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  • Conhecimentos ancestrais fortalecidos: Encontro no Tiquié reúne Kumuã para discutir Covid-19 e cria coordenação de saberes tradicionais indígenas

    Conhecimentos ancestrais fortalecidos: Encontro no Tiquié reúne Kumuã para discutir Covid-19 e cria coordenação de saberes tradicionais indígenas

    Participante do 1º Encontro de Conhecedores Tradicionais do Rio Tiquié. Foto: Ana Amélia Hamdan/ISA

    Algumas voadeiras que circularam pelo Rio Tiquié na primeira semana de dezembro transportaram passageiros com uma missão especial: trocar saberes tradicionais utilizados no enfrentamento à Covid-19 e estabelecer um protocolo indígena de proteção contra essa doença e outras enfermidades que possam atingir os povos do Rio Negro. Nos dias 4, 5 e 6 de dezembro, a comunidade Serra de Mucura, no Rio Tiquié, município de São Gabriel da Cachoeira (AM), recebeu o 1º Encontro de Conhecedores Tradicionais do Rio Tiquié, promovido pela Foirn com apoio do Instituto Socioambiental (ISA):  foram três dias de intensa troca de saberes entre os kumuã (plural de kumu) – como os conhecedores tradicionais são conhecidos na região. A reunião contou com a presença de um pajé que conduziu ritual para proteger indígenas e não indígenas do novo coronavírus.

    “Um dos objetivos do encontro é organizar os protocolos tradicionais indígenas de tratamento e prevenção da Covid-19. Os conhecedores fizeram os contos, as narrativas sobre as prevenções e tratamentos. Avançamos mais, com a criação de uma coordenação interna para conduzir estratégias para combate e prevenção da Covid e para articular outros eventos desse tipo, agregando mais conhecedores”, informa o vice-presidente da Foirn, Nildo Fontes, também diretor de referência da DIAWI´I (Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes).

    Nildo Fontes participou do encontro de Kumuã e explica que a demanda dessa reunião surgiu durante a realização das assembleias regionais eletivas da Foirn, quando indígenas moradores de diversas regiões reforçaram a informação de que recorreram aos saberes ancestrais para combater a Covid-19. Durante toda a pandemia, os povos tradicionais do Rio Negro utilizaram plantas medicinais, benzimentos e rituais para proteção no enfrentamento à pandemia. O relato é de que muitos se curaram com essas práticas, o que levou ao fortalecimento desses conhecimentos. Entretanto, esse resultado não foi registrado pelos órgãos oficiais.

    “Muitos de nós tivemos os sintomas da doença, usamos os medicamentos tradicionais e nos curamos, mas isso não está nos registros oficiais. Queremos que isso registrado”, explica Nildo Fontes. 

    Na conclusão da assembleia, foi divulgada uma carta em que os Kumuã demandam das instituições apoio para valorização dos saberes, inclusive com remuneração dos conhecedores e construção de casas de saber. Foi criada uma coordenação de conhecedores tradicionais para articulação e mobilização para fortalecimento dos saberes, estando prevista a realização de novo encontro em 2021, na comunidade de Caruru Cachoeira, também no Rio Tiquié. Fazem parte desse grupo o antropólogo Dagoberto Azevedo, da etnia Tukano, doutorando da Universidade Federal do Amazonas (Ufam); o professor Orlindo Marques, da etnia Tukano; Geraldino Tenório, da etnia Tuyuka; o conhecedor Damião Barbosa, Yeba Masã; o agente de saúde indígena (AIS) Arlindo Moura, Tukano.

    Entre os conhecedores presentes estavam Nazareno Marques (Tukano); Mário Campo (Desana); Tarcísio Barreto (Tukano); Celestino Azevedo (Tukano); Feliciano Tenório (Tuyuka); Damião Barbosa (Yebamasã). Além deles havia professores, agentes indígenas de saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (Aimas).

    O coordenador-adjunto do Programa Rio Negro do ISA, Aloisio Cabalzar, e a analista de comunicação do ISA, Juliana Radler, participaram do encontro de conhecedores do Rio Tiquié. Durante a assembleia foi entregue a representantes de comunidades a publicação Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Alto Rio Negro (PGTA), elaborado em conjunto pela FOIRN e ISA. O volume foi lançado em novembro durante a XV Assembleia Eletiva da Foirn.

    Aloísio Cabalzar aponta que o uso dos conhecimentos tradicionais durante a pandemia levou a um processo de autoconfiança dos indígenas. “Aqui nessa região, o tratamento principal para os povos Tukano é o benzimento, o encantamento que é feito pelos conhecedores. Eles procuraram nesse conjunto de encantamentos, a origem dessa doença. Então, a importância desse encontro é ser uma oportunidade de vários conhecedores do rio, de vários povos e comunidades, se encontrarem. Nem todo mundo sabe as mesmas coisas. Eles puderam compartilhar o que que estão fazendo, o que está dando certo”, disse.

    O encontro foi registrado por equipe do ISA e Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas, coordenada por Juliana Radler. Ela explicou que os registros do encontro serão utilizados para a produção de um documentário de curta duração que mostrará o enfrentamento da Covid-19 a partir de ações articuladas pelo Comitê Interinstitucional de Combate à Covid-19 de São Gabriel da Cachoeira e do uso de remédios e práticas tradicionais dos povos indígenas. As filmagens foram feitas no local pelo documentarista Christian Braga, com apoio do fotógrafo indígena Paulo Desana e do comunicador indígena Mauro Pedrosa. “Foi um encontro de força impressionante. Como jornalistas e comunicadores fomos chamados a levar adiante o recado dos povos indígenas de fortalecimento dos saberes e cuidado com meio ambiente”, disse Juliana Radler.

    Durante quatro dias, os conhecedores discutiram em suas línguas indígenasprincipalmente Tukno e Tuyuka   –  com apoio de tradução para o português do antropólogo Dagoberto Azevedo, além de Orlindo Marques e Geraldino Tenório. Uma das demandas dos próprios conhecedores é que esses saberes sejam compartilhados para com todos os povos indígenas do Rio Negro. O material será traduzido por comunicadores indígenas e compartilhado por meio de áudios com os demais povos do Rio Negro.

