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  • I Oficina do Fundo Indígena do Rio Negro (Firn) reúne associações e dá novo passo para implantação das propostas aprovadas

    I Oficina do Fundo Indígena do Rio Negro (Firn) reúne associações e dá novo passo para implantação das propostas aprovadas

    Participantes da I Oficina de trabalho do Fundo Indígena do Rio Negro. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Cerca de 50 indígenas representantes de 15 associações participaram, nesta segunda-feira (14/03), da abertura da I Oficina de Trabalho do Fundo Indígena do Rio Negro (Firn). A atividade está sendo realizada no Telecentro do Instituto Socioambiental (ISA), em São Gabriel da Cachoeira (AM) e vai até o dia 23 de março.

    As 15 associações participantes tiveram projetos aprovados no primeiro edital do Firn, cujo resultado foi divulgado no dia 10 de fevereiro.

    O presidente da Foirn, Marivelton Rodrigues, da etnia Baré, destacou a importância do momento e reafirmou que é um passo importante na concretização de um sonho e luta antigos das lideranças indígenas do Rio Negro. “É um momento importante, estamos dando mais um passo na concretização de um sonho e uma luta antiga das lideranças que nos antecederam”, disse.

    Em destaque, Marivelton Rodrigues Baré – Presidente da FOIRN faz uso na abertura da oficina. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Durante 10 dias de trabalho serão abordados diversos temas com os representantes das organizações participantes da oficina. Serão seis dias de orientação teórica nos temas como leitura de contrato, cronograma, plano de atividades, monitoramento, orçamento, repasse de recursos, boas práticas na gestão administrativa e financeira.

    Já nos últimos quatro dias da oficina será desenvolvida a atividade “Projeto na Prática”, onde serão realizadas ações como cotações, aquisições, registros das aquisições e arquivamento.

    Foram 15 projetos aprovados (10 na categoria mirim e 5 na categoria intermediária) no primeiro edital do Fundo Indígena do Rio Negro, com investimento inicial de cerca de R$ 1 milhão com o objetivo de incentivar projetos sustentáveis e estimular a economia dos 23 povos indígenas do Rio Negro.

    A oficina está sendo coordenada pela equipe do Fundo Indígena do Rio Negro (Domingos Barreto e Alziney Castro – Gerência de Monitoramento e Josimara Oliveira e Mirian Pereira Gerência Administrativo e Financeiro; e João Luiz – Assessor Técnico) em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e apoio da Embaixada Real da Noruega.

    Ao longo da oficina estaremos atualizando sobre as atividades da oficina. E para conhecer o Firn acesse: www.firn.foirn.org.br/

  • Embaixador de Luxemburgo no Brasil Carlos Krieger chegou em São Gabriel da Cachoeira para conhecer e visitar as Instituições do município.

    Embaixador de Luxemburgo no Brasil Carlos Krieger chegou em São Gabriel da Cachoeira para conhecer e visitar as Instituições do município.

    A Federação das organizações indígenas do Rio Negro – FOIRN, o recebeu na manhã desta quinta- feira (28/01) na sala da presidencia, onde ele pôde conhecer os trabalhos que a Instituição desenvolve na região, área de atuação politica, demandas e desafios e também uma aproximação para garantir apoio financeiro de cooperação de algumas agências de Luxemburgo, isso foi ressaltado durante essa visita, participaram da conversa o Diretor Presidente da FOIRN, Marivelton Rodrigues Barroso (Povo Baré), a Coordenadora do departamento de Mulheres Indigenas do Rio Negro – DMIRN, Maria do Rosario (Povo Baniwa) e o presidente da Associação das Comunidades Indigenas do Médio do Rio Negro – ACIMRN, Adilson Joanico( Povo Baniwa). Também foi reiterado sobre as pautas: Gênero e Juventude, mudanças climáticas, atividades produtivas no âmbito da cadeia de valores produtos da sociobiodiversidade.



