Autor: Comunicação – FOIRN

  • Expedicionários da Saúde – EDS e FOIRN iniciam projeto “Cuidar para Preservar” no Alto Rio Negro

    Expedicionários da Saúde – EDS e FOIRN iniciam projeto “Cuidar para Preservar” no Alto Rio Negro

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), em parceria com os Expedicionários da Saúde (EDS) e instituições do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, deu início oficial ao projeto “Cuidar para Preservar: Saúde Integrada e Conservação na Amazônia Indígena”, no dia 12 de janeiro de 2026, às 9h, na Casa do Saber da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira, no noroeste amazônico.
    O encontro marcou o Dia 1 do projeto, que terá duração de quatro anos (2026–2029) e foi aprovado pelo Fundo Amazônia, representando um novo ciclo de atuação em saúde indígena no território do Alto Rio Negro.

    Foto : Joelson Felix

    Uma iniciativa coletiva e integrada

    O projeto é de autoria dos Expedicionários da Saúde (EDS) e conta com o apoio do fundo Amazônia/BNDES e apoio de parceria da FOIRN, do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (DSEI ARN), da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI/MS), do Conselho Distrital de Saúde Indígena (CONDISI ARN), ISA,  FUNAI e Exército Brasileiro.

    Foto: Joelson Felix


    A proposta nasce do acúmulo de experiências das expedições realizadas ao longo dos anos, mas avança ao propor ações continuadas, territorializadas e culturalmente adequadas, superando o modelo pontual de atendimento.

    Saúde integrada com olhar de longo prazo

    Durante a apresentação, representantes do EDS destacaram que o projeto foi pensado ao longo de um ano, a partir da seguinte pergunta: o que podemos fazer de diferente no Alto Rio Negro?
    A resposta foi a construção de uma iniciativa que mantivesse a atenção especializada já realizada, mas que incorporasse uma perspectiva de longo prazo, fortalecendo a rede local de saúde e dialogando com os saberes tradicionais.

    Roberta Cerri, foto: Joelson Felix

    “Muitas vezes a gente tem que pensar isso de forma integrada, até porque existem sistemas não oficiais de saúde, aqueles que estão dentro das comunidades. Então é saúde integrada. Esse é um projeto que tem previsão de quatro anos, até 2029, e está sendo financiado pelo Fundo Amazônia”, destacou Roberta Cerri, antropóloga dos Expedicionários da Saúde.

    O projeto reconhece que a saúde indígena não se limita ao atendimento hospitalar, mas envolve práticas comunitárias, conhecimentos tradicionais e a articulação entre município, estado e governo federal, respeitando as especificidades de cada povo e território.

    Desconstruindo o mito do “difícil acesso”

    A importância de ressignificar o território do Alto Rio Negro também foi enfatizada durante o encontro. Para Putira Sacuena, é fundamental enfrentar estereótipos historicamente atribuídos à região.

    Putira Sacuena,  foto: Joelson Felix

    “É muito importante que a gente possa desconstruir alguns mitos e estereótipos, esse lugar de sempre chamar o Alto Rio Negro de ‘fim do mundo’ ou de ‘difícil acesso’. Eu não venho do fim do mundo, eu venho do início do mundo.”


    Segundo Putira, o termo “difícil acesso” muitas vezes é utilizado de forma equivocada e acaba servindo como justificativa para a ausência de políticas públicas adequadas.


    “O difícil acesso não pode ser usado para negar direitos. Precisamos afirmar que deve existir saúde pública de qualidade dentro dos territórios indígenas.”

    Objetivos e resultados esperados

    O projeto Cuidar para Preservar tem como objetivo central levar atenção especializada em saúde aos povos indígenas do Rio Negro, de forma territorializada, contínua e culturalmente adequada, reduzindo a necessidade de deslocamentos para centros urbanos.
    A atuação abrangerá as comunidades sob jurisdição do DSEI Alto Rio Negro, conforme o território definido no mapa distrital.


    Entre os principais resultados esperados, destacam-se:


    • Ampliação do acesso à atenção especializada diretamente nas comunidades indígenas;
    • Redução efetiva e mensurável de doenças tratáveis no Alto Rio Negro;
    • Redução dos deslocamentos para centros urbanos e dos impactos sociais, econômicos e culturais associados;
    • Fortalecimento da infraestrutura local de saúde, com melhorias nos polos-base e Unidades Básicas de Saúde;
    • Incorporação de equipamentos e tecnologias;
    • Oferta de teleatendimento médico por meio de tecnologia digital.

    Próximos passos do projeto

    Como encaminhamentos iniciais, FOIRN, EDS e parceiros irão desenvolver de forma conjunta as seguintes ações:


    • Realização de escuta ativa com parceiros e comunidades;
    • Levantamento das localidades a serem atendidas, datas prováveis e pontos de atenção do projeto;
    • Acesso e análise de informações locais, como dados epidemiológicos, logísticos e calendários comunitários;
    • Mobilização de novas parcerias;
    • Visitas às comunidades;
    • Estruturação de um Centro de Distribuição (CD) local em São Gabriel da Cachoeira;
    • Envolvimento de técnicos regionais, conforme o desenvolvimento do projeto.


    O início do Cuidar para Preservar reafirma o compromisso da FOIRN com uma saúde indígena integrada, participativa e baseada no controle social, fortalecendo a saúde Indígena e garantindo que as políticas públicas cheguem aos territórios com respeito, qualidade e continuidade.

  • FOIRN celebra retomada histórica do Curso de Licenciatura Indígena da UFAM em São Gabriel da Cachoeira

    FOIRN celebra retomada histórica do Curso de Licenciatura Indígena da UFAM em São Gabriel da Cachoeira

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) participou, nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, da solenidade de retomada do Curso de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável (CLIPE), realizada no Auditório do IFAM, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Vinculado ao Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o curso representa uma conquista histórica do movimento indígena, após sete anos de paralisação.

