Elizangela Baré – Presidente da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro
Criada em 2017 para valorizar dois elementos fundamentais da cultura Baré no Alto Rio Negro: o artesanato e a agricultura, a Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amiarn), está entre as associações com projetos selecionados pelo (@fundoelas ) Fundo Elas através do Programa Mulheres em Movimento 2021.
O Programa Mulheres em Movimento 2021 vai apoiar 93 grupos. O objetivo do programa é apoiar e reconhecer o trabalho de lideranças LBTs, negras, indígenas, quilombolas, jovens, pessoas com deficiência, mulheres que vivem nas florestas, nos campos, defensoras de territórios. Para saber mais sobre o fundo, acesse: http://www.fundosocialelas.org/
Elizângela da Silva Baré, presidente da Amiarn comemorou ao receber a notícia. Para ela, o projeto vai possibilitar a implementação de algumas propostas que constam no Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) do território na qual a associação faz parte. “O projeto vai fortalecer o protagonismo das mulheres indígena na busca do desenvolvimento sustentável e bem viver indígena dentro do territórios”, afirmou.
Elizângela é uma das 21 finalistas do Prêmio Inspiradoras é uma iniciativa de Universa e do Instituto Avon, que tem como missão descobrir, reconhecer e dar maior visibilidade a mulheres que se destacam na luta para transformar a vida das brasileiras.
Mulheres Indígenas da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro – Amiarn participaram da oficina. Foto: José Baltazar/Caiarnx
A Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié (Caiarnx) mobilizou associações de base nos dias 22 e 23 de outubro na comunidade Juruti. A oficina teve como objetivo esclarecer dúvidas e orientar as lideranças na elaboração e apresentação de propostas para o 1º Edital do Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN).
A equipe técnica do fundo, Miriam Pereira e Eliana Saldanha acompanhados pelos coordenadores da Caiarnx, Ronaldo Ambrósio e José Baltazar realizaram as atividades de orientação.
Elizângela da Silva Baré – Presidente da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amiarn) participou da oficina e destacou a importância da oficina para as associações de base da região. “A oficina foi muito importante por que é um avanço na implementação dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PGTAs) que construímos nos últimos anos. Através deste fundo vamos fortalecer o empreendedorismo indígena e gestão do nosso território”, disse.
O Fundo Indígena do Rio Negro é uma iniciativa da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e tem como objetivo fortalecer as associações indígenas filiadas à FOIRN e os saberes e as práticas dos povos rionegrinos, através de garantia de recursos para que as comunidades, por meio das associações, possam implementar ações locais previstas nos planos de gestão territorial e ambiental (PGTAs) dos territórios indígenas do alto e médio Rio Negro.
O primeiro edital foi lançado no dia 10 de setembro na Casa dos Saberes da Foirn, o fundo tem os eixos temáticos prioritários da primeira chamada pública do FIRN são: cultura, economia sustentável indígena e segurança alimentar. A distribuição será dividida em duas categorias de acesso aos recursos: mirim, de até 50 mil reais; e intermediário, de até 100 mil reais. Ao todo serão aprovados 10 projetos na categoria mirim e 5 na categoria intermediário.
O primeiro edital fica aberto para receber propostas até 30 de novembro.
Participantes da II Oficina de Formação de Jovens e Mulheres Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro realizado na comunidade Canafé, município de Barcelos (AM). Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN
A II Oficina de Jovens e Mulheres Indígenas aconteceu na comunidade Canafé no município Barcelos (Am), nos dias 14 a 16 de outubro. Participaram da oficina, sete associações de base da Foirn da região do Médio e Baixo Rio Negro.
Realizado pela Foirn através do Departamento de Juventude (Dajirn) a II oficina teve como principal objetivo a criação de Núcleos de Jovens e Mulheres Indígenas da região do Médio e Baixo Rio Negro.
Organizados em núcleos, a juventude e as mulheres indígenas vão atuar efetivamente nas mobilizações e articulações no âmbito da Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (Caimbrn), que coordena e mobiliza as associações de base da Foirn na região.
