Tag: Povos do Rio Negro

  • Diretor Presidente da FOIRN – Marivelton Barroso do Povo Baré em Agenda pelo Médio Rio Negro.

    Diretor Presidente da FOIRN – Marivelton Barroso do Povo Baré em Agenda pelo Médio Rio Negro.

    O diretor presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, em cumprimento da agenda pelo rio negro, reuniu no ultimo dia 11/10 juntamente com o representante do ISA e assessor da Casa de Frutas, João Gabriel, presidência da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro-ACIMRN e a equipe da gerência de bolsistas da casa de frutas para retomada dos planos de trabalhos da mesma.
    Também foi discutido sobre o desenvolvimento dos testes iniciais e agendas de trabalho com as comunidades que fazem parte diretamente do projeto e que serão as futuras fornecedoras dos produtos para a casa. Uma iniciativa que se desenvolverá no âmbito da cadeia de valores dos produtos da sociobiodiversidade.
    Um projeto de iniciativa no âmbito do sistema agrícola tradicional do rio negro – (SAT-RN). Ainda foi articuladas em conversas a assembleia eletiva da ACIMRN que devera acontecer no próximos dias 04 e 05 de novembro na comunidade Açaituba no município de Santa Isabel do rio Negro médio Rio Negro.

    Em continuidade da agenda pelo médio Rio Negro, Marivelton Barroso, juntamente com o coordenador do CONDISI e o coordenador local da FUNAI , CTL-Santa Isabel, Guilherme Veloso, visitam a comunidade Acariquara em cumprimento a agenda. Onde houve repasses de informações sobre os trabalhos da FOIRN, Conselho Distrital de Saúde Indígena – CONDISI que irá acontecer nos dias 27 e 28 de outubro na comunidade Açaituba e articulação sobre a assembleia eletiva da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro – ACIMRN.


    O diretor-presidente se emocionou ao lembrar que na comunidade Acariquara iniciou a sua trajetória no movimento indígena para chegar ao cargo que ocupa atualmente, agradeceu o apoio recebido, os incentivos e afirmou que a comunidade poderá continuar contando com o seu apoio sempre que precisarem.
    O coordenador do CONDISI, Jovânio Normando, falou da importância da parceria entre FOIRN, DSEI e FUNAI na região, e a importância da participação de lideranças das comunidades no Conselho Indigenista de saúde para o fortalecimento das comunidades indígenas.
    O coordenador local da FUNAI explanou sobre os trabalhos desenvolvidos na região e citou sobre a importância das parcerias com as entidades de representatividade dos povos indígenas. Seguindo, a equipe ainda visitou o local onde pretendem instalar a estação kit de bombeamento de água com o sistema de energia solar, com o objetivo de melhorar a saúde dos moradores da comunidade.


  • ASSEMBLEIA DA AMIRT E ENCONTRO MICRORREGIONAL NA REGIÃO DA DIAWI’I

    ASSEMBLEIA DA AMIRT E ENCONTRO MICRORREGIONAL NA REGIÃO DA DIAWI’I

    A Coordenadoria das Organizações Indígenas do Tiquié, Uaupés e Afluentes – DIAWI’I, realizou a Assembleia Geral Ordinária da AMIRT no dia 20 de setembro de 2021 e o Encontro Microrregional das comunidades e associações de base do Baixo Rio Uaupés e Baixo Rio Tiquié no dia 21 a 23 de setembro do corrente ano na sede distrital de Taracuá.
    A Federação das Organizações indígenas do Rio Negro estava representada pelo diretor Nildo Fontes, referência da região juntamente com a Mª do Rosário (mais conhecida como Dadá Baniwa) – uma das Coordenadoras do departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro – DMIRN, Melvino Fontes – Coordenador do departamento de Educação, Rosilda Maria e José Ivanildo – Coordenação da Diawi’i.
    Estiveram presentes também neste evento os Dirigentes e Coordenadores das comunidades e Associações de base AMIRT, ADSIRT, ACIBU da microrregião Baixo Rio Uaupés e Baixo Rio Tiquié da Coordenadoria DIAWI’I, Gestores, coordenadores, Professores e alunos da AEITYM, Escola Sagrado Coração de Jesus do distrito de Taracuá e de suas salas anexas AECIPY.
    A Assembleia da Associação das Mulheres Indígenas do Rio Tiquié – AMIRT foi conduzida pela diretoria da mesma com devida participação da coordenação executiva da DIAWI’I e DMIRN;
    E o Encontro Microrregional das comunidades e associações do Baixo rio Uaupés e baixo rio Tiquié foi coordenado pelo diretor da FOIRN e pela coordenação executiva da DIAWI’I com a plena participação dos departamentos DMIRN e Educação.


    Neste evento foi feito o Alinhamento e diálogo sobre ações e estratégias da FOIRN e seus parceiros para o fortalecimento da governança territorial e desenvolvimento regional na área de abrangência da coordenadoria DIAWI’I.
    O Desenvolvimento e sustentabilidade Regional a partir dos projetos e temas apresentados na atividade pela diretoria da FOIRN, departamento de mulheres e coordenação executiva da DIAWI’I;
    O Fortalecimento das associações de base a partir da sua regularização através do setor administrativo das associações da FOIRN, visando a participação nos editais do Fundo Indígena do Rio Negro – FIRN.
    O Desenvolvimento da Educação Escolar Indígena e fortalecimento da governança e gestão territorial da região que encaminhou a realização de Seminário de avaliação do desenvolvimento da educação escolar indígena na região em março de 2022;
    A Elaboração de Acordos de Convivência Intercomunitários e atuação da presença de órgãos de vigilância, fiscalização e segurança pública. Foi constituído uma coordenação interna para conduzir a agenda de elaboração do acordo de convivência intercomunitária das comunidades e associações da região;
    Os desafios e dificuldades de parcerias com políticas e instituições públicas na atual conjuntura para apoio a projetos de iniciativas produtivas comunitárias visando o desenvolvimento regional;
    Neste mesmo evento, realizou-se também a Construção de agendas de atividades futuras, acordos internos entre outras.

