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  • São Gabriel da Cachoeira conquista polo da Defensoria Pública

    São Gabriel da Cachoeira conquista polo da Defensoria Pública

    Reivindicação antiga da sociedade civil e das lideranças indígenas, instalação da Defensoria no Alto Rio Negro visa ampliação do acesso à justiça gratuita

    Defensor geral do Estado do Amazonas, Ricardo Paiva, ao lado do prefeito da etnia Tariano, Clóvis Corubão|Eucimar Aires-Foirn

    “A justiça precisa funcionar e deve ser para todos. Isso é o que a gente vem reivindicando sempre”, ressalta Dário Casimiro, do povo Baniwa, diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) durante audiência pública que marcou o anúncio da chegada da Defensoria Pública ao município mais indígena do Brasil.

    O evento realizado no último dia 14 de maio no principal ginásio da cidade contou com a presença do defensor geral do Estado do Amazonas, Ricardo Paiva, do secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, e do deputado estadual Sinésio Campos (PT-AM). O parlamentar foi o autor da propositura na Assembleia Legislativa, que viabilizou a realização da audiência pública em São Gabriel.

    A Prefeitura gabrielense doou um terreno no centro da cidade, na rua Álvaro Maia (mesma rua da sede da Foirn), para que a Defensoria tenha uma estrutura própria e não dependa de um imóvel alugado. O núcleo contará com três defensores públicos, cinco estagiários, um analista e um técnico administrativo. O polo também atenderá os municípios de Barcelos e de Santa Isabel do Rio Negro. A estimativa é que a unidade seja inaugurada até novembro, segundo a Defensoria.

    “O maior legado desta audiência pública aqui em São Gabriel da Cachoeira é poder ouvir a população e saber o desafio que teremos pela frente. Também queremos entender melhor de que forma podemos adotar estratégias para prestar um serviço que alcance à população. E não somente da área urbana, mas também a população indígena que está nas comunidades”, disse o defensor geral, Ricardo Paiva para a reportagem da Rede Wayuri de comunicadores indígenas. Escute aqui o podcast no Spotify da Rede Wayuri.

    O Instituto Socioambiental (ISA), que tem sede em São Gabriel, realizou uma reunião virtual com a Defensoria Pública afim de colaborar com o trabalho da instituição na consolidação de direitos para os povos indígenas da região. A advogada do ISA no município, Renata Vieira, apontou como um dos maiores desafios a questão dos direitos da mulher, com especial recorte para as mulheres indígenas, assim como o acesso à informação para efetivação desses direitos.

    “A presença de uma Defensoria Pública em São Gabriel da Cachoeira representa uma grande conquista dos povos indígenas do Rio Negro na defesa e efetivação de seus direitos. Isso tem uma dupla dimensão, de um lado o Estado os reconhece como um sujeito histórico titular de direitos que foram negados ao longo de séculos, de outro, representa a abertura do sistema de justiça às demandas de grupos vulnerabilizados, promovendo a ampliação do acesso à Justiça e, por conseguinte, a sua democratização”, comemora Renata, do Programa Rio Negro, do ISA.

    Interiorização da justiça

    O defensor geral comentou também que esse é mais um passo da estratégia de interiorização dos serviços da Defensoria Pública no Amazonas. Ano passado, em visita à cidade de Benjamin Constant, no Alto Solimões, Paiva lembra que pode conhecer e perceber o quanto as comunidades indígenas no Amazonas querem e precisam de serviços básicos da Defensoria.

    “São serviços que levam à cidadania para garantia de serviços básicos a essa população. Portanto, ter esse polo em São Gabriel da Cachoeira, no Rio Negro, é garantir acesso a direitos e acesso à justiça a uma população que muitas vezes vive numa zona de invisibilidade”, disse Paiva em entrevista ao ISA pelo telefone.

    Sobre a doação do terreno pela Prefeitura local, Paiva comentou: “Esse é um projeto ousado da Defensoria para enraizar seus serviços aqui em São Gabriel da Cachoeira, ciente de que a população precisa muito desses serviços e esse é um compromisso que estamos assumindo”.

    Dário Casimiro Baniwa, diretor da Foirn, reivindicou contratação de pessoal falante das línguas indígenas co oficiais do município|Eucimar Aires-Foirn

    Dário Baniwa, que participou da audiência pública como representante da Foirn,
    frisou que no município existem quatro línguas indígenas cooficiais e que a contratação de pessoas falantes dessas línguas vai “facilitar a comunicação e o diálogo entre a Defensoria e os povos indígenas da região”. Baniwa concluiu com um alerta às autoridades sobre a crescente violência e vulnerabilidade à entrada de drogas, garimpeiros ilegais e outros crimes transfronteiriços no município, que faz fronteira com a Colômbia e a Venezuela.

    Fonte: https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/sao-gabriel-da-cachoeira-conquista-polo-da-defensoria-publica

  • 30 de abril de 2021: FOIRN completa 34 anos de existência e resistência

    30 de abril de 2021: FOIRN completa 34 anos de existência e resistência

    No dia 30 de abril de 1987 o ginásio da Diocese de São Gabriel da Cachoeira foi o palco onde se reuniram mais de 400 lideranças indígenas que vinham desde os anos 1970 se organizando e discutindo os direitos dos povos indígenas da região do Rio Negro. Neste evento que juntou diferentes etnias, povos, línguas, tradições e trajetórias históricas foi fundada a FOIRN. Nessa reunião estavam presentes não somente nossos parentes, mas também autoridades do Estado Brasileiro.

    Não que a presença de pessoas de contextos diferentes aos nossos fosse novidade. Nós indígenas do Rio Negro temos uma história de resistência à colonização desde a chegada de portugueses e espanhóis e mantemos nossa identidade indígena até hoje, somos sobreviventes.
    A fundação da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN marca mais uma dessas fases de resistência e foi com os motes de Terra e Cultura que fomos buscar nossos direitos.
    A FOIRN foi criada para que nós tenhamos nosso próprio meio de expressão e reivindicação. Aqui nós falamos por nós mesmos, evitando intermediários ou atravessadores.

