Tag: Mulheres Indígenas

  • Ampla participação das mulheres Yanomami marca V Assembleia da Kumirayõma

    Ampla participação das mulheres Yanomami marca V Assembleia da Kumirayõma

    Mulheres Yanomami em assembleia protestam contra PL 490/2007 em Maturacá – TI Yanomami. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    A V Assembleia da Associação Kumirayôma de Mulheres Yanomami foi marcada pela ampla e crescente presença do público feminino. O encontro aconteceu de 14 a 16 de julho em Maturacá, comunidade no território Yanomami em área do município de São Gabriel da Cachoeira (AM).

    Na abertura a presidente da Kumirayôma, Érika Yanomami destacou o momento histórico do fortalecimento da participação das mulheres yanomami nos encontros e assembleias. “Estou feliz pela participação cada vez mais forte das mulheres nas assembleias e no protagonismo na luta pelos direitos e valorização da cultura”, afirmou.

    Erika Yanomami presidente da Associação Yanomami conduziu os trabalhos durante os trabalhos durante a assembleia. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    “Em cinco edições, essa foi a que contou com maior participação das mulheres Kumirayõma lideranças das aldeias e maior participação da juventude do povo Yanomami. Os caciques da aldeia ouviram o clamor das mulheres nas reivindicações de direitos a serem respeitados na aldeia e isso é uma coisa boa, mostra a evolução do meu povo”, disse o indígena Valdemar Lins, jovem liderança Yanomami e membro da Foirn.

    A V Assembleia  das Mulheres Yanomami Kumirayõma reuniu cerca de 100 mulheres das comunidades Inambú, Maia, Nazaré, Auxiliadora, Maturacá e contou com participação dos departamentos de Mulheres Indígenas (DMIRN), de Jovens Indígenas (DAJIRN), Casa de Artesanatos Wariró.

    Durante os três dias de assembleia foram debatidos assuntos como Desnutrição Infantil e Planejamento Familiar, temas apresentados pela assistente social Giovana dos Santos.

    A FOIRN teve ampla participação. Foi realizada a Oficina de Artesanato e precificação das peças, conduzida pela Gerente da Wariró, Luciane Lima Mendes.

    Houve apresentação dos trabalhos e repasse de informações da Foirn e Dmirn pela coordenadora Larrisa Duarte e Glória Rabelo (da cidade de Santa Isabel do Rio Negro), além da participação do Departamento de Juventude – representado pela Coordenadora Sheine Diana SIRN e Valdemar Lins – em rodas de conversa.

    A Associação Amyk prestou contas de sua gestão e apresentou planos de trabalhos.

    Na assembleia  também foram eleitas a jovem comunicadora Dinalva Moura e duas representantes de mulheres da aldeia, sendo Natália Braga e Leandra Barbosa, que irão somar forças junto ao departamento de mulheres.

  • MULHERES INDÍGENAS LANÇAM CARTILHA SOBRE PLANTAS MEDICINAIS USADAS CONTRA COVID-19 NO RIO NEGRO

    MULHERES INDÍGENAS LANÇAM CARTILHA SOBRE PLANTAS MEDICINAIS USADAS CONTRA COVID-19 NO RIO NEGRO

    Cecília Albuquerque – Piratapuia, fundadora da Assai e conhecedora tradicional, apresenta a cartilha. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Mulheres Indígenas de várias etnias do Rio Negro lançaram na manhã deste sábado, 20/03, a Cartilha Conhecimento Indígena: Plantas medicinais e receitas usadas contra a Covid-19 no Rio Negro, em iniciativa conjunta da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI) e Instituto Socioambiental (ISA), apoiada pela FOIRN.

    A cartilha é fruto de oficina realizada no início de setembro de 2020, idealizada pela indígena Cecília Albuquerque, da etnia Piratapuia, uma das fundadoras da ASSAI. Além de receitas, a obra compartilha depoimentos de conhecedores tradicionais sobre o uso da medicina tradicional na pandemia.

    “Nós Indígenas do Rio Negro reforçamos durante a pandemia de Covid-19 em 2020 o valor que a nossa medicina e nossos saberes ancestrais têm. Nós usamos muitos remédios feitos com plantas, cipós, raízes, folhas, tudo tirado dos nossos quintais ou da floresta. Nesse momento de angústia para toda a humanidade, esse conhecimento foi fonte de cura, esperança e resistência diante de uma doença desconhecida que não tem cura”, diz Cecília Albuquerque na apresentação da cartilha. Dona Cecília informa que o saber tradicional é complementar aos conhecimentos científicos: ela já tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19.

    Lançamento da cartilha comemorou o Dia do Artesão (19 de março). Foto: Ray Baniwa/Foirn

    No lançamento o Presidente da Foirn, Marivelton Rodriguês Baré destacou a importância da Assai, dos conhecimentos tradicionais no enfrentamento da Covid-19 e elogiou o trabalho desenvolvido pelas mulheres indígenas que fazem parte da associação. “É muitobom o trabalho que a Assai tem realizado, especialmente na produção de cartilha sobre a medicina tradicional. Precisamos destacar, dar visibilidade e valorizar esses conhecimentos indígenas. E a nossa obrigação é apoiar essas iniciativas e trabalhos que nossas associações de base realizam, como é o caso da Assai, que tem feito trabalho exemplar”, disse.

    Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígena (DMIRN) e diretora interina da FOIRN, Dadá Baniwa diz que a cartilha é importante para levar conhecimentos tradicionais inclusive a alguns indígenas que já não estão mais fazendo uso dos remédios da floresta. “A FOIRN e do Departamento de Mulheres incentivam o uso de remédios tradicionais em conjunto com as medidas de preventivas. Com essa cartilha fica mais fácil compartilhar esse conhecimento. Mulheres de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos já receberam a cartilha e vão ajudar nesse compartilhamento”, disse.

    O conhecedor tradicional Ercolino, da etnia Dessana, ajudou muita gente com benzimentos na primeira e segunda ondas da pandemia. Ele também já tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19. “Com os benzimentos e vacina, a proteção fica mais forte”, diz. Para evitar a terceira onda, ele recomenda evitar aglomerações, tomar a vacina e manter os tratamentos tradicionais.

    Dona Ilza da Silva, da etnia Baré, teve a Covid-19 na segunda onda e recomenda a todos que permaneçam tomando os chás. “Parece que a Covid-19 veio para ficar, não vai embora fácil. Então tem que continuar tomando os chás”, diz. Ela é uma das artesãs que compartilhou seus conhecimentos que estão na cartilha.

     A cartilha chega para fortalecer ainda mais a luta contra Covid-19 no Rio Negro. Apesar da chegada da vacina na região, os cuidados como uso de máscaras, lavagem das mãos com sabão e principalmente o uso da medicina tradicional é necessário e deve continuar. 

    Saiba mais: Indígenas recorrem à medicina tradicional no tratamento contra a covid-19

  • Protagonismo pelo bem viver indígena: Departamento de Mulheres da FOIRN elege suas novas coordenadoras

    Protagonismo pelo bem viver indígena: Departamento de Mulheres da FOIRN elege suas novas coordenadoras

    Indígenas da etnia Baniwa e Tukano são as novas coordenadoras do Departamento de Mulheres da FOIRN.

    Mulheres indígenas do Rio Negro participantes da VIII Assembleia Eletiva das Mulheres. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Após um dia de debates sobre propostas e demandas de mulheres indígenas, as duas novas coordenadoras do Departamento de Mulheres Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN) foram eleitas nesta sexta-feira (30). Venceram as eleições e vão comandar o departamento, de 2021 a 2024, Maria do Rosário Piloto Martins, a Dadá Baniwa, que concorreu pela coordenadoria NADZOERE (Associação Baniwa e Koripaco), e Larissa Duarte, da etnia Tukano, indicada pela coordenadoria DIAWI´I (Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes).

    Maria do Rosário Baniwa e Larissa Duarte Tukano foram eleitas para a gestão 2021 a 2024 do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro/Foirn. Foto: Ray Baniwa/Foirn


    A escolha ocorreu na VIII Assembleia Eletiva das Mulheres Indígenas, que teve como tema Protagonismo das Mulheres pelo Bem Viver Indígena no Rio Negro e aconteceu na quinta e sexta-feira (29 e 30), no ginásio do Colégio São Gabriel, em São Gabriel da Cachoeira (AM), com ampla representatividade das coordenadorias regionais da FOIRN. Mulheres de várias etnias, como Tukano, Baré, Tariano, Wanano, Yanomami, Dãw, participaram do encontro.


    Dadá Baniwa tem mestrando em linguística e línguas indígenas pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro, é fluente em Baniwa e disse que quer atuar em colaboração com a diretoria e coordenadorias da FOIRN, pensando em todos as mulheres do Rio Negro. Larissa disse que sempre conviveu com o movimento indígena, sendo que seu pai Sebastião Duarte teve participação da criação da FOIRN. “Sou mãe, mulher, artesã, trabalho na roça e sei representar as pessoas”, disse. Ela é falante da língua Tukano.


    No total, 55 mulheres votaram, sendo 10 de cada coordenadoria regional da FOIRN e cinco da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (Assai), representando a sede.
    Dadá Baniwa recebeu 23 votos, enquanto Larissa ficou com 11. Também concorreram ao cargo Margarida Maia, da etnia Tukano, representante da COIDI (Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê), e Belmira Melgaço, Baré, representado a CAIARNX (Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié). Cada uma delas teve 10 votos, sendo registrado um voto nulo. A CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro) participou do encontro, mas não apontou concorrente.


