Mês: novembro 2020

  • Eleição na FOIRN: presidente Marivelton Baré e vice Nildo Fontes Tukano são reeleitos para gestão 2021-2024

    Eleição na FOIRN: presidente Marivelton Baré e vice Nildo Fontes Tukano são reeleitos para gestão 2021-2024

    Marivelton Rodriguês Baré (em pé) foi reeleito presidente da Foirn para a gestão 2021-2024. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Os gestores que estarão à frente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) entre 2021 e 2024 foram definidos nesta sexta-feira: o atual presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, foi reeleito para o cargo. O vice-presidente, Nildo Fontes, Tukano, também permanecerá no posto. A eleição ocorreu durante a XV Assembleia Geral Ordinária Eletiva da FOIRN, que este ano teve o tema “Pandemia e os saberes tradicionais indígenas do Rio Negro”. O encontro aconteceu em São Gabriel da Cachoeira (AM), na quinta e sexta-feira, 26 e 27, no auditório do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), seguindo as regras sanitárias para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.

    “A gente não vai reduzir espaços e não vai reduzir ninguém, pois o nosso espaço é coletivo. Temos que focar nas nossas estratégias”, disse Marivelton Baré, em seu discurso logo após a eleição, lembrando que começou sua trajetória no movimento jovem indígena. Entre suas prioridades para a próxima gestão estão o fortalecimento institucional da FOIRN, gestão transparente e reforço das bases. Ele concorreu pela Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (CAIMBRN).   

    Também se candidataram à presidência Nildo José, da Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes (DIAWÌI); Adão Henrique, da Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié (CAIARNX); e Janete Alves, da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI). Associação Baniwa e Koripako (NADZOERI) não apresentou candidato.

    Cada uma das cinco coordenadorias regionais teve direito a 20 votos. Marivelton Baré recebeu 58 votos; Nildo Fontes teve 34; Janete Alves ficou com 5 votos. Adão Henrique não foi votado. Três votos foram anulados.   

    As assembleias eletivas realizadas nos meses de outubro e novembro nas cinco coordenadorias regionais já tinham definido a diretoria que trabalhará em conjunto com a presidência. Foram reeleitos os diretores de referência Isaías Pereira Fontes, Baniwa; Adão Francisco, Baré; e Carlos Neri, Piratapuya. Eleita pela primeira vez para a diretoria de referência, Janete Desana, será a única mulher na diretoria da casa. Ela entra no lugar de Almerinda Ramos, do povo Tariano, liderança indígena, atual diretora executiva e ex-presidente e da FOIRN.

    Coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Nara Baré participou da Assembleia em São Gabriel. “Foi um movimento vitorioso para todos nós. Queremos parabenizar os diretores eleitos, que executarão as demandas comunidades. Gostaria de fortalecer nossa parceria com a FOIRN. E é nosso dever enquanto organização a defesa de nossos territórios”, disse no encerramento do encontro.

    Nara Baré, Coordenadora da Coiab participou da assembleia da Foirn em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    O coordenador-adjunto do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA), Aloisio Cabalzar, parabenizou os eleitos e renovou a colaboração e trabalho conjunto com a FOIRN. “Esse caminho da FOIRN é um caminho iluminado, com muita contribuição para a região e povos indígenas. Estamos juntos”, disse.

    Desafios da Covid-19 e as limitações impostas pelo Governo Federal aos povos indígenas estiveram presentes durante as discussões na XV Assembleia Eletiva. Por outro lado, o fortalecimento institucional da FOIRN e a reação dos povos indígenas frente à pandemia, com o uso e valorização dos remédios e práticas tradicionais, também foram ressaltados.

    Durante a assembleia foi lançado o livro do Plano de Gestão Territorial e (PGTA) do Alto Rio Negro, elaborado em parceria pela FOIRN e ISA. Ex-presidente e diretores da FOIRN e convidados foram homenageados e receberam exemplares da publicação. Segundo Marivelton Baré, um dos desafios da nova gestão é buscar parcerias para garantir a execução do PGTA. “É nosso plano de vida do território. Ali nele estão as nossas reivindicações, o que a gente quer” disse.