    O Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN) apoiou e participou do encontro. Representante do órgão, a psicóloga Ana Délia explicou que os trabalhos das equipes levam em conta a valorização dos saberes indígenas. Ela orientou sobre os procedimentos para evitar a contaminação pelo novo coronavírus, como uso de máscara, álcool em gel e evitar compartilhar objetos.

    Participantes do 1º Encontro de Conhecedores Tradicionais do Rio Tiquié. Foto: Ana Amélia Hamdan/ISA

    RITUAL

    Localizada na floresta amazônica e no meio do caminho entre os distritos de Taracuá e Pari-Cachoeira, Serra de Mucura é considerado um local sagrado pelos indígenas, abrigando quatro cavernas que representam malocas de onde surgiram os povos indígenas do Alto Rio Negro, do qual o Tiquié é afluente.   

    Capitão da Comunidade Serra de Mucura e presidente da Associação Indígena das Comunidades do Médio Tiquié, Roberval Sambrano Pedrosa e seus familiares recepcionaram o grupo de conhecedores. “Estamos realizando um grande evento aqui na comunidade sobre Covid-19. Estou muito alegre. É um lugar especial, com quatro cavernas que representam malocas antigas de onde se se originaram os povos do Alto Rio Negro”, explica.

    O encontro se tornou ainda mais especial com a realização de um ritual conduzido pelo pajé Jairo Villegas, que é um Yaí, um tipo de especialista tradicional que trabalha chupando as doenças dos pacientes. Os próprios indígenas explicam que a presença de um pajé nas comunidades foi ficando cada vez mais rara devido à influência dos religiosos que consideravam a prática um pecado, o que aconteceu também com os rituais de proteção.

    Na cerimônia realizada na Serra de Mucura foram benzidas substâncias como rapé, tabaco, Ipadu, carajiru, jenipapo e breu branco. O ritual foi regado com a bebida tradicional caxiri, preparada pelas mulheres da comunidade. Cantos e danças ocorreram pelo menos durante 8 horas seguidas. Foram utilizados maracás, chocalhos e adornos.

    Durante esse ritual, o pajé rearrumou o mundo, mandando a Covid-19 de volta para o lugar de onde ela saiu. Entretanto, ele mandou o recado de que precisa de uma contrapartida dos não indígenas, que devem parar de mexer no meio ambiente e de   provocar desmatamentos e queimadas. Também ajudaram na condução do rito o conhecedor Damião Amaral e os bayás (mestre de cerimônias) Rodrigo Lima Barbosa e Bernardo Lima Barbosa, todos da etnia Yeba Masã. O pajé fala a língua Makuna, que foi traduzida por Damião Amaral.

    Para ajudar no entendimento da ação do pajé, o antropólogo Dagoberto Azevedo compara o ritual realizado na Serra de Mucura a uma dose de reforço da vacina. “O que eles puderam fazer no ritual é a arrumação desse mundo cosmológico com esteio e portas de sustentação. Depois protegeram essa plataforma terrestre com esteios que têm durabilidade para combater o novo coronavirus. Protegeram a pessoa também com uma série de luzes e reflexos”, explica. O pajé também mencionou o uso de plantas amargas, como o cipó saracura. 

    O antropólogo indica que o ponto principal é que o pajé mandou a doença de volta para casa. “O ponto principal é que eles encaminharam o vírus para a origem dele, na casa dos brancos. Parecia que (o vírus) veio atacar os povos indígenas da região. O Yaí viu e abriu caminho por onde ele veio. Poderia atingir os não indígenas, mas ele flexibilizou essas portas para que os parceiros continuem trabalhando com os povos indígenas. Com essa flexibilização, o Yaí viu com a força do pensamento que a doença parecia estar querendo retornar. Mas nesse encontro ele reforçou essa proteção. Lançou como se fosse o reforço da vacina, traduzindo para vocês entenderem”, resume Dagoberto.

    Veja abaixo as principais demandas que constam da Carta dos Kumuã do Rio Tiquié      

    1 – Criar programas referente a valorização e fortalecimento dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas da região Diawií;

    2 –   Criar agenda de discussão interinstitucional para elaborar mecanismos para reconhecimento da categoria de conhecedores tradicionais visando à remuneração no processo de trabalho preventivo e de cura das doenças;

    3 –   Apoiar projetos específicos para as aldeias indígenas sobre cultura, encontros, cerimônias e atividades relacionadas para seu fortalecimento

    4 –   Apoiar na construção das casas dos saberes, usando materiais modernizados; elaborar projetos arquitetônicos para construção de casas de saber com formato tradicional e usar materiais adaptados modernos nas estruturas;

    5 –   União das instituições no processo de projetos referentes nos anseios dos povos indígenas;

    6-    Criar mecanismos para organizar formação e reconhecimento de novos conhecedores tradicionais indígenas;

    7-    Apoiar na divulgação dos trabalhos dos encontros;

    8 –   Valorização de antropólogos indígenas para colaborar no processo de organização do protocolo de prevenção e tratamento da Covid-19 e de outras doenças com conhecimentos tradicionais para o uso interno das comunidades dentro de seus territórios.

    Participantes moradores de comunidades (por comunidade e em ordem alfabética)