    Desde 1987 muitas ações foram concretizadas. Temos hoje Terras Indígenas demarcadas e em processo de demarcação, a educação escolar indígena tem exemplos positivos, as línguas indígenas os
    costumes e tradições continuam a ser praticadas e, principalmente, hoje mostramos que ser indígena é motivo de orgulho, pois nossa história marca a diversidade, a pluralidade, a ampliação dos conhecimentos e caminha em conjunto com um enorme patrimônio social e natural.

    Afinal, a história dos povos indígenas do Rio Negro não separa o ser humano do seu ambiente, das águas, das florestas, das montanhas e dos animais. Criamos desta forma riquezas que vão além de cifrões, de números. Nossa riqueza é maior que o PIB, ela é todo esse território da qual o mundo precisa para que seu clima mantenha as condições de vida do ser humano, ela traz concepções filosóficas, mitológicas e ecológicas sobre uma das regiões com a mais rica biodiversidade do
    mundo, a Floresta Amazônica. Produzimos e conservamos um sistema agrícola de ampla diversidade, resistente a pragas e que não carece de venenos. Temos, portanto, enormes contribuições ao nosso mundo e lutamos para que estas sejam reconhecidas.

    Este reconhecimento é o que guia os trabalhos da FOIRN,reconhecimento de que os povos indígenas habitam esta região há milênios e que contribuem enormemente ao nosso país e ao mundo. No
    entanto, isso somente acontece através de grandes esforços, é por isso que a luta faz parte do nosso cotidiano.


    Lutamos contra os interesses que prefeririam destruir nossos territórios para dar lucro para quem já está soterrado de dinheiro. Temos que lutar pois somos ameaçados com ideias que menosprezam e querem uniformizar nossos conhecimentos milenares. Lutar porque aqui já queimaram malocas e demonizaram nossos costumes. Lutar, pois há ameaças constantes aos capítulos da Constituição que garantem os nossos direitos, feitas por aqueles que desejam facilitar a expansão do
    agronegócio, mineração e madeira.


    A FOIRN dialoga com o poder público, propondo o uso sustentável de recursos naturais para o bem viver das comunidades e também lutar pela nossa cultura e território.


    Há pelo menos 30 anos trabalhamos com essa ferramenta garantida pela Constituição Federal de 1988, que é a associação indígena. Aqui na FOIRN propomos e acompanhamos as políticas públicas
    governamentais. Assim, construímos no dia a dia uma ponte entre as comunidades mais distantes e o Estado Brasileiro. Fazemos as reivindicações de nossos parentes ecoarem nos Palácios do governo e
    chegarem a quem pode tomar decisões que garantam nossos direitos. Apesar de toda esta trajetória, ainda recebemos críticas sem fundamentos de que as terras indígenas trazem atraso e impedem o
    progresso. Porém, devemos lembrar à sociedade que é por conta desse chamado progresso que estamos sofrendo com a fúria da natureza

    ocasionando inundações, nevascas, desertificações em várias partes do planeta, devido às mudanças climáticas causadas pelas emissões dos gases de efeito estufa. É nessa hora que não vale nada o orgulho e poder dos países e homens mais ricos do mundo. Diante da reação da natureza não existe protocolo nem todo dinheiro do mundo para acordar uma trégua.


    Enquanto isso, os parentes no Mato Grosso do Sul são mortos por proprietários de grandes fazendas. É este progresso que polui nosso mundo e faz com os que mais ricos fiquem mais ricos e os mais pobres
    mais pobres! As Terras Indígenas são, ao contrário disso, reais exemplos de progresso. Nelas ainda se encontra ar puro, água, espaço, liberdade e reciprocidade. Nelas se pode viver sem nos submetermos a
    patrões e donos de negócios que querem só nossa força de trabalho e pagar o mínimo possível para que possam lucrar o máximo.


    Convidamos assim vocês para refletirem sobre o nosso mundo de hoje, pensarem como podemos melhorá-lo e que estratégias podemos traçar em conjunto, pois essa história de 34 anos traz uma marca importante dos nossos ancestrais, a coletividade. Nossa instituição sempre foi e continuará de portas abertas para que nossos trabalhos sejam conhecidos, analisados e melhorados.


    Assim como não deixamos de ser indígenas por usarmos novas tecnologias ou falarmos português, não deixaremos que novas táticas de colonização acabem com nossos saberes e práticas milenares. Saibam suas histórias, procurem saber a versão não somente dos dominantes, mas também a versão daqueles que resistem, que lutam para que injustiças não sejam perpetuadas. Uma grande parte dessa
    história de resistência está aqui, ela é incorporada pela FOIRN, está na nossa maloca, nas nossas lideranças, nas nossas comunidades, roças, em danças de cariçu, em rodas de caxiri e também em nossos livros, arquivos e vídeos. Conheçam esta história.

    Parabéns à FOIRN e a todos oque contribuíram para sua existência no passado e no presente, é na verdade um parabéns à diversidade, àpluralidade e à tudo que nossos povos indígenas do Rio Negro
    representam.

    Renato Matos Tukano

  • NOTA DE REPÚDIO AO PL 191-2020

    NOTA DE REPÚDIO AO PL 191-2020

    PELA VIDA, CONTRA O GENOCÍDIO, NOSSAS VIDAS NÃO ESTÃO À VENDA!

    Nós, lideranças indígenas, representantes dos 23 povos indígenas da região do Rio Negro, reunidos na 39° reunião do Conselho Diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN, realizado nos dias 20 e 21 de abril de 2021, na Casa do Saber da FOIRN/São Gabriel da Cachoeira (AM), vem a público manifestar repudio contra a Projeto de Lei (PL) 191, conhecido como PL da mineração, encaminhado pelo Presidente da República Jair Messias Bolsonaro em 6 de fevereiro de 2020 à Câmara dos Deputados. Esse projeto pretende regulamentar pesquisas e exploração de recursos minerais, garimpo, extração de hidrocarbonatos, bem como aproveitamento de recursos hídricos para geração de energia elétrica em Terras Indígenas (TIs).

