Participantes da assembleia da sub-regional da Foirn realizado na comunidade Monte Alegre, Baixo Uaupés. Foto: Ednéia Teles/FOIRN
Representantes das 12 associações de base da Coordenadoria DIAWI’I participaram da assembleia regional eletiva realizada na comunidade Monte Alegre, no Baixo Uaupés, nos dias 9 e 10 de outubro. Durante o encontro foram traçadas estratégias de nova governança da coordenadoria DIAWI’I. A partir da assembleia, essa região passará a desenvolver os trabalhos por três microrregiões: Microrregião Alto Tiquié, Microrregião Médio Rio Tiquié; Microrregião Baixo Tiquié e Baixo Uaupés.
Durante a plenária foi reeleito para o cargo de diretor de referência da região do DIAWI’I o senhor Nildo José Miguel Fontes, da etnia Tukano. Para a coordenadoria regional foi escolhida dona Rosilda da Silva, também da etnia Tukano, resultado muito comemorado pelas mulheres indígenas. O novo mandato vai de 2021 a 2024.
Este ano o tema dos encontros é “Pandemia e os saberes tradicionais dos povos indígenas” e, como aconteceu nas outras reuniões regionais, as lideranças destacaram a importância do uso dos remédios e outras práticas tradicionais no enfrentamento à Covid-19.
Para o indígena Roberval Azevedo, os remédios tradicionais evitaram que os casos de Covid-19 se agravassem. “Remédio tradicional salvou nossas famílias, combateu a Covid-19, como também outros males que afetam os povos indígenas. Nossos remédios tradicionais evitaram internações e intubações no hospital. Mesmo assim muitos parentes foram a óbitos, principalmente nossos pajés, conhecedores tradicionais, nossas parteiras e entre outros que foram a óbito principalmente por Covid-19”, disse.
Presente ao encontro, o indígena Antônio Marques avaliou que é necessário manter os cuidados contra a doença. “Mediante o conhecimento dos pajés, vem segunda onda do novo coronavírus. E virá muito mais forte, irá causar perdas e muito choro entre as famílias, e que pessoas devem ter mais cuidado e continuar se tratando com pajés e remédios tradicionais”, disse.
Cerca de 130 pessoas participaram da assembleia, que contou com a participação de representantes das coordenadorias NADZOERI, CAIMBRM, CAIARNX, COIDI. Representantes do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (Dsei-ARN) e Condisi-ARN também estiveram presentes. O evento seguiu orientações sanitárias para evitar a Covid-19, havendo distribuição de máscaras e material higiênico.
Lideranças Tukano com máscara durante a assembleia. O evento seguiu os protocolos de saúde devido a pandemia da Covid-19. Foto: Ednéia Teles/FOIRN
Um dos participantes do encontro, Otávio Bruno Neves, da etnia Tukano, reforçou a importância da reunião democrática. “Estou achando muito importante participar da assembleia como convidado, pois estamos em um país democrático, no século XXI: nossas atividades, nossos problemas devem ser resolvidos em conjunto. Isso se chama democracia. Estamos aqui também para eleger nossos representantes do movimento indígenas. É válido ouvir lideranças, e a FOIRN tem nos representado muito bem”, disse.
Participantes da Assembleia da Caiarnx, realizado na comunidade Tabocal dos Pereira, alto Rio Negro. Foto: Raquel Uendi/ISA
As lideranças das coordenadorias regionais da FOIRN que vão atuar na gestão 2021/2024 começaram a ser definidas com a realização, nos dias 17 e 18 de setembro, da V Assembleia Regional Eletiva da Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro, Xié e TI Balaio (CAIARNX). Este ano, o tema das assembleias é Pandemia e os Saberes Tradicionais do Povos Indígenas do Alto Rio Negro.
O encontro da CAIARNX reuniu cerca de 80 pessoas e seguiu as orientações sanitárias para reduzir o risco de contaminação pelo novo coronavírus.
Juventude Indígena presente na assembleia. O evento seguiu todas as orientações e protocolos sanitários, como uso obrigatório de máscaras e álcool em gel disponível para os participantes. Foto: Raquel Uendi/ISA
O atual diretor da Caiarnx, Adão Francisco Henrique, da etnia Baré, foi reeleito para o cargo. Já o coordenador regional eleito é Ronaldo Ambrósio Melgueiro, da etnia Baré. Outras quatro assembleias regionais vão acontecer até 17 de outubro. A assembleia geral eletiva da Foirn está marcada para ocorrer os dias 26 e 27 de novembro.
