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  • NOTA DE ESCLARECIMENTO

    NOTA DE ESCLARECIMENTO

    A Organização Baniwa e Koripako Nadzoeri, que congrega e representa 85 comunidades e 10 associações do povo Baniwa e Koripako que ocupam milenarmente a Bacia do Rio Içana, vinculada a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), vem a público esclarecer sobre o pronunciamento feito pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), nesta última terça-feira, dia 2 de fevereiro, na Tribuna do Senado Federal.

    O senador menciona uma carta de jovens lideranças indígenas Baniwa da comunidade de Castelo Branco na qual eles atacam organizações da sociedade civil e as acusam de tutelarem os indígenas e impedirem o desenvolvimento econômico. A Nadzoeri, coordenadoria da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), que representa os povos originários da calha do rio Içana e seus afluentes desconhece o conteúdo dessa carta feita por apenas uma das 85 comunidades e assinada por somente 50 pessoas, de uma população total de 6 mil indígenas que habitam a Bacia do rio Içana. Com isso, afirmamos que essa carta não representa os interesses do povo Baniwa e Koripako e sequer chegou ao conhecimento das suas lideranças tradicionais e de líderes eleitos e reconhecidos pelas organizações sociais e políticas do nosso povo.

    Os interesses de grupos empresariais que desejam explorar as terras indígenas sem passar pela consulta livre, prévia e informada parecem mover o senador Plínio Valério. O senador tenta criar um ambiente de hostilidade e de acusações infundadas contra organizações da sociedade civil que lutam pelos direitos indígenas no Noroeste Amazônico há mais de duas décadas e lutam por políticas públicas efetivas para o desenvolvimento da região e do bem viver dos povos indígenas.

    Lembrando que desde 2014 a região da comunidade de Castelo Branco tem sido foco de entradas ilegais de empresário do setor de mineração. Esse empresário que age na ilegalidade já foi registrado criticando a atuação de organizações indígenas e seus parceiros que defendem os interesses coletivos, tentando criar discórdia e criminalizar lideranças.

    Os povos indígenas não são tutelados por nenhuma outra instituição da sociedade civil, nem mesmo pelo Estado Brasileiro. Somos livres e temos pleno gozo de nossos direitos culturais, territoriais e coletivos, conforme está previsto no artigo 231 da Constituição Federal. Também temos direito à autonomia e à autodeterminação, conforme está previsto na Convenção 169 da OIT, de decidir sobre nosso presente e futuro e das atividades que desejamos realizar para o nosso desenvolvimento social, econômico e político.

    Hoje, existe o Plano de Gestão Territorial Ambiental do Rio Negro (PGTA) – http://www.pgtas.foirn.org.br – no qual existem diretrizes dadas pelas comunidades para o desenvolvimento do povo Baniwa e Koripako, assim como suas necessidades relacionadas a investimentos e políticas públicas. Afirmamos que as organizações da sociedade civil têm papel fundamental na construção coletiva e colaborativa do desenvolvimento sustentável em nossa região, suprindo muitas vezes a ausência de políticas públicas do Estado.

    Lamentamos que um senador do Amazonas demonstre tamanho desconhecimento sobre a nossa região do Noroeste amazônico e tente, por interesses econômicos, manipular a opinião pública contra organizações que trabalham em prol das populações indígenas na Amazônia brasileira.

  • Embaixador de Luxemburgo no Brasil Carlos Krieger chegou em São Gabriel da Cachoeira para conhecer e visitar as Instituições do município.

    Embaixador de Luxemburgo no Brasil Carlos Krieger chegou em São Gabriel da Cachoeira para conhecer e visitar as Instituições do município.

    A Federação das organizações indígenas do Rio Negro – FOIRN, o recebeu na manhã desta quinta- feira (28/01) na sala da presidencia, onde ele pôde conhecer os trabalhos que a Instituição desenvolve na região, área de atuação politica, demandas e desafios e também uma aproximação para garantir apoio financeiro de cooperação de algumas agências de Luxemburgo, isso foi ressaltado durante essa visita, participaram da conversa o Diretor Presidente da FOIRN, Marivelton Rodrigues Barroso (Povo Baré), a Coordenadora do departamento de Mulheres Indigenas do Rio Negro – DMIRN, Maria do Rosario (Povo Baniwa) e o presidente da Associação das Comunidades Indigenas do Médio do Rio Negro – ACIMRN, Adilson Joanico( Povo Baniwa). Também foi reiterado sobre as pautas: Gênero e Juventude, mudanças climáticas, atividades produtivas no âmbito da cadeia de valores produtos da sociobiodiversidade.



