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  • CONHECEDORAS TRADICIONAIS REALIZAM AÇÃO SOLIDÁRIA DE COMBATE À COVID-19 EM SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA

    CONHECEDORAS TRADICIONAIS REALIZAM AÇÃO SOLIDÁRIA DE COMBATE À COVID-19 EM SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA

    Dona Jacinta Tukano prepara o chá. Foto: Eucimar dos Santos/Foirn

    Os remédios tradicionais indígenas estão sendo usados, desde o início da pandemia, no combate à Covid-19 no Alto Rio Negro. Nesta segunda onda da crise em saúde, em ação solidária apoiada pela Foirn, conhecedoras tradicionais indígenas estão preparando chás e doando às pessoas em tratamento na Unidade de Atendimento Primário Indígena (Uapi/Dsei/SGC).

    “Como conhecedoras tradicionais, sentimos a necessidade de ajudar os parentes, por isso viemos realizar esse trabalho aqui na cidade”, diz dona Jacinta Sampaio, 55, da etnia Tukano, moradora da comunidade Balaio, BR-307.

    O chá caseiro tradicional está sendo preparado por ela, por sua filha Adelina Sampaio e por dona Kátia Marinho, também da etnia Tukano.

    Pessoas interessadas nos remédios indígenas podem entrar em contato pelo número (zap) (97) 99612-9275. (apenas para moradores de São Gabriel da Cachoeira ou comunidades próximas).

    A região do Rio Negro continua sendo fortemente atingida pela segunda onda da pandemia da Covid-19. Em São Gabriel da Cachoeira já são 91 mortes.

    Essa iniciativa de dona Jacinta, com o preparo de remédios tradicionais, reforça os cuidados contra a pandemia.

    Mas é necessário manter medidas preventivas como uso de máscara, distanciamento social e lavagem das mãos.

    E lembre-se: o mais importante agora é tomar a vacina! Dá para fazer uso dos remédios tradicionais e tomar a vacina.

    A ação das conhecedoras tradicionais vai até 02/03 e conta com apoio da Foirn através do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN). Para conhecer mais e apoiar os nossos trabalhos de combate à Covid-19, acesse www.noscuidamos.foirn.org.br.

  • Canoa virtual: projeto conecta comunidades indígenas do Rio Negro à internet

    Canoa virtual: projeto conecta comunidades indígenas do Rio Negro à internet

    Projeto de fortalecimento da comunicação na parceria Foirn e ISA, apoiado pela Rainforest, Nia Tero e Fundação Moore instala oito pontos de internet via satélite

    Equipamento do ponto de internet instalado na comunidade Açai, Médio Rio Uaupés. Foto: Juliana Radler/ISA

    A pandemia de Covid-19 nos trouxe desafios e deixou muito evidente a importância de investirmos em melhorias de comunicação para as comunidades. O que já tínhamos falado muito nas oficinas de PGTA, assim como nossa juventude indígena também sempre enfatiza essa prioridade! A necessidade de manter contato com as equipes de saúde, sobretudo para ações emergenciais de resgate e atendimento para os doentes de Covid-19, mostrou que é preciso urgente ampliar os pontos de internet, assim como o número de radiofonia integrados ao 790.

    A comunicação instantânea por meio da internet salva vidas e é um instrumento de trabalho fundamental para as equipes de saúde, lideranças, profissionais da educação e para o desenvolvimento de toda a comunidade. Sabemos que as novas tecnologias também trazem besteiras. Mas colocando na balança, sabemos que pode trazer muito mais benefícios e bem viver para as comunidades do que problemas. Basta termos consciência e sabermos usar a tecnologia a nosso favor!

    Nesse sentido, no âmbito das ações de enfrentamento à pandemia de Covid-19, o Instituto Socioambiental (ISA) promoveu a instalação de oito pontos de internet via satélite nas seguintes comunidades: Canadá, Panapana e Vista Alegre (Içana), São Pedro e Pirara Poço (Tiquié), Açaí (Baixo Uaupés) e Cartucho e Acariquara, nos rios Negro e Jurubaxi.

    Kit de navegação na internet

    Foram instalados antena, roteador, modem e um pacote de energia solar para manter o sistema. Também serão instalados um notebook com uma impressora para apoiar nos trabalhos da comunidade. Também foi apoiado melhorias estruturais no local de instalação da internet, quando necessário. Essa primeira etapa da internet via satélite terá duração de 12 meses e espera-se que a partir desse bom uso pelas comunidades, a infraestrutura seja mantida para impulsionar os trabalhos realizados no âmbito da parceria FOIRN-ISA.

    Nessa primeira etapa foram contempladas 3 coordenadorias e o critério de escolha foi relacionado ao envolvimento das comunidades com trabalhos voltados às cadeias produtivas, rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (aimas), Rede Wayuri, turismo de base comunitária e gestão territorial e ambiental. No início do ano que vem está prevista uma oficina de fortalecimento para o bom uso da internet e como explorar da melhor forma esse meio de comunicação para o bem viver da comunidade.

    Rosivaldo Lima Miranda, do povo Piratapuia, da comunidade de Açaí, no Baixo Uaupés. Foto: Juliana Radler/ISA

    Rosivaldo Lima Miranda, do povo Piratapuia, da comunidade de Açaí, no Baixo Uaupés, recebeu a visita da comitiva do diretor Nildo Fontes, da Diawi’i no início de dezembro. Na ocasião, ele elogiou a instalação da internet. “Esse trabalho nos beneficiou muito. Nos ajuda na comunicação na saúde, educação, na comunicação com os parentes de fora, que estão em São Paulo, em São Gabriel. A gente nunca tinha sonhado em ter essa comunicação de primeira qualidade. E agora com isso vamos melhorar muito nosso trabalho comunitário e em prol do meio ambiente”, comentou Rosivaldo.

    A Foirn e seus convidados que estavam a caminho do rio Tiquié puderam verificar o bom funcionamento da internet, inclusive possibilitando conexão por áudio e vídeo. Nosso diretor Nildo comentou que com essa ampliação de internet de qualidade nas comunidades, será muito viável fazer mais articulações, viagens mais longas e trabalhos direto das comunidades. “Muitas vezes temos que voltar para a cidade por causa dos trabalhos que dependem de internet. Agora, posso ficar mais tempo nas bases e trabalhar daqui mesmo”, disse Nildo em Açaí.

    Baniwa defende TCC direto da comunidade de Vista Alegre

    O acadêmico Baniwa Alexandre Rodrigues Brazão conseguiu fazer a defesa do seu trabalho de conclusão de curso (TCC) intitulado “Calendário diferenciado da Escola Municipal Indígena Menino de Deus da comunidade Warirambá, rio Cuiari”, usando a plataforma Google meet, direto da internet instalada na comunidade de Vista Alegre (Rio Cuiary, afluente do Içana).

    Alexandre Rodrigues Brazão, defendeu seu trabalho de conclusão direto da comunidade Vista Alegre, rio Cuiarí. Foto: Reprodução

    O trabalho integra o curso de Licenciatura em Formação de Professores Indígenas, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), sob a orientação do professor doutor Gersem Luciano Baniwa. Sua banca examinadora contou com os professores Elciclei Faria dos Santos, Elias Brasilino de Souza e de notório saber, Brasilino Felipe dos Santos Baniwa.

    Para Brazão, defender seu TCC direto da comunidade foi uma emoção grande, além de um fator de economia, praticidade e em tempos de pandemia de Coronavírus, segurança para ele e sua comunidade, pois evitou se deslocar até a cidade, onde há aumento de casos da doença nesse momento de segunda onda. A defesa ocorreu no dia 18 de dezembro.