Durante a assembleia da CAIARNX, que ocorreu na Comunidade Tabocal dos Pereiras, São Gabriel da Cachoeira (AM), foram discutidos e encaminhados temas importantes para o movimento indígena, como por exemplo a necessidade de fortalecer a participação das mulheres e jovens, reforçar a rede de comunicadores, melhoria da articulação da diretoria regional nas comunidades e reforço da mobilização junto ao Governo Federal e outras instâncias do poder público para que não haja perda de direitos.
Presidente da Foirn, Marivelton Barroso, da etnia Baré, participou da assembleia e ressaltou que esse é um momento positivo, apesar dos grandes desafios. “Que os trabalhos sigam sendo fortalecidos apesar dos desafios do atual cenário político brasileiro, que não está fácil. O governo, que é oposição às causas do movimento indígena, questões sociais, minorias. Principalmente nós no território indígena somos constantemente atacados, vários direitos sendo diminuídos. Temos cada vez mais que fortalecer e unir os 23 povos indígenas aqui da região”, disse.
Assista ao vídeodocumentário da nossa Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro “Somos a Rede Wayuri”:
Cachoeira (AM), 15 integrantes da Rede Wayuri de Comunicação Indígena participaram da III Oficina de Formação da Rede para trabalhar técnicas de audiovisual com foco na prática de reportagens e documentários.
Durante a oficina, os comunicadores, falantes de cinco línguas diferentes (Baniwa, Hup, Nheengatu, Tukano e Yanomami) produziram o primeiro vídeo documentário que conta sobre o trabalho precursor deste coletivo de comunicadores indígenas no rio Negro.
Com o propósito de contar suas próprias histórias, os comunicadores indígenas produzem mensalmente desde novembro de 2017 o boletim de áudio Wayuri, um podcast que dá notícias sobre a cultura, educação, saúde, eventos e trabalhos das comunidades ligadas à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).
Divulgado principalmente pelo WhatsApp e compartilhamento via aplicativos como ShareIT, o boletim de áudio está em sua edição número 27 e conta com a participação de correspondentes em várias comunidades distribuídas entre os municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, todas no Amazonas.
A diversidade cultural é uma qualidade da Rede, que conta agora com comunicadores dos povos Baré, Baniwa, Desana, Hup’dah, Tariano, Tukano, Piratapuia, Tuyuka, Yanomami e Wanano. Os áudios são gravados muitas vezes nas línguas originais dos povos e também traduzidos para o Português para que sejam entendidos por falantes de outras línguas da própria região.
O Acampamento Terra Livre (ATL) começa hoje, 24/04, e vai reunir nos próximos dias (24 a 28/04), cerca de dois mil indígenas de todo o país em Brasília.
A presença de lideranças indígenas do Rio Negro é composta por membros da diretoria executiva da FOIRN, coordenadores regionais e representantes de organizações dos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.
O objetivo do Acampamento Terra Livre é reunir lideranças de todas as regiões do Brasil para discutir e se posicionar sobre a violação dos direitos constitucionais e originários dos povos indígenas e das políticas anti-indígenas do Estado brasileiro.
As pautas da mobilização são: a paralisação das demarcações indígenas; o enfraquecimento das instituições e políticas públicas indigenistas; as iniciativas legislativas anti-indígenas qual só devem ser consideradas Terras Indígenas as áreas que estavam de posse de comunidades indígenas na data de promulgação da Constituição (5/10/1988); os empreendimentos que impactam negativamente os territórios indígenas.
O ATL 2017 é promovido pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) com apoio de organizações indígenas, indigenistas, da sociedade civil e movimentos sociais parceiros.
Veja a programação
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24 de abril
Noite:
– Chegada das delegações e recepção
– Apresentação artística surpresa
25 de abril
Manhã:
– Plenária de Abertura
– Mesa de Debate: Ameaças aos direitos indígenas nos três poderes do Estado
– Plenária: Orientação dos Grupos Temáticos de Trabalho
Terras e territórios indígenas
Empreendimentos que impactam os territórios indígenas
Marco temporal, direito de acesso à justiça e criminalização de comunidades e lideranças indígenas
Saúde indígena
Educação escolar indígena
Legislação indigenista
Tarde:
– Plenária: Socialização dos Resultados dos Grupos Temáticos de Trabalho
– Audiência Pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal
Noite:
– Mostra Terra Livre de Audiovisual
– Show “Demarcação Já” com a presença de artistas de expressão
27 de abril
Manhã:
– Plenária: “Unificar as lutas em defesa do Brasil Indígena”, com a participação de representantes de organizações e movimentos sociais, urbanos e do campo.