    Acará-Poço

    Oscarina Caldas Azevedo, Desana, de Acará-Poço

    Rafael Antônio Azevedo, Tukano, de Acará-Poço

    Boca do Sal

    Rafael Marques, Tukano, de Imaculada/Boca do Sal

    Caruru-Cachoeira

    Claudimar Rezende Marques, Tukano, de Caruru-Cachoeira

    Nazareno Marques, Tukano, de Cachoeira Caruru

    Orlindo Marques, Tukano, de Caruru-Cachoeira

    Cunuri

    Estévão Monteiro Pedrosa, Tukano, Cumuri

    João Carlos Pedrosa, Tukano, de Cunuri

    Guadalupe

    Oziel Barbosa Macedo, Desano, de Guadalupe

    Morro do Beija-Flor

    Bernardo Lima Barbosa, Yeba Masã, de Morro do Beija-Flor

    Tarcísio Lima, Yeba Masã, de Morro do Beija-Flor

    Pirarara-Poço

    Alesânia Aguiar Azevedo, Tukano

    Arnaldo Azevedo, Tukano, de Pirarara-Poço

    Celestino Rezende Azevedo, Tukano, de Pirarara-Poço

    Derluce Massa Azevedo, Tukano, de Pirarara-Poço

    Edigio Veiga, Desano, de Pirara-Poço

    Eugênia Pimentel, Desano, de Pirarara-Poço

    João Pedro Lima Azevedo, Tukano, de Pirarara-Poço

    Jones Rezende, Tukano, de Pirarara Poço

    Jusaleia Veiga, Desana, Pirarara-Poço

    Osimar Azevedo, Tukano, de Pirarara-Poço

    Palmira Azevedo, de Pirara-Poço

    Rafael Peixoto Veiga, Desano, de Pirarara-Poço

    Rosilene Aguiar Azevedo, Tukano, de Pirarara- Poço

    Rosivaldo Aguiar Azevedo, Tukano, de Pirarara-Poço

    Vilmar Rezende Azevedo, Tukano, de Pirara-Poço

    Porto Amazona

    Jairo Lemdaño Villega, Makuna, Porto Amazona

    Santa Rosa

    Inácio Macedo Barbosa, Yeba-Masã, de Santa Rosa

    João Bosco Macedo, Desano, de Santa Rosa

    Mateus Gomes Macedo, Desano, de Santa Rosa

    São Domingos

    Tarcísio Borges Barreto, Tukano, de São Domingos

    São Felipe

    Damião Amaral Barbosa, Yeba-Masã, São Felipe

    Maria Áurea Nunes Batista, Baniwa, de São Felipe

    Rodrigo Lima Barbosa, Yeba Masã, de São Felipe

    São José I

    Rogelino da Cruz Alves Azevedo, Tukano, de São José I

    São Luiz

    Cornélio Gonçalves, Desano,

    São Miguel

    Geraldino Tenório, Tuyuka, de São Miguel

    São Pedro

    Anunciata Rezende Marques, Tukano, de São Pedro

    Edilson Villegas Ramos, Tuyuka, de São Pedro

    Feliciano Tenório, Tuyuka, de São Pedro

    João Paulo Tenório, Tuyuka, de São Pedro

    Josival Azevedo Rezende, tuyuka, de São Pedro

    São Sebastião

    Germano Campos, Desano, São Sebastião

    Margarete Pinheiro, Tuyuka, de São Sebastião

    Mário Campos, Desano, de São Sebastião

    Odilon José Lopes Campos, Desano, de São Sebastião

    Serra de Mucura

    Enedina Azevedo, Desana, Serra do Mucura

    Ernesto da Silva, Tukano, Serra do Mucura

    Jocimara Alves Maia, Tukano, de Serra do Mucura

    José Calixto Araújo Pedrosa, Tukano, Serra do Mucura

    Josiane Maria Pedrosa, Tukano, de Serra do Mucura

    Maria Aparecida Bernardes, Tariana, de Serra do Mucura

    Maria de Lourdes Marques Tenório, Tuyuka, de Serra do Mucura

    Roberval Sambrano Pedrosa, Tukano, Serra do Mucura

    Taracuá

    Arlindo Matos Moura, Tukano, de Taracuá

    Isaías da Silva, Tukano, de Taracuá

    FOIRN

    Vice-presidente, Nildo Fontes

    ISA

    Aloisio Cabalzar, coordenador-adjunto do Programa Rio Negro

    Juliana Radler, analista de comunicação

    Ana Amélia Hamdan, jornalista

    Christian Braga, documentarista

    Paulo Desana, fotógrafo e documentarista indígena

    Mauro Pedrosa, Aima

    Julião, Barqueiro

    Augusto, Barqueiro

    Antropólogo indígena

    Dagoberto Azevedo, Tukano, antropólogo doutorando da Univesidade Federal do Amazonas (Ufam)

    Dsei-ARN

    Ana Délia, Psicóloga

    Colaborou: Ana Amélia Hamdan/ISA e Nildo José Miguel Fontes/Foirn

  • Departamento de Educação da Foirn e Seduc avaliam Assessoria Indígena e buscam ampliação de parceria

    Departamento de Educação da Foirn e Seduc avaliam Assessoria Indígena e buscam ampliação de parceria

    Proposta das bases é criação de rede de lideranças indígenas para atuar em conjunto com os órgãos públicos responsáveis pelo ensino na região

    Diretoria da Foirn, assessoria indígena da Seduc e lideranças indígenas se reúnem para avaliar ações. Foto: Reprodução

    O Departamento de Educação Escolar Indígena da Foirn está em fase de reestruturação e já deu início a discussões para ampliar a participação de lideranças da região do Rio Negro na Assessoria Indígena da Secretaria de Estado da Educação do Amazonas (Seduc), com reforço na parceria entre as entidades. Nessa terça-feira, 01/12, a Diretoria da Foirn e Coordenador do Departamento de Educação Escolar Indígena, Edson Gomes Baré, se reuniram com a Assessora Indígena da Seduc, Sidneia Fontes, e com Alva Rosa, Assessora da Coordenação das Escolas Estaduais do Interior da Coordenadoria Local da Seduc em São Gabriel da Cachoeira (AM). Algumas lideranças indígenas de base também participaram do encontro.

    Entre os temas discutidos no encontro, que aconteceu na sede da Foirn em São Gabriel, estão a avaliação da atuação da assessoria indígena e a reestruturação do Departamento de Educação Escolar Indígena da Foirn, que acontece amparada nas demandas das bases discutidas e encaminhadas nas assembleias sub-regionais.

    Uma das principais propostas formar uma rede de lideranças indígenas que possam participar diretamente nas discussões e implementação de ações em parcerias com as instituições que cuidam do tema de educação de escolar indígena do Rio Negro, como as secretarias municipal e estadual de Educação. A proposta será consolidada no primeiro semestre de 2021.

    A Assessoria Indígena dentro da Seduc foi uma reivindicação e conquista do Movimento Indígena do Rio Negro no atual Governo Wilson Lima. Ao longo de dois anos de atuação, a assessoria tem sido um importante espaço de interlocução de lideranças e professores indígenas com o Governo do Estado, especialmente com a Seduc. Em 2019, algumas comitivas de lideranças indígenas conseguiram dialogar com a secretaria através da mediação da Assessoria Indígena. 

