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  • Valorização dos saberes indígenas: enfrentamento à  pandemia é tema da XV Assembleia Eletiva da FOIRN

    Valorização dos saberes indígenas: enfrentamento à pandemia é tema da XV Assembleia Eletiva da FOIRN

    Local da Assembleia será realizando no Auditório do IFAM-Campus São Gabriel da Cachoeira. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A XV Assembleia Geral Ordinária Eletiva da FOIRN acontece nesta quinta e sexta-feira, dias 26 e 27 de novembro, em São Gabriel da Cachoeira (AM), com o tema “Pandemia e os saberes indígenas do Rio Negro”. Delegações de todas as cinco coordenadorias regionais da FOIRN já estão na cidade garantindo representatividade à calha do Rio Negro. Este ano, a imagem que representa o encontro é uma pintura do artista plástico e liderança Feliciano Lana, da etnia Desana, que morreu em maio, aos 83 anos, vítima da Covid-19. A obra mostra a tradicional prática curativa dos pajés do Rio Negro. Além da pandemia, estarão em discussão temas como negócios socioambientais e o cenário do movimento indígena.

    Presidente da Foirn, Marivelton Barroso agradece e dá as boas-vindas aos delegados e convidados que participarão do encontro, que será realizado no campus do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) – Campus São Gabriel da Cachoeira, já que a Maloca/Casa do Saber da Foirn está em reforma. A assembleia seguirá as normas sanitárias para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. Esse cuidado estará presente até mesmo na decoração, que utilizará amostras de plantas tradicionais utilizadas no preparo de chás utilizados contra a Covid-19.

    A abertura, na manhã desta quinta-feira, será marcada por um dabucuri de patauá, ou seja, uma festa com oferta do fruto tradicional na região para recepção das delegações.  Dentro da programação, o Instituto Socioambiental (ISA) irá apresentar ações desenvolvidas em conjunto com a FOIRN, inclusive no combate à pandemia. Representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) vão traçar o panorama do movimento indígena.

    Delegados de todas as coordenadorias regionais  Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI); Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié (CAIARNX); Associação Baniwa e Koripako (NADZOERI); Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes (DIAUWÌI); e Coordenadoriadas Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (CAIMBRN) – vão expor as práticas tradicionais utilizadas em suas regiões no enfrentamento à Covid-19.

    Marivelton Baré coordenou o Comitê Interinstitucional de Enfrentamento e Combate à Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira e ressalta o esforço realizado para a construção de parcerias que garantiram o reforço dos serviços públicos de saúde na região, sendo um exemplo a implantação das Unidades de Atendimento Primário Indígena (Uapis) no território indígena. A iniciativa  foi executada após articulação entre Foirn, ISA, Expedicionários da Saúde e Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (Dsei-ARN).

    O presidente da FOIRN reforça a importância do resgate de remédios e práticas tradicionais durante a pandemia, tema amplamente debatido nas assembleias regionais. “Houve esse incentivo e discussão da valorização da nossa própria medicina tradicional, do nosso próprio conhecimento indígena. Os remédios caseiros, os benzimentos nos salvaram, nos livraram. A gente não é contra a medicina ocidental, mas também a medicina tradicional vale muito”, decla

    Durante a XV Assembleia será lançado o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) do Alto Rio Negro, elaborado em parceria entre FOIRN e ISA após processo de consulta. “O PGTA é nosso plano de vida do território. Ali nele estão as nossas reivindicações, o que a gente quer. O reconhecimento e valorização cultural, proteção, governança, educação, saúde, infraestrutura, comunicação, entre outras demandas necessárias, como promover e fortalecer a regularização das associações, políticas das mulheres e da juventude, com formação de jovens lideranças”, diz. A implantação dos PGTAs terá início em 2021.

    As camisetas do evento carregam artes do Feliciano Lana Dessana, vítima de Covid-19. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Outros importantes tópicos em discussão estão a criação do fundo de contribuição financeira do Rio Negro e a estruturação do Departamento de Negócios Socioambientais da FOIRN. “Estamos iniciando uma política de fortalecimento e fomento da economia indígena. É a geração de renda a partir de produtos que mostram toda a diversidade dos povos do Rio Negro”, diz Marivelton Baré.

    Confira a programação completa:

    https://bit.ly/3nWq3aC

    Cobertura do evento: Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas

  • Jovens indígenas elegem representantes e reivindicam reforço na educação e ação contra mudança no clima

    Jovens indígenas elegem representantes e reivindicam reforço na educação e ação contra mudança no clima

    Participantes da IV Assembleia de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro realizado em São Gabriel da Cachoeira/AM

    Os dois novos coordenadores do Departamento de Jovens Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (DAJIRN/FOIRN) foram escolhidos nesta sexta-feira, 6 de novembro, durante a IV Assembleia Geral Eletiva de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro – Pandemia da Covid-19 e a Emergência Climática: Desafios para a Juventude Indígena do Rio Negro. Venceram as eleições para coordenar o DAJIRN/FOIRN entre 2021 e 2024 os jovens Elson Kene, de 27 anos, da etnia Baré, e Gleice Maia, de 18 anos, da etnia Tukano. Atualmente, os coordenadores do departamento são Adelina Sampaio, da etnia Desana, e Elson Kene.

    Entre os desafios dos novos coordenadores, estão dar continuidade ao fortalecimento do departamento, atuar junto ao poder público por medidas contra a emergência climática e por mais segurança. Essas foram algumas das demandas dos participantes da assembleia. Uma carta com essas reivindicações será encaminhada ao poder público, indicando. O documento indica, inclusive, a necessidade de o campus São Gabriel da Cachoeira do Instituto Federal do Amazonas (IFAM) passar a ser Instituto Federal Indígena do Rio Negro.

    Os jovens reivindicam também um terceiro coordenador que fique em Santa Isabel do Rio Negro ou Barcelos. Os atuais coordenadores do DAJIRN trabalham na sede da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira, e desenvolvem atividades no território indígena. Eles alegam que, como o território é muito extenso, o departamento centralizado não consegue dar voz à demanda de todos os jovens.

