Mês: outubro 2020

  • Protagonismo pelo bem viver indígena: Departamento de Mulheres da FOIRN elege suas novas coordenadoras

    Protagonismo pelo bem viver indígena: Departamento de Mulheres da FOIRN elege suas novas coordenadoras

    Indígenas da etnia Baniwa e Tukano são as novas coordenadoras do Departamento de Mulheres da FOIRN.

    Mulheres indígenas do Rio Negro participantes da VIII Assembleia Eletiva das Mulheres. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Após um dia de debates sobre propostas e demandas de mulheres indígenas, as duas novas coordenadoras do Departamento de Mulheres Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN) foram eleitas nesta sexta-feira (30). Venceram as eleições e vão comandar o departamento, de 2021 a 2024, Maria do Rosário Piloto Martins, a Dadá Baniwa, que concorreu pela coordenadoria NADZOERE (Associação Baniwa e Koripaco), e Larissa Duarte, da etnia Tukano, indicada pela coordenadoria DIAWI´I (Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes).

    Maria do Rosário Baniwa e Larissa Duarte Tukano foram eleitas para a gestão 2021 a 2024 do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro/Foirn. Foto: Ray Baniwa/Foirn


    A escolha ocorreu na VIII Assembleia Eletiva das Mulheres Indígenas, que teve como tema Protagonismo das Mulheres pelo Bem Viver Indígena no Rio Negro e aconteceu na quinta e sexta-feira (29 e 30), no ginásio do Colégio São Gabriel, em São Gabriel da Cachoeira (AM), com ampla representatividade das coordenadorias regionais da FOIRN. Mulheres de várias etnias, como Tukano, Baré, Tariano, Wanano, Yanomami, Dãw, participaram do encontro.


    Dadá Baniwa tem mestrando em linguística e línguas indígenas pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro, é fluente em Baniwa e disse que quer atuar em colaboração com a diretoria e coordenadorias da FOIRN, pensando em todos as mulheres do Rio Negro. Larissa disse que sempre conviveu com o movimento indígena, sendo que seu pai Sebastião Duarte teve participação da criação da FOIRN. “Sou mãe, mulher, artesã, trabalho na roça e sei representar as pessoas”, disse. Ela é falante da língua Tukano.


    No total, 55 mulheres votaram, sendo 10 de cada coordenadoria regional da FOIRN e cinco da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (Assai), representando a sede.
    Dadá Baniwa recebeu 23 votos, enquanto Larissa ficou com 11. Também concorreram ao cargo Margarida Maia, da etnia Tukano, representante da COIDI (Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê), e Belmira Melgaço, Baré, representado a CAIARNX (Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié). Cada uma delas teve 10 votos, sendo registrado um voto nulo. A CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro) participou do encontro, mas não apontou concorrente.


    As atuais coordenadoras, Elisângela da Silva, da etnia Baré, e Janete Alves, da etnia Desana, conduziram a assembleia e se mostraram satisfeitas com a mobilização feminina. Elas continuarão atuando no movimento indígena. Elisângela é do conselho fiscal da FOIRN e presidente da Associação das Mulheres Indígenas do Rio Negro (AMIRN). Janete Alves ocupará o cargo de diretora de referência da COIDI na FOIRN

    Mulheres de várias etnias compartilharam suas experiências de enfrentamento da covid-19 no Rio Negro. Foto: Ana Amélia/ISA

    Um importante encaminhamento do encontro foi uma carta-manifesto – assinada pelas mulheres de todas as coordenadorias regionais da FOIRN – reivindicando a manutenção de uma delegada mulher em São Gabriel da Cachoeira, além da implantação de uma Defensoria Pública, com titular mulher, e uma Secretaria Especializada da Mulher no município, para facilitar o acesso ao sistema de Justiça e garantir a proteção ao direito das mulheres. A atual titular da delegacia, Grace Jardim, é a primeira delegada mulher do município. Ela estruturou uma equipe feminina e atuou no combate à violência contra a mulher, mas deixará o município no final deste ano.

    Delegada Grace Jardim e Renata Vieira, advogada do ISA participaram da assembleia das mulheres indígenas do Rio Negro. Foto: Ana Amélia/ISA


    A carta-manifesto foi lida por Janete Alves. O documento será encaminhado às autoridades de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. Além disso, as mulheres querem o apoio do DMIRN/FOIRN para patentear os remédios tradicionais utilizados contra a Covid-19 entre os povos indígenas do Rio Negro. As práticas tradicionais foram amplamente utilizadas por essa população e, conforme os indígenas, foi o que evitou que a situação se agravasse.