    Atual assessora, Sidneia Fontes relatou desafios na realização das ações e recomendou mais diálogo e união entre a assessoria e os espaços que já existem hoje, como a Gerência de Educação Escolar Indígena e o Conselho de Educação Escolar Indígena na luta e na implementação de ações.

    Conheça o trabalho do nosso Departamento de Educação Escolar Indígena: https://foirn.org.br/educacao/

  • Carta Manifesto de Indígenas Mulheres do Rio Negro

    Carta Manifesto de Indígenas Mulheres do Rio Negro

    Mulheres indígenas debateram saúde e protagonismo feminino indígena na pandemia de Covid-19|Ray Baniwa/Foirn

    Sobre a solicitação de Delegada Mulher em São Gabriel da Cachoeira/AM

    Nós, indígenas Mulheres, reunidas na VIII – Assembleia Eletiva do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN), da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), no município de São Gabriel da Cachoeira, representamos 91 associações e 750 comunidades indígenas, discutimos nossas pautas especificas, que são voltadas aos nossos direitos. Avaliamos e deliberamos que há uma necessidade da nomeação de uma nova DELEGADA MULHER para trabalhar conosco no atendimento contra a violência sexual e doméstica e discriminação contra a indígena Mulher. Nós cada vez mais estamos nos e empoderando sobre os nossos direitos. Nos últimos 02 anos, tivemos uma delegada que dialogou e acompanhou a indígenas mulheres vítimas de violência domesticas e outras violências, que consideramos importante continuar.

    Nosso município e nas comunidades indígenas, segundo a delegada Dra. Grace Jardim, apresenta alto índice de violência e violações de direitos das mulheres, sabemos que isso é devido em razão da falta de conhecimento de direitos e em razão da cultura machista de nossa sociedade. É primordial que o atendimento às mulheres pelo sistema de Segurança Pública seja realizado por uma mulher, pois somente assim nos sentimos acolhidas, como também

    É importante também que exista na Delegacia um atendimento especializado à mulher, com psicólogas, assistente social, Casa da Mulher, e outros atendimentos especializados no combate e enfrentamento à violência doméstica.

    Nós reivindicamos, ainda, que o Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN) da FOIRN, possa acompanhar diretamente a política pública voltada aos direitos das mulheres, especialmente, as ações relacionadas à Segurança Pública, para melhor acesso ao sistema de justiça, com o direito de denunciar e oferecer a nossa parenta um acolhimento humanizado, para se sentir protegida. Isso que queremos.

    Reivindicamos também uma Defensora Pública Mulher no município de São Gabriel da Cachoeira para que possa juntamente com a Delegada oferecer uma proteção a nossos direitos da mulher, pois vivemos em uma área muito remota e necessitamos de acesso à Justiça. Nossas parentes não têm condições de ir até a capital Manaus, sendo obrigação do Estado oferecer assistência jurídica no nosso município, como também aos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

    Além de trabalhar com o departamento, vimos a necessidade de uma Secretaria da Mulher que dialogue diretamente com as Organizações Indígenas, no processo de formação e acesso a seus direitos, com a promoção de cursos e oficinas em linguagem acessível, garantindo a interculturalidade, para que todas as famílias e mulheres possam ser parte participante dessa política de atendimento as mulheres e acesso a seus direitos.

    E nesse sentindo encaminhamos e aprovamos essa solicitação, para maior credibilidade segue a nossas assinaturas, por cada regional que ecoam vozes diversas das mulheres de 23 povos indígenas no Rio Negro.

    Saudações Indígenas das Mulheres do Rio Negro.

    São Gabriel da Cachoeira, 30 de outubro de 2020.

    Saiba mais: https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/mulheres-indigenas-do-rio-negro-fazem-chamado-a-autonomia-precisamos-perder-o-medo-de-falar

  • Jovens indígenas elegem representantes e reivindicam reforço na educação e ação contra mudança no clima

    Jovens indígenas elegem representantes e reivindicam reforço na educação e ação contra mudança no clima

    Participantes da IV Assembleia de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro realizado em São Gabriel da Cachoeira/AM

    Os dois novos coordenadores do Departamento de Jovens Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (DAJIRN/FOIRN) foram escolhidos nesta sexta-feira, 6 de novembro, durante a IV Assembleia Geral Eletiva de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro – Pandemia da Covid-19 e a Emergência Climática: Desafios para a Juventude Indígena do Rio Negro. Venceram as eleições para coordenar o DAJIRN/FOIRN entre 2021 e 2024 os jovens Elson Kene, de 27 anos, da etnia Baré, e Gleice Maia, de 18 anos, da etnia Tukano. Atualmente, os coordenadores do departamento são Adelina Sampaio, da etnia Desana, e Elson Kene.

    Entre os desafios dos novos coordenadores, estão dar continuidade ao fortalecimento do departamento, atuar junto ao poder público por medidas contra a emergência climática e por mais segurança. Essas foram algumas das demandas dos participantes da assembleia. Uma carta com essas reivindicações será encaminhada ao poder público, indicando. O documento indica, inclusive, a necessidade de o campus São Gabriel da Cachoeira do Instituto Federal do Amazonas (IFAM) passar a ser Instituto Federal Indígena do Rio Negro.

    Os jovens reivindicam também um terceiro coordenador que fique em Santa Isabel do Rio Negro ou Barcelos. Os atuais coordenadores do DAJIRN trabalham na sede da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira, e desenvolvem atividades no território indígena. Eles alegam que, como o território é muito extenso, o departamento centralizado não consegue dar voz à demanda de todos os jovens.

    Eleito para a coordenação do DAJIRN/FOIRN, Elson Kene já ocupa esse cargo, tendo assumido a função este ano, quando substituiu Lucas Matos, da etnia Tariano, que não terminou seu mandato por motivos pessoais. Elson Kene é professor, formado em licenciatura indígena no polo Cucuí da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Ele é da etnia Baré, mas nasceu e vive na comunidade Baniwa de Boa Vista, na Foz do Içana, e foi indicado pela NADZOERE (Associação Baniwa e Koripaco).