Participaram da oficina as associações de base: Acir – Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinha, Acimrn – Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro, Acirpp – Associação das Comunidades Indígenas do Rio Preto e Padauiri, Associação das mulheres, Amiarn – Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro, Aiacaj – Associação Indígena da Área de Canafé e Jurubaxi, e, Aibad – Associação Indígena do Baixo Rio Aracá e Demeni, e – Associação Yanomami Kurikama.
Coordenadora do Departamento de Jovens Indígenas do Rio Negro (Foirn), Sheine Diana apresentou a estrutura organizacional do departamento, atividades já realizadas e planejamentos do departamento para esclarecer aos participantes dúvidas referente aos trabalhos de atuação e incentivar a participação dos mesmos nos eventos realizados pelo departamento.
Na oficina foram realizados trabalhos em grupo por associação discutindo sobre o que é articulação e a importância da criação do núcleo por associações de base onde foi detalhado passo a passo para facilitar o entendimento dos jovens e mulheres.
Jovens indígenas indicados para fazer parte da Rede de Juventude Indígena do Rio Negro coordenado pelo Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro (Dajirn). Foto: Juliana Albuquerque/Foir,
A coordenadora destacou a importância do repasse de informações sobre os trabalhos do departamento a juventude da região. “Está sendo muito importante para mim, tanto pelo repasse de informações sobre o trabalho do Dajirn, como a realização das atividades previstas na região”. “Onde os jovens e mulheres estão participando e contribuindo nas discussões do movimento indígena”, completa.
Presidente da Associação das Mulheres indígenas do Alto Rio Negro (Amiarn) e Coordenadora do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro da Foirn na gestão 2017-2020, Elizângela da Silva Baré foi a palestrante da oficina.
Elizangela apresentou o histórico da luta das mulheres no movimento indígena. Ressaltou a importância da criação da rede e núcleo de mulheres e jovens indígenas para fortalecer a implementação dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PGTAs) da região, processo da qual ela participou diretamente durante a sua gestão no Dmirn.
“Hoje fico feliz de ver que a atual coordenação do departamento esta dando continuidade dessas ações do movimento indígena. O movimento indígena é isso, continuidade dos trabalhos, das ações, das coisas que a gente vê que são necessários para as nossas regiões, para nossas coordenadorias, comunidades e nossas terras indígenas. Por isso precisamos fortalecer e trazer as mulheres e jovens para participar e dar mais voz aos jovens e mulheres dentro do movimento indígena”, disse Elisangela.
Mulheres Indígenas de diferentes comunidades participaram da oficina representando suas associações. Na imagem, mulheres indicadas para fazer parte da Rede de Mulheres Indígenas no âmbito da Foirn. Foto: Juliana Albuquerque/Foirn
Carlos Teixeira Nery, coordenador da Caimbrn, participou da oficina onde falou a importância da regularização das organizações da região para fortalecer a participação e o desenvolvimento de projetos e iniciativas na região.
Presidente da Foirn, Marivelton Barroso Baré, presente na oficina, apresentou os trabalhos desenvolvidos e destacou a importância das associações de base e a formação de novas lideranças no movimento indígena, que de acordo com ele, é importante garantir oportunidade aos jovens e mulheres nos encontros, reuniões, seminários, assembleias que são espaços de formação para novas lideranças.
Promovido pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN através do Departamento de Mulheres indígenas – DMIRN, a I Oficina de Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro tem o objetivo de conhecer os direitos das mulheres e promover rodas de conversas, vivências e dinâmicas para o fortalecimento e enfrentamento da violência de gênero e realizar uma discussão sobre prática de direitos e cuidados das mulheres indígenas.
Um projeto demandado pelas mulheres indígenas do rio Negro, idealizado pelo Departamento de mulheres, sobre a coordenação de Maria do Rosário do povo Baniwa, Larissa Duarte do povo Tukano, Glória de Braga do povo Baré e da Diretora de referência Janete Alves do povo Dessana, que buscam trabalhar em conjunto com as mulheres das 05 coordenadorias de base da FOIRN, para o fortalecimento da rede de mulheres indígenas.
