Mês: setembro 2019

  • Mulheres Rionegrinas participam do  III Diálogo Mulheres em Movimento: Fortalecendo Alianças Globais

    Mulheres Rionegrinas participam do III Diálogo Mulheres em Movimento: Fortalecendo Alianças Globais

    Encerra hoje o III Diálogo Mulheres em Movimento: Fortalecendo Alianças Globais, evento que reuniu mais de 120 mulheres de todo o Brasil, de outros países da América Latina e do Reino Unido.

    Do Rio Negro, duas mulheres participaram do diálogo: A Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro/Foirn, Elizângela da Silva Baré e Floriza da Cruz Yanomami – Presidente da Associação Indígena das Mulheres Yanomami (Kumirãyõma).

    A ação é é fruto de uma grande aliança que fortalece os movimentos liderados por mulheres na defesa da democracia. As instituições que realizam essa mobilização são: Fundo ELAS, British Council BrasilONU Mulheres Brasil, Fundação Ford, Global Fund for WomenInstituto Open Society, Instituto Ibirapitanga, Oak Foundation e Women’s Foundation of Minnesota.

    Ao longo de quatro dias, foram discutidos várias pautas como: o contexto da luta por direitos humanos, democracia e equidade de gênero, mapear oportunidades de alianças e traçar estratégias conjuntas para a agenda dos movimentos sociais liderados por mulheres e/ou pessoas LBT.

    No diálogo, as mulheres do Rio Negro, reafirmaram a luta pelos direitos, pelo território e o papel fundamental das mulheres indígenas na preservação da floresta através dos seus modos de vida.

    “Nossos pensamentos e como a gente quer viver têm que ser respeitados”, afirmou Floriza da Cruz, presidente da Kumirãyõma.

    Fundo Elas – Apóia projetos Mulheres Indígenas do Rio Negro.

    Através do edital Mulheres em Movimento 2019 – o Fundo Elas, aprovou dois projetos de mulheres do Rio Negro, as únicas do estado do Amazonas.

    Além do projeto elaborado pelo Departamento de Mulheres Indígenas da FOIRN, foi também aprovado, a proposta enviada pela associação das mulheres Yanomami. O projeto da Kumirãyõma terá sua execução e foco exclusivamente nas mulheres Yanomami. Do Departamento de Mulheres da Foirn, envolverá nas ações mulheres de diferentes etnias do Rio Negro.

    Os dois projetos tem como tema prioritários a mobilização das mulheres indígenas e fortalecimento de suas associações. As primeiras ações desses projetos já foram realizadas. Na primeira semana de agosto, aconteceu uma mobilização de mulheres e juventude do Distrito de Iauaretê.

    Outras atividades ainda serão realizados, e estaremos compartilhando o trabalho e a luta das mulheres aqui neste blog.

    Floriza da Cruz Yanomami – Foto: Fundo Elas/Divulgação
  • Nobel alternativo: líder yanomami Davi Kopenawa é o sétimo brasileiro a ganhar o prêmio

    Nobel alternativo: líder yanomami Davi Kopenawa é o sétimo brasileiro a ganhar o prêmio

    O líder indígena Davi Kopenawa, do povo Yanomami, é um dos ganhadores do Right Livelihood Award, mais conhecido como prêmio “Nobel Alternativo”.

    Ele receberá a premiação juntamente com a Hutukara Associação Yanomami, cofundada e presidida por ele, “pela corajosa determinação em proteger as florestas e a biodiversidade da Amazônia, e as terras e a cultura de seus povos indígenas”.

    Outras três pessoas também receberam o prêmio — a jovem ativista ambiental Greta Thunberg (Suécia), a defensora dos direitos humanos, Aminatou Haidar (Saara Ocidental) e a advogada Guo Jianmei (China).

    Eles vão receber 1 milhão de coroas suecas (cerca de R$ 430 mil), destinadas a apoiar o trabalho que estão conduzindo.

    É a sétima vez que o Brasil tem um representante entre os ganhadores do prêmio – que já foi concedido ao bispo Erwin Kräutler (2010), ao arquiteto e ativista social Chico Whitaker Ferreira (2006), ao teólogo Leonardo Boff (2001), à Comissão Pastoral da Terra (1991), ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (1991) e ao agrônomo e ecologista José Lutzenberger (1988).

    “Davi Kopenawa, junto à Hutukara Associação Yanomami, está resistindo exitosamente à impiedosa exploração de terras indígenas na Amazônia, protegendo nossa herança planetária comum”, afirmou Ole von Uexkull, diretor-executivo da Right Livelihood Foundation.

    A trajetória de Kopenawa

    Nascido por volta de 1955 (a data é incerta), Kopenawa é xamã e porta-voz dos yanomami, que vivem isolados na Amazônia, perto da fronteira com a Venezuela.