    As atuais coordenadoras, Elisângela da Silva, da etnia Baré, e Janete Alves, da etnia Desana, conduziram a assembleia e se mostraram satisfeitas com a mobilização feminina. Elas continuarão atuando no movimento indígena. Elisângela é do conselho fiscal da FOIRN e presidente da Associação das Mulheres Indígenas do Rio Negro (AMIRN). Janete Alves ocupará o cargo de diretora de referência da COIDI na FOIRN

    Mulheres de várias etnias compartilharam suas experiências de enfrentamento da covid-19 no Rio Negro. Foto: Ana Amélia/ISA

    Um importante encaminhamento do encontro foi uma carta-manifesto – assinada pelas mulheres de todas as coordenadorias regionais da FOIRN – reivindicando a manutenção de uma delegada mulher em São Gabriel da Cachoeira, além da implantação de uma Defensoria Pública, com titular mulher, e uma Secretaria Especializada da Mulher no município, para facilitar o acesso ao sistema de Justiça e garantir a proteção ao direito das mulheres. A atual titular da delegacia, Grace Jardim, é a primeira delegada mulher do município. Ela estruturou uma equipe feminina e atuou no combate à violência contra a mulher, mas deixará o município no final deste ano.

    Delegada Grace Jardim e Renata Vieira, advogada do ISA participaram da assembleia das mulheres indígenas do Rio Negro. Foto: Ana Amélia/ISA


    A carta-manifesto foi lida por Janete Alves. O documento será encaminhado às autoridades de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. Além disso, as mulheres querem o apoio do DMIRN/FOIRN para patentear os remédios tradicionais utilizados contra a Covid-19 entre os povos indígenas do Rio Negro. As práticas tradicionais foram amplamente utilizadas por essa população e, conforme os indígenas, foi o que evitou que a situação se agravasse.

    Delegadas vieram das cinco Coordenadorias Regionais da Foirn: Caiarnx, Caimbrn, Nadzoeri, Diawi´i e Coidi. Foto: Ana Amélia/ISA


    Durante a VIII Assembleia Eletiva, as mulheres cobraram iniciativas para garantir o bem viver e o reforço da estrutura das associações para que elas tenham autonomia de ações. Elas querem alojamentos para quando vierem à cidade, embarcações exclusivas para as suas atividades, combustível para viajar e mobilizar as bases, oficinas de capacitação e incremento de renda, atendimento à saúde, medidas de segurança, promoção das práticas tradicionais, entre outros.
    Primeira coordenadora do DMIRN e uma das fundadoras da Assai, a professora artesã Cecília Albuquerque participou da assembleia. Ela considera que um dos desafios da nova gestão é a articulação com as associações de base do território indígena. Para Cecília, é visível o fortalecimento das mulheres indígenas ao longo dos anos. “Eu vejo algumas pessoas que antes tinham medo de falar e agora estão aí falando, reivindicando”, disse.


    Advogada do Instituto Socioambiental (ISA), Renata Vieira auxiliou no processo eleitoral. Na abertura do evento ela falou sobre a abrangência da luta da mulher indígena. “A luta da mulher indígena não é uma luta por um direito que é só dela. A luta da mulher indígena é uma luta pelo território, pelos filhos, contra o alcoolismo, contra o suicídio. Pelo direito à saúde, à vida, à educação, transmissão do conhecimento. É ela quem ensina a língua ao filho. A luta da mulher indígena é de todos”, disse.
    Uma das convidadas para o encontro, a delegada Grace Jardim reforçou a necessidade de as mulheres vítimas de violência denunciarem o problema. “A denúncia é importante porque, só a partir dos casos registrados na base de dados, serão encaminhados recursos ao município”, explica. Uma das demandas da própria delegada para a cidade é um abrigo para as mulheres que precisam sair de casa para serem protegidas. Ela reconhece que as pessoas que vivem nas comunidades enfrentam maiores dificuldades para fazer denúncias, mas sugeriu que as coordenadorias discutam a criação de um meio de comunicação, com apoio das associações e FOIRN, para que os casos de violência cheguem até a Polícia Civil.


    PANDEMIA
    O tema do encontro – Protagonismo das Mulheres pelo Bem Viver Indígena no Rio Negro – levou a falas sobre o combate à Covid-19, com as mulheres trocando experiências sobre as práticas tradicionais que utilizaram no combate à doença. Entre eles estão chás, benzimentos e defumações. Algumas delas falaram em língua indígena, como Baniwa.


    Esse protagonismo pelo bem viver foi exercido inclusive durante o período mais agudo da pandemia. O DMIRN/FOIRN, em parceria com o ISA, desenvolveu a campanha Rio Negro, Nós Cuidamos, que arrecadou recursos para ações que incentivaram os indígenas a ficarem em suas aldeias, evitando a vinda à cidade e o risco maior de contágio. Além disso, o DMIRN atuou na distribuição de cestas básicas, material de limpeza e máscaras, além de auxiliar os parentes com informações sobre a Covid-19.


    As indígenas relatam que no território a maioria das pessoas contraiu a Covid-19 e se tratou usando remédios caseiros. A professora e liderança Enegilda Gomes Vasconcelos, de Taracuá, resume essa situação. “A Covid-19 deu foi em massa. As pessoas pegaram ser perceber que era essa doença. Todo mundo achou que estava gripado. Depois veio a equipe de saúde, fez o teste e comprovou que todo mundo teve a Covid-19. Agora temos algumas pessoas com sequela”, diz. Em Taracuá, assim como em todo o Rio Negro, os indígenas utilizaram as práticas tradicionais.