    A coordenadora do Dmirn apresentou a luta e o papel que ela e suas companheiras (Larissa Duarte( Povo Tukano) e Glória Braga (Povo Baré), representam na região do rio negro.
    “Ontem (27/01) foi uma data especial para nós, o departamento completou 20 anos de criação dentro da Federação, infelizmente não pudemos reunir as mulheres para essa grande festa por causa da covid19,” Comentou Dadá Baniwa.
    Está sendo organizado para outra data a definir a comemoração, momento de reflexão da luta e o protagonismo das mulheres indígenas.

    Joanico comentou sobre o funcionamento da casa de Frutas em Santa Isabel do Rio Negro, o desenvolvimento econômico para os povos indígenas que pertence a Associação, e conta com apoio de parceiros financiadores. A mudança Climática tem um impacto na vida nas comunidades ribeirinhas, o mesmo afirma que vai continuar lutando pelos direitos do povo que representa.

    “Ficou garantido que a interlocução deve continuar e que logo em breve a gente possa somar os esforços de cooperação de apoio às atividades pontuais no nosso contexto rionegrino.” Afirma Diretor Presidente Marivelton Barroso.

  • Reunião da Foirn com Secretário da SESAI reafirma a importância do diálogo com as organizações indígenas

    Reunião da Foirn com Secretário da SESAI reafirma a importância do diálogo com as organizações indígenas

    Dir. à esErnani Gomes, Dario Casimiro e Robson Santos da Silva. Foto: Reprodução

    Em uma agenda institucional em Brasília – DF, Dário Casimiro Baniwa (Diretor da Foirn) participou nesta quinta-feira, 20/01, de uma reunião com Robson Santos da Silva (Secretário da Secretaria Especial de Saúde Indígena – SESAI), Ernani Gomes (Ex -Coordenador do DSEI-ARN e atual Diretor de Atenção a Saúde Indígena – DASI), Auri Antunes de Oliveira (novo Coordenador do DSEI-ARN) e Jovânio Normando (Presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena do Alto Rio Negro – CONDISI).

    Com coordenador recém-nomeado, uma das pautas do encontro foi à continuidade e alinhamento dos trabalhos da nova gestão do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro, para a sequência e continuidade dos trabalhos iniciados na gestão anterior.

    Também foi destaque importância do diálogo e parceria institucional entre o movimento indígena e os espaços de discussões e proposição de melhorias, como as reuniões e assembleias no âmbito da Foirn que abrange os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos, onde o DSEI-ARN atua.

    Representante do CONDISI destacou a importância dos Conselhos Locais e Distrital de Saúde Indígena que são espaços onde os usuários participam e contribuem com propostas para o fortalecimento da Saúde Indígena no Rio Negro.

    Foram reforçadas as propostas e reivindicações das bases para o fortalecimento e melhoria da infraestrutura como a continuidade de construção de Polos Bases, melhoria e ampliação de comunicação para melhorar atendimento das equipes multidisciplinares, melhorias no transporte fluvial e aéreo, ampliação de contratações de Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN) e a importância da valorização da medicina tradicional principalmente nesse período de pandemia.

  • Oficina de formação da Rede Wayuri reúne comunicadores indígenas do Rio Negro 

    Oficina de formação da Rede Wayuri reúne comunicadores indígenas do Rio Negro 

    Comunicadores Indígenas da Rede Wayuri participantes da IV Oficina de Formação e reunião de planejamento. Foto: Adimilson Andrade/Foirn

    Comunicadores indígenas das diversas regiões do Alto Rio Negro (AM) estarão reunidos nos próximos dias – de 10 a 21 de janeiro -, em São Gabriel da Cachoeira, participando da IV Oficina de Formação em Comunicação. O encontro é realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA) e Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) com apoio do IDEM Institute e German Cooperation. 

    A oficina teve início na segunda-feira, 10/1, sendo que um dos primeiros destaques do primeiro dia foi a apresentação de atividades que vêm sendo desenvolvidas pela Rede Wayuri. Entre essas ações estão a produção do podcast Boletim Wayuri; o programa Papo da Maloca, veiculado na Rádio FM 97,2; atividades de formação nas comunidades; produção de vídeos; ações de comunicação para enfrentamento à Covid-19; cobertura da eleição municipal 2020; oficinas com profissionais da imprensa nacional, entre outros. A apresentação foi feita pela comunicadora Cláudia Wanano, coordenadora da Rede Wayuri.