    Instituições compondo a mesa de abertura, Foto: Joelson Felix

    A cerimônia foi conduzida pelo professor Dr. Auxiliomar Silva Ugarte, coordenador do curso, responsável pelo convite institucional e pela condução do processo de retomada. O momento marcou não apenas o retorno das atividades acadêmicas, mas também a reafirmação de uma luta coletiva por uma educação superior indígena específica, diferenciada, intercultural e de qualidade no Alto Rio Negro.

    Retomada após sete anos de paralisação

    Em sua fala, o professor Auxiliomar Ugarte destacou que o curso esteve paralisado por sete anos em decorrência de cortes orçamentários ocorridos em períodos anteriores, e que sua retomada exigiu intenso esforço institucional e político. O curso reinicia com o Módulo I, composto por seis fases, contando com a atuação de 33 docentes.

    professor Dr. Auxiliomar Silva Ugarte, Foto: Joelson Felix

    Entre janeiro e março de 2026 será realizado um módulo presencial intensivo, com previsão de um segundo módulo em menor escala no mês de julho. Para 2027 está planejado um novo módulo intensivo, consolidando o cronograma até a conclusão do curso, prevista para 2030.
    O coordenador ressaltou ainda o trabalho conjunto da coordenação, dos vice-coordenadores — professores Raimundo Nonato Pereira da Silva e Nelcioney José de Souza Araújo — e da equipe técnica, responsável por assegurar o suporte administrativo e a gestão dos recursos necessários à continuidade do curso.
    Outro ponto enfatizado foi o esforço de inclusão de professores indígenas no corpo docente, valorizando profissionais do próprio território com titulação de mestrado e doutorado. O primeiro professor indígena confirmado é Maximiliano Correia Menezes, mestre em Geografia e egresso da própria Licenciatura Indígena.

    Protagonismo indígena na construção do curso

    Professor Maximiliano Menezes Foto: Gustavo Trindade

    O professor Maximiliano Correia Menezes, docente do curso e liderança tradicional vinculada à FOIRN, destacou que a retomada do CLIPE é resultado direto de décadas de mobilização do movimento indígena no Alto Rio Negro. Segundo ele, a FOIRN, em parceria com a UFAM, teve papel fundamental na construção do Projeto Político-Pedagógico (PPP) do curso.


    Maximiliano ressaltou que o curso atende estudantes dos polos Tukano, Baniwa e Nheengatu, que deverão concluir a graduação em aproximadamente dois anos. Para ele, o momento é histórico não apenas pela retomada do curso, mas também por representar sua primeira atuação como professor indígena no corpo docente da UFAM.


    “O movimento indígena não discute apenas a graduação, mas também a abertura de caminhos para a pós-graduação, como mestrado e doutorado, garantindo a formação completa dos nossos povos”,

    afirmou.

    FOIRN e a luta pela educação escolar indígena

    O coordenador do Departamento de Educação Escolar Indígena da FOIRN, Melvino Fontes, reforçou que a retomada do curso é fruto de uma longa trajetória de luta do movimento indígena organizado. Segundo ele, o Departamento de Educação da FOIRN acompanhou de perto todo o processo de reivindicação, articulação e negociação que possibilitou a retomada do curso.
    Melvino destacou a expectativa de formar seis turmas, distribuídas entre os três polos linguísticos, e a importância de ampliar o número de professores indígenas qualificados para atuar nas escolas indígenas e nos sistemas municipais de ensino da região.
    Para ele, o curso reafirma que a organização coletiva gera resultados concretos para os povos indígenas do Rio Negro.

    Aula Magna e reconhecimento da trajetória histórica

    Aula inaugural com a professora Dra. Iraildes Caldas Torres, foto: Joelson Felix

    Na mesma ocasião, foi realizada a Aula Magna inaugural, ministrada pela professora Dra. Iraildes Caldas Torres, com o tema “A presença da UFAM com a educação superior indígena no Alto Rio Negro”. Em sua fala, a professora destacou que a educação escolar indígena se consolidou como realidade social na região graças à presença da UFAM e, sobretudo, ao protagonismo do movimento indígena.

    A presença da UFAM com a educação superior indígena no Alto Rio Negro


    Ela ressaltou que a educação superior no Rio Negro resulta de uma construção política de longo prazo, fortalecida com a criação da FOIRN nos anos 1980, e que a luta pela educação está diretamente associada à defesa do território, à resistência cultural e à continuidade dos povos indígenas, com o apoio de diversas instituições parceiras da região.

    Uma conquista coletiva

    Foto: Joelson Felix

    A retomada do Curso de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável reafirma o compromisso da FOIRN com a formação superior indígena e com a construção de políticas educacionais que respeitem os saberes, as línguas e os territórios do Alto Rio Negro.
    Trata-se de mais uma conquista coletiva do movimento indígena, que segue transformando luta em direito, resistência em política pública e organização em futuro.

  • Rio Negro leva protagonismo jovem ao mundo com lançamento de Carta Climática

    Rio Negro leva protagonismo jovem ao mundo com lançamento de Carta Climática

    Belém (PA) – 14 de novembro de 2025

    Em um marco histórico para o movimento indígena do Rio Negro, adolescentes e jovens da região lançaram oficialmente a Carta de Direitos Climáticos da Juventude Indígena do Rio Negro durante programação na Aldeia COP, na COP30, em Belém. O documento reúne reflexões, denúncias e propostas elaboradas coletivamente ao longo de dois anos de encontros, oficinas, estudos e assembleias conduzidas pelo Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro (DAJIRN/FOIRN), em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e Rede Wayuri de comunicadores indígenas.

    Foto: Aldison Lobo – Rede Wayuri

    A carta nasce em meio a um cenário de intensificação da crise climática na Amazônia, com secas históricas e impactos diretos na vida das comunidades da região do Rio Negro, área de abrangência da FOIRN. O documento afirma que a juventude é protagonista na luta por Justiça Climática e apresenta 10 propostas prioritárias para fortalecer políticas públicas, adaptar territórios e garantir os direitos da nova geração indígena.

