrapor.
Neste sentido estamos através deste documento reforçando a nossa solidariedade com a liderança e articuladora das mulheres Belmira da Silva Melgueiro e repudiando o fato ocorrido na Assembleia Geral Extraordinária da Foirn na Comunidade de Cartucho Médio Rio Negro. Portanto a FOIRN tomará as devidas providências e continua atuando no combate contra o machismo, pois não basta o aumento da representatividade das mulheres dentro e fora das aldeias, em todos os ambientes que sejam importantes para implementação dos nossos direitos, não basta reconhecer as narrativas das mulheres indígenas é preciso reconhecer as narradoras e apoiá-las nesta luta.
Nós lideranças indígenas dos 23 povos participantes da XVI Assembleia Geral Ordinária da FOIRN, reunidos nos dias 24 a 26 de novembro de 2022, na comunidade Cartucho – Terra Indígena Médio Rio Negro II, município de Santa Isabel do Rio Negro, vem por meio desta Moção, MANIFESTAR APOIO AO DIRETOR PRESIDENTE DA FOIRN MARIVELTON BARÉ, e REPUDIA a perseguição política, que está sendo feita por uma minúscula parte do Setorial Nacional de Assuntos Indígenas do Partido dos Trabalhadores, contra Marivelton Baré – representante legítimo dos povos indígenas do Rio Negro.
O então coordenador do PT que trata nacionalmente sobre assuntos indígenas lançou uma nota pública, no dia 18 de novembro, para atacar o presidente da FOIRN. O documento questiona a legitimidade de Marivelton para compor o Grupo de Trabalho do Governo de Transição para o tema Povos Indígenas.
Acreditamos ser legítimo que a setorial do PT busque assento no GT de Transição para assuntos indígenas, mas jamais iremos tolerar ataques que afrontam e deslegitimam o trabalho das nossas lideranças e do movimento indígena do Rio Negro, em especial nesse caso ao dirigente maior da FOIRN, que desenvolve ações em defesa dos direitos dos povos indígenas, reconhecida em nosso território, a nível nacional e internacional.
Agradecemos a APIB e a COIAB e a todas as organizações que somam e reafirmam o apoio a indicação de Marivelton Baré, da mesma forma que apoiamos todos os indicados e que estão compondo a equipe de transição do Governo Lula.
Exigimos respeito a nossa maior liderança indígena, o diretor presidente da FOIRN Marivelton Baré e aos 23 povos indígenas do Rio Negro.
Comunidade Cartucho – Terra Indígena Médio Rio Negro II – SIRN-AM, 26 de Novembro de 2022.
Entre os dias 04 e 06 de novembro de 2022, na comunidade Yahá, a Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN), umas das associações filiadas a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), realizou a atividade do Projeto “Fortalecer a comunidade através de Motivação”, que tem como subtema A Educação é de persistir, buscar e resgatar os valores sociais e culturais
O projeto iniciou – se em 2019, com o objetivo de buscar e resgatar os saberes do povo indígena ribeirinho, através das práticas tradicionais da agricultura como a mandioca, abacaxi, banana, cara, batata, dos artesanatos, danças e músicas.
“Este projeto visa garantir o trabalho cooperativo como forma de incentivar os alunos, comunitários e professores, através dos conhecimentos tradicionais dos mais antigos para a nova geração e assim estimular o cultivo, a extração de frutos, cipós, piaçavas, molongós, arumã e sementes, garantindo uma renda extra através das vendas na feira construída pelas proprias equipes da comunidade.” Disse Gilce Guilherme França (articuladora de Educação e Patrimônio Cultural da FOIRN para a região da CAIMBRN).
A atividade contou com a presença de comunidades e sítios próximos como a Ilha de Humaitá, Sacramento, Escondido e São Sebastião. Na maioria indígena do povo Baré, Tukano e Baniwa.
Gilce Guilherme França (articuladora de Educação e Patrimônio Cultural) tem a função de articular e apoiar a educação indígena, como os direitos à educação seja ela indígena ou não e suas diretrizes de parcerias.
Paulo Cardoso, representante do poder executivo( prefeito em exercicio) e Presidente da câmara legislativa do município de Santa Isabel do Rio Negro (SIRN) agradeceu e parabenizou a comunidade pela iniciativa do projeto que está sendo desenvolvido e que estará sempre disposto a ajudar toda a comunidade.
