Manaus (AM), 29 de julho a 1º de agosto de 2025 — A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), por meio do Departamento de Mulheres Indígenas (DMIRN‑FOIRN) e do Departamento de Adolescentes e Jovens (DAJIRN‑FOIRN), marcou presença no III Encontro dasCacicas, promovido pela Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas – MAKIRA‑E’TA, que teve como tema “Cuidar, proteger, transformar: estratégias de enfrentamento à violência contra mulheres, crianças, adolescentes, juventude, LGBT+ e idosos indígenas”.
O encontro foi realizado no auditório da Inspetoria Salesiana Missionária da Amazônia (ISMA), em Manaus, com apoio institucional da Funai, Fundo Indígena da Amazônia Brasileira (Podáali), Fórum Internacional de Mulheres Indígenas (FIMI), Operação Amazônia Nativa (OPAN), Articulação dos Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM), Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC) do Amazonas e Sistema de Educação para uma transformação Antirracista (SETA).
Este encontro dialoga com edições anteriores, como o 1ºEncontro de Cacicas, realizado em 19 de dezembro de 2023, em Manaus, que buscou promover o protagonismo das mulheres indígenas por meio de debates sobre gênero, diversidade, cultura e inclusão LGBTQIAPN+. Na ocasião, atividades culturais, rodas de conversa e exposições ampliaram trocas de saberes entre lideranças de diversas etnias.
O III Encontro teve como propósito criar um espaço de construção coletiva para enfrentar as múltiplas formas de violência que atingem indígenas dentro e fora dos seus territórios (mulheres, crianças, adolescentes, juventude, pessoas LGBTQIAPN+ e idosos).
Participaram lideranças indígenas de diversas regiões do Amazonas: Médio e Baixo Madeira, Purus, Sul e Baixo Amazonas, Solimões, Vale do Javari, região metropolitana de Manaus, além da Organização de Mulheres Indígenas de Roraima (OMIR). A programação incluiu rodas de escuta, grupos de trabalho temáticos, painéis, apresentações culturais e debates estratégicos entre os municípios e segmentos indígenas.
Assembleia e Carta‑protocolo
Durante o encontro, foi realizada a Assembleia de aprovação do Protocolo de Enfrentamento à Violência, um marco essencial para fortalecer a proteção coletiva nas comunidades do Rio Negro. Também foi concebida a “Carta Guardiãs do corpo e do território”, protocolo pós‑violência na saúde indígena, que será entregue a órgãos municipais, estaduais e federais para garantir respostas adaptadas às realidades culturais indígenas.
Vozes protagonistas
A coordenadora da MAKIRA‑E’TA, Socorro Baniwa, destacou a urgência de trazer à tona os desafios vividos pelos povos indígenas:
“Queremos que nossas demandas contra violências sejam atendidas com todas as nossas particularidades…”
Já Lucia Alberta, diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Funai, afirmou que o apoio da instituição às lideranças indígenas mostra o compromisso com a efetivação dos direitos e com a ampliação do protagonismo das mulheres indígenas nos processos decisórios:
“Apoiar e participar de um evento como este é contribuir para que os povos sejam protagonistas…”
O III Encontro das Cacicas da MAKIRA‑E’TA, com a presença da FOIRN, representou mais uma etapa fundamental na luta contra violências vividas pelas comunidades indígenas. A iniciativa fortaleceu redes de proteção, protagonismo cultural e político, e impulsionou a construção coletiva de protocolos adaptados às suas realidades. Ao longo de diferentes encontros, a MAKIRA‑E’TA reforça seu papel como liderança feminina indígena consolidada no cenário estadual, nacional e internacional.
Sede da Asiba – BarcelosComunidade CauburisComunidade Cauburis
Barcelos, AM – Entre os dias 4 e 8 de julho de 2025, importantes momentos de escuta e articulação ocorreram no Baixo Rio Negro. Lideranças e comunidades indígenas se reuniram em Barcelos em uma série de encontros históricos para impulsionar a demarcação das Terras Indígenas (TIs) Baixo Rio Negro e Caurés, e da aguardada TI Aracá-Padauiri. Diante de desafios que se arrastam há mais de duas décadas, a mensagem foi clara: a demarcação é um direito constitucional (Art.231 – CF/88), uma luta de gerações e uma garantia para o futuro.
As reuniões, organizadas pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), pela Associação Indígena de Barcelos (ASIBA) e pela Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio Rio Negro (CAIMBRN), aconteceram na sede da ASIBA e nas comunidades: Manacauaca, Dom Pedro II, São Roque e Cauburís. Com apoio da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM), o objetivo central foi esclarecer sobre o processo de demarcação, combater a desinformação e fortalecer a luta das bases do movimento indígena a favor de seus direitos.
Presidente da Foirn: Dario Baniwa – Comunidade São RoqueComunidade Cauburis
A Batalha por Território: Mais de 25 Anos de Resistência
A demarcação de terras no Baixo Rio Negro é uma saga de persistência. A TI Baixo Rio Negro e Caurés, localizada em Barcelos, tem uma história ainda mais antiga. As reivindicações pela área vêm desde os anos 1990. Devido à lentidão da FUNAI, apenas neste ano foi possível dar continuidade aos estudos de levantamentos fundiários para compor o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID).
Já a Terra Indígena Aracá-Padauiri, que abrange partes de Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro, encontra-se há anos em impasse burocrático, aguardando a publicação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) pela presidência da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI). Essa morosidade impede o avanço do processo, deixando as comunidades em longa espera.
