Tag: Povos do Rio Negro

  • Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro realiza assembleia e elege nova diretoria

    Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro realiza assembleia e elege nova diretoria

    A XVI assembleia da Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (Acibrn) foi realizada na comunidade Tapuruquara Mirim no dia 20 de dezembro e reuniu 100 pessoas participantes, entre estes, 65 lideranças delegados das comunidades que compõem a associação.

    Mulheres Indígenas das comunidades associadas à ACIBRN participam da assembleia. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    Eleição da nova diretoria e avaliação dos trabalhos da gestão atual foram as principais pautas da assembleia que reuniu as comunidades Tapuruquara Mirim, Arurá, Itapereira, Nova vida, Irapajé, Castanheirinho, Mafi, Vila Nova, Cajuri, São Pedro, Livramento I, Boa Esperança e Bacabal, estas localizadas na Terra Indígena Médio Rio Negro I.

    Na apresentação dos trabalhos pela diretoria, foram destacados algumas dificuldades, especialmente no período da pandemia que afetou diretamente a principal atividade da associação, o Projeto Pesca Esportiva no Rio Marié. Mas, também avanços foram apresentados, como a aquisição de equipamentos e estruturas para o funcionamento da atividade e benefícios para as comunidades envolvidas.

    Antes de 2014 quando o projeto foi definido e lançado, já existia turismo de pesca no Marié de forma desordenada onde as empresas disputavam a exclusividade de acesso, firmando contratos precários diretamente com algumas lideranças, desconsiderando a organização das comunidades. Empresas e comunidades não assumiam as responsabilidades necessárias à gestão sustentável e participativa da atividade.

    A partir de 2014, a Acibrn junto com os parceiros como a Foirn, Instituto Socioambiental e órgãos governamentais como Ibama, Exército, Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira e da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas do Amazonas, organizou o projeto Marié, que além de gerar renda para as comunidades envolvidas, busca o dialogo com os modos de vida e conhecimentos tradicionais, respeitando a autonomia das comunidades indígenas e investindo em relações inovadoras entre empresas e comunidades. (Saiba mais: https://foirn.blog/2014/05/06/foirn-e-acibrn-firmam-parceria-para-desenvolver-a-pesca-esportiva-no-rio-marie/).

    Após oito anos, hoje, o projeto é considerado modelo de projeto de turismo e iniciativa sustentável em Terra Indígena, já garantiu benefícios de forma coletiva as comunidades por meio da Acibrn e Foirn. A partir desse projeto a associação conseguiu estruturar e manter base de vigilância do território em cumprimento ao plano de manejo e plano de proteção Territorial.

    O IBAMA é parceiro governamental do projeto que realiza avaliação dos estoques pesqueiros e capacidade de carga antes e pós-temporada anualmente.

    Eleição da nova diretoria

    Antes da pauta da eleição, a assembleia indicou de dois representantes da juventude para a Rede de Juventude Indígena e duas mulheres para a Rede de Mulheres, ambas as redes, são coordenadas pelos dois departamentos da Foirn, o departamento de jovens e departamento de mulheres.

    Orientado por um regimento interno elaborado e aprovado na assembleia, a eleição de nova diretoria foi composta por 02 chapas. A apuração apontou a vitória da chapa 02 por 50 votos. E chapa 01 ficou com 15 votos.

    Diretoria eleita na XVI Assembleia da ACIBRN realizada na comunidade Tapuruquara Mirim. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    A jovem diretoria da Acibrn para a gestão 2022 a 2025 será composta por:

    • Geovani da Costa Silva (Baniwa) – Presidente (Comunidade Bacabal)
    • Marivaldo Bruno do Nascimento (Baré) – Vice Presidente (Comunidade Vila nova)
    • Juscelino Benjamim da Silva (Baniwa) – Secretário Titular (Comunidade Castanheirinho)
    • Gama Brasão Lopes (Baniwa) – Secretário Suplente (Comunidade Mafi)
    • Evaldo Bruno Martins (Baré) Tesoureiro Titular (Comunidade Arurá)
    • Wilmer Maurício Dias Lozano (Wanano) Tesoureiro Suplente (Comunidade Nova Vida).

    A Foirn participou da assembleia representada por: Marivelton Rodrigues (Presidente), Glória Rabelo (Departamento de Mulheres), Sheinne Diana (Departamento da Juventude), Hildete Araújo (Secretaria Administrativa), Cloves Torres (Administrador de Equipes), Gilson Pascoal (Logística) e equipe de comunicação (Gicely Caxias, Eucimar Aires e Admilson Andrade).