    GERAÇÃO DE RENDA

    O fortalecimento das mulheres por meio da geração da renda também foi debatido no encontro. Gerente da loja de artesanatos indígenas Wariró, Luciane Mendes de Lima, explicou que a unidade vem passando por reestruturação, com organização de cadastro de artesãos e fortalecimento do diálogo com os fornecedores que vêm das comunidades. Para incrementar as vendas, a equipe vem estruturando um catálogo com as peças, suas características, preços e disponibilidade. Também são feitos contatos constantes com os consumidores em várias partes do país. A boa notícia é que, mesmo durante a pandemia, a Wariró ampliou as suas vendas. Durante todo o evento, as indígenas promoveram uma feira para venda


    Questões sobre saúde da mulher e educação também foram abordados. A VIII Assembleia Eletiva das Mulheres Indígenas teve participação reduzida, com limitação de vagas em cada delegação, seguindo as regras sanitárias para evitar o contágio pelo novo coronavírus.


    Apoiaram a realização do encontro o Instituto Socioambiental (ISA), Campanha Rio Negro, Nós Cuidamos, Embaixada da Noruega, União Amazônia Viva, Mosaky, Aliança pelo Clima e Norwegian Rainforest Foundation.

    Por Ana Amélia/ISA e Ray Baniwa/Foirn

  • Unidas e fortes: mulheres Baniwa se mobilizam em associação

    Unidas e fortes: mulheres Baniwa se mobilizam em associação

    Mulheres Baniwa presentes na assembleia realizado na comunidade Buia Igarapé. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Na última sexta-feira, 28/08, mulheres Baniwa da região do Baixo Içana se reuniram na comunidade Buia Igarapé, na Terra Indígena Alto Rio Negro, para discutir a reativação da Associação das Mulheres Indígenas do Baixo Içana (Amibi). Participaram da assembleia as comunidades de Boa Vista, Wirarí Ponta, Jawacanã, Camarão, Ituim, Pirayawara e Assunção do Içana.

    A assembleia começou com uma apresentação do histórico da associação feita por Vírgilia Almeida, umas das líderes mobilizadoras do encontro. “A nossa associação é importante para nós. Através dela podemos nos fortalecer e lutar por aquilo que desejamos melhorar nas nossas comunidades”, destacou. “Ela (associação) ficou adormecida por muito tempo. Mas, agora é o momento de reativar e retomar os trabalhos”, completou.

    Presente na assembleia, a coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro, Elizângela da Silva Baré, frisou que uma associação fortalecida e ativa é importante para unir as mulheres e comunidades, contribuindo para a boa governança indígena do território. “Uma associação forte e ativa anima o trabalho das mulheres. Não só delas, mas, os homens também precisam participar e fazer parte de uma associação das mulheres”, disse.

    Professor da comunidade, Alípio Martins reforçou a importância da associação e da luta coletiva. “Aqui na região do Baixo Içana precisamos fortalecer a nossa associação para através dela buscar mais melhorias coletivas para nós, coisa que não temos feito nos últimos anos”, lembrou.

    Após as reflexões e debates, as mulheres se organizaram para definir e indicar nomes para concorrer à diretoria. Foi decidido que a escolha fosse feita por votação. Das duas chapas propostas, a segunda ganhou com a seguinte definição: Madalena Fontes Olimpio (Presidente), Sabrina Pereira (Vice-Presidente), Genilson Martins (Secretário), Alciane Gonçalves (Tesoureira), Neury Jane Martins (Conselheiro) e Alípio Martins (Conselheiro).

    Madalena Fontes Olimpio, presidente eleita da Associação das Mulheres do Baixo Içana. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    O encontro serviu também para exposição e venda de artesanatos, apresentação e distribuição da Cartilha sobre a prevenção da violência contra a mulher, para apresentação dos trabalhos e agenda de ações dos departamentos das mulheres e da juventude da Foirn, que terá suas assembleias eletivas nesse segundo semestre.
    As mulheres saíram fortalecidas da assembleia. “Nosso primeiro trabalho vai ser legalizar a nossa associação e começar os nossos trabalhos de mobilização e fortalecimento”, disse Madelena, a nova presidente eleita.

    Exposição de artesanatos durante a assembleia. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Cautela e preocupação nas comunidades

    Como as demais comunidades indígenas das regiões do Rio Negro, Buía Igarapé também registrou casos de covid-19 nos últimos meses. Incluindo um registro de óbito. Por isso, houve grande preocupação da coordenação da assembleia em seguir as orientações das autoridades de saúde, como o uso de máscaras e distanciamento social durante o evento.