    Eleito para a coordenação do DAJIRN/FOIRN, Elson Kene já ocupa esse cargo, tendo assumido a função este ano, quando substituiu Lucas Matos, da etnia Tariano, que não terminou seu mandato por motivos pessoais. Elson Kene é professor, formado em licenciatura indígena no polo Cucuí da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Ele é da etnia Baré, mas nasceu e vive na comunidade Baniwa de Boa Vista, na Foz do Içana, e foi indicado pela NADZOERE (Associação Baniwa e Koripaco).

    A jovem Gleice Maia Machado, de 18 anos, é da etnia Tukano, tem ensino médio completo e mora do Distrito de Iauaretê. Ela foi indicada pela COIDI (Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê) e disse que pretende ajudar e representar os jovens de todas as etnias do Rio Negro. Os dois vencedores também foram os nomes indicados pela CAIARNX (Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié).

    Elson Kane Baré e Gleyse Maia Tukano foram eleitos para coordenar do Dajirn/Foirn na gestão 2021-2024. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A DIAWI´I (Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes) indicou Erinelson Piloto Freitas, Tukano, e Vera Lúcia Aguiar, Tukano. Já   CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro) indicou Lilia França, da etnia Baré. 

    Todas as cinco coordenadorias regionais da FOIRN participaram do encontro, que contou também com a presença de jovens indígenas da etnia Dãw. Cada uma das coordenadorias indicou os nomes que concorreram ao cargo de coordenador do DAJIRN. Tiveram poder de voto 10 representantes de cada coordenadoria regional.

    Advogada do Instituto Socioambiental (ISA), Renata Vieira acompanhou o processo eleitoral. Ela reforçou com os adolescentes e jovens que o Direito é um espaço de luta, ou seja, eles devem sempre estar na briga para que suas demandas sejam colocadas em prática.

    Esse é o primeiro encontro após o início da pandemia da Covid-19. Os jovens relataram sobre como suas comunidades enfrentaram a doença com o uso de remédios e práticas tradicionais. Falaram também sobre como o aquecimento global está interferindo na rotina dos indígenas. Informaram que querem dar prosseguimento aos estudos e, para isso, demandam mais apoio e estrutura do poder público. E pediram mais segurança, pois se sentem na linha de frente de problemas como alcoolismo, homicídio, suicídio.

    ATUAL GESTÃO

    Adelina de Assis Sampaio, atual coordenadora do Dajirn, apresenta relatórios de atividades do período de 2017-2020. Foto: Ana Amélia/ISA

    Um dos desafios enfrentados pela atual gestão foi a pandemia. O DAJIRN, assim como muitas instituições, precisou interromper projetos. Segundo Adelina Sampaio, o departamento deixou de realizar as oficinas e conscientização sobre os direitos dos povos indígenas que seriam realizadas no território.  

    Ela aponta que, ainda assim, o DAJIRN manteve as atividades. Adelina e Kelson participaram de entrega de cestas básicas e distribuição de máscaras. O Departamento de Adolescentes e Jovens atuou em conjunto com o Departamento de Educação da FOIRN mantendo diálogo com as secretarias de Educação municipal e estadual para acompanhar a suspensão e, em seguida, retomada das aulas devido à COVID-19.

    Sobre o tema do encontro, mudanças climáticas e Covid-19, Adelina Sampaio explica que são duas questões que estão impactando a vida dos jovens em seus territórios. “Temos ouvido jovens de outros territórios, até por meio de lives, para perguntar sobre a realidade em outros locais, saber sobre os impactos do desmatamento. Sabemos que o desequilíbrio no meio ambiente traz doenças. Não só Covid, mas dengue, malária. Então estamos discutindo esse tema no Rio Negro”, disse.

    ABERTURA

    A assembleia aconteceu quinta e sexta-feira (5 e 6 de novembro), no auditório do Colégio São Gabriel, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Os jovens desenvolveram grupos de trabalho e, a partir das discussões, apresentaram demandas.

    Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, participou da abertura do evento e até levou para casa, de presente, uma paca moqueada e beiju. Também estiveram na abertura a jornalista Juliana Radler, do Instituto Socioambiental (ISA); Mateus Vendramini, da Funai; Eraldina Machado, da FOIRN.

    Membros da FOIRN que fizeram parte do movimento de jovens indígenas e hoje ocupam outros cargos participaram do encontro e incentivaram os participantes. Entre essas pessoas estão Edneia Teles (Arapaso), Claudia Wanano, Elizângela da Silva (Baré), Ray Baniwa, e Janete Alves (Desana).

    Durante o primeiro dia da Assembleia, o Agente Indígena de Manejo Ambiental (AIMA), Mauro Pedroso, da etnia Tukano, falou sobre o calendário de ciclos anuais e políticas para adaptação das mudanças climáticas. O médico Guilherme Monção, do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (Dsei-ARN) falou sobre a Covid-19 no território indígena. 

    O encontro foi finalizado na tarde de sexta-feira, com uma partida de futebol entre os jovens indígenas do Rio Negro.

  • Protagonismo pelo bem viver indígena: Departamento de Mulheres da FOIRN elege suas novas coordenadoras

    Protagonismo pelo bem viver indígena: Departamento de Mulheres da FOIRN elege suas novas coordenadoras

    Indígenas da etnia Baniwa e Tukano são as novas coordenadoras do Departamento de Mulheres da FOIRN.

    Mulheres indígenas do Rio Negro participantes da VIII Assembleia Eletiva das Mulheres. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Após um dia de debates sobre propostas e demandas de mulheres indígenas, as duas novas coordenadoras do Departamento de Mulheres Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN) foram eleitas nesta sexta-feira (30). Venceram as eleições e vão comandar o departamento, de 2021 a 2024, Maria do Rosário Piloto Martins, a Dadá Baniwa, que concorreu pela coordenadoria NADZOERE (Associação Baniwa e Koripaco), e Larissa Duarte, da etnia Tukano, indicada pela coordenadoria DIAWI´I (Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes).