  • Rede de Turismo Indígena do Rio Negro é criada no I Encontro de Turismo em São Gabriel da Cachoeira-AM

    Rede de Turismo Indígena do Rio Negro é criada no I Encontro de Turismo em São Gabriel da Cachoeira-AM

    O 1º Encontro de Turismo Indígena do Rio Negro ocorreu na comunidade de Duraka, situada na Terra Indígena Médio Rio Negro I, em São Gabriel da Cachoeira (AM), entre os dias 10 a 12 de dezembro. Reunir as iniciativas que já existem e identificar novas comunidades que desejam fazer parte deste roteiro foi um dos objetivos do encontro.

    Atualmente, existem 17 iniciativas de turismo indígena mapeadas na região, sendo algumas delas já em plena atuação, como o turismo de pesca esportiva em Santa Isabel do Rio Negro (rios Marié e Jurubaxi) e o roteiro Serras Guerreiras de Tapuruquara. O turismo Yanomami ao Pico da Neblina terá sua primeira expedição comercial em janeiro de 2022.

    Em um ambiente colaborativo com muitas trocas de informações entre as inciativas também aconteceram apresentações sobre a Cadeia de Turismo, Relação Anfitrião-Turistas e Cultura Alimentar como Atrativo Turístico.

    A mesa redonda sobre “Turismo como ferramenta de governança e segurança nos territórios indígenas”, contou com a participação de Marcos Wesley Oliveira-Coordenador Programa Rio Negro do ISA, Júlio José Araújo Júnior-Procurador MPF, Renata Carolina Correa Vieira- Advogada/ISA, Ricardo Peixoto-General 2ª BDA INF SL, Carlos Marcelo da Silva-Major 2ª BGDA INF SL, Ernani Sousa Gomes-Coordenador Dsei-ARN, Ernesto Rodriguês Estevão – Coordenador CAIMBRN e Marivelton Rodrigues Barroso-Diretor Presidente da FOIRN. A mesa discutiu a segurança e defesa dos territórios e papéis das organizações indígenas no território junto às iniciativas de turismo da região.

    O turismo em terras indígenas segue as diretrizes da IN03/2015, instrução normativa da Fundação Nacional do Índio (Funai) que, por meio do desenvolvimento de um Plano de Visitação, busca o protagonismo das comunidades indígenas na realização de turismo nos seus territórios.

    Rede de Turismo Indígena do Rio Negro

    Após as experiências compartilhadas e de debates sobre o tema, foi criado a Rede de Turismo Indígena do Rio Negro.

    O espaço será formado pela FOIRN, associações locais e suas inciativas que visa apoiar as iniciativas de turismo indígena contribuindo para o fortalecimento destas através da mobilização conjunta, da discussão de políticas públicas que apoiem o turismo indígena de base comunitária e da formação de parcerias com diversos setores da sociedade.

    Com apoio do projeto ForEco – Rainforest Foundation e Embaixada Real da Noruega (ERN), o encontro contou com a presença de Susy Simonetti, professora do curso de Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), doutora em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia e que vem trabalhando junto à comunidades no Mosaico do Baixo Rio Negro.

    O evento foi realizado pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e pelo Instituto Socioambiental (ISA)

  • Foirn realiza encontro “Fale Sem Medo” pelo Fim da Violência contra a Mulher Indígena

    Foirn realiza encontro “Fale Sem Medo” pelo Fim da Violência contra a Mulher Indígena

    Compartilhar as experiências da II Marcha das Mulheres Indígenas realizada no último mês de setembro, em Brasília, e construir plano de ação para o enfrentamento da violência de gênero e criar redes de apoio no Rio Negro são os objetivos do encontro.

    O encontro aconteceu nesta sexta-feira, 9 de dezembro, no Telecentro do Instituto Socioambiental (ISA), em São Gabriel da Cachoeira (AM), mediado pelas coordenadoras do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (Dmirn), Maria do Rosário (Dadá Baniwa), Larissa Duarte Tukano e Glória Rabelo Baré e Renata Viera, advogada do Instituto Socioambiental (ISA). 