    Há mais de 30 anos, ele viaja pelo mundo em defesa do seu povo. Recebeu o apelido de “Dalai Lama da Floresta Tropical” e foi chave para o reconhecimento oficial do território yanomami na Amazônia em 1992, depois de quase dez anos de luta.

    O território é duas vezes maior que a Suíça — sendo a maior área indígena coberta por floresta do mundo, de acordo com a organização Survival International.

    Nos anos 1950 e 1960, o contato intensificado com homens brancos levou ao surgimento de doenças que praticamente eliminaram os yanomami. Foi assim que Kopenawa viu os pais morrerem.

    E, na década de 1980, milhares de garimpeiros invadiram seu território em busca de ouro, resultando em violência e novas doenças, o que reduziu a população nativa em 20%, segundo a Survival International.

    Kopenawa diz que não morreu por ser “protegido pelo pajé”

    É diante deste contexto que o líder indígena — cofundador e presidente da Hutukara Associação Yanomami, criada em 2004 — tem dedicado sua vida a proteger os direitos indígenas e o território do seu povo na floresta tropical.

    “Eu continuo a luta pelos direitos do meu povo, nossos direitos à terra, saúde, nossa língua e costumes, nosso xamanismo e muito mais”, afirmou Kopenawa ao Right Livelihood Award.

    “O papel de Hutukara é defender o povo Yanomami e a nossa terra contra políticos, garimpeiros, fazendeiros e outros que querem roubar. Nossa terra é tudo o que sabemos. Eu não vou parar de lutar. Eu vou continuar até morrer.”

    Em 1989, ele recebeu um prêmio da ONU pela defesa do seu povo.

    Kopenawa, que aprendeu português já adulto, é autor ainda do primeiro livro escrito por um yanomami, A queda do céu. A obra, publicada em 2010, narra a trajetória dele e do seu povo, além de suas visões sobre o “homem branco”.

    A premiação

    O Right Livelihood Award, concedido anualmente, foi criado pelo sueco-alemão Jakob von Uexkull para premiar pessoas que oferecem soluções práticas para os desafios mais urgentes do mundo atual.

    Desde 1980, o prêmio já foi entregue a 174 pessoas de 70 países.

    Neste ano, o júri considerou 142 indicações de 59 nações, após um processo aberto de indicação.

    A cerimônia de premiação acontecerá no dia 4 de dezembro em Estocolmo, na Suécia.

    Fonte: BBC Brasi

  • Foirn mobiliza parteiras tradicionais em São Gabriel da Cachoeira

    Foirn mobiliza parteiras tradicionais em São Gabriel da Cachoeira

    Em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, a Foirn realizou nos últimos dois dias (19 a 20/09) a Oficina Segurança Alimentar e Nutricional das Mães e Bebês da Floresta que teve como objetivo principal fazer o registro dos conhecimentos tradicionais com uso de smartphones.

    A atividade reuniu mulheres lideranças e conhecedoras tradicionais da região do Alto Rio Negro, precisamente da região da Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié (Caiarnx).

    Em dois dias de oficina as conhecedoras compartilharam conhecimentos sobre a alimentação necessária para as mães e bebês nos primeiros anos de vida. Cada uma das conhecedoras participante, escolheu uma receita para realizar na oficina, que foi devidamente registrado por elas mesmas para a produção do video-receitas que é o objetivo do encontro.

    Para a coordenadora do Departamento de Mulheres da Foirn, Elizângela da Silva Baré, o tema da saúde das mães os bebês indígenas é muito importante e é uma bandeira de luta das mulheres, principalmente quando se trata do reconhecimento das parteiras tradicionais.

    “Estamos lutando pelo reconhecimento das parteiras tradicionais há vários anos. O trabalho que fazem é fundamental por isso devem ser ouvidas e reconhecidas”, afirma.

    A Agente de Saúde Indígena da Comunidade Iabi – do Alto Rio Negro, Maria Gerci, disse que o trabalho das parteiras deve ser reconhecido e remunerado. “Não existe profissional de saúde que não seja remunerado hoje. Por isso, as parteiras tradicionais deveriam ser reconhecidas como parte importante da promoção da saúde nas comunidades”, lembra.

    Angélica Batista Silva, pesquisadora da FIOCRUZ e responsável pela realização da oficina, reafirmou a importância do registro e transmissão dos conhecimentos tradicionais relacionados a nutrição e a segurança alimentar das mães e bebês indígenas.

    ” É de suma importância para qualquer indígena registrar essas tradições para passar para os filhos e netos sobre a alimentação saudável, alimentos que trazem a saúde, e muitos outros conhecimentos milenares que podem ajudar o mundo inteiro”, afirma.

    Ainda serão realizados as próximas etapas da produção desses videos-receitas que serão compartilhados para os jovens e crianças no Rio Negro.

    O evento contou com a participação dos estudantes do curso Tecnologias em Alimento da UEA, profissionais de saúde da SEMSA e estudantes do IFAM – Campus São Gabriel