    Conforme Aloisio Cabalsar, o PGTA já vem sendo utilizado como referência para trabalhos nos territórios indígenas do Rio Negro. “O PGTA é exemplar em termos da profundidade do trabalho investido, envolvendo um processo amplamente participativo, com levantamento demográfico socioeconômico das condições de cada comunidade. O trabalho envolveu mais de 40 pesquisadores indígenas e possibilitou atualizar a base de dados.  Já é referência para instituições públicas e outras organizações que atuam nas terras indígenas. É um documento que forma base de trabalho e planejamento sólido para a região”, disse.

    Jornalista do ISA, Juliana Radler apresentou os trabalhos da Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas, que vem atuando na produção de notícias no Rio Negro e este ano cobriu as eleições municipais em São Gabriel da Cachoeira, inclusive com entrevistas com os candidatos a prefeito. Os comunicadores fizeram a cobertura da XV Assembleia Eletiva da FOIRN. Um documentário sobre o encontro que reuniu indígenas de diversas etnias do Rio Negro está em processo de produção.

    O reforço da economia indígena esteve em destaque durante o encontro: Marivelton Barroso divulgou que está em elaboração o Fundo Indígena do Rio Negro, em apoio a projetos das associações regionais para que essas organizações tenham autonomia de execução de projetos. O fundo, gerido pela FOIRN, deve lançar os primeiros editais no início de 2021.

    Coordenadora do Fundo Podáali – Fundo Indígena da Amazônia, Valéria Paye informou que os primeiros editais serão abertos em 2021, com objetivo de fortalecer iniciativas indígenas, sempre com atenção na preservação ambiental e da cultura dos povos tradicionais. O fundo é gerido pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Também foi divulgada parceria entre Coiab e Unicef que beneficiará a os indígenas do Rio Negro, já havendo definição de bolsas para quatro comunicadores em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

    Durante a assembleia foram aprovadas algumas demandas e deliberações. O Departamento de Mulheres Indígenas (DMIRN), o Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas (DAJIRN), o Departamento de Educação e o Conselho Diretor vão ter reforço de pessoal.

    Também foi definido que a Foirn articulará para garantir o reconhecimento e registro dos tratamentos indígenas utilizados contra a Covid-19 e, ainda, para impulsionar discussões sobre a criação de centro de saúde indígena no Rio Negro. A Federação também buscará compromisso institucional das prefeituras de São Gabriel, Santa Isabel e Barcelos; além de fazer parcerias com o Sebrae para o desenvolvimento do artesanato.

    Cobertura: Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas

  • Assembleia da FOIRN tem início com exposições sobre a pandemia e fortalecimento do movimento indígena

    Assembleia da FOIRN tem início com exposições sobre a pandemia e fortalecimento do movimento indígena

    Francisco Baniwa oferece caxirí para as lideranças do Rio Negro e convidados na abertura da assembleia. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A tradicional cerimônia do Dabucuri de Patauá – com canto, dança e oferta de alimentos – marcou ontem quinta-feira, 26, a abertura da XV Assembleia Geral Ordinária Eletiva da FOIRN, que este ano traz o tema “Pandemia e os saberes tradicionais indígenas do Rio Negro”. Entre os assuntos discutidos no primeiro dia do encontro estão a necessidade do fortalecimento do movimento indígena e os desafios trazidos pela pandemia causada pelo novo coronavírus. A assembleia ocorre no campus do Instituto Federal da Amazônia (Ifam) em São Gabriel da Cachoeira (AM) e termina nesta sexta-feira, dia 27.

    Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, falou dos desafios enfrentados durante a pandemia e reforçou a necessidade da união dos povos indígenas. “A gente vive momento de ataques às organizações. A gente não tem que se perseguir de parente para parente. Temos que honrar nosso compromisso: nosso compromisso é com a causa, interesses territoriais, economia indígena, com a nossa sigla. Hoje a gente é respeitado como liderança, conhecido no Brasil, no mundo, como modelo de organização. Todos nós que passamos por essa diretoria somos guerreiros, deixamos história. Essa conquista é de todos nós. Se conseguimos representatividade moral e institucional isso é do movimento indígena do Rio Negro, não só da diretoria”, disse.

    DiretorPresidente da Foirn, Marivelton Rodriguês Baré na abertura da assembleia. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Ele também lamentou a perda de indígenas vítimas da Covid-19, entre eles importantes lideranças e conhecedores tradicionais do Rio Negro. Marivelton Baré coordenou os trabalhos do Comitê de Enfrentamento e Combate à Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira e, durante o encontro desta quinta-feira, apresentou as ações desenvolvidas pela FOIRN durante a crise em saúde. O uso dos remédios e práticas tradicionais dos povos do Rio Negro contra a Covid-19 também foi ressaltado. “Foi o que nos salvou”, disse a liderança.

    Ao lado de Marivelton Baré, compondo a mesa da Assembleia, estavam o vice-presidente da FOIRN, Nildo Fontes, Tukano; e os diretores Isaías Pereira Fontes, Baniwa; Almerinda Ramos, Tariana; Adão Francisco, Baré; e Carlos Neri, Piratapuya.

    Além de contar com a presença de delegados das cinco coordenadorias que representam os 23 povos do Rio Negro, o encontro em São Gabriel da Cachoeira teve a presença de lideranças nacionais e de indígenas da Região Nordeste e do Estado do Pará.

    Coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Nara Baré participa do encontro. Ela reiterou a necessidade de fortalecimento dos povos indígenas. “Com associações, parceiros, apoiadores, enfrentamos as pessoas que se colocam como nossos inimigos. Porque não somos inimigos de ninguém. Assim teremos o fortalecimento da representatividade da voz dos povos indígenas”, diz. Nara Baré é nascida em São Gabriel da Cachoeira e sua família é da Ilha do Mirí, no Alto Rio Negro.

    A diversidade cultural da Assembleia foi destacada pela jornalista do Instituto Socioambiental (ISA), Juliana Radler. “Este foi um ano muito desafiador que estivemos de luta e luto. Mas estamos fortes, vamos dar as mãos e enfrentar a pandemia de cabeça erguida e fortalecidos para um 2021 com mais trabalho. Nessa assembleia temos o movimento indígena do Rio Negro e do país, com Apib, Coiab, além de lideranças de outros povos. Estamos juntos na celebração da diversidade cultural do nosso país”, disse.  Juliana Radler representou o coordenador-adjunto do Programa Rio Negro do ISA, Aloisio Cabalzar.

    Coordenadora-executiva da Apib, Valéria Paye participou do encontro e traçou um panorama do movimento indígena, ressaltando desafios como direito ao território, superação da tutela e perda de conquistas durante o atual governo.

    Também participam da assembleia Alessandro Santo, Pataxó de Porto Seguro (BA), da União Nacional Indígena (UNI); Junior Xucuru, de Pernambuco, da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer); e o cacique Braz, do povo Tapuia do Pará. Eles apresentaram o canto Toré, tradicional do povo Xucuru, na língua Brobó.

    A Assembleia contou com delegações das cinco coordenadorias regionais do Rio Negro: Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI); Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié (CAIARNX); Associação Baniwa e Koripako (NADZOERI); Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes (DIAUWÌI); e Coordenadoriadas Associações Indígenas do Médio e BaixoRio Negro (CAIMBRN).

    Plateia formada pelos delegados das cinco coordenadorias regionais da Foirn. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Moradores das comunidades falaram sobre como enfrentaram a pandemia no território indígena e narraram momentos de angústia, em alguns casos com falta de estrutura e atendimento adequados. A estratégia mais utilizada foi o uso dos remédios e práticas tradicionais.