    Durante o XI Encontro das Mulheres Indígenas do Rio Negro realizado em 2018, as mais de 200 mulheres indígenas elaboraram e publicaram o manifesto “os nossos princípios, desafios e compromissos” que orienta os planos de ações do Dmirn em várias linhas temáticas, entre estes, a violência contra a mulher e o fortalecimento da presença e participação de mobilização indígena regional e nacional. 

    Conseguir garantir a participação de 20 mulheres na II Marcha das Mulheres Indígenas em Brasília foi considerada pelas lideranças mulheres e coordenadoras do Dmirn, uma conquista das mulheres rionegrinas. 

    A marcha aconteceu na primeira semana de setembro em Brasília. Cerca de 20 mulheres indígenas do Rio Negro marcaram presença na mobilização das mulheres pelos direitos e pelos territórios. 

    Gloria Rabelo Baré: Nunca tinha participado de um evento assim tão grande. A marcha das mulheres que teve agora é uma experiência que vou levar para a vida toda. Estivemos lá reunidas junto com outras mulheres que lutam pelas suas terras, pelos seus espaços, como nós. Participar da marcha me transformou. Hoje, não fico mais calada, principalmente quando é para defender os direitos das mulheres. 

    Elizangela Baré: Quando saímos do nosso território aprendemos e adquirimos mais conhecimento para nossa luta. O mesmo acontece quando realizamos atividades dentro do nosso território. Cada vez que participamos de eventos conhecemos mais sobre as leis, os nossos direitos. Como lideranças, precisamos conhecer essas leis. 

    Rosilda Cordeiro Tukano: União das mulheres faz a força. E lá somamos força com mulheres de outras regiões pela demarcação de terras. Foi muito bom lutar ao lado de mulheres de todas as regiões. 

    Laura Tariana: Representar as mulheres da minha região foi o grande desafio. Coragem foi essencial. 

    Vanda Cardoso Piratapuia: Como foi a minha primeira vez, foi um desafio. Precisamos levar essa luta para frente como mulheres indígenas. Quebramos algumas barreiras. Como pela primeira vez conseguimos ter maior número de mulheres na marcha. 

    Lorena Tariana: Cada marcha é uma experiência. A minha nova participação na marcha foi mais uma nova experiência. Foi tenso. Dessa vez várias mulheres tiveram que acordar madrugada devido às ameaças da invasão do nosso acampamento. O evento nos ensina que cada mobilização é um desafio. Precisamos lutar porque hoje, nossos direitos estão sendo ameaçados. Conseguimos nos destacar na marcha. 

    Izoneia Tariana: Foi um momento único. Como não saímos do nosso mundo, sair daqui e participar da luta das mulheres de outras regiões, que muitas vezes, vimos apenas pela mídia, é uma coisa importante que expande nossos horizontes. A luta delas nos motiva a também participar e fortalecer a nossa luta pelos direitos indígenas e das mulheres. Nós mulheres já nascemos com essa força, mas, a marcha das mulheres me tornou mais resistente, fortalecida e segura. 

    Rosane Piratapuia: Foi muito bom voltar para o uma mobilização das mulheres, rever lideranças que conheci quando fiz parte do Departamento das Mulheres da Foirn. Percebi que muita coisa avançou, esses avanços também são resultados das mobilizações e luta das mulheres. Lá participamos junto com mulheres de outras regiões. Em um momento, assisti uma parente chorando, pois, as terras delas são as mais afetadas atualmente pelo agronegócio. Nesse sentido, precisamos lutar com elas, pois são nossos parentes. Estar lá foi um ato de resistência e união entre as mulheres indígenas. 

    Auxiliadora Dâw: Fiquei como segurança do acampamento da marcha das mulheres. Quando estamos lá, estamos lutando pelos nossos direitos, nossos territórios, pelos nossos filhos. Participar da marcha me deu experiência e me fortaleceu ainda mais como lideranças representantes das mulheres da região que represento (médio e baixo rio Negro).

    A atividade foi apoiada pelo Fundo Canadá e RCA.

  • Lideranças indígenas participam de formação sobre associativismo e governança no Rio Negro

    Lideranças indígenas participam de formação sobre associativismo e governança no Rio Negro

    O encontro aconteceu entre os dias 24 a 26 de novembro no Telecentro do Instituto Socioambiental (ISA) em São Gabriel da Cachoeira.