  • Conhecimentos ancestrais fortalecidos: Encontro no Tiquié reúne Kumuã para discutir Covid-19 e cria coordenação de saberes tradicionais indígenas

    Conhecimentos ancestrais fortalecidos: Encontro no Tiquié reúne Kumuã para discutir Covid-19 e cria coordenação de saberes tradicionais indígenas

    Participante do 1º Encontro de Conhecedores Tradicionais do Rio Tiquié. Foto: Ana Amélia Hamdan/ISA

    Algumas voadeiras que circularam pelo Rio Tiquié na primeira semana de dezembro transportaram passageiros com uma missão especial: trocar saberes tradicionais utilizados no enfrentamento à Covid-19 e estabelecer um protocolo indígena de proteção contra essa doença e outras enfermidades que possam atingir os povos do Rio Negro. Nos dias 4, 5 e 6 de dezembro, a comunidade Serra de Mucura, no Rio Tiquié, município de São Gabriel da Cachoeira (AM), recebeu o 1º Encontro de Conhecedores Tradicionais do Rio Tiquié, promovido pela Foirn com apoio do Instituto Socioambiental (ISA):  foram três dias de intensa troca de saberes entre os kumuã (plural de kumu) – como os conhecedores tradicionais são conhecidos na região. A reunião contou com a presença de um pajé que conduziu ritual para proteger indígenas e não indígenas do novo coronavírus.

    “Um dos objetivos do encontro é organizar os protocolos tradicionais indígenas de tratamento e prevenção da Covid-19. Os conhecedores fizeram os contos, as narrativas sobre as prevenções e tratamentos. Avançamos mais, com a criação de uma coordenação interna para conduzir estratégias para combate e prevenção da Covid e para articular outros eventos desse tipo, agregando mais conhecedores”, informa o vice-presidente da Foirn, Nildo Fontes, também diretor de referência da DIAWI´I (Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes).

    Nildo Fontes participou do encontro de Kumuã e explica que a demanda dessa reunião surgiu durante a realização das assembleias regionais eletivas da Foirn, quando indígenas moradores de diversas regiões reforçaram a informação de que recorreram aos saberes ancestrais para combater a Covid-19. Durante toda a pandemia, os povos tradicionais do Rio Negro utilizaram plantas medicinais, benzimentos e rituais para proteção no enfrentamento à pandemia. O relato é de que muitos se curaram com essas práticas, o que levou ao fortalecimento desses conhecimentos. Entretanto, esse resultado não foi registrado pelos órgãos oficiais.

    “Muitos de nós tivemos os sintomas da doença, usamos os medicamentos tradicionais e nos curamos, mas isso não está nos registros oficiais. Queremos que isso registrado”, explica Nildo Fontes. 

    Na conclusão da assembleia, foi divulgada uma carta em que os Kumuã demandam das instituições apoio para valorização dos saberes, inclusive com remuneração dos conhecedores e construção de casas de saber. Foi criada uma coordenação de conhecedores tradicionais para articulação e mobilização para fortalecimento dos saberes, estando prevista a realização de novo encontro em 2021, na comunidade de Caruru Cachoeira, também no Rio Tiquié. Fazem parte desse grupo o antropólogo Dagoberto Azevedo, da etnia Tukano, doutorando da Universidade Federal do Amazonas (Ufam); o professor Orlindo Marques, da etnia Tukano; Geraldino Tenório, da etnia Tuyuka; o conhecedor Damião Barbosa, Yeba Masã; o agente de saúde indígena (AIS) Arlindo Moura, Tukano.

    Entre os conhecedores presentes estavam Nazareno Marques (Tukano); Mário Campo (Desana); Tarcísio Barreto (Tukano); Celestino Azevedo (Tukano); Feliciano Tenório (Tuyuka); Damião Barbosa (Yebamasã). Além deles havia professores, agentes indígenas de saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (Aimas).

    O coordenador-adjunto do Programa Rio Negro do ISA, Aloisio Cabalzar, e a analista de comunicação do ISA, Juliana Radler, participaram do encontro de conhecedores do Rio Tiquié. Durante a assembleia foi entregue a representantes de comunidades a publicação Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Alto Rio Negro (PGTA), elaborado em conjunto pela FOIRN e ISA. O volume foi lançado em novembro durante a XV Assembleia Eletiva da Foirn.

    Aloísio Cabalzar aponta que o uso dos conhecimentos tradicionais durante a pandemia levou a um processo de autoconfiança dos indígenas. “Aqui nessa região, o tratamento principal para os povos Tukano é o benzimento, o encantamento que é feito pelos conhecedores. Eles procuraram nesse conjunto de encantamentos, a origem dessa doença. Então, a importância desse encontro é ser uma oportunidade de vários conhecedores do rio, de vários povos e comunidades, se encontrarem. Nem todo mundo sabe as mesmas coisas. Eles puderam compartilhar o que que estão fazendo, o que está dando certo”, disse.

    O encontro foi registrado por equipe do ISA e Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas, coordenada por Juliana Radler. Ela explicou que os registros do encontro serão utilizados para a produção de um documentário de curta duração que mostrará o enfrentamento da Covid-19 a partir de ações articuladas pelo Comitê Interinstitucional de Combate à Covid-19 de São Gabriel da Cachoeira e do uso de remédios e práticas tradicionais dos povos indígenas. As filmagens foram feitas no local pelo documentarista Christian Braga, com apoio do fotógrafo indígena Paulo Desana e do comunicador indígena Mauro Pedrosa. “Foi um encontro de força impressionante. Como jornalistas e comunicadores fomos chamados a levar adiante o recado dos povos indígenas de fortalecimento dos saberes e cuidado com meio ambiente”, disse Juliana Radler.

    Durante quatro dias, os conhecedores discutiram em suas línguas indígenasprincipalmente Tukno e Tuyuka   –  com apoio de tradução para o português do antropólogo Dagoberto Azevedo, além de Orlindo Marques e Geraldino Tenório. Uma das demandas dos próprios conhecedores é que esses saberes sejam compartilhados para com todos os povos indígenas do Rio Negro. O material será traduzido por comunicadores indígenas e compartilhado por meio de áudios com os demais povos do Rio Negro.

    O Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN) apoiou e participou do encontro. Representante do órgão, a psicóloga Ana Délia explicou que os trabalhos das equipes levam em conta a valorização dos saberes indígenas. Ela orientou sobre os procedimentos para evitar a contaminação pelo novo coronavírus, como uso de máscara, álcool em gel e evitar compartilhar objetos.

    Participantes do 1º Encontro de Conhecedores Tradicionais do Rio Tiquié. Foto: Ana Amélia Hamdan/ISA

    RITUAL

    Localizada na floresta amazônica e no meio do caminho entre os distritos de Taracuá e Pari-Cachoeira, Serra de Mucura é considerado um local sagrado pelos indígenas, abrigando quatro cavernas que representam malocas de onde surgiram os povos indígenas do Alto Rio Negro, do qual o Tiquié é afluente.   

    Capitão da Comunidade Serra de Mucura e presidente da Associação Indígena das Comunidades do Médio Tiquié, Roberval Sambrano Pedrosa e seus familiares recepcionaram o grupo de conhecedores. “Estamos realizando um grande evento aqui na comunidade sobre Covid-19. Estou muito alegre. É um lugar especial, com quatro cavernas que representam malocas antigas de onde se se originaram os povos do Alto Rio Negro”, explica.

    O encontro se tornou ainda mais especial com a realização de um ritual conduzido pelo pajé Jairo Villegas, que é um Yaí, um tipo de especialista tradicional que trabalha chupando as doenças dos pacientes. Os próprios indígenas explicam que a presença de um pajé nas comunidades foi ficando cada vez mais rara devido à influência dos religiosos que consideravam a prática um pecado, o que aconteceu também com os rituais de proteção.

    Na cerimônia realizada na Serra de Mucura foram benzidas substâncias como rapé, tabaco, Ipadu, carajiru, jenipapo e breu branco. O ritual foi regado com a bebida tradicional caxiri, preparada pelas mulheres da comunidade. Cantos e danças ocorreram pelo menos durante 8 horas seguidas. Foram utilizados maracás, chocalhos e adornos.

