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Eleição na FOIRN: presidente Marivelton Baré e vice Nildo Fontes Tukano são reeleitos para gestão 2021-2024

Marivelton Rodriguês Baré (em pé) foi reeleito presidente da Foirn para a gestão 2021-2024. Foto: Ray Baniwa/Foirn

Os gestores que estarão à frente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) entre 2021 e 2024 foram definidos nesta sexta-feira: o atual presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, foi reeleito para o cargo. O vice-presidente, Nildo Fontes, Tukano, também permanecerá no posto. A eleição ocorreu durante a XV Assembleia Geral Ordinária Eletiva da FOIRN, que este ano teve o tema “Pandemia e os saberes tradicionais indígenas do Rio Negro”. O encontro aconteceu em São Gabriel da Cachoeira (AM), na quinta e sexta-feira, 26 e 27, no auditório do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), seguindo as regras sanitárias para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.

“A gente não vai reduzir espaços e não vai reduzir ninguém, pois o nosso espaço é coletivo. Temos que focar nas nossas estratégias”, disse Marivelton Baré, em seu discurso logo após a eleição, lembrando que começou sua trajetória no movimento jovem indígena. Entre suas prioridades para a próxima gestão estão o fortalecimento institucional da FOIRN, gestão transparente e reforço das bases. Ele concorreu pela Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (CAIMBRN).   

Também se candidataram à presidência Nildo José, da Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes (DIAWÌI); Adão Henrique, da Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié (CAIARNX); e Janete Alves, da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI). Associação Baniwa e Koripako (NADZOERI) não apresentou candidato.

Cada uma das cinco coordenadorias regionais teve direito a 20 votos. Marivelton Baré recebeu 58 votos; Nildo Fontes teve 34; Janete Alves ficou com 5 votos. Adão Henrique não foi votado. Três votos foram anulados.   

As assembleias eletivas realizadas nos meses de outubro e novembro nas cinco coordenadorias regionais já tinham definido a diretoria que trabalhará em conjunto com a presidência. Foram reeleitos os diretores de referência Isaías Pereira Fontes, Baniwa; Adão Francisco, Baré; e Carlos Neri, Piratapuya. Eleita pela primeira vez para a diretoria de referência, Janete Desana, será a única mulher na diretoria da casa. Ela entra no lugar de Almerinda Ramos, do povo Tariano, liderança indígena, atual diretora executiva e ex-presidente e da FOIRN.

Coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Nara Baré participou da Assembleia em São Gabriel. “Foi um movimento vitorioso para todos nós. Queremos parabenizar os diretores eleitos, que executarão as demandas comunidades. Gostaria de fortalecer nossa parceria com a FOIRN. E é nosso dever enquanto organização a defesa de nossos territórios”, disse no encerramento do encontro.

Nara Baré, Coordenadora da Coiab participou da assembleia da Foirn em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Ray Baniwa/Foirn

O coordenador-adjunto do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA), Aloisio Cabalzar, parabenizou os eleitos e renovou a colaboração e trabalho conjunto com a FOIRN. “Esse caminho da FOIRN é um caminho iluminado, com muita contribuição para a região e povos indígenas. Estamos juntos”, disse.

Desafios da Covid-19 e as limitações impostas pelo Governo Federal aos povos indígenas estiveram presentes durante as discussões na XV Assembleia Eletiva. Por outro lado, o fortalecimento institucional da FOIRN e a reação dos povos indígenas frente à pandemia, com o uso e valorização dos remédios e práticas tradicionais, também foram ressaltados.

Durante a assembleia foi lançado o livro do Plano de Gestão Territorial e (PGTA) do Alto Rio Negro, elaborado em parceria pela FOIRN e ISA. Ex-presidente e diretores da FOIRN e convidados foram homenageados e receberam exemplares da publicação. Segundo Marivelton Baré, um dos desafios da nova gestão é buscar parcerias para garantir a execução do PGTA. “É nosso plano de vida do território. Ali nele estão as nossas reivindicações, o que a gente quer” disse.

Conforme Aloisio Cabalsar, o PGTA já vem sendo utilizado como referência para trabalhos nos territórios indígenas do Rio Negro. “O PGTA é exemplar em termos da profundidade do trabalho investido, envolvendo um processo amplamente participativo, com levantamento demográfico socioeconômico das condições de cada comunidade. O trabalho envolveu mais de 40 pesquisadores indígenas e possibilitou atualizar a base de dados.  Já é referência para instituições públicas e outras organizações que atuam nas terras indígenas. É um documento que forma base de trabalho e planejamento sólido para a região”, disse.

Jornalista do ISA, Juliana Radler apresentou os trabalhos da Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas, que vem atuando na produção de notícias no Rio Negro e este ano cobriu as eleições municipais em São Gabriel da Cachoeira, inclusive com entrevistas com os candidatos a prefeito. Os comunicadores fizeram a cobertura da XV Assembleia Eletiva da FOIRN. Um documentário sobre o encontro que reuniu indígenas de diversas etnias do Rio Negro está em processo de produção.

O reforço da economia indígena esteve em destaque durante o encontro: Marivelton Barroso divulgou que está em elaboração o Fundo Indígena do Rio Negro, em apoio a projetos das associações regionais para que essas organizações tenham autonomia de execução de projetos. O fundo, gerido pela FOIRN, deve lançar os primeiros editais no início de 2021.

Coordenadora do Fundo Podáali – Fundo Indígena da Amazônia, Valéria Paye informou que os primeiros editais serão abertos em 2021, com objetivo de fortalecer iniciativas indígenas, sempre com atenção na preservação ambiental e da cultura dos povos tradicionais. O fundo é gerido pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Também foi divulgada parceria entre Coiab e Unicef que beneficiará a os indígenas do Rio Negro, já havendo definição de bolsas para quatro comunicadores em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

Durante a assembleia foram aprovadas algumas demandas e deliberações. O Departamento de Mulheres Indígenas (DMIRN), o Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas (DAJIRN), o Departamento de Educação e o Conselho Diretor vão ter reforço de pessoal.

Também foi definido que a Foirn articulará para garantir o reconhecimento e registro dos tratamentos indígenas utilizados contra a Covid-19 e, ainda, para impulsionar discussões sobre a criação de centro de saúde indígena no Rio Negro. A Federação também buscará compromisso institucional das prefeituras de São Gabriel, Santa Isabel e Barcelos; além de fazer parcerias com o Sebrae para o desenvolvimento do artesanato.

Cobertura: Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas

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