    O PL 191/2020 é mais uma estratégia deste governo anti indígena de abrir nossas terras para grupos econômicos e ao capital nacional e internacional. Significa pena de morte para nós porque põe em risco a nossa existência em nossas terras. Essas atividades vão causar a devastação e contaminação dos rios e florestas, destruindo nossa cultura, conhecimentos e memória materializada no nosso território. Para nós a terra é tudo, sem ela não há como viver e sobreviver. Não é mercadoria e não está à venda. Não é reserva de capital presente e futuro para esses grupos econômicos. É a nossa casa, casa dos espíritos ancestrais e mitológicos, vida que se entrelaça com todos os seres.

    Trata-se de um projeto que desrespeita e viola os nossos direitos à vida, à terra, ao território e fundamentalmente representa a perda da nossa autonomia conquistada pelo movimento indígena expresso de acordo com os artigos 231 e 232 da Constituição da República Federativa do Brasil, e tratados internacionais como a Convenção 169 da OIT. Reestabelece a tutela, pois retira nosso direito à gestão do território conforme a nossa cultura, visão de mundo e entendimento do que é o Bem Viver. Além disso nos impede do poder de veto de projetos nas TIs que possam nos prejudicar, principalmente mineração e agropecuária, remetendo a aprovação do Presidente da República após uma consulta genérica, sem qualquer diálogo com os povos indígenas e sem Consulta Prévia, Livre e Informada.

    Além de tudo, significa caminho sem volta em relação ao direito de usufruto exclusivo do nosso território. E pior, arquitetado e implementado pelo governo, que segundo a Constituição deveria proteger nossos patrimônios e direitos originários. O PL 191/2020 representa interesses dos grupos econômicos e políticos anti indígenas que vem demonstrar uma face neocolonial, fascista, genocida, etnocida, preconceituosa que tem como objetivo nos dizimar e expropriar nossas terras. Mas a nossa resposta continua sendo única. Vamos resistir! Nossas terras e nossas vidas não estão à venda!

    Diante do exposto, manifestamos nosso repúdio a esse Projeto de Lei genocida e aos seus defensores que se auto intitulam representantes, porém, não estão legitimados por nós povos do Rio Negro, e exigimos que o governo brasileiro respeite os nossos direitos constitucionais à terra e à vida. Temos direito de viver!

    São Gabriel da Cachoeira, 21 de abril de 2021

  • Reinauguração da Casa do Saber da FOIRN reforça importância do espaço para a luta e cultura indígenas do Rio Negro

    Reinauguração da Casa do Saber da FOIRN reforça importância do espaço para a luta e cultura indígenas do Rio Negro

    Integrantes do Grupo de danças Tuyuka apresentam na reinauguração da Casa do Saber da Foirn em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Ana Amélia/Foirn

    A cobertura da palha de caranã, os esteios de madeira, os grafismos, a engenharia indígena: esses são alguns dos elementos da Casa do Saber – Maloca da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), em São Gabriel da Cachoeira (AM), reinaugurada nesta segunda-feira, 19 de Abril, Dia dos Povos Indígenas, após ficar fechada desde setembro de 2020 para reformas.

    A abertura da solenidade foi conduzida pelo presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, e contou com danças tradicionais indígenas e com a presença de representantes das instituições e sociedade civil organizada. Mas, antes, o principal elemento dentro da cultura tradicional: o indígena Mário Tenório, da etnia Tuyuka, fez o benzimento da estrutura. Também como parte das comemorações do 19 de Abril, nesta segunda-feira foi inaugurada a usina de oxigênio do Rio Negro, doada pelo Greenpeace à FOIRN.

    Presidente da FOIRN, Marivelton Baré relembrou momentos importantes do movimento indígena, reforçando a importância da Casa do Saber como espaço dos povos tradicionais, sua luta e resistência, proteção e cultura.

    “Essa Maloca faz parte de trajetória do movimento indígena do Rio Negro Negro, com várias lutas, como as enfrentadas na época da Ditadura Militar, quando foi um desafio para a gente lutar pela criação dessa organização. Era só uma casinha pequena onde nossas lideranças eram perseguidas e ameaçadas. Tudo isso fez parte do processo e mostra a resistência dos povos do Rio Negro. Depois as empresas mineradoras chegaram à região de forma devastadora, cooptando lideranças, criando divisão entre as populações pelos interesses econômicos”, disse.

    Marivelton Barroso também relembrou o papel importante de lideranças indígenas e ex-presidentes da FOIRN, como Braz França (Baré), em muitas conquistas, entre elas a demarcação de terras, os avanços na organização da educação e saúde indígena.

    Ele reforçou que os povos indígenas querem respeito ao espaço de decisão e têm instrumentos – como o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), elaborado em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) para ordenar o desenvolvimento. “Terra indígena não é empecilho para desenvolvimento. Tem que buscar meios alternativos”, declarou.

    Ao falar dos jovens, Marivelton Barroso disse que é obrigação do movimento indígena promover ações que integrem a juventude. Ele mesmo foi membro do movimento de juventude indígena e disse que é necessário dar oportunidades aos mais novos e reforçou que os jovens podem chegar aonde quiserem, nas mais diversas instituições.

    O trabalho em parceria com as ONGS também foi lembrando por Baré, mais cedo, durante a inauguração da usina de oxigênio. “Estamos trabalhando com parcerias sérias. Falam que as organizações agem por interesse minerário. Se fosse, não estaríamos hoje inaugurando essa usina de oxigênio que irá proteger vidas”, disse.