    Durante esse ritual, o pajé rearrumou o mundo, mandando a Covid-19 de volta para o lugar de onde ela saiu. Entretanto, ele mandou o recado de que precisa de uma contrapartida dos não indígenas, que devem parar de mexer no meio ambiente e de   provocar desmatamentos e queimadas. Também ajudaram na condução do rito o conhecedor Damião Amaral e os bayás (mestre de cerimônias) Rodrigo Lima Barbosa e Bernardo Lima Barbosa, todos da etnia Yeba Masã. O pajé fala a língua Makuna, que foi traduzida por Damião Amaral.

    Para ajudar no entendimento da ação do pajé, o antropólogo Dagoberto Azevedo compara o ritual realizado na Serra de Mucura a uma dose de reforço da vacina. “O que eles puderam fazer no ritual é a arrumação desse mundo cosmológico com esteio e portas de sustentação. Depois protegeram essa plataforma terrestre com esteios que têm durabilidade para combater o novo coronavirus. Protegeram a pessoa também com uma série de luzes e reflexos”, explica. O pajé também mencionou o uso de plantas amargas, como o cipó saracura. 

    O antropólogo indica que o ponto principal é que o pajé mandou a doença de volta para casa. “O ponto principal é que eles encaminharam o vírus para a origem dele, na casa dos brancos. Parecia que (o vírus) veio atacar os povos indígenas da região. O Yaí viu e abriu caminho por onde ele veio. Poderia atingir os não indígenas, mas ele flexibilizou essas portas para que os parceiros continuem trabalhando com os povos indígenas. Com essa flexibilização, o Yaí viu com a força do pensamento que a doença parecia estar querendo retornar. Mas nesse encontro ele reforçou essa proteção. Lançou como se fosse o reforço da vacina, traduzindo para vocês entenderem”, resume Dagoberto.

    Veja abaixo as principais demandas que constam da Carta dos Kumuã do Rio Tiquié      

    1 – Criar programas referente a valorização e fortalecimento dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas da região Diawií;

    2 –   Criar agenda de discussão interinstitucional para elaborar mecanismos para reconhecimento da categoria de conhecedores tradicionais visando à remuneração no processo de trabalho preventivo e de cura das doenças;

    3 –   Apoiar projetos específicos para as aldeias indígenas sobre cultura, encontros, cerimônias e atividades relacionadas para seu fortalecimento

    4 –   Apoiar na construção das casas dos saberes, usando materiais modernizados; elaborar projetos arquitetônicos para construção de casas de saber com formato tradicional e usar materiais adaptados modernos nas estruturas;

    5 –   União das instituições no processo de projetos referentes nos anseios dos povos indígenas;

    6-    Criar mecanismos para organizar formação e reconhecimento de novos conhecedores tradicionais indígenas;

    7-    Apoiar na divulgação dos trabalhos dos encontros;

    8 –   Valorização de antropólogos indígenas para colaborar no processo de organização do protocolo de prevenção e tratamento da Covid-19 e de outras doenças com conhecimentos tradicionais para o uso interno das comunidades dentro de seus territórios.

    Participantes moradores de comunidades (por comunidade e em ordem alfabética)

    Acará-Poço

    Oscarina Caldas Azevedo, Desana, de Acará-Poço

    Rafael Antônio Azevedo, Tukano, de Acará-Poço

    Boca do Sal

    Rafael Marques, Tukano, de Imaculada/Boca do Sal

    Caruru-Cachoeira

    Claudimar Rezende Marques, Tukano, de Caruru-Cachoeira

    Nazareno Marques, Tukano, de Cachoeira Caruru

    Orlindo Marques, Tukano, de Caruru-Cachoeira

    Cunuri

    Estévão Monteiro Pedrosa, Tukano, Cumuri

    João Carlos Pedrosa, Tukano, de Cunuri

    Guadalupe

    Oziel Barbosa Macedo, Desano, de Guadalupe

    Morro do Beija-Flor

    Bernardo Lima Barbosa, Yeba Masã, de Morro do Beija-Flor

    Tarcísio Lima, Yeba Masã, de Morro do Beija-Flor

    Pirarara-Poço

    Alesânia Aguiar Azevedo, Tukano

    Arnaldo Azevedo, Tukano, de Pirarara-Poço

    Celestino Rezende Azevedo, Tukano, de Pirarara-Poço

    Derluce Massa Azevedo, Tukano, de Pirarara-Poço

    Edigio Veiga, Desano, de Pirara-Poço

    Eugênia Pimentel, Desano, de Pirarara-Poço

    João Pedro Lima Azevedo, Tukano, de Pirarara-Poço

    Jones Rezende, Tukano, de Pirarara Poço

    Jusaleia Veiga, Desana, Pirarara-Poço

    Osimar Azevedo, Tukano, de Pirarara-Poço

    Palmira Azevedo, de Pirara-Poço

    Rafael Peixoto Veiga, Desano, de Pirarara-Poço

    Rosilene Aguiar Azevedo, Tukano, de Pirarara- Poço

    Rosivaldo Aguiar Azevedo, Tukano, de Pirarara-Poço

    Vilmar Rezende Azevedo, Tukano, de Pirara-Poço

    Porto Amazona

    Jairo Lemdaño Villega, Makuna, Porto Amazona

    Santa Rosa

    Inácio Macedo Barbosa, Yeba-Masã, de Santa Rosa

    João Bosco Macedo, Desano, de Santa Rosa

    Mateus Gomes Macedo, Desano, de Santa Rosa

    São Domingos

    Tarcísio Borges Barreto, Tukano, de São Domingos

    São Felipe

    Damião Amaral Barbosa, Yeba-Masã, São Felipe

    Maria Áurea Nunes Batista, Baniwa, de São Felipe

    Rodrigo Lima Barbosa, Yeba Masã, de São Felipe

    São José I

    Rogelino da Cruz Alves Azevedo, Tukano, de São José I

    São Luiz

    Cornélio Gonçalves, Desano,

    São Miguel

    Geraldino Tenório, Tuyuka, de São Miguel

    São Pedro

    Anunciata Rezende Marques, Tukano, de São Pedro

    Edilson Villegas Ramos, Tuyuka, de São Pedro

    Feliciano Tenório, Tuyuka, de São Pedro

    João Paulo Tenório, Tuyuka, de São Pedro

    Josival Azevedo Rezende, tuyuka, de São Pedro

    São Sebastião

    Germano Campos, Desano, São Sebastião

    Margarete Pinheiro, Tuyuka, de São Sebastião

    Mário Campos, Desano, de São Sebastião

    Odilon José Lopes Campos, Desano, de São Sebastião

    Serra de Mucura

    Enedina Azevedo, Desana, Serra do Mucura

    Ernesto da Silva, Tukano, Serra do Mucura

    Jocimara Alves Maia, Tukano, de Serra do Mucura

    José Calixto Araújo Pedrosa, Tukano, Serra do Mucura

    Josiane Maria Pedrosa, Tukano, de Serra do Mucura

    Maria Aparecida Bernardes, Tariana, de Serra do Mucura

    Maria de Lourdes Marques Tenório, Tuyuka, de Serra do Mucura

    Roberval Sambrano Pedrosa, Tukano, Serra do Mucura

    Taracuá

    Arlindo Matos Moura, Tukano, de Taracuá

    Isaías da Silva, Tukano, de Taracuá

    FOIRN

    Vice-presidente, Nildo Fontes

    ISA

    Aloisio Cabalzar, coordenador-adjunto do Programa Rio Negro

    Juliana Radler, analista de comunicação

    Ana Amélia Hamdan, jornalista

    Christian Braga, documentarista

    Paulo Desana, fotógrafo e documentarista indígena

    Mauro Pedrosa, Aima

    Julião, Barqueiro

    Augusto, Barqueiro

    Antropólogo indígena

    Dagoberto Azevedo, Tukano, antropólogo doutorando da Univesidade Federal do Amazonas (Ufam)