    A jovem Gleice Maia Machado, de 18 anos, é da etnia Tukano, tem ensino médio completo e mora do Distrito de Iauaretê. Ela foi indicada pela COIDI (Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê) e disse que pretende ajudar e representar os jovens de todas as etnias do Rio Negro. Os dois vencedores também foram os nomes indicados pela CAIARNX (Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié).

    Elson Kane Baré e Gleyse Maia Tukano foram eleitos para coordenar do Dajirn/Foirn na gestão 2021-2024. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A DIAWI´I (Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes) indicou Erinelson Piloto Freitas, Tukano, e Vera Lúcia Aguiar, Tukano. Já   CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro) indicou Lilia França, da etnia Baré. 

    Todas as cinco coordenadorias regionais da FOIRN participaram do encontro, que contou também com a presença de jovens indígenas da etnia Dãw. Cada uma das coordenadorias indicou os nomes que concorreram ao cargo de coordenador do DAJIRN. Tiveram poder de voto 10 representantes de cada coordenadoria regional.

    Advogada do Instituto Socioambiental (ISA), Renata Vieira acompanhou o processo eleitoral. Ela reforçou com os adolescentes e jovens que o Direito é um espaço de luta, ou seja, eles devem sempre estar na briga para que suas demandas sejam colocadas em prática.

    Esse é o primeiro encontro após o início da pandemia da Covid-19. Os jovens relataram sobre como suas comunidades enfrentaram a doença com o uso de remédios e práticas tradicionais. Falaram também sobre como o aquecimento global está interferindo na rotina dos indígenas. Informaram que querem dar prosseguimento aos estudos e, para isso, demandam mais apoio e estrutura do poder público. E pediram mais segurança, pois se sentem na linha de frente de problemas como alcoolismo, homicídio, suicídio.

    ATUAL GESTÃO

    Adelina de Assis Sampaio, atual coordenadora do Dajirn, apresenta relatórios de atividades do período de 2017-2020. Foto: Ana Amélia/ISA

    Um dos desafios enfrentados pela atual gestão foi a pandemia. O DAJIRN, assim como muitas instituições, precisou interromper projetos. Segundo Adelina Sampaio, o departamento deixou de realizar as oficinas e conscientização sobre os direitos dos povos indígenas que seriam realizadas no território.  

    Ela aponta que, ainda assim, o DAJIRN manteve as atividades. Adelina e Kelson participaram de entrega de cestas básicas e distribuição de máscaras. O Departamento de Adolescentes e Jovens atuou em conjunto com o Departamento de Educação da FOIRN mantendo diálogo com as secretarias de Educação municipal e estadual para acompanhar a suspensão e, em seguida, retomada das aulas devido à COVID-19.

    Sobre o tema do encontro, mudanças climáticas e Covid-19, Adelina Sampaio explica que são duas questões que estão impactando a vida dos jovens em seus territórios. “Temos ouvido jovens de outros territórios, até por meio de lives, para perguntar sobre a realidade em outros locais, saber sobre os impactos do desmatamento. Sabemos que o desequilíbrio no meio ambiente traz doenças. Não só Covid, mas dengue, malária. Então estamos discutindo esse tema no Rio Negro”, disse.

    ABERTURA

    A assembleia aconteceu quinta e sexta-feira (5 e 6 de novembro), no auditório do Colégio São Gabriel, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Os jovens desenvolveram grupos de trabalho e, a partir das discussões, apresentaram demandas.

    Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, participou da abertura do evento e até levou para casa, de presente, uma paca moqueada e beiju. Também estiveram na abertura a jornalista Juliana Radler, do Instituto Socioambiental (ISA); Mateus Vendramini, da Funai; Eraldina Machado, da FOIRN.

    Membros da FOIRN que fizeram parte do movimento de jovens indígenas e hoje ocupam outros cargos participaram do encontro e incentivaram os participantes. Entre essas pessoas estão Edneia Teles (Arapaso), Claudia Wanano, Elizângela da Silva (Baré), Ray Baniwa, e Janete Alves (Desana).

    Durante o primeiro dia da Assembleia, o Agente Indígena de Manejo Ambiental (AIMA), Mauro Pedroso, da etnia Tukano, falou sobre o calendário de ciclos anuais e políticas para adaptação das mudanças climáticas. O médico Guilherme Monção, do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (Dsei-ARN) falou sobre a Covid-19 no território indígena. 

    O encontro foi finalizado na tarde de sexta-feira, com uma partida de futebol entre os jovens indígenas do Rio Negro.

  • Comunicar para proteger: rede de radiofonia do Rio Negro é ampliada

    Comunicar para proteger: rede de radiofonia do Rio Negro é ampliada

    Intalação de nova radiofonia na comunidade Mafi, município de Santa Isabel do Rio Negro. Foto: Foirn

    A rede de comunicação por radiofonia está sendo fortalecida nas comunidades indígenas do Rio Negro em projeto desenvolvido em parceria entre Foirn, Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN) e Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi). Desde maio, já foram instalados 92 kits de radiofonia. No total, serão entregues aparelhos a 152 comunidades. O presidente da Foirn, Marivelton Barroso Baré, está realizando viagens pela região para a implementação desta ação.

    Considerada fundamental para a vigilância, proteção e gestão territorial desde o início da luta pela demarcação das terras indígenas, a radiofonia também é importante instrumento de controle social. Esse sistema de comunicação ganhou ainda mais relevância durante a pandemia, sendo primordial para o combate à Covid-19.

    Na última semana de agosto, oito comunidades indígenas receberam kits de radiofonia. Em viagem realizada pela Foirn, Dsei-ARN e Condisi, foram instalados equipamentos nas comunidades do Médio e Baixo Rio Negro. São elas: Mafi, Cujubim, Ilha do Chile, Tabocal do Enuixi, Lajinha, Acu Acu, São Joaquim e Tapereira.  Os recursos desse projeto são da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

    Para o presidente do Condisi, Jovânio Normando Baré, essa é uma luta antiga das lideranças e ver comunidades indígenas recebendo os kits de radiofonia é realizar um sonho.  “Agora as pessoas que não tinham como receber ou passar mensagem, vão poder se comunicar com outras. Isso só está sendo possível através da forte parceria Condisi, Dsei-Alto Rio Negro e Sesai com a Foirn, que tem sido fundamental nesse processo”, diz. 

