Tag: Povos do Rio Negro

  • Grafiteiro Raiz homenageia Feliciano Lana em São Gabriel da Cachoeira

    Grafiteiro Raiz homenageia Feliciano Lana em São Gabriel da Cachoeira

    Com projeto agraciado pelo Governo do Amazonas, Raiz oferecerá uma oficina colaborativa
    que vai homenagear o artista e liderança indígena da região

    Feliciano Lana e Raiz Campos em São Gabriel da Cachoeira – em 2018 . Foto: Juliana Radler/ISA

    Uma perda irreparável para a comunidade Dessana, o artista indígena Feliciano Lana faleceu em 2020, vítima de coronavírus. Muito além de um líder memorável, Lana também deixou registrado um legado com seu talento para artes plásticas, nas quais mantinha vivas as narrativas de seu cotidiano e histórias sobre a vida indígena.

    Em respeito à autoridade construída por Lana e sua arte, o grafiteiro Raiz Campos, conhecido pelos seus grandes murais com representações indígenas, apresenta um projeto artístico beneficiado pelo Governo do Amazonas, em que irá homenagear Feliciano Lara em sua comunidade.

    O ‘Muralizar: do Raiz ao Lana’ será uma oficina colaborativa para revitalizar o Muro do Bispo, em São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, noroeste do Amazonas. A ideia é que toda a comunidade participe do trabalho que, além de trazer mais arte ao município, será um momento de aprendizado sobre técnicas do grafite e muralismo para os participantes, resultando em um espaço emblemático para homenagear Feliciano Lana. “Fiquei muito feliz com a proposta do Governo do Amazonas em criar um prêmio com o nome do Feliciano Lana mantendo viva sua história. Pouquíssimos lugares do Brasil dão crédito e valorizam os indígenas e isso, para mim, foi um incentivo para submeter um
    projeto dedicado a Lana em sua própria comunidade”, conta Raiz.

    A oficina ocorre entre os dias 19 a 22 de Agosto em São Gabriel da Cachoeira e a expectativa do artista é proporcionar uma experiência única, compartilhar conhecimento e colaborar com a preservação da memória de Lana em sua região. O trabalho será realizado respeitando as medidas de segurança, com número limitado de participantes que deverão usar máscara, manter o distanciamento e higienizar as mãos com álcool.


    In Memoriam

    Para Raiz, voltar a São Gabriel da Cachoeira sempre é um momento especial de muito aprendizado e apreciação da cultura amazonense. O grafiteiro relembra que teve dois momentos marcantes de encontro com o artista plástico no município, sendo o primeiro em 2018, quando aplicou uma oficina colaborativa para revitalizar um mural na Ilha Adana e o segundo, em 2019, para fazer um trabalho junto ao desenhista para o Museu Etnológico de Berlim e Museu do Brasil.

    “Foi um privilégio e uma honra trocar ideias com Feliciano e conhecer seus desenhos, um homem repleto de histórias, cultura rica e preocupado em fazer o melhor para sua comunidade”, relembrou.

    Poster da Atividade que será realizado em São Gabriel da Cachoeira

    Serviço
    O quê? Projeto Muralizar: de Feliciano a Raiz. Oficina colaborativa de grafite e muralismo
    do grafiteiro Raiz.
    Quando? De 19 a 22 de Agosto
    Onde? São Gabriel da Cachoeira.
    Para mais informações acompanhe o instagram.com/raiz.campos/ ou entre em contato pelo
    número (92) 98230-4922.

  • Jovens indígenas relatam impactos da emergência climática na Amazônia e cobram proteção ao território

    Jovens indígenas relatam impactos da emergência climática na Amazônia e cobram proteção ao território

    Jovens apresentam propostas durante o I Seminário realizado em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    Adolescentes e jovens indígenas – muitos deles vivendo em comunidades na floresta Amazônica – denunciam o agravamento dos impactos da emergência climática e exigem que o poder público tome providências para evitar o agravamento da situação, principalmente com a garantia e proteção do território. Esses foram alguns dos resultados do I Seminário de Adolescentes e Jovens e Indígenas e Emergências Climáticas do Rio Negro – O futuro do nosso planeta depende de nossa nossa luta! que aconteceu na Casa do Saber da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira (AM), de 9 a 11 de agosto. A organização do encontro é do Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas da FOIRN (Dajirn/FOIRN), com apoio de parceiros.

    Ao final do seminário, os participantes fizeram protesto contra o PL 490 e o Marco Temporal, cobrando proteção ao território como forma de manter as práticas tradicionais indígenas que protegem a floresta e o meio ambiente como um todo. Os jovens repudiaram projetos que ameaçam seus direitos e territórios.

    Neste mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve analisar ação avaliando a tese Marco Temporal, princípio que considera que só podem reivindicar terras indígenas as comunidades que as ocupavam na data da promulgação da Constituição, 5 de outubro de 1988. Já o PL490 prevê, entre outros pontos, modificações nos direitos territoriais indígenas garantidos na Constituição Federal de 1988, gerando um retrocesso quanto à demarcação de terras e abrindo brechas para que terras demarcadas sejam exploradas por diversos setores, como agronegócio, mineração e construção de hidrelétricas.

    Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso participou do encontro e falou da importância do seminário para que o jovem indígena possa ter um futuro sustentável e saudável. Ele também traçou um panorama sobre a mobilização e participação dos jovens no movimento indígena. “O Departamento de Jovens da FOIRN tem o papel importante de controle social: monitorar políticas públicas e cobra soluções para os jovens. E isso é primordial para a construção de um futuro sustentável”, disse.
    Ao longo do encontro, os jovens trocaram experiências e relataram suas percepções sobre o clima na região do Rio Negro. Entre os principais impactos citados estão dois eventos ocorridos este ano: as cheias do Rio Negro – que bateram recorde em 2021 – e o frio por um período mais prolongado que o habitual. Na região, há o período de temperaturas amenas, conhecido por muitos como Aru, mas este ano o frio durou mais.

    GT de Trabalho durante o seminário. Foto: Juliana Albuquerque

    Além disso, pelo calendário tradicional do Rio Negro, segundo relato dos jovens, nos meses de agosto e setembro acontece o preparo do terreno para o plantio das roças, aproveitando a trégua das chuvas após o período do inverno chuvoso. Entretanto, este ano, agosto já chegou, mas ainda está chovendo e o rio está cheio, o que deve comprometer o processo, interferindo na segurança alimentar e na diversidade dos produtos da roça.

    A data do início do seminário, 9 de agosto, coincidiu com a da divulgação do documento do Painel Internacional sobre a Mudança Climática (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) alertando que é inequívoco que a humanidade tenha aquecido a atmosfera, o oceano e a terra, o que resultou em mudanças generalizadas e rápidas no planeta. Entre as mudanças estão o aumento da temperatura e fenômenos climáticos extremos. A coincidência de datas não foi intencional, mas reforça a importância da abordagem do tema.

    Um dos articuladores do I Seminário de Adolescentes e Jovens e Indígenas e Emergências Climáticas do Rio Negro é o secretário-executivo da Nadzoeri – coordenadoria regional da FOIRN -, Juvêncio Cardoso, o Dzoodzo Baniwa. Ele considera que o seminário possibilita que os jovens entendam que as mudanças que eles estão vendo em suas comunidades na floresta e que também são relatadas pelos velhos conhecedores indígenas estão ligadas à emergência climática. “Essas observações são compartilhadas nos espaços comunitários nas comunidades. Há também os relatos dos velhos, as narrativas. Cada vez tem menos peixe. Por quê?”, diz.

    Ele reforça a fala dos jovens que relatam as mudanças no ambiente, lembrando que, em 2018, a região do Rio Negro enfrentou extrema seca e, neste ano de 2021, houve a cheia recorde do Rio Negro, que inundou roças, colocando em risco a segurança alimentar dos indígenas. “A roça inunda, perde-se a roça, a mandioca, a banana, a pimenta. Perde-se a diversidade de alimentos”, diz.
    “Nós indígenas, preservamos a floresta, temos pouca participação no impacto negativo que gera a emergência climática. A nossa forma tradicional de viver considera que o mundo está interligado com os espíritos das plantas e animais. Mas estamos sentindo o impacto”, completa.

    Segundo Dzoodzo Baniwa, para manter as práticas tradicionais que protegem o ambiente, os indígenas reivindicam o direito e proteção ao território, colocados sob ameaça por projetos como o PL 490 e o Marco Temporal. “É necessário reconhecer e garantir o direito ao território. Outra forma de política pública é a implementação de pagamento por serviços ambientais, como o ICMS Verde para quem protege mais o ambiente e apoio para implementação dos Planos de Gestão Territorial Ambiental (PGTAs) construído pelos indígenas”, explica.

    Juvêncio Cardoso – Professor, pesquisador e liderança Baniwa. Foto: Eucimar Aires/FOIRN


    O coordenador do Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas da FOIRN (Dajirn/FOIRN), Elson Kene Cordeiro, da etnia Baré, informou que o encontro foi estruturado a partir da demanda dos próprios jovens da região do Rio Negro. “Os jovens relatam que suas famílias sofrem com cheia do rio, perda de roças, escassez de peixe, mudança no tempo”, informa ele. Também coordenadora do Dajirn/FOIRN, Gleice Maia Machado, da etnia Tukano, informou que durante o encontro foram discutidas mudanças que os jovens podem promover em suas comunidades para evitar poluição e produção de lixo. Para dar o exemplo, o Dajirn providenciou copos personalizados para serem usados pelos jovens durante o evento, evitando o uso de objetos descartáveis.
    Participaram do encontro representantes das cinco coordenadorias da FOIRN – Coidi, Diawi´í, Caiarnx, Caimbrn, Nadzoeri (saiba mais abaixo) – além de moradores de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel da Cachoeira.


    Ativista e voluntária do Greenpeace, Cíntia Lucena, graduanda de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), também participou do encontro, em São Gabriel, e compartilhou informações sobre os impactos das mudanças climáticas na floresta Amazônica e as consequências para a preservação da vida humana. “É um intercâmbio de percepções no seminário, com grande diversidade de jovens”, disse. Ela ressalta que os jovens são os que mais vão sentir os impactos do aquecimento global. “Eles já sentem os impactos passando por essa pandemia da Covid-19, com crise econômica, sanitária e social”, diz.

