Uncategorized

Em assembleia, Povos Baniwa e Koripako debatem impactos da pandemia do novo coronavírus e definem representatividade para próximos quatro anos

A Organização Baniwa e Koripako Nadzoeri reuniu lideranças da bacia do Içana em Santa Rosa nos dias 23 e 24 de setembro para avaliar os impactos da pandemia da covid-19 na região; Diretor Isaias Fontes e secretário geral da Nadzoeri, Juvêncio Cardoso, foram reeleitos

As 11 associações de base da Bacia do Içana delegaram seus representantes para participar da assembleia da Nadzoeri, realizado na comunidade Santa Rosa – Médio Rio Negro. Foto: Ray Baniwa/Foirn

Seguindo os protocolos e recomendações sanitárias, cerca de 80 participantes estiveram reunidos em Santa Rosa, comunidade localizada na região do médio Rio Içana para avaliar os impactos da pandemia da covid-19 nas comunidades Baniwa e Koripako.

O tema central das discussões e apresentações foi os Conhecimentos Tradicionais e sua importância no combate e tratamento de casos nas comunidades. “Se não fosse os remédios caseiros e o conhecimento tradicional a situação teria sido pior”, lembrou a enfermeira Hamyla Tridade Baré, que representou o Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN), e apresentou os dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai/Ministério da Saúde) durante o evento.

Segundo os dados da Sesai, apresentados na assembleia, 50% das comunidades Baniwa e Koripako tiveram casos confirmados, isso representa um total de 247 pessoas. Mas, ainda de acordo com esses dados, há um indicador preocupante: até dia 21/09, apenas 6 pessoas da etnia Koripako, da região do Alto Içana, foram confirmados como casos positivos para covid-19. Ou seja, apesar de ter confirmação de casos na região em abril, especialmente nas comunidades do baixo e médio Içana, é agora que casos estão aparecendo e sendo confirmados na região do alto Içana. Uma preocupação encaminhada pela assembleia para o Dsei-ARN.

Sobre os dados da Sesai apresentados na assembleia, o presidente da Foirn, Marivelton Barroso Baré, lembrou que ainda há subnotificações de casos na região, incluindo nas comunidades Baniwa e Koripako. “Desde o início da pandemia recebemos relatos de casos nas comunidades, que não entraram nas estatísticas da Sesai por falta de testes. Isso mostra que tem mais casos do que apresentado nos registros oficiais”, disse.

Conhecimentos tradicionais e impactos da covid-19 nas comunidades

Em toda a bacia do Içana os grupos de trabalho relataram uso de algum tipo de remédio caseiro ou medicina tradicional. Em alguns, houve registro de uso de benzimento no processo de tratamento de doentes.

“Nosso convívio social e psicológico foi afetado. Somos povo que vive junto e compartilha a convivência com nossos parentes nas comunidades, não estamos acostumados a ficar isolado dos outros. Por isso, nossos remédios foram muito importantes para enfrentar a doença que chegou e mudou a nossa forma de conviver na comunidade”, relatou Hilário Fontes, da comunidade Ukuqui Cachoeira, da região do alto Ayarí, onde há 22 comunidades Baniwa.

“A covid-19 chegou e atrapalhou tudo. Mudou o calendário escolar, programação de atendimentos à saúde e outros eventos que fazem parte da nossa vida social”, comentou Carlos de Jesus, relator da região do baixo Içana. Segundo o grupo, umas das mudanças negativas que a pandemia da covid-19 trouxe foi a necessidade de isolamento social e quarentena, coisa que as comunidades não estão acostumadas.

“As nossas comunidades e associações de base conheceram os esforços conjunto da Foirn e  instituições locais e parceiros através das ações realizadas durante a pandemia”, afirmou o Juvêncio Cardoso, Secretário Geral da Nadzoeri.