    Jovânio Normando fez parte da equipe de viagem de instalações desses equipamentos nas comunidades na região do Médio e Baixo Rio Negro, junto com o Presidente da Foirn, Marivelton Barroso Baré.

    Com mais comunidades conectadas, a rede de comunicação através de radiofonia do Rio Negro fica maior e fortalecida. Esse trabalho de comunicação liderado pela Foirn com contribuição de parceiros tem sido fundamental para combate à Covid-19 e nas comunidades indígenas. 

    Marivelton Rodrigues Baré, Presidente da Foirn passando informações para as comunidades através da radiofonia. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Histórico

    As primeiras rádios no Rio Negro foram instaladas em 1994. Quatro delas foram adquiridas com apoio da Aliança Pelo Clima, sendo que oito equipamentos tiveram recursos dos Amigos da Terra.  Esses aparelhos foram instalados em pontos estratégicos após ampla discussão com as organizações de base filiadas à Foirn na época.  “A primeira radiofonia no Rio Negro foi instalada na comunidade Ilha das Flores”, lembra Maximiliano Corrêa Tukano, liderança que participou daquele momento histórico para a comunicação indígena na região.

    “Esse meio de comunicação chegou para apoiar a comunicação para a vigilância e gestão do território devido a intensas invasões de garimpeiros e empresas mineradoras. E posteriormente foi fundamental no processo de demarcação das terras indígenas e no início do Dsei. Nos anos seguintes, ampliamos para os outros municípios onde atua o movimento indígena. Fortalecer a nossa comunicação com as bases vai proteger o nosso território”, completa.

  • Conselho Diretor define novas datas para as assembleias sub-regionais e geral da Foirn

    Conselho Diretor define novas datas para as assembleias sub-regionais e geral da Foirn

    Lideranças indígenas se reúnem em conselho para debater e definir agenda do movimento no segundo semestre de 2020, em São Gabriel da Cachoeira (AM)

    Participantes da XXXVIII Reunião do Conselho Diretor da Foirn – São Gabriel da Cachoeira.

    O Conselho Diretor da Foirn, a segunda instância mais importante de deliberações no âmbito do movimento indígena do Rio Negro, depois da assembleia geral, reuniu-se no último dia 4 de agosto para discutir e encaminhar novas datas para as assembleias sub-regionais e geral da Federação em decorrência da pandemia de Covid-19. Por recomendações das autoridades de saúde, foi necessário adiar toda a programação prevista para o primeiro semestre.

    Por conta do cenário atual da pandemia no Rio Negro, a reunião do Conselho Diretor foi um evento diferente, com menos participantes e muitos cuidados para seguir as normas sanitárias.  Foram realizados também testes rápidos de Covid-19 para todas as lideranças participantes e kits de higiene e proteção (álcool em gel e máscaras), incluindo o distanciamento social.

    A reunião seguiu todos protocolos e recomendações sanitárias.

    Durante a reunião, as discussões e debates se voltaram para o impactos do novo coronavírus nas comunidades indígenas e sobre a agenda de realização das assembleias sub-regionais e a geral da Foirn, tendo em vista que a atuação da federação e uma das suas coordenadorias regionais, a Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (Caimbrn) abrange três municípios – São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. Assim, pela sua extensão, a região possui diferentes situações epidemiológicas e de enfrentamento da pandemia até agora.

    As lideranças presentes manifestaram suas preocupações com a realização das assembleias sub-regionais diante das condições atuais. Mas, também defenderam a importância desses eventos como espaços democráticos de escolha de seus representantes regionais, assim como da diretoria da Foirn para a próxima gestão.

    Para o Coordenador do Conselho Diretor, Carlos Nery Teixeira Piratapuia, de Santa Isabel do Rio Negro, a situação no município ainda continua crítica. “Acredito que em Santa Isabel ainda não chegamos ao pico de contaminação. Diante dessa situação, precisamos avaliar e sermos cautelosos”.

    O presidente da Foirn, Marivelton Barroso Baré, lembrou que para a realização da reunião do Conselho Diretor, muitos fatores foram levados em consideração, principalmente as orientações sanitárias. E que as assembleias sub-regionais e a geral também precisarão ser realizadas de acordo com essas orientações e recomendações. “Para essa reunião reduzimos os dias de reunião, participantes e as pautas a serem discutidas devido às condições que estamos por causa da pandemia”, afirmou.

    Temas e novas datas das assembleias

    Pandemia e os saberes tradicionais dos Povos Indígenas do Rio Negro será o tema central das assembleias, que será trabalhado nas regionais de acordo com as especificidades locais. Os jovens e mulheres terão nas suas assembleias esses temas para abordar.

    Veja abaixo as novas datas aprovadas:

    – Nadzoeri (Bacia do Içana e Afluentes) – 23 a 24 de setembro de 2020, comunidade de Santa Rosa – Médio Içana;

    – Coidi (Médio, Alto Uaupés e Rio Papuri) – 03 a 04 de setembro de 2020, Vila São Domingos – Distrito de Iauaretê.

    – Caiarnx (Alto Rio Negro e Xié, TI Balaio) – 17 a 18 de setembro de 2020, na comunidade Tabocal dos Pereira – Alto Rio Negro.

    – Caimbrn (Médio e Baixo Rio Negro) – 02 a 03 de outubro, na comunidade de Canafé – Baixo Rio Negro.

    – Diawii (Baixo Uaupés, Rio Tiquié e Afluentes) – 09 e 10 outubro de 2020, comunidade Matapí – Baixo Uaupés.

    – Assembleias das Mulheres Indígenas do Rio Negro (Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro/Foirn)- 29 a 31 de outubro de 2020.

    – Assembleia dos Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro (Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro), 05 a 06 de novembro de 2020. Tema: Pandemia da Covid-19 e a Emergência Climática: Desafios para a juventude indígena do Rio Negro.