    A coordenadora do Dmirn apresentou a luta e o papel que ela e suas companheiras (Larissa Duarte( Povo Tukano) e Glória Braga (Povo Baré), representam na região do rio negro.
    “Ontem (27/01) foi uma data especial para nós, o departamento completou 20 anos de criação dentro da Federação, infelizmente não pudemos reunir as mulheres para essa grande festa por causa da covid19,” Comentou Dadá Baniwa.
    Está sendo organizado para outra data a definir a comemoração, momento de reflexão da luta e o protagonismo das mulheres indígenas.

    Joanico comentou sobre o funcionamento da casa de Frutas em Santa Isabel do Rio Negro, o desenvolvimento econômico para os povos indígenas que pertence a Associação, e conta com apoio de parceiros financiadores. A mudança Climática tem um impacto na vida nas comunidades ribeirinhas, o mesmo afirma que vai continuar lutando pelos direitos do povo que representa.

    “Ficou garantido que a interlocução deve continuar e que logo em breve a gente possa somar os esforços de cooperação de apoio às atividades pontuais no nosso contexto rionegrino.” Afirma Diretor Presidente Marivelton Barroso.

  • IV ENCONTRO DE PRODUTORES INDÍGENAS DO RIO NEGRO DA COORDENADORIA CAIARNX NA COMUNIDADE SÃO GABRIEL MIRIM

    IV ENCONTRO DE PRODUTORES INDÍGENAS DO RIO NEGRO DA COORDENADORIA CAIARNX NA COMUNIDADE SÃO GABRIEL MIRIM

    A FOIRN através do departamento de Negócios Socioambientais e Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro – WARIRÓ, realiza o IV Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro na Região da Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio negro e Xié –  CAIARNX, no período de 04 a 06 de outubro de 2021 na comunidade São Gabriel Mirim localizado na região do Alto do Rio Negro

    Estiveram presente no evento mais de 70 produtores indígenas, pertencentes às associações: ACIPK – Associação das Comunidades Indígenas Potira Kapuamu, ACIBARN – Associação das Comunidades Indígenas Baré do Alto Rio Negro , ACIARN – Associação das Comunidades Indígenas do Alto Rio Negro, OCIARN – Organização Indígena do Alto Rio Negro, AMIARN – Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro, AMIBAL – Associação das Mulheres Indígenas do Balaio e OINV – Organização Indígena de Nova Vida. A FOIRN estava representada pelo Sr. Edison Cordeiro Gomes – Coord. Dpto. de Negócios Socioambientais, Luciane Mendes – Gerente e articuladora da casa Wariró, Ronaldo Ambrósio – Coordenador Regional da CAIARNX, José Baltazar – Rede de Comunicadores da CAIARNX.

    Durante o encontro, teve exposição de farinha, beiju, tapioca, tucupi com saúva, banana, cubio, cará, batata, pupunha, e artesanatos feitas de fibra de tucum, de cipó entre outros produtos regionais.

    Os produtores ficaram bastante satisfeitos com o evento, pois puderam apresentar os ensinamentos adquiridos dos seus pais e avós.

    “Esse encontro nos fez conhecer os produtos de outras associações que aqui se fizeram presentes”, afirma uma liderança indígena.

    Exposição de produtos e artesanatos regionais.

    A coordenação do encontro Edson Baré e Luciane Lima afirmaram que isso é um dos objetivos do encontro, apresentar e compartilhar esses conhecimentos milenares tradicionais, para que as novas gerações possam conhecer e valorizar.

    As lideranças anteriores, lembraram sobre como foram discutidas a autonomia financeira dos povos indígenas.

    Produtos Oriundos da Agricultura Familiar

    Edison Baré apresentou os tipos de alimentação que eram consumidos, e o processo de comercialização que foram praticados aqui na região do rio Negro. Atualmente há formas de como podemos comercializar os nossos produtos, uma delas é a venda de produtos oriundos da agricultura familiar, como é o caso do Programa Nacional de Alimentação Escolar, onde o produtor fornece o complemento de alimentação escolar em sua própria comunidade.

    Esse programa vem para fortalecer o agricultor, isto é, além de produzir para a sua subsistência também produz para a comercialização.

    Segundo os produtores os, mesmos estão com dificuldades em receber seus pagamentos dos produtos já entregues, devido à dificuldade de acesso ao cadastro da carteira do produtor que só pode ser emitido via internet.