    Participantes da formação realizada em São Gabriel da Cachoeira . Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN promoveu entre os dias 24 a 26 de novembro, em São Gabriel da Cachoeira, a 852 km de Manaus, uma formação em gestão de associações voltada para lideranças comunitárias. Participaram da capacitação cerca de 30 membros de cinco associações de base da FOIRN: Caiarnx (Alto Rio Negro, Xié e Balaio), Nadzoeri (Bacia do Içana), Caimbrn (Médio e Baixo Rio Negro), Diawi´i (Baixo Uaupés, Rio Tiquié e Afluentes) e Coidi ( Médio, Alto Uaupés e Rio Papuri).

    Os temas abordados durante a formação foram assessoria jurídica e contábil, fluxo de trabalhos, assim como o histórico do associativismo e a governança do movimento indígena do Rio Negro. Além disso, foram realizadas a regularização e balanço contábil de uma associação como exemplo prático. Atualmente, são 90 associações de base em toda a região do Rio Negro, que compreende os municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira.

    Para Damásio Tukano, da coordenadoria Diawii, que participou da formação em São Gabriel da Cachoeira, é importante que as lideranças indígenas que estão nas associações de base conheçam os processos para conseguir fazer os trabalhos e manter a associação ativa juridicamente.  “São conhecimentos e informações que muitas vezes não sabemos. Participar dessa formação nos ajuda a levar informações para outras lideranças que estão nas associações”.

    Damásio Tukano, liderança da região do Rio Tiquié, membro da Coordenadoria Diawii.

    A formação realizada foi coordenada pela secretária administrativa da FOIRN, Maria Hildete Araújo, do povo Tariano, pela advogada Renata Vieira e do antropólogo Renato Martelli, ambos do Instituto Socioambintal – ISA,  e da contadora consultora Karla Cristina.

    A capacitação aconteceu em  parceria com o Instituto Socioambiental e apoio do Fundo Socioambiental CASA. Diante do desafio de apoiar as associações no processo de regularização, a FOIRN, em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), desenvolve ações de formação sobre Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civíl (MIROSC) e apoio para regularização. A ação é realizada como parte de projeto financiado pela União Europeia no período de 2017-2019 com objetivo de fortalecer a autonomia dos Povos Indígenas do Rio Negro na implementação de políticas públicas por meio do novo MROSC.

    Sobre a FOIRN
    A FOIRN é uma organização que articula ações em defesa dos direitos e do desenvolvimento sustentável de 750 comunidades indígenas na região mais preservada da Amazônia, na tríplice fronteira com Venezuela e Colômbia

  • Projeto da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro é aprovado pelo Fundo Elas

    Projeto da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro é aprovado pelo Fundo Elas

    Elizangela Baré – Presidente da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro

    Criada em 2017 para valorizar dois elementos fundamentais da cultura Baré no Alto Rio Negro: o artesanato e a agricultura, a Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amiarn), está entre as associações com projetos selecionados pelo (@fundoelas ) Fundo Elas através do Programa Mulheres em Movimento 2021.

    O Programa Mulheres em Movimento 2021 vai apoiar 93 grupos. O objetivo do programa é apoiar e reconhecer o trabalho de lideranças LBTs, negras, indígenas, quilombolas, jovens, pessoas com deficiência, mulheres que vivem nas florestas, nos campos, defensoras de territórios. Para saber mais sobre o fundo, acesse: http://www.fundosocialelas.org/

    Elizângela da Silva Baré, presidente da Amiarn comemorou ao receber a notícia. Para ela, o projeto vai possibilitar a implementação de algumas propostas que constam no Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) do território na qual a associação faz parte. “O projeto vai fortalecer o protagonismo das mulheres indígena na busca do desenvolvimento sustentável e bem viver indígena dentro do territórios”, afirmou.

    Elizângela é uma das 21 finalistas do Prêmio Inspiradoras é uma iniciativa de Universa e do Instituto Avon, que tem como missão descobrir, reconhecer e dar maior visibilidade a mulheres que se destacam na luta para transformar a vida das brasileiras.

  • Monitoramento ambiental e climático fortalece a governança territorial e gestão socioambiental na Bacia do Içana

    Monitoramento ambiental e climático fortalece a governança territorial e gestão socioambiental na Bacia do Içana

    Na primeira semana de novembro, entre 01 a 05, foi realizada a 9ª Oficina de Rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental/AIMA na Bacia do Içana no Centro de Pesquisa e Formação Enopana da Escola Baniwa Eeno Hiepole da Comunidade Canada/Koitsiali.