Diretor da Foirn Carlos Nery – Comunidade São Roque
Essas reivindicações têm raízes históricas: no passado, as lutas foram contra a escravidão de indígenas piaçabeiros e o avanço de garimpeiros, madeireiros e extrativistas ilegais, que atuavam sem qualquer garantia trabalhista e sem respeitar os modos de vida tradicionais. Atualmente, a organização social e política garantida pelo movimento indígena continua lutando por melhorias na assistência e na implementação de políticas públicas. Hoje, ameaças como a pesca comercial e esportiva desordenada intensificam a urgência da demarcação e da proteção desses territórios.
A Força da Voz Indígena
Comunidade CauburisComunidade CauburisComunidade Cauburis
Durante os encontros, as lideranças falaram com clareza e firmeza. Marilene Gervasio Reis, presidente da ASIBA, ressaltou a importância do momento para “esclarecer dúvidas sobre a demarcação”, especialmente frente à desinformação crescente.
Comunidade São Roque – Rio CauresComunidade Manacauaca
Dário Emílio (Povo Baniwa), presidente da FOIRN, afirmou: “A demarcação de terras hoje é um direito de todos, e sabemos a importância da água e da terra. Precisamos recuperar o que vem se perdendo, pensando nas futuras gerações.” Ele reforçou o compromisso da FOIRN em ouvir as demandas das comunidades e atuar com apoio da FUNAI e do Instituto Socioambiental (ISA).
Presidente da Foirn- Dario Baniwa / Comunidade Manacauaca
Hélio Gessem, diretor da FOIRN, demonstrou preocupação com as TIs ainda não demarcadas, classificando-as como essenciais para “garantir a agricultura familiar, a pesca e o sustento das comunidades indígenas”.
fazendo uso da palavra – Diretor Helio Gessem , na Sede da Asiba
Carlos Alberto Teixeira Neri, também diretor da FOIRN, homenageou lideranças históricas, como o Sr. Braz França, e destacou que o objetivo é “reconhecer e fazer valer um processo que foi iniciado há mais de 20 anos”. Ele também confrontou a desinformação, reiterando que a FOIRN defende os interesses coletivos dos povos indígenas — e não interesses individuais.
Diretor Carlos Nery – Sede da AsibaComunidade Manacauaca
João Barroso, chefe da Coordenação Técnica Local da FUNAI em Barcelos, afirmou que o órgão acompanha de perto o processo e as ameaças sofridas pelas lideranças, muitas vezes oriundas de “empresários e indivíduos ligados ao governo municipal com interesses econômicos”. Ele reforçou o compromisso da FUNAI com a defesa dos direitos dos povos indígenas, assegurados pelo artigo 231 da Constituição Federal de 1988.
João Barroso (chefe da Coordenação Técnica Local da FUNAI em Barcelos) – Sede da Asiba
Demarcação e Turismo: Mitos x Realidade
Um dos temas com mais desinformação abordados nos encontros foi a pesca esportiva após a demarcação. O advogado Dr. Adriano, da assessoria jurídica da FOIRN, esclareceu que a demarcação não resultará na expulsão de não indígenas nem na proibição de atividades econômicas, mas sim na implementação de regras claras e justas.
Carlos Neri, com vasta experiência em turismo de pesca, afirmou: “Hoje coordeno nove projetos de pesca dentro de terras indígenas. Posso afirmar que não haverá problemas desde que se sigam as regras da legislação.” Ele explicou que a Instrução Normativa nº 03/2015 da FUNAI regula o turismo em TIs, exigindo um plano de visitação elaborado pelas associações em parceria com as comunidades. O plano, aprovado pela FUNAI, garante sustentabilidade e benefícios diretos às comunidades indígenas.
Líderes locais, como João Leandro da comunidade de Bacabal e Carlos Alberto da Paixão, presidente da Associação Indígena de Base Aracá e Demini (AIBAD), relataram e entregaram carta com reivindicação e denuncia de casos de forte aliciamento por empresas de turismo e pescadores comerciais que desrespeitam os territórios. Carlos Neri alertou sobre os perigos das fake news e o uso da tecnologia para disseminar desinformação por grupos com interesses contrários à demarcação.
O Chamado Urgente por Compromisso Governamental
Diretor Carlos Nery – Comunidade Cauburis
Embora as TIs estejam judicializadas e o governo federal tenha um prazo de dois anos para concluir o processo, a lentidão continua. A FOIRN reforça que é necessário um compromisso firme do governo brasileiro com os direitos dos povos indígenas do Rio Negro.
Vale lembrar que a demarcação das TIs é um direito assegurado pela Constituição aos povos que ocupam tradicionalmente essas terras — e não uma questão de consulta à população não indígena e tem regras para o processo.
A FOIRN, juntamente com suas organizações de base como a CAIMBRN e a ASIBA, permanece aberta ao diálogo e empenhada em combater a desinformação que tenta enfraquecer o processo. A demarcação é responsabilidade do Estado brasileiro, por meio da FUNAI. Por isso, qualquer informação legal deve ser buscada junto a esse órgão.
Além das terras mencionadas, o Rio Negro ainda tem outras TIs em processo, como a TI Jurubaxi-Tea, em fase de demarcação física, e a TI Cué-Cué/Marabitanas. A urgência da demarcação e o compromisso do Estado com os povos indígenas do Médio e Baixo Rio Negro ecoam como clamores históricos.
Dário Baniwa, presidente da FOIRN, finalizou reafirmando o compromisso da federação: “A gente não vai atuar contra vocês. Estamos aqui para ouvir, levar as demandas e dar continuidade a essa luta. É um trabalho diário, e cada um fazendo sua parte, iremos longe.”