    Cíntia Lucena explica que a pauta da emergência climática está diretamente conectada ao tema de direitos à terra e valorização da cultura indígena. “Os indígenas têm o método de economia que valoriza a vida e a cooperação, levando à conservação ambiental”, diz.
    REDE WAYURI

    Os integrantes da Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas estiveram presentes no encontro. A Comunicadora Cláudia Ferraz, da etnia Wanano, informou que o grupo participou
    Na quarta-feira (11) de manhã, os comunicadores participaram do Programa Papo da Maloca, na rádio FM 92,7, desenvolvido pela Rede Wayuri numa parceria entre FOIRN e Instituto Socioambiental (ISA), sempre com abordagem de temas ligados aos indígenas do Rio Negro. “Os comunicadores vão falar sobre o evento, o que chamou mais atenção, o que vão levar de informação para repassar em suas comunidades”, diz a comunicadora Cláudia Ferraz, da etnia Wanano, que apresenta o Papo da Maloca junto com Elizângela Baré. A Rede Wayuri também mantém um podcast e desenvolve uma série de atividades de comunicação e articulação com jovens indígenas. Devido à pandemia, algumas mobilizações foram reduzidas.


    VIOLÊNCIA
    O tema violência contra os jovens indígenas também ganhou destaque no encontro. No final de julho, o assassinato de uma jovem indígena da etnia Baré, de 15 anos, estudante, causou comoção na cidade. O acusado pelo crime é um soldado do Exército, que foi detido. O fato levou à mobilização do Fórum Interinstitucional de Políticas Públicas de São Gabriel da Cachoeira, que divulgou uma nota de repúdio contra o fato, cobrando mais segurança e proteção para a população, principalmente os mais vulneráveis, como mulheres e jovens indígenas.
    Em nota, o Exército informou que não compactua com comportamentos em desacordo com a ordem jurídica vigente e repudia todos os atos de violência contra a integridade humana. Foi informado também que após concluído o processo leal pelas autoridades competentes, o Exército adotará as medidas disciplinares cabíveis.

    IMPACTOS NA FLORESTA
    Leia abaixo relatos de adolescentes e jovens indígenas que vivem em comunidades na floresta ou em cidades do Rio Negro e que participaram do I Seminário de Adolescentes e Jovens e Indígenas e Emergências Climáticas do Rio Negro – O futuro do nosso planeta depende de nossa nossa luta!:

    • Riseli Maísa, de 27 anos, moradora da comunidade Matapi/Rio Tiquié,
      Coordenadoria Diawii
      “Esse encontro é muito interessante. Ainda tem muita coisa que não temos conhecimento. Na comunidade já conversamos sobre cuidados com poluição, desmatamento, lixo. E já sentimos algumas mudanças no clima. Agora é época de queima de roças e, depois, plantação. Mas está chovendo, o que está atrapalhando.”
    • Leonardo Garcia da Silva, etnia Baniwa, morador da comunidade Tunuí-Cachoeira/Rio Içana
      Coordenadoria Nadzoeri
      “Nós tivemos um primeiro encontro de jovens lá na nossa região, em Tucumã, e entendemos que a mudança climática é perigosa. Antigamente não era assim. Os velhos falaram lá: aumentou o calor do sol, encheu muito o rio, ficou mais difícil o peixe. Entendemos que longe queimam a natureza, isso não acontece na nossa região, mas esse calor causa impacto lá. O meio ambiente é nosso, vamos reunir, sonhar: o ambiente é para todos!”
    • José Baltazar, etnia Baré, morador da comunidade Guia, Alto Rio Negro
      Coordenadoria Caiarnx
      “Estamos expandindo o nosso conhecimento sobre a emergência climática. E queremos saber por que as leis de meio ambiente não estão sendo devidamente aplicadas. Também queremos que sejam mantidas as leis que preservam as terras indígenas. Pelo conhecimento de nossos antepassados, agosto é época de derrubar roça, queimar e depois plantar. Era para começar de secar. O clima mudou, é agosto e o limite da água está alto.”
    • Jodelyn Alves Amaral, etnia Desano, morador da comunidade Nossa Senhora Aparecida/Iauaretê, Rio Uaupés
      Coordenadoria Coidi
      “Na nossa comunidade, toda quarta-feira tem trabalho comunitário nas roças. Mas por causa da chuva não tava dando para trabalhar, para plantar mandioca, bacaba, açaí. Tem grande diferença no clima.”
    • Nicolas Cauê, etnia Baré, morador de Barcelos
      Coordenadoria Caimbrn
      “O seminário é importante porque incentiva a gente a conhecer coisas novas, saber do movimento indígena e da importância de levar à frente a cultura indígena. Sobre o aquecimento global, já sentimos as mudanças. O calor aumentou. E o frio também aumentou. Na cidade, podemos ver mais poluição.”
    • Martinho da Silva Teixeira, etnia Yanomami, morador da comunidade Maturacá, Coordenadoria Caimbrn
      “Aos poucos a gente vai discutindo sobre as mudanças climáticas. Sim, claro que sim já sentimos o impacto. As caças eram achadas bem pertinho. Peixe era bem pertinho. Estão se distanciando muito. Pesca o dia inteiro e acha pouco peixe.”
    • Lilia França, etnia Baré, moradora de São Gabriel da Cachoeira
      “Na cidade também é possível perceber as mudanças no clima. O calor aumentou e está insuportável, este ano o rio causou alagamento em diversos pontos. Também tivemos frio que na região, o que não é comum. E, quando começa a secar, os mosquitos aumentam cada vez mais.”

    Informe-se sobre quais regiões cada uma das cinco coordenadorias da FOIRN representa:
    Nadzoere – Associação Baniwa e Koripaco;
    Diawi´i – Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes;
    Coidi- Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê;
    Caiarnx – Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié;
    Caimbrn – Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro.