    O diretor da Foirn de referência da região do Içana, Isaias Fontes, chegou de volta à comunidade Buia depois de uma viagem ao alto Içana e apresentou as preocupações das comunidades em relação a presença da covid-19 na região. E falou do trabalho de monitoramento através de oxímetro que está sendo feito pela Foirn em parceria com a Fiocruz-Amazônia através dos agentes indígenas de saúde nas comunidades. “Todas as comunidades Baniwa já foram infectadas, por isso estamos realizando esse monitoramento para acompanhar as situações e casos que precisam de atenção. Mesmo quem já pegou, precisa continuar se cuidando”, afirmou.

    Esse trabalho é feito através de treinamento dos agentes indígenas de saúde por um biólogo para monitorar pacientes que precisam de atenção e acompanhamento por parte dos profissionais de saúde.

  • Mulheres Rionegrinas participam do  III Diálogo Mulheres em Movimento: Fortalecendo Alianças Globais

    Mulheres Rionegrinas participam do III Diálogo Mulheres em Movimento: Fortalecendo Alianças Globais

    Encerra hoje o III Diálogo Mulheres em Movimento: Fortalecendo Alianças Globais, evento que reuniu mais de 120 mulheres de todo o Brasil, de outros países da América Latina e do Reino Unido.

    Do Rio Negro, duas mulheres participaram do diálogo: A Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro/Foirn, Elizângela da Silva Baré e Floriza da Cruz Yanomami – Presidente da Associação Indígena das Mulheres Yanomami (Kumirãyõma).

    A ação é é fruto de uma grande aliança que fortalece os movimentos liderados por mulheres na defesa da democracia. As instituições que realizam essa mobilização são: Fundo ELAS, British Council BrasilONU Mulheres Brasil, Fundação Ford, Global Fund for WomenInstituto Open Society, Instituto Ibirapitanga, Oak Foundation e Women’s Foundation of Minnesota.

    Ao longo de quatro dias, foram discutidos várias pautas como: o contexto da luta por direitos humanos, democracia e equidade de gênero, mapear oportunidades de alianças e traçar estratégias conjuntas para a agenda dos movimentos sociais liderados por mulheres e/ou pessoas LBT.

    No diálogo, as mulheres do Rio Negro, reafirmaram a luta pelos direitos, pelo território e o papel fundamental das mulheres indígenas na preservação da floresta através dos seus modos de vida.

    “Nossos pensamentos e como a gente quer viver têm que ser respeitados”, afirmou Floriza da Cruz, presidente da Kumirãyõma.

    Fundo Elas – Apóia projetos Mulheres Indígenas do Rio Negro.

    Através do edital Mulheres em Movimento 2019 – o Fundo Elas, aprovou dois projetos de mulheres do Rio Negro, as únicas do estado do Amazonas.

    Além do projeto elaborado pelo Departamento de Mulheres Indígenas da FOIRN, foi também aprovado, a proposta enviada pela associação das mulheres Yanomami. O projeto da Kumirãyõma terá sua execução e foco exclusivamente nas mulheres Yanomami. Do Departamento de Mulheres da Foirn, envolverá nas ações mulheres de diferentes etnias do Rio Negro.

    Os dois projetos tem como tema prioritários a mobilização das mulheres indígenas e fortalecimento de suas associações. As primeiras ações desses projetos já foram realizadas. Na primeira semana de agosto, aconteceu uma mobilização de mulheres e juventude do Distrito de Iauaretê.

    Outras atividades ainda serão realizados, e estaremos compartilhando o trabalho e a luta das mulheres aqui neste blog.

    Floriza da Cruz Yanomami – Foto: Fundo Elas/Divulgação
  • Feira reúne mulheres indígenas para homenagear o Dia Internacional da Mulher  na maloca da FOIRN em São Gabriel da Cachoeira

    Feira reúne mulheres indígenas para homenagear o Dia Internacional da Mulher na maloca da FOIRN em São Gabriel da Cachoeira

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    Mais de 50 mulheres participaram da Feira da Mulher organizado pelo Departamento de Mulheres Indígena da FOIRN na manhã deste domingo, 12/03, na maloca, em São Gabriel da Cachoeira.

    O evento foi dedicado à mulher indígena do Rio Negro para homenagear o Dia Internacional da Mulher, comemorado oficialmente no dia 8 de março. Na abertura do evento, o diretor Nildo Miguel Fontes, falou da importância do evento para as mulheres indígenas, e da comemoração do dia Internacional da Mulher, destacou também a importância do papel da mulher, especialmente a mulher indígena na sociedade, e também na luta pelos direitos.

    A coordenadora do Departamento de mulheres, uma das responsáveis pela organização do evento, lembrou o motivo da data, emocionada, disse, que historicamente as mulheres vem sofrendo discriminação e vários tipos de  violência. E afirmou que o objetivo do evento é reafirmar a luta pelos direitos, comemorar as conquistas, e afirmou que as mulheres nunca vão deixar de lutar pelos direitos, de conquistar o espaço que é delas por direito.

    As participantes assistiram palestras sobre a Saúde da Mulher Indígena com médica do DSEI – Alto Rio Negro e Empoderamento da Mulher com a produtora Cultural Danielle Nazareno. Nos dois assuntos, as mulheres presentes no evento, tiraram suas dúvidas e fizeram comentários sobre os assuntos.