    Participantes da oficina realizado na comunidade Canadá – Rio Ayarí. Foto: Nadzoeri

    Os temas abordados na oficina foram: a) elaboração de relatório sobre os principais eventos ambientais e climáticos; b) construção do ciclo anual 2021 registrando os principais fenômenos; c) narrativa dos conhecedores sobre os ciclos cerimoniais associados aos ciclos anuais; d) discussão sobre impactos das mudanças climáticas no manejo do mundo e rituais Baniwa; e) adequação do calendário Baniwa para inclusão das cerimônias e eventos sociais; f) vinculação das estratégias de ações integradas para implementação dos PGTAS nas comunidades.

    Segundo Juvêncio Cardoso, secretário Executivo da Coordenadoria Nadzoeri (Rio Içana e Afluentes) a oficina retomou as atividades que haviam sido paralisadas devido à pandemia.  “A realização da oficina fortalece o monitoramento ambiental e climático visa acumular e gerar informações necessárias para subsidiar a governança territorial e gestão socioambiental no nosso território”, diz Juvêncio. “A ação além de contribuir no registro de dados sobre o território, promove também a capacitação e formação de novas lideranças Baniwa e Koripako”, completa.

    Agentes de Manejo Ambiental na oficina elaboram Ciclo Anual Baniwa e Koripako . Foto: Nadzoeri

    Mesmo com o avanço da vacinação contra a Covid-19 na região do Rio Negro, teve restrição na quantidade de participantes. Apenas 20 pessoas de 13 comunidades Baniwa participaram da oficina.

    Entre os vinte participantes, além dos AIMAS, estudantes de ensino fundamental e ensino médio representantes das escolas Baniwa Ttole/Tunui Cachoeira, escola Baniwa Eenawi/Santana, Escola Baniwa Herieni/Ucuqui Cachoeira e Escola Eeno Hiepole completaram as vagas de participação.

    Os pesquisadores receberam lâmpadas solares doadas pela parceria Foirn, Instituto Socioambiental (ISA) com apoio da UNHCR- Brasil para apoiar o trabalho de estudo, pesquisa e monitoramento ambiental e climático realizado através de anotações em diários de campo e uso de tablets nas comunidades indígenas.

    A oficina teve a realização da Foirn em parceria com a coordenadoria Nadzoeri, ISA e apoio do projeto LIRA e Betty & Gordon Moore Foundation.

  • Rede de Cooperação Amazônica realiza assembleia para avaliar e planejar ações

    Rede de Cooperação Amazônica realiza assembleia para avaliar e planejar ações

    Essa semana, entre os dias 25 a 26 de outubro, membros da Rede de Cooperação Amazônica – RCA participam da assembleia de Avaliação e Planejamento da rede, em Brasília.

    Participantes da Assembleia da Rede de Cooperação Amazônica realizada em Brasília nos dias 25 a 25/10. Foto – Patrícia Zuppi/RCA

    São as principais pautas da assembleia: Consulta Prévia e Protocolos de Consulta, Mudanças Climáticas e Povos Indígenas, Gestão Territorial e Cadeias Produtivas, defesa dos direitos indígenas, formação em direito para mulheres indígenas no âmbito da RCA.

    São membros da RCA as organizações: Hutukara Yanomami, ATIX – Associação Terra Indígena Xingu, OPIAC – Organização dos Professores Indígenas do estado do Acre, FOIRN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, CIR – Conselho Indígena de Roraima e APINA – Waijapi.

    A RCA originou-se em 1996 de uma Rede de Aliança Latino Americana congregando organizações apoiadas pela Rainforest Foundation da Noruega – RFN. Esta agência de cooperação internacional incentivou a articulação das organizações que apoiava em diferentes países da América Latina, com vistas a trocarem experiência entre si e difundirem seu trabalho. Em 1997, criou-se uma seção brasileira dessa rede que em 2000 tornou-se independente, originando uma articulação nacional em torno da questão indígena dos parceiros brasileiros da RFN. Essa articulação formalizou-se como RCA – Rede de Cooperação Alternativa, que em 2013 teve seu nome reformulado para Rede de Cooperação Amazônica (mantendo sua sigla: RCA).