    Também nesta quinta-feira foram apresentados os novos coordenadores do Departamento de Mulheres do Rio Negro (DMIRN) e do Departamento de Adolescentes e Jovens do Rio Negro (DAJIRN) da FOIRN. Estarão à frente do DMIRN no período de 2021 a 2024 Dadá Baniwa e Larissa Duarte, da etnia Tukano. Para o Departamento de Jovens foram eleitos Elson Kene, Baré, e Gleice Maia, Tukano.

    O Dabucuri de Patauá que marcou a abertura do encontro foi oferecido pela coordenadoria NADZOERE. Secretário-executivo dessa coordenadoria, Juvêncio Cardoso explica que a cerimônia ocorre em agradecimento e marca a mudança de ciclos, como a época de determinadas frutas ou fenômenos do clima. No contexto do movimento indígena, a cerimônia marca o fim do ciclo do mandato que se encerra neste ano e, ao mesmo tempo, busca a melhoria e o fortalecimento para a nova gestão.

     Confira a programação completa:

    https://bit.ly/3nWq3aC

    Cobertura do evento: Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas

  • Valorização dos saberes indígenas: enfrentamento à  pandemia é tema da XV Assembleia Eletiva da FOIRN

    Valorização dos saberes indígenas: enfrentamento à pandemia é tema da XV Assembleia Eletiva da FOIRN

    Local da Assembleia será realizando no Auditório do IFAM-Campus São Gabriel da Cachoeira. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A XV Assembleia Geral Ordinária Eletiva da FOIRN acontece nesta quinta e sexta-feira, dias 26 e 27 de novembro, em São Gabriel da Cachoeira (AM), com o tema “Pandemia e os saberes indígenas do Rio Negro”. Delegações de todas as cinco coordenadorias regionais da FOIRN já estão na cidade garantindo representatividade à calha do Rio Negro. Este ano, a imagem que representa o encontro é uma pintura do artista plástico e liderança Feliciano Lana, da etnia Desana, que morreu em maio, aos 83 anos, vítima da Covid-19. A obra mostra a tradicional prática curativa dos pajés do Rio Negro. Além da pandemia, estarão em discussão temas como negócios socioambientais e o cenário do movimento indígena.

    Presidente da Foirn, Marivelton Barroso agradece e dá as boas-vindas aos delegados e convidados que participarão do encontro, que será realizado no campus do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) – Campus São Gabriel da Cachoeira, já que a Maloca/Casa do Saber da Foirn está em reforma. A assembleia seguirá as normas sanitárias para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. Esse cuidado estará presente até mesmo na decoração, que utilizará amostras de plantas tradicionais utilizadas no preparo de chás utilizados contra a Covid-19.

    A abertura, na manhã desta quinta-feira, será marcada por um dabucuri de patauá, ou seja, uma festa com oferta do fruto tradicional na região para recepção das delegações.  Dentro da programação, o Instituto Socioambiental (ISA) irá apresentar ações desenvolvidas em conjunto com a FOIRN, inclusive no combate à pandemia. Representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) vão traçar o panorama do movimento indígena.

    Delegados de todas as coordenadorias regionais  Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI); Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié (CAIARNX); Associação Baniwa e Koripako (NADZOERI); Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes (DIAUWÌI); e Coordenadoriadas Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (CAIMBRN) – vão expor as práticas tradicionais utilizadas em suas regiões no enfrentamento à Covid-19.

    Marivelton Baré coordenou o Comitê Interinstitucional de Enfrentamento e Combate à Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira e ressalta o esforço realizado para a construção de parcerias que garantiram o reforço dos serviços públicos de saúde na região, sendo um exemplo a implantação das Unidades de Atendimento Primário Indígena (Uapis) no território indígena. A iniciativa  foi executada após articulação entre Foirn, ISA, Expedicionários da Saúde e Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (Dsei-ARN).