    Os participantes pediram aos responsáveis dos Departamentos, juntamente com o Sr. Ronaldo, coordenador da CAIARNX, para levar ao conhecimento do Diretor de referência da região, Sr. Adão Francisco Henrique, Baré, para tomar providências junto a equipe do IDAM SGC, e que assim pudesse realizar uma atividade para Emissão da Carteira de Agricultor. Essa atividade poderia ser realizada na comunidade de Juruti, sede da CAIARNX, que atualmente está equipada com sinal de internet e energia solar.

    O que precisa é organizar o atendimento nos processos para que as famílias possam aderir ao projeto com mais facilidade.

    Os participantes tiraram suas dúvidas com perguntas respondidas de acordo com o conhecimento que se tinha no momento. Os presidentes de associações presente agradeceram à FOIRN pelo Departamento de Negócios Socioambientais e Casa Wariró, aos parceiros FORECO e ISA pela oportunidade de ajudar em realizar o encontro, que foi de suma importância para um bom entendimento e uma boa conduta nos trabalhos voltados para a economia indígena, principalmente pensando na autonomia financeira dos povos do rio Negro.

  • I Oficina de Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro

    I Oficina de Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro

    Rede de Mulheres indígenas do Rio Negro

    Promovido pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN através do Departamento de Mulheres indígenas – DMIRN, a I Oficina de Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro tem o objetivo de conhecer os direitos das mulheres e promover rodas de conversas, vivências e dinâmicas para o fortalecimento e enfrentamento da violência de gênero e realizar uma discussão sobre prática de direitos e cuidados das mulheres indígenas.

    Um projeto demandado pelas mulheres indígenas do rio Negro, idealizado pelo Departamento de mulheres, sobre a coordenação de Maria do Rosário do povo Baniwa, Larissa Duarte do povo Tukano, Glória de Braga do povo Baré e da Diretora de referência Janete Alves do povo Dessana, que buscam trabalhar em conjunto com as mulheres das 05 coordenadorias de base da FOIRN, para o fortalecimento da rede de mulheres indígenas.

    Participaram da oficina mulheres dos três municípios de abrangência da FOIRN: Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira, das cinco coordenadorias: DIAWI’I, CAIMBRN, NADZOERI, CAIARNX, COIDI, convidadas da Associação dos Artesãos Indígena-ASSAI, Associação Indígena da Etnia Tuyuka Moradores de São Gabriel da Cachoeira–AIETUM/S.G.C além de representantes do CREAS, SEMSA e Conselho Tutelar, ainda estiveram no curso dando suas contribuições e incentivando as demais participantes as ex-coordenadoras do departamento das mulheres indígenas da FOIRN: Cecília Albuquerque, Rosilda Cordeiro, Idaria Barreto, Anair Sampaio e Rosane Gonçalves.

    O oficina foi realizado no período do dia 30 de setembro a 04 de outubro de 2021 na sede do Instituto Socio Ambiental – ISA. Nos quatro dias de curso foram abordados temas como os direitos das mulheres, as problemáticas das realidades vividas e enfrentadas pelas mulheres indígenas, a dignidade, as dificuldades, as lutas, os preconceitos, as vivências do cotidiano das mulheres indígenas, os conhecimentos básicos sobre o Código Penal Brasileiro, o compartilhamento de experiências de vida, especialmente a respeito das problemáticas enfrentadas nas comunidades de cada participante da oficina.

    No último dia de curso foram apresentadas pelas participantes suas visões sobre o que pode ser feito nas comunidades para melhorar a vida das mulheres indígenas, a partir das suas experiências de vida e do conteúdo trabalhado durante os dias da formação. Os principais pontos trazidos pelas participantes foram a importância do reconhecimento do espaço das mulheres nas reuniões realizadas nas comunidades, a continuidade de oficinas e cursos, o fortalecimento e a união entre as mulheres, a necessidade de políticas públicas adequadas para as mulheres e o fortalecimento de suas alternativas de geração de renda.