– Plenária / Mesa: “Articulação e unificação internacional das lutas dos povos indígenas”, com a participação de lideranças indígenas da Apib e do movimento indígena internacional.
Tarde:
– Marcha da Esplanada dos Ministérios
– Protocolo do Documento Final do ATL 2017 junto a ministérios
– Audiência e protocolo do Documento Final do ATL 2017 nos gabinetes dos Ministros do Supremo Tribunal Federal
– Encerramento
Noite:
– Mostra Terra Livre Audiovisual
– Apresentação do Documentário Martírio, de Vincent Carelli
28 de abril
– Participação do movimento indígenas no ato público da Greve Geral junto a outros movimentos sociais
Cerimônia de benzimento da maloca antes da abertura do seminário
Antes mesmo de começar, com a Casa do Saber/Maloca cheia de participantes do evento, o grupo de danças tradicionais da etnia Tuyuka realizou a cerimônia de benzimento do espaço.
Após isso, foi dado a abertura oficial do Seminário Povos Indígenas do Rio Negro, que ocorreu entre os dias 17 a 19 de abril, que fez parte da programação do Abril Cultural Indígena realizada pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN, e seus parceiros e apoiadores.
O evento reuniu mais de 200 lideranças, para discutir os temas (1) histórico e incidências políticas no Rio Negro e no Brasil, (2) linha do tempo e as perspectivas regionais de sustentabilidade, (3) desafios e perspectivas de gênero do movimento indígena, (4) Plano de Gestão Territorial e Ambiental – PGTA e Sustentabilidade do Rio Negro, (5) experiências de povos indígenas com empresas, (6) patrimônio cultural imaterial e (7) oportunidades de projetos e financiamento de iniciativas indígenas.
A partir dessas discussões e debates, as lideranças indígenas presentes traçaram a linha do tempo das ações do movimento Indígena do Rio Negro para promover uma reflexão sobre os trinta anos de fundação da FOIRN e apontar novos desafios e traçar propostas e ações a serem implementadas.
Membros da Rede de Cooperação Amazônica participam do seminário
As organizações indígenas membro da Rede de Cooperação Amazônica como ATIX – Associação Terra Indígena do Xingu, AMAAIAC do Acre, OGM Vale do Javari, CIPK Kaxinawá, OPIAC do Acre, HUTUKARA Yanomami, expuseram suas experiências de lutas pelos direitos indígenas e atualmente a construção dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental de seus territórios.
Noites culturais e feira de artesanatos
Durante o dia ocorreu uma feira organizada pelas mulheres indígenas com a participação de representantes dos povos indígenas do estado do Acre. Cerâmicas, bolsas, pimenta, banco Tukano, arco e flecha e muitos produtos feitas por mulheres vindo as cinco regionais do Rio Negro foram expostos nas barracas organizados por coordenadorias regionais. As artesãs autônomas também estiveram presentes na feira.
Durante as noites após o encerramento dos trabalhos do dia, teve apresentação de danças tradicionais e atividades culturais, incluindo a participação dos estudantes do Curso de Formação de Professores Indígenas da Universidade Federal do Amazonas.
As atividades do Abril Cultural Indígena continuam, no próximo dia 29/04, terá Jogos Indígenas e o encerramento das atividades do mês.
Segue abaixo o resumo das discussões e propostas por eixos temáticos trabalhados durante o seminário.
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(1)Histórico e incidências políticas no Rio Negro e no Brasil: foi discutido como os indígenas perceberam o novo momento histórico e jurídico do estado brasileiro com a Constituição de 1988 e a oportunidade de reconhecimento do território. Apresentaram-se os interesses dos povos indígenas, do exército brasileiro, da aeronáutica e da marinha com relação ao processo de demarcação de terras indígenas, uma reivindicação das lideranças indígenas do Alto Rio Negro, dada a invasão de garimpeiros, os projetos de colonização e outras pressões externas nessa região. Após a demarcação de terras, políticas públicas diferenciadas foram conquistadas, como por exemplo, saúde indígena, educação escolar indígena, participação em conselhos de gestão pública e inclusão dos povos indígenas nos programas de direitos sociais. A partir da maior interação com o Estado e com o restante da sociedade brasileira, ocorreram mudanças profundas nesses últimos 30 anos. Houve também desestruturação e descontinuidade dos avanços conquistados. Assim com a preocupação que se tem hoje com relação a atuação do movimento indígena, pensando na gestão futura da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN e atentos as ameaças e retrocessos em relação aos direitos indígenas, definiu-se:
Aprofundar as discussões sobre governança territorial e continuar a construção do Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Rio Negro;
Elaborar uma estratégia de registro da história da FOIRN e do movimento indígena do Rio Negro em diferentes formatos para o envolvimento da juventude como forma de transição geracional. Registrar em formato de livros e vídeos para poderem ser trabalhados nas escolas e outros espaços educacionais;
Criar um mecanismo de transmissão de conhecimento e experiências adquiridas para que as lideranças que passam pela FOIRN continuem envolvidas e participando do movimento indígena; dar mais e reconhecimento as lideranças que já passaram por cargos; traçar estratégias para superar desafios do movimento indígena através da participação dos jovens e lideranças experientes do rio Negro.