  • Mulheres Baniwa do Médio Içana realizam encontro de formação em gestão de associação

    Mulheres Baniwa do Médio Içana realizam encontro de formação em gestão de associação

    O I encontro foi realizado na comunidade Castelo Branco – Médio Rio Içana. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    Mulheres das comunidades do Médio Içana: Nazaré, Ambaúba, Castelo Branco, Belém, Taiaçu Cachoeira, Tunuí Cachoeira, Warirambá e Vista Alegre participaram do I Encontro das Mulheres Artesãs do Médio Içana I, realizado na comunidade Castelo Branco, nos dias 5 e 6 de Agosto de 2021.

    O encontro reuniu mais de cem participantes que teve como a pauta principal, a formação de lideranças mulheres em gestão de associação com objetivo de fortalecer as associações de base da região e aprimoramento dos trabalhos das artesãs associadas.

    Diretor da FOIRN de referência da região do Içana, Dario Casimiro; Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e Alfredo Brazão apresentaram um pouco sobre o histórico do movimento indígena do Rio Negro, as associações de base e como elas funcionam, especialmente a documentação e as etapas de regularização.

    O diretor de referência apresentou os planos de trabalho e as ações da Foirn, afirmou a importância do fortalecimento da associação as mulheres e as articulações de eventos na região.

    A Coordenadora do Departamento de Mulheres, Dadá Baniwa destacou a importância do empoderamento das mulheres através de suas associações pois é através delas que podem se mobilizar para lutar pelos direitos e promover ações que garantam o bem viver do povo e das comunidades.

    A oportunidade a associação reestruturou a diretoria que passou a ser composto da seguinte maneira: Presidente: Nilda José da Silva; Vice – Presidente: Alcimara Pereira Antônio; Secretaria: Gorete dos Santos; 1° Conselheira: Graziela Serafim Camico; 2° Conselheira: Suzete Serafim Camico.

    Foram indicadas mulheres para participar da Rede Mulheres do Rio Negro, como representantes da região do Médio Rio Içana, são elas: Sani Fontes (Comunidade Castelo Branco), Sandra Pedro Camico (Comunidade Vista Alegre) e Cleide José da Silva (Comunidade Castelo Branco).

    Fundada em 2004 a Associação das Mulheres Artesãs Indígenas do Médio Içana I (AAMI), abrange 5 comunidades do Médio Içana I: Nazaré, Ambaúba, Castelo Branco, Belém e Taiaçu Cachoeira.

  • Jovens indígenas do Rio Negro realizam seminário sobre impactos da mudança climática na região

    Jovens indígenas do Rio Negro realizam seminário sobre impactos da mudança climática na região

    Jovens vindos das cinco Coordenadorias Regionais da FOIRN participam do Seminário em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    Mudanças climáticas e seus impactos na floresta Amazônica, na região do Rio Negro (AM), são os principais temas de discussão do I Primeiro Seminário de Adolescente e Jovens do Rio Negro – “Juventude indígena e os Impactos Ambientais Recentes na Região do Alto Rio Negro”. O encontro teve início nesta segunda-feira, 9/8, na Casa do Saber da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira, sendo organizado pelo Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas da FOIRN (Dajirn/FOIRN).

    A abertura contou com a presença do presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, e de autoridades do município, entre elas o bispo da Diocese de São Gabriel, Dom Edson Damian; o secretário municipal de Meio Ambiente (Semma), Carlos Ferraz; o secretário municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel), Luiz Eduardo Sales Guedes.

    Os coordenadores do Dajirn/FOIRN, Elson Kene Cordeiro, da etnia Baré, Sheine Diana Baré, Gleice Maia Tukano e Gilliard Henrique Baré conduziram a abertura, que contou com apresentação de danças tradicionais.

    Nesse primeiro dia do seminário, a liderança Baniwa Juvêncio Cardoso, o Dzoodzo Baniwa, palestrou sobre a mudança do clima e seus impactos na região, discutindo sugestões para o bem viver dos povos indígenas da região.

    Jovens de escolas do município de São Gabriel da Cachoeira, além de representantes das cinco coordenadorias regionais da FOIRN- Coidi; Diawii, Caimbrn; Nadzoeri e Caiarnx – participam do encontro e estão trocando informações sobre as suas percepções das mudanças climáticas. Muitos desses jovens vivem em comunidades na floresta Amazônica e já percebem alterações no meio ambiente.

    Jovens do Povo Baré da região do Alto Rio Negro e Xié se apresentam na abertura do seminário. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    As atividades do seminário continuam até quarta-feira, 11/08. Você pode acompanhar as atualizações diárias no nosso Instagram (@foirn) e Facebook (@FOIRN).

  • FOIRN discute turismo e educação indígena em Santa Isabel

    FOIRN discute turismo e educação indígena em Santa Isabel

    Os temas saúde e educação estiveram na pauta da FOIRN durante viagem a Santa Isabel do Rio Negro entre os dias 15 e 23 de julho.

    Equipe FOIRN em reunião com Marlon Alves – Secretário Municipal do Meio Ambiente de Santa Isabel do Rio Negro.

    Participaram dos encontros o diretor presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré; Melvino Fontes- Coordenação do Departamento de Educação e Patrimônio Cultural da FOIRN e Tifane Menezes técnica em turismo do Departamento de Negócios Socioambientais.