    O presidente da FOIRN reforça a importância do resgate de remédios e práticas tradicionais durante a pandemia, tema amplamente debatido nas assembleias regionais. “Houve esse incentivo e discussão da valorização da nossa própria medicina tradicional, do nosso próprio conhecimento indígena. Os remédios caseiros, os benzimentos nos salvaram, nos livraram. A gente não é contra a medicina ocidental, mas também a medicina tradicional vale muito”, decla

    Durante a XV Assembleia será lançado o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) do Alto Rio Negro, elaborado em parceria entre FOIRN e ISA após processo de consulta. “O PGTA é nosso plano de vida do território. Ali nele estão as nossas reivindicações, o que a gente quer. O reconhecimento e valorização cultural, proteção, governança, educação, saúde, infraestrutura, comunicação, entre outras demandas necessárias, como promover e fortalecer a regularização das associações, políticas das mulheres e da juventude, com formação de jovens lideranças”, diz. A implantação dos PGTAs terá início em 2021.

    As camisetas do evento carregam artes do Feliciano Lana Dessana, vítima de Covid-19. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Outros importantes tópicos em discussão estão a criação do fundo de contribuição financeira do Rio Negro e a estruturação do Departamento de Negócios Socioambientais da FOIRN. “Estamos iniciando uma política de fortalecimento e fomento da economia indígena. É a geração de renda a partir de produtos que mostram toda a diversidade dos povos do Rio Negro”, diz Marivelton Baré.

    Confira a programação completa:

    https://bit.ly/3nWq3aC

    Cobertura do evento: Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas

  • Carta Manifesto de Indígenas Mulheres do Rio Negro

    Carta Manifesto de Indígenas Mulheres do Rio Negro

    Mulheres indígenas debateram saúde e protagonismo feminino indígena na pandemia de Covid-19|Ray Baniwa/Foirn

    Sobre a solicitação de Delegada Mulher em São Gabriel da Cachoeira/AM

    Nós, indígenas Mulheres, reunidas na VIII – Assembleia Eletiva do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN), da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), no município de São Gabriel da Cachoeira, representamos 91 associações e 750 comunidades indígenas, discutimos nossas pautas especificas, que são voltadas aos nossos direitos. Avaliamos e deliberamos que há uma necessidade da nomeação de uma nova DELEGADA MULHER para trabalhar conosco no atendimento contra a violência sexual e doméstica e discriminação contra a indígena Mulher. Nós cada vez mais estamos nos e empoderando sobre os nossos direitos. Nos últimos 02 anos, tivemos uma delegada que dialogou e acompanhou a indígenas mulheres vítimas de violência domesticas e outras violências, que consideramos importante continuar.

    Nosso município e nas comunidades indígenas, segundo a delegada Dra. Grace Jardim, apresenta alto índice de violência e violações de direitos das mulheres, sabemos que isso é devido em razão da falta de conhecimento de direitos e em razão da cultura machista de nossa sociedade. É primordial que o atendimento às mulheres pelo sistema de Segurança Pública seja realizado por uma mulher, pois somente assim nos sentimos acolhidas, como também

    É importante também que exista na Delegacia um atendimento especializado à mulher, com psicólogas, assistente social, Casa da Mulher, e outros atendimentos especializados no combate e enfrentamento à violência doméstica.

    Nós reivindicamos, ainda, que o Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN) da FOIRN, possa acompanhar diretamente a política pública voltada aos direitos das mulheres, especialmente, as ações relacionadas à Segurança Pública, para melhor acesso ao sistema de justiça, com o direito de denunciar e oferecer a nossa parenta um acolhimento humanizado, para se sentir protegida. Isso que queremos.