  • IV ENCONTRO DE PRODUTORES INDÍGENAS DO RIO NEGRO DA COORDENADORIA CAIARNX NA COMUNIDADE SÃO GABRIEL MIRIM

    IV ENCONTRO DE PRODUTORES INDÍGENAS DO RIO NEGRO DA COORDENADORIA CAIARNX NA COMUNIDADE SÃO GABRIEL MIRIM

    A FOIRN através do departamento de Negócios Socioambientais e Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro – WARIRÓ, realiza o IV Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro na Região da Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio negro e Xié –  CAIARNX, no período de 04 a 06 de outubro de 2021 na comunidade São Gabriel Mirim localizado na região do Alto do Rio Negro

    Estiveram presente no evento mais de 70 produtores indígenas, pertencentes às associações: ACIPK – Associação das Comunidades Indígenas Potira Kapuamu, ACIBARN – Associação das Comunidades Indígenas Baré do Alto Rio Negro , ACIARN – Associação das Comunidades Indígenas do Alto Rio Negro, OCIARN – Organização Indígena do Alto Rio Negro, AMIARN – Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro, AMIBAL – Associação das Mulheres Indígenas do Balaio e OINV – Organização Indígena de Nova Vida. A FOIRN estava representada pelo Sr. Edison Cordeiro Gomes – Coord. Dpto. de Negócios Socioambientais, Luciane Mendes – Gerente e articuladora da casa Wariró, Ronaldo Ambrósio – Coordenador Regional da CAIARNX, José Baltazar – Rede de Comunicadores da CAIARNX.

    Durante o encontro, teve exposição de farinha, beiju, tapioca, tucupi com saúva, banana, cubio, cará, batata, pupunha, e artesanatos feitas de fibra de tucum, de cipó entre outros produtos regionais.

    Os produtores ficaram bastante satisfeitos com o evento, pois puderam apresentar os ensinamentos adquiridos dos seus pais e avós.

    “Esse encontro nos fez conhecer os produtos de outras associações que aqui se fizeram presentes”, afirma uma liderança indígena.

    Exposição de produtos e artesanatos regionais.

    A coordenação do encontro Edson Baré e Luciane Lima afirmaram que isso é um dos objetivos do encontro, apresentar e compartilhar esses conhecimentos milenares tradicionais, para que as novas gerações possam conhecer e valorizar.

    As lideranças anteriores, lembraram sobre como foram discutidas a autonomia financeira dos povos indígenas.

    Produtos Oriundos da Agricultura Familiar

    Edison Baré apresentou os tipos de alimentação que eram consumidos, e o processo de comercialização que foram praticados aqui na região do rio Negro. Atualmente há formas de como podemos comercializar os nossos produtos, uma delas é a venda de produtos oriundos da agricultura familiar, como é o caso do Programa Nacional de Alimentação Escolar, onde o produtor fornece o complemento de alimentação escolar em sua própria comunidade.

    Esse programa vem para fortalecer o agricultor, isto é, além de produzir para a sua subsistência também produz para a comercialização.

    Segundo os produtores os, mesmos estão com dificuldades em receber seus pagamentos dos produtos já entregues, devido à dificuldade de acesso ao cadastro da carteira do produtor que só pode ser emitido via internet.

    Os participantes pediram aos responsáveis dos Departamentos, juntamente com o Sr. Ronaldo, coordenador da CAIARNX, para levar ao conhecimento do Diretor de referência da região, Sr. Adão Francisco Henrique, Baré, para tomar providências junto a equipe do IDAM SGC, e que assim pudesse realizar uma atividade para Emissão da Carteira de Agricultor. Essa atividade poderia ser realizada na comunidade de Juruti, sede da CAIARNX, que atualmente está equipada com sinal de internet e energia solar.

    O que precisa é organizar o atendimento nos processos para que as famílias possam aderir ao projeto com mais facilidade.

    Os participantes tiraram suas dúvidas com perguntas respondidas de acordo com o conhecimento que se tinha no momento. Os presidentes de associações presente agradeceram à FOIRN pelo Departamento de Negócios Socioambientais e Casa Wariró, aos parceiros FORECO e ISA pela oportunidade de ajudar em realizar o encontro, que foi de suma importância para um bom entendimento e uma boa conduta nos trabalhos voltados para a economia indígena, principalmente pensando na autonomia financeira dos povos do rio Negro.

  • I Oficina de Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro

    I Oficina de Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro

    Rede de Mulheres indígenas do Rio Negro

    Promovido pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN através do Departamento de Mulheres indígenas – DMIRN, a I Oficina de Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro tem o objetivo de conhecer os direitos das mulheres e promover rodas de conversas, vivências e dinâmicas para o fortalecimento e enfrentamento da violência de gênero e realizar uma discussão sobre prática de direitos e cuidados das mulheres indígenas.

    Um projeto demandado pelas mulheres indígenas do rio Negro, idealizado pelo Departamento de mulheres, sobre a coordenação de Maria do Rosário do povo Baniwa, Larissa Duarte do povo Tukano, Glória de Braga do povo Baré e da Diretora de referência Janete Alves do povo Dessana, que buscam trabalhar em conjunto com as mulheres das 05 coordenadorias de base da FOIRN, para o fortalecimento da rede de mulheres indígenas.

    Participaram da oficina mulheres dos três municípios de abrangência da FOIRN: Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira, das cinco coordenadorias: DIAWI’I, CAIMBRN, NADZOERI, CAIARNX, COIDI, convidadas da Associação dos Artesãos Indígena-ASSAI, Associação Indígena da Etnia Tuyuka Moradores de São Gabriel da Cachoeira–AIETUM/S.G.C além de representantes do CREAS, SEMSA e Conselho Tutelar, ainda estiveram no curso dando suas contribuições e incentivando as demais participantes as ex-coordenadoras do departamento das mulheres indígenas da FOIRN: Cecília Albuquerque, Rosilda Cordeiro, Idaria Barreto, Anair Sampaio e Rosane Gonçalves.