    Mestre Luiz Baniwa foi responsável pela reconstrução da Casa do Saber da Foirn. Foto: Ana Amélia/Foirn

    Responsável pelas obras de reestruturação da Casa do Saber, a liderança indígena e conhecedor tradicional Luiz Laureano, do povo Baniwa, disse que a estrutura foi construída de forma a ter espaço para cada uma das etnias do Alto Rio Negro. “É muita alegria estar aqui, nesse dia de festa. Essa casa deve abrigar e proteger os povos indígenas e os seus parceiros”, disse. Luiz Laureano também participou da dança tradicional Baniwa na abertura do evento. Em seguida, houve apresentação cultural do povo Tuyuka.

    Participaram da inauguração da Casa do Saber a diretoria da FOIRN, integrantes da federação e de associações indígenas e autoridades do município, entre elas a vice-prefeita Eliane Falcão; o administrador do Instituto Socioambiental (ISA) em São Gabriel da Cachoeira, Wizer Oliveira; o diretor de operações do Greenpeace Brasil, Agnaldo Almeida; o presidente e cofundador da organização Expedicionários da Saúde (EDS), o médico ortopedista Ricardo Affonso Ferreira; o comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, General Alexandre Ribeiro de Mendonça; a diretora do Hospital de Guarnição do Exército, tenente-coronel Anaditália Pinheiro; o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN), Ernani Souza; coordenadora do Dsei Yanomami, enfermeira Clara; coordenador interino da Funai, Marcos Albino.

    LUTO

    Os integrantes do movimento indígena vítimas da Covid-19 foram homenageados durante a inauguração da Casa do Saber. Diretor de referência para a Nadzoeri – Organização Baniwa e Koripako, Isaías Fontes morreu no início de fevereiro, após ficar internado em Manaus. Ele contraiu o novo coronavírus em São Gabriel durante a segunda onda da pandemia, teve o quadro agravado e chegou a ser transferido para hospital da capital, mas não resistiu. Outras importantes lideranças foram lembradas, como Higino Tuyuka, Feliciano Lana entre outros.

    USINA DE OXIGÊNIO

    Dentro das ações de combate à pandemia na região, foi oficialmente inaugurada nessa segunda-feira a Usina de Oxigênio do Rio Negro, doada pelo Greenpeace à FOIRN. O equipamento já está em funcionamento e garantirá o abastecimento de oxigênio em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

    A nova usina foi acionada pelo presidente da FOIRN, Marivelton Baré, pelo diretor de operações do Greenpeace Brasil, Agnaldo Almeida, e pela vice-prefeita Eliane Falcão.

    Marivelton Baré reforçou a importância das parcerias interinstitucionais que vêm possibilitando as ações de combate à Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira.

    Foi assinado termo de cessão e gestão entre FOIRN e Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira. O equipamento está instalado na Unidade Básica de Saúde (UBS) Miguel Quirino, em São Gabriel, e será gerido pela administração municipal. Os municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos também serão beneficiados.

    Segundo Agnaldo Almeida, do Greenpeace, no início deste ano, durante o pico da segunda onda da pandemia e da crise do oxigênio no Estado do Amazonas, a organização transportava cerca de 15 cilindros de oxigênio a cada dois dias, numa logística trabalhosa e dispendiosa. A partir dessa demanda, foi desenhada a estrutura da nova usina de oxigênio, que saiu do Sul do país – o equipamento foi produzido no Paraná – e trazida até São Gabriel em trajeto de avião e barco.  A produção do insumo pode atender a um aumento da demanda em uma possível terceira onda e a pacientes com outras enfermidades respiratórias. “Eu trabalho em outras partes do Amazonas e gostaria de ressaltar que o modelo adotado na região do Rio Negro de parcerias para combate à Covid-19 é exemplar”, disse. Junto com a usina, foram doados à FOIRN um total de 90 cilindros de oxigênio.

    Administrador do Instituto Socioambiental (ISA) em São Gabriel da Cachoeira, Wizer Oliveira ressaltou que a usina traz alívio depois de um período de agonia passado por todo o Estado com falta do insumo tão necessário aos pacientes com Covid-19.

    Presente ao evento de inauguração da usina, o Secretário Municipal de Esportes de Santa Isabel do Rio Negro, Evandro Aquino reforçou que a conquista é primordial para o município. A cidade chegou a apresentar falta de oxigênio e teve o socorro da FOIRN e parceiros no auge da crise. Para abastecer os cilindros de oxigênio em Manaus, é necessário percorrer cerca de 600 km. Já a distância entre Santa Isabel e São Gabriel é de cerca de 200km.

    Diretora do Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira (HGuSGC), tenente coronel Anaditália Pinheiro, disse que a nova usina também pode auxiliar a estrutura hospitalar.  “Em São Gabriel da Cachoeira podemos ter problemas no fornecimento de energia elétrica em decorrência de um raio ou outra eventualidade. Nesses casos, a nova usina pode funcionar como um backup para abastecimento de cilindros”, informou.

    Sobre uma possível terceira onda, ela disse que todo o país deve ser preparar e que o hospital vem reforçando medicamentos, equipamentos e recursos humanos. Sobre o kit intubação – série de medicamentos utilizados no processo de intubação – ela informou que há estoque no hospital.

    (Ana Amélia Hamdan/Colaboradora FOIRN)

  • Povo Dãw inaugura Casa de Referência Cultural e fortalece tradição

    Povo Dãw inaugura Casa de Referência Cultural e fortalece tradição

    Liderança do povo Dãw, a professora Auxiliadora recebe os convidados para a inauguração do centro cultural. Foto: Ednéia Teles/Foirn

    Os indígenas da etnia Dãw, que vivem na comunidade Waruá, às margens do Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira (AM), têm agora um novo espaço de referência para fortalecimento de suas tradições.

    No domingo, 14/3, foi inaugurada a Casa de Referência Cultural. Localizado no rio Curicuriari, no Sítio Belém, pertencente à Associação Ahkoiwi – CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro), o novo centro está em área tradicional do povo Dãw e está mais resguardado das interferências da cidade.