    Ontem dia 10/01, estiveram presentes na oficina sendo 55 comunicadores indígenas da região do rio Negro e 12 pessoas da organização e instrutores da oficina. A Secretaria Municipal de Saúde realizou a testagem de Covid-19 em todos os participantes antes do início do evento. Com todos os testes negativos e protocolo sanitários estabelecidos foi dado início então a essa IV Oficina.

    Participam do encontro representantes de lideranças das cinco coordenadorias da FOIRN – Diawi´i, Nadzoeri, Caimbrn, Coidi e Caiarnx – que representam as 23 etnias que convivem no território indígena do Rio Negro, a diretora da Foirn, Janete Desana; as coordenadoras  do Departamento de Mulheres Indígenas (Dmirn) da FOIRN, Dadá Baniwa e Larissa Tukano; Coordenador do Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas (Dajirn), Élson Kene Baré e a equipe de Comunicação da FOIRN,  Gicely Ambrósio, Ray Baniwa, Eucimar Aires e Admilson de Andrade. As atividades acontecem no telecentro no ISA em São Gabriel. 

    Durante a oficina será aperfeiçoado o processo de produção do podcast Boletim Wayuri, com a realização de um programa com o tema da Covid-19, buscando informações sobre como a pandemia atingiu os 23 povos que vivem nessa região da Amazônia e como os indígenas retomaram seus conhecimentos para o enfrentamento à crise sanitária. 

    Cláudia Ferraz Wanano, Coordenadora da Rede Wayuri conduz abertura da IV Oficina de Formação. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Entre os palestrantes da IV Oficina de Formação em Comunicação estão importantes jornalistas à frente da produção de podcast. Uma delas é a jornalista Letícia Leite, que esteve à frente do Copiô Parente, primeiro podcast sobre e para povos indígenas, e em 2021 produziu o primeiro original GloboPlay com apresentação indígena. Nessa segunda-feira, primeiro dia do encontro, ela participou da oficina e reforçou a importância da Rede Wayuri para o jornalismo indígena. “O jornalismo indígena está se fortalecendo cada dia mais, e a Rede Wayuri é uma referência nessa área”, disse.

    Outro destaque é a participação do indígena Maickson Serrão, criador do podcast “Pavulagem – Contos da Floresta”, que narra o cotidiano da vida ribeirinha na Amazônia. 

    Haverá ainda apresentação da jornalista, roteirista e diretora de criação, Paula Scarpin, fundadora e produtora da Rádio Novelo (www.radionovelo.com.br).

    O tema Fake news será apresentado pela jornalista Tainã Maisani, do Idem. O encontro também contará com formação na área de audiovisual, com a profissional de audiovisual Diana Gandra e o cineasta indígena Moisés Baniwa. A produtora e pesquisadora Naiara Alice Bertoli é responsável pela organização do evento. 

    Além da oficina, será realizada durante o encontro a I Reunião de Planejamento Participativo da Rede Wayuri de Comunicação indígena, conduzida pela jornalista Juliana Radler, do ISA, e pela comunicadora indígena Cláudia Wanano. 

    No último dia da oficina vamos trazer atualizações sobre a oficina.

  • ACIMRN empossa nova diretoria em Santa Isabel do Rio Negro/AM

    ACIMRN empossa nova diretoria em Santa Isabel do Rio Negro/AM

    A nova diretoria da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (Acimrn), eleita no dia 05 de novembro de 2021 na comunidade Açaituba, durante a IX Assembleia Geral Eletiva da ACIMRN, tomou posse, no último dia 7 de janeiro, em uma tradicional cerimônia de posse, que a associação realiza quando começa cada nova gestão.

    O presidente eleito, Adilson da Silva Joanico, do povo Baniwa, destacou a importância e a responsabilidade de assumir uma das maiores associações de base da região do Médio Rio Negro, com uma trajetória de luta, de conquistas, como também de grandes desafios. Segundo ele, a união e parcerias são fundamentais para a continuidade dos trabalhos realizados pela associação até aqui.

    “Para mim será uma nova experiência na minha caminhada, espero me unir com várias pessoas e assim caminhar e trabalhar juntos em busca do bem viver para nossas comunidades e visando um futuro melhor para todos que fazem parte dessa associação tanto das comunidades indígenas e os indígenas moradores da cidade”, disse.

    “Como presidente e a diretoria eleita, temos o desafio de dar continuidade dos trabalhos iniciados na gestão anterior e buscar novos projetos para executar junto com as nossas comunidades. E mantendo sempre a luta e defesa dos direitos indígenas como principal missão da instituição, e é o que vamos continuar”, completou.