(2) Linha do tempo e as perspectivas regionais de sustentabilidade: foi apresentada uma linha do tempo por regional representativa da FOIRN (em anexo). Elaboração de projetos e execução de atividades a partir das demandas das comunidades indígenas com perspectiva de sustentabilidade:
A COIDI realizará assembleia extraordinária para resolver os problemas das associações com relação às pendências do CNPJ e elaborar propostas de projetos de alternativas econômicas;
A COITUA realizará o I Encontro de Consolidação da Gestão do Associativismo Indígena: Pensando Alternativas com os Povos Indígenas da Calha do Uaupés, rio Tiquié e afluentes e definirá o planejamento e ações para os próximos anos;
A CAIARNX definirá uma agenda de trabalho para definir uma proposta conforme encaminhamento da última assembleia sub-regional; preencherá a ficha cadastral de associação e fortalecerá a politica local; acompanhará o projeto, ou revitalizar os projetos paralisados;
A CAIMBRN continuará acompanhando as atividades de turismo na região do Médio Rio Negro; realizará levantamentos das etapas de elaboração do PGTAs das terras indígenas da região; acompanhará as atividades sobre o ordenamento pesqueiro na região; continuará mobilizando a luta pela demarcação das terras indígenas do Baixo Rio Negro; trabalhará pela regularização das organizações e incentivará a contribuir ao Fundo Wayuri;
A CABC continuará com a discussão da política de gestão ambiental focado no investimento da capacidade das pessoas de avaliar, propor e executar ações que melhorem a vida, geração de renda e economia indígena sustentável. Especificamente, continuará acompanhando estruturação das cadeias de valor de produtos tradicionais da região, tais como pimenta, wará, tucupi, mel de abelha, e pequena produção de arroz.
(3) Desafios e perspectivas de gênero do movimento indígena: Continuando as discussões da Assembleia Eletiva das Mulheres, foi debatido o fortalecimento do movimento das mulheres indígenas. Em especial, esse fortalecimento deve ser através da criação de uma Organização de Mulheres que seja independente e representativa em nível do Rio Negro. Também foi debatida articulação com mulheres de outras regiões e buscar um espaço físico para filial da loja Wariró em Manaus.
Fortalecer a política do movimento de mulheres indígenas do Rio Negro por meio das viagens de articulação;
Realizar troca de conhecimentos com as associações de mulheres de outros estados;
Envolver a juventude nas políticas de discussão do movimento indígena do rio Negro.