    O oficina foi realizado no período do dia 30 de setembro a 04 de outubro de 2021 na sede do Instituto Socio Ambiental – ISA. Nos quatro dias de curso foram abordados temas como os direitos das mulheres, as problemáticas das realidades vividas e enfrentadas pelas mulheres indígenas, a dignidade, as dificuldades, as lutas, os preconceitos, as vivências do cotidiano das mulheres indígenas, os conhecimentos básicos sobre o Código Penal Brasileiro, o compartilhamento de experiências de vida, especialmente a respeito das problemáticas enfrentadas nas comunidades de cada participante da oficina.

    No último dia de curso foram apresentadas pelas participantes suas visões sobre o que pode ser feito nas comunidades para melhorar a vida das mulheres indígenas, a partir das suas experiências de vida e do conteúdo trabalhado durante os dias da formação. Os principais pontos trazidos pelas participantes foram a importância do reconhecimento do espaço das mulheres nas reuniões realizadas nas comunidades, a continuidade de oficinas e cursos, o fortalecimento e a união entre as mulheres, a necessidade de políticas públicas adequadas para as mulheres e o fortalecimento de suas alternativas de geração de renda.

    A oficina foi ministrada por José Miguel Olivar – antropólogo e professor na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo-USP, Flávia Melo – antropóloga do Observatório de Violência de Gênero do Amazonas, Dulce Morais – Cientista Social e mestranda na Faculdade de Saúde Pública na Universidade de São Paulo USP e Renata Vieira – Advogada do Instituto Socio Ambiental. Esta oficina realizada com apoio dos parceiros institucionais: Instituto Sócio Ambiental-ISA Universidade de São Paulo – USP e Universidade Federal do Amazonas –UFAM, Fundo Canadá e Nia Tero.

  • 2ª Etapa do Projeto Mukaturu – Comunidades de autocuidado

    2ª Etapa do Projeto Mukaturu – Comunidades de autocuidado

    2ª Etapa do Projeto Mukaturu – Comunidades de autocuidado foi realizado nos dias 26 e 27 de setembro de 2021, no ISA- S.G.C.

    A segunda etapa do curso sobre autocuidado, contou com 14 participantes vindas das 5 coordenadorias das áreas de abrangência da FOIRN e 05 mulheres da sede São Gabriel.
    Ao longo do mês elas foram instruídas a buscar e manter o autocuidado com alimentação, priorizando os alimentos regionais, sem açúcar, cultivados em suas roças, em vez de consumir alimentos industrializados.

    As participantes também puderam compartilhar, as experiências das mudanças nos hábitos alimentares e também introduzindo exercícios físicos no dia – dia, também tiveram a proposta de construção de um cardápio regionalizado e valorização dos alimentos tradicionais.

    No curso também foi abordado o tema da Covid-19, os protocolos de segurança, uso de máscara, nas falas das participantes foram tratados assuntos como: as dificuldades no enfrentamento da Covid-19 e as sequelas deixadas pela contaminação do vírus, fizeram exposição das preocupações em relação a Covid-19 e a perda de entes queridos e amigos pela Covid-19.

    Ao final do curso as participantes receberam apostilas com roteiros das aulas em pen drive para seguirem repassando o autocuidado em suas comunidades nas bases e assim poder expandir a rede de autocuidado para a saúde e bem-estar da população indígena.

  • FOIRN realiza oficina de fibra de piaçava e tucumã no município de Barcelos-AM

    FOIRN realiza oficina de fibra de piaçava e tucumã no município de Barcelos-AM

    Comunidade: Bacabal/Município de Barcelos-AM

    A oficina de fibras de piaçava e tucumã foi realizada na comunidade Bacabal, localizado no Rio Aracá, município de Barcelos, na região da CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro), a atividade aconteceu de 21 a 23 de setembro de 2021.

    Realizado pela FOIRN, através do Departamento de Mulheres Indígenas (Dmirn), Departamento de Adolescentes e Jovens indígenas-DAJIRN e Departamento de Negócios Socioambientais em parceria com a coordenadoria CAIMBRN, Associação Indígena de Barcelos-ASIBA, e Associação Indígena de Base do Aracá e Demeni – AIBAD, a oficina teve como objetivo fortalecer a produção de artesanatos a partir das fibras de piaçava e tucumã, e promover intercâmbio entre os artesãos de Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro.

    Na região do Rio Aracá são oito comunidades (Nova Esperança, Bacabal, Jaqueira, Romão, Elesbão, Terra Preta, Bacuquara), onde vivem povos Tukano, Baré, Tariana, Wanano e Piratapuia. A oficina contou com mais de trinta participantes entre mulheres, homens e jovens indígenas dessas comunidades. A partir da associação, nos últimos anos as comunidades através de suas lideranças locais vêm buscando se fortalecer na luta pelos direitos e território, como também as cadeias produtivas locais com apoio da FOIRN.

    Artesãos Preparando as fibras de Piaçava a serem utilizadas na oficina.

    A oficina

    Samero Andrade Baniwa Vice – Coordenador CAIMBRN, mobilizou a comunidade de Bacabal e providenciou os materiais que foram utilizados durante a oficina, como fibra de piaçava e de tucumã. Durante a oficina foram feitos vários Artesanatos como abanos, suplá, cestos, porta-jóias e bolsas. Ficou definido que a associação AIBAD (Associação Indígena de Base do Rio Aracá Demeni), vai começar a manter a agenda de realização de oficinas para a produção e aperfeiçoamento da qualidade dos produtos.