    Dsei-ARN

    Ana Délia, Psicóloga

    Colaborou: Ana Amélia Hamdan/ISA e Nildo José Miguel Fontes/Foirn

  • Departamento de Educação da Foirn e Seduc avaliam Assessoria Indígena e buscam ampliação de parceria

    Departamento de Educação da Foirn e Seduc avaliam Assessoria Indígena e buscam ampliação de parceria

    Proposta das bases é criação de rede de lideranças indígenas para atuar em conjunto com os órgãos públicos responsáveis pelo ensino na região

    Diretoria da Foirn, assessoria indígena da Seduc e lideranças indígenas se reúnem para avaliar ações. Foto: Reprodução

    O Departamento de Educação Escolar Indígena da Foirn está em fase de reestruturação e já deu início a discussões para ampliar a participação de lideranças da região do Rio Negro na Assessoria Indígena da Secretaria de Estado da Educação do Amazonas (Seduc), com reforço na parceria entre as entidades. Nessa terça-feira, 01/12, a Diretoria da Foirn e Coordenador do Departamento de Educação Escolar Indígena, Edson Gomes Baré, se reuniram com a Assessora Indígena da Seduc, Sidneia Fontes, e com Alva Rosa, Assessora da Coordenação das Escolas Estaduais do Interior da Coordenadoria Local da Seduc em São Gabriel da Cachoeira (AM). Algumas lideranças indígenas de base também participaram do encontro.

    Entre os temas discutidos no encontro, que aconteceu na sede da Foirn em São Gabriel, estão a avaliação da atuação da assessoria indígena e a reestruturação do Departamento de Educação Escolar Indígena da Foirn, que acontece amparada nas demandas das bases discutidas e encaminhadas nas assembleias sub-regionais.

    Uma das principais propostas formar uma rede de lideranças indígenas que possam participar diretamente nas discussões e implementação de ações em parcerias com as instituições que cuidam do tema de educação de escolar indígena do Rio Negro, como as secretarias municipal e estadual de Educação. A proposta será consolidada no primeiro semestre de 2021.

    A Assessoria Indígena dentro da Seduc foi uma reivindicação e conquista do Movimento Indígena do Rio Negro no atual Governo Wilson Lima. Ao longo de dois anos de atuação, a assessoria tem sido um importante espaço de interlocução de lideranças e professores indígenas com o Governo do Estado, especialmente com a Seduc. Em 2019, algumas comitivas de lideranças indígenas conseguiram dialogar com a secretaria através da mediação da Assessoria Indígena. 

    Atual assessora, Sidneia Fontes relatou desafios na realização das ações e recomendou mais diálogo e união entre a assessoria e os espaços que já existem hoje, como a Gerência de Educação Escolar Indígena e o Conselho de Educação Escolar Indígena na luta e na implementação de ações.

    Conheça o trabalho do nosso Departamento de Educação Escolar Indígena: https://foirn.org.br/educacao/

  • Eleição na FOIRN: presidente Marivelton Baré e vice Nildo Fontes Tukano são reeleitos para gestão 2021-2024

    Eleição na FOIRN: presidente Marivelton Baré e vice Nildo Fontes Tukano são reeleitos para gestão 2021-2024

    Marivelton Rodriguês Baré (em pé) foi reeleito presidente da Foirn para a gestão 2021-2024. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Os gestores que estarão à frente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) entre 2021 e 2024 foram definidos nesta sexta-feira: o atual presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, foi reeleito para o cargo. O vice-presidente, Nildo Fontes, Tukano, também permanecerá no posto. A eleição ocorreu durante a XV Assembleia Geral Ordinária Eletiva da FOIRN, que este ano teve o tema “Pandemia e os saberes tradicionais indígenas do Rio Negro”. O encontro aconteceu em São Gabriel da Cachoeira (AM), na quinta e sexta-feira, 26 e 27, no auditório do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), seguindo as regras sanitárias para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.

    “A gente não vai reduzir espaços e não vai reduzir ninguém, pois o nosso espaço é coletivo. Temos que focar nas nossas estratégias”, disse Marivelton Baré, em seu discurso logo após a eleição, lembrando que começou sua trajetória no movimento jovem indígena. Entre suas prioridades para a próxima gestão estão o fortalecimento institucional da FOIRN, gestão transparente e reforço das bases. Ele concorreu pela Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (CAIMBRN).   

    Também se candidataram à presidência Nildo José, da Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes (DIAWÌI); Adão Henrique, da Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié (CAIARNX); e Janete Alves, da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI). Associação Baniwa e Koripako (NADZOERI) não apresentou candidato.

    Cada uma das cinco coordenadorias regionais teve direito a 20 votos. Marivelton Baré recebeu 58 votos; Nildo Fontes teve 34; Janete Alves ficou com 5 votos. Adão Henrique não foi votado. Três votos foram anulados.   

    As assembleias eletivas realizadas nos meses de outubro e novembro nas cinco coordenadorias regionais já tinham definido a diretoria que trabalhará em conjunto com a presidência. Foram reeleitos os diretores de referência Isaías Pereira Fontes, Baniwa; Adão Francisco, Baré; e Carlos Neri, Piratapuya. Eleita pela primeira vez para a diretoria de referência, Janete Desana, será a única mulher na diretoria da casa. Ela entra no lugar de Almerinda Ramos, do povo Tariano, liderança indígena, atual diretora executiva e ex-presidente e da FOIRN.

    Coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Nara Baré participou da Assembleia em São Gabriel. “Foi um movimento vitorioso para todos nós. Queremos parabenizar os diretores eleitos, que executarão as demandas comunidades. Gostaria de fortalecer nossa parceria com a FOIRN. E é nosso dever enquanto organização a defesa de nossos territórios”, disse no encerramento do encontro.

    Nara Baré, Coordenadora da Coiab participou da assembleia da Foirn em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    O coordenador-adjunto do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA), Aloisio Cabalzar, parabenizou os eleitos e renovou a colaboração e trabalho conjunto com a FOIRN. “Esse caminho da FOIRN é um caminho iluminado, com muita contribuição para a região e povos indígenas. Estamos juntos”, disse.

    Desafios da Covid-19 e as limitações impostas pelo Governo Federal aos povos indígenas estiveram presentes durante as discussões na XV Assembleia Eletiva. Por outro lado, o fortalecimento institucional da FOIRN e a reação dos povos indígenas frente à pandemia, com o uso e valorização dos remédios e práticas tradicionais, também foram ressaltados.

    Durante a assembleia foi lançado o livro do Plano de Gestão Territorial e (PGTA) do Alto Rio Negro, elaborado em parceria pela FOIRN e ISA. Ex-presidente e diretores da FOIRN e convidados foram homenageados e receberam exemplares da publicação. Segundo Marivelton Baré, um dos desafios da nova gestão é buscar parcerias para garantir a execução do PGTA. “É nosso plano de vida do território. Ali nele estão as nossas reivindicações, o que a gente quer” disse.

    Conforme Aloisio Cabalsar, o PGTA já vem sendo utilizado como referência para trabalhos nos territórios indígenas do Rio Negro. “O PGTA é exemplar em termos da profundidade do trabalho investido, envolvendo um processo amplamente participativo, com levantamento demográfico socioeconômico das condições de cada comunidade. O trabalho envolveu mais de 40 pesquisadores indígenas e possibilitou atualizar a base de dados.  Já é referência para instituições públicas e outras organizações que atuam nas terras indígenas. É um documento que forma base de trabalho e planejamento sólido para a região”, disse.

    Jornalista do ISA, Juliana Radler apresentou os trabalhos da Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas, que vem atuando na produção de notícias no Rio Negro e este ano cobriu as eleições municipais em São Gabriel da Cachoeira, inclusive com entrevistas com os candidatos a prefeito. Os comunicadores fizeram a cobertura da XV Assembleia Eletiva da FOIRN. Um documentário sobre o encontro que reuniu indígenas de diversas etnias do Rio Negro está em processo de produção.