    A oficina foi ministrada por José Miguel Olivar – antropólogo e professor na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo-USP, Flávia Melo – antropóloga do Observatório de Violência de Gênero do Amazonas, Dulce Morais – Cientista Social e mestranda na Faculdade de Saúde Pública na Universidade de São Paulo USP e Renata Vieira – Advogada do Instituto Socio Ambiental. Esta oficina realizada com apoio dos parceiros institucionais: Instituto Sócio Ambiental-ISA Universidade de São Paulo – USP e Universidade Federal do Amazonas –UFAM, Fundo Canadá e Nia Tero.

  • Agentes Indígena de Saúde trocam saberes tradicionais em qualificação promovida em São Gabriel da Cachoeira

    Agentes Indígena de Saúde trocam saberes tradicionais em qualificação promovida em São Gabriel da Cachoeira

    Os Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e os Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN) que atuam em comunidades do Rio Negro participaram de intensa troca de saberes tradicionais durante curso de qualificação realizado na Ilha de Duraka, no município de São Gabriel da Cachoeira (AM). 

    Participantes da Formação realizada na Ilha de Duraka – Médio Rio Negro no município de São Gabriel da Cachoeira (Am). Foto: FAS/Divulgação

    O objetivo da formação, ocorrida de 12 a 14 de agosto, é melhorar o atendimento de quem vive nas comunidades. Participaram do encontro AISs e Aisams de 23 polos-bases do Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN) e de dois polos-bases do Dsei-Yanomami (Inambu e Maiá). 

    Realizada em parceria pela FOIRN, Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Dsei-ARN e Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), a formação contou com 170 participantes, sendo a maioria AIS. 

    Considerado o principal mediador da equipe multidisciplinar dos Dseis com a comunidade, o AIS é quem faz os primeiros diagnósticos do paciente para depois comunicar e acionar a equipe de saúde do pólo-base. Por isso, a formação continuada é tão importante. Nesse processo, a comunicação é uma etapa primordial do trabalho do agente. 

    Com o curso realizado na Ilha de Duraka, os agentes puderam narrar suas experiências de utilização dos remédios da floresta e aprenderem ainda mais sobre a medicina tradicional indígena. A partir do encontro, eles poderão colocar em prática os novos conhecimentos no dia a dia das comunidades.

    Essa troca de experiência resultou na exposição Saberes da Floresta, realizada pelos grupos de trabalho dos pólos-base. Os agentes reivindicam que esse material seja transformado em material de apoio a ser compartilhado com todos os agentes de saúde nas comunidades.

    Exposição Saberes da Floresta – foi espaço de troca de saberes e conhecimentos sobre a medicina tradicional. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    A qualificação foi conduzida por dois conhecedores tradicional da região: a professora e artesã Cecília Albuquerque, da etnia Piratapuia, uma das fundadoras da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (Assai); e o conhecedor tradicional Ercolino Alves, Dessano. 

    No ano passado, Cecília Albuquerque e Ercolino Alves já tinham conduzido, com as artesãs da Assai, o curso do uso de plantas tradicionais utilizados no combate à Covid-19 na região do Rio Negro. A atividade acabou resultando em uma cartilha desenvolvida pela Assai em parceria com a FOIRN e ISA. 

    Dona Cecília frisou que o conhecimento dos povos indígenas do Rio Negro sobre a medicina tradicional é grande e diverso. “Muitas plantas que conheço e algumas que compartilhei aqui vocês já conhecem, muitas vezes com outros nomes e para outras doenças. Nosso conhecimento é diverso”, explicou.

    Da comunidade Querari – Alto Rio Uaupés, o Acis Eduardo Gonçalves, da etnia Kubeo, destacou a importância da qualificação e da valorização do conhecimento tradicional. Ele ressaltou também a necessidade de qualificação voltada para os saberes da chamada medicina dos brancos ou ocidental. 

    “O nosso conhecimento sobre as plantas medicinais é grande e sempre estamos valorizando. Mas precisamos também nos qualificar sobre a medicina dos brancos”, disse. 