    A coordenadora do DMIRN, Glória de Braga do povo Baré, foi uma das mobilizadoras da oficina e reforçou sobre a importância da união dos povos indígenas na luta pelos direitos, na defesa dos territórios, e para o empoderamento das mulheres por meio das associações de base. “É importante o fortalecimento da associação local, para desenvolver ações que fortalece a luta, promovam projetos para valorizar os produtos feitos na região, para depois comercializar e gerar renda para a sustentabilidade das comunidades e famílias”, afirmou.

    Outro momento importante na oficina foi exposição da Casa de Produtores Indígenas do Rio Negro (Casa Wariró), feita pela Articuladora e Gerente, Luciane Lima Tariana. Na apresentação, ela repassou informações sobre o histórico, funcionamento, padronização, precificação, relacionamento com artesãos e artesãs, e as demandas de artesanatos. Reforçou a importância do fortalecimento nas produções de artesanato nas comunidades e na valorização dos produtos indígenas.

    Artesã Maria de Nazaré-Tariana, participando da oficina.

    A presença da FOIRN na oficina foi fortalecida com a participação do Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro (DAJIRN) para apresentar as ações do departamento e incentivar a participação da juventude indígena nas ações de valorização e transmissão de saberes tradicionais, a coordenadora Sheine Diana do povo Baré.

    Carlos Nery, coordenador da CAIMBRN participou da atividade, repassou informações sobre os trabalhos da coordenadoria na região do médio e Baixo Rio Negro, e reforçou aos artesãos sobre a qualidade e padronização dos artesanatos aspectos importantes no processo de comercialização dos produtos. Agradeceu os incentivos pelas lideranças e artesãos locais. “A gente precisa demandar trabalho, mas, um trabalho articulado de forma coletiva”, disse. No final da oficina, o presidente da AIBAD, João Leandro Farias do povo Baré, agradeceu a realização da oficina na região. “Só tenho a agradecer a FOIRN pelo incentivo aos artesãos da região para fortalecer e ganhar seu futuro, sua renda familiar através da comercialização de artesanatos, trabalhando e valorizando a cultura pra fortalecer a sustentabilidade, obrigado a todos”, afirmou.

    Participaram da oficina a comunidades de Bacabal, Romão, Bacuquara, Elesbão e membros da ASIBA (Associação Indígena de Barcelos) e CIMI (Conselho Indígena Missionário).

    Artesanatos Finalizados durante a oficina.
  • Mulheres da Associação AMIDI e ASSAI participam da I Oficina do Intercâmbio de conhecimento das Técnicas Tradicionais no Distrito de Yauarete

    Mulheres da Associação AMIDI e ASSAI participam da I Oficina do Intercâmbio de conhecimento das Técnicas Tradicionais no Distrito de Yauarete

    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN através da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauarete – COIDI estiveram envolvidos na realização da I Oficina do Intercâmbio de conhecimento das Associações das Mulheres Indígenas do Distrito de Iauarete – AMIDI e Associação dos Artesãos Indígenas – ASSAI com a participação dos alunos da Escola Estadual Pahmϋri Mahsã wi’i no processo de tingimento da fibra de tucum.
    A mesma ocorreu nos dias 22 a 25 de setembro de 2021 no Distrito de Iauarete no Alto Rio Uaupés, as mulheres mostraram o seu conhecimento e compartilharam as técnicas tradicionais com as demais participantes da Oficina.

    A diretora de referência da região Janete Figueredo Alves acompanhou o evento juntamente com Professora Cecília Albuquerque, Janete Martins Lana, Cleonilda Garrido Araújo e Araci Livino da Associação ASSAI estiveram presentes para compartilhar seus conhecimentos, elas residem em área urbana do município de São Gabriel da Cachoeira, e tiveram mais oportunidade em participar de capacitações, cursos sobre confecções de artesanatos, precificações e atendimento ao cliente.

    Portanto, as mulheres das bases não têm oportunidades iguais a essa. A FOIRN recebeu esta demanda há alguns anos atrás para que apoiasse essa oficina de intercâmbio na região. Então foi realizado com participações de mulheres e jovens da Associação da AMIDI, onde tiveram trocas de ideias, tirando dúvidas entre elas e assim compartilhando seus conhecimentos e como usar as matérias-primas que podem ser encontrados no quintal, na roça, ou na floresta.
    Além da prática, também houve roda de conversas sobre o assunto. A participação dos alunos da Escola Estadual Pahmϋri Mahsã wi’i foi de extrema importância, pois esses jovens precisam estar envolvidos na luta do movimento indígena, e que eles possam fazer parte para dar continuidade na luta e eles são as futuras lideranças desta região.
    “Esse momento histórico foi de muito proveito e de muito conhecimento repassado de uma para outra, para algumas foi novidade ver o processo de tingimento com matérias que elas nunca imaginaram usar, um aprendizado que vai ficar e que estarão praticando daqui para frente” diz Verônica Alves – Vice- Presidente da AMIDI.

    No encerramento foram feito uns apelos para que a FOIRN através da Diretora de Referência desta região apoie mais outros intercâmbios de conhecimentos, pois a Associação precisa de capacitação de Precificação, gestão Financeira e curso do SEBRAE sobre empreendedorismo.
    E que as mulheres da Associação ASSAI continuem compartilhando os seus conhecimentos adquiridos através dos cursos participados por elas e serão bem vindas para qualquer intercâmbio que vier a acontecer novamente.
    Os agradecimentos foram dados à FOIRN através da diretora de referência Janete Alves por atender a demanda, a ASSAI e aos parceiros que abraçam a causa indígena.