    Maria do Rosário Baniwa e Larissa Duarte Tukano foram eleitas para a gestão 2021 a 2024 do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro/Foirn. Foto: Ray Baniwa/Foirn


    A escolha ocorreu na VIII Assembleia Eletiva das Mulheres Indígenas, que teve como tema Protagonismo das Mulheres pelo Bem Viver Indígena no Rio Negro e aconteceu na quinta e sexta-feira (29 e 30), no ginásio do Colégio São Gabriel, em São Gabriel da Cachoeira (AM), com ampla representatividade das coordenadorias regionais da FOIRN. Mulheres de várias etnias, como Tukano, Baré, Tariano, Wanano, Yanomami, Dãw, participaram do encontro.


    Dadá Baniwa tem mestrando em linguística e línguas indígenas pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro, é fluente em Baniwa e disse que quer atuar em colaboração com a diretoria e coordenadorias da FOIRN, pensando em todos as mulheres do Rio Negro. Larissa disse que sempre conviveu com o movimento indígena, sendo que seu pai Sebastião Duarte teve participação da criação da FOIRN. “Sou mãe, mulher, artesã, trabalho na roça e sei representar as pessoas”, disse. Ela é falante da língua Tukano.


    No total, 55 mulheres votaram, sendo 10 de cada coordenadoria regional da FOIRN e cinco da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (Assai), representando a sede.
    Dadá Baniwa recebeu 23 votos, enquanto Larissa ficou com 11. Também concorreram ao cargo Margarida Maia, da etnia Tukano, representante da COIDI (Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê), e Belmira Melgaço, Baré, representado a CAIARNX (Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié). Cada uma delas teve 10 votos, sendo registrado um voto nulo. A CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro) participou do encontro, mas não apontou concorrente.


    As atuais coordenadoras, Elisângela da Silva, da etnia Baré, e Janete Alves, da etnia Desana, conduziram a assembleia e se mostraram satisfeitas com a mobilização feminina. Elas continuarão atuando no movimento indígena. Elisângela é do conselho fiscal da FOIRN e presidente da Associação das Mulheres Indígenas do Rio Negro (AMIRN). Janete Alves ocupará o cargo de diretora de referência da COIDI na FOIRN

    Mulheres de várias etnias compartilharam suas experiências de enfrentamento da covid-19 no Rio Negro. Foto: Ana Amélia/ISA

    Um importante encaminhamento do encontro foi uma carta-manifesto – assinada pelas mulheres de todas as coordenadorias regionais da FOIRN – reivindicando a manutenção de uma delegada mulher em São Gabriel da Cachoeira, além da implantação de uma Defensoria Pública, com titular mulher, e uma Secretaria Especializada da Mulher no município, para facilitar o acesso ao sistema de Justiça e garantir a proteção ao direito das mulheres. A atual titular da delegacia, Grace Jardim, é a primeira delegada mulher do município. Ela estruturou uma equipe feminina e atuou no combate à violência contra a mulher, mas deixará o município no final deste ano.

    Delegada Grace Jardim e Renata Vieira, advogada do ISA participaram da assembleia das mulheres indígenas do Rio Negro. Foto: Ana Amélia/ISA


    A carta-manifesto foi lida por Janete Alves. O documento será encaminhado às autoridades de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. Além disso, as mulheres querem o apoio do DMIRN/FOIRN para patentear os remédios tradicionais utilizados contra a Covid-19 entre os povos indígenas do Rio Negro. As práticas tradicionais foram amplamente utilizadas por essa população e, conforme os indígenas, foi o que evitou que a situação se agravasse.

    Delegadas vieram das cinco Coordenadorias Regionais da Foirn: Caiarnx, Caimbrn, Nadzoeri, Diawi´i e Coidi. Foto: Ana Amélia/ISA


    Durante a VIII Assembleia Eletiva, as mulheres cobraram iniciativas para garantir o bem viver e o reforço da estrutura das associações para que elas tenham autonomia de ações. Elas querem alojamentos para quando vierem à cidade, embarcações exclusivas para as suas atividades, combustível para viajar e mobilizar as bases, oficinas de capacitação e incremento de renda, atendimento à saúde, medidas de segurança, promoção das práticas tradicionais, entre outros.
    Primeira coordenadora do DMIRN e uma das fundadoras da Assai, a professora artesã Cecília Albuquerque participou da assembleia. Ela considera que um dos desafios da nova gestão é a articulação com as associações de base do território indígena. Para Cecília, é visível o fortalecimento das mulheres indígenas ao longo dos anos. “Eu vejo algumas pessoas que antes tinham medo de falar e agora estão aí falando, reivindicando”, disse.


    Advogada do Instituto Socioambiental (ISA), Renata Vieira auxiliou no processo eleitoral. Na abertura do evento ela falou sobre a abrangência da luta da mulher indígena. “A luta da mulher indígena não é uma luta por um direito que é só dela. A luta da mulher indígena é uma luta pelo território, pelos filhos, contra o alcoolismo, contra o suicídio. Pelo direito à saúde, à vida, à educação, transmissão do conhecimento. É ela quem ensina a língua ao filho. A luta da mulher indígena é de todos”, disse.
    Uma das convidadas para o encontro, a delegada Grace Jardim reforçou a necessidade de as mulheres vítimas de violência denunciarem o problema. “A denúncia é importante porque, só a partir dos casos registrados na base de dados, serão encaminhados recursos ao município”, explica. Uma das demandas da própria delegada para a cidade é um abrigo para as mulheres que precisam sair de casa para serem protegidas. Ela reconhece que as pessoas que vivem nas comunidades enfrentam maiores dificuldades para fazer denúncias, mas sugeriu que as coordenadorias discutam a criação de um meio de comunicação, com apoio das associações e FOIRN, para que os casos de violência cheguem até a Polícia Civil.


    PANDEMIA
    O tema do encontro – Protagonismo das Mulheres pelo Bem Viver Indígena no Rio Negro – levou a falas sobre o combate à Covid-19, com as mulheres trocando experiências sobre as práticas tradicionais que utilizaram no combate à doença. Entre eles estão chás, benzimentos e defumações. Algumas delas falaram em língua indígena, como Baniwa.