    Teve exibição de vídeos e fotos do acervo da FOIRN de mulheres que participaram do movimento indígena, algumas delas, que foram funcionárias e diretoras da instituição.  Foram realizados sorteios de brindes e brincadeiras.

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    A FOIRN contou com a parceria do Instituto Socioambiental, CR Rio Negro/Funai e DSEI-ARNpara a realização do evento.

    Veja mais fotos no perfil do Ray Baniwa (comunicação FOIRN) no facebook nos link abaixo:

    Fotos: Post 1

    Fotos: Post 2

    Fotos: Post 3

  • Mulheres Indígenas do Rio Negro elegem nova coordenação para Departamento de Mulheres da FOIRN para gestão 2017-2019

    Mulheres Indígenas do Rio Negro elegem nova coordenação para Departamento de Mulheres da FOIRN para gestão 2017-2019

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    Verônica Ramos Pena da etnia Hupdah da Comunidade Nossa Senhora de Fátima da região de Iauaretê particiou pela primeira vez uma assembleia das mulheres indígenas do Rio Negro.

    Encerrou na tarde desta sexta-feira, 21/10, na maloca Casa dos Saberes da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – Foirn, a VII Assembleia do Departamento de Mulheres Indígenas que reuniu mais de 100 mulheres indígenas das diversas etnias do Rio Negro para discutir temas de interesse relacionados aos direitos dos povos indígenas e em especial da mulher indígena.

    No primeiro dia, a atual coordenadora da União das Mulheres Indígenas da Amazônia (Umiab) fez uma  apresentação do panorama atual da luta dos povos indígenas pelos direitos e a participação das mulheres nessa luta. “Vivemos atualmente num momento muito difícil para nós povos indígenas, muitas PECs ( Propostas de Emendas Constitucionais) tramitam no Congresso Nacional que querem tirar nossos direitos garantidos, como por exemplo a “PEC da Morte” (PEC 215/00). Por isso, precisamos nos fortalecer e continuar lutando”, diz.

    No segundo dia, Renato Matos,  Diretor da FOIRN fez um resumo da luta dos povos indígenas do Rio Negro pelos direitos através da FOIRN, destacou as conquistas como a Demarcação das Terras Indígenas e outras experiências exitosas como a Educação Escolar Indígena, Valorização Cultura e outros.

    O diretor lembrou que as mulheres indígenas sempre estiveram presentes no movimento indígena desde quando começou ainda nos anos de 1970, porém, só em 2002, resultados de reivindicações das mulheres foi criado na estrutura da Foirn o Departamento de Mulheres Indígenas. Lembrou ainda que o movimento é um só e que tanto homens e mulheres fazem parte do movimento indígena, por isso, não é um movimento separado.

    As atuais coordenadoras do departamento apresentaram o relatório de atividades, onde destacaram as realizações e as metas alcançadas. A Rosilda Cordeiro disse que na medida do possível as atividades de articulação, elaboração de pequenos projetos voltados para a exposição de artesanatos e encontro de mulheres foram realizadas ao longo dos anos em que estiveram na coordenação do departamento. “Podemos afirmar que conseguimos fazer alguns trabalhos dentro das nossas capacidades e condições para fortalecer as associações das mulheres. Um exemplo disso é a criação da Komirayõma a primeira associação de mulheres Yanomami”, disse.

    A Francinéia Fontes destacou que vários desafios  e projetos precisam ser feitos para que as mulheres através de suas associações se fortaleçam nas suas regiões para contribuir em várias áreas como na saúde, valorização cultural entre outros. Lembrou que o Projeto Telesaúde Indígena do Rio Negro desenvolvido pela FOIRN através do Departamento de Mulheres deve ser fortalecido nos próximos anos.

    Após cada apresentação foram feitos grupos de trabalhos e abertos momentos de discussões e debates em plenária, que resultaram em propostas que serão incluídas no plano de trabalho para a próxima gestão.

    Na tarde do segundo e último dia as candidatas à coordenação foram apresentadas, onde tiveram momento de discurso de apresentação de propostas caso eleitas. Após este momento, foi organizada a votação, onde cada associação presente através de suas delegadas participou da eleição.

    O resultado da eleição ficou:

    • Janete Figueireido Dessana – 18 votos (eleita);
    • Elizângela da Silva Baré – 18 votos (eleita);
    • Sônia Bitencourt – 15 votos;
    • Bernadete Artesã – 6 votos.

    Após a apuração dos votos as eleitas tiveram o uso da palavra pra reafirmar o compromisso de trabalho para os próximos anos no departamento e no movimento indígena do Rio Negro. Após isso, a  atual coordenação agradeceu todas as participantes mulheres e homens que contribuíram durante os dois de assembleia.

    Lembrou que só foi possível a realização do evento graças ao apoio da Fundação Nacional do Índio através da Coordenação Regional Rio Negro e parcerias com o Instituto Socioambiental – ISA e apoio institucional da Rainforest da Noruega, Horizont3000, Embaixada Real da Noruega e Aliança Pelo Clima.