    A equipe da FOIRN participou de reunião institucional com o secretário Municipal de Meio Ambiente, Marlon Alves para tratar do ordenamento pesqueiro e turismo em Terra Indígena e na Área de Proteção Ambiental Tapuruquara, dando continuidade às conversas ocorridas no mês de junho entre as organizações indígenas, prefeitura, comunidades e empresas de turismo.

    Em seguida foi realizada reunião na Secretaria Municipal de Educação (Semed), Orlandino Melgueiro buscando o fortalecimento e implementação da política de educação escolar indígena através de parceria direta e integrada entre a federação e o órgão público.

    A agenda incluiu ainda reunião com a Caimbrn e organização de base local do Médio Rio Negro – Acimrn.

    Durante a viagem, a equipe da FOIRN também visitou as comunidades de São Joaquim, Canafe e Campinas do Rio Preto, com objetivo de levantar demandas e acompanhar a situação das comunidades.

    Durante os encontros foram repassadas informações sobre a conjuntura e os trabalhos do movimento indígena do Rio Negro.

    O grupo também participou da Assembleia Geral Eletiva da Calha do Rio Preto e Padauiri. O encontro teve a participação do coordenador Distrital do DSEI-ARN, Ernane Souza, e do Presidente do CONDISI-ARN.

  • Exposição de artesanatos da Amiarn fortalece empreendedorismo das mulheres indígenas

    Exposição de artesanatos da Amiarn fortalece empreendedorismo das mulheres indígenas

    Diretoria da Amiarn e convidados para a exposição de artesanatos da Amiarn. Foto: Amiarn/divulgação

    Valorizar a cultura e o território e fortalecer o empreendedorismo sustentável promovido pelas mulheres indígenas foram os principais objetivos da XIII Exposição de Artesanato da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amiarn).

    O encontro aconteceu na comunidade São Gabriel Mirim – Terra Indígena Cué/Marabitana, no município de São Gabriel da Cachoeira (AM).

    Com a produção e venda dos artesanatos as mulheres promovem o bem viver de suas famílias e da comunidades, além de dar visibilidade aos produtos do alto Rio Negro. Durante os encontros há ainda troca de conhecimento sobre as técnicas tradicionais.

    Participaram da exposição artesãos das comunidades Juruti, Tabocal dos Pereira, Nova Vida, Comunidade Guia e Yabe, Sitio Novo Horizonte e Acará.

    “Queremos deixar os desafios que vêm travando a nossa caminhada em prol do desenvolvimento da nossa associação, vamos trabalhar na busca de capital de giro para associação, esse é fundamental para o nosso desenvolvimento e fortalecimento do empreendedorismo indígena. além disso estamos na busca de financiamento dos produtos feitos com as matérias primas de tucum, cipó, wanbé, molongó e sementes e produtos da roça. Estamos tentando fortalecer o empreendedorismos indígenas dentro dos territórios a sua valorização na busca de comercializar os produtos feitos manualmente por nós”, disse Elizangela da Silva Baré, ex-coordenadora do Dmirn e artesã.

    A exposição ocorreu de 15 a 17 de julho, promovendo incentivo aos artesãos, valorizando a cultura dos povos do Rio Negro.

    Além das artesãs locais foram convidadas artesãs e associações de mulheres como Amibi (Associação das Mulheres Indígenas do Baixo Içana) e Assai (Associação de Artesãos de São Gabriel da Cachoeira). Foto: Amiarn/divulgação

    A FOIRN foi representada na exposição pelo coordenador do Departamento de Negócios Indígenas e da Conafer, Edson Baré, e pela coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro-(DMIRN), Dadá Baniwa.
    Também participaram da exposição coordenadores da Região do Alto Rio Negro e Xié/CAIARNIX-Ronaldo Ambrósio e José Baltazar e Elizangela da Silva Baré. A ex-coordenadora da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel (Assai), Cecilia Albuquerque, também esteve presente.

  • Ampla participação das mulheres Yanomami marca V Assembleia da Kumirayõma

    Ampla participação das mulheres Yanomami marca V Assembleia da Kumirayõma

    Mulheres Yanomami em assembleia protestam contra PL 490/2007 em Maturacá – TI Yanomami. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    A V Assembleia da Associação Kumirayôma de Mulheres Yanomami foi marcada pela ampla e crescente presença do público feminino. O encontro aconteceu de 14 a 16 de julho em Maturacá, comunidade no território Yanomami em área do município de São Gabriel da Cachoeira (AM).

    Na abertura a presidente da Kumirayôma, Érika Yanomami destacou o momento histórico do fortalecimento da participação das mulheres yanomami nos encontros e assembleias. “Estou feliz pela participação cada vez mais forte das mulheres nas assembleias e no protagonismo na luta pelos direitos e valorização da cultura”, afirmou.

    Erika Yanomami presidente da Associação Yanomami conduziu os trabalhos durante os trabalhos durante a assembleia. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    “Em cinco edições, essa foi a que contou com maior participação das mulheres Kumirayõma lideranças das aldeias e maior participação da juventude do povo Yanomami. Os caciques da aldeia ouviram o clamor das mulheres nas reivindicações de direitos a serem respeitados na aldeia e isso é uma coisa boa, mostra a evolução do meu povo”, disse o indígena Valdemar Lins, jovem liderança Yanomami e membro da Foirn.

    A V Assembleia  das Mulheres Yanomami Kumirayõma reuniu cerca de 100 mulheres das comunidades Inambú, Maia, Nazaré, Auxiliadora, Maturacá e contou com participação dos departamentos de Mulheres Indígenas (DMIRN), de Jovens Indígenas (DAJIRN), Casa de Artesanatos Wariró.