Participaram da oficina mulheres dos três municípios de abrangência da FOIRN: Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira, das cinco coordenadorias: DIAWI’I, CAIMBRN, NADZOERI, CAIARNX, COIDI, convidadas da Associação dos Artesãos Indígena-ASSAI, Associação Indígena da Etnia Tuyuka Moradores de São Gabriel da Cachoeira–AIETUM/S.G.C além de representantes do CREAS, SEMSA e Conselho Tutelar, ainda estiveram no curso dando suas contribuições e incentivando as demais participantes as ex-coordenadoras do departamento das mulheres indígenas da FOIRN: Cecília Albuquerque, Rosilda Cordeiro, Idaria Barreto, Anair Sampaio e Rosane Gonçalves.
O oficina foi realizado no período do dia 30 de setembro a 04 de outubro de 2021 na sede do Instituto Socio Ambiental – ISA. Nos quatro dias de curso foram abordados temas como os direitos das mulheres, as problemáticas das realidades vividas e enfrentadas pelas mulheres indígenas, a dignidade, as dificuldades, as lutas, os preconceitos, as vivências do cotidiano das mulheres indígenas, os conhecimentos básicos sobre o Código Penal Brasileiro, o compartilhamento de experiências de vida, especialmente a respeito das problemáticas enfrentadas nas comunidades de cada participante da oficina.
No último dia de curso foram apresentadas pelas participantes suas visões sobre o que pode ser feito nas comunidades para melhorar a vida das mulheres indígenas, a partir das suas experiências de vida e do conteúdo trabalhado durante os dias da formação. Os principais pontos trazidos pelas participantes foram a importância do reconhecimento do espaço das mulheres nas reuniões realizadas nas comunidades, a continuidade de oficinas e cursos, o fortalecimento e a união entre as mulheres, a necessidade de políticas públicas adequadas para as mulheres e o fortalecimento de suas alternativas de geração de renda.
A oficina foi ministrada por José Miguel Olivar – antropólogo e professor na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo-USP, Flávia Melo – antropóloga do Observatório de Violência de Gênero do Amazonas, Dulce Morais – Cientista Social e mestranda na Faculdade de Saúde Pública na Universidade de São Paulo USP e Renata Vieira – Advogada do Instituto Socio Ambiental. Esta oficina realizada com apoio dos parceiros institucionais: Instituto Sócio Ambiental-ISA Universidade de São Paulo – USP e Universidade Federal do Amazonas –UFAM, Fundo Canadá e Nia Tero.
2ª Etapa do Projeto Mukaturu – Comunidades de autocuidado foi realizado nos dias 26 e 27 de setembro de 2021, no ISA- S.G.C.
A segunda etapa do curso sobre autocuidado, contou com 14 participantes vindas das 5 coordenadorias das áreas de abrangência da FOIRN e 05 mulheres da sede São Gabriel. Ao longo do mês elas foram instruídas a buscar e manter o autocuidado com alimentação, priorizando os alimentos regionais, sem açúcar, cultivados em suas roças, em vez de consumir alimentos industrializados.
As participantes também puderam compartilhar, as experiências das mudanças nos hábitos alimentares e também introduzindo exercícios físicos no dia – dia, também tiveram a proposta de construção de um cardápio regionalizado e valorização dos alimentos tradicionais.
No curso também foi abordado o tema da Covid-19, os protocolos de segurança, uso de máscara, nas falas das participantes foram tratados assuntos como: as dificuldades no enfrentamento da Covid-19 e as sequelas deixadas pela contaminação do vírus, fizeram exposição das preocupações em relação a Covid-19 e a perda de entes queridos e amigos pela Covid-19.
Ao final do curso as participantes receberam apostilas com roteiros das aulas em pen drive para seguirem repassando o autocuidado em suas comunidades nas bases e assim poder expandir a rede de autocuidado para a saúde e bem-estar da população indígena.
A oficina de fibras de piaçava e tucumã foi realizada na comunidade Bacabal, localizado no Rio Aracá, município de Barcelos, na região da CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro), a atividade aconteceu de 21 a 23 de setembro de 2021.