A união das lideranças, a clareza dos argumentos e a força das comunidades reforçam: a demarcação não é apenas um direito, é uma urgência histórica e um passo essencial para a proteção ambiental e o futuro sustentável dos povos indígenas do Amazonas e do Brasil.
A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), por meio do seu Departamento de Educação Escolar Indígena (DEEI), realiza entre os dias 07 a 10 de julho de 2025, na comunidade Roçado, situada no rio Uneuxi (região da CAIMBRN), a Oficina Pedagógica de Formação de Professores Indígenas do Povo Nadëb, com foco na construção coletiva do primeiro Projeto Político-Pedagógico do Povo Nadëb (PPPN) no município de Santa Isabel do Rio Negro/AM.
Este evento configura-se como um marco histórico, político, pedagógico e epistêmico na trajetória da educação escolar indígena na região do Rio Negro. Pela primeira vez, o povo Nadëb — com sua riqueza sociolinguística, espiritual e ecológica — elabora um projeto pedagógico próprio, fundado em sua cosmovisão, em seus valores civilizatórios e nos modos tradicionais de ensino e aprendizagem, que se entrelaçam com os ciclos da floresta, das águas e do território.
A realização desta oficina pedagógica tem como base metodológica a perspectiva intercultural crítica, com centralidade nas epistemologias indígenas e no protagonismo dos professores, lideranças, anciãos e demais sujeitos formadores do território. A proposta pedagógica em construção rompe com o modelo hegemônico da escola monocultural e insere o povo Nadëb no debate nacional sobre a descolonização dos currículos e a reterritorialização dos saberes indígenas na escola.
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Durante os quatro dias de oficina, os participantes estão engajados em um processo dialógico de reflexão e sistematização de práticas educativas ancoradas em pilares fundamentais, como:
A sustentabilidade cultural e territorial como eixo estruturante da escola indígena;
A valorização da oralidade e da memória coletiva, com base nos conhecimentos dos anciãos e pajés;
A centralidade da língua Nadëb como veículo do pensamento e da pedagogia comunitária;
A governança pedagógica comunitária, fundamentada na autonomia e autodeterminação dos povos indígenas;
A integração dos saberes tradicionais e científicos de maneira complementar e respeitosa;
A construção de um currículo próprio, que articule tempo-escola e tempo-comunidade.
A ação é coordenada pela equipe técnica do DEEI/FOIRN, composta por Zilma Rosana, assessora pedagógica, Miguel Cortez, assistente administrativo, e Iracema Sanches, articuladora da Educação Escolar Indígena do município. A atividade conta ainda com o apoio estratégico da Secretaria Municipal de Educação de Santa Isabel do Rio Negro (SEMED/SIRN), representada pela pedagoga Suely Góis Coelho e pelo assistente administrativo Raniel Gonçalves, reafirmando a importância da corresponsabilidade institucional na efetivação dos direitos educacionais dos povos indígenas.
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A construção do PPPN não é apenas um instrumento técnico-burocrático, mas sim um manifesto político-pedagógico, que materializa o direito à educação diferenciada, específica e territorializada, conforme preconizado pela Constituição Federal de 1988, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN/1996) e pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena. Mais do que um documento institucional, o PPPN do povo Nadëb expressa a resistência, a ancestralidade e o projeto de futuro de um povo que, por séculos, enfrentou processos de invisibilização e negação de sua identidade. Agora, por meio da escola indígena, abre caminhos para a reafirmação de sua dignidade cultural, social e espiritual.
A FOIRN, por meio do DEEI, reafirma seu compromisso com a educação como território de luta, emancipação e reconstrução da memória dos povos indígenas. Este passo dado pelo povo Nadëb é um exemplo inspirador para os demais povos do Rio Negro e do Brasil, demonstrando que a educação indígena precisa ser construída com os povos e não apenas para os povos — com escuta, com diálogo e, sobretudo, com respeito profundo às epistemologias originárias.
A história da educação indígena em Santa Isabel do Rio Negro será reescrita a partir deste momento. E será escrita com a tinta da ancestralidade Nadëb.
De 30 de junho a 2 de julho de 2025 a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), por meio do Departamento de Negócios Socioambientais, realizou em São Gabriel da Cachoeira o Seminário de Avaliação e Monitoramento das Cadeias Produtivas e Construção do Planejamento Estratégico. O encontro reuniu coordenadores, técnicos, artesãos, produtores e parceiros, como o Instituto Socioambiental (ISA), para refletir sobre os avanços, desafios e estratégias da economia indígena no Rio Negro.
Essa economia, que se baseia na sociobiodiversidade, vai muito além da venda de produtos. É uma economia ancestral, enraizada nos saberes milenares dos povos indígenas, em seus sistemas agrícolas tradicionais e no manejo profundo e respeitoso do território. Cada produto da floresta — seja o artesanato, o mel, a pimenta Baniwa, o pescado ou os alimentos da roça — carrega conhecimento, cultura, espiritualidade e resistência.
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Economia indígena: floresta que vira floresta novamente
Durante o seminário, foi reforçado que as economias indígenas não se reduzem a insumos para a indústria. Ao contrário, elas promovem conservação ambiental, segurança alimentar, cultura e autonomia. As roças tradicionais, como as dos Baniwa, não transformam floresta em monocultura — transformam floresta em floresta novamente. São sistemas de produção que conservam, regeneram e fortalecem os modos de vida dos povos do Rio Negro.
Como destacou uma das participantes:
“É muito injusto olhar para essas economias apenas como fornecedoras de produtos. São sistemas inteiros de conhecimento ancestral, que inspiram inovações locais e até tecnológicas, mas cujos benefícios muitas vezes não são repartidos com os povos originários.”