    A RCA visa promover a articulação e o protagonismo político dessas organizações em torno de temas estratégicos voltados para a sustentabilidade e governanças locais nas terras indígenas; reconhecimento público do papel fundamental que os povos indígenas desempenham na conservação das florestas; fortalecimento das organizações indígenas e indigenistas na defesa dos interesses e direitos indígenas na Amazônia e aprimoramento das políticas públicas indigenistas e ambientalistas.

    Pela Foirn, participam da assembleia, Marivelton Rodriguês Barroso – Presidente da FOIRN e Maria do Rosário Martins (Dadá Baniwa) – Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas.

    Para conhecer a RCA, acesse: http://www.rca.org.br/

  • Associação Indígena de Barcelos elege nova diretoria

    Associação Indígena de Barcelos elege nova diretoria

    A Associação Indígena de Barcelos (Asiba) realizou a assembleia extraordinária no último dia 20 de outubro na comunidade Cauburis, localizado na região do baixo rio negro, município de Barcelos.

    Assembleia da Associação Indígena de Barcelos – Asiba elegeu nova diretoria.

    Participaram da assembleia, Marivelton Rodrigues Baré – Presidente da FOIRN, Carlos Nery Piratapuia – Coordenador da Caimbrn – Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro e cerca 60 delegados representantes das comunidades e bairros da cidade (de Barcelos) que fazem parte da associação.

    As principais pautas foram: a apresentação dos trabalhos da gestão 2020/2021 e eleição para a nova diretoria.

    Após a apresentação do relatório de atividades, foram formadas as chapas para a eleição da diretoria para a gestão 2022-2025 por Rosilene Menez Baré – Chapa 01 e Luziane Celso de Melo – Chapa 02. Após resultado da eleição ficou com o seguinte resultado. Chapa 01 Rosilene Menez – 41 votos e Chapa 01 Luziane Melo – 22 votos.

    A diretoria eleita (Chapa 01) é composta por:

    Presidente: Rosilene Menez da Silva – Povo Baré
    Vice-presidente: Manoel Sena dos Santos Filho – Povo Baniwa
    Secretária: Edinilza Amâncio Pinheiro Araújo – Povo Baré
    Secretário Suplente: Marilene Gervásio dos Reis – Povo Baré
    Tesoureira: Neide Dantas dos Santos – Povo Baré
    Tesoureiro Suplente: Reginaldo Brandão Crescêncio – Povo Tukano

  • FOIRN realiza oficina para fortalecer a juventude e mulheres indígenas no Médio e Baixo Rio Negro

    FOIRN realiza oficina para fortalecer a juventude e mulheres indígenas no Médio e Baixo Rio Negro

    Participantes da II Oficina de Formação de Jovens e Mulheres Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro realizado na comunidade Canafé, município de Barcelos (AM). Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    A II Oficina de Jovens e Mulheres Indígenas aconteceu na comunidade Canafé no município Barcelos (Am), nos dias 14 a 16 de outubro. Participaram da oficina, sete associações de base da Foirn da região do Médio e Baixo Rio Negro.

    Realizado pela Foirn através do Departamento de Juventude (Dajirn) a II oficina teve como principal objetivo a criação de Núcleos de Jovens e Mulheres Indígenas da região do Médio e Baixo Rio Negro.

    Organizados em núcleos, a juventude e as mulheres indígenas vão atuar efetivamente nas mobilizações e articulações no âmbito da Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (Caimbrn), que coordena e mobiliza as associações de base da Foirn na região.

    Participaram da oficina as associações de base: Acir – Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinha, Acimrn – Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro, Acirpp – Associação das Comunidades Indígenas do Rio Preto e Padauiri, Associação das mulheres, Amiarn – Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro, Aiacaj – Associação Indígena da Área de Canafé e Jurubaxi, e, Aibad – Associação Indígena do Baixo Rio Aracá e Demeni, e – Associação Yanomami Kurikama.

    Coordenadora do Departamento de Jovens Indígenas do Rio Negro (Foirn), Sheine Diana apresentou a estrutura organizacional do departamento, atividades já realizadas e planejamentos do departamento para esclarecer aos participantes dúvidas referente aos trabalhos de atuação e incentivar a participação dos mesmos nos eventos realizados pelo departamento.

    Na oficina foram realizados trabalhos em grupo por associação discutindo sobre o que é articulação e a importância da criação do núcleo por associações de base onde foi detalhado passo a passo para facilitar o entendimento dos jovens e mulheres.

