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Assembleia da FOIRN tem início com exposições sobre a pandemia e fortalecimento do movimento indígena

Francisco Baniwa oferece caxirí para as lideranças do Rio Negro e convidados na abertura da assembleia. Foto: Ray Baniwa/Foirn

A tradicional cerimônia do Dabucuri de Patauá – com canto, dança e oferta de alimentos – marcou ontem quinta-feira, 26, a abertura da XV Assembleia Geral Ordinária Eletiva da FOIRN, que este ano traz o tema “Pandemia e os saberes tradicionais indígenas do Rio Negro”. Entre os assuntos discutidos no primeiro dia do encontro estão a necessidade do fortalecimento do movimento indígena e os desafios trazidos pela pandemia causada pelo novo coronavírus. A assembleia ocorre no campus do Instituto Federal da Amazônia (Ifam) em São Gabriel da Cachoeira (AM) e termina nesta sexta-feira, dia 27.

Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, falou dos desafios enfrentados durante a pandemia e reforçou a necessidade da união dos povos indígenas. “A gente vive momento de ataques às organizações. A gente não tem que se perseguir de parente para parente. Temos que honrar nosso compromisso: nosso compromisso é com a causa, interesses territoriais, economia indígena, com a nossa sigla. Hoje a gente é respeitado como liderança, conhecido no Brasil, no mundo, como modelo de organização. Todos nós que passamos por essa diretoria somos guerreiros, deixamos história. Essa conquista é de todos nós. Se conseguimos representatividade moral e institucional isso é do movimento indígena do Rio Negro, não só da diretoria”, disse.

DiretorPresidente da Foirn, Marivelton Rodriguês Baré na abertura da assembleia. Foto: Ray Baniwa/Foirn

Ele também lamentou a perda de indígenas vítimas da Covid-19, entre eles importantes lideranças e conhecedores tradicionais do Rio Negro. Marivelton Baré coordenou os trabalhos do Comitê de Enfrentamento e Combate à Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira e, durante o encontro desta quinta-feira, apresentou as ações desenvolvidas pela FOIRN durante a crise em saúde. O uso dos remédios e práticas tradicionais dos povos do Rio Negro contra a Covid-19 também foi ressaltado. “Foi o que nos salvou”, disse a liderança.

Ao lado de Marivelton Baré, compondo a mesa da Assembleia, estavam o vice-presidente da FOIRN, Nildo Fontes, Tukano; e os diretores Isaías Pereira Fontes, Baniwa; Almerinda Ramos, Tariana; Adão Francisco, Baré; e Carlos Neri, Piratapuya.

Além de contar com a presença de delegados das cinco coordenadorias que representam os 23 povos do Rio Negro, o encontro em São Gabriel da Cachoeira teve a presença de lideranças nacionais e de indígenas da Região Nordeste e do Estado do Pará.

Coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Nara Baré participa do encontro. Ela reiterou a necessidade de fortalecimento dos povos indígenas. “Com associações, parceiros, apoiadores, enfrentamos as pessoas que se colocam como nossos inimigos. Porque não somos inimigos de ninguém. Assim teremos o fortalecimento da representatividade da voz dos povos indígenas”, diz. Nara Baré é nascida em São Gabriel da Cachoeira e sua família é da Ilha do Mirí, no Alto Rio Negro.

A diversidade cultural da Assembleia foi destacada pela jornalista do Instituto Socioambiental (ISA), Juliana Radler. “Este foi um ano muito desafiador que estivemos de luta e luto. Mas estamos fortes, vamos dar as mãos e enfrentar a pandemia de cabeça erguida e fortalecidos para um 2021 com mais trabalho. Nessa assembleia temos o movimento indígena do Rio Negro e do país, com Apib, Coiab, além de lideranças de outros povos. Estamos juntos na celebração da diversidade cultural do nosso país”, disse.  Juliana Radler representou o coordenador-adjunto do Programa Rio Negro do ISA, Aloisio Cabalzar.

Coordenadora-executiva da Apib, Valéria Paye participou do encontro e traçou um panorama do movimento indígena, ressaltando desafios como direito ao território, superação da tutela e perda de conquistas durante o atual governo.

Também participam da assembleia Alessandro Santo, Pataxó de Porto Seguro (BA), da União Nacional Indígena (UNI); Junior Xucuru, de Pernambuco, da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer); e o cacique Braz, do povo Tapuia do Pará. Eles apresentaram o canto Toré, tradicional do povo Xucuru, na língua Brobó.

A Assembleia contou com delegações das cinco coordenadorias regionais do Rio Negro: Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI); Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié (CAIARNX); Associação Baniwa e Koripako (NADZOERI); Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes (DIAUWÌI); e Coordenadoriadas Associações Indígenas do Médio e BaixoRio Negro (CAIMBRN).

Plateia formada pelos delegados das cinco coordenadorias regionais da Foirn. Foto: Ray Baniwa/Foirn

Moradores das comunidades falaram sobre como enfrentaram a pandemia no território indígena e narraram momentos de angústia, em alguns casos com falta de estrutura e atendimento adequados. A estratégia mais utilizada foi o uso dos remédios e práticas tradicionais.

Também nesta quinta-feira foram apresentados os novos coordenadores do Departamento de Mulheres do Rio Negro (DMIRN) e do Departamento de Adolescentes e Jovens do Rio Negro (DAJIRN) da FOIRN. Estarão à frente do DMIRN no período de 2021 a 2024 Dadá Baniwa e Larissa Duarte, da etnia Tukano. Para o Departamento de Jovens foram eleitos Elson Kene, Baré, e Gleice Maia, Tukano.

O Dabucuri de Patauá que marcou a abertura do encontro foi oferecido pela coordenadoria NADZOERE. Secretário-executivo dessa coordenadoria, Juvêncio Cardoso explica que a cerimônia ocorre em agradecimento e marca a mudança de ciclos, como a época de determinadas frutas ou fenômenos do clima. No contexto do movimento indígena, a cerimônia marca o fim do ciclo do mandato que se encerra neste ano e, ao mesmo tempo, busca a melhoria e o fortalecimento para a nova gestão.

 Confira a programação completa:

https://bit.ly/3nWq3aC

Cobertura do evento: Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas

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