    – Assembleia Geral da Foirn – 26 a 27 de novembro de 2020, Casa dos Saberes da Foirn, São Gabriel da Cachoeira.

    Vale frisar que em caso de piora da situação epidemiológica na região, essas datas acima poderão ser alteradas, conforme definiu o Conselho Diretor.

    Leia a RESOLUÇÃO Nº 002/2020 – CONSELHO DIRETOR DE 04 DE AGOSTO DE 2020.

  • Pronunciamento do Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, do povo Baré, sobre o agravamento da pandemia de Coronavírus

    Pronunciamento do Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, do povo Baré, sobre o agravamento da pandemia de Coronavírus

    Marivelton Barroso, do povo Baré, manda mensagem para as 750 comunidades indígenas do Rio Negro, Amazonas, em alerta sobre a pandemia de Coronavírus que se alastra pelo Brasil

    Marivelton Barroso, do povo Baré, do Alto Rio Negro (Amazonas), é presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN). Representando 750 comunidades indígenas e 23 etnias, Marivelton está integrando o Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao novo Coronavírus (Covid-19), criado pela prefeitura de São Gabriel da Cachoeira, o município mais indígena do Brasil.

    “Nossa maior preocupação agora é impedir que o vírus chegue até as nossas comunidades indígenas e aos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira”, afirma Marivelton. Embora os 3 municípios ainda não registrem casos da doença – apenas São Gabriel tem um caso (1) em análise – existe um esforço conjunto das instituições, população e governos municipais de agir para conscientizar a população e evitar a contaminação, que traria uma grave crise humanitária na região. Assista ao vídeo com o pronunciamento do Marivelton Baré.

    Campanha para que a população urbana de São Gabriel da Cachoeira, de maioria indígena, faça isolamento social para evitar disseminação da doença no município
  • Carta Pública em defesa dos direitos Indígenas no Rio Negro

    Carta Pública em defesa dos direitos Indígenas no Rio Negro

    Marivelton Barroso, do povo Baré, presidente da FOIRN, representante de 750 comunidades indígenas de 23 etnias do Rio Negro, Amazonas

    Nós, lideranças de 23 povos indígenas moradores de 750 comunidades da região do Rio Negro, representados legitimamente pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), que há 32 anos tem como missão a defesa dos nossos direitos constitucionais, queremos responder publicamente às afirmações feitas pelo Presidente da República Jair Bolsonaro na ocasião da sua visita à capital do nosso estado do Amazonas, Manaus, no dia 27  de novembro.

    O Presidente da República defendeu o agronegócio e o garimpo nas terras indígenas, além de dizer que nós povos indígenas vivemos como “homens pré-históricos”. Tais afirmações irresponsáveis, sem nenhum tipo de conhecimento sobre a nossa cultura e os nossos planos de vida, vêm causando constrangimentos e conflitos políticos internos entre as comunidades e lideranças indígenas, interferindo diretamente na nossa segurança e bem-estar na região do Rio Negro. Infelizmente, lamentamos que um Presidente da República do Brasil em pleno século 21 traga os mesmos mecanismos de discórdia e violência exterminadora que os colonialistas empregaram quando chegaram em nossas terras há cinco séculos atrás.

    É consenso entre nós lideranças que desde a Constituição de 1988 temos obtido avanços em relação às políticas públicas para nós indígenas e que também temos enfrentado dificuldades e desafios. Isso tudo faz parte do amadurecimento da democracia e, hoje, após muitas lutas, temos uma Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial em Terras Indígenas (PNGATI), que nos apoia e orienta para o desenvolvimento sustentável em nossos territórios. No entanto, infelizmente, parece que esse governo ignora a própria legislação federal e os avanços conquistados no período após Constituição de 1988. Por isso, perguntamos: Quem está voltando as cavernas escuras? Não nos parece sermos nós indígenas da Amazônia, que em sintonia com a ciência mundial, estamos discutindo a governança ambiental e climática da nossa bacia hidrográfica e pensando no futuro das novas gerações. Estamos todos ameaçados por essa política de degradação e morte da maior floresta tropical do planeta que coloca em risco a continuação da vida planetária.

    O que nos chama muita atenção no discurso do Presidente e nos deixa alarmados são as questões ligadas à temática de exploração de minérios incitadas por Bolsonaro, sempre intermediadas e incentivadas por grupos de empresários (não indígenas) e seus políticos de estimação. Ao defender o garimpo no território indígena, sem fazer amplas consultas às comunidades, o Presidente incentiva a invasão, a grilagem e o aumento da violência nas áreas rurais e florestais do Brasil. Nossos parentes Yanomami, por exemplo, sofrem com o mercúrio e a presença violenta de milhares de garimpeiros ilegais em seu território. Tememos que o Brasil siga o caminho do autoritarismo e da implantação de um estado de exceção a serviço somente dos interesses empresariais e políticos. Estamos alarmados com a possibilidade de sérios retrocessos em nossos direitos como cidadãos brasileiros e povos indígenas originários, assim como com as tentativas de criminalização dos movimentos sociais e da sociedade civil organizada.

    Ressaltamos também que: ao defender o agronegócio e a plantação de cana de açúcar na Amazônia, o Presidente da República decreta a violência e a degradação em nossos territórios e florestas. Essa história de apoio dos indígenas à abertura de plantio de cana de açúcar na Amazônia está muito equivocada. Sabemos que para as terras indígenas isso não serve, quem defende isso não quer o bem do território e, sim, a sua degradação através de plantio intenso visando somente o lucro do agronegócio. Nunca nos foi proibido de plantar o que queremos em nossas terras, tanto para nossa subsistência, quanto para a geração de renda.

    Temos exclusivo direito sobre nossas terras e plantamos o que queremos como sempre foi desde os nossos antepassados. Hoje temos o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio cultural do Brasil, um saber oriundo dos 23 povos indígenas da região. Temos diversos projetos de desenvolvimento de cadeias produtivas, como de derivados da mandioca, da pimenta, da castanha e do cogumelo, sendo desenvolvidos com sucesso em nossas terras indígenas e que poderiam ser apoiados pelo governo com incentivos fiscais, subsídios e políticas públicas que favoreçam a permanência do índio em sua terra, vivendo dentro da sua cultura, com liberdade e segurança.