    Durante os três dias de assembleia foram debatidos assuntos como Desnutrição Infantil e Planejamento Familiar, temas apresentados pela assistente social Giovana dos Santos.

    A FOIRN teve ampla participação. Foi realizada a Oficina de Artesanato e precificação das peças, conduzida pela Gerente da Wariró, Luciane Lima Mendes.

    Houve apresentação dos trabalhos e repasse de informações da Foirn e Dmirn pela coordenadora Larrisa Duarte e Glória Rabelo (da cidade de Santa Isabel do Rio Negro), além da participação do Departamento de Juventude – representado pela Coordenadora Sheine Diana SIRN e Valdemar Lins – em rodas de conversa.

    A Associação Amyk prestou contas de sua gestão e apresentou planos de trabalhos.

    Na assembleia  também foram eleitas a jovem comunicadora Dinalva Moura e duas representantes de mulheres da aldeia, sendo Natália Braga e Leandra Barbosa, que irão somar forças junto ao departamento de mulheres.

  • Professores indígenas lançam livro Impressões Geográficas dos Povos Indígenas do Amazonas – Terra Indígena Alto Rio Negro

    Professores indígenas lançam livro Impressões Geográficas dos Povos Indígenas do Amazonas – Terra Indígena Alto Rio Negro

    A obra retrata dificuldades para cursar universidade e o olhar dos professores indígenas sobre a paisagem do Alto Rio Negro.

    Professores indígenas lançam o livro na Casa do Saber da FOIRN em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    Organizado por Emádina Gomes Rodrigues, Helenice Aparecida Ricardo, professoras do curso Licenciatura Intercultural Formação de Professores Indígenas (FPI/UFAM), o livro mostra a diversidade cultural e linguística dos povos do Rio Negro, as belezas e as vivências e ao mesmo tempo retratar as dificuldades que os indígenas enfrentam para cursar o ensino superior. Esses são os tópicos tratados no livro Impressões Geográficas dos Povos Indígenas do Amazonas – Terra Indígena Alto Rio Negro, lançado por professores indígenas nessa sexta-feira, 9/7, na Casa do Saber da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira (AM).

    A publicação é resultado de um trabalho da disciplina de geografia do curso de Formação de Professores Indigenas – Turma Alto Rio Negro da Faculdade de Educação (Faced-Prolind) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que está formando 54 professores indígenas do Rio Negro esse ano de 2021, que são coautores da publicação.

    Conforme Sileusa Monteiro, da etnia Desano, o livro não apenas fala das dificuldades, mas também incentiva os jovens indígenas a ingressarem na universidade. “A partir desse livro, os jovens vão poder ver, aprender, sonhar que um dia ele podem fazer o ensino superior”, afirma ela, que é uma das autoras da publicação.

    Sileusa Monteiro do Povo Desano é uma das autoras do livro. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    As dificuldades geográficas enfrentadas pelos indígenas no percurso até ao local do curso foi tema do Documentário Caminho da Amália, que mostra as dificuldades e desafios da estudante Amália Rodrigues Kubeo, da comunidade Querari – Alto Rio Uaupés, para participar das aulas.

    O documentário está disponível no Youtube (https://bit.ly/3AKtMQ5).

    Presente no lançamento, Amália reafirmou a importância do livro para a educação escolar indígena no Rio Negro, pois mostra os desafios e as dificuldades que são enfrentadas pelos estudantes na região do Rio Negro. “Para quem não conhece a realidade pode achar que é fácil, mas não é. O livro vai ajudar a mostrar a realidade que enfrentamos”, disse.

    Mesmo a distância, professores da Ufam e alunos do curso das comunidades indígenas do Rio Negro, incluindo alguns alunos do curso da Turma Alto Solimões, assistiram pela internet a cerimônia do lançamento.

    Um dos mentores do curso, o professor Gersen Baniwa lembrou que o curso é resultado dos esforços do movimento indígena do Rio Negro, que por vários anos vem lutando para que professores indígenas consigam ingressar na universidade. “É muito bom ver que o livro está sendo lançamento na maloca, Casa do Saber da FOIRN, onde também passei por vários anos trabalhando e lutando através de encontros e eventos para discutir e reivindicar cursos de formação para os professores indígenas. E o curso e o livro lançado hoje são resultado dessa luta”, disse.

    Para a cerimônia, professores, gestores e representantes de instituições locais foram convidados para prestigiar e comemorar a conquista dos professores e da educação escolar indígena do Rio Negro.

    Vão receber essa publicação as escolas indígenas do Rio Waupés, Tiquié, Rio Içana e Ayari, Rio Negro e Xié, Baixo Rio Negro. E para os demais interessados, a coordenação da produção do livro vai disponibilizar o e-book para o acesso gratuito.

    Criado em 2015, o curso Formação de Professores Indígenas tem três áreas de formação, sendo que os alunos podem fazer suas escolhas observando também as necessidades de sua região: Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes, Ciências Exatas e Biológicas.

  • Povos Tukano e Desano da TI Balaio inauguram maloca para o fortalecimento da cultura

    Povos Tukano e Desano da TI Balaio inauguram maloca para o fortalecimento da cultura

    Maloca inaugurada na comunidade Balaio – BR 307.