Professora Cleonice Rodrigues Bento, povo Baré, reivindicou a SEMED/SIRN, mais atenção, apoio nos materiais escolares didáticos e pedagógicos, a mesma sentiu-se sozinha, sem muito apoio e pediu aos comunitários dar continuidade ao projeto, pois para ela seria este o último ano, com a face cheia de lágrimas emocionada.
Na noite do dia cinco, o encerramento das atividades se deu com uma noite cultural, no qual as rainhas do traçado de arumã desfilaram. As jovens foram todas bem criativas com suas roupas de dança e traje de banho, desde a roupa ao assessório, tudo trabalhado com matéria prima local (sementes, penas, cascas de madeiras, etc.).
Todas as roupas foram confeccionadas pela moradora da comunidade dona Alberta, cada peça era diferente uma da outra. O resultado do desfile se deu com a jovem Aparecida Caetano Murilo, povo Baré, a nova rainha dos traçados de arumã 2022.
“Esse pequeno projeto mostrou, que podemos fazer algo mais pelas comunidades ribeirinhas, basta ter força de vontade, apoios dos docentes, discentes, comunidades, lideranças locais, associações, organizações governamentais e não governamentais para levar a esse povo uma vida equilibrada, justa e de qualidade.” Finalizou Gilce Guilherme.
Entre os dias 25 e 28 de Outubro de 2022, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro realizou a I Assembleia Regional de Adolescentes e Jovens Indígenas da Articulação Indígena de Adolescentes e Jovens de Yauaretê (AIAJY)_
A Assembleia foi realizada no Salão Paroquial da Missão Salesiana do Distrito de Iauaretê, contou com 200 participantes entre adolescentes, jovens e adultos das calhas de rios do Alto e Médio Waupés, Papurí e Japú.
Os principais temas debatidos durante a Assembleia foi sobre a Educação, Saúde, Identidade e Patrimônio Cultural dos povos indígenas.
Os jovens participantes falaram que há muito tempo não é realizado uma atividade específica voltada aos jovens, essa ocasião foi uma oportunidade importante para o fortalecimento da região.
Valorização cultural
Nos Grupos de Trabalhos (Gts), foi debatida encaminhada a valorização da cultura: importância de repasse dos conhecimentos culturais de pai para filho. Onde os jovens aprendem com os pais sobre as tradições, danças, mitos, lendas, benzimento.
A Educação Escolar Indígena que precisa ser diferenciada de acordo com o plano indígena. Implantação de Cursos técnicos, instalação de pontos de internet nas comunidades distantes para que os jovens possam acessar cursos de Ensino a Distância (EAD).
Também a importância de atuação das equipes de saúde, ter acompanhamento psicólogo, pois é muito importante, para que os jovens tenham orientações, rodas de conversas sobre prevenção de suicídio ou outras violência, e ter acompanhamento de conhecedor tradicional.
Que os jovens se envolvam mais nas atividades de interação e iniciar seu envolvimento na política de luta do movimento indígena, para que eles se preparem para sua caminhada como liderança, ingresso na faculdade, etc. E que eles já sejam jovens lideranças a partir desta assembleia.
Moda Indígena
O Sioduhí (estilista indígena) do povo Piratapua, apresentou sua invenção na moda indígena com tingimento de tecidos com matérias primas naturais da região do alto Rio Negro, no qual chamou atenção dos jovens, pois o mesmo passou por dificuldades, porém não desistiu do seu objetivo e disse aos jovens que eles devem sonhar alto e lutar para que isso se torne realidade.
Encaminhamento
O Evento foi uma realização importante para fortalecimento dos jovens da Região da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI), com a participação dos jovens do povo Hupda do Rio Japu e do Médio Rio Papurí.
Os jovens esperam que mais eventos voltados a eles se realize para fortalecimento e crescimento dos mesmos, que essa articulação continue firme e fortes, pois são as futuras lideranças desta região.