Realizado pela FOIRN, através do Departamento de Mulheres Indígenas (Dmirn), Departamento de Adolescentes e Jovens indígenas-DAJIRN e Departamento de Negócios Socioambientais em parceria com a coordenadoria CAIMBRN, Associação Indígena de Barcelos-ASIBA, e Associação Indígena de Base do Aracá e Demeni – AIBAD, a oficina teve como objetivo fortalecer a produção de artesanatos a partir das fibras de piaçava e tucumã, e promover intercâmbio entre os artesãos de Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro.
Na região do Rio Aracá são oito comunidades (Nova Esperança, Bacabal, Jaqueira, Romão, Elesbão, Terra Preta, Bacuquara), onde vivem povos Tukano, Baré, Tariana, Wanano e Piratapuia. A oficina contou com mais de trinta participantes entre mulheres, homens e jovens indígenas dessas comunidades. A partir da associação, nos últimos anos as comunidades através de suas lideranças locais vêm buscando se fortalecer na luta pelos direitos e território, como também as cadeias produtivas locais com apoio da FOIRN.
Artesãos Preparando as fibras de Piaçava a serem utilizadas na oficina.
A oficina
Samero Andrade Baniwa Vice – Coordenador CAIMBRN, mobilizou a comunidade de Bacabal e providenciou os materiais que foram utilizados durante a oficina, como fibra de piaçava e de tucumã. Durante a oficina foram feitos vários Artesanatos como abanos, suplá, cestos, porta-jóias e bolsas. Ficou definido que a associação AIBAD (Associação Indígena de Base do Rio Aracá Demeni), vai começar a manter a agenda de realização de oficinas para a produção e aperfeiçoamento da qualidade dos produtos.
A coordenadora do DMIRN, Glória de Braga do povo Baré, foi uma das mobilizadoras da oficina e reforçou sobre a importância da união dos povos indígenas na luta pelos direitos, na defesa dos territórios, e para o empoderamento das mulheres por meio das associações de base. “É importante o fortalecimento da associação local, para desenvolver ações que fortalece a luta, promovam projetos para valorizar os produtos feitos na região, para depois comercializar e gerar renda para a sustentabilidade das comunidades e famílias”, afirmou.
Outro momento importante na oficina foi exposição da Casa de Produtores Indígenas do Rio Negro (Casa Wariró), feita pela Articuladora e Gerente, Luciane Lima Tariana. Na apresentação, ela repassou informações sobre o histórico, funcionamento, padronização, precificação, relacionamento com artesãos e artesãs, e as demandas de artesanatos. Reforçou a importância do fortalecimento nas produções de artesanato nas comunidades e na valorização dos produtos indígenas.
Artesã Maria de Nazaré-Tariana, participando da oficina.
A presença da FOIRN na oficina foi fortalecida com a participação do Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro (DAJIRN) para apresentar as ações do departamento e incentivar a participação da juventude indígena nas ações de valorização e transmissão de saberes tradicionais, a coordenadora Sheine Diana do povo Baré.
Carlos Nery, coordenador da CAIMBRN participou da atividade, repassou informações sobre os trabalhos da coordenadoria na região do médio e Baixo Rio Negro, e reforçou aos artesãos sobre a qualidade e padronização dos artesanatos aspectos importantes no processo de comercialização dos produtos. Agradeceu os incentivos pelas lideranças e artesãos locais. “A gente precisa demandar trabalho, mas, um trabalho articulado de forma coletiva”, disse. No final da oficina, o presidente da AIBAD, João Leandro Farias do povo Baré, agradeceu a realização da oficina na região. “Só tenho a agradecer a FOIRN pelo incentivo aos artesãos da região para fortalecer e ganhar seu futuro, sua renda familiar através da comercialização de artesanatos, trabalhando e valorizando a cultura pra fortalecer a sustentabilidade, obrigado a todos”, afirmou.
Participaram da oficina a comunidades de Bacabal, Romão, Bacuquara, Elesbão e membros da ASIBA (Associação Indígena de Barcelos) e CIMI (Conselho Indígena Missionário).