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    Algumas imagens da assembleia:

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    Mulheres durante a eleição da nova coordenação. Foto: Ray Baiwa/Foirn

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    Francinéia Fontes e Rosilda Cordeiro – atuais coordenadoras do Departamento de Mulheres da Foirn. Foto: Ray Baniwa/Foirn

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    Elizângela da Silva e Janete Figueiredo são as coordenadoras eleitas para 2017-2019 do Departamento de Mulheres Indígenas. Foto: Ray Baniwa/Foirn

     

  • Mulheres Indígenas do Rio Negro buscam fortalecimento e reconhecimento de seus direitos

    Mulheres Indígenas do Rio Negro buscam fortalecimento e reconhecimento de seus direitos

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    Tanto no Brasil, como em outros países da América Latina, as mulheres indígenas desempenham historicamente um papel fundamental como agentes de mudança nas famílias, comunidades e na vida de seus povos.
    Porém, a cultura indígena sempre foi tratada com muito desprezo no Brasil, fora a imagem caricata com que os indígenas são representados e a apropriação que se faz de sua cultura. A ONU Mulheres destaca que as indígenas são essenciais em diversas economias, trabalhando por segurança e soberania alimentar, além do bem-estar das famílias e comunidades.
    As mulheres indígenas acabam sendo um grupo que pouco ouvimos falar — até mesmo pouco pensamos — quando falamos de Feminismo. Além do cotidiano indígena estar muito longe da maioria das pessoas, há o problema do desrespeito brutal a essas etnias.
    Os povos indígenas brasileiros são tratados como cidadãos de segunda classe, tendo suas vidas decididas por medidas governamentais arbitrárias e vivendo em constante conflito por disputas de terras, entre outras. As mulheres indígenas acabam sendo alvos de violência sexual, ameaças e assassinatos.
    Fora as dificuldades em relação à saúde e educação. Nesse contexto é que a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN, através do Departamento de Mulheres Indígenas, realiza a VII Assembléia Eletiva do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro. São 120 representantes das organizações representativas das mulheres rionegrinas, além de representantes do movimento de Manaus (AMARN) e da Amazônia Brasileira (COIAB).
    O evento que iniciou hoje, 20/10, encerra amanhã com eleição de novas coordenadoras do Departamento de Mulheres da FOIRN. O evento está acontecendo na maloca Casa dos Saberes da FOIRN em São Gabriel da Cachoeira.
    A agenda de discussões recobre, em geral, a garantia dos territórios tradicionais, o direito a saúde e educação diferenciadas, pois o entendimento mais ou menos é que “o movimento de mulheres indígenas é para fortalecer o movimento em geral, a política dos Povos Indígenas é única” disse, Rosilda da Silva, coordenadora do Departamento de mulheres da FOIRN, da etnia Tukana.
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    Texto: Miguel Maia – Colaborador
    Fotos: Ray Baniwa/Comunicação/Foirn
  • Associação das Mulheres Yanomami  realiza a primeira assembleia em Maturacá

    Associação das Mulheres Yanomami realiza a primeira assembleia em Maturacá

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    Foi histórico. Foi pela primeira vez que as Mulheres Yanomami tiveram um espaço exclusivamente delas para debater problemas, dificuldades e elaborar seus planos de trabalho em uma assembleia. A I Assembleia das Mulheres Yanonamis Kumirãyõma, aconteceu nos dias 21 a 23 de junho de 2016,realizou-se a Maturacá da região de Cauburis. Cerca de 60 participantes, entre estes lideranças locais, jovens, crianças e especialmente as mulheres Yanomamis das comunidades Nazaré, Ayarí e da comunidade local, debateram temas de interesse como o fortalecimento da participação das mulheres Yanomamis no movimento indígena do Rio Negro, a inclusão dos conhecimentos relacionados a confecção de artesanatos no espaço escolar e principalmente a contribuição delas nas ações de sustentabilidade e geração de renda para as comunidades.

    Outro tema importante discutido foi o manejo dos recursos utilizados para a produção dos artesanatos, que aos poucos vem se fortalecendo desde que a associação deles foi criado há quase um ano (que foi criado justamente com esse objetivo – fortalecer e organizar a produção das mulheres Yanomamis).

    Oficinas de artesãos e intercâmbios com outras experiências no âmbito do Rio Negro também foi considerado fundamental para fortalecer a iniciativa de comercialização de artesanatos. 

    “Esse trabalho (a realização da primeira assembleia) é resultado de uma luta e trabalho incansável que as mulheres tem feito”, disse cacique Júlio Góes Yanomami, que participou do evento e incentivou as mulheres Yanomami continuarem firmes no trabalho.

    A FOIRN marcou presença através da vice-coordenadora do Departamento de Mulheres, Francinéia Fontes e Leonéia Nogueira – gerente da Loja Wariró.