Planejamento estratégico e fortalecimento institucional
Sob a coordenação de Luciana, do povo Tariano, o Departamento de Negócios Socioambientais vem sendo referência na temática da economia indígena. Criado em 2021 como resposta à demanda das lideranças indígenas por geração de renda com base nos saberes tradicionais, o DNSA atua como elo entre as comunidades, instituições públicas, parceiros e mercados.
Neste seminário, foram avaliadas as iniciativas em curso, como a loja Casa Wariró, o apoio às compras públicas via PNAE e PAA, o turismo de base comunitária, e o incentivo à produção e comercialização de alimentos e artesanatos. Também foi elaborado um novo plano estratégico, buscando maior integração entre as cadeias produtivas, fortalecendo o papel das mulheres, jovens e coordenadorias regionais.
Luciana destacou:
“Nós somos 64% mulheres envolvidas nas cadeias produtivas. O fato de termos uma mulher coordenando esse departamento representa um avanço importante dentro da FOIRN e uma conquista para as mulheres do território.”
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Próximas ações e perspectivas
Entre as ações previstas para os próximos meses, estão: Plano de Negócios da Kalipana, em Santa Isabel do Rio Negro, com datas a definir; Oficina de artesanato com cipó titica com o povo Hupd’äh, no Japú, em agosto; Encontro Geral de Produtores do Rio Negro, previsto para outubro; Fortalecimento das compras públicas, ampliando a presença dos alimentos da floresta na alimentação escolar e institucional; Lançamento da Wariro Sabores, nova frente de comercialização de alimentos tradicionais; Participação na Marcha das Mulheres Indígenas, representando as cadeias produtivas do Rio Negro.
O seminário também evidenciou como a Casa Wariró tem impactado diretamente e indiretamente a geração de renda nas comunidades, sendo ponte para que parceiros externos também acessem os produtos e apoiem as iniciativas locais.
Um modelo de economia do cuidado e da reciprocidade
A economia indígena do Rio Negro é uma economia do cuidado, do coletivo, da floresta em pé. Cada produto carrega a história de um povo, o manejo de um território e o conhecimento passado por gerações. Ao fortalecer essas economias, a FOIRN reafirma seu compromisso com a autodeterminação dos povos indígenas, a valorização da cultura e a proteção do território.
A coordenação do DNSA reforça que o trabalho continuará, com planejamento, escuta e articulação, conectando as comunidades às oportunidades, sem perder de vista o que sustenta tudo isso: o território, o conhecimento tradicional e a vida coletiva.
No dia 04 de julho de 2025, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), por meio do Departamento de Educação Escolar Indígena (DEEI), promoveu uma importante reunião técnica com a equipe da Secretaria Municipal de Educação de Santa Isabel do Rio Negro (SEMED/SIRN). O encontro teve como foco a articulação de ações conjuntas voltadas à implementação da atividade de Orientações Pedagógicas para a elaboração dos Projetos Político-Pedagógicos (PPPs) nas unidades escolares situadas em comunidades indígenas do município.
A reunião, realizada na sede da SEMED/SIRN, teve como objetivo principal definir estratégias metodológicas e operacionais que garantam a construção participativa dos PPPs, respeitando as especificidades socioculturais, linguísticas e históricas dos povos indígenas da região. Entre os pontos discutidos, destacaram-se a valorização dos saberes tradicionais, a promoção de práticas pedagógicas diferenciadas e a importância da escuta ativa das comunidades no processo de formulação dos projetos educativos.
A ação integra o plano estratégico do Departamento de Educação Escolar Indígena – DEEI/FOIRN para o fortalecimento da Educação Escolar Indígena, em consonância com a legislação educacional vigente, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas e os princípios constitucionais de respeito à diversidade étnica e cultural.
Como parte dessa iniciativa, está prevista a realização de uma oficina pedagógica entre os dias 07 e 10 de julho de 2025, na Comunidade Indígena Roçado, localizada na região da Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro e Afluentes (CAIMBRN). A oficina reunirá professores indígenas, lideranças comunitárias e equipes técnicas, com o intuito de promover espaços de formação continuada, reflexão crítica e elaboração coletiva dos PPPs, utilizando metodologias dialógicas e territorializadas.
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Para a assessora pedagógica da FOIRN, Zilma Rozana Azevedo Oliveira, “esse momento é fundamental para assegurar que a Educação Escolar Indígena se consolide com base na autonomia das comunidades, respeitando seus modos próprios de ensinar e aprender. O PPP é um instrumento político e pedagógico que precisa refletir a realidade e os projetos de vida dos povos indígenas”.
Miguel Cortez – Assessor Administrativo (DEEI/FOIRN)
Iracema Sanches – Articuladora da Educação Escolar Indígena (SIRN)
Márcia Zedan – Secretária Municipal de Educação (SIRN)
Suely Góis Coelho – Pedagoga da SEMED/SIRN
A FOIRN, por meio do DEEI, reafirma seu compromisso institucional com a construção de uma educação indígena de qualidade, contextualizada e construída a partir dos territórios, contribuindo para a afirmação das identidades e o fortalecimento da gestão educacional nas comunidades.
A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) através do Presidente Dario Baniwa, marcou presença no I Fórum Internacional Indígena sobre Segurança Pública, Justiça Social e Acordo de Paz em Contexto de Fronteira, que acontece em Tabatinga, Amazonas, de 23 a 26 de junho de 2025.