    Hoje com 28 anos, Adilson já acumulou várias experiências antes de ser eleito presidente, como Catequista, pesquisador Agente Indígena de Manejo Ambiental (AIMA), Comunicador Indígena da Rede Wayuri, Coordenador Indígena de Turismo de Pesca de Base Comunitária Rio Jurubaxi e Secretário da Acimrn (na gestão passada).

    Além da diretoria, Conselho Deliberativo e Fiscal também foram empossados durante a cerimônia, que contou com mais de 100 participantes, entre estes, lideranças históricas da associação e convidados como o Marivelton Barroso Baré (Presidente da Foirn), e representantes de organizações e instituições parcerias como Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami (Secoya), Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM), Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (DSEI-ARN), Fundação Nacional do Índio (FUNAI-CR Rio Negro). Representantes do poder executivo (prefeito em exercício e secretários) e legislativo do município de Santa Isabel também participaram da cerimonia.

    Diretoria eleita. Da esq. à dir. Adamor Pinheiro, Eliezer da Silva Sarmento, Eldenir dos Santos, Rodrison Murilo, Joaquim Rodrigues e Adilson Joanico

    Nome dos diretores eleitos:
    Presidente: Adilson da Silva Joanico – Baniwa;
    Vice: Joaquim Rodrigues Costa – Baré;
    Secretário: Rodrison Murilo Maia – Baré;
    Secretário Suplente: Eldenir dos Santos Bento – Baré;
    Tesoureiro: Eliezer da Silva Sarmento – Tukano;
    Tesoureiro Suplente: Adamor Pinheiro Serrão – Baré.

  • Nota Pública sobre enfraquecimento da proteção territorial em terras indígenas

    Nota Pública sobre enfraquecimento da proteção territorial em terras indígenas

    Marivelton Rodrigues Baré – Presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. Foto: acervo/Foirn

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), representante de 23 povos indígenas nos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, condena a decisão da Funai de retirar a legitimidade do órgão para desenvolver atividades de proteção territorial nas Terras Indígenas (TIs) ainda não homologadas pela União. Essa atitude aumentará a violência contra os povos indígenas no Brasil, que teve em 2020 o maior número de índios assassinados nos últimos 25 anos, com 182 mortes, de acordo com relatório do Cimi (Conselho Missionário Indigenista).

    No último dia 29 de dezembro, no apagar das luzes de 2021, o coordenador geral de Monitoramento Territorial da Funai, Alcir Teixeira, assinou ofício que delega à Polícia Federal, polícias Civil e Militar, Ibama, Sema e Sedam à resolução de conflitos, invasões e crimes ambientais em terras indígenas não homologadas. Com essa decisão, os Planos de Trabalho de Proteção Territorial (PTPT) da Funai só vão incluir atividades para terras homologadas e demarcadas por decreto presidencial e com registro imobiliário em nome da União.

    “A Funai sob o governo Bolsonaro pode mudar o seu nome para Funerária dos Índios. Um órgão que deve lutar pela defesa dos indígenas e pela demarcação e homologação das terras indígenas, só colabora com o aumento dos conflitos, invasões e violência. É um total absurdo essa medida e com certeza tem a ver com a tentativa desesperada do Bolsonaro de pagar dívida de campanha, na qual ele prometeu não demarcar nenhum centímetro de terra indígena”, enfatiza o presidente da Foirn, Marivelton Barroso, do povo Baré.

    Na área de atuação da Foirn na bacia hidrográfica do rio Negro, das 12 terras indígenas, oito são homologadas e quatro ainda estão em processo de demarcação. Com isso, a Foirn alerta para a vulnerabilidade da segurança das comunidades nessas terras (Baixo Rio Negro I, Baixo Rio Negro II, Cué-Cué Marabitanas e Jurubaxi-Téa), que ficarão ainda mais sujeitas a invasões, sobretudo, de pescadores ilegais, garimpeiros e outros ilícitos. Em 2020, mais da metade das mortes violentas de indígenas ocorreram na Amazônia, sendo 66 em Roraima e 41 no Amazonas. A Foirn considera que esse quadro terrível deve-se à política genocida do governo Bolsonaro, que ameaça a permanência das populações indígenas na floresta e fomenta à ilegalidade e a destruição da biodiversidade.