    Reivindicamos também uma Defensora Pública Mulher no município de São Gabriel da Cachoeira para que possa juntamente com a Delegada oferecer uma proteção a nossos direitos da mulher, pois vivemos em uma área muito remota e necessitamos de acesso à Justiça. Nossas parentes não têm condições de ir até a capital Manaus, sendo obrigação do Estado oferecer assistência jurídica no nosso município, como também aos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

    Além de trabalhar com o departamento, vimos a necessidade de uma Secretaria da Mulher que dialogue diretamente com as Organizações Indígenas, no processo de formação e acesso a seus direitos, com a promoção de cursos e oficinas em linguagem acessível, garantindo a interculturalidade, para que todas as famílias e mulheres possam ser parte participante dessa política de atendimento as mulheres e acesso a seus direitos.

    E nesse sentindo encaminhamos e aprovamos essa solicitação, para maior credibilidade segue a nossas assinaturas, por cada regional que ecoam vozes diversas das mulheres de 23 povos indígenas no Rio Negro.

    Saudações Indígenas das Mulheres do Rio Negro.

    São Gabriel da Cachoeira, 30 de outubro de 2020.

    Saiba mais: https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/mulheres-indigenas-do-rio-negro-fazem-chamado-a-autonomia-precisamos-perder-o-medo-de-falar

  • Jovens indígenas elegem representantes e reivindicam reforço na educação e ação contra mudança no clima

    Jovens indígenas elegem representantes e reivindicam reforço na educação e ação contra mudança no clima

    Participantes da IV Assembleia de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro realizado em São Gabriel da Cachoeira/AM

    Os dois novos coordenadores do Departamento de Jovens Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (DAJIRN/FOIRN) foram escolhidos nesta sexta-feira, 6 de novembro, durante a IV Assembleia Geral Eletiva de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro – Pandemia da Covid-19 e a Emergência Climática: Desafios para a Juventude Indígena do Rio Negro. Venceram as eleições para coordenar o DAJIRN/FOIRN entre 2021 e 2024 os jovens Elson Kene, de 27 anos, da etnia Baré, e Gleice Maia, de 18 anos, da etnia Tukano. Atualmente, os coordenadores do departamento são Adelina Sampaio, da etnia Desana, e Elson Kene.

    Entre os desafios dos novos coordenadores, estão dar continuidade ao fortalecimento do departamento, atuar junto ao poder público por medidas contra a emergência climática e por mais segurança. Essas foram algumas das demandas dos participantes da assembleia. Uma carta com essas reivindicações será encaminhada ao poder público, indicando. O documento indica, inclusive, a necessidade de o campus São Gabriel da Cachoeira do Instituto Federal do Amazonas (IFAM) passar a ser Instituto Federal Indígena do Rio Negro.

    Os jovens reivindicam também um terceiro coordenador que fique em Santa Isabel do Rio Negro ou Barcelos. Os atuais coordenadores do DAJIRN trabalham na sede da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira, e desenvolvem atividades no território indígena. Eles alegam que, como o território é muito extenso, o departamento centralizado não consegue dar voz à demanda de todos os jovens.

    Eleito para a coordenação do DAJIRN/FOIRN, Elson Kene já ocupa esse cargo, tendo assumido a função este ano, quando substituiu Lucas Matos, da etnia Tariano, que não terminou seu mandato por motivos pessoais. Elson Kene é professor, formado em licenciatura indígena no polo Cucuí da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Ele é da etnia Baré, mas nasceu e vive na comunidade Baniwa de Boa Vista, na Foz do Içana, e foi indicado pela NADZOERE (Associação Baniwa e Koripaco).

    A jovem Gleice Maia Machado, de 18 anos, é da etnia Tukano, tem ensino médio completo e mora do Distrito de Iauaretê. Ela foi indicada pela COIDI (Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê) e disse que pretende ajudar e representar os jovens de todas as etnias do Rio Negro. Os dois vencedores também foram os nomes indicados pela CAIARNX (Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié).

    Elson Kane Baré e Gleyse Maia Tukano foram eleitos para coordenar do Dajirn/Foirn na gestão 2021-2024. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A DIAWI´I (Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes) indicou Erinelson Piloto Freitas, Tukano, e Vera Lúcia Aguiar, Tukano. Já   CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro) indicou Lilia França, da etnia Baré. 