A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN através da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauarete – COIDI estiveram envolvidos na realização da I Oficina do Intercâmbio de conhecimento das Associações das Mulheres Indígenas do Distrito de Iauarete – AMIDI e Associação dos Artesãos Indígenas – ASSAI com a participação dos alunos da Escola Estadual Pahmϋri Mahsã wi’i no processo de tingimento da fibra de tucum. A mesma ocorreu nos dias 22 a 25 de setembro de 2021 no Distrito de Iauarete no Alto Rio Uaupés, as mulheres mostraram o seu conhecimento e compartilharam as técnicas tradicionais com as demais participantes da Oficina.
A diretora de referência da região Janete Figueredo Alves acompanhou o evento juntamente com Professora Cecília Albuquerque, Janete Martins Lana, Cleonilda Garrido Araújo e Araci Livino da Associação ASSAI estiveram presentes para compartilhar seus conhecimentos, elas residem em área urbana do município de São Gabriel da Cachoeira, e tiveram mais oportunidade em participar de capacitações, cursos sobre confecções de artesanatos, precificações e atendimento ao cliente.
Portanto, as mulheres das bases não têm oportunidades iguais a essa. A FOIRN recebeu esta demanda há alguns anos atrás para que apoiasse essa oficina de intercâmbio na região. Então foi realizado com participações de mulheres e jovens da Associação da AMIDI, onde tiveram trocas de ideias, tirando dúvidas entre elas e assim compartilhando seus conhecimentos e como usar as matérias-primas que podem ser encontrados no quintal, na roça, ou na floresta. Além da prática, também houve roda de conversas sobre o assunto. A participação dos alunos da Escola Estadual Pahmϋri Mahsã wi’i foi de extrema importância, pois esses jovens precisam estar envolvidos na luta do movimento indígena, e que eles possam fazer parte para dar continuidade na luta e eles são as futuras lideranças desta região. “Esse momento histórico foi de muito proveito e de muito conhecimento repassado de uma para outra, para algumas foi novidade ver o processo de tingimento com matérias que elas nunca imaginaram usar, um aprendizado que vai ficar e que estarão praticando daqui para frente” diz Verônica Alves – Vice- Presidente da AMIDI.
No encerramento foram feito uns apelos para que a FOIRN através da Diretora de Referência desta região apoie mais outros intercâmbios de conhecimentos, pois a Associação precisa de capacitação de Precificação, gestão Financeira e curso do SEBRAE sobre empreendedorismo. E que as mulheres da Associação ASSAI continuem compartilhando os seus conhecimentos adquiridos através dos cursos participados por elas e serão bem vindas para qualquer intercâmbio que vier a acontecer novamente. Os agradecimentos foram dados à FOIRN através da diretora de referência Janete Alves por atender a demanda, a ASSAI e aos parceiros que abraçam a causa indígena.
Na língua nheengatu, o vocábulo mukaturu tem o significado de cuidado. E foi essa a palavra escolhida para dar nome ao projeto de autocuidado da mulher indígena que teve início nesse final de semana (14 e 15/8) tendo como objetivo principal trabalhar o eixo alimentação, fortalecendo e resgatando a alimentação tradicional.
Promovido pela Foirn através do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro (Dmirn), o projeto Mukaturu – Comunidades de Autocuidado é desenvolvido através de projeto aprovado pela ONU Mulheres, com apoio dos parceiros ISA, Instituto Aleema e Nia Tero.
Coordenadora do Dmirn/FOIRN, Dadá Baniwa, explica que o papel da mulher na organização da alimentação da família e da comunidade é primordial. E o objetivo é que as participantes do projeto sejam multiplicadoras das informações sobre a importância da alimentação tradicional em suas aldeias.
E ela ressalta a importância do autocuidado. “Primeiro a mulher deve cuidar de si mesma para conseguir cuidar da família, da comunidade”, diz.
Articuladora e instrutora do projeto Mukaturu, a enfermeira Eufélia Lima Gonçalves, da etnia Tariana, explica que uma série de doenças decorrentes da má alimentação – como hipertensão e diabetes – estão se intensificando entre os indígenas do Rio Negro principalmente devido à influência sofrida desde a colonização.