    Delegadas vieram das cinco Coordenadorias Regionais da Foirn: Caiarnx, Caimbrn, Nadzoeri, Diawi´i e Coidi. Foto: Ana Amélia/ISA


    Durante a VIII Assembleia Eletiva, as mulheres cobraram iniciativas para garantir o bem viver e o reforço da estrutura das associações para que elas tenham autonomia de ações. Elas querem alojamentos para quando vierem à cidade, embarcações exclusivas para as suas atividades, combustível para viajar e mobilizar as bases, oficinas de capacitação e incremento de renda, atendimento à saúde, medidas de segurança, promoção das práticas tradicionais, entre outros.
    Primeira coordenadora do DMIRN e uma das fundadoras da Assai, a professora artesã Cecília Albuquerque participou da assembleia. Ela considera que um dos desafios da nova gestão é a articulação com as associações de base do território indígena. Para Cecília, é visível o fortalecimento das mulheres indígenas ao longo dos anos. “Eu vejo algumas pessoas que antes tinham medo de falar e agora estão aí falando, reivindicando”, disse.


    Advogada do Instituto Socioambiental (ISA), Renata Vieira auxiliou no processo eleitoral. Na abertura do evento ela falou sobre a abrangência da luta da mulher indígena. “A luta da mulher indígena não é uma luta por um direito que é só dela. A luta da mulher indígena é uma luta pelo território, pelos filhos, contra o alcoolismo, contra o suicídio. Pelo direito à saúde, à vida, à educação, transmissão do conhecimento. É ela quem ensina a língua ao filho. A luta da mulher indígena é de todos”, disse.
    Uma das convidadas para o encontro, a delegada Grace Jardim reforçou a necessidade de as mulheres vítimas de violência denunciarem o problema. “A denúncia é importante porque, só a partir dos casos registrados na base de dados, serão encaminhados recursos ao município”, explica. Uma das demandas da própria delegada para a cidade é um abrigo para as mulheres que precisam sair de casa para serem protegidas. Ela reconhece que as pessoas que vivem nas comunidades enfrentam maiores dificuldades para fazer denúncias, mas sugeriu que as coordenadorias discutam a criação de um meio de comunicação, com apoio das associações e FOIRN, para que os casos de violência cheguem até a Polícia Civil.


    PANDEMIA
    O tema do encontro – Protagonismo das Mulheres pelo Bem Viver Indígena no Rio Negro – levou a falas sobre o combate à Covid-19, com as mulheres trocando experiências sobre as práticas tradicionais que utilizaram no combate à doença. Entre eles estão chás, benzimentos e defumações. Algumas delas falaram em língua indígena, como Baniwa.


    Esse protagonismo pelo bem viver foi exercido inclusive durante o período mais agudo da pandemia. O DMIRN/FOIRN, em parceria com o ISA, desenvolveu a campanha Rio Negro, Nós Cuidamos, que arrecadou recursos para ações que incentivaram os indígenas a ficarem em suas aldeias, evitando a vinda à cidade e o risco maior de contágio. Além disso, o DMIRN atuou na distribuição de cestas básicas, material de limpeza e máscaras, além de auxiliar os parentes com informações sobre a Covid-19.


    As indígenas relatam que no território a maioria das pessoas contraiu a Covid-19 e se tratou usando remédios caseiros. A professora e liderança Enegilda Gomes Vasconcelos, de Taracuá, resume essa situação. “A Covid-19 deu foi em massa. As pessoas pegaram ser perceber que era essa doença. Todo mundo achou que estava gripado. Depois veio a equipe de saúde, fez o teste e comprovou que todo mundo teve a Covid-19. Agora temos algumas pessoas com sequela”, diz. Em Taracuá, assim como em todo o Rio Negro, os indígenas utilizaram as práticas tradicionais.

    GERAÇÃO DE RENDA

    O fortalecimento das mulheres por meio da geração da renda também foi debatido no encontro. Gerente da loja de artesanatos indígenas Wariró, Luciane Mendes de Lima, explicou que a unidade vem passando por reestruturação, com organização de cadastro de artesãos e fortalecimento do diálogo com os fornecedores que vêm das comunidades. Para incrementar as vendas, a equipe vem estruturando um catálogo com as peças, suas características, preços e disponibilidade. Também são feitos contatos constantes com os consumidores em várias partes do país. A boa notícia é que, mesmo durante a pandemia, a Wariró ampliou as suas vendas. Durante todo o evento, as indígenas promoveram uma feira para venda


    Questões sobre saúde da mulher e educação também foram abordados. A VIII Assembleia Eletiva das Mulheres Indígenas teve participação reduzida, com limitação de vagas em cada delegação, seguindo as regras sanitárias para evitar o contágio pelo novo coronavírus.