    A comunidade Waruá fica em frente à principal orla de São Gabriel, sendo uma das mais próximas do espaço urbano, o que facilita o acesso a serviços, mas gera maior exposição a alguns problemas.

    O projeto financiado pelo Fundo Casa Socioambiental foi desenvolvido para possibilitar e incentivar a retomada de práticas tradicionais da etnia, como caça, pesca, danças, crenças, entre outros.

    Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, esteve na inauguração e destacou que o projeto fortalece o povo Dãw, sua diversidade cultural e territorialidade.

    “Atualmente o povo Dãw vem se fortalecendo e se organizando para retomada e ocupação de seu território tradicional, pois tem história de resistência na região do rio Curicuriari. A cada dia vem se fortalecendo, fazendo monitoramento, intercâmbios, valorizando e mantendo sua cultura, progredindo após quase ser extinto”, disse Marivelton Baré.

    Liderança do povo Dãw, a professora Auxiliadora Fernandes informa que a construção do centro cultural é resultado de luta e vai beneficiar também as novas gerações.

    “É uma conquista para que os nossos filhos tenham suas terras para trabalhar, colher frutos e que se sintam dentro de suas próprias terras, o que é de direito”, declarou.

    A cerimônia de inauguração da Casa Cultural contou com a presença da presidência e diretoria da FOIRN, de lideranças indígenas de diferentes povos, lideranças da Comunidade Inebo, representantes do Instituto Socioambiental – ISA, Funai, Condisi-ARN.

    Na inauguração, o povo Dãw e moradores da Comunidade Inebo fizeram a apresentação cultural “Dabucuri de Açaí”, com oferta do fruto aos presentes.

    Os indígenas da etnia Dãw quase foram extintos, sendo que nos anos 80 o grupo chegou a contar com apenas 60 representantes. Atualmente, 159 pessoas vivem no Waruá.

  • MULHERES INDÍGENAS LANÇAM CARTILHA SOBRE PLANTAS MEDICINAIS USADAS CONTRA COVID-19 NO RIO NEGRO

    MULHERES INDÍGENAS LANÇAM CARTILHA SOBRE PLANTAS MEDICINAIS USADAS CONTRA COVID-19 NO RIO NEGRO

    Cecília Albuquerque – Piratapuia, fundadora da Assai e conhecedora tradicional, apresenta a cartilha. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Mulheres Indígenas de várias etnias do Rio Negro lançaram na manhã deste sábado, 20/03, a Cartilha Conhecimento Indígena: Plantas medicinais e receitas usadas contra a Covid-19 no Rio Negro, em iniciativa conjunta da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI) e Instituto Socioambiental (ISA), apoiada pela FOIRN.

    A cartilha é fruto de oficina realizada no início de setembro de 2020, idealizada pela indígena Cecília Albuquerque, da etnia Piratapuia, uma das fundadoras da ASSAI. Além de receitas, a obra compartilha depoimentos de conhecedores tradicionais sobre o uso da medicina tradicional na pandemia.

    “Nós Indígenas do Rio Negro reforçamos durante a pandemia de Covid-19 em 2020 o valor que a nossa medicina e nossos saberes ancestrais têm. Nós usamos muitos remédios feitos com plantas, cipós, raízes, folhas, tudo tirado dos nossos quintais ou da floresta. Nesse momento de angústia para toda a humanidade, esse conhecimento foi fonte de cura, esperança e resistência diante de uma doença desconhecida que não tem cura”, diz Cecília Albuquerque na apresentação da cartilha. Dona Cecília informa que o saber tradicional é complementar aos conhecimentos científicos: ela já tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19.

    Lançamento da cartilha comemorou o Dia do Artesão (19 de março). Foto: Ray Baniwa/Foirn

    No lançamento o Presidente da Foirn, Marivelton Rodriguês Baré destacou a importância da Assai, dos conhecimentos tradicionais no enfrentamento da Covid-19 e elogiou o trabalho desenvolvido pelas mulheres indígenas que fazem parte da associação. “É muitobom o trabalho que a Assai tem realizado, especialmente na produção de cartilha sobre a medicina tradicional. Precisamos destacar, dar visibilidade e valorizar esses conhecimentos indígenas. E a nossa obrigação é apoiar essas iniciativas e trabalhos que nossas associações de base realizam, como é o caso da Assai, que tem feito trabalho exemplar”, disse.

    Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígena (DMIRN) e diretora interina da FOIRN, Dadá Baniwa diz que a cartilha é importante para levar conhecimentos tradicionais inclusive a alguns indígenas que já não estão mais fazendo uso dos remédios da floresta. “A FOIRN e do Departamento de Mulheres incentivam o uso de remédios tradicionais em conjunto com as medidas de preventivas. Com essa cartilha fica mais fácil compartilhar esse conhecimento. Mulheres de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos já receberam a cartilha e vão ajudar nesse compartilhamento”, disse.

    O conhecedor tradicional Ercolino, da etnia Dessana, ajudou muita gente com benzimentos na primeira e segunda ondas da pandemia. Ele também já tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19. “Com os benzimentos e vacina, a proteção fica mais forte”, diz. Para evitar a terceira onda, ele recomenda evitar aglomerações, tomar a vacina e manter os tratamentos tradicionais.

    Dona Ilza da Silva, da etnia Baré, teve a Covid-19 na segunda onda e recomenda a todos que permaneçam tomando os chás. “Parece que a Covid-19 veio para ficar, não vai embora fácil. Então tem que continuar tomando os chás”, diz. Ela é uma das artesãs que compartilhou seus conhecimentos que estão na cartilha.

     A cartilha chega para fortalecer ainda mais a luta contra Covid-19 no Rio Negro. Apesar da chegada da vacina na região, os cuidados como uso de máscaras, lavagem das mãos com sabão e principalmente o uso da medicina tradicional é necessário e deve continuar. 