A estratégia de prevenção adotada no Projeto Mukaturu – Comunidades de Autocuidado é promover o resgate da alimentação tradicional, com o incentivo do consumo dos produtos da roça, como a mandioca, a banana, o abacaxi, o açaí, com incremento das verduras e legumes da horta. “Devemos lembrar que o sistema agrícola do Rio Negro é patrimônio cultural. Incentivar essa prática é melhorar a saúde e reforçar o valor da cultura indígena”, diz.
Participantes da Formação em atividade. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN
E a mudança já começou. Como valorização da alimentação da região, as refeições do curso foram preparadas com produtos típicos, sem condimentos ou industrializados. Foram servidos peixes, carne de paca, frutas como mamão, abacaxi, cará e etc. O que mais impactou foi o café sem açúcar, que acabou tendo boa resposta das mulheres ao longo da vivência desafiadora.
Dadá Baniwa pondera que não será fácil promover essa mudança de hábito, pois os indígenas, mesmo os que vivem nas comunidades, já consomem há muito tempos os produtos industrializados.
Também coordenadora do Dmirn/FOIRN, Larissa Tukano também acredita que a mudança de hábitos alimentares será um desafio. “É um desafio e algumas mulheres relataram até medo, mas também a esperança de chegar em suas comunidades e repassar os conhecimentos”, disse.
Uma das propostas é que o Dmirn/FOIRN comece a propor essa valorização dos produtos típicos durante as atividades na área indígena. Dadá Baniwa explica que, quando ocorrem eventos nas comunidades, o Dmirn ou os outros departamentos da FOIRN levam produtos como arroz, macarrão e frango para reforçar as refeições durante a atividade.
“Podemos mudar essa estratégia, informando à comunidade a data do evento e avisando que vamos precisar de mais quantidade de mandioca, cará, açaí, beiju, peixe, caça. E remunerando os fornecedores”, explica.
Moradora da comunidade de Campinas do Rio Preto, em Santa Isabel do Rio Negro, Derly de Jesus Pereira, da etnia Baré, participou do curso. Ela conta que em sua casa já toma cuidado com a alimentação porque seus pais têm problemas como diabetes e hipertensão. Ela observa que, no geral, a comunidade ainda adota muito a alimentação tradicional, com consumo de peixes e caças. “É tudo fresco. Matou, comeu”, comenta. Por outro lado, também são utilizados alimentos como arroz, feijão e frango – que não fazem parte do cardápio tradicional. Além disso, mesmo o comércio local já vende produtos industrializados como refrigerantes ou salgadinhos prontos.
Derly de Jesus Pereira demonstrou preocupação com a atividade de repassar aos indígenas da comunidade o que aprendeu durante o curso. Sua principal missão é ajudar a resgatar o valor da alimentação indígena. E quem não gosta de uma quinhampira – o famoso prato tradicional à base de peixe – com beiju?
O curso terá duração de 2 meses no formato EaD e com duas etapas presenciais. Ao final da atividade espera-se que as mulheres estejam confiantes e preparadas para serem multiplicadoras das informações em suas regiões. Devido à pandemia, o curso contou com participação reduzida, contando com 18 participantes de todas as coordenadorias regionais da FOIRN.
Participantes da formação recebem a visita do Presidente da FOIRN – Marivelton Rodrigues Baré. Foto: Juliana Albuquerque
Nessa primeira etapa, foram dois dias de atividades intensas, vivência, acolhimento e escuta. Foram trabalhados temas como a individualidade da mulher rionegrina, seus anseios e suas perspectivas, com aulas preparadas pela médica Nazira Scaffi e dinâmicas criadas pelo Instituto Aleema, que trabalha com alimentação saudável como tratamento de doenças crônicas não transmissíveis.
O I encontro foi realizado na comunidade Castelo Branco – Médio Rio Içana. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN
Mulheres das comunidades do Médio Içana: Nazaré, Ambaúba, Castelo Branco, Belém, Taiaçu Cachoeira, Tunuí Cachoeira, Warirambá e Vista Alegre participaram do I Encontro das Mulheres Artesãs do Médio Içana I, realizado na comunidade Castelo Branco, nos dias 5 e 6 de Agosto de 2021.