Após as apresentações dos grupos de trabalho, o diretor Presidente da Foirn, Marivelton Baré apresentou as ações da Foirn no âmbito do Comitê de Enfrentamento e Combate à Covid-19 no Município de São Gabriel da Cachoeira através das Campanhas Rio Negro, Nós Cuidamos, Aliança Pelos Povos da Floresta e União Amazônia Viva.

Ficou claro a todos na assembleia que, a vacina ainda não está disponível, os cuidados devem continuar, as pessoas devem continuar seguindo as orientações das autoridades de saúde, os conhecimentos tradicionais continuará sendo uma importante alternativa no enfrentamento da covid-19 nas comunidades indígenas do Rio Negro.

Delegadas mulheres representantes das associações de mulheres Baniwa marcaram presença na assembleia. Foto: Ray Baniwa/Foirn

Representatividade Baniwa e Koripako para próximos quatro anos

A assembleia da Nadzoeri foi também um espaço importante para os povos Baniwa e Koripako definirem quem irá representar a região no âmbito do movimento indígena do Rio Negro nos próximos 4 anos, onde foram definidos o diretor de referência para a diretoria da Foirn, diretoria da Coordenadoria Regional (Nadzoeri), Conselheiros do Conselho Diretor da Foirn e delegados para a assembleia geral da Foirn previsto para mês de novembro.

As associações de base apresentaram candidatos para concorrer a vaga de diretor da Foirn, foram eles: Isaias Fontes (atual diretor), Ronaldo Apolinário, Deusimar Moraes e Augusto Garcia. Cada associação de base teve 5 delegados (as) com direito a voto, foram 55 delegados no total. O resultado da apuração, definiu a reeleição do atual diretor Isaias Pereira Fontes com 58% dos votos.

Para a coordenadoria Nadzoeri, cada microrregião (são 5 no Içana) indicou um representante para fazer parte da diretoria. A eleição foi feita apenas para definir o Secretário Geral e o Secretário Financeiro, os demais seguiram a ordem de Secretários Adjuntos de acordo com os votos recebidos, sendo Adjunto 1, 2 e 3 respectivamente.

Também foram definidos os delegados Baniwa e Koripako para representar a região na assembleia geral da Foirn, Conselheiros do Conselho Diretor, bem como membro para a Comissão Fiscal do Conselho Diretor.

Comunidade Santa Rosa faz Dabucuri para encerrar a assembleia

Comunidade Santa Rosa preparou Dabucuri para encerramento da assembleia. Foto: Lília França/Rede Wayuri

A pandemia afetou a vida nas comunidades, mas, o dar e o compartilhar continua intacto. Apesar das mudanças na forma de convivência nas comunidades Baniwa e Koripako, a cultura e a vida segue firme na região. Para encerrar as atividades da assembleia, a comunidade Santa Rosa ofertou um dabucuri para os participantes, onde foram lembradas as regras de partilhar e dividir com os cunhados (no caso da assembleia, os participantes).

O dabucuri reforça a importância do fortalecimento dos laços de amizade e companheirismo no trabalho para as lideranças Baniwa e Koripako que estão na linha de frente da representatividade regional. O bem-viver Baniwa e Koripako enfrenta a covid-19, e irá resistir.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Terra e Cultura

Blog da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro

Blog II da EIBC Pamáali 2014 a 2016

Bem-Vindo ao blog II da escola Pamáali, localizada no Médio Rio Içana-Alto Rio Negro. Aqui você encontra notícias da região do Alto Rio Negro sobre Educação Escolar Indígena e outros assuntos. Deixe seus comentários!

CAIMBRN

Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro

Blog do Povo Baniwa e Koripako

Nossa presença na Web

Antropologia médica

Diálogos entre pesquisadores latinoamericanos

Lúcio Flávio Pinto

A Agenda Amazônica de um jornalismo de combate

Uma (in)certa antropologia

Notas sobre o tempo, o clima e a diferença

Rio Negro

Blog do Ray Baniwa

%d blogueiros gostam disto: