Nota de Solidariedade

NOTA DE SOLIDARIEDADE DA FEDERAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES INDÍGENAS DO RIO NEGRO (FOIRN) À POPULAÇÃO DE BRUMADINHO EM MINAS GERAIS

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Declaramos nossa solidariedade à população do município de Brumadinho (MG), tragicamente afetada pelo rompimento da barragem de rejeitos de minério de ferro   da Companhia Vale do Rio Doce, ocorrido na última sexta-feira, dia 25 de janeiro. Até a manhã de hoje (29/01), foram registradas 65 mortes e, segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, 279 pessoas continuam desaparecidas.

Acreditamos que essa tragédia não é um acidente como dizem os empresários do setor que só visam aumentar os seus lucros. A tragédia de Brumadinho, ocorrida 3 anos depois de Mariana, é um crime ambiental e um crime contra todo ser humano, que mostra como a vida vem sendo negligenciada pelas autoridades competentes, pelas empresas, pelos governos e pelo Estado brasileiro. Com o rompimento, 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos tóxicos foram despejados no rio Paraopeba, que corta a região, destruindo em minutos vidas humanas e o meio ambiente.

 Nós indígenas do Rio Negro, pertencentes a 23 povos indígenas do Brasil, somos constantemente ameaçados pelos interesses das empresas do setor minerário, que através de pressão política e econômica têm a ambição de regulamentar a exploração de minérios em nossas terras indígenas na região mais preservada da Amazônia brasileira.  Diante de um cenário de mudanças climáticas e de perda avassaladora de nossa biodiversidade em função da exploração econômica, a ganância humana desenfreada avança agora para cima do que há de mais preservado em nossa floresta, nosso bem comum, nosso pulmão do planeta!

Os povos tradicionais querem viver da floresta sem destruí-la e sem ver apenas lucro. Tiramos nosso sustento com respeito à mãe terra, com respeito aos nossos rios sagrados e a nossa floresta, morada dos espíritos e de nossa ancestralidade. Nossos irmãos em Minas Gerais sofrem hoje com a perda de vidas humanas e da vida da natureza. Perderam suas casas, seu sustento e sua dignidade e, agora, terão que travar uma batalha judicial contra advogados poderosos para ter ao menos uma indenização que minimize suas perdas e suas dores.

O Brasil precisa se curar desses tumores criados pelos homens que matam a população e seus lugares de residência! Que o criador de toda natureza ajude a todos os irmãos de Minas Gerais a superar traumas e ajude o Brasil a ter uma visão de futuro melhor para seu povo e seu território! Justiça para os atingidos por mais esse crime ambiental e que a Cia. Vale do Rio Doce pague pelos crimes que cometeu!

 FOIRN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, representante de 750 comunidades pertencentes a 23 povos indígenas do estado do Amazonas, Brasil

 

 

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