_Indicação de Jovens representantes de Associações das calhas de rios se deu para melhor forma de articulação dentro da própria região._
Referência da AIAJY:
Jolyney Alves Amaral – Sede do Distrito de Yauarete;
Referência da calha do Rio Papurí:
Guadalupe Borges de Jesus – ACIARP/ACIMRP
Referência da calha do Médio Rio Waupés:
Uriel Saldanha Campos – ACIMERWA
Pedro Paulo Rodrigues Carvalho – ACIRJA
Referencia da calha do Rio Waupés:
Rosiléia Figueiredo Moreno – ACIRWA
João Davi Trindade – ONIARWA
Coordenação
Josiane Pereira – Articuladora do DAJIRN
Realização
O evento foi organizado pela FOIRN através do Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro (DAJIRN), Articulação da região COIDI.
Equipe da FOIRN: Departamento de Educação (Lorena Araújo) Sioduhí (estilista indígena) Hildete Marinho (Secretária) Oziel de Oliveira Melgueiro (Patrimônio Institucional)
Convidados
Representante do Instituto Federal do Amazonas (IFAM), CAPS/SEMSA, Escolas Estaduais (Pamuri Mahsa Wi’i e São Miguel), Escola Municipais (Santa Maria e Tariano).
Entre os dias 17 e 19 de outubro, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) reúne mulheres lideranças das cinco regiões de base para discutir o Tema “Fortalecendo a rede de conhecimento para o enfrentamento das mudanças climáticas” e a escolha de articuladoras representantes de suas coordenadorias regionais.
A II Assembleia Extraordinária das Mulheres Indígenas do Rio Negro foi realizada com o objetivo de fortalecer a articulação da rede de conhecimento para enfrentamento das mudanças climáticas, com a sua nova reestruturação aprovada.
Maria do Rosário Piloto Martins (Dadá Baniwa), Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro da Foirn (DMIRN/FOIRN), apresentou os trabalhos do Departamento executado no período de 2021 e 2022, e na roda de conversa, cada região teve a oportunidade de avaliar a apresentação e os trabalhos realizados.
As principais pautas
O diretor presidente da FOIRN, Marivelton Barroso do Povo Baré, contribuiu com as pautas sobre: O que são Mudanças Climáticas?, Justiça climática e de Gênero: “Valorização dos conhecimentos tradicionais das mulheres em relação às mudanças climáticas”; Defesa dos territórios “Plano de enfrentamento das mudanças climáticas dentro dos territórios indígenas”.
Os Grupos de trabalhos foram organizados para discutir como as mulheres indígenas estão enfrentando as mudanças climáticas em seus territórios e quais são os desafios.
As lideranças ex- coordenadoras que estavam presentes trocaram experiências com as mulheres sobre a linha do tempo da luta da mulher indígena e suas organizações; o Empoderamento feminino; Lideranças na comunidade “Contribuição das mulheres indígenas”; Desafios e desigualdade; Análise reflexiva e histórica sobre o papel da mulher nas suas comunidades, destacando a sua luta em defesa dos direitos sociais destas comunidades, evidenciando a temática, igualdade de gênero, para que possam conhecer a outra face da história construída por elas.
Inovações e Iniciativas
Francinéia Bitencourt do povo Baniwa (Ex Coordenadora do DMIRN 2014 a 2016) apresentou sobre a produção de absorventes de pano, projeto esse que tem com um dos maiores objetivos contribuir na diminuição da poluição dentro do território.
E o Sioduhi do povo Piratapua apresentou a inovação com a suas pesquisas e atuação da moda indígena com tingimentos de tecido, usando matéria – prima da região do alto Rio Negro.
Reestruturação do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro
Em vez de criar uma personalidade jurídica para o Departamento de mulheres Indígenas do Rio Negro, o DMIRN vai continuar vinculado a Federação, com uma estrutura mais organizada, onde haverá uma coordenadora Geral do departamento na sede da FOIRN, e nas regiões CAIMBRN, COIDI, DIAWI’Í, NADZOERI e CAIARNX, estará as articuladoras regionais.
É direito das mulheres definir suas representantes, onde todas serão avaliadas de acordo com sua articulação e exercício de sua função para dentro de seu território no âmbito de sua Coordenadoria Regional de Base.
“Nas coordenadorias regionais precisa ter uma articuladora para mobilizar as mulheres de sua região, e na sede uma coordenadora Geral que fará o contato com parceiros financiadores e captar mais recursos”. Disse uma Liderança e delegada da Nadzoeri.