(4) Plano de Gestão Territorial e Ambiental – PGTA e Sustentabilidade do Rio Negro: As organizações indígenas membro da Rede de Cooperação Amazônica como ATIX – Associação Terra Indígena do Xingu, AMAAIAC do Acre, OGM Vale do Javari, CIPK Kaxinawá, OPIAC do Acre, HUTUKARA Yanomami, expuseram suas experiências de lutas que começou com arco e flecha e que hoje é feita com caneta e papel. Falou de sucessos e fracassos; processos de construção de PGTA como oportunidades de reflexão e o que levou ao fortalecimento político, étnico, cultural e identitário de seus povos; reorganização e retomadas de autonomia de decisões políticas. Contaram também suas experiências bem sucedidas em projetos como sistemas agroflorestais, mapeamentos de atividades produtivas, direitos sociais, educação, saúde e alternativas econômicas. As dificuldades internas e externas que afeta todos os povos indígenas no Brasil também foram analisados, além de apontar ameaças atuais em relação aos territórios e aos direitos indígenas. Tais ameaças afirmam a importância do PGTA como instrumento de luta e concretização de sua autonomia. As experiências de outros povos de outras regiões trouxe reflexão para realidade do Rio Negro que está em processo de construção de seus PGTAs. Ficou apontado a necessidade de reorganizar a luta do movimento indígena do Rio Negro e a FOIRN, discutir e definir melhor a governança das terras indígenas no Rio Negro, definir melhor políticas do movimento indígena e FOIRN nas questões alimentares, cultura, identidade, geração de renda, economia, perfil de lideranças, políticas e serviços públicos diferenciados. As propostas elaboradas a partir deste eixo e de debate são:
A FOIRN junto com as coordenadorias regionais deve organizar agenda de um processo de reflexão nas comunidades junto com associações de base conduzindo a reformulação, reorganização e fortalecimento político do movimento indígena do rio Negro e FOIRN que será consolidada na forma de governanças dos territórios coletivos indígenas;
Discutir e definir políticas e projetos de alimentação saudável que fortalece a cultura, identidade, promove o bem estar, o bem viver, geração de renda e patrimônio cultural;
Elaborar plano estratégico de discussão e a promoção de uso sustentável de recursos pesqueiro e da biodiversidade capazes de valorizar conhecimentos tradicionais e divulgação cultural dos povos indígenas através da produção e comercialização no mercado Brasileiro e fora dela;
(5) experiências de povos indígenas com empresas: o seminário discutiu experiências de comercialização e turismo em parceria com empresas, em especial os casos da OIBI (pimenta e cestarias) e o Projeto Marié, da ACIBRN. Esses projetos demonstram que o desafio maior não é encontrar parceiros, mas organizar e preparar as comunidades e associações para trabalhar numa lógica diferente, de mercado, com cronograma de trabalho e prestação de contas, por exemplo. Os projetos e parcerias nem sempre possuem recursos necessários para realizar todos os estudos, diagnósticos e capacitações necessárias, mas isso precisa ser pensado antes de começar. Foi lembrado também a importância de conversar sobre como vai ser usado o dinheiro, como as comunidades serão igualmente beneficiadas e como isso será investido, para garantir que o usufruto seja coletivo e não de poucas pessoas ou famílias. O alerta é também para o cuidado com as empresas que se escolhe para trabalhar, conhecer seu histórico, sua experiência e capacidade de executar o que for combinado e cuidar para que tudo que for combinado esteja em um contrato seguro. Não são as empresas que decidem onde querem trabalhar e que comunidades vão trabalhar com eles, a decisão é das comunidades. Os parceiros e a própria FUNAI devem acompanhar, trabalhar junto e assistir as comunidades em seus projetos conforme determina a PNGATI. Quando as pessoas decidem comprar algum produto ou algum serviço, elas escolhem pela qualidade e sabem fazer isso. Querem comprar produto com nota fiscal e saber que não vai acabar o recurso natural. “No rio Negro não dá para desenvolver atividades sem as parcerias, por envolver muitos mecanismos antes de chegar no mercado. Precisamos estruturar, nos organizar. Precisamos nos profissionalizar”. Os encaminhamentos foram:
Priorizar a comercialização de produtos da roça – resolver as questões de escoamento, valorização e legalização dos produtos;
Associações devem definir seu projeto: o que quer fazer, quem é responsável por cada atividade e como vai garantir que todas as decisões serão tomadas com a participação de todos. Somente depois trazer uma empresa para trabalhar;
FOIRN vai construir propostas para criar um Mercado Indígena em parceria com FUNAI e Prefeituras Municipais.
(6) patrimônio cultural imaterial: O foco da mesa foi a política de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial executada pelo IPHAN e a discussão sobre a abertura do processo de revalidação da Cachoeira da Iauaretê como Patrimônio Cultural do Brasil. A plenária levantou questões sobre o processo ao presidente do DPI/IPHAN, que estava na reunião, e ressaltou que há também em toda a região muitos outros lugares importantes e sagrados que deveriam ser igualmente valorizados e registrados. A COIDI também entregou uma carta de manifestação ao presidente do DPI/IPHAN e à Superintendente do IPHAN no Amazonas, pedindo a expansão do registro da Cachoeira da Onça para outros lugares sagrados ao longo dos rios Uaupés e Papuri, e não simplesmente a revalidação do título da Cachoeira da Onça.