    Protagonismo da juventude rionegrina

    Foto: Aldison Lobo – Rede Wayuri

    A coordenadora do DAJIRN, Jucimeiry Garcia, ressaltou a importância histórica do lançamento na COP30:

    “É muito promissor que as políticas públicas possam engajar na luta pela Justiça Climática e pelos nossos direitos territoriais como juventude. Foi um momento de compartilhar conhecimentos com diversas lideranças do nosso território e de outros territórios indígenas do Brasil. Lançar nossa Carta de Direitos Climáticos na Aldeia COP, na COP30, é um marco histórico para nós. Queremos que todas as juventudes indígenas do planeta também sejam contempladas junto conosco.”

    Foto: Juliana Radler (Isa)

    Representando a FOIRN, o presidente Dário Casimiro Baniwa destacou o compromisso institucional com o processo de construção da Carta e reforçou a urgência de políticas públicas voltadas ao clima nos territórios indígenas:

    “Em nome da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, apoiamos e incentivamos os adolescentes e jovens na realização de encontros, oficinas e seminários para elaborar esta Carta sobre Direitos Climáticos. A partir de hoje, esperamos que as políticas públicas possam reconhecer e implementar os projetos dos povos indígenas nos territórios. Os jovens são protagonistas e futuros no enfrentamento da mudança climática. Precisamos de plano adaptação e enfrentamento voltados à realidade local dos povos indígenas, trazendo benefícios coletivos para o território. Fazemos esse chamado com responsabilidade, e pedimos o compromisso das instituições públicas e não governamentais para somar pelo bem viver da Bacia do Rio Negro e do planeta.”

    ISA destaca o caráter histórico do lançamento

    Foto: Yasmim Baré

    A articuladora de políticas socioambientais do ISA no Amazonas, Juliana Radler, reforçou a importância simbólica e política do ato:


    “Foi um momento histórico muito importante e muito emocionante para a juventude indígena do Rio Negro marcar sua presença, deixar suas mensagens e trazer esse documento construído pelos adolescentes e jovens indígenas do Rio Negro, defendendo seus direitos climáticos e trazendo seus anseios para o território. A juventude trouxe essa necessidade de dialogar sobre políticas climáticas, adaptação, mitigação, Justiça Climática e racismo ambiental. Como instituição parceira, conseguimos apoiar esse processo e celebrar aqui esse momento histórico.”

    O que traz a Carta de Direitos Climáticos?

    A Carta reúne reflexões profundas sobre:

    O impacto direto das secas, queimadas, redução dos peixes e alterações nos ciclos da natureza;

    A ameaça à continuidade das culturas, línguas e modos de vida;

    A importância do conhecimento tradicional para entender e enfrentar a crise climática;

    A necessidade de políticas públicas estruturadas para garantir o bem viver das novas gerações.

    Entre as propostas prioritárias, destacam-se:

    financiamento climático direto para os PGTAs;

    criação do Instituto de Conhecimentos Indígenas e Pesquisas do Rio Negro (ICIPIRN);

    implantação de um hospital intercultural modelo em São Gabriel da Cachoeira;

    saneamento básico e gestão de resíduos nos três municípios;

    reconhecimento do Rio Negro como sujeito de direitos;

    fortalecimento e valorização dos AIMAs;

    plano de mobilidade fluvial e transição energética nas comunidades.

    Um chamado ao mundo

    Foto: Aldison Lobo – Rede Wayuri

    O lançamento da Carta na COP30 reforça a mensagem de que a crise climática já é vivida de forma intensa nos territórios indígenas da Amazônia, e que ignorar essa realidade é comprometer o futuro do planeta. Para a juventude, defender o clima significa defender a vida.
    A FOIRN e o DAJIRN encerraram o ato convidando governos, instituições e a sociedade civil a assumirem compromissos concretos com o Rio Negro e com a juventude indígena, que se coloca como “ancestrais do futuro” na luta por uma Amazônia viva.

  • FOIRN na COP30: Indígenas do Rio Negro em discussões do Clima Global

    FOIRN na COP30: Indígenas do Rio Negro em discussões do Clima Global

    A 30ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30)  já começou. Pela primeira vez, o maior evento global do clima é realizado na Amazônia no nosso Norte, em Belém do Pará, entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025. A realização da conferência no coração da floresta amazônica é simbólica e histórica: representa o reconhecimento da importância das florestas, dos rios, da biodiversidade e, sobretudo, dos povos que há milênios preservam esses territórios.

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), chega à COP30 com uma delegação de mais de 20 lideranças representando as coordenadorias regionais do Rio Negro COIDI, DIAWI’I, NADZOERI, CAIBARNX e CAIMBRN de diferentes etnias, Yanomami, Tukano, Baré, Wanano, Tariana, Dessana, Baniwa e Koripaco. 

    A Diretoria executiva da Foirn, Departamento de Mulheres Indigenas do Rio Negro (DMIRN-FOIRN) , Departamento de Adolescentes e Jovens Indigenas do Rio Negro (DAJIRN-FOIRN), representante dos agentes indígenas de manejo ambiental (AIMAs) que desenvolvem pesquisa e monitoramento ambiental e climático na bacia do rio negro, a Representação inédita da Casa de Produtores Indígenas do Rio Negro (Casa Wariro) levando a riqueza do artesanato tradicional e o bio-comércio como alternativas econômicas sustentáveis e o Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), que apoia projetos de gestão territorial, ambiental e fortalecimento cultural.

    A participação da Foirn na COP30 reflete décadas de trabalho voltado à sustentabilidade e ao enfrentamento das mudanças climáticas. A federação tem desenvolvido iniciativas pioneiras de gestão territorial, fortalecimento das economias indígenas, manejo ambiental, proteção das florestas e valorização dos saberes tradicionais.

    A participação da Foirn na COP30 reflete décadas de trabalho voltado à sustentabilidade e ao enfrentamento das mudanças climáticas. A federação tem desenvolvi do iniciativas pioneiras de gestão territorial, fortalecimento das economias indígenas, manejo ambiental, proteção das florestas e valorização dos saberes tradicionais.