A convite da Articulação dos Povos Indígenas do Amazonas (APIAM) e da Federação das Organizações, dos Caciques e das Comunidades do Povo Ticuna (FOCCIT), a FOIRN participa ativamente deste encontro crucial. O fórum reúne diversas organizações indígenas da região amazônica e dos territórios fronteiriços de Brasil, Peru e Colômbia.
Parcerias Estratégicas para o Bem Viver Indígena.
O evento conta com o apoio fundamental de instituições e parceiros estratégicos que contribuem com conhecimento técnico, articulação territorial e apoio institucional. Entre eles estão:
• UNICEF Brasil – Coordenação Técnica para Assuntos Indígenas
• Amazon Conservation Team (ACT) – Brasil e Colômbia
• Fundación Caminos de Identidad (FUCAI) – Colômbia
• Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
• Centro de Trabalho Indigenista (CTI)
• Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
• Instituto Federal do Amazonas (IFAM)
A presença e o comprometimento desses parceiros são essenciais para fortalecer as ações conjuntas e a construção de estratégias voltadas ao bem viver, à proteção dos territórios e ao protagonismo dos povos indígenas na Amazônia.
Objetivos do Fórum: Enfrentando Desafios da Tríplice Fronteira
O I Fórum Internacional Indígena tem como objetivo central criar um espaço de articulação interinstitucional e transfronteiriça para enfrentar os desafios específicos dos povos indígenas da tríplice fronteira, tais como:
• Fortalecimento da Segurança Pública Indígena: O evento discute a necessidade de integrar instituições (municípios, estados, União) com lideranças indígenas para ampliar o alcance das políticas públicas que garantem documentos, proteção territorial, segurança climática e atendimento em saúde mental. A Funai, durante ações em Tabatinga, ressaltou a importância dessa integração.
• Enfrentamento ao Narcotráfico e Seus Efeitos Sociais: Tabatinga foi priorizada para a implantação do “Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social (CAIS) Povos Indígenas”, visando combater o uso problemático de álcool e drogas e diminuir a cooptação de jovens indígenas pelo narcotráfico.
• Promoção da Justiça Social e do Acesso a Direitos: O fórum busca facilitar o acesso dos povos originários aos sistemas de justiça, assistência social e saúde. Para isso, articula ações conjuntas via Sistema Único de Saúde (SUS), Sistema Único de Assistência Social (SUAS), Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e o sistema indigenista, com foco na inclusão social e no enfrentamento das vulnerabilidades.
• Construção de Redes Colaborativas e Conhecimento Local:
O encontro promove a criação de redes entre universidades (como a Unicamp), poder público, organizações indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Isso fortalece uma visão comunitária e territorial integrada em prol da segurança regional e da justiça social.
A Participação da FOIRN
A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) teve uma participação estratégica no I Fórum Internacional Indígena sobre Segurança Pública e Justiça Social. Nossas ações focaram em:
• Fortalecer a articulação política e institucional com outras organizações indígenas e autoridades públicas ligadas à segurança e justiça nos territórios indígenas.
• Compartilhar as experiências do movimento indígena do Rio Negro no enfrentamento a desafios como violências territoriais, presença de ilícitos e vulnerabilidades sociais, especialmente entre a juventude indígena.
• Contribuir para o debate sobre políticas públicas, baseando-se em experiências concretas de proteção comunitária, inclusão social, segurança cultural e defesa dos direitos coletivos.
• Reafirmar a importância do protagonismo indígena na construção de soluções sustentáveis e interculturais para problemas comuns aos povos da Amazônia, em especial nas áreas de fronteira.
A FOIRN reforçou ainda o papel fundamental das lideranças indígenas, das mulheres e da juventude na formulação de estratégias para a justiça social e a segurança em seus territórios.
Destacamos a necessidade de políticas que respeitem os modos de vida, os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), os Protocolos de Consultas das organizações sociais e a autonomia dos povos originários.
São Gabriel da Cachoeira (AM), 20 de junho de 2025
Lideranças indígenas das associações da Região Cué-Cué/Marabitanas, reunidas nos dias 19 e 20 de junho, reforçaram a urgência da conclusão das etapas administrativas finais da demarcação da Terra Indígena Cué-Cué/Marabitanas. A área foi declarada de posse permanente dos povos indígenas pela Portaria nº 1.703 do Ministério da Justiça, de 19 de abril de 2013, e representa um marco na proteção territorial no município de São Gabriel da Cachoeira, consolidando-o como o município com a maior extensão de Áreas Protegidas da União no Brasil.
foto: Reprodução
O encontro foi promovido pelas lideranças da CAIBARNX (Coordenadoria das Associações Indígenas do Balaio, Alto Rio Negro e Xié), com presença da FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), representada pelo diretor Edison Baré, e da APIAM (Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amazonas), por meio de Mariazinha Baré. Também participaram representantes da FUNAI, GT de lideranças Baré da região do Rio Negro e outras instituições governamentais.
foto: Reprodução
Durante os dois dias de diálogos, os participantes discutiram temas centrais para os povos indígenas da região, como os direitos garantidos pela Constituição Federal de 1988 (Art. 231), a Convenção 169 da OIT, os processos fundiários e os instrumentos de governança territorial, como o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) e o Protocolo de Consulta Livre, Prévia e Informada.
foto: Reprodução
Outro ponto de destaque foi o debate sobre a atual situação do processo de demarcação da Terra Indígena Cué-Cué/Marabitanas e a elaboração de um plano de ação coletivo para a conclusão definitiva do processo, em articulação com os órgãos competentes.
São Gabriel da Cachoeira: um território estratégico para políticas públicas.