    Dario Casimiro Baniwa – Diretor da FOIRN foi um dos coordenadores da realização da formação dos Agentes Indígenas de Saúde. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    Sobre a demanda de novas qualificações, o diretor da FOIRN, Dario Casimiro Baniwa, reafirmou que a federação tem essa missão de lutar pelos direitos e buscar meios para garantir a saúde indígena diferenciada e de qualidade para os povos indígenas do Rio Negro, sendo que uma das ações para alcançar esse objetivo é qualificar os profissionais que estão na ponta, realizando as ações de atendimento primário. 

    Ao longo do encontro foram abordados temas para o fortalecimento da saúde indígena, como:  Direitos Territoriais, Soberania Alimentar e Educação, Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, Conhecimento Indígena Como Ciência, O Cuidado de Saúde na Cultura Indígena, Relato de Experiências Terapêuticas na Medicina Indígena, A Importância da Medicina Tradicional para Fortalecimento da Saúde dos Povos Indígenas.

  • Mukaturu: projeto sobre autocuidado da mulher indígena reforça resgate da alimentação tradicional

    Mukaturu: projeto sobre autocuidado da mulher indígena reforça resgate da alimentação tradicional

    Na língua nheengatu, o vocábulo mukaturu tem o significado de cuidado. E foi essa a palavra escolhida para dar nome ao projeto de autocuidado da mulher indígena que teve início nesse final de semana (14 e 15/8) tendo como objetivo principal trabalhar o eixo alimentação, fortalecendo e resgatando a alimentação tradicional.

    Promovido pela Foirn através do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro (Dmirn), o projeto Mukaturu – Comunidades de Autocuidado é desenvolvido através de projeto aprovado pela ONU Mulheres, com apoio dos parceiros ISA, Instituto Aleema e Nia Tero.

    Coordenadora do Dmirn/FOIRN, Dadá Baniwa, explica que o papel da mulher na organização da alimentação da família e da comunidade é primordial. E o objetivo é que as participantes do projeto sejam multiplicadoras das informações sobre a importância da alimentação tradicional em suas aldeias.

    E ela ressalta a importância do autocuidado. “Primeiro a mulher deve cuidar de si mesma para conseguir cuidar da família, da comunidade”, diz.

    Articuladora e instrutora do projeto Mukaturu, a enfermeira Eufélia Lima Gonçalves, da etnia Tariana, explica que uma série de doenças decorrentes da má alimentação – como hipertensão e diabetes – estão se intensificando entre os indígenas do Rio Negro principalmente devido à influência sofrida desde a colonização.

    A estratégia de prevenção adotada no Projeto Mukaturu – Comunidades de Autocuidado é promover o resgate da alimentação tradicional, com o incentivo do consumo dos produtos da roça, como a mandioca, a banana, o abacaxi, o açaí, com incremento das verduras e legumes da horta. “Devemos lembrar que o sistema agrícola do Rio Negro é patrimônio cultural. Incentivar essa prática é melhorar a saúde e reforçar o valor da cultura indígena”, diz.

    Participantes da Formação em atividade. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    E a mudança já começou. Como valorização da alimentação da região, as refeições do curso foram preparadas com produtos típicos, sem condimentos ou industrializados. Foram servidos peixes, carne de paca, frutas como mamão, abacaxi, cará e etc. O que mais impactou foi o café sem açúcar, que acabou tendo boa resposta das mulheres ao longo da vivência desafiadora.

    Dadá Baniwa pondera que não será fácil promover essa mudança de hábito, pois os indígenas, mesmo os que vivem nas comunidades, já consomem há muito tempos os produtos industrializados.

    Também coordenadora do Dmirn/FOIRN, Larissa Tukano também acredita que a mudança de hábitos alimentares será um desafio. “É um desafio e algumas mulheres relataram até medo, mas também a esperança de chegar em suas comunidades e repassar os conhecimentos”, disse.

    Uma das propostas é que o Dmirn/FOIRN comece a propor essa valorização dos produtos típicos durante as atividades na área indígena. Dadá Baniwa explica que, quando ocorrem eventos nas comunidades, o Dmirn ou os outros departamentos da FOIRN levam produtos como arroz, macarrão e frango para reforçar as refeições durante a atividade.