No tema do Sistema Agrícola do Rio Negro foi discutido e ressaltado que toda política pública na área da produção agrícola para o Rio Negro, seja federal, estadual ou municipal, deve levar em conta as questões e orientações postas no contexto do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, que é um patrimônio cultural reconhecido. E que os órgãos públicos que atuam nessa área (Sepror, Idam, Sempa) devem incorporar todas as orientações definidas nesse âmbito, adequando suas políticas, programas e projetos para o contexto sociocultural e ambiental do Rio Negro.
Por fim, outro ponto ressaltado é que muitas vezes as questões que envolvem a valorização da cultura e do patrimônio cultural não são pauta das discussões e ações levadas a cabo pelas próprias associações locais, escolas e comunidades. E que para avançar nessa área é importante que essa pauta esteja presente e viva em todos os encontros, assembleias, nas escolas e em seus PPPs.
(7) Oportunidades de projetos e financiamento para iniciativas produtivas e conservação: Flexibilizar as oportunidades por meio do Edital Floresta em Pé, iniciativa da Fundação Amazonas Sustentável – FAS em parceria com o Fundo Amazônia/BNDES, para as organizações indígenas que deverão submeter projetos com apoio técnico da FAS. Isso aumentará o acesso das organizações indígenas aos recursos disponíveis, que geralmente são muito burocráticos.
Com o tema “Rio Negro, Somos nós que fazemos”, o Abril Cultural Indígena 2017 será aberto oficialmente nesta sexta-feira, 07/04, às 19h30, no Casa do Saber maloca da FOIRN, localizado na Avenida Álvaro Maia, nº 79, centro de São Gabriel da Cachoeira – AM.
O evento é organizado pela Federação das Organizações Indígenas do rio Negro (FOIRN) e a Coordenação Regional Rio Negro/Funai, em parceria com a Prefeitura Municipal, escolas municipais, escolas estaduais, IFAM – Campus São Gabriel da Cachoeira e outras instituições locais.
Segundo Marivelton Barroso, presidente da FOIRN, este ano a FOIRN teve a iniciativa de envolver as instituições como forma de chamar a atenção para a realidade dos Povos Indígenas do município e do Brasil. ” O evento é uma oportunidade de mostrar a todos a nossa cultura e as brincadeiras realizadas dentro da comunidade, além de falar de nossas preocupações com a situação dos Povos Indígenas do Brasil”, diz presidente.
São esperados mais de 200 participantes direto nas palestras, seminários e outras atividades.
“O objetivo das atividades alusivas ao dia do índio, é estimular o reconhecimento e a valorização dos povos e culturas indígenas, com o fortalecimento da identidade e a promoção da sustentabilidade socioeconômica dos povos do rio Negro”, disse Domingos Sávio Barreto, coordenador da FUNAI Rio Negro.
Na abertura de lançamento do Abril Indígena Rio Negro 2017 terá apresentação da Agremiação Baré e o grupo Tuyuca. Coo também terá uma palestra do André Baniwa sobre o tema e campanha lançada recentemente sobre “Menos preconceito, mais índio”.
Após a palestra será feito o anúncio da PROGRAMAÇÃO das atividades que serão realizadas durante o Abril Indígena, que inclui Atividades Culturais nas escolas da sede do município, o III Encontro de Lideranças Indígenas que terá como o tema central de discussões e debates a sustentabilidade, palestras nas escolas, feira de exposição e comercialização de produtos indígenas, apresentações culturais e jogos indígenas que serão realizadas na Orla da Praia.
A programação também terá como atividade a participação de um grupo de lideranças indígenas no Acampamento Terra Livre a ser realizado entre 24 a 28 de abril em Brasília.
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Programação Abril Indígena Rio Negro 2017
Dia 07 (sexta Feira):
– Lançamento “Abril Cultural Indígena, rio Negro é nos que fazemos”
Local: Maloca da FOIRN/ Horário: 19 hs e 00 min
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Dia 10/04 (Segunda-Feira)
– Oficina na Escola Estadual Sagrada Família
“ Cultura e agente que faz”
– Local: Escola Sagrada Família/Horario: Integral
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Dia 11/04 (Terça Feira)
– Oficina na Escola Estadual Sagrada Família;
“ Cultura e agente que faz”
Local: Escola Irmã Inês Penha/ Horario: Integral
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Dia 12/04 (quarta Feira)
– Discussão sobre A Lei Municipal de Cultura;
Local: Câmara Municipal;
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Dias 17 a 19/04
– III Encontro de Lideranças Indígenas do Rio Negro;
Local: Maloca da FOIRN/ Horário: Integral
Durante o dia terá Feira das Mulheres Indígenas nos dias 18 e 19/04 (manhã/tarde).