São Gabriel da Cachoeira é o terceiro maior município em extensão territorial do Brasil, com 10.974.380 hectares, dos quais mais de 92% são compostos por Terras Indígenas e Unidades de Conservação. A TI Cué-Cué/Marabitanas, com 808.645 hectares, está localizada integralmente no município e tem aproximadamente 25% de sua área sobreposta ao Parque Nacional do Pico da Neblina. Essa configuração territorial complexa exige uma articulação específica para a gestão integrada entre os povos indígenas e o Estado.
Além do Parque Nacional, a Reserva Biológica Estadual do Morro dos Seis Lagos está completamente sobreposta à Terra Indígena Balaio, demonstrando o entrelaçamento entre áreas de conservação e territórios tradicionais, o que reforça a necessidade de reconhecimento, respeito e gestão compartilhada baseada nos PGTA’s.
O mapa apresentado durante o encontro ilustra essas sobreposições e a existência de uma “janela” territorial ainda sem destinação específica entre a TI Cué-Cué/Marabitanas e a TI Médio Rio Negro II, o que levou as lideranças a proporem uma adequação nos limites do Parque Nacional, alinhada às demandas dos povos da região e à proteção plena dos territórios indígenas.
Desafios urbanos e a urgência de um novo plano diretor.
foto: Reprodução
A área urbana de São Gabriel da Cachoeira, conforme o Plano Diretor de 2006, está delimitada em 1.580 hectares. No entanto, ainda restam 70.170 hectares passíveis de uso planejado para expansão da sede municipal. Diante das mudanças e necessidades urbanas ao longo dos últimos 19 anos, as lideranças indígenas destacaram a urgência de se elaborar um novo plano diretor que respeite os limites territoriais indígenas, os acordos de consulta e os princípios do desenvolvimento sustentável.
foto: Reprodução
A FOIRN, por meio de suas lideranças, reafirmou seu compromisso em continuar articulando os povos e associações da região para garantir o pleno reconhecimento dos direitos territoriais e culturais dos povos indígenas, fortalecendo o protagonismo das comunidades na gestão de seus territórios e na incidência junto aos governos.
São Gabriel da Cachoeira (AM), 18 de junho de 2025 – Na sede II da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), nesta terça-feira (18), de uma importante reunião interinstitucional sobre a implantação do campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) em São Gabriel da Cachoeira.
A reunião foi conduzida pelo Diretor-Presidente da FOIRN, Dário Casimiro, com a presença de representantes da UFAM, IFAM, SEDUC, SEMEDI, APIARN, COPIARN e DEEI/FOIRN. O encontro foi motivado por convite da assessoria da futura reitora da UFAM, que busca consolidar o projeto da nova unidade universitária no município, uma demanda histórica da região.
Foto: Joelson Felix Silva – DECOM/FOIRN
A professora Flávia Melo, representante da UFAM e integrante do grupo de transição da nova gestão da universidade, apresentou o andamento do projeto. Segundo ela, o Governo Federal já disponibilizou R$ 50 milhões para a construção do campus, que seguirá o modelo padrão da UFAM, com blocos acadêmicos, salas, auditórios e estruturas adaptadas à realidade local. Um destaque simbólico e cultural será a construção do auditório em formato de maloca tukano, com grafismos indígenas nos azulejos da edificação.
O projeto encontra-se atualmente em fase de avaliação no Ministério da Educação (MEC). Já foram realizados estudos topográficos e arquitetônicos no terreno, mas o início da obra depende do licenciamento ambiental e da aprovação final do projeto, com previsão de início da construção em 2026, com duração estimada de 22 meses.
Foto: Joelson Felix Silva – DECOM/FOIRNFoto: Joelson Felix Silva – DECOM/FOIRN
Durante a reunião, a FOIRN destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento do ensino superior indígena, mas também apontou preocupações com a ausência de participação indígena nas etapas iniciais do projeto. “Essa é uma conquista concreta e importante, mas é necessário garantir a participação e diálogo do movimento indígena, sobretudo na proposta de discussão e elaboração projeto político-pedagógico sobre o modelo de universidade que queremos para a região”, afirmou Dário Baniwa.
Outros participantes, como o coordenador do Departamento Escolar de Educação Indígena/FOIRN, Melvino Fontes, também destacaram a necessidade de maior escuta por parte da universidade. “A UFAM ainda não dialogou diretamente com as lideranças indígenas sobre a construção. O projeto precisa ter a cara da região e respeitar as especificidades dos nossos povos”, afirmou.
Foto: Joelson Felix Silva – DECOM/FOIRN
Representantes da SEMEDI, como Juvêncio Cardoso e Domingos Camico, também reforçaram a importância da construção coletiva do projeto, ressaltando que o envolvimento das instituições locais será essencial para o sucesso da nova unidade universitária.
O IFAM, por meio do professor Davi, sugeriu retomar o vestibular diferenciado para indígenas, nos moldes adotados pelo instituto, com aplicação de provas em línguas cooficiais da região (Tukano, Baniwa, Yanomami e Nheengatu).
Foto: Joelson Felix Silva – DECOM/FOIRN
Na reunião, foram Sugeridos os seguintes encaminhamentos:
Fortalecimento do diálogo institucional: A FOIRN propõe manter articulações com a UFAM, MEC e demais instituições locais para assegurar a inclusão dos povos indígenas em todas as etapas do projeto.
Apoio ao licenciamento do terreno: A FOIRN irá colaborar com o processo de licenciamento ambiental, inclusive com orientações sobre possíveis vestígios arqueológicos que possam afetar o terreno.
Participação indígena na proposta pedagógica: Será proposta a inclusão do movimento indígena na construção da proposta político-pedagógica do campus, valorizando saberes e metodologias próprias dos povos da região.