    Apoiaram a realização do encontro o Instituto Socioambiental (ISA), Campanha Rio Negro, Nós Cuidamos, Embaixada da Noruega, União Amazônia Viva, Mosaky, Aliança pelo Clima e Norwegian Rainforest Foundation.

    Por Ana Amélia/ISA e Ray Baniwa/Foirn

  • Assembleia regional em Iauaretê elege lideranças mulheres para nova diretoria

    Assembleia regional em Iauaretê elege lideranças mulheres para nova diretoria

    Participantes da Assembleia Geral da Coidi, realizado em Iauaretê. Foto: Raquel Uendi/ISA

    As assembleias regionais para eleição da diretoria e presidência que estarão à frente da FOIRN no período 2021-2024 foram concluídas. O último encontro aconteceu nos dias 16 e 17 de outubro, na Via São Domingos Sávio, Distrito de Iauaretê, na fronteira Brasil-Colômbia. Um dos destaques do encontro da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (Coidi) foi a escolha de duas lideranças femininas. Janete Figueiredo Alves, do povo Dessana, foi eleita como diretora de referência da Coidi, enquanto Adilma Auxiliadora de Lima Sodré ocupará a coordenadoria regional.
    Janete Alves agradeceu a confiança e disse que pretende trabalhar em coletividade. “Estou muito feliz em ter recebido votos de confiança pela minha base. Pretendo trabalhar de acordo com demandas da Região da COIDI. Melhor coisa é trabalhar em coletivo, fazer planejamento em conjunto, visando ao bem viver. Tem muito trabalho a fazer, temos que dar a continuidade. Para isso, eu conto com apoio dos demais diretores, assessores, parceiros e das lideranças da minha região, apoio das lideranças do Movimento de Mulheres Indígenas. Estou assumindo uma nova missão, claro que não vai ser fácil, mas eu quero fazer o meu melhor. E caminhar junto, trabalhar em coletividade, assim como nossos avôs trabalhavam e assim alcançarmos um bom resultado”, disse

    A assembleia da COIDI reuniu cerca de 100 participantes das calhas de rios como Médio Waupés, Japu e Papuri. Estiveram presentes representantes das oito associações de base, sendo elas ACIARP, ACII, ACIMERWA, ACIRJA, ACIRWA, AMIDI, ONIMIRP e ONIARWA.
    Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, participou da assembleia, assim como outras lideranças e membros da equipe da federação indígena. Durante a assembleia foi feita alteração do estatuto da COIDI, após a discussão apresentada pelos delegados e com auxílio da assessoria jurídica da FOIRN. As lideranças avaliaram os trabalhos realizados pela coordenadoria nos anos de 2017 a 2020 e encaminharam propostas para melhoria dos trabalhos futuros.
    Professor e liderança indígena, Leonardo Ferraz Penteado destacou a importância de participar das assembleias regionais. “A participação na assembleia nos faz abrir os olhos para seguir a luta, tendo um mesmo pensamento e uma só ideia, mas, claro, trabalhando em coletividade, por dias melhores que tanto esperamos para nossa região. Nossa esperança está na nova geração, eles são nossos futuros líderes. Como educadores e atuais líderes, é nossa missão deixá-los preparados para o futuro”, disse.

    Participantes seguiram as orientações das autoridades sanitárias, como o uso obrigatório de máscaras. Foto: Raquel Uendi/ISA

    Este ano, as assembleias regionais tiveram como tema “Pandemia e Saberes Tradicionais dos Povos Indígenas”. O Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (Dsei-ARN) participou do encontro, com apresentação do Panorama da Covid-19. Lideranças indígenas explanaram a importância da valorização dos conhecimentos tradicionais utilizados durante a pandemia.


    O benzedor e conhecedor Ercolino Jorge Araújo Alves, Dessana, atuou em conjunto com o Dsei-ARN durante a pandemia. “Na chegada da pandemia, muitas pessoas passaram a procurar benzedores. O DSEI- ARN me convidou para atuar como benzedor e aceitei. Curei muitos parentes e até hoje continuo atuando em minha residência”, diz. Entre algumas plantas que ele indica para serem usadas contra a Covid-19 estão carapanaúba, mucurama, capim santo, saracura, saratudo, folha de pirarucu, casca de umiri, casca de jatobá, limão, alho, cebola e jambu.
    “Os remédios tradicionais são iguais a remédios dos brancos, deve seguir receituário indígena, se não seguir orientação o remédio pode não ter cura, pode prejudicar a saúde. E assim o benzedor às vezes fica como não tivesse acertado de benzer. Para tudo deve-se fazer jejum. Foi seguindo essas orientações que nossos antepassados se livraram do mal e se curaram”, completa.