    Saiba mais: Indígenas recorrem à medicina tradicional no tratamento contra a covid-19

  • Parceria entre FOIRN e Greenpeace garante usina de oxigênio para o Rio Negro

    Parceria entre FOIRN e Greenpeace garante usina de oxigênio para o Rio Negro

    Representantes de instituições locais e parceiros da Foirn visitam o local onde a usina será instalado em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Eucimar Aires/Foirn

    Parceria entre a FOIRN e o Greenpeace firmada dentro de ações de combate à pandemia da Covid-19 possibilitará a instalação de uma usina de oxigênio em São Gabriel da Cachoeira que beneficiará a região do Rio Negro.

    O equipamento deve entrar em funcionamento no próximo mês e será usado para envaze de cilindros, tendo capacidade para encher 12 equipamentos. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 16/3, pelo presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, Baré, em encontro na Maloca – Casa do Saber da FOIRN, com a presença do diretor de operações do Greenpeace Brasil, Agnaldo Almeida, e autoridades do município.

     A usina de oxigênio será doada pelo Greenpeace à FOIRN, que vai celebrar termo de cessão e gestão com a Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira. A partir daí serão firmados acordos para que os municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos também sejam beneficiados pela estrutura.

    Marivelton Rodriguês Baré, Presidente da Foirn, destaca a importância da parceria para esta conquista. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Marivelton Baré reforçou que essa é uma conquista interinstitucional conduzida pela federação. “É uma ação interinstitucional da FOIRN, Greenpeace, Instituto Socioambiental (ISA), Expedicionários da Saúde (EDS), FUNAI, Prefeitura. E chega após as maiores dificuldades enfrentadas na segunda onda, com alto índice de contaminação e mortes. Vem suprir uma necessidade para além da pandemia, pois há outras doenças que demandam o uso desse insumo.  Além disso, resolve um problema logístico, pois não será necessário mais fazer os envazes de cilindros em Manaus”, disse.

    Em meio à chamada segunda onda da pandemia, o Estado do Amazonas, em especial Manaus, viveu este ano uma crise sanitária provocada pela falta de oxigênio. Em São Gabriel da Cachoeira não houve desabastecimento do produto devido ao grande esforço interinstitucional, mas a cidade chegou a operar no limite.

    A usina adquirida pelo Greenpeace custa R$ 450 mil, mas incluindo o valor do transporte e instalação, o montante chega a R$ 700 mil. O equipamento será instalado em área da Unidade Básica de Saúde (UBS) de Saúde Miguel Quirino. Na terça-feira, após o encontro da FOIRN, uma comitiva visitou o local.

    Diretor de operações do Greenpeace Brasil, Agnaldo Almeida, disse que durante a crise do oxigênio, a principal preocupação da organização foi com nossos parceiros, entre eles o movimento indígena.

    “Na crise desenvolvemos alguns planos para ajudar e, durante esse processo, surgiu a ideia de garantir a compra de uma usina para que ela ficasse como legado desse trabalho no Rio Negro, não só pensando no momento de pandemia. É um legado que vai ficar para a cidade e para o entorno em momentos futuros também”, disse.

    Durante o encontro houve exposição do modelo da parceria e apresentação das especificações técnicas da usina. Participaram da reunião, entre outras autoridades, a vice-prefeita Eliane Falcão; a coordenadora da Coiab, Nara Baré; o coordenador regional da Funai – Coordenadoria Regional Rio Negro, Auri Santo Antunes de Oliveira; o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN), Hernane Souza; administrador do ISA – São Gabriel da Cachoeira, Wizer Oliveira; Diretora do Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira (HGu), tenenete-coronel Anaditália Pinheiro; vereador Messias Ambrósio. Também estiveram no encontro representantes de associações de base, diretores e coordenadores de departamento da FOIRN.

     DABUCURI

    O encontro na Maloca – Casa do Saber da FOIRN marcou o fim das obras de reforma da estrutura, que vinham ocorrendo desde setembro de 2020. Liderança indígena e conhecedor tradicional, Luiz Laureano, da etnia Baniwa, foi o responsável pela reestruturação na maloca. Nessa terça-feira, ele conduziu um Dabucuri para reabertura da Casa do Saber. A inauguração oficial deve acontecer em abril, coincidindo com a chegada da usina de oxigênio a São Gabriel da Cachoeira.

    Manter os cuidados preventivos continuam sendo fundamentais na luta contra a Covid-19.

  • Comunidade do povo Dãw comemora pela primeira vez o Dia Internacional da Mulher

    Comunidade do povo Dãw comemora pela primeira vez o Dia Internacional da Mulher

    A comunidade Waruá, do povo Dãw, em São Gabriel da Cachoeira (AM), comemorou este ano, pela primeira, vez o Dia Internacional da Mulher. 

    Mesmo com os desafios e perdas impostos pela pandemia da Covid-19, as mulheres se reuniram, seguindo os protocolos de segurança, demonstrando união de forças e solidariedade nesse momento difícil. 

    O objetivo do encontro, realizado no próprio Dia 8 de Março, segunda-feira, foi ressaltar o papel importante da mulher indígena na sociedade. Durante a comemoração, as mulheres indígenas deram depoimentos fortes e emocionantes. 

    “A mulher indígena é batalhadora, trabalha dia a dia, procura sempre afazeres na roça, em casa, seja onde estiver. Mas não podem esquecer que ela também se cansa”, disse a professora Auxiliadora Fernandes, liderança do povo Dãw. 

    Durante o encontro na comunidade Waruá, as mulheres guerreiras lembraram a importância da luta constante das mulheres e da conquista de espaços na educação, política, cultura, esportes, direitos sociais. 

    O Departamento de Mulheres Indígenas da FOIRN – DMIRN/FOIRN participou do encontro no Waruá. 

    Este ano, devido à pandemia, o DMIRN/FOIRN utilizou as redes sociais para prestar homenagem às mulheres, evitando encontros presenciais. “Lugar da Mulher Indígena é onde ela quiser” foi a principal mensagem que acompanhou fotos e vídeos de lideranças e outras mulheres que contribuem com seus saberes e experiências com o movimento indígena. 