Noites culturais
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Dia 24 a 28/04
– Participação de Lideranças Indígena do Rio Negro no Acampamento Terra Livre ATL;
Local: Brasília
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Dia 29/04 (Sábado)
– Jogos Indígenas
Local: Orla da Praia/ Horário: 07:30 as 13:00
Noite
– Encerramento e Premiação dos vencedores Jogos indígenas
Nada melhor que encerrar um evento cultural com danças indígenas. Foi o que aconteceu no encerramento do I Festival da Diversidade Cultural do Rio Negro que reuniu durante três dias (01-03) várias etnias do Rio Negro para discutir economia indígena, valorização dos conhecimentos milenares e a venda seus artesanatos e produtos da roça.
As artesãs afirmaram nas suas avaliações que o evento foi muito bom e que vão voltar satisfeitas pelos resultados que alcançaram. E destacaram que o mais relevante nesses dias de evento foi a troca de experiências e a aprendizagem de nossos conhecimentos.
“Foi muito bom, tivermos a oportunidade de rever nossas amigas e conhecemos novas pessoas. O mais importante que aconteceu nesses dias foi a troca de experiências com outras artesãs e os novos aprendizados. Precisamos continuar e fortalecer ainda mais essa iniciativa”, Cecília da ASSAI – Associação das Artesãs Indígenas de São Gabriel da Cachoeira.
De acordo elas, para próximo edição do evento, a coordenação precisa intensificar a divulgação do evento para que mais pessoas participem ou visitem a exposição.
A presidente da FOIRN, Almerinda Ramos de Lima, disse que o compromisso da diretoria executiva e da instituição é melhorar para próxima edição e trazer mais pessoas das bases para participar do evento. E trazer mais parceiros para apoiar a iniciativa.
“Na próxima queremos fazer ainda melhor e maior. Pois dessa vez, não conseguimos trazer todas as 20 associações que convidados. E diversificar ainda mais as atividades durante o evento”, disse Rosilda Coordeiro, Coordenadora do Departamento de Mulheres, uma das coordenadoras do evento.
Cerca de trezentas pessoas passaram pelo evento além dos artesãos que instalaram as barracas nas dependências da FOIRN durante os três dias de festival.
A realização do evento é uma reivindicação das associações de base, como espaço de exposição de artesanatos, discussão e debate sobre a economia indígena e empreendedorismo e a especialmente a celebração da diversidade de culturas dos povos que vivem no Rio Negro . E a FOIRN através do Departamento de Mulheres, buscou parcerias e recursos para que o evento fosse realizado. Contou com apoio do Museo do Índio, Fundação Nacional do Índio (CR Rio Negro), e parceria do Instituto Socioambiental e IDAM-SGC.
A FOIRN e os povos indígenas do Rio Negro enviam seus sentimentos e forças ao povo Guarani que resiste ao genocídio.
Até quando as comunidades indígenas serão atacadas por fazendeiros armados e assegurados por políticas públicas que não punem os mandatários destes crimes e retardam a demarcação das terras indígenas?
Mato Grosso do Sul está em guerra e o nosso lado é o dos Guarani.
A FOIRN solidariza-se com os Guarani-Kaiowá, especialmente com os familiares da liderança assassinada e dos feridos, e exigimos que o Ministério da Justiça tome providências imediatas e efetivas.
São Gabriel da Cachoeira , 15 de junho de 2016
Diretoria Executiva-FOIRN
“Neste momento de alegria e de festa para a FOIRN e para os 23 povos indígenas do Rio Negro, é com muita satisfação e orgulho que cumprimento as autoridades – representantes de instituições locais e parceiras, lideranças indígenas, artesãs e artesãos, por fim, todos os presentes aqui.
Em primeiro lugar quero dizer que é uma grande honra e satisfação tê-los presentes nesta cerimônia solene de inauguração da Wariró. Hoje, 27 de maio de 2016, é uma data especial e simbólica para todos nós indígenas que vivem aqui no Rio Negro. Especial porque depois de muitas dificuldades e persistência, conseguimos ter novamente o novo espaço físico para a Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro. Simbólico porque representa mais uma conquista depois do incidente ocorrido em junho de 2014, quando o nosso Centro de Referência – onde funcionava a loja Wariró foi incendiado de forma criminosa, um momento de muita tristeza para todos nós.
Mas, não desistimos. Após essa perda dolorosa, continuamos a luta. Recebemos incentivos de várias pessoas, de parceiros, apoiadores e, principalmente, das mulheres e homens que contribuíram na construção desta no Casa, incentivos que nos fortaleceram na busca por meios de reconstruir a nossa Wariró.