    Jovens indígenas indicados para fazer parte da Rede de Juventude Indígena do Rio Negro coordenado pelo Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro (Dajirn). Foto: Juliana Albuquerque/Foir,

    A coordenadora destacou a importância do repasse de informações sobre os trabalhos do departamento a juventude da região. “Está sendo muito importante para mim, tanto pelo repasse de informações sobre o trabalho do Dajirn, como a realização das atividades previstas na região”. “Onde os jovens e mulheres estão participando e contribuindo nas discussões do movimento indígena”, completa.

    Presidente da Associação das Mulheres indígenas do Alto Rio Negro (Amiarn) e Coordenadora do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro da Foirn na gestão 2017-2020, Elizângela da Silva Baré foi a palestrante da oficina.

    Elizangela apresentou o histórico da luta das mulheres no movimento indígena. Ressaltou a importância da criação da rede e núcleo de mulheres e jovens indígenas para fortalecer a implementação dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PGTAs) da região, processo da qual ela participou diretamente durante a sua gestão no Dmirn.

    “Hoje fico feliz de ver que a atual coordenação do departamento esta dando continuidade dessas ações do movimento indígena. O movimento indígena é isso, continuidade dos trabalhos, das ações, das coisas que a gente vê que são necessários para as nossas regiões, para nossas coordenadorias, comunidades e nossas terras indígenas. Por isso precisamos fortalecer e trazer as mulheres e jovens para participar e dar mais voz aos jovens e mulheres dentro do movimento indígena”, disse Elisangela.

    Mulheres Indígenas de diferentes comunidades participaram da oficina representando suas associações. Na imagem, mulheres indicadas para fazer parte da Rede de Mulheres Indígenas no âmbito da Foirn. Foto: Juliana Albuquerque/Foirn

    Carlos Teixeira Nery, coordenador da Caimbrn, participou da oficina onde falou a importância da regularização das organizações da região para fortalecer a participação e o desenvolvimento de projetos e iniciativas na região.

    Presidente da Foirn, Marivelton Barroso Baré, presente na oficina, apresentou os trabalhos desenvolvidos e destacou a importância das associações de base e a formação de novas lideranças no movimento indígena, que de acordo com ele, é importante garantir oportunidade aos jovens e mulheres nos encontros, reuniões, seminários, assembleias que são espaços de formação para novas lideranças.

  • V Encontro de Produtores Indígenas reúne representantes de vários povos em Iauaretê para discussão sobre produção e comercialização

    V Encontro de Produtores Indígenas reúne representantes de vários povos em Iauaretê para discussão sobre produção e comercialização

    Cerca de 140 artesãos e artesãs indígenas de diversas etnias participaram do V Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro, realizado em Iauaretê entre os dias 13 e 15 de outubro.

    Paricipantes do V Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro realizado em Iauaretê. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A participação de indígenas das etnias que vivem na região do Alto e Médio rio Uaupés e rio Papuri, como Hupdah, Dessana, Wanano, Kubeo, Tukano, Tariana e Piratapuia, garantiu intensa troca de informações.

    Durante os três dias, os artesãos compartilharam conhecimentos e experiências sobre produção e comercialização de artesanatos.

    O encontro foi realizado pela FOIRN através do Departamento de Negócios Socioambientais e Casa Wariró, com apoio e parceria do Instituto Socioambiental (ISA) e ForEco.

    Além de debater desafios da produção e comercialização de produtos e artesanatos, os participantes também mapearam novas cadeias de produção.

    Os trabalhos durante a oficina foram coordenados pela articuladora e gerente da Casa Wariró, Luciane Lima, e pelo coordenador do Departamento de Negócios Socioambientais e Coordenador do Conafer Rio Negro, Edson Gomes Baré, com acompanhamento da diretora da Foirn de referência da região da Coidi, Janete Alves Dessana.

    Entre os temas debatidos estão funcionamento, acordo de co-gestão, relação com artesãos, precificação, marca coletiva Wariró e as modalidades de pagamento de artesanatos.

    Compras institucionais como os programas PAA (Programa de Aquisição de Alimentação) e PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) também foram apresentados como pautas do encontro.

    Na abertura, Edison Gomes lembrou a importância do encontro para discussão de temas como economia indígena e a comercialização dos produtos e artes na região.