    Esse protagonismo pelo bem viver foi exercido inclusive durante o período mais agudo da pandemia. O DMIRN/FOIRN, em parceria com o ISA, desenvolveu a campanha Rio Negro, Nós Cuidamos, que arrecadou recursos para ações que incentivaram os indígenas a ficarem em suas aldeias, evitando a vinda à cidade e o risco maior de contágio. Além disso, o DMIRN atuou na distribuição de cestas básicas, material de limpeza e máscaras, além de auxiliar os parentes com informações sobre a Covid-19.


    As indígenas relatam que no território a maioria das pessoas contraiu a Covid-19 e se tratou usando remédios caseiros. A professora e liderança Enegilda Gomes Vasconcelos, de Taracuá, resume essa situação. “A Covid-19 deu foi em massa. As pessoas pegaram ser perceber que era essa doença. Todo mundo achou que estava gripado. Depois veio a equipe de saúde, fez o teste e comprovou que todo mundo teve a Covid-19. Agora temos algumas pessoas com sequela”, diz. Em Taracuá, assim como em todo o Rio Negro, os indígenas utilizaram as práticas tradicionais.

    GERAÇÃO DE RENDA

    O fortalecimento das mulheres por meio da geração da renda também foi debatido no encontro. Gerente da loja de artesanatos indígenas Wariró, Luciane Mendes de Lima, explicou que a unidade vem passando por reestruturação, com organização de cadastro de artesãos e fortalecimento do diálogo com os fornecedores que vêm das comunidades. Para incrementar as vendas, a equipe vem estruturando um catálogo com as peças, suas características, preços e disponibilidade. Também são feitos contatos constantes com os consumidores em várias partes do país. A boa notícia é que, mesmo durante a pandemia, a Wariró ampliou as suas vendas. Durante todo o evento, as indígenas promoveram uma feira para venda


    Questões sobre saúde da mulher e educação também foram abordados. A VIII Assembleia Eletiva das Mulheres Indígenas teve participação reduzida, com limitação de vagas em cada delegação, seguindo as regras sanitárias para evitar o contágio pelo novo coronavírus.


    Apoiaram a realização do encontro o Instituto Socioambiental (ISA), Campanha Rio Negro, Nós Cuidamos, Embaixada da Noruega, União Amazônia Viva, Mosaky, Aliança pelo Clima e Norwegian Rainforest Foundation.

    Por Ana Amélia/ISA e Ray Baniwa/Foirn

  • Assembleia DIAWI’I elege representantes e traça novas estratégias de governança

    Assembleia DIAWI’I elege representantes e traça novas estratégias de governança

    Participantes da assembleia da sub-regional da Foirn realizado na comunidade Monte Alegre, Baixo Uaupés. Foto: Ednéia Teles/FOIRN

    Representantes das 12 associações de base da Coordenadoria DIAWI’I participaram da assembleia regional eletiva realizada na comunidade Monte Alegre, no Baixo Uaupés, nos dias 9 e 10 de outubro. Durante o encontro foram traçadas estratégias de nova governança da coordenadoria DIAWI’I. A partir da assembleia, essa região passará a desenvolver os trabalhos por três microrregiões: Microrregião Alto Tiquié, Microrregião Médio Rio Tiquié; Microrregião Baixo Tiquié e Baixo Uaupés.

    Durante a plenária foi reeleito para o cargo de diretor de referência da região do DIAWI’I o senhor Nildo José Miguel Fontes, da etnia Tukano. Para a coordenadoria regional foi escolhida dona Rosilda da Silva, também da etnia Tukano, resultado muito comemorado pelas mulheres indígenas. O novo mandato vai de 2021 a 2024.

    Este ano o tema dos encontros é “Pandemia e os saberes tradicionais dos povos indígenas” e, como aconteceu nas outras reuniões regionais, as lideranças destacaram a importância do uso dos remédios e outras práticas tradicionais no enfrentamento à Covid-19.

    Para o indígena Roberval Azevedo, os remédios tradicionais evitaram que os casos de Covid-19 se agravassem. “Remédio tradicional salvou nossas famílias, combateu a Covid-19, como também outros males que afetam os povos indígenas. Nossos remédios tradicionais evitaram internações e intubações no hospital. Mesmo assim muitos parentes foram a óbitos, principalmente nossos pajés, conhecedores tradicionais, nossas parteiras e entre outros que foram a óbito principalmente por Covid-19”, disse. 

    Presente ao encontro, o indígena Antônio Marques avaliou que é necessário manter os cuidados contra a doença. “Mediante o conhecimento dos pajés, vem segunda onda do novo coronavírus. E virá muito mais forte, irá causar perdas e muito choro entre as famílias, e que pessoas devem ter mais cuidado e continuar se tratando com pajés e remédios tradicionais”, disse. 

    Cerca de 130 pessoas participaram da assembleia, que contou com a participação de representantes das coordenadorias NADZOERI, CAIMBRM, CAIARNX, COIDI. Representantes do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (Dsei-ARN) e Condisi-ARN também estiveram presentes.  O evento seguiu orientações sanitárias para evitar a Covid-19, havendo distribuição de máscaras e material higiênico.

    Lideranças Tukano com máscara durante a assembleia. O evento seguiu os protocolos de saúde devido a pandemia da Covid-19. Foto: Ednéia Teles/FOIRN

    Um dos participantes do encontro, Otávio Bruno Neves, da etnia Tukano, reforçou a importância da reunião democrática. “Estou achando muito importante participar da assembleia como convidado, pois estamos em um país democrático, no século XXI: nossas atividades, nossos problemas devem ser resolvidos em conjunto.  Isso se chama democracia. Estamos aqui também para eleger nossos representantes do movimento indígenas. É válido ouvir lideranças, e a FOIRN tem nos representado muito bem”, disse.