Articulação com a Prefeitura Municipal: A gestão municipal será mobilizada para garantir a infraestrutura externa à sede da UFAM, como a ponte de acesso ao terreno e deslocamento de rede elétrica, estação de tratamento de água.
Criação de uma coordenação local interinstitucional: Proposta de estruturação de um grupo local com FOIRN, UFAM, IFAM, SEMEDI, SEDUC e outras entidades, para acompanhar a execução do projeto.
Diálogo sobre vestibular indígena diferenciado: A FOIRN e o IFAM irão propor, junto à nova gestão da UFAM, a retomada de vestibulares específicos em línguas indígenas, com base na experiência do IFAM.
Acompanhamento da tramitação no MEC: As instituições acompanharão a análise do projeto pelo MEC e irão colaborar para a aprovação e início da licitação da obra.
Ampla divulgação do projeto nas comunidades: A FOIRN irá comunicar amplamente às comunidades indígenas sobre o andamento do projeto, garantindo transparência e mobilização social.
O encontro foi encerrado com a exibição de um vídeo institucional que apresenta a maquete virtual do futuro campus da UFAM. A professora Flávia Melo reforçou que a nova gestão da universidade, liderada pelos professores Tanara e Geone, está comprometida com o diálogo direto com o movimento indígena e com as lideranças de São Gabriel da Cachoeira, buscando garantir que esse projeto histórico avance com respeito à diversidade e às realidades locais.
“Este campus é uma conquista para os povos do Rio Negro. É fundamental que essa universidade traga valorização das culturas, línguas, conhecimento tradicional e manejo da sociobiodiversidade e protagonismo dos povos que aqui vivem”, concluiu o presidente da FOIRN, Dário Casimiro.
Com essa iniciativa, a FOIRN reafirma seu compromisso com o fortalecimento da educação superior pública, indígena e enraizada nos territórios do Rio Negro. Reforçamos que o modelo de educação indígena que defendemos é territorializado: construído a partir das realidades locais, em diálogo com os saberes ancestrais, respeitando os modos de vida dos povos e fortalecendo suas comunidades.
O mês de Abril indígena chegou,um período em que a luta e a voz dos povos originários ganham ainda mais força, com destaque na realização do Acampamento Terra Livre (ATL), a maior mobilização indígena do país. Em sua 21ª edição, o ATL se firma como um espaço essencial para que as reivindicações e a importância dos povos originários na defesa da Constituição sejam ouvidas.
Tendo como deste tema “APIB somos todos nós: Em defesa da Constituição e da vida”, Este encontro, considerado a maior assembleia do movimento indígena tanto no Brasil quanto globalmente, celebra também os 20 anos da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), evidenciando sua trajetória e força na luta pelos direitos originários.
A delegação do Rio Negro foi composta por representantes das cinco coordenadorias regionais da área de abrangência da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) a federação que representa os 24 povos indígenas do Rio Negro
Essa delegação incluía lideranças indígenas de diversos povos do Rio Negro e organizações como a : COIDI – Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê, NADZOERI- Organização Baniwa e Koripako, DIAWI’Í- Coordenadoria das Organizações Indígenas do Tiquié, Uaupés e Afluentes, CAIMBRN- Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro, CAIMBARNX- Coordenadoria das Associaçoes Indigenas do Balaio, Alto Rio Negro Xié, Associações Yanomami, ASIBA AMIDI, Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN), Departamento de Jovens e Adolescentes do Rio Negro (DAJIRN), Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), Rede Wayuri de comunicadores e o Jurídico Indígena da FOIRN. Um time diverso e preparado para atuar nas incidências e temáticas que serão debatidas durante toda a programação do ATL.
Brasília, se tornou novamente o chão de grandes discussões para os povos originários. Onde aconteceu nos dias 7 a 11 de abril de 2025, o ATL juntou milhares de indígenas para discutir e apresentar suas propostas em relação a temas urgentes que vivenciam diariamente em seus territórios.
A longa jornada de 4.338 quilômetros dos Rionegrinos, que partiu de São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas – município reconhecido por sua vasta diversidade cultural –, até a capital federal, Brasília, .Essa longa jornada simboliza a determinação incansável para se fazer presente nesta luta encansavel.
A delegação do Rio Negro (AM) levou para a discussão política pautas cruciais para suas comunidades, incluindo educação escolar indígena de qualidade, saúde integral e acessível, os impactos das mudanças climáticas em seus territórios e mais participação Indigena na COP30 que buscam também fortalecer as associações regionais, promover seu empoderamento e autonomia.
O diretor da FOIRN, Hélio Tukano, marcou presença na roda de conversa da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM), onde trouxe reflexões urgentes sobre a transição energética na Amazônia.
Ele reforçou a necessidade de garantir energia limpa e sustentável para os territórios indígenas, alertando:
“A Amazônia precisa de fontes de energia renováveis. Muitos só querem usufruir do presente, mas esquecem das futuras gerações.”
Apesar dos impactos ambientais, muitos povos indígenas ainda são forçados a utilizar fontes de energia tradicionais, poluentes e insuficientes. A luta é por justiça energética com protagonismo indígena.
Mulheres Indígenas em Destaque e a Realidade Yanomami
O Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN) teve um encontro importante com a presidenta da FUNAI, Joenia Wapichana. O objetivo central foi apresentar demandas cruciais para o bem-estar das mulheres e a proteção do território do Rio Negro. Foi apresentado um relatório sobre violências contra as mulheres indígenas em São Gabriel da Cachoeira, elaborado em 2024 pelo Instituto Socioambiental (ISA) em parceria com o DMIRN/FOIRN. Este relatório destaca a urgência da construção de uma Casa da Mulher Indígena, um espaço essencial para acolher e cuidar das mulheres rionegrinas em situação de vulnerabilidade. Além disso, foi entregue um documento formal solicitando a criação de um Centro Territorial de Logística (CTL) na região do Médio Rio Negro (CAIMBARNX).