    Informações para a imprensa: (97) 9810-44598 – Comunicação Foirn

  • Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro realiza assembleia e elege nova diretoria

    Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro realiza assembleia e elege nova diretoria

    A XVI assembleia da Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (Acibrn) foi realizada na comunidade Tapuruquara Mirim no dia 20 de dezembro e reuniu 100 pessoas participantes, entre estes, 65 lideranças delegados das comunidades que compõem a associação.

    Mulheres Indígenas das comunidades associadas à ACIBRN participam da assembleia. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    Eleição da nova diretoria e avaliação dos trabalhos da gestão atual foram as principais pautas da assembleia que reuniu as comunidades Tapuruquara Mirim, Arurá, Itapereira, Nova vida, Irapajé, Castanheirinho, Mafi, Vila Nova, Cajuri, São Pedro, Livramento I, Boa Esperança e Bacabal, estas localizadas na Terra Indígena Médio Rio Negro I.

    Na apresentação dos trabalhos pela diretoria, foram destacados algumas dificuldades, especialmente no período da pandemia que afetou diretamente a principal atividade da associação, o Projeto Pesca Esportiva no Rio Marié. Mas, também avanços foram apresentados, como a aquisição de equipamentos e estruturas para o funcionamento da atividade e benefícios para as comunidades envolvidas.

    Antes de 2014 quando o projeto foi definido e lançado, já existia turismo de pesca no Marié de forma desordenada onde as empresas disputavam a exclusividade de acesso, firmando contratos precários diretamente com algumas lideranças, desconsiderando a organização das comunidades. Empresas e comunidades não assumiam as responsabilidades necessárias à gestão sustentável e participativa da atividade.

    A partir de 2014, a Acibrn junto com os parceiros como a Foirn, Instituto Socioambiental e órgãos governamentais como Ibama, Exército, Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira e da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas do Amazonas, organizou o projeto Marié, que além de gerar renda para as comunidades envolvidas, busca o dialogo com os modos de vida e conhecimentos tradicionais, respeitando a autonomia das comunidades indígenas e investindo em relações inovadoras entre empresas e comunidades. (Saiba mais: https://foirn.blog/2014/05/06/foirn-e-acibrn-firmam-parceria-para-desenvolver-a-pesca-esportiva-no-rio-marie/).

    Após oito anos, hoje, o projeto é considerado modelo de projeto de turismo e iniciativa sustentável em Terra Indígena, já garantiu benefícios de forma coletiva as comunidades por meio da Acibrn e Foirn. A partir desse projeto a associação conseguiu estruturar e manter base de vigilância do território em cumprimento ao plano de manejo e plano de proteção Territorial.

    O IBAMA é parceiro governamental do projeto que realiza avaliação dos estoques pesqueiros e capacidade de carga antes e pós-temporada anualmente.

    Eleição da nova diretoria

    Antes da pauta da eleição, a assembleia indicou de dois representantes da juventude para a Rede de Juventude Indígena e duas mulheres para a Rede de Mulheres, ambas as redes, são coordenadas pelos dois departamentos da Foirn, o departamento de jovens e departamento de mulheres.

    Orientado por um regimento interno elaborado e aprovado na assembleia, a eleição de nova diretoria foi composta por 02 chapas. A apuração apontou a vitória da chapa 02 por 50 votos. E chapa 01 ficou com 15 votos.

    Diretoria eleita na XVI Assembleia da ACIBRN realizada na comunidade Tapuruquara Mirim. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    A jovem diretoria da Acibrn para a gestão 2022 a 2025 será composta por:

    • Geovani da Costa Silva (Baniwa) – Presidente (Comunidade Bacabal)
    • Marivaldo Bruno do Nascimento (Baré) – Vice Presidente (Comunidade Vila nova)
    • Juscelino Benjamim da Silva (Baniwa) – Secretário Titular (Comunidade Castanheirinho)
    • Gama Brasão Lopes (Baniwa) – Secretário Suplente (Comunidade Mafi)
    • Evaldo Bruno Martins (Baré) Tesoureiro Titular (Comunidade Arurá)
    • Wilmer Maurício Dias Lozano (Wanano) Tesoureiro Suplente (Comunidade Nova Vida).

    A Foirn participou da assembleia representada por: Marivelton Rodrigues (Presidente), Glória Rabelo (Departamento de Mulheres), Sheinne Diana (Departamento da Juventude), Hildete Araújo (Secretaria Administrativa), Cloves Torres (Administrador de Equipes), Gilson Pascoal (Logística) e equipe de comunicação (Gicely Caxias, Eucimar Aires e Admilson Andrade).