  • Assembleia DIAWI’I elege representantes e traça novas estratégias de governança

    Assembleia DIAWI’I elege representantes e traça novas estratégias de governança

    Participantes da assembleia da sub-regional da Foirn realizado na comunidade Monte Alegre, Baixo Uaupés. Foto: Ednéia Teles/FOIRN

    Representantes das 12 associações de base da Coordenadoria DIAWI’I participaram da assembleia regional eletiva realizada na comunidade Monte Alegre, no Baixo Uaupés, nos dias 9 e 10 de outubro. Durante o encontro foram traçadas estratégias de nova governança da coordenadoria DIAWI’I. A partir da assembleia, essa região passará a desenvolver os trabalhos por três microrregiões: Microrregião Alto Tiquié, Microrregião Médio Rio Tiquié; Microrregião Baixo Tiquié e Baixo Uaupés.

    Durante a plenária foi reeleito para o cargo de diretor de referência da região do DIAWI’I o senhor Nildo José Miguel Fontes, da etnia Tukano. Para a coordenadoria regional foi escolhida dona Rosilda da Silva, também da etnia Tukano, resultado muito comemorado pelas mulheres indígenas. O novo mandato vai de 2021 a 2024.

    Este ano o tema dos encontros é “Pandemia e os saberes tradicionais dos povos indígenas” e, como aconteceu nas outras reuniões regionais, as lideranças destacaram a importância do uso dos remédios e outras práticas tradicionais no enfrentamento à Covid-19.

    Para o indígena Roberval Azevedo, os remédios tradicionais evitaram que os casos de Covid-19 se agravassem. “Remédio tradicional salvou nossas famílias, combateu a Covid-19, como também outros males que afetam os povos indígenas. Nossos remédios tradicionais evitaram internações e intubações no hospital. Mesmo assim muitos parentes foram a óbitos, principalmente nossos pajés, conhecedores tradicionais, nossas parteiras e entre outros que foram a óbito principalmente por Covid-19”, disse. 

    Presente ao encontro, o indígena Antônio Marques avaliou que é necessário manter os cuidados contra a doença. “Mediante o conhecimento dos pajés, vem segunda onda do novo coronavírus. E virá muito mais forte, irá causar perdas e muito choro entre as famílias, e que pessoas devem ter mais cuidado e continuar se tratando com pajés e remédios tradicionais”, disse. 

    Cerca de 130 pessoas participaram da assembleia, que contou com a participação de representantes das coordenadorias NADZOERI, CAIMBRM, CAIARNX, COIDI. Representantes do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (Dsei-ARN) e Condisi-ARN também estiveram presentes.  O evento seguiu orientações sanitárias para evitar a Covid-19, havendo distribuição de máscaras e material higiênico.

    Lideranças Tukano com máscara durante a assembleia. O evento seguiu os protocolos de saúde devido a pandemia da Covid-19. Foto: Ednéia Teles/FOIRN

    Um dos participantes do encontro, Otávio Bruno Neves, da etnia Tukano, reforçou a importância da reunião democrática. “Estou achando muito importante participar da assembleia como convidado, pois estamos em um país democrático, no século XXI: nossas atividades, nossos problemas devem ser resolvidos em conjunto.  Isso se chama democracia. Estamos aqui também para eleger nossos representantes do movimento indígenas. É válido ouvir lideranças, e a FOIRN tem nos representado muito bem”, disse.

  • Combatemos a covid-19 com nosso conhecimento tradicional, afirmam as lideranças indígenas do médio e baixo Rio Negro em Assembleia Regional

    Combatemos a covid-19 com nosso conhecimento tradicional, afirmam as lideranças indígenas do médio e baixo Rio Negro em Assembleia Regional

    “Dizem que não existe remédio para combater a covid-19. Mas, nós povos indígenas estamos combatendo essa doença com nosso conhecimento tradicional”, afirma José Maria Ferreira, liderança Yanomami durante a Assembleia Geral das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (Caimbrn), realizado em Canafé, no município de Barcelos, nos dias 2 e 3 de outubro. A IX assembleia definiu representatividade regional para os próximos quatro anos e aprovou estatuto social da coordenadoria

    Deledados das 12 associações de base da região do Médio e Baixo Rio Negro. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A Comunidade de Canafé, localizada na região do baixo Rio Negro, no município de Barcelos, recebeu lideranças indígenas de doze associações de base da Caimbrn. Como em outras assembleias sub-regionais já realizadas, os participantes seguiram as orientações de órgãos de saúde, como o uso obrigatório de máscaras e álcool em gel.