    “Podemos mudar essa estratégia, informando à comunidade a data do evento e avisando que vamos precisar de mais quantidade de mandioca, cará, açaí, beiju, peixe, caça. E remunerando os fornecedores”, explica.

    Moradora da comunidade de Campinas do Rio Preto, em Santa Isabel do Rio Negro, Derly de Jesus Pereira, da etnia Baré, participou do curso. Ela conta que em sua casa já toma cuidado com a alimentação porque seus pais têm problemas como diabetes e hipertensão. Ela observa que, no geral, a comunidade ainda adota muito a alimentação tradicional, com consumo de peixes e caças. “É tudo fresco. Matou, comeu”, comenta. Por outro lado, também são utilizados alimentos como arroz, feijão e frango – que não fazem parte do cardápio tradicional. Além disso, mesmo o comércio local já vende produtos industrializados como refrigerantes ou salgadinhos prontos.

    Derly de Jesus Pereira demonstrou preocupação com a atividade de repassar aos indígenas da comunidade o que aprendeu durante o curso. Sua principal missão é ajudar a resgatar o valor da alimentação indígena. E quem não gosta de uma quinhampira – o famoso prato tradicional à base de peixe – com beiju?

    O curso terá duração de 2 meses no formato EaD e com duas etapas presenciais. Ao final da atividade espera-se que as mulheres estejam confiantes e preparadas para serem multiplicadoras das informações em suas regiões. Devido à pandemia, o curso contou com participação reduzida, contando com 18 participantes de todas as coordenadorias regionais da FOIRN.

    Participantes da formação recebem a visita do Presidente da FOIRN – Marivelton Rodrigues Baré. Foto: Juliana Albuquerque

    Nessa primeira etapa, foram dois dias de atividades intensas, vivência, acolhimento e escuta. Foram trabalhados temas como a individualidade da mulher rionegrina, seus anseios e suas perspectivas, com aulas preparadas pela médica Nazira Scaffi e dinâmicas criadas pelo Instituto Aleema, que trabalha com alimentação saudável como tratamento de doenças crônicas não transmissíveis.

  • Grafiteiro Raiz homenageia Feliciano Lana em São Gabriel da Cachoeira

    Grafiteiro Raiz homenageia Feliciano Lana em São Gabriel da Cachoeira

    Com projeto agraciado pelo Governo do Amazonas, Raiz oferecerá uma oficina colaborativa
    que vai homenagear o artista e liderança indígena da região

    Feliciano Lana e Raiz Campos em São Gabriel da Cachoeira – em 2018 . Foto: Juliana Radler/ISA

    Uma perda irreparável para a comunidade Dessana, o artista indígena Feliciano Lana faleceu em 2020, vítima de coronavírus. Muito além de um líder memorável, Lana também deixou registrado um legado com seu talento para artes plásticas, nas quais mantinha vivas as narrativas de seu cotidiano e histórias sobre a vida indígena.

    Em respeito à autoridade construída por Lana e sua arte, o grafiteiro Raiz Campos, conhecido pelos seus grandes murais com representações indígenas, apresenta um projeto artístico beneficiado pelo Governo do Amazonas, em que irá homenagear Feliciano Lara em sua comunidade.

    O ‘Muralizar: do Raiz ao Lana’ será uma oficina colaborativa para revitalizar o Muro do Bispo, em São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, noroeste do Amazonas. A ideia é que toda a comunidade participe do trabalho que, além de trazer mais arte ao município, será um momento de aprendizado sobre técnicas do grafite e muralismo para os participantes, resultando em um espaço emblemático para homenagear Feliciano Lana. “Fiquei muito feliz com a proposta do Governo do Amazonas em criar um prêmio com o nome do Feliciano Lana mantendo viva sua história. Pouquíssimos lugares do Brasil dão crédito e valorizam os indígenas e isso, para mim, foi um incentivo para submeter um
    projeto dedicado a Lana em sua própria comunidade”, conta Raiz.