    A Comunidade Balaio, na Terra Indígena Balaio, a 100 km da sede do município de São Gabriel da Cachoeira, tem agora uma maloca ou Casa do Saber. A inauguração da estrutura, que fortalece a cultura dos povos Tukano e Desano, aconteceu no dia 3/7 e foi celebrada com a tradicional cerimônia do Dabucuri. A iniciativa é da Associação Indígena Balaio, com apoio da FOIRN, Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN) e Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi).

    Manter e transmitir a cultura para a nova geração foi o motivo das lideranças indígenas e da comunidade pensarem e construírem o espaço, que traz na essência o espírito e o conhecimento tradicional.

    “A Casa do Saber vai ajudar no resgate, manutenção e transmissão dos saberes e conhecimentos dos povos que vivem ali para as novas gerações. Sempre bom lembrar que a comunidade Balaio foi também atingida pela pandemia, mas se tornou referência no uso da medicina tradicional para enfrentar essa doença”, afirmou Adão Francisco, diretor da FOIRN de referência da Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro, Xié e Terra Indígena Balaio.

     A maloca da comunidade Balaio, construído com a liderança do conhecedor tradicional Ricardo Marinho Veloso, 68, do povo Dessana, é mais uma a ser erguida na região do Rio Negro, sendo que outras estão sendo construídas e inauguradas na região do rio Ayari e no Alto Tiquié.

  • FOIRN e suas bases definem negócios sustentáveis como prioridade para segundo semestre de 2021

    FOIRN e suas bases definem negócios sustentáveis como prioridade para segundo semestre de 2021

    Dona Clara Mota Dessana, em oficina de produção de cerâmicas em Taracuá – junho de 2021. Foto: Juliana Albuquerque/FOIRN

    Ações para estruturação e fortalecimento dos negócios indígenas sustentáveis no Rio Negro são prioridade definida pela FOIRN e suas cinco coordenadorias regionais – Diawi´i, Coidi, Nadzoeri, Caiarnx e Caimbrn (leia mais sobre as coordenadorias abaixo) – para o segundo semestre de 2021. As discussões sobre as metas para a segunda metade do ano aconteceram durante toda esta semana, de 28 de junho a 2 de julho, na Casa do Saber da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira.

    A agenda definida prevê principalmente encontros com produtores indígenas – agrícolas e de artesanato, entre outros -, capacitação para gestão das associações das bases e oficinas para aperfeiçoamento.

    Essas ações reforçam as atividades da FOIRN e suas bases para garantir a implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), que leva em conta longo processo de consulta às comunidades indígenas da floresta Amazônica e aponta para o desenvolvimento econômico sustentável da região tendo os indígenas com protagonistas do processo.

    No período em que as lideranças indígenas do Rio Negro definiam suas prioridades de trabalho na região, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) discutiam o projeto de lei/PL490 e o Marco Temporal, duas propostas marcadas pelo retrocesso quanto aos direitos dos povos tradicionais.

    Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré reforça que o PL490 é uma afronta aos povos indígenas e à Constituição. Além disso, ele pondera que o projeto de lei (PL) – que abre brecha para a exploração econômica por grandes empresas das terras indígenas demarcadas – está totalmente em desacordo com os projetos de desenvolvimento econômico propostos pelos povos tradicionais, sobretudo porque tira dos indígenas o protagonismo na condução da gestão e desenvolvimento do próprio território e por não levar em conta os modos de vida tradicionais.

    Mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia, a FOIRN estruturou este ano o Departamento de Negócios Sustentáveis e deve lançar em agosto o Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN). Por meio do fundo, a própria federação irá financiar os projetos das associações das comunidades.

    Coordenador do Departamento de Negócios Socioambientais da FOIRN e Coordenador das Ações do CANAFER Rio Negro, Edison Cordeiro Gomes, da etnia Baré, explica que os principais projetos de economia sustentável em andamento do Rio Negro são aqueles ligados à cadeia produtiva do artesanato, conduzido pela Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro – Wariró; à produção agrícola tradicional, com fornecimento para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); e a casa de frutas, em Santa Isabel do Rio Negro, que deve dar início ao beneficiamento ainda neste ano, possibilitando a comercialização dos produtos para além da região. Essas ações são desenvolvidas em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA).

    Ele cita ainda os projetos de turismo de pesca e de base comunitária, que sofreram fortemente os efeitos provocados pela pandemia da Covid-19, mas continuam estruturados.

    Segundo Edison Baré, com essas iniciativas os indígenas assumem a condução do desenvolvimento do território levando em conta sua tradição e cultura. Ele entende que as propostas do PL490 não respeitam essas características e repetem um modelo desenvolvimentista e extrativista que coloca o indígena como mão de obra barata. “As famílias que participaram de processos semelhantes ocorridos no passado tiveram ganhos sim, conseguiram comprar roupas, alimentos, materiais. Mas muitas famílias se perderam, tiveram que sair de suas regiões por causa de projetos impostos. Não queremos isso mais. Somos capazes de organizar e pensar como queremos usufruir dos recursos naturais para a nossa sobrevivência”, disse.

    O encontro das lideranças indígenas de avaliação dos trabalhos do primeiro semestre e para traçar as metas da segunda etapa do ano terminou na sexta-feira, dia 2, com a pactuação dos objetivos entre a FOIRN e as cinco coordenadorias regionais. No início de 2021, o encontro ocorreu quando São Gabriel enfrentava o pico da segunda onda da pandemia da Covid-19. Dessa forma, nos seis primeiros meses do ano, as ações prioritárias foram de enfrentamento à pandemia. Medidas de prevenção à Covid-19 continuam sendo executadas, principalmente por meio da Campanha Rio Negro, Nós Cuidamos, desenvolvida em parceria pela FOIRN e ISA.