    Foi unânime as afirmações das lideranças indígenas sobre uso da medicina tradicional ao longo dos últimos meses para tratar os doentes de covid-19. A Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (Acimrn), fez um levantamento sobre o uso da medicina tradicional usado durante a pandemia, que destacou a diversidade do conhecimento dos povos indígenas que habitam a região. “Identificamos que cada povo e comunidade usa diferentes tipos de remédio caseiro, disse Carlos Nery Piratapuia, liderança e membro da Caimbrm. 

    Bruno Martins, secretário da Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (Acibrn), conta que a covid-19 pegou de surpresa as comunidades de abrangência da associação. “Não sabíamos que a doença já estava no nosso meio. Quando descobrimos, muitos de nós já estavam contaminados”, afirma. “Antes tínhamos café e caribé, um costume que mantemos com os parentes da comunidade. Depois que chegou a pandemia, mudou tudo. Ainda bem que nossos pais e conhecedores tradicionais nos ajudaram a combater a doença com nossos remédios caseiros”, completa.

    José Mário Yanomami, disse que a principal preocupação que tiveram com a chegada da doença foi sobre os mais idosos. “A nossa preocupação com eles foi grande, pois, vimos na TV que por onde chegava a doença matava muita gente. Graças a eles, que guardam os conhecimentos do nosso povo, conseguimos enfrentar a doença. Mudou muita coisa na nossa vida. E precisamos continuar nos cuidando e cuidar da nossa floresta, pois é dela que tiramos os nossos remédios”, disse.

    Sobre a mudança na vida das pessoas nas comunidades, a presidente da Associação Indígena de Barcelos (Asiba), Maria Lourenço, do povo Baniwa, relatou que o isolamento social que acabou sendo obrigatório, afetou muito a convivência as comunidades. “Tivemos que passar a seguir as orientações do pessoal da saúde, como o isolamento social e o uso de máscara. Não consigo usar isso, não estou acostumada, quando coloco, já quero tirar”, comentou Maria sobre o uso da máscara.

    Médio e Baixo Rio Negro aclamam diretor de referência

    A Comissão Eleitoral instituída pelo parecer do Conselho Diretor, coordenou os trabalhos durante o processo eleitoral. A calha do médio e baixo rio Negro foi dividido em 4 regiões para melhor organização e participação das lideranças indígenas na representatividade regional. Portanto, cada região indicou um representante para concorrer, e a sequência seguiu conforme o número de votos.

    O resultado da apuração foi: Coordenação Regional da Caimbrn: Carlos Nery (23 votos) – Coordenador, Vice Coordenador: Samero Andrade (13 votos), Coordenador Secretário: José Mario Yanomami (12 votos) e Coordenador Tesoureiro: Evaldo Bruno (10 votos).

    “Estamos totalmente satisfeitos com a atuação do nosso diretor de referência”, foi a avaliação unânime das 12 associações de base da Caimbrn, sobre a atuação do atual diretor de referência, Marivelton Rodriguês Baré. “Esteve sempre presente quando precisamos”, foi uma das afirmações mais comuns ao longo das apresentações das avaliações da gestão 2017-2020. Portanto, o atual diretor de referência da região, foi aclamado pelas 12 associações presentes na assembleia para a gestão 2021- 2024 da Foirn.

    O reconhecimento do trabalho do atual diretor de referência pelas comunidades e associações de base se deve ao intenso trabalho de mobilização desde da primeira gestão como diretor de referência, porém, os destaques foram os trabalhos da atual gestão, como presidente da Federação, como a implantação de projetos de turismo comunitários indígenas, avanço nos processos de demarcação de terras indígenas, fortalecimento das associações de base, enfrentamento ao Covid-19, melhoria de infraestrutura de comunicação, entre outros.

    O diretor Marivelton reconheceu que sua força e incentivo vem da base. “Em vários momentos que me senti sozinho ao longo desses anos, vocês (lideranças e comunidades) estavam lá para me dar força e lutar junto comigo. E vamos seguir lutando pela demarcação de nossos territórios, pela educação diferenciada e saúde indígena, afirmou.