    A oficina ocorre entre os dias 19 a 22 de Agosto em São Gabriel da Cachoeira e a expectativa do artista é proporcionar uma experiência única, compartilhar conhecimento e colaborar com a preservação da memória de Lana em sua região. O trabalho será realizado respeitando as medidas de segurança, com número limitado de participantes que deverão usar máscara, manter o distanciamento e higienizar as mãos com álcool.


    In Memoriam

    Para Raiz, voltar a São Gabriel da Cachoeira sempre é um momento especial de muito aprendizado e apreciação da cultura amazonense. O grafiteiro relembra que teve dois momentos marcantes de encontro com o artista plástico no município, sendo o primeiro em 2018, quando aplicou uma oficina colaborativa para revitalizar um mural na Ilha Adana e o segundo, em 2019, para fazer um trabalho junto ao desenhista para o Museu Etnológico de Berlim e Museu do Brasil.

    “Foi um privilégio e uma honra trocar ideias com Feliciano e conhecer seus desenhos, um homem repleto de histórias, cultura rica e preocupado em fazer o melhor para sua comunidade”, relembrou.

    Poster da Atividade que será realizado em São Gabriel da Cachoeira

    Serviço
    O quê? Projeto Muralizar: de Feliciano a Raiz. Oficina colaborativa de grafite e muralismo
    do grafiteiro Raiz.
    Quando? De 19 a 22 de Agosto
    Onde? São Gabriel da Cachoeira.
    Para mais informações acompanhe o instagram.com/raiz.campos/ ou entre em contato pelo
    número (92) 98230-4922.

  • Conheça e apoie a Rede Wayuri de Comunicação Indígena

    Conheça e apoie a Rede Wayuri de Comunicação Indígena

    Assista ao vídeodocumentário da nossa Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro “Somos a Rede Wayuri”:

    Cachoeira (AM), 15 integrantes da Rede Wayuri de Comunicação Indígena participaram da III Oficina de Formação da Rede para trabalhar técnicas de audiovisual com foco na prática de reportagens e documentários.

    Durante a oficina, os comunicadores, falantes de cinco línguas diferentes (Baniwa, Hup, Nheengatu, Tukano e Yanomami) produziram o primeiro vídeo documentário que conta sobre o trabalho precursor deste coletivo de comunicadores indígenas no rio Negro.

    Com o propósito de contar suas próprias histórias, os comunicadores indígenas produzem mensalmente desde novembro de 2017 o boletim de áudio Wayuri, um podcast que dá notícias sobre a cultura, educação, saúde, eventos e trabalhos das comunidades ligadas à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).

    Divulgado principalmente pelo WhatsApp e compartilhamento via aplicativos como ShareIT, o boletim de áudio está em sua edição número 27 e conta com a participação de correspondentes em várias comunidades distribuídas entre os municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, todas no Amazonas.

    A diversidade cultural é uma qualidade da Rede, que conta agora com comunicadores dos povos Baré, Baniwa, Desana, Hup’dah, Tariano, Tukano, Piratapuia, Tuyuka, Yanomami e Wanano. Os áudios são gravados muitas vezes nas línguas originais dos povos e também traduzidos para o Português para que sejam entendidos por falantes de outras línguas da própria região.

    Veja mais: https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/comunicadores-indigenas-em-acao-na-amazonia?utm_source=isa&utm_medium=&utm_campaign=

  • Abril Indígena leva atividades culturais nas escolas em São Gabriel da Cachoeira/AM

    Abril Indígena leva atividades culturais nas escolas em São Gabriel da Cachoeira/AM

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    Lançado oficialmente na última sexta-feira, 07/04, a Abril Cultural Indígena 2017 realizado pela FOIRN com apoio da CR Rio Negro/Funai em parceria com várias instituições que atuam no município de São Gabriel da Cachoeira, entre elas, escolas da rede estadual de ensino, iniciou as primeiras atividades nesta segunda-feira, 10/04.

    Os mais de 500 alunos da Escola Estadual Sagrada Família, das turmas de 1º ao 9º ano do ensino fundamental tiveram uma aula diferente hoje.

    Conheceram um pouco mais sobre a vida nas comunidades, através de vídeos feitos na região do rio negro. Muitos destes vídeos feitos nas línguas indígenas faladas na região.