    O reforço da economia indígena esteve em destaque durante o encontro: Marivelton Barroso divulgou que está em elaboração o Fundo Indígena do Rio Negro, em apoio a projetos das associações regionais para que essas organizações tenham autonomia de execução de projetos. O fundo, gerido pela FOIRN, deve lançar os primeiros editais no início de 2021.

    Coordenadora do Fundo Podáali – Fundo Indígena da Amazônia, Valéria Paye informou que os primeiros editais serão abertos em 2021, com objetivo de fortalecer iniciativas indígenas, sempre com atenção na preservação ambiental e da cultura dos povos tradicionais. O fundo é gerido pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Também foi divulgada parceria entre Coiab e Unicef que beneficiará a os indígenas do Rio Negro, já havendo definição de bolsas para quatro comunicadores em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

    Durante a assembleia foram aprovadas algumas demandas e deliberações. O Departamento de Mulheres Indígenas (DMIRN), o Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas (DAJIRN), o Departamento de Educação e o Conselho Diretor vão ter reforço de pessoal.

    Também foi definido que a Foirn articulará para garantir o reconhecimento e registro dos tratamentos indígenas utilizados contra a Covid-19 e, ainda, para impulsionar discussões sobre a criação de centro de saúde indígena no Rio Negro. A Federação também buscará compromisso institucional das prefeituras de São Gabriel, Santa Isabel e Barcelos; além de fazer parcerias com o Sebrae para o desenvolvimento do artesanato.

    Cobertura: Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas

  • Assembleia da FOIRN tem início com exposições sobre a pandemia e fortalecimento do movimento indígena

    Assembleia da FOIRN tem início com exposições sobre a pandemia e fortalecimento do movimento indígena

    Francisco Baniwa oferece caxirí para as lideranças do Rio Negro e convidados na abertura da assembleia. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A tradicional cerimônia do Dabucuri de Patauá – com canto, dança e oferta de alimentos – marcou ontem quinta-feira, 26, a abertura da XV Assembleia Geral Ordinária Eletiva da FOIRN, que este ano traz o tema “Pandemia e os saberes tradicionais indígenas do Rio Negro”. Entre os assuntos discutidos no primeiro dia do encontro estão a necessidade do fortalecimento do movimento indígena e os desafios trazidos pela pandemia causada pelo novo coronavírus. A assembleia ocorre no campus do Instituto Federal da Amazônia (Ifam) em São Gabriel da Cachoeira (AM) e termina nesta sexta-feira, dia 27.

    Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, falou dos desafios enfrentados durante a pandemia e reforçou a necessidade da união dos povos indígenas. “A gente vive momento de ataques às organizações. A gente não tem que se perseguir de parente para parente. Temos que honrar nosso compromisso: nosso compromisso é com a causa, interesses territoriais, economia indígena, com a nossa sigla. Hoje a gente é respeitado como liderança, conhecido no Brasil, no mundo, como modelo de organização. Todos nós que passamos por essa diretoria somos guerreiros, deixamos história. Essa conquista é de todos nós. Se conseguimos representatividade moral e institucional isso é do movimento indígena do Rio Negro, não só da diretoria”, disse.

    DiretorPresidente da Foirn, Marivelton Rodriguês Baré na abertura da assembleia. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Ele também lamentou a perda de indígenas vítimas da Covid-19, entre eles importantes lideranças e conhecedores tradicionais do Rio Negro. Marivelton Baré coordenou os trabalhos do Comitê de Enfrentamento e Combate à Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira e, durante o encontro desta quinta-feira, apresentou as ações desenvolvidas pela FOIRN durante a crise em saúde. O uso dos remédios e práticas tradicionais dos povos do Rio Negro contra a Covid-19 também foi ressaltado. “Foi o que nos salvou”, disse a liderança.

    Ao lado de Marivelton Baré, compondo a mesa da Assembleia, estavam o vice-presidente da FOIRN, Nildo Fontes, Tukano; e os diretores Isaías Pereira Fontes, Baniwa; Almerinda Ramos, Tariana; Adão Francisco, Baré; e Carlos Neri, Piratapuya.

    Além de contar com a presença de delegados das cinco coordenadorias que representam os 23 povos do Rio Negro, o encontro em São Gabriel da Cachoeira teve a presença de lideranças nacionais e de indígenas da Região Nordeste e do Estado do Pará.

    Coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Nara Baré participa do encontro. Ela reiterou a necessidade de fortalecimento dos povos indígenas. “Com associações, parceiros, apoiadores, enfrentamos as pessoas que se colocam como nossos inimigos. Porque não somos inimigos de ninguém. Assim teremos o fortalecimento da representatividade da voz dos povos indígenas”, diz. Nara Baré é nascida em São Gabriel da Cachoeira e sua família é da Ilha do Mirí, no Alto Rio Negro.

    A diversidade cultural da Assembleia foi destacada pela jornalista do Instituto Socioambiental (ISA), Juliana Radler. “Este foi um ano muito desafiador que estivemos de luta e luto. Mas estamos fortes, vamos dar as mãos e enfrentar a pandemia de cabeça erguida e fortalecidos para um 2021 com mais trabalho. Nessa assembleia temos o movimento indígena do Rio Negro e do país, com Apib, Coiab, além de lideranças de outros povos. Estamos juntos na celebração da diversidade cultural do nosso país”, disse.  Juliana Radler representou o coordenador-adjunto do Programa Rio Negro do ISA, Aloisio Cabalzar.

    Coordenadora-executiva da Apib, Valéria Paye participou do encontro e traçou um panorama do movimento indígena, ressaltando desafios como direito ao território, superação da tutela e perda de conquistas durante o atual governo.

    Também participam da assembleia Alessandro Santo, Pataxó de Porto Seguro (BA), da União Nacional Indígena (UNI); Junior Xucuru, de Pernambuco, da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer); e o cacique Braz, do povo Tapuia do Pará. Eles apresentaram o canto Toré, tradicional do povo Xucuru, na língua Brobó.

    A Assembleia contou com delegações das cinco coordenadorias regionais do Rio Negro: Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI); Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié (CAIARNX); Associação Baniwa e Koripako (NADZOERI); Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes (DIAUWÌI); e Coordenadoriadas Associações Indígenas do Médio e BaixoRio Negro (CAIMBRN).

    Plateia formada pelos delegados das cinco coordenadorias regionais da Foirn. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Moradores das comunidades falaram sobre como enfrentaram a pandemia no território indígena e narraram momentos de angústia, em alguns casos com falta de estrutura e atendimento adequados. A estratégia mais utilizada foi o uso dos remédios e práticas tradicionais.

    Também nesta quinta-feira foram apresentados os novos coordenadores do Departamento de Mulheres do Rio Negro (DMIRN) e do Departamento de Adolescentes e Jovens do Rio Negro (DAJIRN) da FOIRN. Estarão à frente do DMIRN no período de 2021 a 2024 Dadá Baniwa e Larissa Duarte, da etnia Tukano. Para o Departamento de Jovens foram eleitos Elson Kene, Baré, e Gleice Maia, Tukano.

    O Dabucuri de Patauá que marcou a abertura do encontro foi oferecido pela coordenadoria NADZOERE. Secretário-executivo dessa coordenadoria, Juvêncio Cardoso explica que a cerimônia ocorre em agradecimento e marca a mudança de ciclos, como a época de determinadas frutas ou fenômenos do clima. No contexto do movimento indígena, a cerimônia marca o fim do ciclo do mandato que se encerra neste ano e, ao mesmo tempo, busca a melhoria e o fortalecimento para a nova gestão.