    “É muito bom ver as mulheres Yanomami se organizando através de organização e o interesse delas em fortalecer e valorizar a cultura deles, participar e ser protagonistas de ações que contribuem na sustentabilidade e geração de renda de suas comunidades. E o melhor nisso tudo é que elas  usam sua arte como identidade para se  apresentar ao mundo e conquistar seu espaço. E elas tem muita vontade em querer conhecer mais e participar da luta pelos direitos indígenas”, afirma Francinéia.

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    Para a realização da assembleia, a associação das mulheres Yanomami contou com parceria e apoio da CR Rio Negro da Fundação Nacional do Indio (Funai), Embaixada Real da Noruega (no âmbito do projeto Fortalecimento da FOIRN) e Rainforest Foundation (no âmbito do Projeto Direitos Indígenas).

    A FOIRN através da CAIMBRN ( Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro), representado pelo vice -coordenador Andrônico Benjamim, fez parte diretamente na organização e realização da primeira assembleia da  Kumirãyõma, associação das mulheres Yanomami, da região de Cauburis, Terra Indígena Yanomami.

    A assembleia contou com algumas colaboradoras: Luciana/ICMBIO, Maryelle/UFAM, Mariane/UFPE, Beatriz/IFAM.

    Fotos: Francinéia Fontes/FOIRN

  • Mulheres Indígenas: Assembleia da AMIRT em Taracúa – Uaupés elege nova diretoria para próximos 3 anos

    Mulheres Indígenas: Assembleia da AMIRT em Taracúa – Uaupés elege nova diretoria para próximos 3 anos

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    Cerca de 200 pessoas participaram da Assembleia Geral e Eletiva da Associação das Mulheres Indígenas da Região de Taracúa – AMIRT, realizado entre 20 a 21 de maio em Taracúa – Baixo Uaupés.

    O objetivo da assembleia foi discutir melhorias e fortalecimento do movimento indígena, especialmente das mulheres, elaboração de plano de trabalho para a associação para os próximos anos, e eleger a nova diretoria.

    Foi feito também a apresentação do relatório de atividades da gestão, onde, foram destacadas os trabalhos realizados, as conquistas, as dificuldades encontradas e os desafios. A apresentação do relatório incluiu questões como documentação, prestação de contas, articulação e escoamento de produção por meio do barco “Amireta”.

    A principal dificuldade encontrada durante a gestão foi a desistência de alguns membros da diretoria devido outras atividades. O barco Amireta, resultado de um projeto em parceria com a Fundação do Banco do Brasil, após entrega realizada em maio de 2015, se encontra com alguns problemas mecânicos, o que dificultou o escoamento da produção dos produtos das mulheres que fazem parte da AMIRT.

    Eleita a nova diretoria para 2016-2018.

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    A Assembleia elegeu a nova diretoria composta por:

    Maria Suzana Menezes Miguel – Presidente

    Maria Salete Barbosa Ribeiro – Vive Presidente

    Ozenete Lemos Castilho – 1a Tesoureira

    Carmem Lúcia da Silva Menezes – 2a Tesoureira

    Maria Jucelice – 1a Secretária

    FOIRN presente da Assembleia da AMIRT

    A Almerinda Ramos de Lima – Presidente da FOIRN, Rosilda Cordeiro/Departamento de Mulheres e Paula Menezes/Secretaria estiveram presentes na assembleia da Amirt realizado em Taracúa.

    A presidente reafirmou que o compromisso da FOIRN é lutar pelos direitos dos povos indígenas, bem como incentivar e apoiar associações indígenas para que eles se fortaleçam e desenvolvam ações que ajudem na melhoria da qualidade de vida das comunidades.

    A Coordenadora do Departamento de Mulheres, falou da importância da associação de mulheres da região de Taracúa, que há alguns anos também fez parte como diretora, para fortalecer e incentivar a continuidade de produção de cerâmica, atividade que vem sendo feito há vários anos, que foi o motivo que criou a associação. Disse ainda que, a diretoria precisa continuar firme para superar as dificuldades e não desistir, como vem ocorrendo.

    AMIRT contribuindo na sustentabilidade e valorização de conhecimentos tradicionais das mulheres Tukano.

    A Amirt desde sua fundação vem organizando e coordenando a produção de peças de cerâmicas feitas por mulheres da região de atuação. É uma das principais associações de mulheres que vendem seus produtos à Wariró – Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro.

    Com objetivo de melhorar a qualidade de produção e elaborar um plano de negócio, foi realizado uma oficina em Taracúa em janeiro deste ano, que teve como palestrante  André Baniwa, um dos idealizadores e coordenadores do projeto Pimenta Baniwa, que também colaborou com o histórico da OIBI (Organização Indígena da Bacia do Içana), na qual ele é presidente atualmente.

    > Experiência de comercialização da Pimenta Baniwa é tema de intercâmbio na Oficina de Cerâmica em Taracúa, médio Uaupés. 

    Além de contribuir na sustentabilidade, a Amirt por meio desta iniciativa vem contribuindo na valorização e transmissão dos conhecimentos tradicionais relacionados aos processos e técnicas de produção de peças de cerâmicas para a nova geração.