    E tiveram também aula de música, com instrumentos chamados de Japurutu e Carriçú, os mais conhecidos no Rio Negro, com os mestres João Bosco da etnia Dessano e Ricardo Marinho da etnia Tukano, vindos da comunidade Balaio – BR 307, especialmente para apoiar as atividades da Abril Indígena.

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    Da dir. a esq. Ricardo Marinho  Tukano e João Bosco Dessano

    Enquanto os meninos estavam prestando bastante atenção nos sons do carriçú e do japurutu, as meninas com ajuda das coordenadoras da atividade, aprendiam a fazer saia com fibra de buruti.  E ainda,  conheceram também as pinturas corporais usados pelas etnias Dessano e Tukano em várias ocasiões.

    Não precisou perguntar se a aula foi bom aos alunos. A alegria no rosto e a vontade de querer aprender mais foi o suficiente.

    Para as coordenadoras da atividade e os mestres, a experiência foi um sucesso. É a primeira vez, que atividades culturais estão sendo levados para a sala de aula, através do Abril Indígena. Através dos vídeos e as palestras, foi ressaltado aos estudantes a importância da valorização da identidade cultural de cada um deles, que são parte de uma enorme diversidade cultural existente no Rio Negro.

    Amanhã, 11/04 as atividades do Abril Indígena continuam. Dessa vez será no Colégio Irmã Inês Penha, também em São Gabriel da Cachoeira.

    Participaram desta atividades: Lucas Matos/Dajirn, Adelina Sampaio/Dajirn, Elizângela da Silva/Dmirn, Janete Alves/Dajirn, alunos e professores da Escola Sagrada Família.

  • Professores da escolas estaduais da sede e do interior  de São Gabriel da Cachoeira vão para rua exigir melhores condições de trabalho, pagamento de salário atrasado e melhorias na educação escolar no município

    Professores da escolas estaduais da sede e do interior de São Gabriel da Cachoeira vão para rua exigir melhores condições de trabalho, pagamento de salário atrasado e melhorias na educação escolar no município

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    Professores da rede estadual de ensino, estudantes, pais e os moradores de São Gabriel da Cachoeira, saíram para as ruas protestar e exigir melhorias na educação escolar, na manhã desta sexta-feira, 10/06.

    Coordenado pelo SINTEAM (Sindicato de Trabalhados em Educação do Estado Amazonas)  e Conselho dos Professores Indígenas do Alto Rio Negro (COPIARN), o ato teve como principal objetivo de exigir melhorias na educação escolar, entre os quais estão: pagamento de salários dos professores (não recebiam desde março deste ano), falta de merenda escolar e condições de trabalho.

    Um documento contendo as revindicações  elaborado pelos professores foi entregue formalmente no encerramento do ato ao coordenador da SEDUC local, Henrique Vaz.

    As escolas foram paralisadas em três dias (quarta-feira a sexta-feira).

    A FOIRN participou do ato pela educação, representado pela Diretora Presidente, Almerinda Ramos de Lima e Ivo Fernandes Fontoura, Coordenador do Departamento de Educação.

    “A FOIRN que tem como missão lutar e defender os direitos dos povos indígenas não poderia ficar de fora. Se a merenda e material escolar já não chegam aqui nas escolas da sede, lá nas comunidades onde ficam as escolas estaduais é ainda pior. Recebemos várias cartas das escolas do interior tanto da rede estadual como da rede municipal que relatam  problemas como a falta de estrutura, material e merenda escolar entre outros”, disse Ivo.

    Escolas Estaduais no interior em greve

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    A escola Estadual Kariamã também paralisou as atividades nesta semana por falta de merenda escolar e material didático. O manifesto na comunidade Assunção do Içana, foi realizado no dia 08/06, quarta-feira.

    Em Iauaretê, no médio Uaupés também houve manifesto durante a Assembleia Geral da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê – COIDI, realizado entre 01 a 05 deste mês.

    O ato feito em Assunção e em Iauaretê é apenas um retrato da situação de todas escolas da região do município de São Gabriel da Cachoeira.

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    Condição precária de um prédio escolar na região de Iauaretê.