    “Viemos representar todos os povos do Rio Negro”

    O presidente da FOIRN, Dário Baniwa, destacou a importância da presença da organização na COP30:

    Viemos, em nome de todos os povos do Rio Negro, apresentar nossas reivindicações, demandas e projetos voltados ao enfrentamento das mudanças climáticas. Trazemos a representação da importância da demarcação das Terras Indígenas, das iniciativas locais e da implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental da Bacia do Rio Negro (PGTA). Buscamos também a captação de recursos, por meio do Fundo Indígena do Rio Negro, para fortalecer nossos projetos de sustentabilidade, em nome da Diretoria Executiva, estaremos aqui ao longo desses dias, participando de várias agendas internacionais e representando as reivindicações de projetos de vida dos povos do Rio Negro”, afirmou Dario.

    A Foirn terá uma presença estratégica e abrangente na Zona Azul, o espaço reservado para as negociações oficiais entre as Partes (países signatários) e delegações credenciadas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

    Neste ambiente diplomático de acesso restrito, a Federação participará de uma diversidade de contextos e agendas, incluindo encontros bilaterais e multilaterais, além de se integrar em iniciativas promovidas por parceiros estratégicos. Esta presença na Zona Azul é crucial para influenciar diretamente as deliberações e os rumos das políticas climáticas globais, garantindo que as perspectivas e demandas dos povos do Rio Negro sejam consideradas nos documentos finais.

    Simultaneamente, a FOIRN também terá representação nos espaços da sociedade civil, na Zona Verde, a Cúpula dos Povos Indígenas e a Aldeia COP, garantindo a máxima visibilidade e influência dos Rionegrinos no debate global sobre emergências climáticas.

    Vozes que ecoam da floresta

    O diretor da FOIRN, Hélio Tukano, ressaltou o significado da COP ser realizada na Amazônia:

    “A COP aqui na Amazônia traz um significado essencial para nós, povos indígenas. Há muitos e muitos anos, temos lutado incansavelmente para, pelo menos, ser reconhecido que nosso papel é fundamental neste planeta.

    Quero que o mundo saiba que o modo de vida tradicional dos povos indígenas, tem assegurado a proteção de muitos territórios, tanto da vegetação e da mata, quanto dos saberes que se têm sobre a cosmologia e a cosmovisão de como tudo se conecta através do nosso espírito, é muito importante que nossas vozes ecoam e tragam o impacto positivo de que possamos ser reconhecidos como Detentores da Floresta e como Salvaguardas.”

    Carta dos Povos do Rio Negro

    Em um movimento estratégico de Articulação, a FOIRN antes da realização da Cop, entregou à Presidência da COP30 a “Carta dos Povos do Rio Negro”, o documento que reunio as principais demandas e prioridades, resultado de uma articulação das comunidades Indigenas dos povos do Rio Negro. A entrega foi realizada em agosto, durante o Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia com a Presidência da COP30, na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus.

    O documento, foi entregue pessoalmente por Dário Baniwa ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago.

    Uma COP histórica para o planeta

    A COP30 reúne líderes mundiais, cientistas, organizações da sociedade civil e povos tradicionais de todas as regiões do planeta. O governo brasileiro prevê que esta será a maior participação indígena da história das conferências do clima.

    Foto: Repost-  Líderes mundiais e representantes participando da Cúpula do Clima de Belém .

    Já durante as duas semanas de evento, os debates abordaram temas cruciais como redução das emissões de gases de efeito estufa, adaptação às mudanças climáticas, financiamento climático para países em desenvolvimento, preservação das florestas e da biodiversidade, energias renováveis e justiça climática.

    O presidente da COP29, Mukhtar Babayev, que sediou a conferência anterior em Baku, Azerbaijão, disse na abertura da Cop30:

    Estamos entrando em uma nova era, e aqui ainda podemos ver pessoas duvidando. Ah desafios para a cooperação multilateral! Eles questionam, eles perguntam: será que vai dar certo? Mas nós acreditamos, sim! Fazemos uma reunião anual de cúpula climática para garantir que estamos enfrentando os obstáculos. Para todos que estão ouvindo: vocês não estão sozinhos! Vocês todos fazem parte de uma força imparável que vai construir um movimento. Precisamos lutar pela sobrevivência. Todo mundo tem direito ao futuro. Toda empresa investe em soluções. E nós somos muito maiores do que os desafios que enfrentamos. Juntos, vamos mostrar para o mundo onde vamos conseguir chegar.”

    a FOIRN reafirma na COP30 que os povos indígenas do Rio Negro são protagonistas na defesa do clima e da vida na Terra.
    Suas ações locais, baseadas em conhecimento ancestral, gestão sustentável e proteção dos territórios, representam soluções concretas e indispensáveis diante da crise climática global.

    Cobertura e Assessoria de Comunicação: Departamento de Comunicação da FOIRN (Decom/FOIRN)





  • FOIRN/DEEI realiza oficina pedagógica com o povo Nadëb para construção do primeiro Projeto Político-Pedagógico Indígena de Santa Isabel do Rio Negro: um marco histórico, político e epistêmico

    FOIRN/DEEI realiza oficina pedagógica com o povo Nadëb para construção do primeiro Projeto Político-Pedagógico Indígena de Santa Isabel do Rio Negro: um marco histórico, político e epistêmico

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), por meio do seu Departamento de Educação Escolar Indígena (DEEI), realiza entre os dias 07 a 10 de julho de 2025, na comunidade Roçado, situada no rio Uneuxi (região da CAIMBRN), a Oficina Pedagógica de Formação de Professores Indígenas do Povo Nadëb, com foco na construção coletiva do primeiro Projeto Político-Pedagógico do Povo Nadëb (PPPN) no município de Santa Isabel do Rio Negro/AM.

    Este evento configura-se como um marco histórico, político, pedagógico e epistêmico na trajetória da educação escolar indígena na região do Rio Negro. Pela primeira vez, o povo Nadëb — com sua riqueza sociolinguística, espiritual e ecológica — elabora um projeto pedagógico próprio, fundado em sua cosmovisão, em seus valores civilizatórios e nos modos tradicionais de ensino e aprendizagem, que se entrelaçam com os ciclos da floresta, das águas e do território.