Nas Assembleias regionais foi levada essa proposta a todas as lideranças, para que fosse realizada nesta data a Eleição de Articuladoras de base do Departamento de Mulheres.
O perfil da articuladora para trabalhar junto à coordenadoria, que seja liderança ativa no movimento indígena, tenha facilidade na articulação, mobilização e diálogo com as outras mulheres lideranças e jovens, que tenham conhecimento mínimo de informática básica para elaboração de relatório, elaborar projetos, etc.
Faltavam apenas 03 coordenadorias a escolher suas articuladoras de base, sendo a Nadzoeri, Coidi e Diawi’i, pois a Caimbrn realizou eleição regional para a escolha e Caiarnx já tinha sido eleita que até o momento da assembleia estava ocupando a posição de segunda coordenadora que passou agora a virá Articuladora.
“Nova missão a ser exercida. Agradeço a Deus por me oportunizar. Agradeço as mulheres da região do Médio e Baixo Rio Negro, que depositaram a confiança para que eu pudesse enfrentar esse novo desafio em prol da nossa rica região. Agradeço também aos que torceram e não torceram para que concretizasse essa responsabilidade a minha pessoa. Mas agora como articuladora das mulheres indígenas do Médio e Baixo Rio Negro, pretendo dar o meu máximo com o auxílio de representante de cada base/associações para construirmos juntos os nossos objetivos e metas a alcançar. Juntos somos mais fortes.” Cleocimara Baré – Articuladora do DMIRN da Região Caimbrn.
“Apostamos em conseguir desenvolver esse novo modelo de trabalho, é coisa nova para o movimento, temos que experimentar para dar certo. O Dmirn seguiu para uma dimensão no qual cresceu bastante, onde só duas coordenadoras não dariam mais conta de executar ações em todas as regiões. Há uma reivindicação de base que precisa ser atendida. Lá na frente podem avaliar se está valendo a pena ou não manter essa estrutura”. Disse Marivelton – Diretor Presidente da Foirn.
“Às vezes as pessoas nos criticam muito, dizendo que a gente parou e não desenvolveu nada. Era muito fácil quando a gente só discutia sobre demarcação de terra, a única bandeira de luta, onde os investimentos esforços eram só nisso, não se discutia uma outra coisa. Depois que as ações ampliaram e outras linhas temáticas frente a políticas públicas e controle social, formação e capacitação, iniciativas de sustentabilidade produtiva cresceram, ficou pequeno o teto de orçamento que tínhamos. Criticam muito que recebemos milhões, mas se fomos distribuir pelas ações que a gente faz, ela torna muito pouco. A Foirn hoje abrange de São Gabriel da Cachoeira até abaixo de Barcelos no Rio Unini” Completa Marivelton – Diretor Presidente da Foirn.
Participação de autoridades e convidados
Marivelton Rodrigues Barroso (Diretor Presidente de referência Caimbrn), Nildo Fontes (Diretor vice – Presidente de referência Daiawi’i) Dario Casimiro Baniwa (Diretor de referência Nadzoeri), Dulce Morais (representante do ISA para questão de gênero), Maria do Rosário (Coordenadora do DMIRN), Belmira Melgueiro (coordenadora do DMIRN), Socorro Gamenha (coordenadora-geral da Makira Eta, Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas), Profª Cecília Albuquerque (1ª coordenadora do DMIRN), Cleocimara (articuladora do Dmirn/Caimbrn). Foi registrado também a presença de ex-coordenadoras do DMIRN, Fernanda Ligabue, responsável pela produção do documentário sobre os 20 anos do DMIRN, representante do Conselho Tutelar e Ednéia Teles, representante do Selo Unicef de São Gabriel da Cachoeira.
A Composição das articuladoras e Coordenação Geral do DMIRN
Maria do Rosário Piloto Martins – coordenadora geral
Madalena Fontes Olímpio – articuladora NADZOERI;
Odimara Ferraz Matos – articuladora COIDI
Maria das Dores – articuladora DIWAI’I
Belmira Melgueiro – articuladora CAIARNX
Cleocimara Reis Gomes – articuladora CAIMBRN
O evento foi coordenado pela FOIRN através do departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN) em parceria com Instituto Socioambiental (ISA), contaram com o apoio financeiro do Fundo Elas, da CESE, Rede de Cooperação Amazônica (RCA) e Embaixada Real da Noruega (ERN).