  • Rede de Turismo Indígena do Rio Negro é criada no I Encontro de Turismo em São Gabriel da Cachoeira-AM

    Rede de Turismo Indígena do Rio Negro é criada no I Encontro de Turismo em São Gabriel da Cachoeira-AM

    O 1º Encontro de Turismo Indígena do Rio Negro ocorreu na comunidade de Duraka, situada na Terra Indígena Médio Rio Negro I, em São Gabriel da Cachoeira (AM), entre os dias 10 a 12 de dezembro. Reunir as iniciativas que já existem e identificar novas comunidades que desejam fazer parte deste roteiro foi um dos objetivos do encontro.

    Atualmente, existem 17 iniciativas de turismo indígena mapeadas na região, sendo algumas delas já em plena atuação, como o turismo de pesca esportiva em Santa Isabel do Rio Negro (rios Marié e Jurubaxi) e o roteiro Serras Guerreiras de Tapuruquara. O turismo Yanomami ao Pico da Neblina terá sua primeira expedição comercial em janeiro de 2022.

    Em um ambiente colaborativo com muitas trocas de informações entre as inciativas também aconteceram apresentações sobre a Cadeia de Turismo, Relação Anfitrião-Turistas e Cultura Alimentar como Atrativo Turístico.

    A mesa redonda sobre “Turismo como ferramenta de governança e segurança nos territórios indígenas”, contou com a participação de Marcos Wesley Oliveira-Coordenador Programa Rio Negro do ISA, Júlio José Araújo Júnior-Procurador MPF, Renata Carolina Correa Vieira- Advogada/ISA, Ricardo Peixoto-General 2ª BDA INF SL, Carlos Marcelo da Silva-Major 2ª BGDA INF SL, Ernani Sousa Gomes-Coordenador Dsei-ARN, Ernesto Rodriguês Estevão – Coordenador CAIMBRN e Marivelton Rodrigues Barroso-Diretor Presidente da FOIRN. A mesa discutiu a segurança e defesa dos territórios e papéis das organizações indígenas no território junto às iniciativas de turismo da região.

    O turismo em terras indígenas segue as diretrizes da IN03/2015, instrução normativa da Fundação Nacional do Índio (Funai) que, por meio do desenvolvimento de um Plano de Visitação, busca o protagonismo das comunidades indígenas na realização de turismo nos seus territórios.

    Rede de Turismo Indígena do Rio Negro

    Após as experiências compartilhadas e de debates sobre o tema, foi criado a Rede de Turismo Indígena do Rio Negro.

    O espaço será formado pela FOIRN, associações locais e suas inciativas que visa apoiar as iniciativas de turismo indígena contribuindo para o fortalecimento destas através da mobilização conjunta, da discussão de políticas públicas que apoiem o turismo indígena de base comunitária e da formação de parcerias com diversos setores da sociedade.

    Com apoio do projeto ForEco – Rainforest Foundation e Embaixada Real da Noruega (ERN), o encontro contou com a presença de Susy Simonetti, professora do curso de Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), doutora em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia e que vem trabalhando junto à comunidades no Mosaico do Baixo Rio Negro.

    O evento foi realizado pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e pelo Instituto Socioambiental (ISA)

  • Foirn realiza encontro “Fale Sem Medo” pelo Fim da Violência contra a Mulher Indígena

    Foirn realiza encontro “Fale Sem Medo” pelo Fim da Violência contra a Mulher Indígena

    Compartilhar as experiências da II Marcha das Mulheres Indígenas realizada no último mês de setembro, em Brasília, e construir plano de ação para o enfrentamento da violência de gênero e criar redes de apoio no Rio Negro são os objetivos do encontro.

    O encontro aconteceu nesta sexta-feira, 9 de dezembro, no Telecentro do Instituto Socioambiental (ISA), em São Gabriel da Cachoeira (AM), mediado pelas coordenadoras do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (Dmirn), Maria do Rosário (Dadá Baniwa), Larissa Duarte Tukano e Glória Rabelo Baré e Renata Viera, advogada do Instituto Socioambiental (ISA). 

    Durante o XI Encontro das Mulheres Indígenas do Rio Negro realizado em 2018, as mais de 200 mulheres indígenas elaboraram e publicaram o manifesto “os nossos princípios, desafios e compromissos” que orienta os planos de ações do Dmirn em várias linhas temáticas, entre estes, a violência contra a mulher e o fortalecimento da presença e participação de mobilização indígena regional e nacional. 