  • CARTA DA JUVENTUDE INDÍGENA DO RIO NEGRO: LEVANTE PELO BEM VIVER DO RIO NEGRO E ALERTA CONTRA A EMERGÊNCIA CLIMÁTICA

    CARTA DA JUVENTUDE INDÍGENA DO RIO NEGRO: LEVANTE PELO BEM VIVER DO RIO NEGRO E ALERTA CONTRA A EMERGÊNCIA CLIMÁTICA

    São Gabriel da Cachoeira, Amazonas, 11 de agosto de 2021

    Nós, jovens indígenas do Rio Negro, representantes dos povos das 23 etnias da região, presentes no I SEMINÁRIO DE ADOLESCENTES E JOVENS INDÍGENAS E EMERGÊNCIAS CLIMÁTICAS DO RIO NEGRO – O FUTURO DO PLANETA DEPENDE DA NOSSA LUTA, na Casa do Saber, Maloca da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), em São Gabriel da Cachoeira, no Estado do Amazonas, Amazônia do Brasil, viemos por meio desta carta reiterar todo apoio à Carta da Juventude Indígena Brasileira “Levante Pela Terra”, datada de 26 de junho de 2021, redigida após encontro em Brasília/DF, e demonstrar a nossa preocupação com o futuro dos Povos Indígenas do Rio Negro e de todo o mundo que, com suas práticas tradicionais, contribuem para a sustentabilidade e para o bem viver no planeta.

    O I SEMINÁRIO DE ADOLESCENTES E JOVENS INDÍGENAS E EMERGÊNCIAS CLIMÁTICAS DO RIO NEGRO – O FUTURO DO PLANETA DEPENDE DA NOSSA LUTA foi o espaço para apreender, compreender, debater e propor soluções para que os direitos dos Povos Indígenas a seu território e modos de vida sejam respeitados e não sejam ameaçados pelos retrocessos nas políticas socioambientais que atualmente ganham força em nosso país.

    Nós, jovens indígenas do Rio Negro, nos sentimos no dever de ser, estar e somar força às nossas lideranças que estão mobilizadas pela FOIRN na luta pelo direito à vida e a um meio ambiente equilibrado e saudável para as presentes e futuras gerações.

    Nós, adolescentes e jovens indígenas do Rio Negro, exigimos que nosso presente seja resguardado para que possamos levar ao futuro as sementes e raízes de nossos ancestrais, conhecedores e anciãos. Nosso futuro e nossas tradições dependem da proteção e respeito do direito ao território e carregam em si a conexão da natureza e a integração com o ambiente, o que leva à prática da economia sustentável que promove o bem viver e a proteção das plantas, rios, pedras, animais, sendo uma barreira aos avanços dos impactos da emergência climática.

    O I SEMINÁRIO DE ADOLESCENTES E JOVENS INDÍGENAS E EMERGÊNCIAS CLIMÁTICAS DO RIO NEGRO – O FUTURO DO PLANETA DEPENDE DA NOSSA LUTA teve início em 9 de agosto de 2021, mesma data da divulgação de novo documento do Painel Internacional sobre a Mudança Climática (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) alertando que é inequívoco que a humanidade tenha aquecido a atmosfera, o oceano e a terra, o que resultou em mudanças generalizadas e rápidas no planeta. Essa coincidência de datas reforça a necessidade de sermos ouvidos e atendidos.

    Dessa forma, nós, jovens indígenas do Rio Negro presentes no I SEMINÁRIO DE ADOLESCENTES E JOVENS INDÍGENAS E EMERGÊNCIAS CLIMÁTICAS DO RIO NEGRO – O FUTURO DO PLANETA DEPENDE DA NOSSA LUTA, encaminhamos as seguintes recomendações e demandas à Organização das Nações Unidas (ONU) e ao Estado Brasileiro:

    • Emergência climática

    1 – Amplificar o alerta dado por nós – jovens indígenas do Rio Negro vivendo em comunidades da floresta Amazônica e em cidades da região – de que já estamos sendo atingidos pelos danos provocados por ações e políticas agressivas ao meio ambiente, mesmo sendo os que menos causam degradação. Nas comunidades, ouvimos os velhos narrarem as mudanças dos ciclos: os eventos climáticos não coincidem mais exatamente com as constelações. Entendemos que essas narrativas mostram os impactos da emergência climática na floresta Amazônica, nossa casa.

    2 – Repudiar e agir para barrar propostas como o Projeto de Lei 490 e o Marco Temporal, que ameaçam nossos direitos constitucionais, incentivando práticas predatórias dentro de nosso território e reduzindo a autonomia dos Povos Indígenas.

    3 – Substituir projetos e propostas que ameaçam os direitos dos Povos Indígenas por políticas públicas que incentivem as práticas sustentáveis e a cultura tradicional, estabelecendo contrapartidas às ações de proteção ambiental.

    4 – Combater o preconceito aos povos originários e promover a valorização da juventude indígena como forma de assegurar que levaremos adiante os saberes ancestrais que conciliam economia, bem viver e floresta em pé.

    Saúde

    1. Conciliar a medicina tradicional com a medicina ocidental – Apoiar, respeitar e promover os saberes tradicionais, com implementação das “farmácias verdes”, com hortas de plantas medicinais dentro dos territórios, e de universidades adequadas à realidade e saberes indígenas.

    2. Incentivar formações continuadas para a juventude em medicina tradicional junto aos mestres em saúde tradicional, respeitando a cultura e identidade de cada povo;

    3. Criar Núcleos Multidisciplinares de Saúde Tradicional Indígena nos territórios, hospitais e postos básicos de saúde para acompanhamento a curto, médio e longo prazo dos pacientes indígenas, com participação dos anciãos e jovens formados na área de saúde, promovendo os tratamentos tradicionais;

    4. Garantir a participação dos profissionais indígenas da área da saúde em encontros realizados na região para dar apoio aos participantes indígenas presentes;

    5. Criar um centro de apoio à saúde da mulher indígena nos territórios, promovendo a cura, o acolhimento e o cuidado.

    6. Reforçar as medidas preventivas e o atendimento médico-hospitalar voltados a atendimento de pacientes com a Covid-19, levando em conta a realidade indígena, além de ampliar as campanhas de vacinação.