O povo Yanomami do Rio Negro também participou ativamente do ATL, levando suas demandas para a roda de conversa “O Caso dos Yanomamis: Emergência Indígena” na tenda da COIAB. O encontro reuniu indígenas da Terra Yanomami da região do Rio Negro e do território de Roraima para debater a grave crise em seus territórios.
A liderança Yanomami Carla, representante da Associação de Mulheres Yanomami da comunidade de Maturacá, trouxe um relato impactante e urgente. Ela enfatizou a importância do espaço para dar voz aos desafios enfrentados, destacando as dificuldades que as mulheres e lideranças enfrentam para participar de grandes eventos como o ATL, e o crescente preconceito contra as mulheres Yanomami.
Carla fez um apelo por mais representatividade feminina, especialmente para aquelas que vivem em áreas de difícil acesso e para a juventude. Ela denunciou as ameaças diárias em seus territórios: doenças, prostituição e a devastação causada pelo garimpo ilegal.
“Passamos por esses riscos diariamente em nosso território, estamos perdendo os nossos jovens pelas doenças transmissíveis, bebidas alcoólicas e drogas, isso não faz parte da nossa cultura. Hoje trago a minha voz da aldeia, que ela se multiplique, que olhem de fato os nossos territórios, que a fiscalização seja mais comprometida”, lamentou Carla, clamando por mais atenção e fiscalização comprometida em seus territórios.
Ela finalizou sua fala com um apelo poderoso: “Hoje trago a minha voz da aldeia, que ela se multiplique, que olhem de fato os nossos territórios, que a fiscalização seja mais comprometida, deixo essa mensagem em nome de todas as mulheres Yanomami. Sua luta é a nossa luta!”
A busca por um futuro digno e sustentável, é o anseio central dos povos originários para as gerações presentes e futuras, que envolve principalmente a proteção da rica biodiversidade e da fauna de seus territórios ancestrais. Além disso, é fundamental a promoção de uma educação escolar indígena específica e de qualidade, que valorize suas culturas e conhecimentos. O acesso a uma saúde integral, que considere suas práticas tradicionais e necessidades culturais, é igualmente essencial. Por fim, essa visão de futuro exige o constante combate a todas as formas de violência, discriminação e racismo que ainda enfrentam.
A 21ª edição do ATL firmou-se manifestando suas reivindicações e reafirmando seu papel essencial na salvaguarda da Constituição e da vida.
São Gabriel da Cachoeira (AM), 29 de março de 2025
Entre os dias 25 e 29 de março, foi realizado o Intercâmbio de Conhecimentos e Práticas sobre a Gestão de Cadeias Produtivas entre Associações Indígenas do Norte da Amazônia, uma iniciativa promovida pela Aliança da Amazônia (ANA), Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e Instituto Socioambiental (ISA).
A atividade reuniu 22 representantes de associações indígenas, 5 assessores técnicos e 2 tradutores de cinco países da bacia amazônica – Brasil, Colômbia, Peru, Equador e Venezuela – que integram a Aliança da Amazônia, uma rede composta por 30 organizações da sociedade civil com três décadas de atuação conjunta com povos indígenas e comunidades locais.
Foto: Suellen Samanta – DECOM/FOIRN
O objetivo central do intercâmbio é fortalecer a gestão das cadeias produtivas da sociobiodiversidade, com atenção especial à cadeia do artesanato, que representa um importante elo entre a cultura tradicional e a geração de renda nas comunidades indígenas.
Foto: Suellen Samanta – DECOM/FOIRN
A programação teve início em Manaus, com visitas à Galeria Amazônica e ao Museu da Amazônia (MUSA), onde foi realizada uma roda de conversa com o diretor-geral do museu e a coordenação do ISA. Em seguida, os participantes se deslocaram para São Gabriel da Cachoeira, onde as atividades aconteceram na sede da FOIRN, na Maloca do Saber.
Foto: Elilson Pinto – Casa Wariro/FOIRN
A Casa de Produtores Indígenas do Rio Negro – Wariró foi um dos grandes destaques do intercâmbio, sendo apresentada como uma experiência exitosa de organização e comercialização de produtos indígenas. A história da Casa Wariró foi contada por Cecília e Gilda, duas importantes lideranças femininas que protagonizaram a sua criação. A iniciativa evidencia a força das mulheres indígenas na valorização da cultura e no fortalecimento das economias comunitárias.
Foto: Alexandre Gedilson – DECOM/FOIRN
No dia 28 de março, o grupo participou de um momento especial de vivência cultural nas comunidades Tuyuca e Itacoatiara Mirim, com apresentações tradicionais, culinária típica e partilha de saberes. Essas atividades proporcionaram uma imersão profunda na diversidade cultural dos povos do Rio Negro, reforçando os laços de solidariedade e interculturalidade entre os participantes do intercâmbio.
Foto: Alexandre Gedilson – DECOM/FOIRN
Ao longo dos cinco dias, o intercâmbio se consolidou como um espaço de aprendizado mútuo, escuta e articulação entre lideranças indígenas da Pan-Amazônia. A construção coletiva de soluções para os desafios enfrentados nas cadeias produtivas reafirma o compromisso da FOIRN e da ANA com a gestão sustentável dos territórios, a valorização dos conhecimentos tradicionais e o fortalecimento da autonomia dos povos indígenas.