    A realização desta oficina pedagógica tem como base metodológica a perspectiva intercultural crítica, com centralidade nas epistemologias indígenas e no protagonismo dos professores, lideranças, anciãos e demais sujeitos formadores do território. A proposta pedagógica em construção rompe com o modelo hegemônico da escola monocultural e insere o povo Nadëb no debate nacional sobre a descolonização dos currículos e a reterritorialização dos saberes indígenas na escola.

    Reprodução

    Durante os quatro dias de oficina, os participantes estão engajados em um processo dialógico de reflexão e sistematização de práticas educativas ancoradas em pilares fundamentais, como:

    • A sustentabilidade cultural e territorial como eixo estruturante da escola indígena;
    • A valorização da oralidade e da memória coletiva, com base nos conhecimentos dos anciãos e pajés;
    • A centralidade da língua Nadëb como veículo do pensamento e da pedagogia comunitária;
    • A governança pedagógica comunitária, fundamentada na autonomia e autodeterminação dos povos indígenas;
    • A integração dos saberes tradicionais e científicos de maneira complementar e respeitosa;
    • A construção de um currículo próprio, que articule tempo-escola e tempo-comunidade.

    A ação é coordenada pela equipe técnica do DEEI/FOIRN, composta por Zilma Rosana, assessora pedagógica, Miguel Cortez, assistente administrativo, e Iracema Sanches, articuladora da Educação Escolar Indígena do município. A atividade conta ainda com o apoio estratégico da Secretaria Municipal de Educação de Santa Isabel do Rio Negro (SEMED/SIRN), representada pela pedagoga Suely Góis Coelho e pelo assistente administrativo Raniel Gonçalves, reafirmando a importância da corresponsabilidade institucional na efetivação dos direitos educacionais dos povos indígenas.

    Reprodução

    A construção do PPPN não é apenas um instrumento técnico-burocrático, mas sim um manifesto político-pedagógico, que materializa o direito à educação diferenciada, específica e territorializada, conforme preconizado pela Constituição Federal de 1988, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN/1996) e pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena. Mais do que um documento institucional, o PPPN do povo Nadëb expressa a resistência, a ancestralidade e o projeto de futuro de um povo que, por séculos, enfrentou processos de invisibilização e negação de sua identidade. Agora, por meio da escola indígena, abre caminhos para a reafirmação de sua dignidade cultural, social e espiritual.

    A FOIRN, por meio do DEEI, reafirma seu compromisso com a educação como território de luta, emancipação e reconstrução da memória dos povos indígenas. Este passo dado pelo povo Nadëb é um exemplo inspirador para os demais povos do Rio Negro e do Brasil, demonstrando que a educação indígena precisa ser construída com os povos e não apenas para os povos — com escuta, com diálogo e, sobretudo, com respeito profundo às epistemologias originárias.

    A história da educação indígena em Santa Isabel do Rio Negro será reescrita a partir deste momento. E será escrita com a tinta da ancestralidade Nadëb.

  • FOIRN e Instituto Socioambiental realiza seminário de avaliação e planejamento estratégico das cadeias produtivas e da economia da sociobiodiversidade no Rio Negro

    FOIRN e Instituto Socioambiental realiza seminário de avaliação e planejamento estratégico das cadeias produtivas e da economia da sociobiodiversidade no Rio Negro

    De 30 de junho a 2 de julho de 2025 a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), por meio do Departamento de Negócios Socioambientais, realizou em São Gabriel da Cachoeira o Seminário de Avaliação e Monitoramento das Cadeias Produtivas e Construção do Planejamento Estratégico. O encontro reuniu coordenadores, técnicos, artesãos, produtores e parceiros, como o Instituto Socioambiental (ISA), para refletir sobre os avanços, desafios e estratégias da economia indígena no Rio Negro.

    Essa economia, que se baseia na sociobiodiversidade, vai muito além da venda de produtos. É uma economia ancestral, enraizada nos saberes milenares dos povos indígenas, em seus sistemas agrícolas tradicionais e no manejo profundo e respeitoso do território. Cada produto da floresta — seja o artesanato, o mel, a pimenta Baniwa, o pescado ou os alimentos da roça — carrega conhecimento, cultura, espiritualidade e resistência.

    Foto: Reprodução

    Economia indígena: floresta que vira floresta novamente

    Durante o seminário, foi reforçado que as economias indígenas não se reduzem a insumos para a indústria. Ao contrário, elas promovem conservação ambiental, segurança alimentar, cultura e autonomia. As roças tradicionais, como as dos Baniwa, não transformam floresta em monocultura — transformam floresta em floresta novamente. São sistemas de produção que conservam, regeneram e fortalecem os modos de vida dos povos do Rio Negro.

    Como destacou uma das participantes:

    “É muito injusto olhar para essas economias apenas como fornecedoras de produtos. São sistemas inteiros de conhecimento ancestral, que inspiram inovações locais e até tecnológicas, mas cujos benefícios muitas vezes não são repartidos com os povos originários.”

    Planejamento estratégico e fortalecimento institucional

    Sob a coordenação de Luciana, do povo Tariano, o Departamento de Negócios Socioambientais vem sendo referência na temática da economia indígena. Criado em 2021 como resposta à demanda das lideranças indígenas por geração de renda com base nos saberes tradicionais, o DNSA atua como elo entre as comunidades, instituições públicas, parceiros e mercados.

    Neste seminário, foram avaliadas as iniciativas em curso, como a loja Casa Wariró, o apoio às compras públicas via PNAE e PAA, o turismo de base comunitária, e o incentivo à produção e comercialização de alimentos e artesanatos. Também foi elaborado um novo plano estratégico, buscando maior integração entre as cadeias produtivas, fortalecendo o papel das mulheres, jovens e coordenadorias regionais.

    Luciana destacou:

    “Nós somos 64% mulheres envolvidas nas cadeias produtivas. O fato de termos uma mulher coordenando esse departamento representa um avanço importante dentro da FOIRN e uma conquista para as mulheres do território.”