    Política

    1. Promover formação política específica para jovens indígenas, dentro e fora dos territórios;

    2. Realizar mutirões nas comunidades para que os jovens indígenas sem títulos de eleitor, carteira de identidade ou outros documentos oficiais possam ter acesso a esses documentos;

    3. Promover palestras instrutivas sobre o Direito dos Povos Indígenas e sobre como acessar Políticas Públicas que tratem dos nossos direitos;

    4. Promover o mapeamento de jovens nas comunidades que buscam uma formação política;

    5. Incentivar a ocupação de cargos parlamentares, bem como de outros espaços de tomada de decisão no próprio Legislativo, no Judiciário e no Executivo, por parte de representantes dos Povos Indígenas, sendo esses legitimados para exigir nossos direitos.

    6. Incentivar a criação de aplicativos que veiculam informações de políticas indígenas, adaptadas às linguagens tradicionais;

    7. Apoiar organizações de jovens indígenas que estão dentro das comunidades e que buscam junto às lideranças criar políticas públicas para o bem-estar dos Povos Indígenas e tradicionais.

    Cultura

    1. Promover o resgate cultural como forma de aproximação entre os mais jovens e os mais velhos. Incentivar os grafismos, artesanatos, música e a arte como resistência;

    2. Realizar encontros intergeracionais para promover o diálogo, troca e valorização dos conhecimentos tradicionais, bem como o intercâmbio tecnológico;

    3. Incentivar a juventude, dentro e fora dos territórios, a conhecer suas raízes e não se esquecer delas;

    4. Investir na educação tradicional e promover a participação dos mais jovens no processo de tomada de decisões;

    5. Evitar que grupos religiosos atuem no território indígena sem respeitar as tradições dos Povos Indígenas, bem como o seu modo de ser.

    Território

    1. Criar estratégias para defender os direitos sobre nossos territórios tradicionais;

    2. Exigir que o Estado Brasileiro cumpra o que está garantido na Constituição Brasileira (art. 231, art. 232 e art. 225) e nos Acordos Internacionais, como na Convenção 169 da OIT e nos demais tratados internacionais sobre os Direitos dos Povos Indígenas e o Meio Ambiente, dos quais o Brasil é signatário;

    3. Garantir que os territórios sagrados indígenas autodemarcados sejam reconhecidos e respeitados pelo Estado e pela sociedade em geral;

    4. Incentivar a juventude indígena a estar inserida na luta pela demarcação dos territórios e pela garantia dos direitos dos Povos Indígenas;

    5. Garantir a participação da juventude indígena nas pautas relativas às questões climáticas;

    6. Apoiar os projetos de gestão territorial interna dos Povos Indígenas e o automonitoramento dos territórios;

    7. Promover a capacitação em gestão territorial de jovens indígenas nos territórios e a criação de grupos de Guardiões do Território;

    8. Incentivar e garantir recursos para o reflorestamento dos territórios nas áreas degradadas pelas queimadas, pastagens, madeireiros e garimpos, bem como responsabilizar os culpados pela execução de atividades ilegais em nossos territórios.

    9. Incentivar a promoção da Economia da Floresta, por meio do empoderamento das comunidades, promovendo cadeias de valores que fortaleçam a soberania dos territórios;

    10. Apoiar a proteção dos territórios indígenas por meio da promoção da capacitação da Juventude Indígena para que possamos continuar a luta iniciada por nossos Anciãos.

    Educação Indígena

    1. Incentivar formações diferenciadas para professores indígenas que irão atuar ou atuam dentro das comunidades;

    2. Criar concursos públicos específicos para educação escolar indígena que tenham vagas específicas reservadas para profissionais indígenas;

    3. Fortalecer a inserção dos conhecimentos tradicionais por meio do PPP (Projeto Político Pedagógico), como forma de garantir a identidade cultural dentro das escolas indígenas;

    4. Exigir o aumento no número de vagas reservadas para estudantes indígenas designada pela Lei de Cotas nas Universidades Públicas, bem como que essas apresentem um programa para promover a permanência e acolhimento destes estudantes.

    Comunicação/Mobilização

    1. Criar um fundo financeiro para que a juventude indígena possa participar dos movimentos e conferências em todo o Brasil e no exterior, respeitando o direito de fala e consulta prévia da juventude;

    2. Incentivar encontros de comunicadores indígenas, na forma de oficinas, para a troca de saberes entre os povos tradicionais;

    3. Viabilizar o turismo de base comunitária como forma de divulgação da cultura, usando as diversas formas da linguagem para comunicação e para atingir o maior público;

    4. Utilizar as ferramentas de comunicação para o combate às fake news sobre a luta dos Povos Indígenas;

    5. Incentivar a participação de mulheres indígenas comunicadoras para que elas possam ocupar mais espaços de voz e liderança;

    6. Fortalecer as redes de comunicação das organizações e influenciadores indígenas para que tenham maior alcance e maior impacto na população não-indígena que desconhece a diversidade e a realidade dos Povos Indígenas do Brasil;

    7. Garantir o acesso a uma internet de boa qualidade e recursos para aquisição de equipamentos, bem como para projetos audiovisuais que incentivem a participação dos jovens da base;

    8. Criar um sistema de divulgação de editais e projetos que facilite a participação da juventude indígena;

    9. Fortalecer a rede de comunicadores da juventude indígena, usando a comunicação como ferramenta para a descolonização do pensamento e do estereótipo do que seria o “índio”, de forma a mostrar a nossa pluralidade étnica cultural indígenas.