    De acordo ele, esse é mais um passo importante na discussão e construção do bem viver indígena do Rio Negro, uma das bandeiras de luta do movimento indígena.

    “Nos últimos anos, tivemos nos dedicando especialmente a debater e avançar em temáticas como a educação e a saúde indígena, o nosso desafio agora é também avançar na pauta da economia indígena”, disse.

    A liderança Domingos Lana Tariana, 53, lembrou que a Casa Wariró é a marca que representa a diversidade cultural dos 23 povos indígenas do Rio Negro, por isso todos os artesãos e produtores indígenas devem conhecer seu funcionamento. “Precisamos conhecer a nossa marca e começar a reconhecer e chamá-la de nossa marca”, frisou.

    O contato com os não indígenas ao longo do tempo trouxe mudanças na vida dos povos indígenas do Rio Negro, como introdução de novos tipos de alimentos, especialmente os industrializados. Ao mesmo tempo, o conceito de economia e comercialização de produtos foi ganhando novas formas: antes apenas no formato de troca, e depois a venda de produtos.

    Professor e liderança, Adão Oliveira refletiu sobre essas mudanças na vida dos povos indígenas no Rio Negro, afirmou que afetam o modo de vida e a cultura, pois, muitas delas são partes de outras sociedades. “Muitas dessas novas formas de organização e comercialização são da cultura dos não indígenas, mas precisamos nos adequar e adaptar os conhecimentos para a nossa realidade local. E a FOIRN está nos dando essa oportunidade de aprofundar sobre esses assuntos que são importantes para discutirmos, como a valorização de nossos produtos e da nossa cultura. Para isso precisamos do conhecimento sobre como gerir e comercializar nossos produtos”, disse.

    Ainda sobre a importância de aprender novos conhecimentos para valorizar a cultura dos povos indígenas, a liderança e presidente da Associação das Comunidades Indígenas de Iauaretê (Acii), Joaquim de Jesus, do Povo Tukano, 64, afirma que o encontro de produtores indígenas realizado em Iauaretê trouxe novos conhecimentos e informações sobre a Casa Wariró. “Nos dias de hoje, para valorizar o nosso conhecimento é preciso saber e ter conhecimentos sobre a comercialização, a padronização e qualidade exigidas pelo mercado consumidor. Tendo esses conhecimentos básicos, vamos conseguir vender nossos produtos e artesanatos. E isso é importante para valorizarmos os nossos conhecimentos, principalmente o repasse dos saberes e conhecimentos de confecção para nossos filhos”, afirmou.

    Para Verônica Ramos Pena, 31, do povo Hupdah, moradora da Vila Fátima, em Iauaretê, que organizou e liderou a participação de oito mulheres Hupudah no encontro, disse que sai fortalecida e animada do encontro de produtores. “Estou feliz e animada com resultado do encontro. Consegui trazer mulheres da minha comunidade para participar e aprender novos conhecimentos durante o encontro. Tivemos a oportunidade de apresentar nossos artesanatos aqui para os participantes. Apesar das dificuldades que ainda temos em acompanhar as apresentações dos expositores, aprendemos bastante coisa nova”, diz. “Estamos cada vez mais fortalecendo a nossa produção de artesanatos para vender e ajudar a gente a comprar produtos básicos e necessários para nossa sobrevivência”, completou.

    Ramiro Álvares, 40, do Povo Kubeo, morador da comunidade Querari – Alto Uaupés, se disse satisfeito com o conhecimento adquirido no encontro. “Não conhecia a Wariró antes do encontro aqui em Iauaretê. Com as apresentações durante esses dias, consegui entender o que é a Casa Wariró, como funciona, e como vender os artesanatos. Eu faço vários tipos de artesanatos, agora vou começar a produzir para vender, pois aprendi que tenho que valorizar esse conhecimento tradicional que temos”, disse.

    Diretora de referência da FOIRN para a região da Coidi, Janete Alves Dessana compartilhou com todos os presentes o sentimento de mais um trabalho concluído com êxito. “Que o conhecimento aprendido no encontro não fique somente aqui, deve ser compartilhado com outros que não conseguiram participar do encontro”, disse.

    O Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro realizado em Iauaretê encerrou a série de cinco encontros previstos para o ano de 2021 em todo o Rio Negro. Dois encontros serão realizados em 2022 para encerrar os encontros regionais, que são preparativos para o encontro geral previsto para acontecer no primeiro semestre de 2022.