  • Combatemos a covid-19 com nosso conhecimento tradicional, afirmam as lideranças indígenas do médio e baixo Rio Negro em Assembleia Regional

    Combatemos a covid-19 com nosso conhecimento tradicional, afirmam as lideranças indígenas do médio e baixo Rio Negro em Assembleia Regional

    “Dizem que não existe remédio para combater a covid-19. Mas, nós povos indígenas estamos combatendo essa doença com nosso conhecimento tradicional”, afirma José Maria Ferreira, liderança Yanomami durante a Assembleia Geral das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (Caimbrn), realizado em Canafé, no município de Barcelos, nos dias 2 e 3 de outubro. A IX assembleia definiu representatividade regional para os próximos quatro anos e aprovou estatuto social da coordenadoria

    Deledados das 12 associações de base da região do Médio e Baixo Rio Negro. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A Comunidade de Canafé, localizada na região do baixo Rio Negro, no município de Barcelos, recebeu lideranças indígenas de doze associações de base da Caimbrn. Como em outras assembleias sub-regionais já realizadas, os participantes seguiram as orientações de órgãos de saúde, como o uso obrigatório de máscaras e álcool em gel.

    Foi unânime as afirmações das lideranças indígenas sobre uso da medicina tradicional ao longo dos últimos meses para tratar os doentes de covid-19. A Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (Acimrn), fez um levantamento sobre o uso da medicina tradicional usado durante a pandemia, que destacou a diversidade do conhecimento dos povos indígenas que habitam a região. “Identificamos que cada povo e comunidade usa diferentes tipos de remédio caseiro, disse Carlos Nery Piratapuia, liderança e membro da Caimbrm. 

    Bruno Martins, secretário da Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (Acibrn), conta que a covid-19 pegou de surpresa as comunidades de abrangência da associação. “Não sabíamos que a doença já estava no nosso meio. Quando descobrimos, muitos de nós já estavam contaminados”, afirma. “Antes tínhamos café e caribé, um costume que mantemos com os parentes da comunidade. Depois que chegou a pandemia, mudou tudo. Ainda bem que nossos pais e conhecedores tradicionais nos ajudaram a combater a doença com nossos remédios caseiros”, completa.

    José Mário Yanomami, disse que a principal preocupação que tiveram com a chegada da doença foi sobre os mais idosos. “A nossa preocupação com eles foi grande, pois, vimos na TV que por onde chegava a doença matava muita gente. Graças a eles, que guardam os conhecimentos do nosso povo, conseguimos enfrentar a doença. Mudou muita coisa na nossa vida. E precisamos continuar nos cuidando e cuidar da nossa floresta, pois é dela que tiramos os nossos remédios”, disse.

    Sobre a mudança na vida das pessoas nas comunidades, a presidente da Associação Indígena de Barcelos (Asiba), Maria Lourenço, do povo Baniwa, relatou que o isolamento social que acabou sendo obrigatório, afetou muito a convivência as comunidades. “Tivemos que passar a seguir as orientações do pessoal da saúde, como o isolamento social e o uso de máscara. Não consigo usar isso, não estou acostumada, quando coloco, já quero tirar”, comentou Maria sobre o uso da máscara.

    Médio e Baixo Rio Negro aclamam diretor de referência

    A Comissão Eleitoral instituída pelo parecer do Conselho Diretor, coordenou os trabalhos durante o processo eleitoral. A calha do médio e baixo rio Negro foi dividido em 4 regiões para melhor organização e participação das lideranças indígenas na representatividade regional. Portanto, cada região indicou um representante para concorrer, e a sequência seguiu conforme o número de votos.

    O resultado da apuração foi: Coordenação Regional da Caimbrn: Carlos Nery (23 votos) – Coordenador, Vice Coordenador: Samero Andrade (13 votos), Coordenador Secretário: José Mario Yanomami (12 votos) e Coordenador Tesoureiro: Evaldo Bruno (10 votos).

    “Estamos totalmente satisfeitos com a atuação do nosso diretor de referência”, foi a avaliação unânime das 12 associações de base da Caimbrn, sobre a atuação do atual diretor de referência, Marivelton Rodriguês Baré. “Esteve sempre presente quando precisamos”, foi uma das afirmações mais comuns ao longo das apresentações das avaliações da gestão 2017-2020. Portanto, o atual diretor de referência da região, foi aclamado pelas 12 associações presentes na assembleia para a gestão 2021- 2024 da Foirn.

    O reconhecimento do trabalho do atual diretor de referência pelas comunidades e associações de base se deve ao intenso trabalho de mobilização desde da primeira gestão como diretor de referência, porém, os destaques foram os trabalhos da atual gestão, como presidente da Federação, como a implantação de projetos de turismo comunitários indígenas, avanço nos processos de demarcação de terras indígenas, fortalecimento das associações de base, enfrentamento ao Covid-19, melhoria de infraestrutura de comunicação, entre outros.

    O diretor Marivelton reconheceu que sua força e incentivo vem da base. “Em vários momentos que me senti sozinho ao longo desses anos, vocês (lideranças e comunidades) estavam lá para me dar força e lutar junto comigo. E vamos seguir lutando pela demarcação de nossos territórios, pela educação diferenciada e saúde indígena, afirmou.

  • Em assembleia, Povos Baniwa e Koripako debatem impactos da pandemia do novo coronavírus e definem representatividade para próximos quatro anos

    Em assembleia, Povos Baniwa e Koripako debatem impactos da pandemia do novo coronavírus e definem representatividade para próximos quatro anos

    A Organização Baniwa e Koripako Nadzoeri reuniu lideranças da bacia do Içana em Santa Rosa nos dias 23 e 24 de setembro para avaliar os impactos da pandemia da covid-19 na região; Diretor Isaias Fontes e secretário geral da Nadzoeri, Juvêncio Cardoso, foram reeleitos

    As 11 associações de base da Bacia do Içana delegaram seus representantes para participar da assembleia da Nadzoeri, realizado na comunidade Santa Rosa – Médio Rio Negro. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Seguindo os protocolos e recomendações sanitárias, cerca de 80 participantes estiveram reunidos em Santa Rosa, comunidade localizada na região do médio Rio Içana para avaliar os impactos da pandemia da covid-19 nas comunidades Baniwa e Koripako.