A Wariró é uma conquista da FOIRN nestes 29 anos de existência.
Quando foi fundada em 30 de abril de 1987, a FOIRN tinha como a principal bandeira de luta a demarcação das terras indígenas no Rio Negro. Essa etapa foi conquistada e após isso veio o desafio de criar meios e formas de desenvolver as a gestão territorial das terras demarcadas e apoiar as comunidades indígenas em suas iniciativas, bem como garantir-lhes o acesso aos serviços públicos que são seus por direito. Foram realizados vários projetos em campos diferentes, como na educação escolar, comunicação, saúde indígena, resgate e valorização cultural, alternativas econômicas e geração de renda, entre outros.
Diante da necessidade de contribuir na geração de renda para as comunidades, através da valorização dos artesanatos produzidos pelos diferentes povos indígenas na região, bem como fortalecer a economia indígena, foi iniciado a discussão de implantação de um centro de comercialização, que resultou na construção da loja Wariró, inaugurada em 2005.
Para nós, indígenas do Rio Negro, os artesanatos são mais que simples artefatos que usamos nos nossos afazeres no dia a dia, como na pesca, na caça, na agricultura e nas cerimônias. Os artesanatos são formas de representar a nossa identidade cultural, contar a nossa história, são instrumentos que guardam nossa rica história e cultura milenar, e que é transmitido de geração para geração.
Por isso, a Wariró representa para nós, além da comercialização de artesanatos, um espaço de encontro e reafirmação da diversidade de culturas e conhecimentos indígenas do Rio Negro.
Hoje, temos de volta a Wariró, aonde iremos continuar fazendo a comercialização de artesanatos feitos às mãos e promover o desenvolvimento sustentável dos povos indígenas no rio Negro. Através da Wariró promovemos a valorização do conhecimento tradicional, contribuímos na geração de renda para as famílias, e na preservação e incentivo às práticas ancestrais através da venda de produtos indígenas.
Essa reconstrução só foi possível através do apoio de instituições e pessoas que reconhecem a importância desse espaço para os povos indígenas do Rio Negro. Queremos agradecer imensamente a Horizont3000 e Aliança pelo Clima pelo apoio dado para a construção do novo espaço da Wariró – que estamos inaugurando hoje. E também nossos parceiros como o Instituto Socioambiental, Fundação Nacional do Índio – Coordenação Regional Rio Negro, Rainforest da Noruega e Embaixada Real da Noruega quem vem colaborando conosco permanentemente.
Não poderia deixar de agradecer também a diretoria atual da FOIRN pela dedicação e esforço feito para que esta casa fosse construída e inaugurada nesta data.
E termino, não sem antes deixar daqui agradecimento especial para as artesãs e artesãos, lideranças e diretores que passaram na FOIRN, pois, se temos hoje a Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro, foi, porque lutaram por isso e conseguiram. E a nossa luta continua!” – Almerinda Ramos de Lima – Presidente da FOIRN.
A Associação Indígena Água e Terra – Ahköiwi (Ahkö água em Tukano e Iwi Terra na língua Nheengatu), fundada em novembro de 2013, sediada na comunidade Kurika na foz do rio Curicuriarí, deu mais um passo na construção do projeto Ecoturismo na serra Bela Adormecida, na reunião realizada no dia 19 de março.
A reunião teve como objetivo a apresentação de relatório de atividades programas para o início deste ano, a regularização da documentação da associação e abertura da trilha na serra.
A trilha foi feita por um grupo de pessoas e já está pronta. A documentação da associação está em processo de regularização.
O próximo passo será dado em abril, quando será feita uma uma oficina para detalhar o projeto e definir o próximo passo de atividades.
Os trabalhos sobre o tema, começaram a ser feitos sistematicamente a partir de setembro de 2015, quando representantes da associação participou da oficina “Turismo em Terras Indígenas”, realizado pela CR Rio Negro (FUNAI) em parceria com a FOIRN, ISA e parceiros locais.
Presentes na reunião, Marivelton Rodriguês Barroso – Diretor da FOIRN e Orlando José de Oliveira – Coordenador da CAIMBRN, ressaltaram a importância do projeto em discussão para a gestão territorial e ambiental nas comunidades de abrangência da associação e como para os demais povos indígenas do Rio Negro.
Na oficina estiveram também presentes associações indígena como ACIPK e ACIR que tem interesse em desenvolver esta atividade.