    Confira mensagens das mulheres indígenas:

    “Lugar de Mulher é onde ela quiser, seja mulher artesã, mulher na roça, cuidadora da família… Feliz Dia Internacional da Mulher a todas as guerreiras do Rio Negro e do Brasil.”

    Janete Alves, Dessana, Diretora-executiva da FOIRN

    “Não é dia só de comemorar, mas de nós reivindicarmos nossos direitos. Direito de expressão, direito de participação.” 

    Professora Cecilia Albuquerque, Piratapuia, liderança indígena

    “Todas nós temos obstáculos, mas sempre vencemos e chegamos onde queremos estar.”

    Eliane Falcão,  vice-prefeita de São Gabriel da Cachoeira

    “Quero dizer a você mulher: seja firme! Seja perseverante. Sejamos sempre guerreiras, não devemos desistir diante das desigualdades sociais que enfrentamos, diante de todas as dificuldades, preconceitos e discriminações.”

    Lorena Araújo, Tariana

  • Marivelton, líder indígena da Amazônia, é premiado internacionalmente por projeto de turismo

    Marivelton, líder indígena da Amazônia, é premiado internacionalmente por projeto de turismo

    Marivelton Baré , Presidente da FOIRN. Foto: Juliana Radler/ISA

    Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

    MANAUS – O líder indígena do povo Baré e presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), Marivelton Barroso, de 29 anos, foi eleito nessa sexta-feira, 26, um dos cinco vencedores do prêmio internacional de viagens “Changing Your Mind 2021” (Mudando Sua Mente 2021), da revista americana Vanity Fair, um dos periódicos mais consagrados do mundo.

    A categoria premia as personalidades que mais se destacam pelo mundo com seus projetos inovadores de turismo. Marivelton levou o prêmio por sua atuação na promoção do turismo sustentável nas comunidades indígenas de Santa Isabel do Rio Negro, no interior do Amazonas, com o projeto “Serras Guerreiras de Tapuruquara”, construído e apoiado pela organização não governamental (ONG) Garupa, em parceria com outras entidades.

    “O prêmio vem de uma forma bastante surpresa e ao mesmo tempo emocionante que é ter o reconhecimento de um trabalho que é feito em grupo. A nossa representatividade se dá no âmbito coletivo. O ‘Serras Guerreiras…’ permite o visitante conhecer toda a nossa realidade, contada por nós, levada por nós e poder ter a dimensão do que é viver na Amazônia e na Terra Indígena aqui no Rio Negro”, disse Marivelton neste sábado, 27, em entrevista à REVISTA CENARIUM.

    Luta pelos direitos

    Natural de Santa Isabel do Rio Negro, Marivelton Baré luta pelos direitos dos povos indígenas do médio e baixo Rio Negro há, pelo menos, 16 anos. Ele conta que o projeto surgiu da vontade da comunidade de mostrar aos turistas um pouco mais da cultura local, em 2017. Para isso, era preciso buscar parceiros e promover atividades sustentáveis que pudessem gerar emprego e renda aos indígenas da região.

    “A gente já tinha o atrativo, mas precisaria dos parceiros para promover o turismo e graças a ele conseguimos oferecer aos turistas uma experiência inovadora, envolvendo cinco comunidades de Santa Isabel do Rio Negro. O turista pode ver as apresentações culturais, pode degustar da alimentação regional, visitar trilhas, subir as serras. Na comunidade, vai poder ver a exposição de artesanatos. É uma vivência ímpar para quem nunca veio à região à procura de produtos indígenas do rio Negro”, salientou.

    Em 2018, o líder indígena com o apoio da comunidade começou a experiência de trabalhar com turismo em Santa Isabel do Rio Negro. A iniciativa foi estabelecida com o apoio dos parceiros. Segundo o presidente da Foirn, a proposta se manteve em um ritmo bom até a pandemia da Covid-19 se instalar nas comunidades tradicionais na Amazônia e suspender as viagens.

    “Toda renda com o turismo é gerada para as famílias. A pandemia veio para atrapalhar, devastou nossa região, levou nossos familiares e, praticamente, suspendeu com essa continuidade do projeto que busca, a partir da percepção indígena, mostrar como vive nosso povo”, finalizou o líder Baré.

    Publicado pelaREVISTA CENARIUM em: https://revistacenarium.com.br/marivelton-lider-indigena-da-amazonia-e-premiado-internacionalmente-por-projeto-de-turismo/

  • Segunda dose de vacina e de solidariedade

    Segunda dose de vacina e de solidariedade

    Equipe DMIRN/FOIRN promove distribuição de máscaras aos idosos durante nova fase da campanha de imunização contra a Covid-19

    Em ação de solidariedade e conscientização sobre a importância da prevenção e da imunização contra a Covid-19, o Departamento de Mulheres Indígenas da FOIRN (DMIRN/FOIRN) promoveu, neste sábado (20/02), a entrega de máscaras a idosos que receberam a segunda dose da vacina e a profissionais de saúde. Foram distribuídas cerca de mil máscaras confeccionadas por mulheres indígenas em iniciativa da Campanha “Rio Negro, Nós Cuidamos”, desenvolvida pela FOIRN em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) para ações de proteção dos povos tradicionais durante a pandemia.

    “Essa é uma ação de preservação da vida, de precaução contra a Covid-19. A gente pode ver que os idosos estão mesmo usando as máscaras e sabemos que alguns deles não têm recursos para comprar a proteção. Outros vivem sozinhos e precisam de apoio para os cuidados”, disse a coordenadora do DMIRN e diretora interina da FOIRN, Maria do Carmo Piloto Martins, a Dadá Baniwa.

    A entrega das máscaras aconteceu nos postos de vacinação da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de São Gabriel da Cachoeira, que promoveu a segunda fase da campanha de vacinação contra a Covid-19 para os idosos. A primeira fase foi realizada em 23 de janeiro, quando o DMIRN retomou a Campanha “Rio Negro, Nós Cuidamos”, com entrega de máscaras e kits de higiene. Até 18 de fevereiro, um total de 6.557 pessoas já tinham sido vacinadas.