    Alimentação

    1. Incentivar a produção de alimentos saudáveis nas comunidades e fazer com que a produção seja usada como merenda nas escolas indígenas. A culinária e a soberania alimentar devem respeitar a diversidade dos nossos povos;

    2. Incitar os Estados para que garantam a compra dos produtos alimentícios produzidos nas aldeias como merenda escolar, bem como a valorização dos nossos produtores e da nossa alimentação tradicional livre de agrotóxicos;

    3. Incentivar, por meio de projetos, a reconexão e o consumo dos nossos alimentos tradicionais, fortalecendo a valorização da cultura e a produção de alimentos que respeitem as nossas terras;

    Segurança pública

    1 – Elaborar e executar um plano de segurança pública que considere a criação de redes protetivas que garantam aos jovens indígenas a plena participação na vida pública em suas cidades e comunidades com confiança e sem medo;

    2 – Melhoria da estrutura dos serviços de segurança pública;

    4 – Considerar que as adolescentes e as jovens indígenas estão mais expostas a riscos e, por isso, demandam uma atenção especial na criação de redes protetivas, com garantia da presença de uma delegada mulher à frente da Delegacia da Mulher nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

    5 – Estruturar e melhorar os serviços voltados ao acompanhamento de adolescentes e jovens;

    6 – Criar políticas de conscientização e combate ao uso de álcool e drogas, levando em conta a realidade local.

    7 – Apoiar o Fórum Interinstitucional de Políticas Públicas de São Gabriel da Cachoeira na carta de repúdio encaminhada aos órgãos competentes quanto ao assassinato de uma jovem indígena da etnia Baré, de apenas 15 anos, esfaqueada por um soldado do Exército no final do mês de julho de 2021.

    • Políticas Públicas de Juventudes (PPJs)

    1 – Fortalecer as PPJs para que os jovens tenham melhor oportunidade de emprego, melhoria na educação, cultura, lazer, esporte, saúde, segurança, agricultura etc.

    2 – Reativar os trabalhos do Conselho Municipal de Juventude de São Gabriel da Cachoeira/Am (COMJUVE-SGC/AM).

    3 – Criar o Conselho Municipal de Juventude de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

    4 – Propor a criação a Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer em Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

    • Movimento indígena

    A juventude indígena do Rio Negro reivindica do movimento indígena do Rio Negro, na ocasião representada pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN):

    1. – Solicitar junto ao conselho diretor da FOIRN a composição de 5 (cinco) coordenadorias do DAJIRN/FOIRN para referência nas 5 (cinco) coordenadorias regionais da instituição. 

    2 – Providenciar espaço físico destinado a alojamento para jovens e lideranças das comunidades que participam de encontros e assembleias em São Gabriel da Cachoeira.

  • Agentes Indígena de Saúde trocam saberes tradicionais em qualificação promovida em São Gabriel da Cachoeira

    Agentes Indígena de Saúde trocam saberes tradicionais em qualificação promovida em São Gabriel da Cachoeira

    Os Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e os Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN) que atuam em comunidades do Rio Negro participaram de intensa troca de saberes tradicionais durante curso de qualificação realizado na Ilha de Duraka, no município de São Gabriel da Cachoeira (AM). 

    Participantes da Formação realizada na Ilha de Duraka – Médio Rio Negro no município de São Gabriel da Cachoeira (Am). Foto: FAS/Divulgação

    O objetivo da formação, ocorrida de 12 a 14 de agosto, é melhorar o atendimento de quem vive nas comunidades. Participaram do encontro AISs e Aisams de 23 polos-bases do Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN) e de dois polos-bases do Dsei-Yanomami (Inambu e Maiá). 

    Realizada em parceria pela FOIRN, Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Dsei-ARN e Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), a formação contou com 170 participantes, sendo a maioria AIS. 

    Considerado o principal mediador da equipe multidisciplinar dos Dseis com a comunidade, o AIS é quem faz os primeiros diagnósticos do paciente para depois comunicar e acionar a equipe de saúde do pólo-base. Por isso, a formação continuada é tão importante. Nesse processo, a comunicação é uma etapa primordial do trabalho do agente. 

    Com o curso realizado na Ilha de Duraka, os agentes puderam narrar suas experiências de utilização dos remédios da floresta e aprenderem ainda mais sobre a medicina tradicional indígena. A partir do encontro, eles poderão colocar em prática os novos conhecimentos no dia a dia das comunidades.

    Essa troca de experiência resultou na exposição Saberes da Floresta, realizada pelos grupos de trabalho dos pólos-base. Os agentes reivindicam que esse material seja transformado em material de apoio a ser compartilhado com todos os agentes de saúde nas comunidades.

    Exposição Saberes da Floresta – foi espaço de troca de saberes e conhecimentos sobre a medicina tradicional. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    A qualificação foi conduzida por dois conhecedores tradicional da região: a professora e artesã Cecília Albuquerque, da etnia Piratapuia, uma das fundadoras da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (Assai); e o conhecedor tradicional Ercolino Alves, Dessano. 

    No ano passado, Cecília Albuquerque e Ercolino Alves já tinham conduzido, com as artesãs da Assai, o curso do uso de plantas tradicionais utilizados no combate à Covid-19 na região do Rio Negro. A atividade acabou resultando em uma cartilha desenvolvida pela Assai em parceria com a FOIRN e ISA. 

    Dona Cecília frisou que o conhecimento dos povos indígenas do Rio Negro sobre a medicina tradicional é grande e diverso. “Muitas plantas que conheço e algumas que compartilhei aqui vocês já conhecem, muitas vezes com outros nomes e para outras doenças. Nosso conhecimento é diverso”, explicou.

    Da comunidade Querari – Alto Rio Uaupés, o Acis Eduardo Gonçalves, da etnia Kubeo, destacou a importância da qualificação e da valorização do conhecimento tradicional. Ele ressaltou também a necessidade de qualificação voltada para os saberes da chamada medicina dos brancos ou ocidental. 

    “O nosso conhecimento sobre as plantas medicinais é grande e sempre estamos valorizando. Mas precisamos também nos qualificar sobre a medicina dos brancos”, disse. 

    Dario Casimiro Baniwa – Diretor da FOIRN foi um dos coordenadores da realização da formação dos Agentes Indígenas de Saúde. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    Sobre a demanda de novas qualificações, o diretor da FOIRN, Dario Casimiro Baniwa, reafirmou que a federação tem essa missão de lutar pelos direitos e buscar meios para garantir a saúde indígena diferenciada e de qualidade para os povos indígenas do Rio Negro, sendo que uma das ações para alcançar esse objetivo é qualificar os profissionais que estão na ponta, realizando as ações de atendimento primário. 