Produtores Indígenas estiveram reunidos na casa do saber da FOIRN, entre os dias 10 e 14 de outubro de 2022. Com um dos principais objetivos adiscussão da qualidade e a precificação dos produtos, alteração e aprovação da Co – gestão da Casa Wariró e, o intercâmbio da RCA
A iniciativa é da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), coordenada pela equipe do Departamento de Negócios em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e Rede de Cooperação Amazônica (RCA), conta com o apoio financeiro da Rainforest Foundation Norway (RFN), NIA TERO e Embaixada Real da Noruega (ERN).
O I Encontro Geral de Produtores Indígenas do Rio Negro visa fortalecer as cadeias produtivas, após o mapeamento feito nos encontros regionas nas cinco regiões de base.
Durante o Encontro, os três primeiros dias (10 a 12), foram discutidas em grupo de trabalho sobre a comercialização, qualidade, medidas () e precificação de acordo com o mercado de produtos indígenas, essas propostas constam nos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) dos Territórios dos Povos Indígenas do Rio Negro como forma de valorizar a cultura milenar dos povos e preservação dos territórios.
A Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro (Wariró) gera beneficiamento para as familias indígenas, fortalecendo a cultura, levando para fora do estado do Amazonas através de logistas o conhecimento cultural e a diversidade do Rio Negro.
Ela representa o braço comercial da FOIRN, realizando a comercialização de produtos indígenas há mais de 25 anos de história. A loja comercializa artesanatos feitos com matérias primas diversas, como argilas, fibras de arumã e tucum, peças de madeiras, cipó-titica e piaçava, sementes diversas, entre outros. Os produtos vendidos na casa Wariró fazem parte do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, patrimônio material cultural do Brasil (IPHAN/2010).
Entre os temas debatidos estão: o acordo de Co-gestão, relação com artesãos, precificação, marca coletiva Wariró e as modalidades de pagamento de artesanatos.
Compras institucionais como os programas PAA (Programa de Aquisição de Alimentação) e PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) também foram apresentados como pautas do encontro.
“A importância desse primeiro encontro, dentre vários encontros que se fez ainda nessa história para bucsar organizar esse mercadado que vamos chamar, desses produtos, dos artesanatos principalmente, ao longo desse últimos 35 anos da foirn, nesses dias vamos refletir um pouco sobre isso também, onde é nós estamos e para quê estamos presentes nesse momento para discutir isso, para nós é sempre desafiador, ainda mais para nós que já temos um tempinho aqui na foirn, a frente desse trabalho, inclusive dessa mobilização política. Fazemos uma frente política em defesa do território, na defesa dos direitos indigenas, mas por outro lado há essa necessidadade fazer essa discussão sobre a linha economia uindigena.” Disse Nildo Fontes Tukano – Diretor Vice -Presidente da Foirn.
Diretor Presidente da Foirn, Marivelton Rodrigues Baré, lembrou sobre o Encontro da arte Wariró e Encontro de Produtores, foi mais especificamente para lançar o selo de qualidade que leva a marca da Wariró, do Rio Negro e os dados dos artesãos e povo quando vendem os produtos de dentro das terras indígenas.
“Nos últimos anos buscamos fortalecer o trabalho de reorganização, exatamente pensando na arte Wariró, todo o conceito dessa arte de divulgar para fora, ter a logomarca, markentig, isso ela tem com uma boa visibilidade, e não como uma loja comercial comum e qualquer, mas sim como uma casa de produtos indígenas do Rio Negro que foi criada com a finanlidade de promover a geração de renda, sustentabilidade e economia financeira de nós povos indígenas a partir de nossos potenciais, que temos dentro de nossos territórios, não só essa riqueza e grandeza da diversidade étnica, mas também artesanal, que é produzida. Devemos mostrar a nossa arte cultural.” Completa.
“A gente viu a melhoria dos artesanatos né? então eu sempre falo que o primeiro olhar do cliente é o do Artesão, tem que ter esse olhar de cliente.Se eu faço uma peça e vejo que ela não tá muito boa, claro que eu não vou comprar então seu olho com olhar de cliente eu sei que vai vender e o segundo olhar é de quem compra para revender. Quem compra para para mandar para fora, nós aqui no caso da Wariró, elas são segundo olhar do cliente, por que o cliente vai confiar no que elas forem falar”. Disse Luciane Mendes – Coordenadora do Departamento de Negócios Socioambientais da FOIRN.