    Foto: Reprodução

    Próximas ações e perspectivas

    Entre as ações previstas para os próximos meses, estão: Plano de Negócios da Kalipana, em Santa Isabel do Rio Negro, com datas a definir; Oficina de artesanato com cipó titica com o povo Hupd’äh, no Japú, em agosto; Encontro Geral de Produtores do Rio Negro, previsto para outubro; Fortalecimento das compras públicas, ampliando a presença dos alimentos da floresta na alimentação escolar e institucional; Lançamento da Wariro Sabores, nova frente de comercialização de alimentos tradicionais; Participação na Marcha das Mulheres Indígenas, representando as cadeias produtivas do Rio Negro.

    O seminário também evidenciou como a Casa Wariró tem impactado diretamente e indiretamente a geração de renda nas comunidades, sendo ponte para que parceiros externos também acessem os produtos e apoiem as iniciativas locais.

    Um modelo de economia do cuidado e da reciprocidade

    A economia indígena do Rio Negro é uma economia do cuidado, do coletivo, da floresta em pé. Cada produto carrega a história de um povo, o manejo de um território e o conhecimento passado por gerações. Ao fortalecer essas economias, a FOIRN reafirma seu compromisso com a autodeterminação dos povos indígenas, a valorização da cultura e a proteção do território.

    A coordenação do DNSA reforça que o trabalho continuará, com planejamento, escuta e articulação, conectando as comunidades às oportunidades, sem perder de vista o que sustenta tudo isso: o território, o conhecimento tradicional e a vida coletiva.

  • FOIRN e Secretaria Municipal de Educação de Santa Isabel do Rio Negro alinham ações para fortalecimento da Educação Escolar Indígena

    FOIRN e Secretaria Municipal de Educação de Santa Isabel do Rio Negro alinham ações para fortalecimento da Educação Escolar Indígena

    No dia 04 de julho de 2025, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), por meio do Departamento de Educação Escolar Indígena (DEEI), promoveu uma importante reunião técnica com a equipe da Secretaria Municipal de Educação de Santa Isabel do Rio Negro (SEMED/SIRN). O encontro teve como foco a articulação de ações conjuntas voltadas à implementação da atividade de Orientações Pedagógicas para a elaboração dos Projetos Político-Pedagógicos (PPPs) nas unidades escolares situadas em comunidades indígenas do município.

    A reunião, realizada na sede da SEMED/SIRN, teve como objetivo principal definir estratégias metodológicas e operacionais que garantam a construção participativa dos PPPs, respeitando as especificidades socioculturais, linguísticas e históricas dos povos indígenas da região. Entre os pontos discutidos, destacaram-se a valorização dos saberes tradicionais, a promoção de práticas pedagógicas diferenciadas e a importância da escuta ativa das comunidades no processo de formulação dos projetos educativos.

    A ação integra o plano estratégico do Departamento de Educação Escolar Indígena – DEEI/FOIRN para o fortalecimento da Educação Escolar Indígena, em consonância com a legislação educacional vigente, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas e os princípios constitucionais de respeito à diversidade étnica e cultural.

    Como parte dessa iniciativa, está prevista a realização de uma oficina pedagógica entre os dias 07 e 10 de julho de 2025, na Comunidade Indígena Roçado, localizada na região da Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro e Afluentes (CAIMBRN). A oficina reunirá professores indígenas, lideranças comunitárias e equipes técnicas, com o intuito de promover espaços de formação continuada, reflexão crítica e elaboração coletiva dos PPPs, utilizando metodologias dialógicas e territorializadas.

    Foto: Reprodução


    Para a assessora pedagógica da FOIRN, Zilma Rozana Azevedo Oliveira, “esse momento é fundamental para assegurar que a Educação Escolar Indígena se consolide com base na autonomia das comunidades, respeitando seus modos próprios de ensinar e aprender. O PPP é um instrumento político e pedagógico que precisa refletir a realidade e os projetos de vida dos povos indígenas”.

    Participaram da reunião técnica:

    Zilma Rozana Azevedo Oliveira – Assessora Pedagógica (DEEI/FOIRN)

    Miguel Cortez – Assessor Administrativo (DEEI/FOIRN)

    Iracema Sanches – Articuladora da Educação Escolar Indígena (SIRN)

    Márcia Zedan – Secretária Municipal de Educação (SIRN)

    Suely Góis Coelho – Pedagoga da SEMED/SIRN


    A FOIRN, por meio do DEEI, reafirma seu compromisso institucional com a construção de uma educação indígena de qualidade, contextualizada e construída a partir dos territórios, contribuindo para a afirmação das identidades e o fortalecimento da gestão educacional nas comunidades.

  • Encontro de Lideranças da Região Cué-Cué/Marabitanas Reforça Reivindicação pela Conclusão da Demarcação da Terra Indígena

    Encontro de Lideranças da Região Cué-Cué/Marabitanas Reforça Reivindicação pela Conclusão da Demarcação da Terra Indígena

    São Gabriel da Cachoeira (AM), 20 de junho de 2025

    Lideranças indígenas das associações da Região Cué-Cué/Marabitanas, reunidas nos dias 19 e 20 de junho, reforçaram a urgência da conclusão das etapas administrativas finais da demarcação da Terra Indígena Cué-Cué/Marabitanas. A área foi declarada de posse permanente dos povos indígenas pela Portaria nº 1.703 do Ministério da Justiça, de 19 de abril de 2013, e representa um marco na proteção territorial no município de São Gabriel da Cachoeira, consolidando-o como o município com a maior extensão de Áreas Protegidas da União no Brasil.

    foto: Reprodução

    O encontro foi promovido pelas lideranças da CAIBARNX (Coordenadoria das Associações Indígenas do Balaio, Alto Rio Negro e Xié), com presença da FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), representada pelo diretor Edison Baré, e da APIAM (Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amazonas), por meio de Mariazinha Baré. Também participaram representantes da FUNAI, GT de lideranças Baré da região do Rio Negro e outras instituições governamentais.

    foto: Reprodução

    Durante os dois dias de diálogos, os participantes discutiram temas centrais para os povos indígenas da região, como os direitos garantidos pela Constituição Federal de 1988 (Art. 231), a Convenção 169 da OIT, os processos fundiários e os instrumentos de governança territorial, como o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) e o Protocolo de Consulta Livre, Prévia e Informada.

    foto: Reprodução

    Outro ponto de destaque foi o debate sobre a atual situação do processo de demarcação da Terra Indígena Cué-Cué/Marabitanas e a elaboração de um plano de ação coletivo para a conclusão definitiva do processo, em articulação com os órgãos competentes.