    O tema central das discussões e apresentações foi os Conhecimentos Tradicionais e sua importância no combate e tratamento de casos nas comunidades. “Se não fosse os remédios caseiros e o conhecimento tradicional a situação teria sido pior”, lembrou a enfermeira Hamyla Tridade Baré, que representou o Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN), e apresentou os dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai/Ministério da Saúde) durante o evento.

    Segundo os dados da Sesai, apresentados na assembleia, 50% das comunidades Baniwa e Koripako tiveram casos confirmados, isso representa um total de 247 pessoas. Mas, ainda de acordo com esses dados, há um indicador preocupante: até dia 21/09, apenas 6 pessoas da etnia Koripako, da região do Alto Içana, foram confirmados como casos positivos para covid-19. Ou seja, apesar de ter confirmação de casos na região em abril, especialmente nas comunidades do baixo e médio Içana, é agora que casos estão aparecendo e sendo confirmados na região do alto Içana. Uma preocupação encaminhada pela assembleia para o Dsei-ARN.

    Sobre os dados da Sesai apresentados na assembleia, o presidente da Foirn, Marivelton Barroso Baré, lembrou que ainda há subnotificações de casos na região, incluindo nas comunidades Baniwa e Koripako. “Desde o início da pandemia recebemos relatos de casos nas comunidades, que não entraram nas estatísticas da Sesai por falta de testes. Isso mostra que tem mais casos do que apresentado nos registros oficiais”, disse.

    Conhecimentos tradicionais e impactos da covid-19 nas comunidades

    Em toda a bacia do Içana os grupos de trabalho relataram uso de algum tipo de remédio caseiro ou medicina tradicional. Em alguns, houve registro de uso de benzimento no processo de tratamento de doentes.

    “Nosso convívio social e psicológico foi afetado. Somos povo que vive junto e compartilha a convivência com nossos parentes nas comunidades, não estamos acostumados a ficar isolado dos outros. Por isso, nossos remédios foram muito importantes para enfrentar a doença que chegou e mudou a nossa forma de conviver na comunidade”, relatou Hilário Fontes, da comunidade Ukuqui Cachoeira, da região do alto Ayarí, onde há 22 comunidades Baniwa.

    “A covid-19 chegou e atrapalhou tudo. Mudou o calendário escolar, programação de atendimentos à saúde e outros eventos que fazem parte da nossa vida social”, comentou Carlos de Jesus, relator da região do baixo Içana. Segundo o grupo, umas das mudanças negativas que a pandemia da covid-19 trouxe foi a necessidade de isolamento social e quarentena, coisa que as comunidades não estão acostumadas.

    “As nossas comunidades e associações de base conheceram os esforços conjunto da Foirn e  instituições locais e parceiros através das ações realizadas durante a pandemia”, afirmou o Juvêncio Cardoso, Secretário Geral da Nadzoeri.

    Após as apresentações dos grupos de trabalho, o diretor Presidente da Foirn, Marivelton Baré apresentou as ações da Foirn no âmbito do Comitê de Enfrentamento e Combate à Covid-19 no Município de São Gabriel da Cachoeira através das Campanhas Rio Negro, Nós Cuidamos, Aliança Pelos Povos da Floresta e União Amazônia Viva.

    Ficou claro a todos na assembleia que, a vacina ainda não está disponível, os cuidados devem continuar, as pessoas devem continuar seguindo as orientações das autoridades de saúde, os conhecimentos tradicionais continuará sendo uma importante alternativa no enfrentamento da covid-19 nas comunidades indígenas do Rio Negro.

    Delegadas mulheres representantes das associações de mulheres Baniwa marcaram presença na assembleia. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Representatividade Baniwa e Koripako para próximos quatro anos

    A assembleia da Nadzoeri foi também um espaço importante para os povos Baniwa e Koripako definirem quem irá representar a região no âmbito do movimento indígena do Rio Negro nos próximos 4 anos, onde foram definidos o diretor de referência para a diretoria da Foirn, diretoria da Coordenadoria Regional (Nadzoeri), Conselheiros do Conselho Diretor da Foirn e delegados para a assembleia geral da Foirn previsto para mês de novembro.

    As associações de base apresentaram candidatos para concorrer a vaga de diretor da Foirn, foram eles: Isaias Fontes (atual diretor), Ronaldo Apolinário, Deusimar Moraes e Augusto Garcia. Cada associação de base teve 5 delegados (as) com direito a voto, foram 55 delegados no total. O resultado da apuração, definiu a reeleição do atual diretor Isaias Pereira Fontes com 58% dos votos.

    Para a coordenadoria Nadzoeri, cada microrregião (são 5 no Içana) indicou um representante para fazer parte da diretoria. A eleição foi feita apenas para definir o Secretário Geral e o Secretário Financeiro, os demais seguiram a ordem de Secretários Adjuntos de acordo com os votos recebidos, sendo Adjunto 1, 2 e 3 respectivamente.

    Também foram definidos os delegados Baniwa e Koripako para representar a região na assembleia geral da Foirn, Conselheiros do Conselho Diretor, bem como membro para a Comissão Fiscal do Conselho Diretor.

    Comunidade Santa Rosa faz Dabucuri para encerrar a assembleia

    Comunidade Santa Rosa preparou Dabucuri para encerramento da assembleia. Foto: Lília França/Rede Wayuri

    A pandemia afetou a vida nas comunidades, mas, o dar e o compartilhar continua intacto. Apesar das mudanças na forma de convivência nas comunidades Baniwa e Koripako, a cultura e a vida segue firme na região. Para encerrar as atividades da assembleia, a comunidade Santa Rosa ofertou um dabucuri para os participantes, onde foram lembradas as regras de partilhar e dividir com os cunhados (no caso da assembleia, os participantes).

    O dabucuri reforça a importância do fortalecimento dos laços de amizade e companheirismo no trabalho para as lideranças Baniwa e Koripako que estão na linha de frente da representatividade regional. O bem-viver Baniwa e Koripako enfrenta a covid-19, e irá resistir.