    Enfermeira da Semsa, Alberta Socorro Andrade avalia na primeira etapa alguns indígenas estavam receosos em receber a medicação, mas nessa segunda etapa estavam todos mais confiantes. Profissionais de saúde orientam a manter os cuidados preventivos mesmo após a segunda dose, pois a vacina leva até quatro semanas para fazer efeito.

    Coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI) em São Gabriel da Cachoeira, a enfermeira Laryssa Feitosa informou que o município já recebeu aproximadamente 31 mil doses do imunizante contra a Covid-19. A primeira remessa, de 27 mil doses, foi destinada ao Distrito Sanitário Especial Alto Rio Negro (Dsei-ARN), Dsei Yanomami e profissionais de saúde. Logo em seguida vieram os idosos. O próximo passo é vacinar profissionais de saúde de serviços particulares e, em seguida, será dado prosseguimento à imunização de profissionais de saúde que trabalham na parte administrativa dos serviços públicos. 

    A ação de entrega de máscaras teve apoio do Departamento de Jovens da Foirn (DAJIRN/FOIRN) e Setor de Comunicação (Setcom). Lembre-se parente: tome a vacina! Só vamos conseguir controlar a pandemia se muita gente for vacinada!

    Leia depoimentos de quem já está vacinado contra a Covid-19:

    Remédios tradicionais e imunização

    A professora, artesã e conhecedora indígena Cecília Albuquerque, da etnia Piratapuia, foi até o ginásio do Colégio São Gabriel para receber a dose de vacina contra a Covid-19. “Espero que todos possam tomar a vacina para não pegar a doença. Doer não dói. E salva vidas”, diz. Dona Cecília fez usos de remédios tradicionais durante toda a pandemia e continua preparando e tomando os chás.  

    Primeiro casal de idosos a ser vacinado

    O casal Mariquinha Navarro Campos, de 86 anos, da etnia Piratapuya, e Lauriano Freire Campos, de 88 anos, da etnia Tariano, tomaram a segunda dose da vacina nesse sábado (20/02). Eles foram os primeiros idosos de São Gabriel a receberem a vacina, em 19 de janeiro. “Eles não tiveram qualquer problema. Passaram bem o tempo todo”, informou o filho deles, Sérgio Navarro.

    Dose de esperança

    Funcionária da Foirn, Maria de Lourdes Veiga, da etnia Wanano, acompanhou sua mãe Emília Madalena, de 79 anos, Kubeu, para tomar a vacina na Escola Irmã Inês Penha. Para Lourdes, a vacina é sinônimo de esperança. “Minha irmã de 30 anos morreu vítima da Covid-19 na comunidade Jutica, no Rio Uaupés. Foi muita tristeza para a minha mãe. Agora temos essa esperança”, diz.

    Exemplo de força

    Indígena da etnia Baré, Apolônia Ramos Lizardo fará 90 anos no próximo mês de maio e foi se vacinar na manhã de sábado. Falando na língua Nheengatu, ela contou que recebeu a dose porque quer se salvar.

    Falta de conhecimento

    O indígena da etnia Baniwa Fernando José, de 74 anos, comentou sobre a resistência que alguns parentes moradores de comunidades estão tendo na hora de tomar a vacina. “A falta de conhecimento é que está levando os indígenas a terem medo da vacina. É preciso chegar às comunidades, explicar a eles o que é esse medicamento, conversar. Eles vão entender e tomar. É muito importante se proteger contra a doença, tomar a vacina”, disse. Ele e sua esposa Aurora Miguel, Baniwa, foram vacinados na Escola Sagrada Família. Fernando e Aurora são pais da liderança indígena André Baniwa e têm mais quatro filhos: Bonifácio, Braulina, Maria Eliana e Júlia.

    Preocupação com a família

    Maria do Carmo Martins Piloto, de 71 anos, mãe da Dadá Baniwa, tomou a vacina na Escola Irmã Inês Penha.  Ela quer saber agora é quando os filhos e outros familiares serão vacinados. “Estou muito feliz de tomar a segunda dose. Agora penso nos meus filhos que ainda não tomaram a vacina”, disse.

    Ela é uma das indígenas que estão confeccionando as máscaras de pano para serem doadas, inclusive as distribuídas nesse sábado. “Eu fico sentindo satisfação de poder ajudar, costurando mesmo com a minha máquina que está dando problema”, disse. O objetivo é que sejam costuradas 8 mil máscaras. Também estão ajudando nessa ação solidária Lucila Mendes de Lima, da etnia Tariano; Vanderleia Cardoso, Piratapuia; e Carmem Figueiredo Alves, Wanano.

    Perda de familiares

    “Eu não tive medo de tomar a vacina. Eu gostaria que todos os indígenas procurassem se vacinar. Por causa da Covid-19, eu perdi quatro pessoas da minha família e fiquei só eu. Morreram de Covid-19 meu pai e minha mãe, moradores de Santa Isabel do Rio Negro, e meus dois irmãos, um que morava em Santa Isabel e outro que vivia em Manaus. Eu moro aqui em São Gabriel, com minha mulher, quatro filhos e cinco netos. Quero ficar forte para ajudar outras pessoas que me auxiliaram. Agora estou esperando a minha família se vacinar.”  Bernardino Brazão, de 61 anos, da etnia Baré.

    Sem reação

    “Eu não senti nenhuma reação negativa. Tomei a vacina e voltei a trabalhar normalmente. Não ´precisa ter medo.” Irmã Irene Martini, de 73 anos

    Vida normal

    Maria Virgínia Albuquerque, de 72 anos, da etnia Baré, dá “a maior força” para as pessoas se vacinarem. “Antes, na primeira dose, eu estava com um pouco de medo. Agora está tudo mais calmo. Estamos querendo voltar à vida normal”, disse.