    São Gabriel da Cachoeira: um território estratégico para políticas públicas.

    São Gabriel da Cachoeira é o terceiro maior município em extensão territorial do Brasil, com 10.974.380 hectares, dos quais mais de 92% são compostos por Terras Indígenas e Unidades de Conservação. A TI Cué-Cué/Marabitanas, com 808.645 hectares, está localizada integralmente no município e tem aproximadamente 25% de sua área sobreposta ao Parque Nacional do Pico da Neblina. Essa configuração territorial complexa exige uma articulação específica para a gestão integrada entre os povos indígenas e o Estado.

    Além do Parque Nacional, a Reserva Biológica Estadual do Morro dos Seis Lagos está completamente sobreposta à Terra Indígena Balaio, demonstrando o entrelaçamento entre áreas de conservação e territórios tradicionais, o que reforça a necessidade de reconhecimento, respeito e gestão compartilhada baseada nos PGTA’s.

    O mapa apresentado durante o encontro ilustra essas sobreposições e a existência de uma “janela” territorial ainda sem destinação específica entre a TI Cué-Cué/Marabitanas e a TI Médio Rio Negro II, o que levou as lideranças a proporem uma adequação nos limites do Parque Nacional, alinhada às demandas dos povos da região e à proteção plena dos territórios indígenas.

    Desafios urbanos e a urgência de um novo plano diretor.

    foto: Reprodução

    A área urbana de São Gabriel da Cachoeira, conforme o Plano Diretor de 2006, está delimitada em 1.580 hectares. No entanto, ainda restam 70.170 hectares passíveis de uso planejado para expansão da sede municipal. Diante das mudanças e necessidades urbanas ao longo dos últimos 19 anos, as lideranças indígenas destacaram a urgência de se elaborar um novo plano diretor que respeite os limites territoriais indígenas, os acordos de consulta e os princípios do desenvolvimento sustentável.

    foto: Reprodução

    A FOIRN, por meio de suas lideranças, reafirmou seu compromisso em continuar articulando os povos e associações da região para garantir o pleno reconhecimento dos direitos territoriais e culturais dos povos indígenas, fortalecendo o protagonismo das comunidades na gestão de seus territórios e na incidência junto aos governos.

  • FOIRN SEDIA REUNIÃO INTERINSTITUCIONAL PARA DEBATER IMPLANTAÇÃO DO CAMPUS DA UFAM EM SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA.

    FOIRN SEDIA REUNIÃO INTERINSTITUCIONAL PARA DEBATER IMPLANTAÇÃO DO CAMPUS DA UFAM EM SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA.

    Foto: Joelson Felix Silva – DECOM/FOIRN

    São Gabriel da Cachoeira (AM), 18 de junho de 2025 – Na sede II da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), nesta terça-feira (18), de uma importante reunião interinstitucional sobre a implantação do campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) em São Gabriel da Cachoeira.

    A reunião foi conduzida pelo Diretor-Presidente da FOIRN, Dário Casimiro, com a presença de representantes da UFAM, IFAM, SEDUC, SEMEDI, APIARN, COPIARN e DEEI/FOIRN. O encontro foi motivado por convite da assessoria da futura reitora da UFAM, que busca consolidar o projeto da nova unidade universitária no município, uma demanda histórica da região.

    Foto: Joelson Felix Silva – DECOM/FOIRN

    A professora Flávia Melo, representante da UFAM e integrante do grupo de transição da nova gestão da universidade, apresentou o andamento do projeto. Segundo ela, o Governo Federal já disponibilizou R$ 50 milhões para a construção do campus, que seguirá o modelo padrão da UFAM, com blocos acadêmicos, salas, auditórios e estruturas adaptadas à realidade local. Um destaque simbólico e cultural será a construção do auditório em formato de maloca tukano, com grafismos indígenas nos azulejos da edificação.

    O projeto encontra-se atualmente em fase de avaliação no Ministério da Educação (MEC). Já foram realizados estudos topográficos e arquitetônicos no terreno, mas o início da obra depende do licenciamento ambiental e da aprovação final do projeto, com previsão de início da construção em 2026, com duração estimada de 22 meses.

    Durante a reunião, a FOIRN destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento do ensino superior indígena, mas também apontou preocupações com a ausência de participação indígena nas etapas iniciais do projeto. “Essa é uma conquista concreta e importante, mas é necessário garantir a participação e diálogo do movimento indígena, sobretudo na proposta de discussão e elaboração projeto político-pedagógico sobre o modelo de universidade que queremos para a região”, afirmou Dário Baniwa.

    Outros participantes, como o coordenador do Departamento Escolar de Educação Indígena/FOIRN, Melvino Fontes, também destacaram a necessidade de maior escuta por parte da universidade. “A UFAM ainda não dialogou diretamente com as lideranças indígenas sobre a construção. O projeto precisa ter a cara da região e respeitar as especificidades dos nossos povos”, afirmou.

    Foto: Joelson Felix Silva – DECOM/FOIRN

    Representantes da SEMEDI, como Juvêncio Cardoso e Domingos Camico, também reforçaram a importância da construção coletiva do projeto, ressaltando que o envolvimento das instituições locais será essencial para o sucesso da nova unidade universitária.

    O IFAM, por meio do professor Davi, sugeriu retomar o vestibular diferenciado para indígenas, nos moldes adotados pelo instituto, com aplicação de provas em línguas cooficiais da região (Tukano, Baniwa, Yanomami e Nheengatu).

