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Canoa virtual: projeto conecta comunidades indígenas do Rio Negro à internet

Projeto de fortalecimento da comunicação na parceria Foirn e ISA, apoiado pela Rainforest, Nia Tero e Fundação Moore instala oito pontos de internet via satélite

Equipamento do ponto de internet instalado na comunidade Açai, Médio Rio Uaupés. Foto: Juliana Radler/ISA

A pandemia de Covid-19 nos trouxe desafios e deixou muito evidente a importância de investirmos em melhorias de comunicação para as comunidades. O que já tínhamos falado muito nas oficinas de PGTA, assim como nossa juventude indígena também sempre enfatiza essa prioridade! A necessidade de manter contato com as equipes de saúde, sobretudo para ações emergenciais de resgate e atendimento para os doentes de Covid-19, mostrou que é preciso urgente ampliar os pontos de internet, assim como o número de radiofonia integrados ao 790.

A comunicação instantânea por meio da internet salva vidas e é um instrumento de trabalho fundamental para as equipes de saúde, lideranças, profissionais da educação e para o desenvolvimento de toda a comunidade. Sabemos que as novas tecnologias também trazem besteiras. Mas colocando na balança, sabemos que pode trazer muito mais benefícios e bem viver para as comunidades do que problemas. Basta termos consciência e sabermos usar a tecnologia a nosso favor!

Nesse sentido, no âmbito das ações de enfrentamento à pandemia de Covid-19, o Instituto Socioambiental (ISA) promoveu a instalação de oito pontos de internet via satélite nas seguintes comunidades: Canadá, Panapana e Vista Alegre (Içana), São Pedro e Pirara Poço (Tiquié), Açaí (Baixo Uaupés) e Cartucho e Acariquara, nos rios Negro e Jurubaxi.

Kit de navegação na internet

Foram instalados antena, roteador, modem e um pacote de energia solar para manter o sistema. Também serão instalados um notebook com uma impressora para apoiar nos trabalhos da comunidade. Também foi apoiado melhorias estruturais no local de instalação da internet, quando necessário. Essa primeira etapa da internet via satélite terá duração de 12 meses e espera-se que a partir desse bom uso pelas comunidades, a infraestrutura seja mantida para impulsionar os trabalhos realizados no âmbito da parceria FOIRN-ISA.

Nessa primeira etapa foram contempladas 3 coordenadorias e o critério de escolha foi relacionado ao envolvimento das comunidades com trabalhos voltados às cadeias produtivas, rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (aimas), Rede Wayuri, turismo de base comunitária e gestão territorial e ambiental. No início do ano que vem está prevista uma oficina de fortalecimento para o bom uso da internet e como explorar da melhor forma esse meio de comunicação para o bem viver da comunidade.

Rosivaldo Lima Miranda, do povo Piratapuia, da comunidade de Açaí, no Baixo Uaupés. Foto: Juliana Radler/ISA

Rosivaldo Lima Miranda, do povo Piratapuia, da comunidade de Açaí, no Baixo Uaupés, recebeu a visita da comitiva do diretor Nildo Fontes, da Diawi’i no início de dezembro. Na ocasião, ele elogiou a instalação da internet. “Esse trabalho nos beneficiou muito. Nos ajuda na comunicação na saúde, educação, na comunicação com os parentes de fora, que estão em São Paulo, em São Gabriel. A gente nunca tinha sonhado em ter essa comunicação de primeira qualidade. E agora com isso vamos melhorar muito nosso trabalho comunitário e em prol do meio ambiente”, comentou Rosivaldo.

A Foirn e seus convidados que estavam a caminho do rio Tiquié puderam verificar o bom funcionamento da internet, inclusive possibilitando conexão por áudio e vídeo. Nosso diretor Nildo comentou que com essa ampliação de internet de qualidade nas comunidades, será muito viável fazer mais articulações, viagens mais longas e trabalhos direto das comunidades. “Muitas vezes temos que voltar para a cidade por causa dos trabalhos que dependem de internet. Agora, posso ficar mais tempo nas bases e trabalhar daqui mesmo”, disse Nildo em Açaí.

Baniwa defende TCC direto da comunidade de Vista Alegre

O acadêmico Baniwa Alexandre Rodrigues Brazão conseguiu fazer a defesa do seu trabalho de conclusão de curso (TCC) intitulado “Calendário diferenciado da Escola Municipal Indígena Menino de Deus da comunidade Warirambá, rio Cuiari”, usando a plataforma Google meet, direto da internet instalada na comunidade de Vista Alegre (Rio Cuiary, afluente do Içana).

Alexandre Rodrigues Brazão, defendeu seu trabalho de conclusão direto da comunidade Vista Alegre, rio Cuiarí. Foto: Reprodução

O trabalho integra o curso de Licenciatura em Formação de Professores Indígenas, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), sob a orientação do professor doutor Gersem Luciano Baniwa. Sua banca examinadora contou com os professores Elciclei Faria dos Santos, Elias Brasilino de Souza e de notório saber, Brasilino Felipe dos Santos Baniwa.

Para Brazão, defender seu TCC direto da comunidade foi uma emoção grande, além de um fator de economia, praticidade e em tempos de pandemia de Coronavírus, segurança para ele e sua comunidade, pois evitou se deslocar até a cidade, onde há aumento de casos da doença nesse momento de segunda onda. A defesa ocorreu no dia 18 de dezembro.

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