  • Povos Indígenas do Alto Rio Negro são os primeiros a realizar assembleia sub-regional para debater covid-19 na região

    Povos Indígenas do Alto Rio Negro são os primeiros a realizar assembleia sub-regional para debater covid-19 na região

    Participantes da Assembleia da Caiarnx, realizado na comunidade Tabocal dos Pereira, alto Rio Negro. Foto: Raquel Uendi/ISA

    As lideranças das coordenadorias regionais da FOIRN que vão atuar na gestão 2021/2024 começaram a ser definidas com a realização, nos dias 17 e 18 de setembro, da V Assembleia Regional Eletiva da Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro, Xié e TI Balaio (CAIARNX). Este ano, o tema das assembleias é Pandemia e os Saberes Tradicionais do Povos Indígenas do Alto Rio Negro.

    O encontro da CAIARNX reuniu cerca de 80 pessoas e seguiu as orientações sanitárias para reduzir o risco de contaminação pelo novo coronavírus.

    Juventude Indígena presente na assembleia. O evento seguiu todas as orientações e protocolos sanitários, como uso obrigatório de máscaras e álcool em gel disponível para os participantes. Foto: Raquel Uendi/ISA

    O atual diretor da Caiarnx, Adão Francisco Henrique, da etnia Baré, foi reeleito para o cargo. Já o coordenador regional eleito é Ronaldo Ambrósio Melgueiro, da etnia Baré. Outras quatro assembleias regionais vão acontecer até 17 de outubro. A assembleia geral eletiva da Foirn está marcada para ocorrer os dias 26 e 27 de novembro.

    Durante a assembleia da CAIARNX, que ocorreu na Comunidade Tabocal dos Pereiras, São Gabriel da Cachoeira (AM), foram discutidos e encaminhados temas importantes para o movimento indígena, como por exemplo a necessidade de fortalecer a participação das mulheres e jovens, reforçar a rede de comunicadores, melhoria da articulação da diretoria regional nas comunidades e reforço da mobilização junto ao Governo Federal e outras instâncias do poder público para que não haja perda de direitos.

    Presidente da Foirn, Marivelton Barroso, da etnia Baré, participou da assembleia e ressaltou que esse é um momento positivo, apesar dos grandes desafios. “Que os trabalhos sigam sendo fortalecidos apesar dos desafios do atual cenário político brasileiro, que não está fácil. O governo, que é oposição às causas do movimento indígena, questões sociais, minorias. Principalmente nós no território indígena somos constantemente atacados, vários direitos sendo diminuídos. Temos cada vez mais que fortalecer e unir os 23 povos indígenas aqui da região”, disse.

  • Comunicar para proteger: rede de radiofonia do Rio Negro é ampliada

    Comunicar para proteger: rede de radiofonia do Rio Negro é ampliada

    Intalação de nova radiofonia na comunidade Mafi, município de Santa Isabel do Rio Negro. Foto: Foirn

    A rede de comunicação por radiofonia está sendo fortalecida nas comunidades indígenas do Rio Negro em projeto desenvolvido em parceria entre Foirn, Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN) e Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi). Desde maio, já foram instalados 92 kits de radiofonia. No total, serão entregues aparelhos a 152 comunidades. O presidente da Foirn, Marivelton Barroso Baré, está realizando viagens pela região para a implementação desta ação.

    Considerada fundamental para a vigilância, proteção e gestão territorial desde o início da luta pela demarcação das terras indígenas, a radiofonia também é importante instrumento de controle social. Esse sistema de comunicação ganhou ainda mais relevância durante a pandemia, sendo primordial para o combate à Covid-19.

    Na última semana de agosto, oito comunidades indígenas receberam kits de radiofonia. Em viagem realizada pela Foirn, Dsei-ARN e Condisi, foram instalados equipamentos nas comunidades do Médio e Baixo Rio Negro. São elas: Mafi, Cujubim, Ilha do Chile, Tabocal do Enuixi, Lajinha, Acu Acu, São Joaquim e Tapereira.  Os recursos desse projeto são da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

    Para o presidente do Condisi, Jovânio Normando Baré, essa é uma luta antiga das lideranças e ver comunidades indígenas recebendo os kits de radiofonia é realizar um sonho.  “Agora as pessoas que não tinham como receber ou passar mensagem, vão poder se comunicar com outras. Isso só está sendo possível através da forte parceria Condisi, Dsei-Alto Rio Negro e Sesai com a Foirn, que tem sido fundamental nesse processo”, diz. 

    Jovânio Normando fez parte da equipe de viagem de instalações desses equipamentos nas comunidades na região do Médio e Baixo Rio Negro, junto com o Presidente da Foirn, Marivelton Barroso Baré.

    Com mais comunidades conectadas, a rede de comunicação através de radiofonia do Rio Negro fica maior e fortalecida. Esse trabalho de comunicação liderado pela Foirn com contribuição de parceiros tem sido fundamental para combate à Covid-19 e nas comunidades indígenas. 

    Marivelton Rodrigues Baré, Presidente da Foirn passando informações para as comunidades através da radiofonia. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Histórico

    As primeiras rádios no Rio Negro foram instaladas em 1994. Quatro delas foram adquiridas com apoio da Aliança Pelo Clima, sendo que oito equipamentos tiveram recursos dos Amigos da Terra.  Esses aparelhos foram instalados em pontos estratégicos após ampla discussão com as organizações de base filiadas à Foirn na época.  “A primeira radiofonia no Rio Negro foi instalada na comunidade Ilha das Flores”, lembra Maximiliano Corrêa Tukano, liderança que participou daquele momento histórico para a comunicação indígena na região.

    “Esse meio de comunicação chegou para apoiar a comunicação para a vigilância e gestão do território devido a intensas invasões de garimpeiros e empresas mineradoras. E posteriormente foi fundamental no processo de demarcação das terras indígenas e no início do Dsei. Nos anos seguintes, ampliamos para os outros municípios onde atua o movimento indígena. Fortalecer a nossa comunicação com as bases vai proteger o nosso território”, completa.