     Confira a programação completa:

    https://bit.ly/3nWq3aC

    Cobertura do evento: Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas

  • Valorização dos saberes indígenas: enfrentamento à  pandemia é tema da XV Assembleia Eletiva da FOIRN

    Valorização dos saberes indígenas: enfrentamento à pandemia é tema da XV Assembleia Eletiva da FOIRN

    Local da Assembleia será realizando no Auditório do IFAM-Campus São Gabriel da Cachoeira. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A XV Assembleia Geral Ordinária Eletiva da FOIRN acontece nesta quinta e sexta-feira, dias 26 e 27 de novembro, em São Gabriel da Cachoeira (AM), com o tema “Pandemia e os saberes indígenas do Rio Negro”. Delegações de todas as cinco coordenadorias regionais da FOIRN já estão na cidade garantindo representatividade à calha do Rio Negro. Este ano, a imagem que representa o encontro é uma pintura do artista plástico e liderança Feliciano Lana, da etnia Desana, que morreu em maio, aos 83 anos, vítima da Covid-19. A obra mostra a tradicional prática curativa dos pajés do Rio Negro. Além da pandemia, estarão em discussão temas como negócios socioambientais e o cenário do movimento indígena.

    Presidente da Foirn, Marivelton Barroso agradece e dá as boas-vindas aos delegados e convidados que participarão do encontro, que será realizado no campus do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) – Campus São Gabriel da Cachoeira, já que a Maloca/Casa do Saber da Foirn está em reforma. A assembleia seguirá as normas sanitárias para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. Esse cuidado estará presente até mesmo na decoração, que utilizará amostras de plantas tradicionais utilizadas no preparo de chás utilizados contra a Covid-19.

    A abertura, na manhã desta quinta-feira, será marcada por um dabucuri de patauá, ou seja, uma festa com oferta do fruto tradicional na região para recepção das delegações.  Dentro da programação, o Instituto Socioambiental (ISA) irá apresentar ações desenvolvidas em conjunto com a FOIRN, inclusive no combate à pandemia. Representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) vão traçar o panorama do movimento indígena.

    Delegados de todas as coordenadorias regionais  Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI); Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié (CAIARNX); Associação Baniwa e Koripako (NADZOERI); Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes (DIAUWÌI); e Coordenadoriadas Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (CAIMBRN) – vão expor as práticas tradicionais utilizadas em suas regiões no enfrentamento à Covid-19.

    Marivelton Baré coordenou o Comitê Interinstitucional de Enfrentamento e Combate à Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira e ressalta o esforço realizado para a construção de parcerias que garantiram o reforço dos serviços públicos de saúde na região, sendo um exemplo a implantação das Unidades de Atendimento Primário Indígena (Uapis) no território indígena. A iniciativa  foi executada após articulação entre Foirn, ISA, Expedicionários da Saúde e Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (Dsei-ARN).

    O presidente da FOIRN reforça a importância do resgate de remédios e práticas tradicionais durante a pandemia, tema amplamente debatido nas assembleias regionais. “Houve esse incentivo e discussão da valorização da nossa própria medicina tradicional, do nosso próprio conhecimento indígena. Os remédios caseiros, os benzimentos nos salvaram, nos livraram. A gente não é contra a medicina ocidental, mas também a medicina tradicional vale muito”, decla

    Durante a XV Assembleia será lançado o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) do Alto Rio Negro, elaborado em parceria entre FOIRN e ISA após processo de consulta. “O PGTA é nosso plano de vida do território. Ali nele estão as nossas reivindicações, o que a gente quer. O reconhecimento e valorização cultural, proteção, governança, educação, saúde, infraestrutura, comunicação, entre outras demandas necessárias, como promover e fortalecer a regularização das associações, políticas das mulheres e da juventude, com formação de jovens lideranças”, diz. A implantação dos PGTAs terá início em 2021.

    As camisetas do evento carregam artes do Feliciano Lana Dessana, vítima de Covid-19. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Outros importantes tópicos em discussão estão a criação do fundo de contribuição financeira do Rio Negro e a estruturação do Departamento de Negócios Socioambientais da FOIRN. “Estamos iniciando uma política de fortalecimento e fomento da economia indígena. É a geração de renda a partir de produtos que mostram toda a diversidade dos povos do Rio Negro”, diz Marivelton Baré.

    Confira a programação completa:

    https://bit.ly/3nWq3aC

    Cobertura do evento: Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas

  • Carta Manifesto de Indígenas Mulheres do Rio Negro

    Carta Manifesto de Indígenas Mulheres do Rio Negro

    Mulheres indígenas debateram saúde e protagonismo feminino indígena na pandemia de Covid-19|Ray Baniwa/Foirn

    Sobre a solicitação de Delegada Mulher em São Gabriel da Cachoeira/AM

    Nós, indígenas Mulheres, reunidas na VIII – Assembleia Eletiva do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN), da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), no município de São Gabriel da Cachoeira, representamos 91 associações e 750 comunidades indígenas, discutimos nossas pautas especificas, que são voltadas aos nossos direitos. Avaliamos e deliberamos que há uma necessidade da nomeação de uma nova DELEGADA MULHER para trabalhar conosco no atendimento contra a violência sexual e doméstica e discriminação contra a indígena Mulher. Nós cada vez mais estamos nos e empoderando sobre os nossos direitos. Nos últimos 02 anos, tivemos uma delegada que dialogou e acompanhou a indígenas mulheres vítimas de violência domesticas e outras violências, que consideramos importante continuar.

    Nosso município e nas comunidades indígenas, segundo a delegada Dra. Grace Jardim, apresenta alto índice de violência e violações de direitos das mulheres, sabemos que isso é devido em razão da falta de conhecimento de direitos e em razão da cultura machista de nossa sociedade. É primordial que o atendimento às mulheres pelo sistema de Segurança Pública seja realizado por uma mulher, pois somente assim nos sentimos acolhidas, como também

    É importante também que exista na Delegacia um atendimento especializado à mulher, com psicólogas, assistente social, Casa da Mulher, e outros atendimentos especializados no combate e enfrentamento à violência doméstica.

    Nós reivindicamos, ainda, que o Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN) da FOIRN, possa acompanhar diretamente a política pública voltada aos direitos das mulheres, especialmente, as ações relacionadas à Segurança Pública, para melhor acesso ao sistema de justiça, com o direito de denunciar e oferecer a nossa parenta um acolhimento humanizado, para se sentir protegida. Isso que queremos.

    Reivindicamos também uma Defensora Pública Mulher no município de São Gabriel da Cachoeira para que possa juntamente com a Delegada oferecer uma proteção a nossos direitos da mulher, pois vivemos em uma área muito remota e necessitamos de acesso à Justiça. Nossas parentes não têm condições de ir até a capital Manaus, sendo obrigação do Estado oferecer assistência jurídica no nosso município, como também aos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

    Além de trabalhar com o departamento, vimos a necessidade de uma Secretaria da Mulher que dialogue diretamente com as Organizações Indígenas, no processo de formação e acesso a seus direitos, com a promoção de cursos e oficinas em linguagem acessível, garantindo a interculturalidade, para que todas as famílias e mulheres possam ser parte participante dessa política de atendimento as mulheres e acesso a seus direitos.

    E nesse sentindo encaminhamos e aprovamos essa solicitação, para maior credibilidade segue a nossas assinaturas, por cada regional que ecoam vozes diversas das mulheres de 23 povos indígenas no Rio Negro.

    Saudações Indígenas das Mulheres do Rio Negro.

    São Gabriel da Cachoeira, 30 de outubro de 2020.

    Saiba mais: https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/mulheres-indigenas-do-rio-negro-fazem-chamado-a-autonomia-precisamos-perder-o-medo-de-falar

  • Jovens indígenas elegem representantes e reivindicam reforço na educação e ação contra mudança no clima

    Jovens indígenas elegem representantes e reivindicam reforço na educação e ação contra mudança no clima

    Participantes da IV Assembleia de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro realizado em São Gabriel da Cachoeira/AM

    Os dois novos coordenadores do Departamento de Jovens Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (DAJIRN/FOIRN) foram escolhidos nesta sexta-feira, 6 de novembro, durante a IV Assembleia Geral Eletiva de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro – Pandemia da Covid-19 e a Emergência Climática: Desafios para a Juventude Indígena do Rio Negro. Venceram as eleições para coordenar o DAJIRN/FOIRN entre 2021 e 2024 os jovens Elson Kene, de 27 anos, da etnia Baré, e Gleice Maia, de 18 anos, da etnia Tukano. Atualmente, os coordenadores do departamento são Adelina Sampaio, da etnia Desana, e Elson Kene.