    O Presidente da República mente ao dizer que o índio não pode fazer nada em sua terra. Claro que podemos fazer! Ao contrário estaríamos todos mortos! Sempre fizemos agricultura, caça, pesca, artesanato e todo tipo de atividade para nossa subsistência plena dentro da floresta e da nossa cultura indígena. O último Censo AGRO do IBGE, de 2017, confirmou que São Gabriel da Cachoeira é o município com mais estabelecimentos agropecuários no estado do Amazonas, com 3.904, seguido por Boca do Acre, com 3.373. E isso se deve exclusivamente à agricultura indígena dos 23 povos do Rio Negro que sem nenhum incentivo do governo continua firme e forte trabalhando na roça graças a nossa cultura alimentar e ao nosso território demarcado.

    Algumas lideranças indígenas autoproclamadas que elogiam Bolsonaro estão seduzidas por promessas de ganhos imediatos. No fundo eles estão trabalhando a favor do patrão do agronegócio, dos latifundiários e do modelo desenvolvimentista que não respeita os direitos COLETIVOS dos povos e nem o território. Embalada num discurso de progresso do Brasil, a história tenta se repetir com velhos padrões de exploração como ocorreu com a escravidão indígena no Rio Negro e pode ser bem conhecida do público através do livro A Persistência do Aviamento: Colonialismo e História Indígena no Noroeste Amazônico, do historiador Márcio Meira, lançado em 2019.

    Sendo assim, manifestamos publicamente pela FOIRN a nossa contrariedade aos discursos sobre os territórios indígenas feitos pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, em Manaus, e os interesses obscuros que estão por trás de sua fala. Somos um movimento de base e ao logo de vários anos estamos resistindo e propondo políticas adequadas aos nossos interesses discutidos com a participação ampla de nossa população indígena e não de pequenos grupos que compactuam com o atual governo, e que não representam os nossos interesses.

    Reafirmamos mais uma vez que na região do Rio Negro as consultas para empreender negócios em quaisquer áreas indígenas demarcadas não podem ser feitas isoladamente com grupinhos e sim em um conjunto de comunidades, 23 povos ou região com ampla participação e representação da maioria para ser considerada legítima. Sem mais nada no momento, manifestamos aqui a nossa opinião e reiteramos que o debate democrático deve ocorrer de forma coletiva e participativa.

    São Gabriel da Cachoeira, 29 de novembro de 2019

    Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, fundada em 1987
  • Nota pública da FOIRN sobre declarações do presidente Jair Bolsonaro

    Nota pública da FOIRN sobre declarações do presidente Jair Bolsonaro

    São Gabriel da Cachoeira, 27 de agosto de 2019

    O presidente da República, Jair Bolsonaro, mais uma vez volta a atacar os povos indígenas e a Constituição Federal ao questionar nosso direito ao território como povos originários do Brasil. Se não bastasse envergonhar o Brasil mundialmente com suas falas preconceituosas e mentiras em relação às queimadas na Amazônia, agora acusa os povos indígenas de inviabilizarem o Brasil.

    Diante de afirmações tão grotescas, repercutidas pela mídia nacional, nós povos indígenas do rio Negro, representados pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), demonstramos nossa indignação e repúdio a tais afirmações caluniosas. E completamos: o que inviabiliza o Brasil é a violência, a corrupção, o Estado paralelo promovido pelas milícias que dominam parte das grandes cidades do país e a falta de investimento em educação, saúde, cultura, esporte e infraestrutura.

    Como representantes de 750 comunidades indígenas no Noroeste amazônico, pertencentes a 23 etnias, reafirmamos nosso direito ao território, assim como buscamos o desenvolvimento sustentável através de ações que geram renda sem destruir a floresta e respeitando nossa cultura e modo de vida.

    Repudiamos todo e qualquer projeto de governo que não respeite nossa autonomia, assim como nossas organizações representativas. O presidente Jair Bolsonaro vem propagando o ódio e tentando fazer uma campanha de difamação dos povos tradicionais, movendo a opinião pública contra nós. Já vimos esse tipo de estratégia sendo usada em outros tristes momentos da história mundial, como na Alemanha nazista, que promoveu um dos maiores genocídios da História.

    Resistiremos ao ódio que incendiou a Amazônia nos últimos dias e não aceitaremos retrocessos em nossos direitos garantidos pela Constituição Federal. 

  • Conheça e apoie a Rede Wayuri de Comunicação Indígena

    Conheça e apoie a Rede Wayuri de Comunicação Indígena

    Assista ao vídeodocumentário da nossa Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro “Somos a Rede Wayuri”:

    Cachoeira (AM), 15 integrantes da Rede Wayuri de Comunicação Indígena participaram da III Oficina de Formação da Rede para trabalhar técnicas de audiovisual com foco na prática de reportagens e documentários.

    Durante a oficina, os comunicadores, falantes de cinco línguas diferentes (Baniwa, Hup, Nheengatu, Tukano e Yanomami) produziram o primeiro vídeo documentário que conta sobre o trabalho precursor deste coletivo de comunicadores indígenas no rio Negro.

    Com o propósito de contar suas próprias histórias, os comunicadores indígenas produzem mensalmente desde novembro de 2017 o boletim de áudio Wayuri, um podcast que dá notícias sobre a cultura, educação, saúde, eventos e trabalhos das comunidades ligadas à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).

    Divulgado principalmente pelo WhatsApp e compartilhamento via aplicativos como ShareIT, o boletim de áudio está em sua edição número 27 e conta com a participação de correspondentes em várias comunidades distribuídas entre os municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, todas no Amazonas.

    A diversidade cultural é uma qualidade da Rede, que conta agora com comunicadores dos povos Baré, Baniwa, Desana, Hup’dah, Tariano, Tukano, Piratapuia, Tuyuka, Yanomami e Wanano. Os áudios são gravados muitas vezes nas línguas originais dos povos e também traduzidos para o Português para que sejam entendidos por falantes de outras línguas da própria região.

    Veja mais: https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/comunicadores-indigenas-em-acao-na-amazonia?utm_source=isa&utm_medium=&utm_campaign=