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Segunda dose de vacina e de solidariedade

Equipe DMIRN/FOIRN promove distribuição de máscaras aos idosos durante nova fase da campanha de imunização contra a Covid-19

Em ação de solidariedade e conscientização sobre a importância da prevenção e da imunização contra a Covid-19, o Departamento de Mulheres Indígenas da FOIRN (DMIRN/FOIRN) promoveu, neste sábado (20/02), a entrega de máscaras a idosos que receberam a segunda dose da vacina e a profissionais de saúde. Foram distribuídas cerca de mil máscaras confeccionadas por mulheres indígenas em iniciativa da Campanha “Rio Negro, Nós Cuidamos”, desenvolvida pela FOIRN em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) para ações de proteção dos povos tradicionais durante a pandemia.

“Essa é uma ação de preservação da vida, de precaução contra a Covid-19. A gente pode ver que os idosos estão mesmo usando as máscaras e sabemos que alguns deles não têm recursos para comprar a proteção. Outros vivem sozinhos e precisam de apoio para os cuidados”, disse a coordenadora do DMIRN e diretora interina da FOIRN, Maria do Carmo Piloto Martins, a Dadá Baniwa.

A entrega das máscaras aconteceu nos postos de vacinação da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de São Gabriel da Cachoeira, que promoveu a segunda fase da campanha de vacinação contra a Covid-19 para os idosos. A primeira fase foi realizada em 23 de janeiro, quando o DMIRN retomou a Campanha “Rio Negro, Nós Cuidamos”, com entrega de máscaras e kits de higiene. Até 18 de fevereiro, um total de 6.557 pessoas já tinham sido vacinadas.

Enfermeira da Semsa, Alberta Socorro Andrade avalia na primeira etapa alguns indígenas estavam receosos em receber a medicação, mas nessa segunda etapa estavam todos mais confiantes. Profissionais de saúde orientam a manter os cuidados preventivos mesmo após a segunda dose, pois a vacina leva até quatro semanas para fazer efeito.

Coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI) em São Gabriel da Cachoeira, a enfermeira Laryssa Feitosa informou que o município já recebeu aproximadamente 31 mil doses do imunizante contra a Covid-19. A primeira remessa, de 27 mil doses, foi destinada ao Distrito Sanitário Especial Alto Rio Negro (Dsei-ARN), Dsei Yanomami e profissionais de saúde. Logo em seguida vieram os idosos. O próximo passo é vacinar profissionais de saúde de serviços particulares e, em seguida, será dado prosseguimento à imunização de profissionais de saúde que trabalham na parte administrativa dos serviços públicos. 

A ação de entrega de máscaras teve apoio do Departamento de Jovens da Foirn (DAJIRN/FOIRN) e Setor de Comunicação (Setcom). Lembre-se parente: tome a vacina! Só vamos conseguir controlar a pandemia se muita gente for vacinada!

Leia depoimentos de quem já está vacinado contra a Covid-19:

Remédios tradicionais e imunização

A professora, artesã e conhecedora indígena Cecília Albuquerque, da etnia Piratapuia, foi até o ginásio do Colégio São Gabriel para receber a dose de vacina contra a Covid-19. “Espero que todos possam tomar a vacina para não pegar a doença. Doer não dói. E salva vidas”, diz. Dona Cecília fez usos de remédios tradicionais durante toda a pandemia e continua preparando e tomando os chás.  

Primeiro casal de idosos a ser vacinado

O casal Mariquinha Navarro Campos, de 86 anos, da etnia Piratapuya, e Lauriano Freire Campos, de 88 anos, da etnia Tariano, tomaram a segunda dose da vacina nesse sábado (20/02). Eles foram os primeiros idosos de São Gabriel a receberem a vacina, em 19 de janeiro. “Eles não tiveram qualquer problema. Passaram bem o tempo todo”, informou o filho deles, Sérgio Navarro.

Dose de esperança

Funcionária da Foirn, Maria de Lourdes Veiga, da etnia Wanano, acompanhou sua mãe Emília Madalena, de 79 anos, Kubeu, para tomar a vacina na Escola Irmã Inês Penha. Para Lourdes, a vacina é sinônimo de esperança. “Minha irmã de 30 anos morreu vítima da Covid-19 na comunidade Jutica, no Rio Uaupés. Foi muita tristeza para a minha mãe. Agora temos essa esperança”, diz.

Exemplo de força

Indígena da etnia Baré, Apolônia Ramos Lizardo fará 90 anos no próximo mês de maio e foi se vacinar na manhã de sábado. Falando na língua Nheengatu, ela contou que recebeu a dose porque quer se salvar.

Falta de conhecimento

O indígena da etnia Baniwa Fernando José, de 74 anos, comentou sobre a resistência que alguns parentes moradores de comunidades estão tendo na hora de tomar a vacina. “A falta de conhecimento é que está levando os indígenas a terem medo da vacina. É preciso chegar às comunidades, explicar a eles o que é esse medicamento, conversar. Eles vão entender e tomar. É muito importante se proteger contra a doença, tomar a vacina”, disse. Ele e sua esposa Aurora Miguel, Baniwa, foram vacinados na Escola Sagrada Família. Fernando e Aurora são pais da liderança indígena André Baniwa e têm mais quatro filhos: Bonifácio, Braulina, Maria Eliana e Júlia.

Preocupação com a família

Maria do Carmo Martins Piloto, de 71 anos, mãe da Dadá Baniwa, tomou a vacina na Escola Irmã Inês Penha.  Ela quer saber agora é quando os filhos e outros familiares serão vacinados. “Estou muito feliz de tomar a segunda dose. Agora penso nos meus filhos que ainda não tomaram a vacina”, disse.

Ela é uma das indígenas que estão confeccionando as máscaras de pano para serem doadas, inclusive as distribuídas nesse sábado. “Eu fico sentindo satisfação de poder ajudar, costurando mesmo com a minha máquina que está dando problema”, disse. O objetivo é que sejam costuradas 8 mil máscaras. Também estão ajudando nessa ação solidária Lucila Mendes de Lima, da etnia Tariano; Vanderleia Cardoso, Piratapuia; e Carmem Figueiredo Alves, Wanano.

Perda de familiares

“Eu não tive medo de tomar a vacina. Eu gostaria que todos os indígenas procurassem se vacinar. Por causa da Covid-19, eu perdi quatro pessoas da minha família e fiquei só eu. Morreram de Covid-19 meu pai e minha mãe, moradores de Santa Isabel do Rio Negro, e meus dois irmãos, um que morava em Santa Isabel e outro que vivia em Manaus. Eu moro aqui em São Gabriel, com minha mulher, quatro filhos e cinco netos. Quero ficar forte para ajudar outras pessoas que me auxiliaram. Agora estou esperando a minha família se vacinar.”  Bernardino Brazão, de 61 anos, da etnia Baré.

Sem reação

“Eu não senti nenhuma reação negativa. Tomei a vacina e voltei a trabalhar normalmente. Não ´precisa ter medo.” Irmã Irene Martini, de 73 anos

Vida normal

Maria Virgínia Albuquerque, de 72 anos, da etnia Baré, dá “a maior força” para as pessoas se vacinarem. “Antes, na primeira dose, eu estava com um pouco de medo. Agora está tudo mais calmo. Estamos querendo voltar à vida normal”, disse.

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