    Entre os desafios dos novos coordenadores, estão dar continuidade ao fortalecimento do departamento, atuar junto ao poder público por medidas contra a emergência climática e por mais segurança. Essas foram algumas das demandas dos participantes da assembleia. Uma carta com essas reivindicações será encaminhada ao poder público, indicando. O documento indica, inclusive, a necessidade de o campus São Gabriel da Cachoeira do Instituto Federal do Amazonas (IFAM) passar a ser Instituto Federal Indígena do Rio Negro.

    Os jovens reivindicam também um terceiro coordenador que fique em Santa Isabel do Rio Negro ou Barcelos. Os atuais coordenadores do DAJIRN trabalham na sede da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira, e desenvolvem atividades no território indígena. Eles alegam que, como o território é muito extenso, o departamento centralizado não consegue dar voz à demanda de todos os jovens.

    Eleito para a coordenação do DAJIRN/FOIRN, Elson Kene já ocupa esse cargo, tendo assumido a função este ano, quando substituiu Lucas Matos, da etnia Tariano, que não terminou seu mandato por motivos pessoais. Elson Kene é professor, formado em licenciatura indígena no polo Cucuí da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Ele é da etnia Baré, mas nasceu e vive na comunidade Baniwa de Boa Vista, na Foz do Içana, e foi indicado pela NADZOERE (Associação Baniwa e Koripaco).

    A jovem Gleice Maia Machado, de 18 anos, é da etnia Tukano, tem ensino médio completo e mora do Distrito de Iauaretê. Ela foi indicada pela COIDI (Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê) e disse que pretende ajudar e representar os jovens de todas as etnias do Rio Negro. Os dois vencedores também foram os nomes indicados pela CAIARNX (Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié).

    Elson Kane Baré e Gleyse Maia Tukano foram eleitos para coordenar do Dajirn/Foirn na gestão 2021-2024. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    A DIAWI´I (Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes) indicou Erinelson Piloto Freitas, Tukano, e Vera Lúcia Aguiar, Tukano. Já   CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro) indicou Lilia França, da etnia Baré. 

    Todas as cinco coordenadorias regionais da FOIRN participaram do encontro, que contou também com a presença de jovens indígenas da etnia Dãw. Cada uma das coordenadorias indicou os nomes que concorreram ao cargo de coordenador do DAJIRN. Tiveram poder de voto 10 representantes de cada coordenadoria regional.

    Advogada do Instituto Socioambiental (ISA), Renata Vieira acompanhou o processo eleitoral. Ela reforçou com os adolescentes e jovens que o Direito é um espaço de luta, ou seja, eles devem sempre estar na briga para que suas demandas sejam colocadas em prática.

    Esse é o primeiro encontro após o início da pandemia da Covid-19. Os jovens relataram sobre como suas comunidades enfrentaram a doença com o uso de remédios e práticas tradicionais. Falaram também sobre como o aquecimento global está interferindo na rotina dos indígenas. Informaram que querem dar prosseguimento aos estudos e, para isso, demandam mais apoio e estrutura do poder público. E pediram mais segurança, pois se sentem na linha de frente de problemas como alcoolismo, homicídio, suicídio.

    ATUAL GESTÃO

    Adelina de Assis Sampaio, atual coordenadora do Dajirn, apresenta relatórios de atividades do período de 2017-2020. Foto: Ana Amélia/ISA

    Um dos desafios enfrentados pela atual gestão foi a pandemia. O DAJIRN, assim como muitas instituições, precisou interromper projetos. Segundo Adelina Sampaio, o departamento deixou de realizar as oficinas e conscientização sobre os direitos dos povos indígenas que seriam realizadas no território.  

    Ela aponta que, ainda assim, o DAJIRN manteve as atividades. Adelina e Kelson participaram de entrega de cestas básicas e distribuição de máscaras. O Departamento de Adolescentes e Jovens atuou em conjunto com o Departamento de Educação da FOIRN mantendo diálogo com as secretarias de Educação municipal e estadual para acompanhar a suspensão e, em seguida, retomada das aulas devido à COVID-19.

    Sobre o tema do encontro, mudanças climáticas e Covid-19, Adelina Sampaio explica que são duas questões que estão impactando a vida dos jovens em seus territórios. “Temos ouvido jovens de outros territórios, até por meio de lives, para perguntar sobre a realidade em outros locais, saber sobre os impactos do desmatamento. Sabemos que o desequilíbrio no meio ambiente traz doenças. Não só Covid, mas dengue, malária. Então estamos discutindo esse tema no Rio Negro”, disse.

    ABERTURA

    A assembleia aconteceu quinta e sexta-feira (5 e 6 de novembro), no auditório do Colégio São Gabriel, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Os jovens desenvolveram grupos de trabalho e, a partir das discussões, apresentaram demandas.

    Presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, da etnia Baré, participou da abertura do evento e até levou para casa, de presente, uma paca moqueada e beiju. Também estiveram na abertura a jornalista Juliana Radler, do Instituto Socioambiental (ISA); Mateus Vendramini, da Funai; Eraldina Machado, da FOIRN.

    Membros da FOIRN que fizeram parte do movimento de jovens indígenas e hoje ocupam outros cargos participaram do encontro e incentivaram os participantes. Entre essas pessoas estão Edneia Teles (Arapaso), Claudia Wanano, Elizângela da Silva (Baré), Ray Baniwa, e Janete Alves (Desana).

    Durante o primeiro dia da Assembleia, o Agente Indígena de Manejo Ambiental (AIMA), Mauro Pedroso, da etnia Tukano, falou sobre o calendário de ciclos anuais e políticas para adaptação das mudanças climáticas. O médico Guilherme Monção, do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (Dsei-ARN) falou sobre a Covid-19 no território indígena. 

    O encontro foi finalizado na tarde de sexta-feira, com uma partida de futebol entre os jovens indígenas do Rio Negro.

  • Protagonismo pelo bem viver indígena: Departamento de Mulheres da FOIRN elege suas novas coordenadoras

    Protagonismo pelo bem viver indígena: Departamento de Mulheres da FOIRN elege suas novas coordenadoras

    Indígenas da etnia Baniwa e Tukano são as novas coordenadoras do Departamento de Mulheres da FOIRN.

    Mulheres indígenas do Rio Negro participantes da VIII Assembleia Eletiva das Mulheres. Foto: Ray Baniwa/Foirn

    Após um dia de debates sobre propostas e demandas de mulheres indígenas, as duas novas coordenadoras do Departamento de Mulheres Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN) foram eleitas nesta sexta-feira (30). Venceram as eleições e vão comandar o departamento, de 2021 a 2024, Maria do Rosário Piloto Martins, a Dadá Baniwa, que concorreu pela coordenadoria NADZOERE (Associação Baniwa e Koripaco), e Larissa Duarte, da etnia Tukano, indicada pela coordenadoria DIAWI´I (Coordenação das Organizações Indígenas do Tiquié, Baixo Uaupés e Afluentes).

    Maria do Rosário Baniwa e Larissa Duarte Tukano foram eleitas para a gestão 2021 a 2024 do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro/Foirn. Foto: Ray Baniwa/Foirn


    A escolha ocorreu na VIII Assembleia Eletiva das Mulheres Indígenas, que teve como tema Protagonismo das Mulheres pelo Bem Viver Indígena no Rio Negro e aconteceu na quinta e sexta-feira (29 e 30), no ginásio do Colégio São Gabriel, em São Gabriel da Cachoeira (AM), com ampla representatividade das coordenadorias regionais da FOIRN. Mulheres de várias etnias, como Tukano, Baré, Tariano, Wanano, Yanomami, Dãw, participaram do encontro.