    Todas as cinco coordenadorias regionais da FOIRN participaram do encontro, que contou também com a presença de jovens indígenas da etnia Dãw. Cada uma das coordenadorias indicou os nomes que concorreram ao cargo de coordenador do DAJIRN. Tiveram poder de voto 10 representantes de cada coordenadoria regional.

    Advogada do Instituto Socioambiental (ISA), Renata Vieira acompanhou o processo eleitoral. Ela reforçou com os adolescentes e jovens que o Direito é um espaço de luta, ou seja, eles devem sempre estar na briga para que suas demandas sejam colocadas em prática.

    Esse é o primeiro encontro após o início da pandemia da Covid-19. Os jovens relataram sobre como suas comunidades enfrentaram a doença com o uso de remédios e práticas tradicionais. Falaram também sobre como o aquecimento global está interferindo na rotina dos indígenas. Informaram que querem dar prosseguimento aos estudos e, para isso, demandam mais apoio e estrutura do poder público. E pediram mais segurança, pois se sentem na linha de frente de problemas como alcoolismo, homicídio, suicídio.

    ATUAL GESTÃO

    Adelina de Assis Sampaio, atual coordenadora do Dajirn, apresenta relatórios de atividades do período de 2017-2020. Foto: Ana Amélia/ISA

    Um dos desafios enfrentados pela atual gestão foi a pandemia. O DAJIRN, assim como muitas instituições, precisou interromper projetos. Segundo Adelina Sampaio, o departamento deixou de realizar as oficinas e conscientização sobre os direitos dos povos indígenas que seriam realizadas no território.  

    Ela aponta que, ainda assim, o DAJIRN manteve as atividades. Adelina e Kelson participaram de entrega de cestas básicas e distribuição de máscaras. O Departamento de Adolescentes e Jovens atuou em conjunto com o Departamento de Educação da FOIRN mantendo diálogo com as secretarias de Educação municipal e estadual para acompanhar a suspensão e, em seguida, retomada das aulas devido à COVID-19.

    Sobre o tema do encontro, mudanças climáticas e Covid-19, Adelina Sampaio explica que são duas questões que estão impactando a vida dos jovens em seus territórios. “Temos ouvido jovens de outros territórios, até por meio de lives, para perguntar sobre a realidade em outros locais, saber sobre os impactos do desmatamento. Sabemos que o desequilíbrio no meio ambiente traz doenças. Não só Covid, mas dengue, malária. Então estamos discutindo esse tema no Rio Negro”, disse.

    ABERTURA

    A assembleia aconteceu quinta e sexta-feira (5 e 6 de novembro), no auditório do Colégio São Gabriel, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Os jovens desenvolveram grupos de trabalho e, a partir das discussões, apresentaram demandas.

    Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, participou da abertura do evento e até levou para casa, de presente, uma paca moqueada e beiju. Também estiveram na abertura a jornalista Juliana Radler, do Instituto Socioambiental (ISA); Mateus Vendramini, da Funai; Eraldina Machado, da FOIRN.

    Membros da FOIRN que fizeram parte do movimento de jovens indígenas e hoje ocupam outros cargos participaram do encontro e incentivaram os participantes. Entre essas pessoas estão Edneia Teles (Arapaso), Claudia Wanano, Elizângela da Silva (Baré), Ray Baniwa, e Janete Alves (Desana).

    Durante o primeiro dia da Assembleia, o Agente Indígena de Manejo Ambiental (AIMA), Mauro Pedroso, da etnia Tukano, falou sobre o calendário de ciclos anuais e políticas para adaptação das mudanças climáticas. O médico Guilherme Monção, do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (Dsei-ARN) falou sobre a Covid-19 no território indígena. 

    O encontro foi finalizado na tarde de sexta-feira, com uma partida de futebol entre os jovens indígenas do Rio Negro.