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V Encontro de Produtores Indígenas reúne representantes de vários povos em Iauaretê para discussão sobre produção e comercialização

Cerca de 140 artesãos e artesãs indígenas de diversas etnias participaram do V Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro, realizado em Iauaretê entre os dias 13 e 15 de outubro.

Paricipantes do V Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro realizado em Iauaretê. Foto: Ray Baniwa/Foirn

A participação de indígenas das etnias que vivem na região do Alto e Médio rio Uaupés e rio Papuri, como Hupdah, Dessana, Wanano, Kubeo, Tukano, Tariana e Piratapuia, garantiu intensa troca de informações.

Durante os três dias, os artesãos compartilharam conhecimentos e experiências sobre produção e comercialização de artesanatos.

O encontro foi realizado pela FOIRN através do Departamento de Negócios Socioambientais e Casa Wariró, com apoio e parceria do Instituto Socioambiental (ISA) e ForEco.

Além de debater desafios da produção e comercialização de produtos e artesanatos, os participantes também mapearam novas cadeias de produção.

Os trabalhos durante a oficina foram coordenados pela articuladora e gerente da Casa Wariró, Luciane Lima, e pelo coordenador do Departamento de Negócios Socioambientais e Coordenador do Conafer Rio Negro, Edson Gomes Baré, com acompanhamento da diretora da Foirn de referência da região da Coidi, Janete Alves Dessana.

Entre os temas debatidos estão funcionamento, acordo de co-gestão, relação com artesãos, precificação, marca coletiva Wariró e as modalidades de pagamento de artesanatos.

Compras institucionais como os programas PAA (Programa de Aquisição de Alimentação) e PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) também foram apresentados como pautas do encontro.

Na abertura, Edison Gomes lembrou a importância do encontro para discussão de temas como economia indígena e a comercialização dos produtos e artes na região.

De acordo ele, esse é mais um passo importante na discussão e construção do bem viver indígena do Rio Negro, uma das bandeiras de luta do movimento indígena.

“Nos últimos anos, tivemos nos dedicando especialmente a debater e avançar em temáticas como a educação e a saúde indígena, o nosso desafio agora é também avançar na pauta da economia indígena”, disse.

A liderança Domingos Lana Tariana, 53, lembrou que a Casa Wariró é a marca que representa a diversidade cultural dos 23 povos indígenas do Rio Negro, por isso todos os artesãos e produtores indígenas devem conhecer seu funcionamento. “Precisamos conhecer a nossa marca e começar a reconhecer e chamá-la de nossa marca”, frisou.

O contato com os não indígenas ao longo do tempo trouxe mudanças na vida dos povos indígenas do Rio Negro, como introdução de novos tipos de alimentos, especialmente os industrializados. Ao mesmo tempo, o conceito de economia e comercialização de produtos foi ganhando novas formas: antes apenas no formato de troca, e depois a venda de produtos.

Professor e liderança, Adão Oliveira refletiu sobre essas mudanças na vida dos povos indígenas no Rio Negro, afirmou que afetam o modo de vida e a cultura, pois, muitas delas são partes de outras sociedades. “Muitas dessas novas formas de organização e comercialização são da cultura dos não indígenas, mas precisamos nos adequar e adaptar os conhecimentos para a nossa realidade local. E a FOIRN está nos dando essa oportunidade de aprofundar sobre esses assuntos que são importantes para discutirmos, como a valorização de nossos produtos e da nossa cultura. Para isso precisamos do conhecimento sobre como gerir e comercializar nossos produtos”, disse.

Ainda sobre a importância de aprender novos conhecimentos para valorizar a cultura dos povos indígenas, a liderança e presidente da Associação das Comunidades Indígenas de Iauaretê (Acii), Joaquim de Jesus, do Povo Tukano, 64, afirma que o encontro de produtores indígenas realizado em Iauaretê trouxe novos conhecimentos e informações sobre a Casa Wariró. “Nos dias de hoje, para valorizar o nosso conhecimento é preciso saber e ter conhecimentos sobre a comercialização, a padronização e qualidade exigidas pelo mercado consumidor. Tendo esses conhecimentos básicos, vamos conseguir vender nossos produtos e artesanatos. E isso é importante para valorizarmos os nossos conhecimentos, principalmente o repasse dos saberes e conhecimentos de confecção para nossos filhos”, afirmou.

Joaquim de Jesus, do Povo Tukano é liderança indígena de Iauaretê participou do encontro em Iauaretê. Foto: Ray Baniwa/Foirn

Para Verônica Ramos Pena, 31, do povo Hupdah, moradora da Vila Fátima, em Iauaretê, que organizou e liderou a participação de oito mulheres Hupudah no encontro, disse que sai fortalecida e animada do encontro de produtores. “Estou feliz e animada com resultado do encontro. Consegui trazer mulheres da minha comunidade para participar e aprender novos conhecimentos durante o encontro. Tivemos a oportunidade de apresentar nossos artesanatos aqui para os participantes. Apesar das dificuldades que ainda temos em acompanhar as apresentações dos expositores, aprendemos bastante coisa nova”, diz. “Estamos cada vez mais fortalecendo a nossa produção de artesanatos para vender e ajudar a gente a comprar produtos básicos e necessários para nossa sobrevivência”, completou.

Verônica Ramos Pena do povo Hupdah, moradora da Vila Fátima, em Iauaretê. Ela mobilizou as mulheres Hupdah para participar do encontro de produtores indígenas do Rio Negro realizado em Iauaretê. Foto: Ray Baniwa/Foirn

Ramiro Álvares, 40, do Povo Kubeo, morador da comunidade Querari – Alto Uaupés, se disse satisfeito com o conhecimento adquirido no encontro. “Não conhecia a Wariró antes do encontro aqui em Iauaretê. Com as apresentações durante esses dias, consegui entender o que é a Casa Wariró, como funciona, e como vender os artesanatos. Eu faço vários tipos de artesanatos, agora vou começar a produzir para vender, pois aprendi que tenho que valorizar esse conhecimento tradicional que temos”, disse.

Diretora de referência da FOIRN para a região da Coidi, Janete Alves Dessana compartilhou com todos os presentes o sentimento de mais um trabalho concluído com êxito. “Que o conhecimento aprendido no encontro não fique somente aqui, deve ser compartilhado com outros que não conseguiram participar do encontro”, disse.

O Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro realizado em Iauaretê encerrou a série de cinco encontros previstos para o ano de 2021 em todo o Rio Negro. Dois encontros serão realizados em 2022 para encerrar os encontros regionais, que são preparativos para o encontro geral previsto para acontecer no primeiro semestre de 2022.

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