    Ao longo do encontro foram abordados temas para o fortalecimento da saúde indígena, como:  Direitos Territoriais, Soberania Alimentar e Educação, Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, Conhecimento Indígena Como Ciência, O Cuidado de Saúde na Cultura Indígena, Relato de Experiências Terapêuticas na Medicina Indígena, A Importância da Medicina Tradicional para Fortalecimento da Saúde dos Povos Indígenas.

  • Mukaturu: projeto sobre autocuidado da mulher indígena reforça resgate da alimentação tradicional

    Mukaturu: projeto sobre autocuidado da mulher indígena reforça resgate da alimentação tradicional

    Na língua nheengatu, o vocábulo mukaturu tem o significado de cuidado. E foi essa a palavra escolhida para dar nome ao projeto de autocuidado da mulher indígena que teve início nesse final de semana (14 e 15/8) tendo como objetivo principal trabalhar o eixo alimentação, fortalecendo e resgatando a alimentação tradicional.

    Promovido pela Foirn através do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro (Dmirn), o projeto Mukaturu – Comunidades de Autocuidado é desenvolvido através de projeto aprovado pela ONU Mulheres, com apoio dos parceiros ISA, Instituto Aleema e Nia Tero.

    Coordenadora do Dmirn/FOIRN, Dadá Baniwa, explica que o papel da mulher na organização da alimentação da família e da comunidade é primordial. E o objetivo é que as participantes do projeto sejam multiplicadoras das informações sobre a importância da alimentação tradicional em suas aldeias.

    E ela ressalta a importância do autocuidado. “Primeiro a mulher deve cuidar de si mesma para conseguir cuidar da família, da comunidade”, diz.

    Articuladora e instrutora do projeto Mukaturu, a enfermeira Eufélia Lima Gonçalves, da etnia Tariana, explica que uma série de doenças decorrentes da má alimentação – como hipertensão e diabetes – estão se intensificando entre os indígenas do Rio Negro principalmente devido à influência sofrida desde a colonização.

    A estratégia de prevenção adotada no Projeto Mukaturu – Comunidades de Autocuidado é promover o resgate da alimentação tradicional, com o incentivo do consumo dos produtos da roça, como a mandioca, a banana, o abacaxi, o açaí, com incremento das verduras e legumes da horta. “Devemos lembrar que o sistema agrícola do Rio Negro é patrimônio cultural. Incentivar essa prática é melhorar a saúde e reforçar o valor da cultura indígena”, diz.

    Participantes da Formação em atividade. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    E a mudança já começou. Como valorização da alimentação da região, as refeições do curso foram preparadas com produtos típicos, sem condimentos ou industrializados. Foram servidos peixes, carne de paca, frutas como mamão, abacaxi, cará e etc. O que mais impactou foi o café sem açúcar, que acabou tendo boa resposta das mulheres ao longo da vivência desafiadora.

    Dadá Baniwa pondera que não será fácil promover essa mudança de hábito, pois os indígenas, mesmo os que vivem nas comunidades, já consomem há muito tempos os produtos industrializados.

    Também coordenadora do Dmirn/FOIRN, Larissa Tukano também acredita que a mudança de hábitos alimentares será um desafio. “É um desafio e algumas mulheres relataram até medo, mas também a esperança de chegar em suas comunidades e repassar os conhecimentos”, disse.

    Uma das propostas é que o Dmirn/FOIRN comece a propor essa valorização dos produtos típicos durante as atividades na área indígena. Dadá Baniwa explica que, quando ocorrem eventos nas comunidades, o Dmirn ou os outros departamentos da FOIRN levam produtos como arroz, macarrão e frango para reforçar as refeições durante a atividade.

    “Podemos mudar essa estratégia, informando à comunidade a data do evento e avisando que vamos precisar de mais quantidade de mandioca, cará, açaí, beiju, peixe, caça. E remunerando os fornecedores”, explica.

    Moradora da comunidade de Campinas do Rio Preto, em Santa Isabel do Rio Negro, Derly de Jesus Pereira, da etnia Baré, participou do curso. Ela conta que em sua casa já toma cuidado com a alimentação porque seus pais têm problemas como diabetes e hipertensão. Ela observa que, no geral, a comunidade ainda adota muito a alimentação tradicional, com consumo de peixes e caças. “É tudo fresco. Matou, comeu”, comenta. Por outro lado, também são utilizados alimentos como arroz, feijão e frango – que não fazem parte do cardápio tradicional. Além disso, mesmo o comércio local já vende produtos industrializados como refrigerantes ou salgadinhos prontos.

    Derly de Jesus Pereira demonstrou preocupação com a atividade de repassar aos indígenas da comunidade o que aprendeu durante o curso. Sua principal missão é ajudar a resgatar o valor da alimentação indígena. E quem não gosta de uma quinhampira – o famoso prato tradicional à base de peixe – com beiju?

    O curso terá duração de 2 meses no formato EaD e com duas etapas presenciais. Ao final da atividade espera-se que as mulheres estejam confiantes e preparadas para serem multiplicadoras das informações em suas regiões. Devido à pandemia, o curso contou com participação reduzida, contando com 18 participantes de todas as coordenadorias regionais da FOIRN.

    Participantes da formação recebem a visita do Presidente da FOIRN – Marivelton Rodrigues Baré. Foto: Juliana Albuquerque

    Nessa primeira etapa, foram dois dias de atividades intensas, vivência, acolhimento e escuta. Foram trabalhados temas como a individualidade da mulher rionegrina, seus anseios e suas perspectivas, com aulas preparadas pela médica Nazira Scaffi e dinâmicas criadas pelo Instituto Aleema, que trabalha com alimentação saudável como tratamento de doenças crônicas não transmissíveis.