  • Unidas e fortes: mulheres Baniwa se mobilizam em associação

    Unidas e fortes: mulheres Baniwa se mobilizam em associação

    Mulheres Baniwa presentes na assembleia realizado na comunidade Buia Igarapé. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Na última sexta-feira, 28/08, mulheres Baniwa da região do Baixo Içana se reuniram na comunidade Buia Igarapé, na Terra Indígena Alto Rio Negro, para discutir a reativação da Associação das Mulheres Indígenas do Baixo Içana (Amibi). Participaram da assembleia as comunidades de Boa Vista, Wirarí Ponta, Jawacanã, Camarão, Ituim, Pirayawara e Assunção do Içana.

    A assembleia começou com uma apresentação do histórico da associação feita por Vírgilia Almeida, umas das líderes mobilizadoras do encontro. “A nossa associação é importante para nós. Através dela podemos nos fortalecer e lutar por aquilo que desejamos melhorar nas nossas comunidades”, destacou. “Ela (associação) ficou adormecida por muito tempo. Mas, agora é o momento de reativar e retomar os trabalhos”, completou.

    Presente na assembleia, a coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro, Elizângela da Silva Baré, frisou que uma associação fortalecida e ativa é importante para unir as mulheres e comunidades, contribuindo para a boa governança indígena do território. “Uma associação forte e ativa anima o trabalho das mulheres. Não só delas, mas, os homens também precisam participar e fazer parte de uma associação das mulheres”, disse.

    Professor da comunidade, Alípio Martins reforçou a importância da associação e da luta coletiva. “Aqui na região do Baixo Içana precisamos fortalecer a nossa associação para através dela buscar mais melhorias coletivas para nós, coisa que não temos feito nos últimos anos”, lembrou.

    Após as reflexões e debates, as mulheres se organizaram para definir e indicar nomes para concorrer à diretoria. Foi decidido que a escolha fosse feita por votação. Das duas chapas propostas, a segunda ganhou com a seguinte definição: Madalena Fontes Olimpio (Presidente), Sabrina Pereira (Vice-Presidente), Genilson Martins (Secretário), Alciane Gonçalves (Tesoureira), Neury Jane Martins (Conselheiro) e Alípio Martins (Conselheiro).

    Madalena Fontes Olimpio, presidente eleita da Associação das Mulheres do Baixo Içana. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    O encontro serviu também para exposição e venda de artesanatos, apresentação e distribuição da Cartilha sobre a prevenção da violência contra a mulher, para apresentação dos trabalhos e agenda de ações dos departamentos das mulheres e da juventude da Foirn, que terá suas assembleias eletivas nesse segundo semestre.
    As mulheres saíram fortalecidas da assembleia. “Nosso primeiro trabalho vai ser legalizar a nossa associação e começar os nossos trabalhos de mobilização e fortalecimento”, disse Madelena, a nova presidente eleita.

    Exposição de artesanatos durante a assembleia. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Cautela e preocupação nas comunidades

    Como as demais comunidades indígenas das regiões do Rio Negro, Buía Igarapé também registrou casos de covid-19 nos últimos meses. Incluindo um registro de óbito. Por isso, houve grande preocupação da coordenação da assembleia em seguir as orientações das autoridades de saúde, como o uso de máscaras e distanciamento social durante o evento.

    O diretor da Foirn de referência da região do Içana, Isaias Fontes, chegou de volta à comunidade Buia depois de uma viagem ao alto Içana e apresentou as preocupações das comunidades em relação a presença da covid-19 na região. E falou do trabalho de monitoramento através de oxímetro que está sendo feito pela Foirn em parceria com a Fiocruz-Amazônia através dos agentes indígenas de saúde nas comunidades. “Todas as comunidades Baniwa já foram infectadas, por isso estamos realizando esse monitoramento para acompanhar as situações e casos que precisam de atenção. Mesmo quem já pegou, precisa continuar se cuidando”, afirmou.

    Esse trabalho é feito através de treinamento dos agentes indígenas de saúde por um biólogo para monitorar pacientes que precisam de atenção e acompanhamento por parte dos profissionais de saúde.

  • Nota de Repúdio sobre veto à participação da COIAB em reunião da OEA

    Nota de Repúdio sobre veto à participação da COIAB em reunião da OEA

    São Gabriel da Cachoeira (AM), 07 de agosto de 2020

    A Foirn – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – entidade que representa 750 comunidades indígenas de 23 etnias no Amazonas, vem a público manifestar sua profunda indignação com o veto do Governo Brasileiro à participação da liderança Nara Baré na 3ª Semana Interamericana de Povos Indígenas, na Organização dos Estados Americanos (OEA).

    Como base da Coiab, Foirn repudia o veto de participação de Nara Baré em reunião da OEA

    Como coordenadora executiva da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Nara falaria hoje de forma virtual sobre o tema “Covid-19 e Resiliência dos Povos Indígenas”. Entretanto, o governo brasileiro silenciou a voz da nossa liderança, em um ato explícito de racismo institucional e censura.

    “Diante de todas as violações de direitos, o governo brasileiro agora tenta impedir que nós lideranças indígenas da Amazônia possamos falar nas instâncias internacionais sobre o que estamos passando no Brasil com a pandemia do novo coronavírus. Sobre o descaso e a negligência que o Governo brasileiro nos trata”, enfatiza Marivelton Barroso, também do povo Baré.

    Conforme explicou a nota de repúdio da Coiab, Nara teria o papel de informar ao Conselho Permanente da OEA, e outros convidados da sessão, sobre os impactos da Covid-19 entre os povos indígenas, e como as organizações e comunidades estão combatendo o vírus por sua iniciativa própria. Jaime Vargas, presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) também teve sua participação vetada.

    O Conselho Permanente da OEA é composto de um representante de cada Estado membro e se reúne regularmente em Washington (EUA). Executa as decisões da Assembleia Geral, exercendo importantes funções políticas em conformidade com a Carta Democrática Interamericana, e servindo como um fórum político de discussão. A OEA é o mais antigo organismo regional do mundo, fundada em 1948 com o objetivo de promover relações pacíficas nas Américas.