O encontro reuniu mais de cem participantes que teve como a pauta principal, a formação de lideranças mulheres em gestão de associação com objetivo de fortalecer as associações de base da região e aprimoramento dos trabalhos das artesãs associadas.
Diretor da FOIRN de referência da região do Içana, Dario Casimiro; Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e Alfredo Brazão apresentaram um pouco sobre o histórico do movimento indígena do Rio Negro, as associações de base e como elas funcionam, especialmente a documentação e as etapas de regularização.
O diretor de referência apresentou os planos de trabalho e as ações da Foirn, afirmou a importância do fortalecimento da associação as mulheres e as articulações de eventos na região.
A Coordenadora do Departamento de Mulheres, Dadá Baniwa destacou a importância do empoderamento das mulheres através de suas associações pois é através delas que podem se mobilizar para lutar pelos direitos e promover ações que garantam o bem viver do povo e das comunidades.
A oportunidade a associação reestruturou a diretoria que passou a ser composto da seguinte maneira: Presidente: Nilda José da Silva; Vice – Presidente: Alcimara Pereira Antônio; Secretaria: Gorete dos Santos; 1° Conselheira: Graziela Serafim Camico; 2° Conselheira: Suzete Serafim Camico.
Foram indicadas mulheres para participar da Rede Mulheres do Rio Negro, como representantes da região do Médio Rio Içana, são elas: Sani Fontes (Comunidade Castelo Branco), Sandra Pedro Camico (Comunidade Vista Alegre) e Cleide José da Silva (Comunidade Castelo Branco).
Fundada em 2004 a Associação das Mulheres Artesãs Indígenas do Médio Içana I (AAMI), abrange 5 comunidades do Médio Içana I: Nazaré, Ambaúba, Castelo Branco, Belém e Taiaçu Cachoeira.
Diretoria da Amiarn e convidados para a exposição de artesanatos da Amiarn. Foto: Amiarn/divulgação
Valorizar a cultura e o território e fortalecer o empreendedorismo sustentável promovido pelas mulheres indígenas foram os principais objetivos da XIII Exposição de Artesanato da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amiarn).
O encontro aconteceu na comunidade São Gabriel Mirim – Terra Indígena Cué/Marabitana, no município de São Gabriel da Cachoeira (AM).
Com a produção e venda dos artesanatos as mulheres promovem o bem viver de suas famílias e da comunidades, além de dar visibilidade aos produtos do alto Rio Negro. Durante os encontros há ainda troca de conhecimento sobre as técnicas tradicionais.
Participaram da exposição artesãos das comunidades Juruti, Tabocal dos Pereira, Nova Vida, Comunidade Guia e Yabe, Sitio Novo Horizonte e Acará.
“Queremos deixar os desafios que vêm travando a nossa caminhada em prol do desenvolvimento da nossa associação, vamos trabalhar na busca de capital de giro para associação, esse é fundamental para o nosso desenvolvimento e fortalecimento do empreendedorismo indígena. além disso estamos na busca de financiamento dos produtos feitos com as matérias primas de tucum, cipó, wanbé, molongó e sementes e produtos da roça. Estamos tentando fortalecer o empreendedorismos indígenas dentro dos territórios a sua valorização na busca de comercializar os produtos feitos manualmente por nós”, disse Elizangela da Silva Baré, ex-coordenadora do Dmirn e artesã.
A exposição ocorreu de 15 a 17 de julho, promovendo incentivo aos artesãos, valorizando a cultura dos povos do Rio Negro.
Além das artesãs locais foram convidadas artesãs e associações de mulheres como Amibi (Associação das Mulheres Indígenas do Baixo Içana) e Assai (Associação de Artesãos de São Gabriel da Cachoeira). Foto: Amiarn/divulgação
A FOIRN foi representada na exposição pelo coordenador do Departamento de Negócios Indígenas e da Conafer, Edson Baré, e pela coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro-(DMIRN), Dadá Baniwa. Também participaram da exposição coordenadores da Região do Alto Rio Negro e Xié/CAIARNIX-Ronaldo Ambrósio e José Baltazar e Elizangela da Silva Baré. A ex-coordenadora da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel (Assai), Cecilia Albuquerque, também esteve presente.