O Diretor Dario Baniwa agradeceu a presença dos produtores, e disse que antes eles tinham muita dúvida sobre a Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro – Wariró, mas que neste encontro os participantes vão ter esse conhecimento para repassar aos demais produtores que estão nas bases.
“Cada povo indígena tem a sua técina de produção e manejo, e a gente aqui entra por uma questão que é bastante desafiador, comercializar os nossos produtos produzidos em nossas comunidades através de associações, nos deparamos com algumas situações com falta de informação, e muitas das vezes falta de dar o valor agregado cultural daquele produto”
Grupos de Trabalhos foram organizados para debater os assuntos em pauta. Após todas as apresentações de grupos, foi sistematizado o documento do Acordo de Co – Gestão para aprovação por todos os delegados presentes neste encontro.
No terceiro dia houve a aprovação do Acordo da a Co – gestão, dos trabalhos da Casa de Produtos Indigenas do Rio Negro – Wariró. Todos os participantes assinaram o termo após a aprovação.
Os encontros de produtores indígenas foram realizados em cada coordenadoria regional da Foirn, como o Médio e Baixo Rio Negro (região da CAIMBRN) Alto Rio Negro (região da Caiarnx), Rio Içana (região da Nadzoeri), Médio Uaupés, Alto Uaupés e Rio Papuri (Região da Coidi), Baixo Uaupés e Rio Tiquié e Afluentes (Região Diawi´i).
Intercâmbio de Cadeias de Valor
Na manhã do dia 11 de outubro, o grupo 23 pessoas, formado por representantes das Organizações membros da RCA, chegam em São Gabriel da Cachoeira com o objetivo de trocar de experiência em cadeias de valor ou cadeias produtivas do Rio Negro e visitam o Instituto Socioambiental, a Casa Wariró e por fim, conheceram a sede da FOIRN, onde cada departamento político e técnico receberam e apresentaram os trabalhos executados pela equipe e a importância de ter essa parceria com a Rede de Cooperação Amazonica (RCA).
A Equipe RCA também foi conhecer o projeto de Turismo de Base Comunitária do Rio Marié, na Terra Indígena Médio Rio Negro II, onde há nove ano o projeto leva beneficiamento para 14 comunidades de abrangência da Associação das comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (ACIBRN), com sede na comunidade Tapuruquaramirim.
O grupo da RCA foi recepcionado pela comunidade e lideranças que compõem a diretoria atual da Associação com dança tradicional acompanhada por flautas e Cariçu. Como de costume e tradição foi oferecido frutas e farinha da produção local e um almoço tradicional.
As lideranças da comunidade, juntamente com diretor, presidente da Foirn Marivelton Baré , apresentaram o breve histórico do Projeto Marié e compartilharam como foram estabelecidos os acordos coletivos, a articulação da Câmara Técnica de Gestão do projeto e o grupo de vigilância e monitoramento.
Foram abordados também os principais desafios e as soluções e resultados alcançados. Neste processo de reflexão os representantes da RCA também puderam colocar as suas questões e estabeleceram diálogos entre a iniciativa apresentada e seus contextos.
E antes de retornar a cidade, a equipe visitou o posto de vigilância do projeto Marié.
Nos dias 13 e 14, foram compartilhadas as experiências das iniciativas de cadeias produtivas locais, ligadas à produção e comercialização de alimentos e artesanatos e de turismo de base comunitária nas diferentes regiões e Terras Indígenas de Alcance da Federação e da Rede.
O encerramento do Encontro e o intercâmbio foi fechado com Feira dos Produtores Indígenas do Rio Negro e apresentações culturais dentro da casa do saber da Foirn.
II Encontro Regional para o Intercâmbio de Conhecimento foi realizado de 19 a 23 de setembro em Letícia, na Amazônia colombiana
Foto: Reprodução.
Cerca de 50 lideranças de 22 territórios indígenas de cinco países que fazem fronteira com a região norte do rio Amazonas participaram do II Encontro Regional para o Intercâmbio de Conhecimento. O evento foi realizado entre os dias 19 e 23 de setembro de 2022, na cidade de Letícia, na Amazônia colombiana.