    Foto: Joelson Felix Silva – DECOM/FOIRN

    Na reunião, foram Sugeridos os seguintes encaminhamentos:

    • Fortalecimento do diálogo institucional: A FOIRN propõe manter articulações com a UFAM, MEC e demais instituições locais para assegurar a inclusão dos povos indígenas em todas as etapas do projeto.
    • Apoio ao licenciamento do terreno: A FOIRN irá colaborar com o processo de licenciamento ambiental, inclusive com orientações sobre possíveis vestígios arqueológicos que possam afetar o terreno.
    • Participação indígena na proposta pedagógica: Será proposta a inclusão do movimento indígena na construção da proposta político-pedagógica do campus, valorizando saberes e metodologias próprias dos povos da região.
    • Articulação com a Prefeitura Municipal: A gestão municipal será mobilizada para garantir a infraestrutura externa à sede da UFAM, como a ponte de acesso ao terreno e deslocamento de rede elétrica, estação de tratamento de água.
    • Criação de uma coordenação local interinstitucional: Proposta de estruturação de um grupo local com FOIRN, UFAM, IFAM, SEMEDI, SEDUC e outras entidades, para acompanhar a execução do projeto.
    • Diálogo sobre vestibular indígena diferenciado: A FOIRN e o IFAM irão propor, junto à nova gestão da UFAM, a retomada de vestibulares específicos em línguas indígenas, com base na experiência do IFAM.
    • Acompanhamento da tramitação no MEC: As instituições acompanharão a análise do projeto pelo MEC e irão colaborar para a aprovação e início da licitação da obra.
    • Ampla divulgação do projeto nas comunidades: A FOIRN irá comunicar amplamente às comunidades indígenas sobre o andamento do projeto, garantindo transparência e mobilização social.

    O encontro foi encerrado com a exibição de um vídeo institucional que apresenta a maquete virtual do futuro campus da UFAM. A professora Flávia Melo reforçou que a nova gestão da universidade, liderada pelos professores Tanara e Geone, está comprometida com o diálogo direto com o movimento indígena e com as lideranças de São Gabriel da Cachoeira, buscando garantir que esse projeto histórico avance com respeito à diversidade e às realidades locais.

    “Este campus é uma conquista para os povos do Rio Negro. É fundamental que essa universidade traga valorização das culturas, línguas, conhecimento tradicional e manejo da sociobiodiversidade  e protagonismo dos povos que aqui vivem”, concluiu o presidente da FOIRN, Dário Casimiro.

    Com essa iniciativa, a FOIRN reafirma seu compromisso com o fortalecimento da educação superior pública, indígena e enraizada nos territórios do Rio Negro. Reforçamos que o modelo de educação indígena que defendemos é territorializado: construído a partir das realidades locais, em diálogo com os saberes ancestrais, respeitando os modos de vida dos povos e fortalecendo suas comunidades.

  • Intercâmbio internacional fortalece gestão de cadeias produtivas entre povos indígenas da Amazônia

    Intercâmbio internacional fortalece gestão de cadeias produtivas entre povos indígenas da Amazônia

    São Gabriel da Cachoeira (AM), 29 de março de 2025

    Entre os dias 25 e 29 de março, foi realizado o Intercâmbio de Conhecimentos e Práticas sobre a Gestão de Cadeias Produtivas entre Associações Indígenas do Norte da Amazônia, uma iniciativa promovida pela Aliança da Amazônia (ANA), Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e Instituto Socioambiental (ISA).

    A atividade reuniu 22 representantes de associações indígenas, 5 assessores técnicos e 2 tradutores de cinco países da bacia amazônica – Brasil, Colômbia, Peru, Equador e Venezuela – que integram a Aliança da Amazônia, uma rede composta por 30 organizações da sociedade civil com três décadas de atuação conjunta com povos indígenas e comunidades locais.

    Foto: Suellen Samanta – DECOM/FOIRN

    O objetivo central do intercâmbio é fortalecer a gestão das cadeias produtivas da sociobiodiversidade, com atenção especial à cadeia do artesanato, que representa um importante elo entre a cultura tradicional e a geração de renda nas comunidades indígenas.

    Foto: Suellen Samanta – DECOM/FOIRN

    A programação teve início em Manaus, com visitas à Galeria Amazônica e ao Museu da Amazônia (MUSA), onde foi realizada uma roda de conversa com o diretor-geral do museu e a coordenação do ISA. Em seguida, os participantes se deslocaram para São Gabriel da Cachoeira, onde as atividades aconteceram na sede da FOIRN, na Maloca do Saber.

    Foto: Elilson Pinto – Casa Wariro/FOIRN

    A Casa de Produtores Indígenas do Rio Negro – Wariró foi um dos grandes destaques do intercâmbio, sendo apresentada como uma experiência exitosa de organização e comercialização de produtos indígenas. A história da Casa Wariró foi contada por Cecília e Gilda, duas importantes lideranças femininas que protagonizaram a sua criação. A iniciativa evidencia a força das mulheres indígenas na valorização da cultura e no fortalecimento das economias comunitárias.

    Foto: Alexandre Gedilson – DECOM/FOIRN

    No dia 28 de março, o grupo participou de um momento especial de vivência cultural nas comunidades Tuyuca e Itacoatiara Mirim, com apresentações tradicionais, culinária típica e partilha de saberes. Essas atividades proporcionaram uma imersão profunda na diversidade cultural dos povos do Rio Negro, reforçando os laços de solidariedade e interculturalidade entre os participantes do intercâmbio.

    Foto: Alexandre Gedilson – DECOM/FOIRN

    Ao longo dos cinco dias, o intercâmbio se consolidou como um espaço de aprendizado mútuo, escuta e articulação entre lideranças indígenas da Pan-Amazônia. A construção coletiva de soluções para os desafios enfrentados nas cadeias produtivas reafirma o compromisso da FOIRN e da ANA com a gestão sustentável dos territórios, a valorização dos conhecimentos tradicionais e o fortalecimento da autonomia dos povos indígenas.