    Conseguir garantir a participação de 20 mulheres na II Marcha das Mulheres Indígenas em Brasília foi considerada pelas lideranças mulheres e coordenadoras do Dmirn, uma conquista das mulheres rionegrinas. 

    A marcha aconteceu na primeira semana de setembro em Brasília. Cerca de 20 mulheres indígenas do Rio Negro marcaram presença na mobilização das mulheres pelos direitos e pelos territórios. 

    Gloria Rabelo Baré: Nunca tinha participado de um evento assim tão grande. A marcha das mulheres que teve agora é uma experiência que vou levar para a vida toda. Estivemos lá reunidas junto com outras mulheres que lutam pelas suas terras, pelos seus espaços, como nós. Participar da marcha me transformou. Hoje, não fico mais calada, principalmente quando é para defender os direitos das mulheres. 

    Elizangela Baré: Quando saímos do nosso território aprendemos e adquirimos mais conhecimento para nossa luta. O mesmo acontece quando realizamos atividades dentro do nosso território. Cada vez que participamos de eventos conhecemos mais sobre as leis, os nossos direitos. Como lideranças, precisamos conhecer essas leis. 

    Rosilda Cordeiro Tukano: União das mulheres faz a força. E lá somamos força com mulheres de outras regiões pela demarcação de terras. Foi muito bom lutar ao lado de mulheres de todas as regiões. 

    Laura Tariana: Representar as mulheres da minha região foi o grande desafio. Coragem foi essencial. 

    Vanda Cardoso Piratapuia: Como foi a minha primeira vez, foi um desafio. Precisamos levar essa luta para frente como mulheres indígenas. Quebramos algumas barreiras. Como pela primeira vez conseguimos ter maior número de mulheres na marcha. 

    Lorena Tariana: Cada marcha é uma experiência. A minha nova participação na marcha foi mais uma nova experiência. Foi tenso. Dessa vez várias mulheres tiveram que acordar madrugada devido às ameaças da invasão do nosso acampamento. O evento nos ensina que cada mobilização é um desafio. Precisamos lutar porque hoje, nossos direitos estão sendo ameaçados. Conseguimos nos destacar na marcha. 

    Izoneia Tariana: Foi um momento único. Como não saímos do nosso mundo, sair daqui e participar da luta das mulheres de outras regiões, que muitas vezes, vimos apenas pela mídia, é uma coisa importante que expande nossos horizontes. A luta delas nos motiva a também participar e fortalecer a nossa luta pelos direitos indígenas e das mulheres. Nós mulheres já nascemos com essa força, mas, a marcha das mulheres me tornou mais resistente, fortalecida e segura. 

    Rosane Piratapuia: Foi muito bom voltar para o uma mobilização das mulheres, rever lideranças que conheci quando fiz parte do Departamento das Mulheres da Foirn. Percebi que muita coisa avançou, esses avanços também são resultados das mobilizações e luta das mulheres. Lá participamos junto com mulheres de outras regiões. Em um momento, assisti uma parente chorando, pois, as terras delas são as mais afetadas atualmente pelo agronegócio. Nesse sentido, precisamos lutar com elas, pois são nossos parentes. Estar lá foi um ato de resistência e união entre as mulheres indígenas. 

    Auxiliadora Dâw: Fiquei como segurança do acampamento da marcha das mulheres. Quando estamos lá, estamos lutando pelos nossos direitos, nossos territórios, pelos nossos filhos. Participar da marcha me deu experiência e me fortaleceu ainda mais como lideranças representantes das mulheres da região que represento (médio e baixo rio Negro).

    A atividade foi apoiada pelo Fundo Canadá e RCA.

  • Apoiadores e parceiros visitam projetos desenvolvidos pela Foirn no Rio Negro

    Apoiadores e parceiros visitam projetos desenvolvidos pela Foirn no Rio Negro

    Representantes da Rainforest Foundation Norway (RFN), Oficial da União Européia (UE) no Brasil e Instituto Socioambiental (ISA) passaram alguns dias no Rio Negro (16 à 20/11) para visitar a Foirn e alguns de seus projetos realizados com suas parcerias e apoio.

    A delegação foi composta por: Martina Bogado Duffner, Torris Tillmann Jager e Ellen Hestnes Ribeiro (RFN), Stefan Hermann Agne (EU), Aloísio Cabalzar, Natalia Pimenta, Rodrigo Junqueira, Jefferson Camarão e Bianca (ISA).