Com o objetivo de manter a conectividade na Amazônia, os organizadores do encontro promoveram um espaço de troca de aprendizados, estratégias e metodologias, inspirando soluções relevantes para geografias estratégicas para o ecossistema e a conectividade sociocultural do bioma.
Uma das discussões do encontro foi a organização dos povos indígenas para exigir a titulação e demarcação de territórios. Outro tema, foi a construção de ferramentas de gestão, como os planos de vida, os planos de gestão territorial e Ambiental e os protocolos de consulta prévia, livre e informada.
A troca de experiência entre povos de diferentes localidades levou a percepção de que além das tradições, costumes e a necessidade de defender os territórios das ameaças – que não param de aparecer todos os dias – muitas outras coisas os unem como ter na alimentação a pimenta, farinha e tucupi.
Visita na comunidade de Mocagua do povo Tikuna. Diretor Nildo Fontes – Foirn. Foto: Reprodução Foto: Reprodução
No primeiro dia do Intercâmbio, os participantes visitaram a comunidade Mocagua, onde habitam os povos Ticuna, Yagua, Witoto, Bora e Ocaina.
“Muitos deles foram pessoas que moravam em terras e hoje são pessoas de rios, porque tiveram que adaptar suas casas a terras mais altas. Hoje, eles trabalham com Turismo de base comunitária, onde encontraram uma forma de manter unido e assegurado a cultura. Eles apresentaram a experiência de fortalecimento da Governança de seu território”. Disse Janete Alves, diretora da Foirn.
Os participantes estavam acompanhados pelas oito Organizações da Sociedade Civil que integram a Aliança NorAmazônica Brasil (ANA):
Do Brasil: lnstituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé); Instituto Socioambiental (ISA);
Da Venezuela: Fundación Wataniba
Da Colômbia: Fundación Gaia no Amazonas
Equador: Fundação EcoCiência e Naturaleza y cultura Internacional
Perú: Instituto del Bien Común – IBC e Naturaleza y cultura Internacional – NCI Perú.
A dinâmica do encontro foi feita em grupos de trabalhos, em rodas de conversas para compartilhar as experiências de cada delegação representando a sua organização.
GT 1: Conversando sobre origem das Experiências e sobre o processo de práticas;
GT 2: Conversando sobre a participação de homens e mulheres no processo/ Gênero e Juventude.
GT 3: 01 – Novas Lideranças; 02 – Governança e Território; 03 – Intercâmbio Cultural; 04 – União ou unidade; 05 – Sistema de conhecimento ancestral.
GT 4: Construindo um Chamado em conjunto (Carta) feita com participação de representantes de cada país.
GT 5: Montagem e exposição de cada iniciativa das organizações presentes.
Wilmar Rezende apresentando o processo de produção do Banco Tukano. Foto: Reprodução.
Após os trabalhos em grupo, houve a elaboração e aprovação da carta do “Chamado conjunto dos povos indígenas da Amazônia no marco do II Encontro Regional para Intercâmbio de Conhecimento “Conversas da Amazônia”. Em seguida, essa carta foi apresentada aos parceiros da Aliança NorAmazônica – ANA e que servirá para futuras mobilizações das organizações da sociedade civil.
Resultado esperado do encontro:
– Visibilizar estratégias locais que provam ser de alto impacto; Fortalecer processos locais a partir de uma visão regional; Inspirar soluções pertinentes em outras localidades; Identificar e potencializar sinergias; Posicionar as estratégias locais como referência territoriais para salvaguardar a conectividade ecossistêmica e sociocultural; Promover um trabalho conjunto, colaborativo e coordenado na região norte do rio Amazonas.
Organização anfitriã: Fundação Gaia Amazonas e coordenadora da Aliança NorAmazônica, que tem o objetivo de manter a conectividade na Amazônia.
A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN, foi representada por Nildo Fontes – Diretor Vice-presidente da FOIRN, Janete Alves – Diretora da FOIRN, Wilmar Rezende – Agente Indígena de Manejo Ambiental (AIMA) da região da coordenadoria DIAWI’I, Drª Renata – Advogado do ISA e Marcos Wesley – ISA.