    Dadá Baniwa tem mestrando em linguística e línguas indígenas pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro, é fluente em Baniwa e disse que quer atuar em colaboração com a diretoria e coordenadorias da FOIRN, pensando em todos as mulheres do Rio Negro. Larissa disse que sempre conviveu com o movimento indígena, sendo que seu pai Sebastião Duarte teve participação da criação da FOIRN. “Sou mãe, mulher, artesã, trabalho na roça e sei representar as pessoas”, disse. Ela é falante da língua Tukano.


    No total, 55 mulheres votaram, sendo 10 de cada coordenadoria regional da FOIRN e cinco da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (Assai), representando a sede.
    Dadá Baniwa recebeu 23 votos, enquanto Larissa ficou com 11. Também concorreram ao cargo Margarida Maia, da etnia Tukano, representante da COIDI (Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê), e Belmira Melgaço, Baré, representado a CAIARNX (Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié). Cada uma delas teve 10 votos, sendo registrado um voto nulo. A CAIMBRN (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro) participou do encontro, mas não apontou concorrente.


    As atuais coordenadoras, Elisângela da Silva, da etnia Baré, e Janete Alves, da etnia Desana, conduziram a assembleia e se mostraram satisfeitas com a mobilização feminina. Elas continuarão atuando no movimento indígena. Elisângela é do conselho fiscal da FOIRN e presidente da Associação das Mulheres Indígenas do Rio Negro (AMIRN). Janete Alves ocupará o cargo de diretora de referência da COIDI na FOIRN

    Mulheres de várias etnias compartilharam suas experiências de enfrentamento da covid-19 no Rio Negro. Foto: Ana Amélia/ISA

    Um importante encaminhamento do encontro foi uma carta-manifesto – assinada pelas mulheres de todas as coordenadorias regionais da FOIRN – reivindicando a manutenção de uma delegada mulher em São Gabriel da Cachoeira, além da implantação de uma Defensoria Pública, com titular mulher, e uma Secretaria Especializada da Mulher no município, para facilitar o acesso ao sistema de Justiça e garantir a proteção ao direito das mulheres. A atual titular da delegacia, Grace Jardim, é a primeira delegada mulher do município. Ela estruturou uma equipe feminina e atuou no combate à violência contra a mulher, mas deixará o município no final deste ano.

    Delegada Grace Jardim e Renata Vieira, advogada do ISA participaram da assembleia das mulheres indígenas do Rio Negro. Foto: Ana Amélia/ISA


    A carta-manifesto foi lida por Janete Alves. O documento será encaminhado às autoridades de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. Além disso, as mulheres querem o apoio do DMIRN/FOIRN para patentear os remédios tradicionais utilizados contra a Covid-19 entre os povos indígenas do Rio Negro. As práticas tradicionais foram amplamente utilizadas por essa população e, conforme os indígenas, foi o que evitou que a situação se agravasse.

    Delegadas vieram das cinco Coordenadorias Regionais da Foirn: Caiarnx, Caimbrn, Nadzoeri, Diawi´i e Coidi. Foto: Ana Amélia/ISA


    Durante a VIII Assembleia Eletiva, as mulheres cobraram iniciativas para garantir o bem viver e o reforço da estrutura das associações para que elas tenham autonomia de ações. Elas querem alojamentos para quando vierem à cidade, embarcações exclusivas para as suas atividades, combustível para viajar e mobilizar as bases, oficinas de capacitação e incremento de renda, atendimento à saúde, medidas de segurança, promoção das práticas tradicionais, entre outros.
    Primeira coordenadora do DMIRN e uma das fundadoras da Assai, a professora artesã Cecília Albuquerque participou da assembleia. Ela considera que um dos desafios da nova gestão é a articulação com as associações de base do território indígena. Para Cecília, é visível o fortalecimento das mulheres indígenas ao longo dos anos. “Eu vejo algumas pessoas que antes tinham medo de falar e agora estão aí falando, reivindicando”, disse.


    Advogada do Instituto Socioambiental (ISA), Renata Vieira auxiliou no processo eleitoral. Na abertura do evento ela falou sobre a abrangência da luta da mulher indígena. “A luta da mulher indígena não é uma luta por um direito que é só dela. A luta da mulher indígena é uma luta pelo território, pelos filhos, contra o alcoolismo, contra o suicídio. Pelo direito à saúde, à vida, à educação, transmissão do conhecimento. É ela quem ensina a língua ao filho. A luta da mulher indígena é de todos”, disse.
    Uma das convidadas para o encontro, a delegada Grace Jardim reforçou a necessidade de as mulheres vítimas de violência denunciarem o problema. “A denúncia é importante porque, só a partir dos casos registrados na base de dados, serão encaminhados recursos ao município”, explica. Uma das demandas da própria delegada para a cidade é um abrigo para as mulheres que precisam sair de casa para serem protegidas. Ela reconhece que as pessoas que vivem nas comunidades enfrentam maiores dificuldades para fazer denúncias, mas sugeriu que as coordenadorias discutam a criação de um meio de comunicação, com apoio das associações e FOIRN, para que os casos de violência cheguem até a Polícia Civil.


    PANDEMIA
    O tema do encontro – Protagonismo das Mulheres pelo Bem Viver Indígena no Rio Negro – levou a falas sobre o combate à Covid-19, com as mulheres trocando experiências sobre as práticas tradicionais que utilizaram no combate à doença. Entre eles estão chás, benzimentos e defumações. Algumas delas falaram em língua indígena, como Baniwa.


    Esse protagonismo pelo bem viver foi exercido inclusive durante o período mais agudo da pandemia. O DMIRN/FOIRN, em parceria com o ISA, desenvolveu a campanha Rio Negro, Nós Cuidamos, que arrecadou recursos para ações que incentivaram os indígenas a ficarem em suas aldeias, evitando a vinda à cidade e o risco maior de contágio. Além disso, o DMIRN atuou na distribuição de cestas básicas, material de limpeza e máscaras, além de auxiliar os parentes com informações sobre a Covid-19.


    As indígenas relatam que no território a maioria das pessoas contraiu a Covid-19 e se tratou usando remédios caseiros. A professora e liderança Enegilda Gomes Vasconcelos, de Taracuá, resume essa situação. “A Covid-19 deu foi em massa. As pessoas pegaram ser perceber que era essa doença. Todo mundo achou que estava gripado. Depois veio a equipe de saúde, fez o teste e comprovou que todo mundo teve a Covid-19. Agora temos algumas pessoas com sequela”, diz. Em Taracuá, assim como em todo o Rio Negro, os indígenas utilizaram as práticas tradicionais.

    GERAÇÃO DE RENDA

    O fortalecimento das mulheres por meio da geração da renda também foi debatido no encontro. Gerente da loja de artesanatos indígenas Wariró, Luciane Mendes de Lima, explicou que a unidade vem passando por reestruturação, com organização de cadastro de artesãos e fortalecimento do diálogo com os fornecedores que vêm das comunidades. Para incrementar as vendas, a equipe vem estruturando um catálogo com as peças, suas características, preços e disponibilidade. Também são feitos contatos constantes com os consumidores em várias partes do país. A boa notícia é que, mesmo durante a pandemia, a Wariró ampliou as suas vendas. Durante todo o evento, as indígenas promoveram uma feira para venda


    Questões sobre saúde da mulher e educação também foram abordados. A VIII Assembleia Eletiva das Mulheres Indígenas teve participação reduzida, com limitação de vagas em cada delegação, seguindo as regras sanitárias para evitar o contágio pelo novo coronavírus.


    Apoiaram a realização do encontro o Instituto Socioambiental (ISA), Campanha Rio Negro, Nós Cuidamos, Embaixada da Noruega, União Amazônia Viva, Mosaky, Aliança pelo Clima e Norwegian Rainforest Foundation.

    Por Ana Amélia/ISA e Ray Baniwa/Foirn