    A delegação cumpriu uma agenda de visita no Rio Negro. A primeira participação foi o II Encontro do Comitê Gestor do Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), realizado no dia 16 de novembro de 2021, na sala de reunião do ISA.

    A FOIRN através da coordenação do FIRN apresentou as suas atividades, abrangência e funcionamento. De origem alemã, Stefan Hermann Agne da delegação da União Europeia no Brasil, em sua apresentação disse que mora em Brasília e, é responsável pela cooperação entre a União Europeia e Brasil, entre o governo e sociedade civil, que também apoia os povos indígenas. Há seis anos a UE apoia ações voltadas para o projeto de Cadeias de Valores e encerra este ano, mas, vai continuar o apoiando especificamente os povos indígenas na Amazônia.

    Torris Tillmann Jager, Diretor da RFN está na função há 6 meses falou da sua primeira visita ao Brasil e ao Rio Negro no Amazonas e contou que quando a Ellen Hestine apresentou o projeto para ele e mostrou a foto da praia de São Gabriel da Cachoeira ficou feliz e encantado em continuar os trabalhos iniciados por ela anteriormente, em apoiar a FOIRN e aos povos indígenas do Rio Negro.

    Delegação visita Casa de Frutas Secas em Santa Isabel do Rio Negro

    Acompanhado pelo Diretor Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso do povo Baré, a delegação visitou um projeto desenvolvido por estes apoiadores no dia 16 de novembro no município de Santa Isabel do Rio Negro. Foram recebidos de forma calorosa pela população e lideranças da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN), com dança caxirí na cuia da cultura regional (nome da dança) e em seguida foi servido um jantar de comidas típicas.

    Na manhã do dia 17/11, a delegação participou de uma reunião no auditório da Escola Santa Isabel do Rio Negro , onde foram apresentadas as atividades do Departamento de Mulheres e Jovens Indígenas no Rio Negro, projetos e ações relacionados ao Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro e Turismo Comunitário em Terras Indígenas.

    A ACIMRN é uma associação de grande importância para as comunidades da região do médio Rio Negro, atualmente com estrutura e organização fortalecida com apoio dos parceiros e financiadores. Desde ano passado há uma representação do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN) e Jovens Indígenas do Rio Negro (DAJIRN) no âmbito da associação.

    A Casa de Frutas Seca é resultado do trabalho no âmbito do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (Reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil em 2010 pelo IPHAN) vai fortalecer a economia local, onde os produtores indígenas terão mais uma opção para a comercialização de seus produtos, além de seus clientes ou instituições.

    O beneficiamento e comercialização dos produtos remanescentes das vendas dos produtores indígenas da região serão através da Casa de Frutas Secas.

    Nessa reunião a delegação conheceu a nova diretoria da ACIMRN eleita no início de novembro, que terá a gestão entre 2022-2025.

    Comitiva visita a comunidade Cartucho – Médio Rio Negro

    No retorno de Santa Isabel do Rio Negro, 17/11, a comitiva fez uma breve parada na comunidade de Cartucho, onde os comunitários aguardavam com uma calorosa recepção. Germano Sanches Batazar, da etnia Baré, cacique da comunidade agradeceu aos visitantes pela visita. A oportunidade presidente da FOIRN falou da importância da parceria entre a Federação e o Instituto Socioambiental para desenvolver iniciativas inovadoras e sustentáveis em Terras Indígenas. E falou do Projeto Serras Guerreiras desenvolvido nessa região, e lançou o convite para os visitantes na próxima vez conhecer melhor a atividade dessa iniciativa.

    Visita a Casa de Produtores Indígenas do Rio Negro – Wariró

    A delegação fez uma breve visita a Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro – Wariró, onde pôde conhecer a diversidade cultural indígena do Rio Negro, um rico patrimônio material e imaterial que valoriza a cultura dos povos e estimular a geração de renda a partir da produção sustentável de produtos artesanais. A marca Wariró, um ser mitológico cuja morada está na serra de Curicuriari, ou Bela Adormecida, atualmente cartão postal de São Gabriel da Cachoeira, e está relacionado ao início do cultivo dos alimentos e da fartura nas roças.

    Comitiva visita Maloca do Conhecimento Baniwa de Itacoatiara Mirim

    Para finalizar a agenda de visita no Rio Negro, a comitiva visitou a comunidade de Itacoatiara Mirim no dia 18/11, nas mediações de São Gabriel para realizar trilha ecológica com Sr. Luiz Baniwa, cacique da Casa do Conhecimento Baniwa que conduziu a equipe para um passeio e conhecer um pouco do seu costume e sua cultura.