    MOBILIZAÇÃO 

    Durante o encontro na Casa do Saber da FOIRN, lideranças indígenas que representam os 23 povos que convivem no Rio Negro fizeram um protesto contra o PL490 e o Marco Temporal. A mobilização aconteceu na quarta-feira, dia 30.

    Nessa data, o Supremo Tribunal Federal (STF) iria analisar ação sobre terra indígena habitada pelo povo Xokleng, em Santa Catarina (Sul do país), avaliando a tese Marco Temporal, princípio que considera que só podem reivindicar terras indígenas as comunidades que as ocupavam na data da promulgação da Constituição, 5 de outubro de 1988. A avaliação foi adiada para agosto.

    A decisão tomada neste julgamento deve servir de diretriz a outros processos demarcatórios. Essa tese vem sendo duramente criticada, pois não leva em conta que muitos indígenas deixaram suas terras porque foram expulsos e massacrados.  

    Já o PL490 prevê, entre outros pontos, modificações nos direitos territoriais indígenas garantidos na Constituição Federal de 1988, gerando um retrocesso quanto à demarcação de terras e abrindo brechas para que terras demarcadas sejam exploradas por diversos setores, como agronegócio, mineração e construção de hidrelétricas.

    Durante a mobilização, Marivelton Baré ressaltou que há grande preocupação com o retrocesso aos direitos indígenas. “O PL490 e o Marco Temporal são uma grande afronta aos povos indígenas e à Constituição Federal, trazendo preocupação às nossas bases, como podemos observar em nossas viagens. E os indígenas querem que a FOIRN lute pelo território tradicional e nossas formas de vida. Estamos nos juntando à Apib e Coiab nessa luta e somos extremamente contra o PL490 e o Marco Temporal”, disse ele.

    Secretário-executivo da Nadzoeri, Juvêncio Cardoso, o Dzoodzo Baniwa, diz não ter dúvida de que a promessa de desenvolvimento embutida no PL490 é falsa. Ele avalia que a principal pressão sofrida na região do Rio Negro vem da mineração e que não há indígenas qualificados para atender a essa cadeia produtiva, nem para os cargos com remuneração menor. E ele avalia que, mesmo que houvesse, os projetos não estão de acordo com o modo de vida indígena. “Temos nossos próprios projetos, com processos mais sustentáveis e menos predatórios”, diz.

    Dzoodzo considera que os povos indígenas estão sendo atacados de forma sistêmica. “Esse PL490 faz parte de uma ameaça sistêmica aos povos indígenas de pessoas interessadas no território tradicional, sobretudo em atividades ligadas à mineração. Esse tipo de desenvolvimento não coincide com nossa forma de economia do Bem Viver, que não quer tanto e pensa mais de forma coletiva e igualitária. Temos nossos próprios projetos previstos no Planto de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA). E no nosso modo de pensamento, esse Marco Temporal é insignificante para os indígenas. Estamos nessa terra há mais de 10 mil anos, como descrito na nossa cosmologia”, disse.

    Dzoodzo Baniwa observa ainda que os projetos indígenas levam em conta a questão ambiental. “Já sentimos na região o impacto da mudança climática. Um exemplo são as cheias do Rio Negro, cada vez mais intensas”, diz.

    Representante da Caimbrn, José Mário Góes, da etnia Yanomami, também se colocou contra o PL490. “Se reduzirem nosso território, há o risco de perdermos vegetação, não termos área para caça, para peixe e roça. Precisamos do território para preservarmos nosso modo de vida. Estamos lutando para que os jovens não se envolvam tanto com o garimpo, mas o apelo do dinheiro é muito forte. Queremos preservar nossa cultura para o futuro”, disse.

     Membro da comissão fiscal da Diawi´í, Maximiliano Correa Menezes, etnia Tukano, considera que o PL 490 é um retrocesso quanto aos direitos dos povos indígenas. “Não tem nada escrito na Constituição que permita mexer na terra demarcada. Então é inconstitucional. O Governo Federal está querendo o desenvolvimento com prejuízo dos povos indígenas.  Querem nos dividir e enfraquecer, mas as bases estão bem informadas. Os povos tradicionais querem autonomia em seus projetos e não servir de mão de obra para projetos impostos”, disse.

    Ismael Sampaio Alves, Desano, vice-coordenador da Coidi, informa que os indígenas querem ser consultados sobre qualquer proposta para desenvolvimento no território tradicional. “Queremos ser ouvidos e que os regimentos de nossas associações representativas sejam respeitados”, diz.  

    O coordenador de área da Caiarnx, Ronaldo Ambrósio Melgueiro, Baré, relembra que, no passado, os indígenas foram explorados em projetos desenvolvidos por grandes empresas na região e não querem repetir essa história. “Algumas pessoas se beneficiaram, mas muitas famílias sofreram com perdas, desestruturação. Vieram pessoas de fora que não tinham respeito pelos povos tradicionais”, diz.

    Saiba mais:

    Informe-se sobre quais regiões cada uma das cinco coordenadorias da FOIRN representa,acesse: www.foirn.org.br/

    Nadzoere – Associação Baniwa e Koripaco;

    Diawi´i – Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes;

    Coidi- Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê;

    Caiarnx – Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié;

    Caimbrn – Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro.