Mês: dezembro 2021

  • Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro realiza assembleia e elege nova diretoria

    Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro realiza assembleia e elege nova diretoria

    A XVI assembleia da Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (Acibrn) foi realizada na comunidade Tapuruquara Mirim no dia 20 de dezembro e reuniu 100 pessoas participantes, entre estes, 65 lideranças delegados das comunidades que compõem a associação.

    Mulheres Indígenas das comunidades associadas à ACIBRN participam da assembleia. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    Eleição da nova diretoria e avaliação dos trabalhos da gestão atual foram as principais pautas da assembleia que reuniu as comunidades Tapuruquara Mirim, Arurá, Itapereira, Nova vida, Irapajé, Castanheirinho, Mafi, Vila Nova, Cajuri, São Pedro, Livramento I, Boa Esperança e Bacabal, estas localizadas na Terra Indígena Médio Rio Negro I.

    Na apresentação dos trabalhos pela diretoria, foram destacados algumas dificuldades, especialmente no período da pandemia que afetou diretamente a principal atividade da associação, o Projeto Pesca Esportiva no Rio Marié. Mas, também avanços foram apresentados, como a aquisição de equipamentos e estruturas para o funcionamento da atividade e benefícios para as comunidades envolvidas.

    Antes de 2014 quando o projeto foi definido e lançado, já existia turismo de pesca no Marié de forma desordenada onde as empresas disputavam a exclusividade de acesso, firmando contratos precários diretamente com algumas lideranças, desconsiderando a organização das comunidades. Empresas e comunidades não assumiam as responsabilidades necessárias à gestão sustentável e participativa da atividade.

    A partir de 2014, a Acibrn junto com os parceiros como a Foirn, Instituto Socioambiental e órgãos governamentais como Ibama, Exército, Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira e da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas do Amazonas, organizou o projeto Marié, que além de gerar renda para as comunidades envolvidas, busca o dialogo com os modos de vida e conhecimentos tradicionais, respeitando a autonomia das comunidades indígenas e investindo em relações inovadoras entre empresas e comunidades. (Saiba mais: https://foirn.blog/2014/05/06/foirn-e-acibrn-firmam-parceria-para-desenvolver-a-pesca-esportiva-no-rio-marie/).

    Após oito anos, hoje, o projeto é considerado modelo de projeto de turismo e iniciativa sustentável em Terra Indígena, já garantiu benefícios de forma coletiva as comunidades por meio da Acibrn e Foirn. A partir desse projeto a associação conseguiu estruturar e manter base de vigilância do território em cumprimento ao plano de manejo e plano de proteção Territorial.

    O IBAMA é parceiro governamental do projeto que realiza avaliação dos estoques pesqueiros e capacidade de carga antes e pós-temporada anualmente.

    Eleição da nova diretoria

    Antes da pauta da eleição, a assembleia indicou de dois representantes da juventude para a Rede de Juventude Indígena e duas mulheres para a Rede de Mulheres, ambas as redes, são coordenadas pelos dois departamentos da Foirn, o departamento de jovens e departamento de mulheres.

    Orientado por um regimento interno elaborado e aprovado na assembleia, a eleição de nova diretoria foi composta por 02 chapas. A apuração apontou a vitória da chapa 02 por 50 votos. E chapa 01 ficou com 15 votos.

    Diretoria eleita na XVI Assembleia da ACIBRN realizada na comunidade Tapuruquara Mirim. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    A jovem diretoria da Acibrn para a gestão 2022 a 2025 será composta por:

    • Geovani da Costa Silva (Baniwa) – Presidente (Comunidade Bacabal)
    • Marivaldo Bruno do Nascimento (Baré) – Vice Presidente (Comunidade Vila nova)
    • Juscelino Benjamim da Silva (Baniwa) – Secretário Titular (Comunidade Castanheirinho)
    • Gama Brasão Lopes (Baniwa) – Secretário Suplente (Comunidade Mafi)
    • Evaldo Bruno Martins (Baré) Tesoureiro Titular (Comunidade Arurá)
    • Wilmer Maurício Dias Lozano (Wanano) Tesoureiro Suplente (Comunidade Nova Vida).

    A Foirn participou da assembleia representada por: Marivelton Rodrigues (Presidente), Glória Rabelo (Departamento de Mulheres), Sheinne Diana (Departamento da Juventude), Hildete Araújo (Secretaria Administrativa), Cloves Torres (Administrador de Equipes), Gilson Pascoal (Logística) e equipe de comunicação (Gicely Caxias, Eucimar Aires e Admilson Andrade).

  • Rede de Turismo Indígena do Rio Negro é criada no I Encontro de Turismo em São Gabriel da Cachoeira-AM

    Rede de Turismo Indígena do Rio Negro é criada no I Encontro de Turismo em São Gabriel da Cachoeira-AM

    O 1º Encontro de Turismo Indígena do Rio Negro ocorreu na comunidade de Duraka, situada na Terra Indígena Médio Rio Negro I, em São Gabriel da Cachoeira (AM), entre os dias 10 a 12 de dezembro. Reunir as iniciativas que já existem e identificar novas comunidades que desejam fazer parte deste roteiro foi um dos objetivos do encontro.

    Atualmente, existem 17 iniciativas de turismo indígena mapeadas na região, sendo algumas delas já em plena atuação, como o turismo de pesca esportiva em Santa Isabel do Rio Negro (rios Marié e Jurubaxi) e o roteiro Serras Guerreiras de Tapuruquara. O turismo Yanomami ao Pico da Neblina terá sua primeira expedição comercial em janeiro de 2022.

    Em um ambiente colaborativo com muitas trocas de informações entre as inciativas também aconteceram apresentações sobre a Cadeia de Turismo, Relação Anfitrião-Turistas e Cultura Alimentar como Atrativo Turístico.

    A mesa redonda sobre “Turismo como ferramenta de governança e segurança nos territórios indígenas”, contou com a participação de Marcos Wesley Oliveira-Coordenador Programa Rio Negro do ISA, Júlio José Araújo Júnior-Procurador MPF, Renata Carolina Correa Vieira- Advogada/ISA, Ricardo Peixoto-General 2ª BDA INF SL, Carlos Marcelo da Silva-Major 2ª BGDA INF SL, Ernani Sousa Gomes-Coordenador Dsei-ARN, Ernesto Rodriguês Estevão – Coordenador CAIMBRN e Marivelton Rodrigues Barroso-Diretor Presidente da FOIRN. A mesa discutiu a segurança e defesa dos territórios e papéis das organizações indígenas no território junto às iniciativas de turismo da região.

    O turismo em terras indígenas segue as diretrizes da IN03/2015, instrução normativa da Fundação Nacional do Índio (Funai) que, por meio do desenvolvimento de um Plano de Visitação, busca o protagonismo das comunidades indígenas na realização de turismo nos seus territórios.

    Rede de Turismo Indígena do Rio Negro

    Após as experiências compartilhadas e de debates sobre o tema, foi criado a Rede de Turismo Indígena do Rio Negro.

    O espaço será formado pela FOIRN, associações locais e suas inciativas que visa apoiar as iniciativas de turismo indígena contribuindo para o fortalecimento destas através da mobilização conjunta, da discussão de políticas públicas que apoiem o turismo indígena de base comunitária e da formação de parcerias com diversos setores da sociedade.

    Com apoio do projeto ForEco – Rainforest Foundation e Embaixada Real da Noruega (ERN), o encontro contou com a presença de Susy Simonetti, professora do curso de Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), doutora em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia e que vem trabalhando junto à comunidades no Mosaico do Baixo Rio Negro.

    O evento foi realizado pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e pelo Instituto Socioambiental (ISA)

  • Foirn realiza encontro “Fale Sem Medo” pelo Fim da Violência contra a Mulher Indígena

    Foirn realiza encontro “Fale Sem Medo” pelo Fim da Violência contra a Mulher Indígena

    Compartilhar as experiências da II Marcha das Mulheres Indígenas realizada no último mês de setembro, em Brasília, e construir plano de ação para o enfrentamento da violência de gênero e criar redes de apoio no Rio Negro são os objetivos do encontro.

    O encontro aconteceu nesta sexta-feira, 9 de dezembro, no Telecentro do Instituto Socioambiental (ISA), em São Gabriel da Cachoeira (AM), mediado pelas coordenadoras do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (Dmirn), Maria do Rosário (Dadá Baniwa), Larissa Duarte Tukano e Glória Rabelo Baré e Renata Viera, advogada do Instituto Socioambiental (ISA). 

    Durante o XI Encontro das Mulheres Indígenas do Rio Negro realizado em 2018, as mais de 200 mulheres indígenas elaboraram e publicaram o manifesto “os nossos princípios, desafios e compromissos” que orienta os planos de ações do Dmirn em várias linhas temáticas, entre estes, a violência contra a mulher e o fortalecimento da presença e participação de mobilização indígena regional e nacional. 

    Conseguir garantir a participação de 20 mulheres na II Marcha das Mulheres Indígenas em Brasília foi considerada pelas lideranças mulheres e coordenadoras do Dmirn, uma conquista das mulheres rionegrinas. 

    A marcha aconteceu na primeira semana de setembro em Brasília. Cerca de 20 mulheres indígenas do Rio Negro marcaram presença na mobilização das mulheres pelos direitos e pelos territórios. 

    Gloria Rabelo Baré: Nunca tinha participado de um evento assim tão grande. A marcha das mulheres que teve agora é uma experiência que vou levar para a vida toda. Estivemos lá reunidas junto com outras mulheres que lutam pelas suas terras, pelos seus espaços, como nós. Participar da marcha me transformou. Hoje, não fico mais calada, principalmente quando é para defender os direitos das mulheres. 

    Elizangela Baré: Quando saímos do nosso território aprendemos e adquirimos mais conhecimento para nossa luta. O mesmo acontece quando realizamos atividades dentro do nosso território. Cada vez que participamos de eventos conhecemos mais sobre as leis, os nossos direitos. Como lideranças, precisamos conhecer essas leis. 

    Rosilda Cordeiro Tukano: União das mulheres faz a força. E lá somamos força com mulheres de outras regiões pela demarcação de terras. Foi muito bom lutar ao lado de mulheres de todas as regiões. 

    Laura Tariana: Representar as mulheres da minha região foi o grande desafio. Coragem foi essencial. 

    Vanda Cardoso Piratapuia: Como foi a minha primeira vez, foi um desafio. Precisamos levar essa luta para frente como mulheres indígenas. Quebramos algumas barreiras. Como pela primeira vez conseguimos ter maior número de mulheres na marcha. 

    Lorena Tariana: Cada marcha é uma experiência. A minha nova participação na marcha foi mais uma nova experiência. Foi tenso. Dessa vez várias mulheres tiveram que acordar madrugada devido às ameaças da invasão do nosso acampamento. O evento nos ensina que cada mobilização é um desafio. Precisamos lutar porque hoje, nossos direitos estão sendo ameaçados. Conseguimos nos destacar na marcha. 

    Izoneia Tariana: Foi um momento único. Como não saímos do nosso mundo, sair daqui e participar da luta das mulheres de outras regiões, que muitas vezes, vimos apenas pela mídia, é uma coisa importante que expande nossos horizontes. A luta delas nos motiva a também participar e fortalecer a nossa luta pelos direitos indígenas e das mulheres. Nós mulheres já nascemos com essa força, mas, a marcha das mulheres me tornou mais resistente, fortalecida e segura. 

    Rosane Piratapuia: Foi muito bom voltar para o uma mobilização das mulheres, rever lideranças que conheci quando fiz parte do Departamento das Mulheres da Foirn. Percebi que muita coisa avançou, esses avanços também são resultados das mobilizações e luta das mulheres. Lá participamos junto com mulheres de outras regiões. Em um momento, assisti uma parente chorando, pois, as terras delas são as mais afetadas atualmente pelo agronegócio. Nesse sentido, precisamos lutar com elas, pois são nossos parentes. Estar lá foi um ato de resistência e união entre as mulheres indígenas. 

    Auxiliadora Dâw: Fiquei como segurança do acampamento da marcha das mulheres. Quando estamos lá, estamos lutando pelos nossos direitos, nossos territórios, pelos nossos filhos. Participar da marcha me deu experiência e me fortaleceu ainda mais como lideranças representantes das mulheres da região que represento (médio e baixo rio Negro).

    A atividade foi apoiada pelo Fundo Canadá e RCA.

  • Nota Pública da Foirn sobre matéria na Folha de São Paulo intitulada “General Heleno autoriza avanço de garimpo em áreas preservadas na Amazônia”

    Nota Pública da Foirn sobre matéria na Folha de São Paulo intitulada “General Heleno autoriza avanço de garimpo em áreas preservadas na Amazônia”

    Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), organização da sociedade civil de interesse público que representa os 23 povos indígenas do rio Negro, fundada em 1987, vem a público manifestar-se a respeito da reportagem publicada hoje pela Folha de São Paulo, pelo repórter Vinicius Sassine, a respeito do avanço do garimpo na bacia hidrográfica do Rio Negro, no Amazonas.

    Intitulada “General Heleno autoriza avanço de garimpo em áreas preservadas na Amazônia”, a matéria revela que em 2021, o general Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), da Presidência da República, autorizou sete projetos de pesquisa para exploração de ouro no Noroeste Amazônico, região mais preservada de toda a Amazônia. Heleno é também secretário-executivo do Conselho de Defesa Nacional, órgão que aconselha o presidente em assuntos de soberania e defesa.

    Nós, que habitamos essa região há mais de 3 mil anos, em 10 terras indígenas demarcadas, manifestamos nossa indignação com a postura do general Heleno, que demonstra estar fazendo uma pressão política a favor dos interesses empresariais da mineração e do garimpo.

    A assessoria jurídica da Foirn está analisando os processos mencionados na reportagem da Folha de São Paulo e tomará todas as atitudes cabíveis e legais para não permitir que a região mais preservada da Amazônia seja ameaçada pela política predatória do atual governo.

    Sem considerar aspectos socioambientais e as políticas públicas que vem sendo articuladas para o desenvolvimento local na região, baseadas na Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental nas Terras Indígenas (PNGATI), o GSI e o Conselho de Defesa Nacional colocam em risco a vida da floresta e a vida de mais de 45 mil indígenas.

    Ao invés de autorizar que empresas façam pesquisa de extração de ouro em nossos territórios, o que só trará poluição, degradação ambiental e ainda maior injustiça social, as autoridades do governo federal deveriam conhecer a realidade local e nos apoiar a fomentar a economia indígena sustentável, que gera renda, trabalho e conserva os benefícios da floresta em pé.

    Repudiamos atitudes autoritárias amparadas em ideais superados de desenvolvimento econômico, que só trouxeram doenças, morte e degradação para a Amazônia e seus povos. A política do atual governo, que avança sobre a floresta e sobre nossos territórios, tem apenas um interesse imediatista: dar lucro aos setores políticos empresariais que negam à emergência climática, a importância da Amazônia para a manutenção da vida e, sobretudo, desrespeitem os povos indígenas brasileiros que moram e protegem esta vasta região na tríplice fronteira com a Venezuela e a Colômbia.

    Mais informações ou pedido de entrevistas:

    Assessoria de Comunicação da Foirn: (97) 9810-44598

    www.foirn.org.br

    Mais informações ou pedido de entrevistas:

    Assessoria de Comunicação da Foirn: (97) 9810-44598

    www.foirn.org.br